N/A: Até que em fim! Fala sério não briguem comigo! O sufoco aqui está enorme, acho que ando mais ansiosa pra postar do que vocês para lerem, se é que isso é possível, bom, noticias, tive que comprar outro PC, só salvou mesmo o HD, o que é ótimo pois minhas histórias estão todas nele.

Bem, esse ficou um pouco grande, pois eu queria começar desse ponto, mas não queria acabar no ponto em que parei o outro, então aproveite e prepare-se para se despedir de UPF, pois os próximos capítulos serão o Epílogo e o Final.

Boas vindas: julia Cullen 2, Sarinha Myuki, Gabi 291, RAIMILANA

Último Problema em Forks

Capítulo 27

O Inevitável

POV Carlisle

"Vocês dois mais uma vez..."

Eu disse decepcionado abrindo a gaveta e pegando a escova do bom aluno.

"Você devia ter vergonha Emmett, um jovem do seu tamanho, devia estar ensinado coisas úteis à sua sobrinha, mas nãaaao, você além de não dar exemplo se junta à ela pra aprontar."

Ele tinha aquele olhar apavorado no rosto, mas não costumava a fazer uma sena na frente dela, acho que era pra não assustá-la ou pra mostrar que é tio grande e forte que ela admira, atitude nobre a dele, por mais que ele aprontasse junto com ela ele também a ensinava a enfrentar as consequências.

Depois de todo aquele sermão, eu mandei ele se curvar sobre a mesa, ela ficou apreensiva esfregando as mãos nitidamente tentando pensar em algo para salvá-lo.

Mas o meu argumento era muito maior do que qualquer coisa que eles pudessem alegar.

"Porque você vai levar essas escovadas, Emmett?"

Ele olhou para o cinto da disciplina atrás da porta e suspirou, parte por ter a sorte de não o estar enfrentado e parte por ter que responder o óbvio, mas eu fazia questão de obriga-los a repetir, isso me fazia sentir que não seria em vão, eu detesto bater nos meus filhos e infligir qualquer tipo de dor a eles, mas é minha obrigação dar a eles tudo que precisavam, inclusive as consequências de seus atos, tremo só de pensar no mundo tendo que dar a eles o que eu falhei em fazer.

"Porque eu me juntei à monstrinha pra aprontar na escola."

POFT! Ummm

Ela encolheu os ombros de olhos fechados e ele apenas gemeu assim foram as primeiras cinco.

POFT! ommm

POFT! mmm

POFT! Uuummm

POFT! Ummmai!

O estado de agonia dela já era evidente, aquela carinha de Rose querendo pular na minha mão e arrancar a escova, ele tambem já não estava mais aguentando segurar, eu vi uma lágrima silenciosa descendo e resolvi provar o meu ponto, então ele finalmente começou a fazer algum som, nada perto do que ele realmente faz.

POFT! Ooouu

POFT! Ai papai!

POFT! Já chegaa, descuuulpaa!

Ele disse implorando e finalmente começando a chorar então, resolvi terminar com duas escovadas bem caprichadas então ele realmente gritou

POFT! AAAAAAAAuuuuu."

POFT! AAAAAAAAAAAAAAAAAAA"

Ela não pode mais se conter e gritou

"Aiii vovô para! Não foi culpa dele!"

Ela gritou com as mãos no próprio traseiro, eu que já tinha mesmo programado parar na décissa escovada, olhei pra ela com seriedade e apontei para mesa da qual Emmett tinha acabado de sair.

"Ainda bem que você sabe, mocinha, por que sua vez já tá chegando. Venha aqui!"

Nessie sempre fazia uma sena antes de ser disciplinada, corria, se escondia, chorava antes, tentava negociar, negava a culpa, chamava reforços, o escândalo que ela fazia era muito maior do que a própria surra.

Mas uma coisa ela sempre tentava evitar, cair nas mãos do pai, Edward era mais rígido com ela do que eu, era como eu era com eles, eu sempre tive cuidado com ela por ser metade humana, ser um nenén crescido, e... verdade seja dita... eu confesso...minha netinha.

