A/N: Esse capítulo não será tão previsível quanto vocês imaginam, acontecimentos estão vindo, nos preparando para o final.
Último Problema em Forks
Capítulo 14
Meus meninos
POV Jasper
Meu pai me abraçou, eu pude sentir o quanto ele me entendia e o quanto dar uma surra em Alice acabou com ele.
Pensei comigo que eu jamais seria capaz de ser tão bom como ele. Ainda estava precisando recompor-se da surra de Alice, e nós demos uma mancada dessas, minha mãe tinha o rosto marcado de lágrimas, e pelo visto ele ainda tinha coisas pra resolver com Seth.
Espero que o moleque não irrite muito ele, por que daqui a pouco é a nossa vez.
Com esse pensamento eu dei uma olhada disfarçada para o cinto na mão dele, esperando que fosse só uma ameaça amedrontadora, Edward olhou pra mim enquanto minha mãe já estava dentro da casa segurando a porta pra nós com cara de carcereira.
Era sempre assim quando a gente sumia ou atrasava por algum motivo, primeiro os abraços e os beijinho depois...
PLAFT!* Au mãae!
Antes que eu completasse meu pensamento, meu braço ardeu com um tapa.
Eu me encolhi, mas ao invés de dar outro, ela agarrou as orelhas dos meus irmãos cada um com uma mão e empurrou a gente na direção da sala.
"O que vocês estavam pensando, não estão vendo o que está havendo aqui?"
Ela apontou o dedo na direção dos quartos onde muito provavelmente as meninas estavam de castigo.
No silêncio escutamos a voz do meu pai do lado de fora
"Seth? Onde pensa que vai?"
O garoto estava ferrado, mas não tanto quanto nós, pelo menos meu pai não ia bater nele.
Mas eu não estava interessado na conversa lá de fora, nem tão pouco na palestra da minha mãe sobre o toque de recolher, não que eu não a respeitasse, mas além de que ela seria exaustamente repetida pelo meu pai, minha atenção estava nos andares de cima, onde se encontrava minha doce Alice.
Eu não conseguia ouvir nada, parecia que estava dormindo, bom, pelo menos o que meu pai disse não foi apenas pra me consolar, ela estava realmente bem, ou pelo menos não estava chorando.
"Está me ouvindo Jasper?"
Minha mãe chamou minha atenção, eu dei um pulo.
"Sim sim mãe! Ligar o telefone!"
Peeeen!# Resposta errada!Ela devia estar falando de algo completamente diferente, porque ela tirou a sandália do pé e deu com tudo na minha perna.
SLEP!* Aiê!
"Vocês estão me levando na brincadeira? Eu vou lá pra cima e vou deixar seu pai resolver isso sozinho!"
Meu irmão começaram a implorar imediatamente
"Não, não, mamãe!"
Emmett pediu segurando a saia dela.
"Nós estamos prestando atenção, Jasper só viajou um pouquinho na maionese por causa da Lice só isso!"
Edward explicou com aquela voz chorosa que consegue tudo dela.
Ela olhou pra nós três de cara feia, puxou a saia dela de volta, jogou a rasteirinha no chão e apontou o dedo na nossa direção, mas antes que ela dissesse qualquer coisa, meu pai interrompeu do lado de fora.
"Esme querida, pode por favor, trazer uma roupa do Edward pra o Seth vestir?"
Minha mãe calçou o maldito chinelinho e subiu as escadas em velocidade vampírica.
Só então eu franzi a testa e passei a mão na minha coxa dolorida debaixo das risadas dos meus irmãos.
Era incrível o quanto um objeto tão pequeno e leve pode doer quando está sob a força da dona Esme.
A risadinha deles não demorou muito, pois ela já estava de volta em poucos segundos, trazendo uma calça de moletom uma camiseta e um par de chinelos.
Ela lançou um olhar que varreu o sorriso da cara deles num instante.
"Amor, as roupas estão no parapeito da varanda."
"Obrigado, querida!"
Ela avisou do lado de fora, mas já estava dentro quando ele respondeu.
Ela já ia abrir a boca pra retomar o que ia dizendo, que eu não faço a mínima idéia, diga-se de passagem, quando ouvimos um som inconfundível lá fora que fez nos quatro saltarmos de susto.
SHLAP!*** AAAAAAAAAUUUUUuuuuu!
"Olha aqui garoto, se você tentar fugir mais uma vez eu vou te dar uma surra entendeu?"
"Você entendeu?"
"Sim senhor, ..."
"Vista-se!"
Minha mãe percebeu nosso espanto e explicou.
Sue ligou e pediu ajuda, disse a seu pai que poderia fazer o que fosse "necessário"
"Sente-se!"
"Agora olhem pra mim, se fosse da conta de vocês eles estariam tendo essa conversa aqui e não no jardim."
Ela começou um discurso que sabíamos de cor.
"Tem noção do quanto eu fiquei preocupada quando Jacob falou de outros vampiros e vocês não estavam aqui?"
Respiramos fundo ao mesmo tempo.
"Quantas vezes vamos ter que repe...blá, blá, blá..."
De repente percebi que dessa vez eram meus irmãos prestando atenção em outra coisa.
O que não era de se estranhar a conversa lá fora se tornara interessante quando o nome de Nessie e Emmett foram citados.
"Eu sei de tudo que Renesmee, Emmett e você aprontaram, eu a obriguei a me mostrar, mas não quero que você pense que estou aqui pra tomar satisfações sobre meu filho e minha neta, ou pra resolver qualquer coisa da responsabilidade deles, eles são bem grandinhos e vão responder pelos seu atos, não foram obrigados a te ajudar no seu ato de completa irresponsabilidade."
