A/N: Eu devia ter postado há dois dias atrás, mas minha internet me deixou na mão pra variar, mas qui vamos nó finalmente...
Obrigada mesmo pelo apoio de vocês numa hora tão difícil pra mim, poder contar com vocês me faz ver que não são apenas leitores das minhas histórias e co-participantes da minha loucura, mas também são meus amigos. Vocês me emocionaram com tanto carinho e mesmo ao citar minhas próprias palavras pude perceber o quanto meu coração pode estar pronto pra enfrentar isso.
Bom, deixando a tristeza de lado... Eu espero mesmo ter conseguido fazer um bom capítulo.
Boas vindas: 17bh, gai, Michelli, Victria, Raielly, , any dheyne, JMoucher. Desculpem-me se esqueci alguém.
FELIZ ANIVERSÁRIO, AMIGA "renesmee love Jacob"
"Último Problema em Forks"
Doce vingança
POV Bella
Meu traseiro latejou quando sentei ao lado de Rose, se eu que tinha ganhado uma surra me sentia assim, meu coração doía só de pensar no Edward, ele já tinha apanhado de cinto mais cedo por causa do toque de recolher e meu pai bateu nele de novo!
Mas que Edward nunca saiba, meu pai meio que tinha razão, é lógico que eu quis avançar nele, meu próprio pai, quando ele acertou o cinto no meu amor daquele jeito, e também achei um pouco injusto ele apanhar enquanto ainda sentia a dor da outra surra, mas isso é só por que eu o venero desde o dia em que eu o conheci.
Se for pensar com a razão, eu até que me senti segura vendo o quanto meu pai está no controle da situação, porque se for parar pra pensar, sempre que o Edward age por impulso, sou eu quem me ferro, foi assim quando terminou comigo, foi assim quando quis se matar, quase foi assim que ele ferrou com a nossa filha.
Eu sei que foi tudo por me amar demais, e eu também o amo, mais até do que seja possível se amar alguém, mas Edward foi congelado aos 17 com todas as características de adolescente dessa idade, e o fato de eu ter sida congelada aos 18, não ajuda em nada, dá a sensação de segurança saber que nós temos um pai pra botar as coisas em ordem por aqui.
Eu nem sei o que seria de nós se Edward realmente resolvesse sair de casa, eu iria com ele é lógico, não me imagino um dia se quer sem ele, Renesmee sendo nossa filha teria que obedecê-lo, no mínimo acabaríamos sendo mortos, entregues as nossas idéias de girico que nunca foram lá muito boas, afinal Renesmee já está quase da nossa idade, era fácil ser pais de um bebê mesmo sendo adolescentes, mas ser pai de uma adolescente vai ser outra história, se nós mesmos de vez enquanto precisamos de umas palmadas. Renesmee definitivamente vai precisar do meu pai.
Mas nenhum raciocínio diminui a vontade que eu estou de consolar o Edward, ele deve estar se moendo de vergonha de eu ter visto tudo, escutar o choro dele e cada palmada foi no mínimo uma tortura pra mim, mas pra ele deve ter sido muito pior, ainda mais se ele soubesse que pela primeira vez, eu o vi como o garotinho do papai.
Eu já sabia que ele apanhava há muito tempo, mas Edward sempre foi tão protetor, que mesmo tendo a oportunidade de ouvi-lo durante uma surra, eu não podia imaginá-lo tão vulnerável, pois chorar faz parte das punições do meu pai e todos em algum momento acabávamos cedendo, até o Jazz.
Edward sempre fora o cara que se joga na frente dos Volture, que encara lobisomens, eu nunca o vi nem mesmo sofrendo bullying dos irmão, mesmo sendo eles bem maiores e mais velhos, pois a habilidade de ler pensamentos o colocava de igual pra igual nas brincadeiras de luta.
Mas ele ali no colo do meu pai com as calças nos joelhos, chorando como um bebê, ele lutou bravamente pra não fazer, mais quando ele começou a espernear como um garotinho, eu não pude resistir o desejo de abraçá-lo e consolá-lo com uma massagem no bumbum e um cafuné, mas eu tenho que deixar isso pra minha mãe ou o meu pai, pois Edward morreria se ao menos soubesse disso.
Eu estava perdida em meus pensamentos quando olhei para o lado e vi o olhar indignado no rosto de Edward olhando pra mim do carro do meu pai.
Ele baixou o rosto constrangido quando me viu.
"Droga! Meu escudo!"
Rose olhou pra mim assustada, assim como Alice no banco da frente e minha mãe pelo espelho.
"Que é isso, minha filha?"
"Oh droga! Droga! Eu me perdi em meus pensamentos e não notei que meu escudo não estava ativado! Eu acho que Edward ouviu tudo!"
"E em que você estava pensado, Docinho?"
Minha mãe perguntou não menos curiosa que os olhares de minhas irmãs.
"Eu estava pensando em como eu queria consolá-lo como um bebezinho!"
Eu disse como se estivesse anunciando uma tragédia nuclear, mas as três riram de minha desgraça.
"Filhinha, eu mesmo o chamo de Bebê, porque ele é o bebê dessa família, Rose mesmo esquece todas suas divergências com ele para protegê-lo quando está em apuros, e Alice só não o consola por que não fica muito atrás dele nesse quesito, não é minha Bonequinha?"
