A/N: Muito, muito, muito obrigada pelos reviews, foram maravilhosos, é recompensador todo o trabalho que dá pra lapidar as idéias e escrever cada palavra quando vocês devolvem toda essa dedicação.
25/01/2012 "Este capítulo é dedicado à memória do melhor amigo, que completaria 30 anos hoje, não fosse a tragédia que o levou de nós ontem... Andim, você está na minha vida desde que eu me lembro, e enquanto vida eu tiver vou me lembrar de você, pois sempre fará parte dela."
Último Problema em Forks
Capítulo 17
Confiança
POV Edward
"Isabella venha aqui, eu quero todos vocês aqui."
Eu quis cair morto no chão quando meu pai chamou a Bella pra sala, eu não podia acreditar que ele ia me dar umas palmadas na frente dela!
Eu já estava mortificado porque eu ia ganhar outra surra de cinto, mas devo confessar que eu tive tanto medo do meu pai que nem me preocupei com a presença de ninguém e até agradeci a Deus por minha mãe interferir, não me importava ser o filhinho da mamãe, naquela altura do campeonato, eu queria mesmo a ajuda dela.
Mas palmadas? Já era muito, eu sabia que ele ia me fazer chorar como um bebê na frente da Bella, eu não seria capaz de agüentar muito tempo, meu traseiro ainda estava em chamas pelas cintadas mais cedo, eu sabia que ele não ia me dar a dignidade de me curvar no braço do sofá ou ainda de manter as minhas calças.
Depois de eu bancar o pai de família, ele ia provar pra mim e pra todos que eu não passava de uma criança, inclusive pra ela.
Eu dei um passo pra trás tentando libertar meu braço implorando pra que ele não fizesse aquilo, me arrependi no mesmo momento, pois soou mais infantil ainda, se é que isso era possível, pois ele esfregou na minha cara que eu não passava de um filho teimoso, e que ela era filha dele também, e mais ainda, que mandava na gente.
Ele me puxou pra cima do colo dele como um moleque, segurou meu braço e começou a bater no meu traseiro, a posição ficou desconfortável, eu preferia quando ele me pegava de jeito, assim não tinha perigo de eu cair quando começava a me contorcer, ele deve ter pensado que eu não o faria na frente da minha Bella.
Eu tentei não focar nos pensamentos de ninguém além dos meus, até mesmo porque eu ouvir minha mãe chamar minha bunda de, traseirinho perfeito, eu não precisava de mais humilhação do que isso, não precisava ouvir as risadas internas dos meus irmãos ou a piedade da minha irmã mais velha.
Ele não disse nada na primeira palmada só deu para ouvir mesmo foi o meu grito.
PAFT!* AAAAuuuu
Eu tinha programado não gritar, ou pelo menos segurar bravamente na frente dela, mas acredite não foi possível.
PAFT!***** AAAAaaaaaaaaiiiêeee
O segundo foi ainda mais forte fazendo meu grito soar ainda mais infantil do que o primeiro.
PAFT!* AAAAiiii PAFT!* AAARRauu PAFT!* AAAAuoOO!
Ele começou a dar palmadas em sequência, eu então comecei a contrair as pernas tentando não me mover como uma criança de 5 anos, como sempre acabava fazendo quando estávamos em privacidade, se acontecesse Emmett nunca iria me deixar viver com isso, sem contar com Bella assistindo tudo.
PAFT!*****PAFT!***** PAFT!****** PAFT!***** descuuulpa PAPAI
Foi-se minha última tentativa de força, ao sentir minha resistência ele deu quatro palmadas seguidas até minhas pernas me traírem.
PAFT!* AAAAiiiiiii Paaaaaraaa Eu já enten PAFT!**diiiiIIII!
Dizer que eu entendi foi pior pra mim, não sei o que houve, a dor era demais pra concentrar nos pensamentos de quem quer que fosse, mesmo nos meus, mas acho que ele queria ter certeza de que eu havia entendido mesmo, porque ele começou a dar tanta palmada seguida que eu não sabia se gritava, se chorava, se esperneava ou se implorava, como falar não era mais uma opção eu fiquei só com as três primeiras
PAFT!* AAAAiAiAiiiiiiii!PAFT!*AAAAuOooooO!PAFT!*PAFT!* AAAAuuuu PAFT!*PAFT!* AAAAiiiiiiiiiiPAFT!* AAAArrAAaaaiii!