Eu sempre controlava o Edward quando ela precisava de disciplina e ele resolvia cuidar disso sozinho, eu sempre explicava como devia ser feito, ele sempre me escutava, mas desde que ela interrou 8 anos e entrou num corpo de 12, eu achei que seria melhor eles se mudarem pra cá para que Esme e eu começássemos a assumir a educação dela, enquanto Nessie era um bebê e uma criança, ainda podia deixar que eles vivessem essa aventura, mas Bella e Edward são adolescentes também, e muito mais que isso, meus filhos.

Eu jamais permitiria tamanho peso os ombros dos meus filhinhos, o mesmo eu farei com Ben quando chegar a hora, mas o processo de transição não pode ser tão instantâneo eu não quero que ela deixe de respeitá-los, a ideia não é trocar de pais, mas sim permitir que meus filhos continuem sendo adolescentes e mostrar à minha neta que ele tem um adulto de verdade a quem prestar conta.

Mas era difícil fazer essa ideia funcionar quando ela me dava aqueles olhinhos de menina arrependida.

Depois de ouvi-la no corredor debatendo com o pai, os dois surgiram na porta, Edward tinha um olhar severo no rosto, parecia um adulto, e ela que de 15 já tinha passado para 10 agora parecia ter 5, com as bochechas riscadas de lágrimas já entrou implorando.

"Vovô, desculpa por favor..."

Era nítido que ela queria se ver livre do domínio de seu pai, o que ela fugiu pra evitar na verdade agora lhe parecia uma boa ideia, era só ver o olhar determinado no rosto do meu filho que se percebia isso.

Emmett olhou para ela, para o irmão e então para mim, eu sabia que ele iria interferir, ele nunca gostou da ideia de Edward bater em Nessie, ele nunca confiou de verdade no irmão pra isso devido aos anos de convivência com o temperamento explosivo do menino.

"Pai, o senhor disse que era o senhor que ia bater nela."

Eu aproveitei a interferência do meu mais velho e assumi a situação na esperança de que o meu caçula não se lembrasse do nosso trato e me deixasse terminar o que havia começado.

"Edward eu cuido disso, venha aqui Renesmee."

Mas ele se lembrou, e se quer agiu como um moleque cobrando um passeio prometido, falou como um adulto, um pai de verdade que, inferno, eu tinha que admitir, ele era.

"Acredito que temos um trato, se ela não obedecesse ao senhor, eu teria permissão pra resolver o assunto."

Nós tínhamos concordado claramente que se Renesmee não me ouvisse e tentasse qualquer coisa ele cuidaria da correção, todos sabíamos que Nessie estava passando dos limites.

Eu sabia que estava sendo o culpado, só não queria mesmo era admitir, se eu estivesse tratando minha netinha como um adolescente assim como os outros, ela não se sentiria tão privilegiada pra fazer o que quer e quando quer, eu passara por isso com Edward, e não deveria esperar que justamente sua filha biológica fosse diferente.

Então fiz, o que mais me doía, mais até do que bater nela.

"Emmett, vamos."

Mantive uma voz firme apoiando meu filho, Emmett não gostou e ainda tentou rebater.

"Mas pai..."

"Eu disse vamos, Emmett."

Doeu tanto ver os olhos dela pra mim, como se eu fosse seu parceiro de crime entregando-a à policia.

"NÃOOOOOOOO!"

O teatro começou

"Renesmee, sem gritos."

Edward puxou o punho dela com força.

Tudo que eu podia era confiar no bom senso de dele, mas não pude me segurar e o avisei claramente atravéz dos meus pensamentos.

"Se você passar dos limites ou deixar uma marquinha se quer nessa menina, eu acabo com você, entendeu Edward Cullen?"

Eu abaixei o corpo pegando o rosto dela entre as mãos e olhei nos olhos dela tentando desfazer a sensação de traição que eu causara segundos atrás.

"Ele é o seu pai, não vai te fazer nenhum mal."

O tio dela já se posicionou como quem ia ameaçar o irmão, mas não seria o melhor pra ela no momento, Emmett, mesmo que do seu jeito, só quer o melhor para Nessie assim como toda a família, ela sabe disso e abusa desse fato.

"Emmett, fique fora disso."

Eu ordenei agarrando o braço dele e deixando pai e filha a sós para acertarem suas contas.

Eu podia ouvir o corre corre lá dentro.

"Vem aqui, Renesmee!"

"Não, você vai me bateeer!"

"RENESMEE CARLIE SWAN CULLEN!"