Minha mãe disse bem humorada apertando as bochechas dela.
"Ele sabe que é nosso bebê, Bella, não se preocupe com isso, papai deu umas palmadas nele na sua frente por que ele pareceu esquecer-se disso por um instante."
Rose disse tão casualmente que eu fiquei parecendo uma rainha do drama com a minha reação.
"Mas eu nunca o vira assim, ele sempre pareceu tão durão pra mim, é raro quando eu escuto o papai corrigindo ele, e quase sempre estou no meio da confusão, ele é duro com a Nessie, então eu nunca o vi dessa forma."
Eu disse demonstrando toda minha indignação ao jeito com que elas se referiam ao meu marido.
"Meu Docinho, Edward já aprontou tantas coisas infantis que você nem imagina..."
Minha mãe falou com um sorriso doce e tranqüilo nos lábios, e minhas irmãs soltaram uns risinhos marotos.
Edward que me desculpe, mas como qualquer namorada ou esposa eu precisei perguntar.
"Como o que?"
A risadinha contagiosa agora estava em meus lábios, eu olhei de relance para o carro ao lado e ele colocou as mãos no rosto.
O insulfilm titanium nos vidros, me lembrou que embora nós fossemos capazes de enxergar através deles, os humanos não poderiam, e que nossas vozes estavam seguras entre dois carros lacrados por vidros grossos.
Eu só coloquei meu escudo pra fazer o mesmo com nossos pensamentos e começou a famosa seção de histórias constrangedoras de "infância" que sem perceber eu perdi.
Em meio à loucura de James, Victória, Volture e tudo mais, foram poucos os momentos que eu podia estar com minha família de vampiros sozinha, quando eram apenas cunhados e sogros, e quando isso acontecia, tínhamos coisas mais importantes pra conversar, como existência de alma, sede, lobisomens e seus tratados, recém-nascidos, maternidade e mudanças extremas que eu deveria enfrentar.
Depois disso eu deixei de ser nora e cunhada pra ser filha e irmã, então o Edward passa tanto tempo comigo que nunca permitiu acontecer, muito provavelmente e ele lia os pensamentos e dava um jeito de me afastar de momentos propícios.
Eu me senti tão malvada quanto aqueles garotos que baixam as calças do outro no recreio e saem correndo, só para o seu próprio divertimento, mas vai saber quando eu teria outra oportunidade de saber essas histórias.
Além do mais, só pra não me sentir tão culpada, Edward sabia de todas as minhas, até das que Charlie tinha o bom senso de não contar.
Eu podia sentir minhas bochechas vermelhas de tão vivas as lembranças dos álbuns de bebê comigo vestindo fraldas, a pasta de primeiros rabiscos e desenhos pintados de cores absurdas, Charlie tinha até uma caixa cheia de presentes de dia dos pais feitos de macarrão e palitos de picolé.
Eu olhei pra ele baixando meu escudo, deixando que ele lesse todas essas lembranças de eu implorando pra ele sair quando Charlie vinha com minhas recordações constrangedoras, e ele com um sorriso sapeca no rosto insistindo pra ficar.
Bom o sorriso agora era meu.
"Diferente do sangue, a vingança é um prato que se come frio."
Levantei meu escudo com esse pensamento, vi ele tentando escorregar do banco como quem queria sumir.
Então minha mãe começou.
"Teve uma vez, que ele ficou com tanto ciúme da Rose, porque Carlisle e eu compramos roupas novas pra ela e dissemos que ele já tinha muitas, que começou a sujar suas roupas de sangue na hora da caça de propósito..."
Interrompi completando o pensamento dela
"Sim, como as crianças que já aprenderam a usar o troninho e voltam molhar a roupa porque o irmãozinho novo usa fraldas e ele quer usar também."
"Exatamente! Quando Carlisle descobriu sem querer, ele apanhou no banheiro sem nenhuma peça de roupa, o pai dele nunca tinha feito isso com ele antes, ele chorou mais de vergonha do que pelas palmadas, depois deixou ele de castigo no quarto o dia todo e o fez lavar a própria roupa por um mês."
Rose riu maldosa.
"Foi a primeira vez que eu vi meu irmãzinho mais novo pelado."
"E a primeira vez que seu pai puxou sua orelha."
Minha mãe varreu o sorriso do rosto dela.
"Mas a chegada de uma irmã não foi o único motivo de Edward agir como um bebê, depois que ele já nos chamava de pai e mãe, Carlisle já tinha batido nele uma vez com o cinto, ele devia pensar que não apanharia de novo tão facilmente. Ele teve a brilhante ideia de, pra vingar um amigo, ele aprontou na escola, só pra ver a cara do diretor quando o remo de madeira quebrasse na mão dele, tivemos que nos mudar pra não sermos descobertos, as pressas, mas assim que pusemos os pés na outra casa a primeira coisa que seu pai fez foi dar uma bela surra nele pela molecagem.
"Mamãe, conta aquela da ilha..."
Alice pediu pra minha mãe olhando pra trás, mas ela mesma começou a história.
"Ele aprontou com uma Ticuna numa sexta feira treze, só porque o Emmett disse que ele tinha medo do papai."
Minha mãe rolou os olhos como se estivesse vivendo a situação de novo.
