Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice.
– Bem vinda a Lugar Nenhum, babes.
E, quando eu abri os olhos, tive que gritar o mais alto possível.
Chapter three.
Conhecendo Lugar Nenhum.
BellaPOV.
Abrir meus olhos foi um grande erro, pois, quando o fiz, a primeira coisa que vi foi um homem de costas para mim. Atrás da cabeça dele, onde deveria ter o cabelo ou, pelo menos, a pele, havia um grande buraco. Beetlejuice me abraçou, escondendo minha cabeça em seu peitoral, murmurando algo em meu ouvido.
– Está tudo bem, babes. É só o Jack, um amigo meu. Está tudo bem.
Ele repetiu aquilo mais algumas vezes, até que meu coração voltou a bater no ritmo normal.
– Beetlejuice, ele não tem a parte de trás da cabeça!
– Bella... – Era a primeira vez que ele me chamava de Bella.
– Você viu aquilo? Beetlejuice, ele tem...
– Se disser meu nome mais uma vez, babes, você vai automaticamente voltar para seu quarto.
Eu parei imediatamente. Não estava preparada para voltar para a realidade.
– BJ. – Exclamei, com súbita inspiração. – Posso te chamar de BJ, então?
Ele sorriu.
– Pode, pode sim. Agora, tente se acalmar, certo? Aquele homem que você viu, aquele pegando as bebidas, é o Jack.
– O que aconteceu com ele?
Beetlejuice hesitou.
– Lugar Nenhum é o lugar para onde as pessoas que morrem vão, babes. Jack teve muitos problemas quando vivo. Ele colocou um revólver dentro da própria boca e...
– Puxou o gatilho. – Completei, horrorizada.
– Você quer que eu te leve de volta?
– Não. Não, eu quero ficar. Desculpe por ter reagido mal.
Ele encostou seus lábios na minha testa. Fechei os olhos. Era incrível. Todas as vezes que ele me tocava, meu coração dava um salto dentro do meu peito.
– Você reagiu como qualquer outra pessoa reagiria, babes. Venha. Quero que conheça algumas pessoas muito especiais para mim.
Ele passou o braço pela minha cintura e me puxou até a porta do lugar. E foi então que eu finalmente percebi onde estávamos.
– Isso é um clube.
Beetlejuice riu ao meu lado.
– E só agora você percebeu isso?
– Estava muito ocupada olhando o cara com um buraco na cabeça! – Defendi-me, lançando-lhe um olhar feio.
– Estamos no mais famoso bar de Lugar Nenhum. O nome é Eclipse. É aqui que passo minhas noites entediantes com meus amigos.
– Os amigos que está me levando para conhecer? – Perguntei, desviando meus olhos do pequeno palco que havia ali para encarar Beetlejuice mais uma vez.
Ele sorriu para mim.
– Sim, são os mesmos. Vamos?
– Vamos. – Concordei, aconchegando-me em seu abraço. Era incrível como eu me sentia segura perto dele.
Beetlejuice e eu saímos do tal bar Eclipse e caminhamos juntos pelas ruas de Lugar Nenhum. Mordi meu lábio inferior, olhando em volta. Eu ainda esperava acordar a qualquer minuto, só para descobrir que nada daquilo era real. Só um sonho maluco. Mas, no fundo, eu desejava com todas as forças que aquilo não fosse só um sonho. Que Beetlejuice realmente fosse real ou, pelo menos, o quão real um fantasma podia ser.
– Como foi que você morreu?
Ele desviou seus olhos verdes de mim. Seus lábios se apertaram numa fina linha enquanto ele bricava com a minha mão esquerda.
– Está tudo bem, BJ. Não precisa falar sobre isso.
Ele balançou a cabeça.
– Vou lhe contar. Só que... Não agora. Nós chegamos.
E foi só então que eu percebi a pequena, porém bonita, casa do outro lado da rua. Olhei em volta. Só havia aquela casa ali e mais nada.
– Wow. Por quanto tempo nós andamos?
Beetlejuice riu.
– Por um bom tempo. Fico feliz que eu tenha conseguido a distrair.