"Au! Au! Au! Au!"
Ela agarrou as orelhas deles, dessa vez ela não percebeu que eu também estava distraído, de novo.
"Se continuarem a me ignorar, eu vou arrancar as orelhas de vocês e dar pro seu pai colocar de volta."
Eles arregalaram os olhos, você pode até pensar que é brincadeira, mas uma vez ela fez isso com o Emmett, ela rançou a orelha dele e deu para o meu pai.
Lembro-me como se fosse ontem das palavras dele.
"Pergunta pro seu filho o que é que orelha dele está fazendo no meu bolso!"
Não foi crueldade nem planejado, ela estava tão fora de si que acabou acontecendo então ela aproveitou pra dar o exemplo.
Desde então todos temos evitado chatear a mamãe além do limite.
E por falar em chatear a mamãe, ouvimos algo lá fora que deixou todo mundo tenso, inclusive ela.
"Sim Seth, chorando, você a fez chorar, sabe o quanto isso é inaceitável? Levar uma mãe às lágrimas é sempre uma falha que merece punição! O que você tem a dizer por você mesmo? ... ... ...
Nem chegamos a ouvir o restante, Emmett ficou em pé nervoso como se quisesse um lugar pra se esconder, o chorão do Edward já começou a encher os olhos de veneno, meu pai já tinha tido coragem de bater em sua pequena Alice com aquele cinto medonho, e teve também coragem de bater no filho dos outros.
Não era difícil imaginar o que ele faria com nós três depois de fazermos a nossa mãe chorar, desobedecendo a mesma regra pela milésima vez.
Eu também fiquei nervoso, hora essa, ninguém gosta de apanhar, mas quem ficou nervosa mesmo foi a minha mãe, ela não gosta que ele bata em nós, mas pior mesmo é ele bater em nós por causa dela.
Ela até esqueceu de terminar seu discurso, e começou a andar de um lado pra o outro atrás da porta esperando por ele, claramente pensando em algo pra dizer que aliviasse a nossa barra.
Minha mãe é mesmo a melhor de todas, pena que em delitos como esse ele não costuma dar ouvidos a ela.
Muitas vezes já escapamos de uma surra, todos nós, por que ela acaba conseguindo convencê-lo de deixar apenas um aviso e castigo, mas esse era exatamente o problema da vez, como deixar um aviso de uma desobediência mais do que avisada?
"Vá me esperar na garagem, vamos assim que eu falar com meus filhos."
Respiramos fundo e Emmett quase correu, Edward se encolheu no sofá.
"Dr. Cullen?"
"Sim..."
Soltei o ar que eu nem sabia que estava segurando quando Seth o chamou por um instante.
"Não fica bravo com a Nessie e o Emmett, eles só tentaram me ajudar, já basta o Edward que tá uma fera e ele nem sabe direito o que eles fizeram."
"O quanto ele sabe?"
"Ele só sabe que ela está envolvida e que o tio a ajudou, só isso."
Edward não parecia muito nervoso acho que já tinha decidido deixar pro meu pai já que o Emmett estava metido nisso.
"Seth eu acho que esse problema não deve ser discutido aqui entre nós dois, eu vou dizer o que houve pra sua mãe e pro pai dela, eu já decidi o que fazer com Emmett..."
Emmett que estava nervoso agora ficou frenético
"Nós vamos na minha Mercedes, a porta está aberta."
"Ele está uma fera conosco".
Edward disse lendo os pensamentos dele e correndo pra trás do sofá.
Eu podia ouvi-lo respirar pesado como se tentasse encontrar equilíbrio, eu poderia ajudá-lo, se isso não fosse dobrar a minha surra.
Já dava pra vê-lo através do vidro quando ela fez sinal com a mão para que sentássemos.
Ele abriu a porta e minha mãe já entrou na frente dele antes que ele chegasse na sala, tentando impedir que ele chegasse até nós e segurando o cinto.
"Carlisle não precisa disso, já está tudo bem, eu já falei com eles e eles não vão mais fazer isso, não é meninos?"
Ela olhou por cima do ombro esquerdo e fizemos aquelas caras de inocentes e respondemos que sim com a cabeça.
Parece que aquilo só o deixou ainda mais irritado.
"Ah isso eu te garanto Esme, eles nunca mais vão nos fazer passar por isso!"
Ele a tirou do caminho como um bibelô delicado que precisa ser removido.
Ela não soltou o cinto até que ele pediu.
"Querida, por favor."
Seu olhar implorativo foi sua última carta, mas infelizmente ela já tinha perdido aquele jogo.
"Pai, desculpa, nós só..."
Eu tentei falar, mas ele me cortou.
"Olhem aqui! Eu devia levar vocês para o escritório por causa disso, agradeçam o fato de que sua mãe já chorou o suficiente por hoje e eu não quero fazê-la chorar ainda mais."
Não sabíamos se agradecíamos ou ficávamos calados, se olhávamos pra ela ou se olhávamos pra ele, então fizemos a única coisa que nos restava, olhamos pra baixo para nossas mãos entre os joelhos.
"Vocês vão ficar aqui de castigo até eu voltar, eu vou levar o Seth pra casa, depois nós quatro vamos ter uma bela conversa."
Ele colocou o cinto na calça e afivelou fazendo um estranho pedido à minha mãe.
"Esme duas cadeiras, por favor."
Ela pegou da mesa de reuniões, duas cadeiras de madeira, ele estendeu a mão pra pegar as duas e foi até o canto da sala e virou uma pra parede.
"Emmett aqui!"
Enquanto meu irmão mais velho sentava na cadeira ele foi até o canto oposto da sala e colocou a outra na mesma posição.
"Edward aqui!"