"Foi infantil demais até pro Edward, ele sabe muito bem que até o Emmett morre de medo do Carlisle, e se deixou levar pro uma provocação obvia dessas."
"Eu achei foi bem feito o Emm apanhar junto com ele, sabe que eu não gosto que o papai bate no Edward e fez aquilo com o menino."
Rosalie disse toda protetora, esta aí algo que eu nunca vou entender, eles se odeiam, brigam o tempo todo, mas falou que o Edward vai apanhar, ela se transforma na melhor irmã mais velha que alguém pode ter.
"Mas eu tenho que admitir, que eu quase o entreguei pro papai quando ele pregou chiclete no meu cabelo."
Rosalie declarou iniciando outra história.
Minha mãe riu divertida.
"Nem precisou você entregá-lo Princesa, quem mais chegaria perto de você pra fazer algo como aquilo? Um humano é que não seria."
De repente minha mãe parou de sorrir e franziu a testa com uma lembrança dolorosa.
"Mas acho que seu pai exagerou levando isso para o cinto da disciplina."
Rose pareceu compartilhar a dor dela, automaticamente Alice e eu ficamos sérias também, o cinto da disciplina era sempre assunto sério na nossa família, era quase que como um doloroso ritual sagrado de endireitamento.
Tremi ao me lembrar da minha primeira vez, e então fui sensível ao fato inevitável de que minha irmã tinha acabado de enfrentar a sua.
Seu rostinho baixo começou a derreter em lágrimas.
"Oh minha Bonequinha, desculpe-me por falar naquele troço, você está bem?"
"Estou, eu só não acredito até agora que ele teve coragem de bater mim com aquele cinto, tá doendo até agora."
Ela sentou de lado alisando o traseiro com um bico nos lábios muito maior do que Renesmee com dias vida quando tinha a aparência de 2.
"Vocês são todos umas crianças grandes, não sei por que Edward está fazendo um drama tão grande, até Jasper já apanhou por um motivo infantil, todos vocês já levaram palmadas no bumbum."
"Seu pai tinha mesmo que dar umas palmadas nele daquele jeito, tenho certeza que todos vocês se colocaram no lugar dele e se lembraram de que são nossos bebês, quando seu pai fez aquilo..."
Ela viajou nos seus pensamentos por um segundo depois de dizer aquilo como uma quase bronca em nos três, de repente murmurou pra si mesma.
"Pegar minha esposa e minha filha e sair daqui..."
Ela reclamou pra si com tom de ironia balançando a cabeça em negação.
"Como se fossemos permitir..."
O clima, combinou com a seriedade da situação, pois estávamos em terras Quileutes e a tristeza se espalhava de forma quase mágica no ar, não era uma tristeza angustiante, era como uma melancolia de dias chuvosos em locais agraciados pelo sol no ano inteiro, mas como nossa região era chuvosa, percebia-se facilmente o motivo da depressão.
Ao longe avistamos alguns grupos de Quileutes vestidos como índios das lendas que Renesmee nos contava, até pra nós era estranho, sempre os vimos tão comuns que quase esquecíamos que eram uma aldeia, não fosse pelas festas de fogueira que Nessie e Jacob iam de vez em quando.
Enquanto descíamos do carro da mamãe dando graças a Deus por termos sido ordenadas a colocar roupas discretas, o carro do meu pai parou ao nosso lado.
Jasper saiu abraçando Alice e em seguida Emmett desceu segurando uma risada sob o opressor olhar ameaçador do meu pai.
"Emmett Cullen, eu juro que se você fizer qualquer piada ou der pelo menos um sorriso se quer nesse funeral, eu acabo com a sua raça."
Meu pai sussurrou apertando a ponte do nariz, Rose apareceu dando uma cotovelada nas costelas do meu irmão e puxou o braço dele pra perto de Jasper e Alice atrás dos nossos pais.
Vendo três casais abraçados e eu sozinha, percebi que não era normal o tempo que Edward estava levando pra sair do carro, até realizar que ele não o faria.
"O que houve?"
Minha mãe perguntou com doçura para o meu pai, sem olhar pra ele, na verdade seus olhos uniam suas sobrancelhas interrogativas em direção ao banco de trás do carro, de onde Edward se negava a sair.
"Seu filho disse que não vai sair de lá nunca mais, eu já estou farto por hoje, então dado ao fato de que nosso Bebê não vai morrer por falta de ar trancado dentro do carro, resolvi que, eu não me importo."
"EU NÃO SOU UM BEBÊ, EU TENHO DEZESSETE!"
Ele gritou emburrado de dentro do carro.
"Ora essa Edward! Saia logo desse carro, não pode ficar aí pra sempre!"
Meu pai falou impaciente.
"POSSO SIM! NÃO SOU UM SER HUMANO!"
Meu pai deu um passo como se fosse arrancá-lo de lá à força, mas minha mãe o parou.
Deixa que eu falo com ele, vão indo vocês seis.
Meu pai pegou minha mão abrindo caminho pra ela rolando os olhos, enquanto nos viramos de costas escutamos minha mãe entrar no carro.
"Venha cá meu amor..."
Meu pai olhou por cima do ombro e rolou os olhos pela segunda vez depois olhou pra mim me abraçando pelo ombro.
"Depois perguntam por que Edward é tão mimado..."
