A/N: Então passada toda a empolgação Carlisle tem muito que resolver e adivinha só quem vai nos contar esta experiência.

Boas vindas: 20BR e 30JK

Último Problema em Forks

Capítulo 22

Novos sentimentos.

POV Jake

"Maaaãe?"

O que foi aquilo, a quantos anos eu não chamo ninguém por esse nome, foi como se tivesse saído da minha boca sem minha permissão.

Acho que fora o impulso eu estava ali em pé junto com Emmett e Rosalie, com uma figura de autoridade materna mandando eu me limpar pra me alimentar enquanto e queria fazer outra coisa, quando vi já tinha saído.

Eu não poderia jamais ter coragem pra retirar o que disse depois do brilho no olho dela quando eu dissera aquilo.

Normalmente eu pediria desculpas por um deslize como esse, mas foi recompensador saber que ela não fora ofendida e sim agraciada por ele.

Peguei-me de repente me sentindo...bem? Com aquilo...

Foi diferente do que houve com Carlisle mais cedo, não obedeci pedindo desculpas à Rosalie por senti-lo como pai, foi um simples reconhecimento do tom autoritário de sua voz, tem algo embutido nela que nos faz incapazes de ignorar.

Era quase como um medo do que poderia acontecer se aquela voz não fosse obedecida.

"OH não! Jacob Black não tem medo de palmadas, ele é um lobo enorme e forte!"

Droga, eu já estava falando de mim mesmo na terceira pessoa, isso é típico de negação.

Mas se formos analisar os fatos, o que eu poderia temer na reação de Carlisle Cullen? Ele não era uma vampiro assassino e frio, eu o conhecia bem e sabia que o pior que ele poderia fazer se sua voz não fosse obedecida era dar uma surra de cinto.

"Mas não podia ser isso, Jacob Bl-, quero dizer, EU não tenho medo de... palmadas..."

Só de pensar na palavra era constrangedor, eu já corei as bochechas só de imaginar a cena, eu soube uma vez que Carlisle fazia questão de lágrimas, dizem que até as de Jasper ele consegue, ele diz não fazer sentido se não for assim.

Eu é que não quero descobrir como é isso, eu apanhava do meu pai quando era mais novo, mas depois de me tornar o responsável por tanta coisa, mesmo parado aos dezesseis eu me sentia um homem, eu era quem cuidava da minha própria comida da minha roupa da minha casa, jamais faria parte desse esquema estranho de eternos adolescentes debaixo das asas de Esme e Carlisle.

Enquanto eu pensava a voz de Esme se misturou ao barulho das gotas d'água que enxaguavam o shampoo de morango da minha cabeça.

"Princesa, Ursinho, o sangue vai esfriar, vamos logo com isso aí!"

"Que patético... Princesa, Ursinho, a mãe ainda precisa apressá-los pra comer como se fossem duas crian-"

"E você também meu Lobinho..."

A voz dela me fez pular de susto dentro do banheiro, eu cobri minhas partes intimas, mas não acho que tenha impedido-a de ver alguma coisa, pois meus olhos estavam tranquilamente fechados quando ela entrou.

Eu os abri jogando as mãos pra baixo me encolhendo e arregalando os olhos.

"Deus essa família já ouviu falar em privacidade?"

Ela estava com a roupa ensanguentada que eu deixara no chão, juntamente com a dos outros.

Estranhamente à vontade comigo ali nu na frente dela, não teve aquele grito feminino indignado, nem aquelas mãos nos olhos apavorados, se quer um pedido de desculpas, ao invés disso ela continuou falando e organizando coisas no lavabo como se nada tivesse acontecido.

"Sua comida está pronta há mais de cinco minutos, não é possível que vocês estejam tão sujos assim."

Ela continuou ali falando sem demonstrar nenhum interesse em olhar pra mim, provavelmente nem tinha visto nada do meu...

Mas continuou estranhamente à vontade, como se tivesse na presença de uma criança, ainda reclamando como aquelas mães superprotetoras ela entrou no boxe pra pegar o frasco do shampoo quase vazio.