Enquanto Edward caminhava sem vontade para o castigo torturante de ficar olhando para a parede, meu pai apontou o dedo pra mim.
"Você, venha comigo, temos coisas a resolver antes de eu acabar com seu traseiro atrasado."
Esperei que ele passasse em direção à porta que dava pra garagem e o segui de cabeça baixa.
Na garagem o Seth já estava dentro da Mercedes no banco de trás.
Eu esperei que ele me dissesse onde sentar, infelizmente foi para o banco da frente que ele apontou o dedo.
É a pior coisa do universo pai e filho, além de ouvir seu pai dizer que vai te dar uma surra, ficar esperando, mas pior que isso é esperar sentado do lado dele.
A borboletas infernais começaram a voar no meu estômago quando ele deu a partida no carro sem dizer uma palavra.
Seth tinha a cabeça baixa, para um fugitivo num camburão, só lhe faltavam as algemas.
Eu não sabia se quer como me portar, todo jeito que eu fazia era estranho, parecia que o banco estava desconfortável, se eu ficava sem respirar parecia muito tenso, se eu resolvia respirar parecia nervoso, se olhava pra frente pareceria despreocupado, o que realmente eu não estava, se olhava pra fora parecia desrespeitoso dar as costas pra ele, na sua direção é que eu não iria ficar olhando, então fiz o que restava a qualquer filho encrencado, olhei para o meu colo a viajem inteira.
O silêncio dentro do carro era palpável, o que fez parecer uma eternidade, eu senti os pneus do carro saírem do asfalto e entrar na estradinha da reserva.
O silêncio foi quebrado com o palavrão saindo da boca de Seth.
"Merda! Ela vai me matar!"
Ele tentou segurar o choro, mas não foi possível.
A situação era constrangedora, meu pai não disse nada a ele só deu aquele olhar pelo palavrão, mas era totalmente compreensivo, olhei pela janela a mãe dele estava na varanda com o cinto dobrado na mão, e tinha gente nas portas das casas e janelas, comunidade pequena é assim mesmo, devia estar todo mundo preocupado com o garoto que sumiu, esperando ele chegar, e também os curiosos por causa do cinto, como dizem "A miséria adora companhia."
Meu pai desceu primeiro pra dar satisfações, Seth ficou encostado no carro, atrás do meu pai, como se isso lhe oferecesse alguma segurança, eu fiquei dentro do carro é claro.
"Sra. Clearwater, aqui está, como prometido, são e salvo, tive uma conversa com ele, e ele não vai fazer mais isso, mas infelizmente tenho que lhe informar uma travessura de primeiro grau que meu filho mais velho e minha neta aprontaram envolvendo seu filho."
Ela olhou pra ele com um olhar de morte, cerrando os dentes com os lábios precionados.
"Renesmee e ele fingiram serem namorados pra enganar a secretária da secretaria da escola e trocar o número do seu telefone pra que a escola não entrasse em contado, quando mandaram um bilhete pra comunicar, Emmett falsificou a assinatura da senhora, eu realmente estou muito envergonhado da atitude deles, e prometo que serão punidos a contento."
Ele acenou positivamente, mas quis se desculpar também.
"O senhor não precisa se desculpar Dr. Cullen, eu é que me envergonho do meu filho envolver os seus nessa confusão, só pra matar aula, eu também prometo o mesmo ao senhor, ele será punido a contento."
Ela trocou o cinto de mão pra retribuir o cumprimento que ele ofereceu e completou.
"Gostaria da sua permissão pra que minha filha vá até sua casa mais tarde se desculpar formalmente com as suas filhas, antes de partirem, e comunicar ao senhor que ela já ganhou uma bela surra de vara verde pela briga."
"Claro que sim, eu mesmo já tinha programado que elas viessem se desculpar antes de partirmos, saiba que minha Alice levou uma surra de cinto por atacar sua filha na reserva de vocês."
Eu quase rosnei quando ele disse aquilo, veio tudo à tona, tive que me segurar dentro de mim mesmo, Sue então falou em tom de despedida.
"Vejo que tudo está sobre controle agora."
Meu pai deu uma risadinha baixa e irônica.
"É... tudo sobre controle."
Eu sabia que ele estava pensando nas coisas que tinham pra ser resolvidas lá em casa.
Muito obrigada por ter me ajudado com Seth, agora se o senhor não reparar, eu tenho que resolver algumas coisas com ele.
Finja que não estamos aqui, nós já estávamos de partida.
"PERAÍ MÃE! PERAÍiiiiii!"
Seth começou a gritar quando meu pai saiu da frente dele e Sue deu dois passos na sua direção e agarrou seu braço.
Ela não pareceu se importar com o fato de ainda estarmos ali e menos ainda com a turma de curiosos nas portas e janelas.
Ela o levou pra dentro debaixo de cinto, foi a cena mais constrangedora que eu já vi, graças a Deus meu pai não é desses.
Ele vive ameaçando, ele sempre diz que o próximo que fugir, ele vai buscar de cinto onde estiver, desde de o dia em que eu fugi.
Não sabemos ainda se ele seria capaz, pois depois de mim foi o Emmett quem fugiu de casa, mas foi minha mãe quem o achou.
O Edward foi pra Volterra, mas não fugiu de casa, o que ele fez foi bem pior, se ele não caiu de tapa nele no aeroporto depois daquilo, acho que ninguém nunca o levará a tanto, mas a promessa era pra quem fugisse de casa, acho que ainda está de pé.