Ele disse quase num sussurro, mas Emmett ouviu.
"É, mimado e manhoso."
"Ninguém está falando com você, Emm."
Meu pai repreendeu.
"Tá vendo? Ninguém passa a mão na nossa cabeça..."
Ele disse olhando para meu irmão Jasper, que prudentemente, se quer respondeu com um olhar.
Meu pai que não é de falar duas vezes, deu apenas uma olhada para o meu irmão mais velho.
"Já calei."
Foi a última coisa que ele disse, paramos numa distância respeitável e meu pai ficou olhando para os lados como se esperasse alguém.
"Ele pediu para que Sam nos guiasse e nos orientasse à respeito da cerimônia."
Jasper disse à Alice, muito provavelmente sentindo sua curiosidade, pois eu não ouvira uma pergunta.
Em menos de um minuto, enquanto eu me sentia mal novamente por Edward, Sam apareceu acompanhado por duas meninas caracterizadas, a única diferença era a posição das tranças, Lígia tinha duas caindo nos ombros enquanto que Navih trazia apenas uma caindo no ombro direito.
Navih tinha um olharzinho arrogante no rosto, como se tivesse sido arrastada até ali, mas as tranças de Lígia, quase atingiam a cintura tanto estava baixa sua cabeça.
"Olá Dr. Cullen... Crianças?"
Meu respondeu ao cumprimento, mas nós permanecemos calados e ofendidos, ninguém pode nos chamar de crianças a não ser os nossos pais, e o Charlie, que ainda está vivo, o que era um milagre, considerando sua alimentação precária.
"Antes de qualquer coisa, minhas filhas tem algo a dizer às suas filhas."
Meu pai fez um movimento conhecido com a cabeça que nos empurrou pra frente como uma fileira de meninas bem comportadas.
Lígia deu um passo à frente e Navih foi empurrada pelo pai pra fazer o mesmo.
"Desculpem..."
Quase não deu pra ouvir, Sam raspou a garganta como se tivessem ensaiado coisa melhor.
"Desculpem-nos por ofendê-las"
Disse Navih entre os dentes.
"Não fomos boas anfitriãs e sentimos muito, desculpe por fazer você chorar, senhorita Rosalie."
Lígia completou, Rose não perdeu a oportunidade de exibir os lindos cabelos jogando-os para trás com um movimento graciosamente intimidador e superior.
"Desculpas aceitas."
Alice e eu dissemos o mesmo em seguida em uníssono, mas sem a arrogância.
"Obrigado Sam, não esperava menos de você. Agradeço por vir nos orientar, como expliquei ao telefone, não quero incomodar Jacob num momento como esse e não saberíamos como nos portar ou mesmo onde ficar, acredito que seja a primeira vez que vampiros tenha sido convidados para um funeral Quileute."
"Não se incomode com isso Dr., mesmo que quisesse não seria possível, ele está dentro do circulo de fogo com os anciãos, não pode sair até que termine o ritual.
Meu pai ergueu a cabeça na direção das labaredas e fez uma pergunta que me fez pular e trouxe Edward num piscar de olhos pra perto de nós.
"Aquela é minha neta, em meio a todo aquele fogo?"
O tom do meu pai era indignado, não parecia uma pergunta e sim uma reclamação.
"O que ela faz ali?"
Edward perguntou tirando as palavras da minha boca, mas Sam respondeu ao meu pai.
"Ela é o imprimiting dele, tem direito de estar lá."
Sam falou com meu pai em tom apaziguador, mas a irritação do Dr. Cullen continuava evidente.
"O direito, mas não a obrigação, é perigoso pra ela!"
Ele deu de ombros diante do notório desgosto do meu pai com a situação.
"Ela fez uso do seu direito e pediu pra ficar com o Jacob, sabem o quanto são apegados e o quanto ela gostava de Billy."
"Ela não é esposa dele ainda, não é adequado, pode confundir o que ensinamos a ela sobre o significado do imprimiting, não quero que ela o veja como mais do que um protetor, por mais que ela possa enxergar um padrão nos adultos, gosto de mostrar a ela sobre as crianças que são objetos de imprimiting e o quanto elas são livres pra fazer suas escolhas."
Sam continuou com a mesma cara de 'e eu com isso?' e espalmou as mãos num sinal de rendição.
"Não creio que eu seja a pessoa mais indicada pra ouvir a queixa do senhor, Dr. Cullen, ela decidiu, ele fez sua vontade e Sue permitiu, só estou ajudando a vocês encontrarem lugar na nossa cerimônia, por ser a primeira vez que temos convidados tão especiais."
Meu pai balançou a cabeça ainda reprovando cada palavra que fora dita.
"Venham comigo por favor..."
Sam disse na tentativa de encerrar a cena.
Meu pai percebeu que Edward e eu demos um passo a frente em direção à fogueira e segurou nossos cotovelos simultaneamente.
"Também não estou feliz com isso, mas vamos respeitar a dor dela, ela está segura, Jacob está com ela, vamos ser civilizados dessa vez."
Ele disse 'dessa vez' olhando pra mim, engoli o veneno na garganta e meu estomago afundou fazendo minha bunda doer, só de me lembrar da surra que eu levei por agir com selvageria mais cedo.