Ela sacudiu.

"Ainda tem um pouco, abra as mãos."

Ela disse como se pedisse a coisa mais obvia e simples do mumdo.

Eu mortificado só consegui abri a boca pra dizer...

"Já lavei o cabelo..."

"Ainda está sujo posso ver daqui, vamos estenda as mãos, não tenho o dia todo, ainda tenho que ajudar Bella com o quarto de Rose para o Neném..."

Eu queria morrer, ela não percebeu porque eu não queria estender as mãos para ela derramar o shampoo? Elas estavam um tanto quanto, hum, ocupadas.

Ela ainda com o frasco inclinado esperando onde derramar ela fez uma cara de entendimento. Finalmente!

"Oh, meu filho, me desculpe, você está com vergonha, desculpe a insensibilidade da sua mãe, eu tenho mais três filhos meninos, já estou tão acostumada, adolescentes pelados pra mim não são o que eu chamaria de novidade, mas se te faz sentir-se melhor, Jasper também não se sente totalmente à vontade nessa situação, mas é que às vezes eu não posso evitar..."

Ela subiu na borda da banheira ainda falando, derramou o shampoo na minha cabeça e começou a esfregar.

"... como agora mesmo, eu tenho que dar fim à essas roupas e ainda tenho muito o que organizar, pelo visto as caixas da mudanças serão desfeitas, por falar nisso eu coloquei de volta no armário os seus produtos de higiene pessoal, deixe-me saber se algum deles te desagrada ou causa algum tipo de alergia."

Eu não sabia o que era mais infantil, ela me ver pelado e reagir como se estivesse na presença de uma criança de 10 anos, ou ter meu cabelo lavado pela minha...hmr...mãe, porque não fora bem lavado.

Fiz uma nota mental, pra nunca mais lavar meu cabelo de qualquer jeito, na velocidade em que essa coisa de maternidade estava avançando, se ela me pegasse de cabelo sujo depois do banho seria bem capaz de me levar de volta para o banheiro pelas orelhas e lavar de novo.

Eu queria mesmo fazer um estardalhaço.

"VOCÊ É LOUCA MULHER! EU ESTOU PELADO, SAIA DAQUI!"

Mas eu jamais feriria seus sentimentos daquela forma, e se eu demonstrasse qualquer tipo de reação, eu estaria vendo-a como uma mulher qualquer e não como mãe, ela estava tão feliz e acolhedora que nem a pior pessoa do mundo seria capaz de arrancar isso dela.

Eu não só não era a pior pessoa do mundo, como até mesmo a amava, não seria difícil pra mim dar esse cargo a ela, de todos os Cullen, ela foi a única que nunca tive se quer uma pequena desavença, amá-la como mãe era incrivelmente fácil, ainda mais com todo aquele cuidado.

Eu era acostumado a ter que me virar sozinho sempre e de repente estava ali tendo a minha cabeça lavada, minha comida no prato lá em baixo, nem mesmo teria de me livrar das roupas que eu mesmo sujei.

Ela me empurrou pra debaixo do chuveiro e disse pra eu enxaguar bem e descer logo e que minha roupa estava em cima da cama.

Eu não podia deixá-la sair dali sem uma recompensa, então dei a ela o presente que ela mais queria.

"Obrigada mamãe."

Eu disse com doçura na voz enquanto ela passava pela porta.

Eu pude ouvir o seu suspiro.

Quando eu saí do meu quarto encontrei com Rosalie e Emmett no corredor.

Ela me olhou como quem decifrava alguma coisa e falou.

"Foi assim com todos nós, demora pra sentir alguém como mãe, mas ela merece tudo de nós e mesmo antes do sentimento de filho nascer, acabamos chamando-a assim por ela, se tem alguém nesse mundo que merece esse título é Esme Cullen."

Eu olhei pra ela sem querer perder a oportunidade.

"Você sempre escuta a conversa privada das pessoas?"

Emmett começou a rir.

"Harrá! Privacidade? Desista, você é um Cullen agora, Nem papai consegue isso aqui, e olha que ele vem tentando há mais de 100 anos."