Ao gritar o nome dela completo eu pensei que as coisas iam esquentar lá dentro, eu nem tinha saído e já teria que voltar.

Mas o silêncio me surpreendeu, resolvi saber como estavam meus outros filhos e deixar Edward com a dele, mas quando eu estava com a mão na maçaneta da porta de Alice eu ouvi o grito que me fez olhar pra trás.

"O meu cinto da disciplina não, desculpa papai, DESCULPAAA!"

Edward, você está bem pra fazer isso, eu pedi seus olhos e estavam dourados mas escuros.

"Pai, não começa com isso, eu estou bem, essa menina está passando dos limites, o senhor me conhece, sabe que eu detesto isso, mas se fosse eu ou qualquer um dos meus irmãos agindo assim o senhor não resolveria da mesma forma, eu terei cuidado, confie em mim, ou melhor confie na educação que o senhor me deu.

Ele me rendeu completamente com essa fala.

Enquanto ele pegava o cinto eu fui ver se Jake já tinha entregado o leite para Rose e aproveitei para dar uma olhada no Benjamin, no caminho encontrei a porta do quarto do meu filho aberta e Esme nervosa lá dentro.

"Como assim não precisa? Olha a cor dessa roupa! Eu quero um banho bem tomado ou eu mesmo vou aí resolver

Ela dizia brava para porta aberta do banheiro.

"Mas eu só quero falar com ele primeiro é importante..."

Ele implorava com carinho e rebeldia, ou seja manha, se a rebeldia vem acompanhada com uma voz carinhosa, é assim que se classifica, pois a manha nada mais é que um desejo de não fazer o que se manda ou o pedido pra se fazer o que não pode feito de maneira meiga ao invés de uma forma rude.

Como eu sei disso? Nem te conto.

"Eu disse que não Jake, banho, agora!"

Ela disse apanhando o chinelo no chão, no mesmo instante a porta do banheiro fechou e escutei o chuveiro ligando, eu sorri, era uma linguagem que qualquer um entendia.

"Mas veja só!"

Ela disse olhando pra mim jogando o chinelo no chão.

"Chega imundo desse jeito e ainda quer ficar enrolando pra se limpar!"

Eu beijei a testa dela ainda sorrindo de sua maternidade tão natural.

"Calma querida, pelo menos ele não estava se arriscando lá fora ou alguma coisa mais séria, é só sujeira, nada que um bom banho não resolva."

Levei ela pra fora do quarto com a intensão de descermos juntos para ver nosso netinho, mas não pude descer quando ouvi minha netinha implorando.

"Papai, peraí paizinho, vamos conversar, eu vou ser boazinha, eu vou parar com isso, eu não vou gritar mais não, eu juro, eu jurooooo!"

Ela pareceu tão convincente, eu particularmente acreditava que o susto já valera de alguma coisa, se ele dissesse que da próxima ela ia apanhar, com certeza ela nos daria pelo menos 2 meses de sossego, ou duas semanas, quem sabe uma... À quem eu queria enganar? A moleca estava mesmo merecendo mas quando as cintadas começaram eu tomei tudo de mim pra não ir até lá.

Pedi que Esme fosse ver o Bem pois já era muito pra ela ficar alí ouvindo Edward batendo em Renesmee com um cinto.

"Tira mão, Renesmee!"

Escutei ele ordenar forte e sem gritos, o que me deixou um pouco mais tranquilo, apesar de achar que ele já devia ter parado.

"Ah é? Eu vou te ensinar mocinha, quando eu mandar você obedece, você ia ganhar só mais duas cintadas, eu tinha decidido te dar só doze, mas agora você vai ganhar umas boas palmadas no meu colo, então eu quero ver onde é que você vai por essa mão."

"Nãaaaaaao, no colo nãooo."

Foi um alívio pra mim, pensei que ele fosse engrossar com ela, mas ele decidiu coloca-la no colo, sábia decisão, não há lugar melhor pra mostrar o lugar de um adolescente desobediente do que o colo do pai, um bumbum de fora no colo do papai mostra bem quem está no comando sem necessidade de agressão física, uma surra em pé igual a que ele estava dando nela, sempre exige esforços pra não sair do controle.

"Agora você vai aprender uma bela lição mocinha."