Enganchei no braço do Edward, ele nem olhou pra mim, só sussurrou magoado.
"Não estou falando com você."
Eu dei uma risadinha com o tom de voz que ele usou, eu realmente nunca tinha reparado o quão infantil meu protetor marido poderia ser, acho que é por que sempre que aprontávamos, era juntos, ou se ele contrariava o pai era sempre por motivos mais sérios, mas saber de suas histórias antes e mim, me fez enxergar o menininho ali dentro daquela armadura, assim como eu via em Alice desde o começo.
"Tá emburrado Bebê?"
Tive que segurar pra não rir alto e levar outra bronca, afinal estávamos em um funeral.
"Pode continuar com isso, como você mesma disse, a vingança, diferente do sangue, é um prato que se come frio."
"Pensei que não estivesse falando comigo."
Eu disse quase explodindo.
"Psiiiu!"
Minha mãe ordenou severamente, então nos calamos.
Mas Emmett deixou escapar a risada que eu estava segurando, foi baixa o suficiente para não incomodar o funeral, mas alta o bastante pra o meu pai mostrar a mão pra ele, com aquele movimento conhecido que ameaça uma palmada.
Ele fechou a cara na hora, Então chegamos ao local que tinha sido reservado pra nós era respeitosamente distante dos outros, mas não estávamos escondidos, nossa presença era notada com curiosidade.
Tinham umas fileiras de pedras, mais baixas que um parapeito, e mais altas que rodapés, como um forte em processo de construção, ou que fora destruído com o tempo.
Não sabíamos exatamente o propósito do lugar, talvez fosse alguma crendice de pedras místicas ou coisa parecida.
A passagem para a outra vida era um momento de magia, não era apropriado que estivéssemos ali, mas Renesmee sempre garantia nossos passaportes carimbados para os eventos Quileute, não que gostássemos de comparecer, na verdade sempre tínhamos uma desculpa perfeita guardada na manga pra recusar os convites, mas aquela não era uma situação.
Meu pai Charlie, caminhou em nossa direção, estávamos todos à volta de nossos pais vampiros, não nos movíamos se quer, pra não chamar atenção indesejada, ele se aproximou com um olhar desconfiado no rosto, dez anos foram o suficiente pra ele saber, que embora todos pensassem que sim, não éramos tão comportados daquele jeito.
Ele não sabia de nada do que vinha acontecendo, nos primeiros anos, meu pai Carlisle costumava fazer um pequeno relatório, até que ele começasse a se sentir à vontade com a idéia de eu chamar outro homem de pai.
Mas depois de começar a embranquecer os cabelos, vendo-me congelada no tempo daquele jeito, ele começou a se acostumar com a idéia de que sua filhinha morrera no parto, e que aquela era na verdade, a filha de Carlisle Cullen, com todas as características bizarras dele, o próprio Jake dissera a ele no passado, que eu me parecia mais com minha mãe Esme do que com minha mãe Renee.
Ele me olhou, meus dois pais se olharam nos olhos, e o humano levantou uma sobrancelha perguntando o obvio.
"De castigo, hã?"
"Hamrã..."
"Hum. Os rapazes também?"
"Humrum"
"Como está, Charlie?"
"Na medida do possível. Eu sou durão, mas Billy foi sempre o meu parceiro nesse lance de solidão."
Eu olhei pra ele com um olhar comovido, eu nunca tinha pensado no que unia os dois em uma amizade tão constante, embora não fosse mesma situação, Billy não tinha unha esposa também.
"Isabella pode sair um instante pra falar com seu...hm pai."
Era engraçado ver meu pai Carlisle engolir um veneno preso na garganta antes de usar a palavra tão "sua" com outra pessoa, é incrível o quanto o processo de paternidade dele é veloz, num momento somos estranhos e no outro ele já nos tem debaixo de suas asas.
Eu soltei o braço de Edward ansiosa e abracei Charlie com cuidado pra não machucá-lo.
"Obrigado Carlisle, posso dar uma pequena volta com ela, devolvo-a num instante."
Charlie pareceu estar comunicando uma decisão e não pedindo uma autorização, diferente de mim que fiquei esperando o movimento positivo e o olhar de aprovação do meu pai vampiro.
Escusado seria dizer que ele nos deu.
"Por que ela pode sair? Eu também quero."
Escutei Rose murmurar, Charlie é lógico, nem percebeu.
"Não começa, Rosalie."
Meu pai repreendeu cortado pela raiz mais uma cena de ciúmes.
Aliás, eu arriscaria dizer que ciúmes é a característica principal dos Cullen, fica logo atrás das peles de mármore e a dieta de sangue animal.
Meus pais têm ciúmes dos filhos, Emmett tem ciúmes de Jasper, Jasper tem ciúmes de Alice, Alice tem ciúmes de Edward assim como eu, Edward tem ciúmes de Rose e Rose tem ciúmes de todos.
Acho que a única que não tem ciúmes é Renesmee, mas também não precisa, ela tem a todos enrolados no seu dedo mindinho.
Mas o ciúme que meu novo irmão Jacob tem dela, acaba enrolando-a nessa teia gigante também.
E falando em ciúmes os olhos de Charlie vidrados em mim, entregavam sua mágoa sempre escondida ao ver o quanto eu me encaixava num mundo que não era o dele.