Eu tive que rir, olhei pra Rosalie quebrando o clima de discórdia.

"Foi só uma brincadeira irônica, obrigada por me dizer isso, eu estava mesmo achando estranho, me sinto melhor agora."

"Não se acostume, eu sou a irmã mais velha e malvada aqui...rsrs."

Entramos na cozinha e minha nova mãe já estava lá, puxa ela era rápida!

"Meninos, assim que terminarem podem ir ver o Bem, mas em seguida eu quero que vão para os seus quartos e esperem para que o pai de vocês decidam qualquer coisa, pelo que me lembro todos aqui estão de castigo exceto Jake.

Ela me olhou com um olhar de carinho, mas explicou com seriedade, não a seriedade de uma bronca, mas uma seriedade de ensinamento.

"Mas seria sábio, que depois de todas as palavrinhas sujas que disse à sua irmã, esperasse por ele, no seu quarto, tenho certeza que ele vai querer ter uma conversa com você sobre isso."

Abaixei minha cabeça.

"Sim senhora, mas só pra constar eu não fui o único e só estava me defendendo."

Eu não podia acreditar nas palavras que saíram da minha boca soou como... "Foi ela que começou".

Tanto que a resposta dela foi.

"Não importa quem começou, seu pai não admite coisas assim, e a sua irmã está bem encrencada, não se preocupe com injustiça, elas não acontecem nessa família."

Eu queria mastigar a minha própria língua e engoli-la, era mesmo muito difícil não se sentir uma criança diante de pais tão protetores e responsáveis.

Eu comi rápido, não queria minha boca desocupada, e assim como Rosalie e Emmett eu queria ver o bebê.

Sabia que ser da família, ou me sentir assim iria demorar um pouco, talvez menos do que eu esperava, mas definitivamente eu era tio do pequeno Benjamin.

Quando estávamos perto da porta ouvimos Edward revelando os pensamentos do sobrinho, ele disse o quanto ele amava a mãe e cochichou o fato de que ele sentia a minha falta.

Rosalie me surpreendeu mais uma vez, me chamando pra perto depois de ouvir Edward sussurrar que meu sobrinho sentia minha falta.

"Olá garotão, conseguimos em?"

Eu quase não consegui dizer, com o queixo sobre os braços cruzados em cima da caixa acrílica que o protegia do mundo, eu admirava sua garra lutando pela vida como se tivesse nascido pra fazer parte de toda aquela loucura.

Carlisle, pediu pra que contássemos tudo, eu me vi ali dando explicações, ele tinha um olhar atento em nós que fazia meu estômago ter uma sensação esquisita, era realmente estranho o quanto a paternidade saia pelos poros dele, fazia agente ficar com medo de falar alguma besteira.

Mas o mais estranho de tudo, era a minha reação debaixo daquele olhar atento.

Era um olhar que dava medo, mas era um medo diferente, um medo bom, ele passava essa segurança protetora que dava a certeza de que nunca nos faria mal, então de onde vinha o medo? E aquelas borboletas malditas no meu estômago? E o desejo desesperador de acertar cada palavra?

Felizmente acertamos, ou pelo menos era o que parecia, pois ele bateu as mãos nas pernas e levantou tomando uma extensa arfada de ar, desejei ser o Edward pra saber o que ele pensava naquele momento.

Mas pra minha surpresa, enquanto eu esperava uma bronca ou um comentário importante ele simplesmente questionou o nome do bebê, eu tive a sensação de ter perdido algo, pois quando ele perguntou...

"Benjamin hã?"

Ele já parecia ter uma resposta, Rosalie lembrou a ele de uma história bíblica contada por ele, eu já conhecia a história de Jacob, meu nome foi tirado da Bíblia pelo meu pai, assim como os das minhas irmãs.

No fim das contas ela acabou colocando o nome do menino de Benjamin Carlisle e durante o abraço deles a sala começou a se encher aos poucos.

Esme, Bella...

Enquanto eu afagava o pesinho do Ben, pela abertura da incubadora, chegou Nessie iluminando a sala.