Embora eu tivesse medo do peso da mão dele em sua pele meio humana, eu suportei cada palmada, bom, isso até ouvi-la gritar por mim, aí sim eu senti o gostinho do que minha esposa sente quando meus filhos chamam por ela na hora das nossas "conversas".

PAFT!* PAFT!* PAFT!* AAAAAAAAA VOVÔOOOOOOOO!

"Chama seu avô, mais uma vez pra você ver!"

Oh meu Deus, eu conheço essa ameaça, se eu for até lá piora tudo, mas o problema é Renesmee não é como os meus filhos, ela é bem capaz de desobedecer.

Foi só eu pensar e pronto...

"SOCORRO VOVÔOO!"

Caminhei à passos largos na direção deles, ele ia estraçalhar a menina depois dessa, mas antes que minha mão alcançasse a porta ouvi outra atitude ponderada do meu meu filho, que me encheu de orgulho.

"Você vai ficar aqui nesse canto de castigo, e eu vou lá fora buscar uma vara e acabar com ela no seu traseiro, garota."

Mas alguma coisa começou acontecer lá dentro, esperta como ela é devia estar usando seus pensamentos para provocá-lo, pois primeiro eu ouvi uma palmada...

PAFT!**** AAAAAAAAAAAAAAAAAA,

Depois um aviso...

"Olha essa boca!"

"BOCA?! QUE BOCA EU NEM FALEI NADA! ISSO É QUE DÁ OUVIR O QUE NÃO É DA CONTA DA GENTE!"

Um reforço que já estava alterando a paciência outrora contida na sua voz...

"Reneeesmee..."

Então veio o que eu temia...

"Que que é que fooooooiii, mas que drogaaa!"

Uma resposta mal criada seguida de um choro de pirraça, daqueles que a Rose me leva à loucura quando faz.

"Você vai ver o que é que foi..."

A voz dele já começara a me preocupar, mas o fato de ele sair pra apanhar uma vara, me daria tempo de interferir sem que ela soubesse.

Sumi da porta, embora ele conhecesse meu aroma e soubesse que eu tinha estado ali, eu fui para o quintal esperar por ele lá.

Ele estava de costas escolhendo uma vara, ele a tirou e começou a tirar as folhas com raiva, cada uma, parecia estar tirando dele parte de sua sanidade.

"Edward, você já bateu...pense um pouco..."

Eu disse com a mão no ombro dele e ele se virou abruptamente como quem queria estourar uma briga.

"Bati, mas ela continua a me desafiar, pelo visto não apanhou o suficiente."

Eu não podia dizer que sabia como ele se sentia, meus filhos já me desafiaram e desobedeceram durante a disciplina, Emmett uma vez, Edward duas e Rosalie então, já perdi as contas. Mas sempre que isso acontecesse é uma vez só, eu mostro quem é que manda e pronto, mas Renesmee continua empurrando Edward para a borda, eu não sabia onde isso ia dar, temo que estivesse na hora de eu considerar uma interferência.

"Eu não quero tirar sua autoridade, mas você precisa me dar a tranquilidade de saber que você está bem, está no controle."

Eu disse isso com as mãos, no seu ombros procurando seus olhos que agora estavam quase pretos.

"Você não quer caçar primeiro? É o que eu faço quando vocês me tiram do sério."

Ele respirou fundo, senti seus ombros se movendo sob minhas mãos, seu olhos começaram a clarear.

"Não senhor, eu quero acabar logo com isso, não aguento mais, quanto mais rápido eu coloca-la em seu lugar, mais rápido terei minha menina de volta."

Meu coração doeu na hora, eu não queria dizer a ele, mas Nessie que ele queria jamais voltaria, ele não tinha o mesmo privilégio que eu, meus filhos congelados no tempo sempre serão minhas crianças, ele sempre será o meu bebê, Rosalie sempre será minha princesinha, Alice minha bonequinha e cada um deles sempre terá aquele olhar dependente que regem a minha vida e me faz querer te-los sempre embaixo de minhas asas.

Renesmee estava crescendo e se tornando tão adolescente quanto ele, a cada dia que passava, sua primeira infância ficava para trás, ela vai parar eventualmente na idade dos pais, e pra Esme e pra mim sempre será nossa Florzinha mas pra eles, será um cabo de guerra, três adolescentes disputando quem tem mais razão, quanto mais cedo eu tomasse as rédias disso melhor seria pra os meus meninos.