Mordi o lábio, olhando a casa mais atentamente. Era pequena, mas parecia o tipo de casa onde eu gostaria de morar. Era pintada de um amarelo bem claro, a madeira das janelas era vermelha e era possível ver as cortinas brancas escondendo o interior da casa. Havia uma chaminé por onde saía fumaça.
– É linda.
– Esme vai ficar feliz em saber que você gostou. – Beetlejuice me apertou mais contra si e, juntos, caminhamos até a porta.
– Mas, tenho que admitir, – Prossegui, enquanto ele batia na porta – é bem diferente do resto de Lugar Nenhum.
Ele riu.
– Digamos que Esme tem um gosto bem único.
– Está aberta! – Uma voz musical gritou de lá de dentro.
Beetlejuice empurrou a porta e nós entramos. O interior da casa era exatamente como eu imaginava. As paredes eram brancas e, na sala onde estávamos, havia um sofá vermelho-sangue, junto a uma mesinha de madeira e uma TV. Era tudo extremamente simples, mas muito aconchegante e bonito.
Mas eu não tive tempo de examinar mais nada, pois Beetlejuice me esperava na porta de vidro entreaberta. Sorri para ele, desculpando-me pela demora, e o segui para o quintal da casa. E me surpreendi com o que vi.
Eu esperava ver um quintal de grama, ou de cimento, ou qualquer outra coisa parecida. O que eu não esperava era que meus pés afundassem na areia fofa de uma bela praia. Ouvi a risada baixa de Beetlejuice ao meu lado e tive certeza de que minha expressão devia mostrar exatamente o que eu estava pensando. Não muito longe de nós, as ondas se quebravam na areia branca.
– Você gostou?
Tudo que consegui fazer foi assentir. Só acordei de meu transe perplexo quando Beetlejuice me puxou, levemente, pela mão, levando-me em direção de uma grande mesa. Havia uma mulher sentada lá e ela estava de costas para mim. Fiquei feliz em saber que não havia um buraco na cabeça dela. E, então, ela se virou.
Eu tive que morder meu lábio para conter o grito de surpresa. A mulher sorria para Beetlejuice como uma mãe sorri para um filho. Ela deveria ter sido muito bonita um dia. Mas, hoje, suas feições maternais estavam destruídas por grandes hematomas. Enormes marcas roxas e vermelhas cobriam seu rosto, seus braços e suas pernas, pelo pouco que pude ver. Eu teria escondido meu rosto no ombro de Beetlejuice, assustada e enojada, exatamente como fizera ao ver Jack, mas não pude. Não pude faze-lo porque, naquele rosto desfigurado, a mulher sustentava seu sorriso. Um sorriso alegre, calmo. Um sorriso de mãe. Um sorriso que eu não via há muito tempo.
– Olá, meu querido. Estávamos mesmo esperando por você. E quem é essa jovem?
– Esme, esta é Bella. Babes, esta é Esme. Ela é como uma mãe.
Eu sorri para ela, retribuindo seu sorriso caloroso direcionado a mim. E fiquei feliz em perceber que não era um sorriso forçado.
– Oh, querida. – Exclamou Esme de repente, cobrindo a própria face com as mãos. – Você é humana, eu não havia percebido. Eu sinto muito, querida, eu não pretendia assustá-la.
– Não, não. – Eu disse rapidamente. Olhei para Beetlejuice e me virei rapidamente para Esme. – Não se preocupe. Depois de ver Jack, acho que nada mais me surpreende.
Ela riu de leve, abaixando as mãos.
– Bem, fico feliz que esteja se acostumando. Sentem-se.
– Onde estão os outros? – Perguntou Beetlejuice.
– Quer dizer nós? – Alguém exclamou atrás de nós. Reconheci aquela voz animada imediatamente.
– Alice?
N/A: Eu tinha um capítulo enorme. Cinco páginas, no mínimo. E eu perdi ele! Apertei o botão errado e fechei o arquivo sem salvar. EU QUERO ME MATAR! Foi por isso que eu demorei, pessoal. Eu reescrevi como lembrava e dividi ele em duas partes. Vou postar a segunda parte logo! Beijos.
Aliás, junto com ele, eu vou responder algumas perguntas que me mandaram pelas reviews, então, se alguém quiser perguntar alguma coisa, é só mandar uma review.