Uma vez no aniversário da Alice eu aprontei uma lá em Londres, ele me levou pro banheiro, me passou a maior vergonha e eu juro que eu pensei que ia apanhar lá mesmo, até me deu um tapa na bunda, mas eu acho que meu pai não teria coragem de fazer isso com seus filhos, o máximo de constrangimento que alguns de nós passou, foi apanhar na sala lá de casa, ao invés de no quarto ou no escritório, eu ainda não tive o desprazer, por isso me compadeci do Seth, aquilo devia ser um milhão de vezes mais embaraçoso, se meu pai fizesse aquilo comigo, eu não sairia de casa até nos mudarmos pra outro continente.
Entramos no carro e ele saiu da frente da casa dos Clearwater, mas não pegou o asfalto, apenas afastou e estacionou nas mediações da casa dos Black, era mais à vontade pra nós estacionarmos ali, já que Jacob ficava mais lá em casa do que na reserva.
"Jasper, preciso falar com você sobre Alice."
Ele foi logo rasgando o verbo.
"Pai eu estou bem."
Ele não se convenceu.
"Filho, eu sei que você está bem, não está rosnando nem nada, mas estou falando dos seus sentimentos...sobre...mim."
Eu rolei os olhos, aquilo de novo? Meu pai está sempre se certificando que eu o veja como pai, isso é ridículo, como se eu fosse deixar um homem que não fosse meu pai me bater.
"Papai, é sério, já passei dessa faze de sentir meu instinto protetor contra você, já somos seus filhos há tanto tempo, que não sinto mais nenhuma necessidade de tirá-la do senhor, isso não significa que eu não sofra ou sinta vontade assumir o lugar dela, ou tentar convencê-lo de não bater nela, mas é que nem a mamãe faz com a gente, entende? Ela é meu docinho de côco, pai..."
Ele fez que tinha entendido, mas sua necessidade de explicar mais dizia que não.
"Jasper, eu preciso que entenda, Alice é o meu bebê, é minha menininha, minha caçulinha, eu me mataria antes de fazer qualquer mal a ela, mas é minha responsabilidade lhe por limites, só de pensar que Leah poderia tê-la machucado ou algo assim, me tremo todo por dentro."
Eu rir quando ele passou a mão nos cabelos preocupado com ela.
"Papaaaai, seria mais fácil ela machucar a Leah, o senhor está mais protetor do que eu."
Ele me olhou com negação.
"Se um dia você pudesse ser pai entenderia melhor, Edward entende, mesmo com aquele excesso de proteção que ele tinha por Bella, hoje ele já sai de perto quando ela tem alguma coisa pra resolver comigo."
Eu peguei no braço dele e o olhei nos olhos pra passar firmeza no que eu tinha a dizer.
"Entendo pai, eu juro que sim, desde que o senhor me deixe de fora como fez hoje, vai ficar tudo bem."
Eu não era nem louco de contar o trabalho que deu pra eu obedecê-lo quando ele ligou pro meu irmão, mas o que importa é que obedeci, eu não iria magoá-lo sem necessidade.
E agora que tudo estava mais calmo, que fique entre nós, já que Edward não está ouvindo e ela não pôde ver, eu tenho que admitir, Alice estava passando da hora mesmo.
Ele já estava ligando o carro, quando Raquel apareceu correndo na nossa direção.
"Dr. Cullen, graças a Deus!"
Meu pai abriu a porta e saiu do carro com urgência, eu sai junto com ele.
"Meu irmão Jake tinha pedido pra eu ligar pro senhor, quando estava ligando ele disse ter sentido o seu cheiro por perto! É o meu pai, ele tá mal, mas não quer ir pro hospital!"
Meu pai correu pra dentro.
"Jasper, minha maleta no porta malas."
Eu entrei, na casa que parecia minúscula pelo costume da minha, mas ficou ainda menor com a presença de Paul, ele estava abraçado à sua namorada, pedindo para que ela se acalmasse e me lançando olhares desconfiados, coisa de instinto acredito eu, mas ainda assim bastante incomodo.
"Pai pare com isso, deixe de ser teimoso, obedeça o Dr. Cullen."
A voz do Jacob implorava no quarto.
"Não sejam teimosos vocês, não se pode lutar contra a natureza, é chegado a minha hora, Sue estará pronta pra assumir o conselho dos anciões, está na hora de eu me juntar aos outros grande guerreiros e não vou fazer isso num hospital."
A voz do chefe Black era fraca, mas ainda majestosa.
Eu saí da sala, minha missão era só entregar a maleta e isso já estava feito ao que parecia mais um século.
Meu pai fez alguns procedimentos comuns, mediu pressão, deu alguns remédios, mas seu rosto não era esperançoso quando saiu da casa.
"Jacob, você precisa convencê-lo, ou levá-lo contra a vontade, o coração dele não está resistindo, ele também precisa de ajuda dos aparelhos pra respirar ou não vai durar até amanhã."
A lágrima rolou dos olhos dele ao ouvir a notícia da boca do eu pai.
"O senhor acha que se ele for ao hospital ele ainda possa viver por mais tempo?"
Meu pai pôs as mãos nos ombros dele e deu a má notícia.
"Sinto muito filho, mas os aparelhos e medicação o manterão vivo enquanto estiver em nossos cuidados, depois desse início de ataque, não creio que possa voltar para casa, você pode levá-lo pra nossa casa depois que sair do hospital, faremos como quando Bella estava gestante, posso dar a assistência necessária a ele no conforto de uma casa, enquanto o coração dele agüentar."
Jacob começou a chorar em entre soluços, desabafou com meu pai.
"Não Carlisle, se é pra obrigá-lo a isso... não vou desrespeitar a vontade...dele. Se ele tem que partir agora com honra ou depois tendo tido sua ordem desobedecida pela tribo pela primeira vez, eu prefiro perdê-lo agora."