Quando eu pensei que não ia agüentar mais ele finalizou com duas palmadas rápidas, fortes e doloridas, como quem assina uma ordem.
PAFT!******PAFT!*****AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
"Papai por favoooor, eu não vou falar isso mais naaaaaão! Paaara por favooor!"
Eu pedi entre soluços, mas ele já tinha parado
Ele me sentou no sofá, como se meu sofrimento não fosse o bastante, eu gemi quando meu traseiro encostou, tentei aliviar a dor jogando o peso na minhas costas, mas então entendi porque ele tinha me segurado pelo braço, entendi assim que a cintada nas minhas costas picou como inferno.
Era sempre assim com meu pai, até quando a gente quer odia-lo, seu amor, preocupação e cuidado, está evidente em cada detalhe, e só nos resta entender o que ele faz é para o nosso bem.
Ele ficou de pé na minha frente com as mãos na cintura, ele parecia muito maior que eu, ele não era tão maior que eu assim, realmente tinha um corpo mais adulto e mais desenvolvido e mais forte que o meu, mas quando ele me sentava daquele jeito e me dava aquele olhar, ele parecia ter 1000 anos e eu parecia ter quatro.
"Agora agradeça a sua mãe por te livrar da surra que eu ia te dar."
Ele apontou pra minha mãe, mas eu pensei que ele estivesse apontando o óbvio, ele sempre falava coisas como essa; Agradeça o sol ou você iria pra escola hoje; agradeça que é seu aniversário ou você iria ficar de castigo; agradeça essa ligação de urgência ou iríamos ter uma conversinha agora mesmo.
Eu só percebi que era uma ordem quando ele me deu um grito que me fez pular no meu lugar.
"AGRADEÇA!"
Minha voz me traiu eu não consegui falar sem soluçar
"O-bri-gada..."
O choro contido na minha garganta, fez soar tão infantil que eu já tinha desistido de ser forte, meu pai provou com certeza que eu não passava de uma criança birrenta.
"DIREITO!"
Eu não viveria o suficiente pra me arrepender de ter feito toda aquela cena, e olhe que vou viver pra sempre, meu olhar devia estar mostrando isso muito bem, pois minha mãe estava com cara de que queria me pegar no colo.
"Muito obrigado mamãe, por me livrar de levar uma surra."
O veneno acumulou nas minhas bochechas, por ter que, não só ser o filhinho da mamãe, mas ainda por cima admitir e agradecer por isso em voz alta.
Eu podia sentir meu pai nas minhas costas monitorando cada palavra, assim que fechei a boca ele completou a infantilidade do meu castigo.
"Agora vai lá para o quarto sentar no canto, que eu falo com você depois da reunião."
Já não me restava mais nenhuma dignidade, então resolvi implorar pela chance de esclarecer meu ponto de vista.
"Pai por favor, deixa eu ficar eu não vou mais ser malcriado."
Agora que ele me "acalmou" eu realmente queria dizer o que pensava de tudo.
"Agora você quer agir como um adulto, tarde demais, menino que leva palmada no bumbum pra saber se comportar, não participa de reuniões decisivas."
Eu sabia que devia ter sido maduro, esperado ele falar e depois, como um adulto, pai, falado tudo que eu achava, sobre trazer o futuro namorado da minha filha pra morar com ela, mas era uma reunião de família e pelo que me consta, eu sou um Cullen.
"Mas paai, eu tenho o direeito."
As palavras eram de requerimento, mas o tom da minha voz fez soar como um choramingo patético.
"Você perdeu todo o direito quando decidiu virar as costas pra mim e agir como um moleque mimado."
Eu sabia que tinha feito aquilo, porque eu sempre deixo meu temperamento vencer minha razão? Meu traseiro sempre acaba pagando o pato e minha opinião sempre acaba sendo deixada de lado.
Eu me lembro do dia das palavras do meu pai quando voltei de Voltera "...você escolheu não viver sem ela, e isso não me deixa outra escolha." Eu passei tanto do limite daquela vez, que fiz o Grande Carlisle Cullen querer transformar um ser humano com a vida toda pela frente, eu sempre tiro meu pai do normal, hoje não foi diferente e ele me relembrou disso sem piedade.
"Todas as reuniões em que você está com esse temperamento você acaba aprontando alguma, lembra da reunião sobre a transformação de Bella? Eu já estou cansado disso Edward, é só discordar de você que você sai quebrando tudo... Pois a partir de hoje, você só vai participar das reuniões de família se agir com a maturidade que o assunto merece. Isso aqui não é reunião pra decidir quem vai usar o sobrenome de quem, nem de quem vai ficar com qual quarto da casa, ou em que escola vão estudar, ou viajem de caça. É uma reunião pra decidir o futuro dessa família."