"Pai, vem com agente, podemos lidar com isso, sem o Billy aqui pra te fazer companhia... eu... não quero que fique... sozinho."
Eu não completei o que eu dizia olhando em seus olhos, pois havia pouco tempo que tínhamos tido uma discussão sobre a mudança, discussão essa em que eu lhe fizera o mesmo pedido e me lembro bem de suas duras palavras.
"Obrigado Dr. Cullen, mas se Bella não me quisesse sozinho, não teria escolhido o caminho que escolheu, pelo que entendo de toda esquisitice de vocês, estava tudo programado pra que vocês fossem embora depois da lua de mel, me deixar sozinho foi uma escolha feita há muito tempo, se tive mais 10 anos com ela e o privilégio de conhecer minha neta, devo agradecer, mas já estou aproveitando um bônus nessa família faz tempo."
Fora a última vez que me pai Carlisle falou com ele sobre o assunto, eu chorei tanto no colo dele que se fosse humana teria dormido ali.
O dedo de Charlie no meu queixo me arrancou do meu triste devaneio.
"Filha, não é sobre minha solidão que quero falar com você, é justamente o contrário."
Eu olhei tão rápido pra cima que o assustei com meu movimento, pra ele anormal.
"Nunca me acostumo com esses olhos dourados, não me leve a mal, mas é mais fácil encarar os de Nessie, me lembram tanto os seus de verdade."
"Desculpe pai..."
Desde o dia em que resolvi ser transformada em vampira, eu me sentia como se sempre tivesse que desculpar com Charlie.
"Não precisa se desculpar pelo que você é, agradeço por Edward ter te salvado, mesmo tendo sido ele o culpado, serei eternamente grato por você não estar morta."
Eu sabia que aquelas palavras eram apenas da boca pra fora, pois desde que ele descobriu que nos alimentávamos de sangue, por mais que fosse de animais, o fato de desejarmos ardentemente o dos humanos, fazia com que ele tinha aquele olhar estranho pra nós, Charlie estiva sempre pisando em ovos pra não nos ofender, a neta era sua ligação conosco, embora metade vampira, ele se apegava ao lado humano dela, decidimos até, nunca dizer a ele que ela bebia sangue também.
Eu continuava tentando processar o que ele tentara dizer com "o contrário", enquanto ele continuava inutilmente disfarçar a pequena ofensa sobre os olhos. Quebrei o silêncio.
"O que quer dizer com contrário, tem uma mulher, depois de todos esses anos sozinho?"
Ele sorriu sem graça.
"Uma mulher não Bells, A mulher."
Eu abri a boca, mas nada saiu.
"Estou meio que ...namorando...a sua mãe, Renee."
Eu engoli o veneno acumulado na minha boca aberta.
"Mas...como...e Phill... quando vocês...Paaai!"
"Calma Bells, Phill e ela se separaram a mais de um ano, sabe que depois de dizermos a ela que vocês todos tinham morrido no acidente de avião, ela perdeu o entusiasmo que fazia com que não parecesse tão mais velha do que ele, aquele jeitinho de colegial que ela tinha era o que combinava com o jogador de baseball, agora ela é só uma mãe órfã de filha, no auge da terceira idade, eu acabei sendo o único homem do mundo que compreende a sua dor."
Eu nem percebi que as lágrimas de veneno rolavam no meu rosto, eu não sabia o quanto tinha afetado a ela, pensei que ela superaria de alguma forma, mas pensando bem, não sei o que seria de mim sem Renesmee.
"Pai, mas isso está tão fora de todos os planos, você não Pode continuar mentindo pra ela se estão juntos, mas também não pode contar a verdade!"
Eu estava sussurrando pra que minha família não escutasse, mas eu duvidava muito disso.
"É sobre isso que eu queria falar com você primeiro, estou pensando em pedir permissão de Carlisle para dizer a ela."
Eu coloquei a mão no rosto então subi para o cabelo sem saber o que dizer.
"Pai, estamos vivendo um momento tão delicado lá em casa, está tudo de pernas para o ar. Meus pais vão adotar o Jake, meu pai passou a noite toda "corrigindo" a gente por causa da briga, ainda temos que nos mudar, fora isso, ainda rastrearam um vampiro nômade na área, definitivamente esse é o pior momento pra cogitar algo assim."
Ele me apertou num abraço quando declarei o quanto estava chateada com a dor que causara na minha mãe Renee, eu sentia tanta falta dela, como amiga mesmo, por que ela não muito maaaãe, pelo menos não como Esme.
Mas era justamente a minha mania de cuidar dela e não o contrário, que me causava ainda mais dor.
"Pai, eu tenho tanto medo dos Volture saberem sobre você, é muito perigoso, eu não sei o que fazer... não podemos... cuida dela pra mim."
Eu que devia estar consolando-o pela morte de seu melhor amigo, agora estava sendo consolada por ele.
"É muito pra resolver, justo agora, mas prometa que vão discutir o assunto depois que tudo se acalmar."
Ele pegou meu queixo entre as duas mãos e passou a mão na minha bochecha pra enxugar a lágrima.
Depois sacudiu os dedos como se tivesse encostado em algo quente.
"Au! Isso arde... e é gelado ao mesmo tempo!"
Eu ri da cara que fez.