Ele desabou no abraço oferecido pelo meu pai, de repente me lembrei de que ele já não tinha mãe, ainda bem que assim que ele aceitar a ideia vai acabar se tornando filho dos meus pais também.
O choro dele me levou as lágrimas também, por mais que eu enviasse ondas de consolo pra ele, eu também estava triste.
Olhando aquela cena eu realizei que meu pai teve que fazer o mesmo por Edward, Emmett, Rosalie e até minha mãe pela perca do seu bebê, e amargura todos os dias ter que passar por isso com Bella algum dia, eu sentia sempre sua onda de tristeza quando faláva-se de Charlie ou Renee lá em casa.
Ele se despediu de seu futuro filho, e veio arrasado pra dentro do carro.
"Pai? Tudo bem com o Senhor? Quer que eu dirija?"
Ele deu um sorriso sem graça, agradeceu, mas recusou a ajuda.
"Estou bem, meu coração só está apertado pelo Jake, todos nós temos que passar por isso em algum momento, e não temos certeza se quer quando será, pode ser que seja ainda hoje ou amanhã, mas pode levar mais tempo, talvez até uma semana, tudo que temos a fazer é ajudá-lo a atravessar por isso."
Eu fiquei pensando no acontecimento lá em casa, será que ele iria mandar a gente pros quartos pra resolver depois , ou será que ele iria querer acabar logo com aquilo?
Eu iria ter que esperar pra ver...
Na metade do caminho ele resolveu abrir a boca e mesmo sem perguntar recebi a resposta.
"Eu nem acredito que depois de tudo que eu passei de ontem pra hoje, vocês três ainda me fizeram passar o que eu passei, ao invés de receber ajuda, todos os meus filhos estão de castigo, quem não apanhou está esperando apanhar, parecendo até nosso Primeiro dia de volta à Forks, que eu tive que bater em todo mundo e Emmett ainda fugiu... Sabe como a gente fica... faz de propósito só pra me enlouquecer."
Ele reclamava de um jeito engraçado, era quase como se tivesse falando sozinho e não à mim.
De uma coisa eu sei, que ele não estava esperando nenhuma resposta minha, ou comentário, era mais como se estivesse pensando alto.
Nem preciso dizer que, calado eu estava, calado eu fiquei.
Quando chegamos à garagem, meu estômago gelou, ele desceu do carro e não me deu nenhuma instrução, estava claro como um cristal que era pra eu ir pra sala e me juntar aos meus irmãos.
Ele passou pela copa e pegou uma cadeira, antes que eu chegasse à sala com meus passos pesados, ele já estava ali com ela em um dos cantos, nem precisava dizer pra eu sentar, e eu que pensei estar livre daquela tortura, sentei sem reclamar.
Ele não disse nada e saiu.
"Ei! Edward! Onde ele foi?"
Emmett perguntou num sussurro, normalmente não podemos conversar quando estamos de castigo no canto.
"Ele vai tirar a Nessie e a mamãe daqui!"
"Ow droga! A gente está mais ferrado do que eu pensei."
Eu falei sussurrando também, mas não o suficiente.
"EU ESTOU OUVINDO VOZES! NÃO ME FAÇAM DESCER AÍ AGORA, ESTOU TENTANDO ME ACALMAR AQUI!"
"Desculpa!"
Pedimos os três ao mesmo tempo.
Depois foi só escutar apreensivo a conversa lá em cima, eles estavam sussurrando, mas se a agente se esforçar o suficiente dá pra ouvir, é o instinto de caça, quando queremos podemos ouvir até as asas dos pássaros, as folhas sendo esmagadas por patas à distância, assim como podemos não ouvir se quisermos, do contrário seria uma loucura escutar todas as conversas e sons ao mesmo tempo, nos primeiros dias como vampiro é assim, mas depois agente começa a regular, e focar no que queremos ouvir, tipo o Superman. Por isso que meu pai reclama de escutarmos as conversas, como ele costuma dizer, "atrás das portas", mas quem liga num momento como esse? Sabíamos bem que estavam falando ao nosso respeito.
"..."
"Não é isso que estou querendo dizer, sabe que não acho que seja um pai abusivo, só estou dizendo que não precisa bater toda vez!"
Minha mãe estava tentando explicar algo que falara.
"E o que isso quer dizer? Que eu bato demais?"
Ele perguntou claramente ofendido, mas já estávamos acostumados com esse tipo de discussão, só eles é que não sabiam.
"Por Deus Carlisle, tente entender o que eu estou dizendo, só acho que você pode muito bem ir até lá, dar um castigo diferente e avisar a eles que da próxima vez que fizerem isso vão apanhar..."
Minha mãe lutava bravamente nos dando um fio de esperança.
"Esme, o toque de recolher é inviolável, você sabe muito bem disso e eles também, da última vez que eles fizeram isso, estavam os 6, você me convenceu deixar passar com uma bronca, e olha só no que deu!"
Uma vez nós saímos pra caçar durante uma noite que eles levaram Nessie pra passear. Foi tão divertido caçar só nós sem pai e mãe pra tomar conta de nós, e sem sobrinha pra nós tomarmos conta, que quando vimos já tinha passado um pouco da hora.
"Oh Carlisle, é claro que eu tinha que interferir, você queria fazer uma chacina por causa de uma hora de atraso."
Minha mãe começou a apelar pro exagero.
"Se tivesse feito, eu duvido que teriam atrasado três horas dessa vez. Tem noção de como eu fiquei?"
E meu pai pro drama.
"Tenho sim, porque eu fiquei do mesmo jeito, nem por isso estou querendo bater neles.
Ela virou o jogo.
"Ah é? Acha que eu não sei dos tapas, chineladas e puxões de orelha?"