Todos arregalaram os olhos com a declaração.
"Pai, me deixa explicar meus motiiivos, por favooor, eu juro que vou me comportaaar."
Eu disse segurando impulso de bater o pé no chão, a julgar pela minha voz eu parecia estar chorando, mas era minha última chance, com aquela voz e uns olhinhos tristes, Alice e eu costumávamos conseguir quase tudo que queríamos...Eu sei, coisa de criança, mas atire a primeira estaca quem nunca fez isso quando era adolescente.
"Você por um acaso esperou pra ouvir os meus motivos?"
Ele estava sendo irônico, eu nem me dei o trabalho de responder sua pergunta retórica.
"Perdeu alguma coisa nos seus sapatos Edward? Responda-me!"
Pelo visto nenhuma pergunta estava sendo retórica o suficiente pra ele, então respondi.
"Não senhor."
Mas o que quer que fosse que eu tivesse perdido no meu sapato, continuei procurando.
"E você ouviu quando eu mandei você se sentar?"
"Não senhor."
A resposta infelizmente era a mesma.
"Ah sim, então você ouviu o pedido carinhoso de sua mãe implorando pra você participar da reunião."
Dessa vez eu fique calado ao que não era uma pergunta e sim um comentário sarcástico.
"Agora chega!"
Ele pensou rápido nem deu tempo de fugir, quão vi, ele já tinha agarrado meu punho e me girado acertando uma última palmada na minha bunda dolorida.
PAFT!* AAAAuuuu
"Então vá logo lá pra cima antes que e eu te arraste pra lá e te dê outra PALMADA!"
Eu não ia arriscar uma coisa dessas, assim que ele me soltou eu sumi pelas escadas, eu já estava pegando a cadeira da escrivaninha e colocando no canto quando ouvia a ameaça lá em baixo.
"Quero adotar Jacob Black, vamos voltar à mesa e discutir isso ou tem mais alguém querendo esperar lá em cima?"
É obvio que fiquei de pé em frente cadeira olhando para a janela e não para o papel de parede no canto, quando eu o ouvisse chegando era só sentar e olhar na direção certa.
Ouvi a respiração pesada no meu pai ao pronunciar um único nome.
"É claro... Rosalie..."
Eu quis me chutar a mim mesmo por não ter feito o mesmo que ela, pois com o que ela disse, escapou sem nenhuma palmada, eu podia dizer que era por ser menina , mas tive que me curvar com sua genialidade.
"Com todo o respeito que lhe cabe, senhor meu pai, acato qualquer decisão que senhor tomar, mas peço permissão pra não participar disso, posso me retirar? O senhor mesmo diz que se não tem nada de bom pra dizer é melhor ficar calado."
Houve uma pequena pausa e então o que ouvi me fez ficar surpreso.
"Vou ver como está meu irmão!"
Esperei mas ela não passou pela porta
A reunião lá embaixo começou, meu pai disse que não tinha falado com Jacob ainda, Emmett falou que gostava dele mas que achava cedo tê-lo junto da Nessie, o que foi um alívio, pois estava me sentindo sozinho.
Meu pai então argumentou que uma coisa não tinha ver com a outra, Jasper não podia ir contra sendo ele mesmo um filho adotado, mas deixou claro ao meu pai que ajudaria a ficar de olho no tratado do imprimiting, então a voz do meu irmão mais velho ecoou junto a um soco na madeira da mesa me dando mais segurança.
"Ele não é nem louco de tentar nada, eu acabo com ele!"
Minha mãe repreendeu mas eu sabia bem que nesse caso uma repreensão não faria diferença alguma
Meu pai ficou irritado e falou algo que me tranqüilizou um pouco mais.
"Eu não vou permitir que nada precoce aconteça debaixo do meu teto, não permiti com nenhum de vocês e não vai ser com uma garota de dez anos que vou permitir."
Então minha mãe pediu pra que a pessoa que eu mais queria ouvir falasse, ela mantinha seu manto protegendo seus pensamentos, eu era grato por não ter que ouvir ela se derretendo de dosinha de mim, mas seria conveniente se ela me deixasse ouvir o que ela achava da reunião.
"Eu sempre vi Jacob como um irmão..."