"Não são lágrimas de verdade, pai... rsrs... é veneno."
Ele pois as mão na cintura e levantou a sobrancelha encenando uma postura irritada.
"Então, o que vocês monstrinhos fizeram pra deixar o papai Cullen tão bravo, os meninos também brigaram depois que eu saí?"
"Não, eles violaram o toque de recolher, meus pais ficaram malucos por causa do tal vampiro, quando chegaram, os três entraram no cinto."
Ele confirmou com a feição, dando razão ao meu pai vampiro.
"Espero que vocês três também, onde estavam com a cabeça estourando uma briga daquelas aqui na reserva?"
"Não, foi só a Alice que apanhou de cinto por ter atacado, a Rose está de castigo por ter participado, e eu..."
Baixei a cabeça de vergonha, mas ele ergueu meu rosto com o dedo no meu queixo.
"E você..."
"Eu ganhei umas palmadas por rosnar pra elas."
Mesmo meu rosto estando de frente pra ele, meus olhos olhavam em outra direção.
"Ainda bem que você foi adotada por um bom pai, eu não teria feito diferente, seu primeiro ano já passou, não tem mais desculpa pra agir como uma selvagem, mocinha!"
Agora eu estava levando uma bronca, eu poderia reconhecer aquele tom de voz em qualquer hora e em qualquer lugar.
O momento constrangedor foi interrompido por uma canção indígena de cortar o coração entoada pelo que pareciam milhões de vozes, os Quileutes cantavam com a alma e pareciam uma multidão, e não apenas 800 índios.
"Temos que voltar, não podemos esquecer que a senhorita está de castigo, e eu tenho que prestar homenagem ao meu melhor amigo..."
Eu percebi sua voz se quebrando e fingi não notar a lágrima escondendo no seu bigode grisalho.
Estávamos ambos olhando fixamente em direção á fogueira
"Eu vejo você no dia da mudança?"
Perguntei ainda de perfil, ele sacudiu a cabeça num movimento de sim, com os lábios pressionados um contra o outro segurando um choro de dor.
Voltei pra junto dos outros, permitindo que Charlie voltasse para a cerimônia, sempre soube que ele é mais do tipo que sofre em silêncio.
"Como ele está?"
Meu pai perguntou enquanto eu me agarrava ao braço de Edward.
"Não parece, mas sei que está morrendo por dentro."
"Eu sinto muito, Docinho."
Minha mãe beijou minha testa.
E retribui o carinho depois puxei o braço do Edward aproximando me dos seus ouvidos.
"Vocês ouviram algo?"
"Não, somente eu, o segredo está a salvo."
A cerimônia foi linda, mais mágica do que triste, é mais fácil pra quem acredita em uma continuação da vida, despedir-se dessa.
Não fora apenas uma cerimônia de despedida ao Billy, mas também de boas vindas à Sue como chefe dos anciãos.
Quando Renesmee e Jacob receberam os cumprimentos de todos, Sue surgiu segurando o cotovelo de Leah, juro que eu já havia me esquecido, com tanta coisa na cabeça, que eu ainda tinha que engolir o pedido de desculpas daquela cadela, se não fosse por ela estaríamos todos em paz agora, afinal os meninos só perderam o toque de recolher por que tiveram que caçar por causa da Alice, de alguma forma suas patas fedidas estavam em tudo, ela só não tinha culpa da morte de Billy.
"Dr. Cullen? Sra. Cullen? Como combinado minha filha tem algo a dizer a vocês."
"Meninas, como o combinado por favor."
Minhas irmãs e eu olhamos para o meu pai, então nos entreolhamos buscando apoio umas nas outras pra obedecer à difícil ordem.
Estávamos todas preparadas para uma big confusão casada pela arrogância dela, mas quando começou a falar nem parecia a mesma, a mãe dela deve mesmo tê-la amaciado no cinto.
"Desculpem-me por tudo, não vou dizer que não foi minha intenção, fiz o que fiz por que quis, no intuito de ofendê-las, mas não devia ter tratado vocês tão mal em meu território, desculpem-me por envergonhar a minha tribo e também minha família."
"Hanrã..."
Sue pigarreou e então ela completou, olhando pra mãe ao invés de continuar olhando pra nós.
"...Depois de vocês nos receberem tão bem em seu território durante todos esses anos."
Era nítido que o pedido de desculpas era pra agradar à Sue e nenhuma palavra fora realmente dirigida a nós.
A boca de Alice estava tão aberta que poderia entrar um inseto, a de Rosalie estava tão fechada que podia se ouvir os dentes cerrados, então sobrou pra eu dizer.
"Desculpas aceitas."
Nós três viramos em sincronia de costas para Sue e Leah, apenas para encarar meu pai de braços cruzados sobre o peito, o que só não foi mais assustador do que ele descruzar os braços e colocar a mão no cinto.
Na mesma sincronia anterior, viramo-nos de volta na velocidade da luz.
"Desculpe-me por rosnar pra vocês."
Eu liderei a sessão de humilhação e Alice seguiu meus passos.
"Desculpe-me por atacá-la."
Rosalie olhou para nós, olhou para Leah e então para o meu pai, quebrando com rebeldia o denso silêncio que se formara.
"O senhor só pode estar brincando comigo! Não vou me desculpar por não ter feito nada...na verdade eu vou!"