Droga! Ele viu! Sempre que ela dá pelo menos um tapa ele usa contra ela.
"Aquilo foi só pra assustar! Sabe o que eu acho..."
Ele nem deixou que ela completasse.
"Sei! Que você não precisa bater por que eu faço isso, sua parte é só ficar com dó e oferecer e fazer de mim o vilão!"
Ele pisou num calo sensível.
"Ow! Como se atreve? Quem você acha que coordena isso aqui enquanto você está fora? E eu não faço isso passando a mão na cabeça de ninguém."
Já não dava mais pra saber quem estava ganhando a discussão.
"Lógico que não, você controla eles dizendo "Vou contar pro seu pai!" Sabe por que? Por que sou eu quem bato!"
Agora deu, definitivamente ele.
"Você está sendo injusto comigo, eu também tenho meus métodos de disciplina, não pode me condenar por não serem os mesmos que os seus! Além do mais eu já bati no Edward daquela vez, já bati na Alice e já dei uma bela surra na Rose, pro seu governo."
WOW!Ninguém ficou sabendo dessa, que bomba!
"Ah é? E quando foi isso? Nunca vi você bater em ninguém pra valer!"
Todos nós chegamos a virar o pescoço pra ouvir essa.
"No dia em que ela ligou pro Edward no Brasil, você mandou ela vir pra casa e ela chegou aqui toda arrogante culpando Alice e Bella, totalmente desrespeitosa, bati nela e não te falei pra você não ficar jogando isso na minha cara cada vez que eu quiser defender os meus filhos!"
Ficamos todos de boca aberta, aquela revelação bombástica mudaria muita coisa naquela casa, analisando bem, Rose tem sido uma santa com a mamãe desde aquela época, todos pensamos que fora por se sentir culpada pelo Edward.
"Ok! Vamos fazer um acordo então!...Eu desço lá e aviso a eles que da próxima vez que acontecer ele vão levar uma surra, mas em troca, se voltar a acontecer...Você dá uma surra de verdade neles, de cinto, até eles chorarem!"
Cruzamos os dedos, ela estava quase conseguindo, mas o silêncio em seguida não era bom.
"Viu só! Eu sabia! E sabe porque você não quer aceitar esse acordo? Porque no fundo você concorda comigo e sabe bem que se não apanharem agora vão acabar atrasando de novo, a exemplo da última vez, e aí você não vai ter coragem de bater neles de verdade. Até agora não sei como foi capaz de dar uma surra na Rose."
Isso é o que acontece quando se quebra a confiança dos pais, se tivéssemos levado a ameaça da última vez em consideração teríamos ligado os telefones pelo menos, agora nem a mamãe acredita mais que não faremos de novo.
"Tudo bem, mas vá com calma... e deixe que eles se expliquem, eles podem ter uma boa explicação..."
"Diga-me uma coisa Esme. Quando foi que eu bati em algum dos meus filhos sem conversar primeiro?"
"...Nunca..."
Pudemos ouvi-la suspirar a derrota, a batalha estava perdida, dessa vez ela não conseguiu.
"Nessie está acordando eu quero que vocês duas vão até a reserva ver Billy e dar apoio ao Jacob, acabo de dar más notícias a ele sobre o pai, acredito que a presença de Nessie vá alegrá-lo um pouco, além do mais eu não a quero aqui, sabe bem o porquê."
Meu pai não gosta de bater no Edward ou na Bella com Nessie em casa, ele nunca fez, ela sabe que eles apanham, mas ele não gosta que ela ouça ou veja, pra não diminuir a autoridade deles na hora de corrigirem a filha.
"Vamos Nessie, você já está linda."
"Só mais um minuto vovó... como estou?"
"Já ouviu o que seu avô e seu pai falaram dessa saia, só em casa, vá se trocar e depressa, já estamos testando a paciência do seu avô, com toda essa demora."
Essa não era uma situação que se ouvisse muito na nossa casa, minha sobrinha é linda, assim como todas as suas roupas, ela era a garota da casa que se arrumava mais rápido, só vestia qualquer coisa e saía, ainda mais se fosse pra ir à reserva, mesmo Bella que não se liga muito com essa coisas levava mais tempo, talvez seja a idade, ela tem dez, mas aparência de 15 agora, talvez estivesse começando a se preocupar em despertar olhares.
Edward rosnou baixinho com meu pensamento, eu olhei pra ele e pensei pra meu pai não ouvir.
"É melhor começar a tomarmos cuidado, e sondar os pensamentos e sentimentos de você sabe quem!"
Ele rosnou de novo, Emmett se sentiu excluído quando viu que Edward e eu trocamos olhares por cima dos ombros.
"O quê que tá pegando?"
Ele sussurrou alternando olhares entre nós.
"Estamos incomodados com Nessie dando tanta importância para a aparência dela, estamos preocupados com Jacob."
Informei pra ele o mais baixo que pude, mas Emmett não foi tão discreto.
"Nossa garotinha? Só por cima da minhas cinzas!"
"EMMETT CULLEN!"
Meu pai gritou em tom de aviso.
Ficamos ali escutando Nessie e minha mãe se aprontarem e saírem da casa pelos fundos.
Os passos do meu se tornavam cada vez mais próximos, ele abriu as portas das meninas uma por uma e sussurrou algo pra cada uma delas, acredito que ele disse que as amava, ou algo do tipo.
Depois ele definitivamente estava descendo as escadas, as malditas borboletas no meu estômago anunciaram sua chegada, ouvimos sua maleta sendo posta mesa da copa junto com as chaves da Mercedes.
"OK, vamos acertar nossas contas então!"
Ele disse de pé nas nossas costas.