Quando minha curiosidade estava começando a ser desfeita, minha porta se abriu e minha irmã mais velha entrou no meu quarto chamando minha atenção, fui pego de surpresa já que meu foco estivera em outro lugar, além do fato de que Rose quando quer parece um gato ninja.
"Como você está maninho?"
Sua voz era mesmo preocupada, eu tive vergonha de olhar pra ela e ceder ao momento meloso que nós dois evitávamos a todo custo, então respondi ainda de costas.
"O que você acha? Minha bunda está ardendo como um inferno."
"Não estou falando disso..."
Nós dois paramos simultaneamente quando ouvimos meu pai fazer uma pergunta um tanto irritante lá em baixo.
"Podemos, por favor, para de falar em Renesmee, e falar de Jacob por um instante?"
"Como assim parar de falar em Renesmee?"
Minha irmã sussurrou antes mesmo que ele completasse o sentido da pergunta, se é que havia algum.
"Ainda bem que ele me mandou pra cá, eu não sei se seria capaz de sair dessa reunião inteiro."
Eu disse magoado.
"Por falar nisso, não respondeu minha pergunta."
Eu desviei os olhos dela.
"Não disse do que estava falando."
Ela então se aproximou e colocou a mão direita de nas minhas costas.
"Ah... isso...Ainda dói um pouco, fez um vergão, eu passei veneno na perna e no traseiro, mas não alcancei o outro."
Ela rasgou minha camiseta como se fosse de papel.
"Rooosie!"
"Quieto! Deixe-me ver isso!"
Ela aspirou assustada, meu pai nunca deixava marcas, a menos quando batia de vara, mas eram marcas verdes do galho e não da nossa pele, o couro do cinto é um material resistente e maleável, ele sempre aplica com a força que o culpado merece ou agüenta, mas nunca chegou a marcar nenhum de nós, a pele de vampiro é muito dura, pra ele ter deixado um vergão, mesmo que só uma sombra, ele chegou bem perto de um limite que ele nuca quis atravessar, ele até pediu ajuda ao meu irmão.
No fundo eu sabia que a culpa era minha, depois do modo como ele ficou quando saí de casa, e como eu apanhei quando cheguei da Itália, eu devia pensar pelo menos um milhão vezes antes de falar em sair daqui.
Do nada eu senti uma coisa molhada e fria nas minhas costas.
"EeecA, Roooose! Veneno de irmã? Que nojo!"
"Isso vai dar um jeito, deixe de ser reclamão."
O veneno é como um remédio pra pele de vampiro e restaura qualquer coisa com uma rapidez milagrosa, eu tinha que reconhecer, ela me trouxe um alívio enorme, mas eu não ia dizer as palavras.
"Onde você estava?"
Eu perguntei mudando de assunto.
"Não vou dizer, não quero você com problemas por minha causa, já tem problemas demais."
Eu sondei os pensamentos dela, ela estava contando em japonês de trás pra frente, mas antes que ela saísse pela porta ela vacilou e eu vi de relance ela pegando as chaves da Ferrari, reconheci pelo chaveiro, uma miniatura de sapato de salto vermelho, estava em meio aos outros, chaveiros dos outros carros dela, e até os que pertencem a nós dois, e também com todos os cartões de crédito da Alice.
"Rose volte aqui!"
Eu chamei com urgência quando saquei que tudo que vi na mesa do papai estava lá por um motivo, estavam de castigo.
"Rose você enlouqueceu?"
Insisti quando ela não voltou.
"Fique fora de minha mente maninho."
Eu balancei minha cabeça, aquilo não ia terminar nada bem.
A risada de Emmett me trouxe de volta, ao que acontecia lá em baixo, todos riram com ele, e pelo que minha mãe falou estavam rindo de nós.
"Todos ganharam um mês a mais de castigo, por causa do cineminha na sala e Tv enquanto deviam estar de castigo, agradeçam às circunstâncias, ou iriam apanhar por isso."
"Eu vou falar com seu irmão e quero todos prontos pra irmos à reserva, assim que eu descer com eles."
Sentei na cadeira rapidamente e olhei pra parede, então lembrei, minha camisa estava rasgada.
A porta rangeu com cuidado e eu senti o cheiro dele atrás de mim, preferi na me sintonizar em sua mente já que eu acabaria deixando-o saber e só o faria ficar mais bravo comigo do que já estava.
"Cadê sua irmã? Pensei que estivesse aqui com você."
Ela esteve, deve ter ouvido a ordem do senhor e está se aprontando para o funeral.