Confesso que tenho saudade do meu Edward bebê, meu garotinho sozinho que aprontava de tudo pra chamar a atenção de todos nessa casa, o menino que corria pra atrás de Esme pra não apanhar, o menino que Rosalie protegia com o próprio traseiro, que se media com Alice pra ver quem era o mais mimado, o moleque que Emmett e Jasper atormentavam dia e noite por ser virgem, que vinha correndo reclamar pra mim cada vez que qualquer coisa saia errado.

Depois de Bella metida com os Volture e Renesmee existir, nunca mais ele deitou no meu braço pra ouvir uma história ou quis dormir ao som das minhas canções, também pudera, agora com uma mulher no quarto meu Bebê não precisa mais dormir, ou fingir que dorme.

De repente o olhar dele me matou um pouco a saudade.

"Papai...O senhor me ajuda?"

Fiquei confuso com o que ele dizia mas mesmo assim minha resposta foi positiva, a menos que fosse para o mal dele, minha resposta sempre era um sim.

"Sim Bebê, o que você quer que o papai faça?"

Eu disse acariciando rosto dele com a mão direita e aproveitando assim para erguer o seu queixo, para que ele deixasse os meus sapatos e voltasse os olhos pra mim.

"Eu quero que o senhor fique por perto, eu não sei até aonde ela pode me levar, preciso ter certeza que alguém estará alí pra me parar se ela for longe demais."

Ele disse envergonhado, assumir assim que não é capaz de fazer isso sozinho era difícil pra ele.

"Não se constranja meu filho, você e Bella são só dois adolescentes, não estavam preparados pra serem pais, fizeram um ótimo trabalho desde que ela nasceu, ela está atingindo a adolescência agora, seria mesmo impossível pra vocês fazerem isso sozinhos."

Peguei na outra mão dele, deixando que ele levasse a vara e prometi.

"Ficarei do lado de fora, entrarei só mesmo se for necessário."

Ao chegarmos na porta, ele parou olhando pra mim, eu balancei a a cabeça apoiando-o e reforcei com um sussurro.

"Vá em frente filho, respire fundo, eu estarei bem aqui."

Eu com o coração na mão esperando ouvir a primeira varada pronto calcular a intensidade, na verdade ouvi algo que me decepcionou que com certeza ferira meu filho Edward em cheio e em consequência disso me feriu também.

"Obrigada pelo presente de aniversário, Edward, não tinha embrulho pra presente não?"

A voz dela era rude e desrespeitosa, ela usou o fato de ter feito aniversário, como se ele não ligasse, como se nada mais importasse, mas pior parte mesmo foi se referir a ele como Edward.

Ele rugiu e com razão, vendo o Edward como garoto, ele tinha todos os motivos do mundo pra avançar nela como faz com Rose ou qualquer um dos seus irmãos na hora da fúria.

Mas eu que não aceitava isso entre irmãos, tão pouco aceitaria entre pai e filha.

"EU VOU ACABAR COM VOCÊ MENINA MALCRIADA!"

Eu entrei tão subitamente que nem ela percebeu, eu tive medo que ela continuasse com sua postura ofensiva mas percebi que ela percebera a besteria que fizera, chegou até a molhar as calças de medo, infelizmente um pouco tarde demais.

Edward já tinha erguido a vara, não havia chance de ele não cortar a pele dela com tamanha força, então agarrei o punho dele e tomei a vara, antes que ela se sentisse protegida depois de algo tão inaceitável, eu mesmo desci a vara no traseirinho desaforado dela.

SUÍCH!*** AAAAAAAAAAAAAAiiiiii

"Pessa desculpas pra o seu pai!"

Eu ordenei seguido de mais duas boas varadas.

SUÍCH!*** SUÍCH!*** AIIIiiiiiiêeeeee

Ela ainda continuou com aquela cara teatral indignada dela então eu reforcei a ordem com mais uma varada, então ela obedeceu na hora.

Pessa! SUÍCH!*** Desculpaaaaaaa!

Eu queria que ela pedisse da forma correta, tentando amenizar a dor no coração do meu filho por ter sido chamado pelo nome por ela.

"Desculpa o quê?" SUÍCH!* SUÍCH!* AAAAAAAAAAAAAA Papai, papaaai, Desculpa paipai!