"Emmett?... Jasper?... Edward?..."
Ele chamou cada um de nós, sua voz deixava implícito que devíamos nos tornar pra ele.
"Qual de vocês vai me explicar por que estamos aqui nessa situação?"
Viramos na sua direção e ele estava com outra roupa, os braços cruzados sobre o peito, sobrancelhas levantadas e felizmente, de mãos vazias.
"Pai..."
Como sempre que estamos os três na mesma roubada, eu comecei.
"Nós tínhamos acabado de beber, mas antes de ligar os telefones, o Seth apareceu e nos falou de um vampiro diferente na região. Descobrimos que é o mesmo que encontrou com a Nessie quando ela era pequena."
Parecia tão bem explicado na minha lógica, que cheguei a relaxar, eu podia apostar que ele iria esquecer toda a coisa de toque de recolher e que a notícia o faria se juntar a nós numa intensa e preocupada investigação, mas eu perderia até o último centavo nessa aposta.
"Vamos ver se eu entendi...Saber que havia perigo na região foi o motivo pra vocês me deixarem sem notícias, saírem do perímetro de audição, e voltar pra casa quase amanhecendo o dia?"
O sarcasmo pingava de sua boca e eu começava a entender o ponto dele.
Então infelizmente meu irmão mais velho abriu a boca.
"Paaai... agente só estava com pressa de saber quem era o desgraçado, quem sabe até fazê-lo em pedaços."
Ele não podia ter escolhido pior momento pra falar um palavrão e falar de briga.
"É só nisso que vocês pensam não é Emmett? Briga!"
Ele disse jogando as mãos pro alto com frustração e parando na cintura com os punhos fechado.
Edward tentou salvar a pátria com o argumento mais válido de todos.
"Papai... Eu só estava preocupado com a minha filha."
"DIFERENTE DE MIM NÃO É EDWARD!"
Ele gritou fazendo meu irmão caçula se encolher na cadeira, isso é que eu chamo de tiro que saiu pela culatra, tudo que Edward fez com esse argumento foi reforçar mais um motivo pra ele acabar com a nossa raça.
"Quer saber eu não vou gritar, eu me recuso, vocês não vão conseguir me levar à loucura."
Ele apertou a ponte do nariz respirando de olhos fechados.
"Escutem, porque vocês acham que existe um toque de recolher? É pra que em momentos como esse, em que eu fico sabendo que há perigo na região, eu tenha certeza de que meus filhos estão bem. Sabe quantas coisas eu fiquei pensando aqui aflito? Quantas vezes eu liguei? Quantas vezes eu lancei pensamentos para o Edward e fiquei esperando telefone tocar? Quanto tempo eu passei gritando por vocês lá fora, sem poder me afastar porque eu tinha uma casa cheia de garotas aqui? O quanto sua mãe chorou?"
Quanto mais ele falava, menores nos parecíamos.
"Quer saber eu vou acabar logo com isso, eu tenho que voltar para a casa dos Black ver como estão, Jacob precisa de mim."
Ele disse com a simplicidade de um empresário que pega uma caneta pra assinar um negócio, exceto de que ao invés de pegar uma caneta ele começou a desafivelar o cinto.
"Desculpa papai... A gente não vai mais fazer isso, nós só não estávamos pensando direito."
Emmett começou a suplicar enquanto Edward começava a se derreter em lágrimas.
Ele puxou o cinto como se não tivesse ouvido uma palavra, dobrou na mão e usou a mesma pra apontar pra a copa.
"Os três, mãos na mesa."
Pela segunda vez no mesmo dia teríamos que passar por ele com aquele cinto na mão, mas algo me dizia que dessa vez não teríamos tanta sorte.
SHLAP!*** hum
Eu gemi quando passei primeiro e ele acertou minha bunda.
SHLAP!* SHLAP!* AAAiiiiiiiêe
Edward tentou passar de longe, mas ele agarrou o braço do meu irmãozinho e deu duas cintadas por tentar distância.
"Papai é sério, não precisa, a gente nunca mais-..."
SHLAP!* RROOOOOuuuu Cala a boca Emmett!
Ele acertou meu irmão mais velho antes que ele completasse sua cena patética de clemência.
Ele nos fez curvar com as mãos na mesa todos ao mesmo tempo, eu não sei se era pra economizar tempo, ou se era por termos aprontado essa juntos, só sei que ia ser uma merda apanhar na presença dos meus irmãos eu nunca apanhara na presença de ninguém.
"Calças pra baixo!"
Só podia ser brincadeira, mas não era, meus irmão desafivelaram os cintos e as calças sociais caíram com facilidade nos tornozelos deles.
"Estou esperando Jasper".
Enquanto eu deixava minhas calças caírem com desgosto, meus dois irmãos já estavam curvados um de cada lado com as mãos na mesa.
Quando eu me curvei já fechei os olhos parte esperando pelo cinto, parte por que eu seria incapaz de olhar pra eles.
SHLAP!* AAARRAiiiii
A primeira cintada foi no Emmett
SHLAP!* hmm…
A segunda foi em mim, eu tomei tudo que eu tinha pra manter os dentes cerrados num gemido mudo.
Engoli seco ao ouvir o cinto subido pra descer no traseiro do caçula, às vezes você pode até imaginá-lo como um adulto, mas ele é só um garoto que tinha acabado de completar dezessete quando seus pais morreram, não um jovem militar ou caçador como meu irmão mais velho e eu
SHLAP!* AAAAAAAAAiiiiiiiiêeeee.
Ele se moveu pra frente com a dor.
Meu pai ainda em silêncio bateu de novo no Emmett.