Respondi ainda de costas, mas totalmente respeitoso, meu estômago pareceu se mover, eu quis ser o Jazz pra saber o que ele estava sentindo.
"Estou tão desapontado com você meu filho."
Pronto, não precisei mais.
"Eu sei, me desculpe."
Eu disse baixando minha cabeça.
Não, não sabe, talvez se sua filha saísse de casa pra viver uma vida totalmente contrária a que você ensinou, deixando você e as esposa doentes de preocupação até voltar, e depois de anos achando que nunca mais passaria por tal medo, vocês tivessem que buscá-la no aeroporto voltando de uma missão suicida, você saberia o que se sente quando um filho diz a você que vai embora seja qual for o motivo.
"Papai, eu não vou a parte alguma, eu não sei o que deu em mim pra dizer aquilo, eu não pensei direito, quando vi eu já tinha falado."
Eu disse com tanto pesar na minha voz, que foi difícil não comovê-lo.
Senti sua mão no meu punho, então olhei pra cima curioso, ele tinha as sobrancelhas unidas, mas sua expressão não era de raiva, estava mais pra concentração.
"Vem comigo filho."
Ele me levantou e me sentou na cama, mas ou invés e sentar-se ao meu lado, ele ajoelhou-se na minha frente e pegou minhas duas mãos entre as dele.
"Filho, eu preciso que você entenda, que o que aconteceu comigo lá em baixo com o cinto, é só uma amostra do quando eu fico fora de mim, o quanto mexe comigo, pelo menos pensar em te perder de alguma forma."
Ele me olhava penetrando meus olhos e eu podia ver as lágrimas se formando nos olhos dele.
"Eu me sinto assim sobre todos vocês, meu filho, mas você já me deu motivos o suficiente pra me tirar do eixo, você me deixou traumatizado, eu tremo só de pensar no que você é capaz quando deixa o seu temperamento tomar conta das suas decisões, tem idéia de quanto essas palavras me ferem."
Eu nem percebi que estava chorando até que senti as lágrimas escorrendo nas minhas bochechas, assim como ele.
"Eu...eu não... pretendia feri-lo papai, eu juro..."
Engoli o choro e expliquei.
"Eu só estava com medo de que Renesmee fosse exposta a algo que eu ainda não sei lidar, não estou preparado, meu bebezinho só tem dez anos."
Ele ficou de pé e me puxou pra que eu fizesse o mesmo, então sentou na cama e sentou no colo dele, segurado meu queixo com o dedo.
"Filho ela sempre será seu bebezinho, como você é o meu, assim como até mesmo o Emmett cabe no meu colo quando quero."
Eu olhei nos olhos do meu pai, e senti a firmeza da suas palavras.
"Eu quero que confie em mim, eu preciso que confie, eu sou o seu pai, sou o pai de três casais, e eu fui capaz de lidar com todos vocês, não fui?"
Apenas balanceia cabeça positivamente.
"Ele será meu filho também, e terá de me obedecer, e não vou permitir que nada precoce aconteça, eu assumirei Renesmee de agora em diante, na próxima cidade, todos vocês serão, apresentados e matriculados como meus filhos, sempre vou exigir que ela respeite a Bela e você, mas vocês são adolescentes e não estão prontos pra assumir as rédeas de outro adolescente sozinhos, você mesmo acabou de confessar, eu prometo que tudo está sobre controle, e preciso saber se confia em mim pra isso."
Eu apenas olhei pra ele com adoração.
"E então, confia em mim?"
É como eu disse antes, em se tratando de mim nada era retórico naquele dia.
"Sim papai, eu confio no senhor, se é capaz de ser meu pai, aturar a Rose, educar o Emm, segurar o Jazz, controlar a Lice e frear a Bella, também será capaz de ser pai da Nessie e colocar o Jake na linha."
Ele sorriu pra mim e tocou no meu nariz
"Então, pronto pra um quinto irmão, e dividir o colinho do papai mais uma vez?"
Revirei os olhos.
"Paaaai, sabe que não é isso!"
"Sei bem Edward Anthony, eu sou seu pai, e já passei por isso cinco vezes com você, porque até com a Bella você deixava escapar uns olharzinhos abandonados aqui e ali, já passei por isso quatro vezes com Rose também, vocês são os filhos mais ciumentos que eu tenho, e sei bem que esse é o motivo das brigas entre vocês."
Ele disse como um terapeuta que deixa o paciente calado diante de um diagnóstico.