Ela olhou de volta para Leah totalmente rude.
"Desculpe-me por não ter rasgado a sua cara!"
Antes que Leah pudesse revidar meu pai já tinha a mão agarrada ao braço de Rosalie e a arrastava pra trás do carro.
"Eu vou te dar uma surra bem aqui, garota! Você acha que estou brincando com você?"
Meu pai tirou o cinto fazendo as pernas de todos tremerem, ele seria capaz?
É lógico que meu pai, o diplomata, não faria uma coisa dessas logo após um funeral, mesmo que atrás do carro, mas vai saber né? Rose pode tirar qualquer um do sério que dirá ele que já tinha sido levado além do limite de todas as formas por todos os filhos nas últimas horas.
Ele não tinha cara de quem estivesse blefando, minha irmã é orgulhosa, mas não é louca, além do mais levar uma surra na frente de todos, feriria ainda mais o seu orgulho.
"Eu vou pedir papai, eu vou pedir desculpas!"
"Muito tarde, Rosalie! Muito tarde!"
Ele dobrou o cinto que tinha tirado.
Emm passou uma nota de 100,00 para o Jazz.
Tínhamos correndo entre nós, uma aposta de quem seria o felizardo.
Meu pai vivia nos ameaçando de apanhar em público, ele já tinha dado uma cintada em cada um numa delegacia antes, e Edward ganhou uma cintada na minha frente uma vez, mas uma surra de verdade, nunca teve coragem.
As apostas mais altas estavam em Rose e Edward, pois por mais que Emmett fosse travesso, Alice impulsiva e eu...hum...selvagem, não éramos rebeldes, e se você não é rebelde, o papai pode sempre esperar chegar em casa.
Minha mãe, que já tinha gastado todo seu estoque de interferência se jogando na frente do Edward mais cedo, resolveu arriscar mais uma vez, não com a mesma intensidade, mas apelando para o bom senso de evitar um vexame.
"Deixe ela se desculpar amor, não vai mais acontecer não é Princesa?"
Ela assentiu rapidamente entrando atrás da minha mãe.
"Não senhor papai, me desculpe por responder o senhor daquele jeito, eu não sei o que deu em mim."
Jasper enfiou a mão no bolso e devolveu o dinheiro, antes mesmo de meu pai abaixar o cinto.
"Droga mãe..."
Jasper sussurrou, eu dei uma cotovelada na costela dele, como é que ele poderia desejar aquilo para a própria irmã? Mas Edward sorriu divertido, com a minha atitude.
"Calma aí esquentadinha, eu ouvi e ele sentiu, papai estava blefando desde o início, é só brincadeira dele pra irritar o Emm."
As pessoas em volta de Jacob eram poucas agora, e Rose teve que se retratar do que disse, pedir desculpas à Sue, e dar a Leah um pedido de desculpa milhões de vezes melhor que o nosso.
Leah e Sue foram embora e última pessoa deu seus pêsames ao Jake.
Eles vieram em nossa direção, meus pais partiram ao seu encontro, meu pai acolheu Jacob em seus braços e minha mãe à minha filha.
Ficaram quietos por um instante, então meu pai liberou Jake para o abraço da mamãe e beijou o topo da cabeça de Nessie liberando nossa filha pra nós.
"Ôh meu filho, você parece tão cansado, vamos pra casa precisa descansar você está exausto..."
Ela disse acariciando seus cabelos.
"Obrigado pelo carinho Esme, mas acho que vou ficar aqui, preciso por minha cabeça em ordem não sei inda o que fazer, talvez um tempo sozinho na minha casa me sugira alguma coisa."
Imaginar Jacob sozinho naquela casinha sem seu pai, suas irmãs e mesmo Nessie, que estava de malas prontas, cortou o coração de todos, eu podia ver nos olhos, até nos de Rose que tentou disfarçar.
"Jake, meu filho, lembra-se do que combinamos antes? Preciso que leve o carro e Renesmee pra casa, e tenho que conversar com você sobre o que Billy nos pediu."
Ele olhou para meu pai e obediente balançou a cabeça positivamente.
Meus pais o abraçaram e o escoltaram até o carro, ele parecia mesmo não ter força pra resistir ao amparo dos dois, parecia uma criança órfã sendo levada ao orfanato, com aquele olhar perdido que se apegaria a qualquer sensação de proteção que lhe fosse proposta.
Quando ele pôs a mão no carro e olhou por cima dele sua pequena casa sendo abandonada, ele de repente cedeu debruçando no carro com um choro de partir a alma.
Renesmee correu para abraçá-lo, nós esquecemos até de dar-lhe uma bronca por causa do fogo, meu pai abriu a porta de trás do carro e praticamente o colocou lá dentro, cavou o bolso e jogou as suas chaves para o Jazz.
"Jasper leve o carro com seus irmãos, Bella leve suas irmãs, sua mãe e eu vamos levar os dois."
Minha mãe imitou o gesto dele jogando as chaves dela pra mim.
Continua o pov Bella...
A/N:Eu tive que cortar o Capítulo aqui pra não ficar extenso demais, mas a próxima parte, vai ser a tão esperada parte que corresponde ao avatar.
Esperando ansiosamente pelos primeiros reviews depois de tanto tempo...
Nelluca.