Eu queria mesmo era deitá-la no meu colo e dar a ela uma surra de verdade como nunca fizera antes, mas seis varadas foram o suficiente pra quem já tinha até apanhado de cinto, e eu sei bem que Edward não aliza.

"Escolha um castigo adequado pra ela, mas sem bater, você está nervoso e ela já apanhou o suficiente."

Eu disse apertando o ombro dele com apoio e depois saí, logicamente levando a vara junto comigo.

"Jake, você está aí?"

Eu pedi o óbvio na porta do quarto do meu filho, eu sempre sabia se estavam ou não pelo cheiro etc. Era só um habito humano adquirido ao longo dos anos.

Ele estava de costas pra mim mas podia me ver pelo espelho, seu olhos viram avara na minha mão e o fez dar um pulo protegendo o traseiro instintivamente.

"Eu juro que não foi por querer."

Eu franzi o cenho sem entender do que ele falava, então percebi que a vara na minha mão causara aquela reação culpada.

Eu como um pai experiente quis saber o que o fizera se entregar daquele jeito.

Levantei uma sobrancelha e cruzei os braços.

"Como assim, exatamente o que foi sem querer?"

Ele fez aquela cara de quem engoliria a própria língua se pudesse.

"Na verdade eu tive um pequeno... incidente... com os vampiros estranhos e ouvi o que eles estavam planejando, não falei nada ainda porque queria que o senhor fosse o primeiro."

"Venha comigo, vamos nos reunir lá embaixo..."

Eu disse já de costas para ele atravessando a porta, em tom normal sem alarme eu os chamei.

"Bella, Alice, Emmett, Jasper e Edward, na mesa, agora!"

Resolvi deixar Rose e Esme de fora por enquanto, não por elas não possuírem poderes especiais, mas porque Ben precisava de Rose e Rose precisava de Esme.

Antes que nos dois nos juntássemos à mesa, eu deixei o aviso.

"Depois nós vamos conversar sobre esse incidente "sem querer" senhor, Jacob Cullen."

Ele baixou a cabeça submisso, no mesmo momento reconheci a culpa no cartório, ele parecia-se muito com meu outro filho Jazz, quando está certo tem aquele olhar corajoso no rosto pronto pra revidar e defender sua verdade, mas quando sabe que errou, baixa a cabeça de vergonha.

"Jacob disse ter ouvido algo importante."

Eu disse olhando para a pequena confusão deles na sala, Esme não estava alí para mantê-los sentados, Jasper e Edward perturbando Emmett pelas escovadas, Alice e Bella discutindo sobre o castigo de Nessie.

Embora os homens comuns não possuam a habilidade de prestar atenção em varias coisas ao mesmo tempo como as mulheres, nós vampiros possuímos as vezes me pego pensando como funciona a cabeça das vampiras...melhor nem pensar... imagine só, cinco vozes falando ao mesmo tempo e eu podia discernir cada uma delas.

Meu anúncio calou a todos antes que eu tivesse que dar uma bronca, já falei pra eles um milhão de vezes não falarem todos ao mesmo tempo.

"Sentem-se todos, por favor."

Eles se entreolharam e então me lembrei do motivo pelo qual eles estavam de pé, todos eles nas últimas horas tiveram seus traseiros aquecidos com excessão de Jacob.

Eu fingi não ouvir os gemidos e voltei os meus olhos para meu mais novo filho, ele parecia uma criança escondendo as mãos sujas de glacê em frente a um bolo destruído.

"Eu ouvi os vampiros falando sobre os planos deles, eles diziam que voltarão em uma semana pra nos abordar e matar a Nessie e a mim, ou quem tentar impedi-los disso, ou seja, vocês. Eles temem que finalmente os Cullen passem a dominar o mundo sobrenatural como faziam os Volture."

Ele disse como se fosse o âncora do tele jornal, de tão informativa que foram suas palavras, como se tivesse reunido coragem pra dizer aquilo tudo, então soltara logo antes ela fosse embora.

"OoOoo! Espera aí rapazinho, devagar com isso aí, como assim você ouviu isso tudo? Que inferno você estava fazendo, ouvindo a conversa de três vampiros sozinho?"

Ele sabia a que eu me referia, as regras já tinham sido ditadas, e eu conheço bem aquele rosto, é o mesmo rosto de moleque que está devendo alguma coisa.