Eu enchi as bochechas de ar tentado formar qualquer palavra de negação, mas ele deu uma gargalhada diante da minha tentativa fracassada, me levantando e me virando de costas.
"E essa roupa rasgada, o que foi isso?"
Ele disse tirando os trapos que restavam.
"Rose quem rasgou pra ver, o cinto deixou um vergão e ela passou veneno."
Ele me deitou na cama em cima do meu estômago.
"Deixa eu dar uma olhada nisso."
Ele disse puxando minha calça até os tornozelos, sem me dar tempo de dizer que eu já tinha passado veneno no outros vergões.
"Paaai eu já passei veneno nos oooutros!"
"Não passou direito!"
Eu senti sua mão nas minhas pernas, depois no traseiro, eu gemi com o ardor das palmadas.
"AAAAiiiiii!"
"Calma, calma filho...Proonto."
Era fácil pra ele dizer não era a bunda dele que estava em chamas.
Depois senti a mão dele na minhas costas, mas não tinha veneno, o trabalho de Rose fora mais bem feito do que o meu, já que ela podia ver direito.
Ele estava acariciando o local de repente sua mão parou.
"Perdoe-me filho, nunca devia ter acontecido, não tive a intenção, queria acertar seu traseiro, mas isso não desfaz o que eu fiz, não concordo em deixar marcas nos filhos, isso não é correção e sim agressão, é o que explica a reação da sua mãe, se você me perdoar, prometo que nunca mais voltará a acontecer."
Eu olhei pra ele por cima do ombro.
"Eu e que prometo nunca mais fazê-lo ficar assim de novo, eu nunca mais vou sair daqui, nunca mais vou falar em sair, a culpa foi toda minha, não preciso perdoá-lo."
Eu sorri, mas ele permaneceu triste.
"Eu preciso disso Bebê."
Eu fechei o sorriso e ele agachou pra me olhar nos olhos, descansei o pescoço no travesseiro sem necessidade, apenas para que meu olhar alcançasse o dele com perfeição.
"Então e o perdôo papai, de todo coração."
Só então ele sorriu, depois beijou minha testa.
Vamos vestir alguma coisa pra descer eu tirei a calça dos tornozelos e antes que eu ficasse de pé ele já tinha escolhido e pegado minhas roupas.
Eu vesti rápido, e ele olhou no relógio muito provavelmente estávamos na hora de ir.
"Eu vou falar com sua irmã depois, como ela está?"
"Ah papai, sabe como ela é, uma ou duas birras e ela vai ficar bem, os dois vão, pelo menos eu estou depois de quase 100 anos suportando aquela..."
O olhar dele me parou antes que eu pudesse chamar minha irmã de qualquer coisa que me rendesse uma boca lavada com sabão.
Descemos as escadas e a primeira coisa que vi foi minha Bella olhando pra mim com carinha de mãe, eu não fui capaz de manter a cabeça erguida.
"Aiaiai papai, eu vou ser bonzinho papai! Não bate no meu bumbum!"
Emmett imitou uma voz de bebê pra mim em sua mente, mas o sorrisinho zombeteiro dele entregou o que estava fazendo, pois meu pai deu a ele um olhar que fez tremer até as minhas pernas.
"Já falei com ele e está tudo bem."
Ele me soltou e corri para o conforto de minha esposa, ela precisava disso tanto quanto eu.
Meu pai ordenou que fossemos com ele enquanto que as meninas fossem com a mamãe, e ordenou também que não saíssemos de perto deles lá na reserva, pois estávamos de castigo.
As meninas não reagiram muito bem quando ele parou no caminho da garagem pra alertá-las que o episódio de desculpas mutua poderia acontecer, mas enquanto não confirmaram que tinham entendido ele não seguiu.
"Emmett, no banco da frente!"
Eu dei uma risadinha rápida com o fato de meu pai frustrar os planos dele de me atormentar a viagem inteira.
Olhei pela janela e vi minha Bella olhando pra mim com olhinhos de saudade pelo vidro enquanto minha mãe sentava Alice no banco da frente.
Continua...
A/N: Eu sei que é uma droga quando o capítulo seguinte pára bem no mesmo lugar do anterior, mas passei por uma perda muito grande ontem e não tive forças pra continuar esse capítulo, mas a vida tem que continuar e quanto mais cedo eu for capaz disso, melhor vai ser, e mais orgulho ele terá de mim.
Feliz aniversário Marry! Lembre-se sempre:
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há." (Renato Russo)