Eu pensei que o intervalo de um pra o outro fosse facilitar as coisas, mas a expectativa da cintada e ouvir o grito deles assim tão perto de mim, só tornava tudo muito pior, além disso quando ele batia o cinto a dor da picada ficava ali ardendo até a próxima vir, eu nunca tinha reparado porque que ele bate sempre uma rapidamente seguida da outra, dói menos do outro jeito.
SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!*... ... ...
Ele continuou batendo calado, eu já estava gritando, Emmett urrando e Edward soluçando de tanto que chorava, eu fiquei com tanta dó do meu irmãozinho que segurei a mão dele nas últimas cintadas.
Ele deixou que eu segurasse, sabia que eu não diria nada ao Emmett e ele estava muito ocupado prestando atenção no próprio traseiro e em segurar as lágrimas na minha presença.
De repente assim do nada meu pai parou e perguntou.
"Porque vocês levaram essa surra?"
Falar sem gemer depois daquilo foi quase impossível, mas eu o fiz, ou pelo menos quase sem gemer, ficou mais fácil com os dentes cerrados.
"Porrr que, violamos o toque de rrrrecolherrr."
"E?"
Emmett repondeu gemendo.
"Esqueceeemoos de li-gaar o telefooonee"
"E o que mais Edward?"
Meu pai direcionou a pergunta, deixando claro que queria a participação dele, o problema foi ele responder soluçando no meio do choro.
"Po-or queeee, nó-os saí-mo-oos da á-re-aaaa de au-di-çã-ãoooo."
Meu pai começou a por o cinto só então que eu percebi que eu tinha apanhado pela primeira vez sem chegar às lágrimas e Emmett também, meu pai deve ter parado por que sabia que estávamos segurando por estarmos juntos, normalmente eu demoro tanto a chorar que apanho mais que todos na casa, se ele fosse bater em nós três até eu chorar, ele ia matar meu irmãozinho.
"De pé, de frente pra mim."
Viramos, eu nunca estive tão agradecido por estar de cueca e ter uma camisa grande, minha bunda parecia que ia cair quando abaixamos pra vestir a calça.
Nenhum de nós foi capaz de conter o gemido de dor quando o tecido encostou no traseiro.
"Sabem que eu os amo mais que tudo nesse mundo, não sabem?"
Meu pai perguntou olhando firmemente pra nós
"Sim senhor"
Respondemos olhando pro chão.
"Então por favor, não me façam passar por isso de novo, eu quase morro só de pensar em perdê-los, poderia ser qualquer um dos sádicos dos Volture, se tivesse acontecido alguma coisa com vocês... eu..."
Ele engasgou, não conseguiu completar o que ia dizer, erguemos os olhos pra olhar pra ele e notamos a lágrima escorrendo em seu rosto.
O remorso tomou conta de mim.
"Desculpa papai."
Eu disse e meus irmãos me seguiram.
"É, desculpa papai."
Ele puxou Edward pelo braço com uma mão, puxou-me pela nuca com a outra e usou a mesma mão pra puxar a camisa do Emmett.
Ele abraçou seus três filhos ao mesmo tempo e beijou o topo das nossas cabeças enquanto nos libertava.
"Estão perdoados, Emmett pro quarto de hóspedes, Edward para o quarto de Nessie, e Jasper para o meu."
Ele ordenou apontando pra escada.
"Oh cara! Porque eu não posso ficar no quarto da Nessie? Vou ficar fedendo a cachorro!"
Emmett contestou subindo o primeiro degrau.
"Edward ficou com o melhor só porque chorou, se soubesse teria chorado também."
Ele continuou reclamando e Edward resolveu falar também.
"Ah Emmett, pare de reclamar, o Jake não dorme lá desde que Nessie aparenta 10 anos."
Foi aí que eu entrei no assunto.
"Fala isso porque não é você quem vai ter que deitar na cama que o papai dorme com a mamãe!"
"Você pode sentar na poltrona."
Edward tentou me consolar, mas eu realmente não gostei da idéia.
"E sentar com esse traseiro, de jeito nenhum!"
De repente a voz do meu pai subiu as escadas.
"Ou vocês podem parar de reclamar antes que eu mande vocês de volta às suas cadeiras de madeira nos cantos da sala."
Não dissemos absolutamente mais nada.
A última coisa que ouvimos foi meu pai avisando que nenhum dos 6 estava autorizado a sair dos seus quartos e que sabe muito bem quando mentimos.
O carro partiu e ficamos ali na espera da reunião de família que aconteceria quando ele voltasse, pois o estado de saúde de Billy Black, com certeza alterara os planos da mudança, não iríamos partir deixando-o Jake em tal situação.
A/N: Esse até que foi bem maiorzinho, rsrsrs... (empolgaaada) essa fic foi programada pra 10 capítulo, mas a medida em que vou escrevendo vão vindo coisas que deveriam ser bem contadas, o enredo está pronto e sei tudo que vai acontecer até o fim.
Mas cada vez que quero contar algo superficialmente, acabo sentindo mais e mais vontade de escrever, ela deveria acabar daqui a dois capítulos, mas não se assuste se isso não acontecer.
Quero mais que tudo terminá-la e começar algo novo, mas não vou parar até chegue exatamente onde eu quero e atropelar as coisas não é do meu feitio.
Até hoje tenho uma sensação estranha na boca do estômago por causa do capítulo 6, por causa do excesso de informações na aparição de Hanry, mas não me arrependo, eu precisava das informações pra essa história, e pra revelar tudo aquilo com calma levaria no mínimo uma outra fic.
\0/Falando demais!
Não se preocupem se eu sumir, a loucura toda da minha vida começa dia 3, se eu não postar amanhã, só semana que vem... ='(
Aguardem surpresas, beijussssssss e please review