"Vovozinho, chamou por mim."

Ela disse com aquela voz de garotinha encrencada.

"Uau! Como ele é pequeno! Porque ele tá pelado? Eu também era assim quando nasci, papai?"

Todos rimos e o tio Emm não perdeu a oportunidade

"Não monstrinha você já nasceu com dentes mordendo sua mãe e tomando sangue."

Sinceramente eu estava tão anestesiado por ter feito parte de algo tão grandioso que nem percebi direito as coisas à minha volta, o assunto da disciplina da Renesmee já era uma guerra perdida pra mim, a garota merecia mesmo uma palmada por dia, eu voltei a minha atenção pra o meu sobrinho, pois o assunto era tão desinteressante quanto Emmett constrangendo o irmão mais novo, eu já estava acostumado a encher o Edward por ele ser o Bebê de Esme e Carlisle. O ciclo da vida, meu pai vivera tantos anos e realizara tantas coisas que seria sempre lembrado, mas assim como ele muitas pessoas partiram naquele dia, e muitas também chegaram assim como Bem, era realmente um privilégio estar no meio daquilo tudo.

Eu totalmente inerte ao assunto de todos, só via bocas mechendo e analizava, se Carlisle era pai deles há mais de 100 anos, isso o fazia mais pai do que aqueles que o fizeram por míseros 19 18 ou 17 anos, ele seria um dia mais meu pai do que Billy fora, não era difícil sentir-se filho de Carlisle, ele toma as rédeas de tudo e quando menos percebemos somos somente crianças diante de quase 400 anos de existência.

Eu estava perdido em meus pensamentos analisando tudo quando a discussão vinda do corredor chamou minha atenção.

Era Jasper brigando com Alice por ter comprado a loja, ou o shopping inteiro de roupas pra bebês.

De repente Carlisle trouxe de volta as malditas borboletas ao meu estômago.

"Já que estamos todos aqui, tomem seus lugares e vamos acertar todas as nossas contas pra que essa família continue nos trilhos."

Arregalamos os olhos em sincronia.

"É isso mesmo, temos coisas a decidir e contas a acertar!"

Apenas Esme pareceu isenta, mas ela, diferente de mim não tinha contas acertar, era tão inocente quanto o pequeno Ben.

Ele apontou para o sofá e foi automático, como um controle remoto que movesse os nossos traseiros direto para os acentos.

Meus novos irmãos e eu estávamos diante do nosso pai, devo confessar eu não me sentia nada mais que uma criança da boca suja, esperando para ter a boca lavada com sabão, pedindo a Deus que fosse apenas essa minha transgressão.

Ele passou por cada um, Jasper continuava de castigo por chegar tarde assim como Edward, mas de modo diferente, Alice perdeu uma porção de privilégios por exagerar com as compras, de novo, Bella teve sua pena mantida, Renesmee e Emmett levaria uma surra dele por aprontar na escola da reserva, bem como Rosalie por uma série de coisas.

Enquanto eu me preocupava em secar as lágrimas de Nessie, meu nome soou num tom diferente na boca de Carlisle.

"E Jacob Cullen, quero vê-lo no meu escritório agora mesmo."

Os meninos seguraram uma risada, que desceu garganta a baixo com o olhar do pai, as meninas me olharam com pena, Renesmee soltou um "não" piedoso que foi contido pela avó, enquanto ele pegava meu braço pela altura do cotovelo, Esme abraçava Renesmee e me dava um olhar de mãe que fazia minhas bochechas ficarem vermelhas, não era à toa que eles procuravam obedecê-lo, pode não ser a punição de um castelo de vampiros, mas ninguém quer passar por aquilo.

Era o cúmulo do constrangimento, eu Jacob Black, estava oficialmente com vergonha e medo de apanhar.

Continua...

A/N: Paciência é uma virtude, obrigada por serem virtuosos, eu quero pedir desculpas à Bellinhablack aqui em público, por não estar presente na lista de votação, prometo me retratar por essa ausência e postar cada review desde o capítulo de QPA em que parei de ler.

~Amo vocês demais!~