"Eu estava em forma de lobo quando os farejei, meus instintos me levaram até lá!"

Ele disse inseguro em cada palavra, péssimo mentiroso, assim como Bella e Jasper.

"Pai, se me permite..."

Edward pediu permissão pra interromper e continuou com o meu consentimento.

"Como assim atrás da minha filha? Já não provamos para todos que ela não é perigosa?"

"Eu estraçalho um por um nos dentes!"

Minha filha Bella interrompeu sem pedir a palavra, de forma mais selvagem impossível, nem preciso comentar que Emmett bateu os punhos fechados no dela selando algum acordo suicida com um rugido.

"Calma aí esquentadinhos, precisamos de uma estratégia, não somo animais defendendo um território, somos uma família protegendo um aos outros."

Eu tentei acalmar os ânimos e meu filho Jasper ajudou, como um bom estrategista, só de ouvir a palavra, já começou a considerar e questionar a parte técnica de coisa toda.

"Ei Jake, ajude-me analisar a situação de um ângulo racional...Primeiro. Por que em uma semana? Segundo. Por que Nessie e você? Se temem um domínio dos Cullen, por que não papai?"

Eu sei que deveria estar preocupado com isso, e estava, mas as perguntas que rondavam minha mente eram...Que diabos esse moleque estava fazendo lá escutando conversa de vampiro ao em vez de bater em retirada e pedir reforços assim que os vira?

Devo ter pensado um pouco intenso demais, pois Edward olhou para o seu novo irmão e fez uma careta curvando os cantos da boca pra baixo e os ombros pra cima, com os dentes cerrados, apertou os olhos como quem assiste a uma bola chutada em direção à uma janela estilhaçar o vidro.

Eu sabia que ele sabia muito mais que eu, mas uma certeza eu tinha, Jacob me desobedecera, eu conheço aquele olhar.

"Bom, primeira resposta. Ben estará pronto pra deixar a cidade em uma semana..."

"Como é que eles sabem disso se nem eu mesma vi isso ainda? É lógico, com você e Nessie sempre por perto do bebê, e meio difícil."

Alice interrompeu com seu ciúmes saindo pelos poros, a resposta do irmão surpreendeu a todos e a irritou ainda mais.

"Se me deixar terminar de responder, enfeite de jardim, essa resposta responde também a segunda pergunta..."

Ela já ia revidar, mas eu a calei com um olhar e um gesto da minha mão que dizia claramente pra ela se calar.

Ela bufou, mas deixou que ele completasse o que dizia, desnecessário é dizer que com os braços cruzados e um bico daquele tamanho.

"... O vampiro maior é o líder deles, mas eles conseguem prever o futuro, não como a pintora de rodapé..."

Eu dei uma olhada de aviso pra ele, nada que fizesse alarme, mas todo mundo sabia o que vinha depois daquele olhar se o mesmo fosse ignorado.

"...Eles veem somente ao olhar nos olhos e apenas o que está pre estabelecido naquele momento, se as coisas mudam eles não podem saber, a menos que tenham a oportunidade de olhar nos olhos da pessoa outra vez..."

Alice fez cara de rogada e interrompeu satisfeita.

"Isso não resolve muita coisa pra ele, pois o futuro muda o tempo todo."

Ela tinha aquele olhar exibido no rosto e até descruzara os braços pra melhorar a postura e o peito de pombo.

"Alice, por favor! Vou ter que pedir de novo? Prossiga Jacob."

Eu chamei a atenção dela e devolvi a palavra pra ele.

"O fatos são o seguinte, quem tem o poder de ver o futuro são os gêmeos o outro só possui o poder de manipulação de mente, mais ou menos como Jasper, mas não são sentimentos, é como uma ipinose também precisa de um período fixando os olhos da vítima, então ela entra em transe e faz o que ele ordena. Nos olhos de Emmett e Rose ele pôde ver Benjamin, a adoção e a partida da família, nos meus..."

Ele sussurrou pra que Nessie não ouvisse.

"...Ele viu minha união com a Nessie e um filho que teremos que ao que parece vai ter poderes inigualáveis por ter sangue de humano, lobo e veneno de vampiro nas veias. O plano dele é o seguinte, eles decidiram matar somente Nessie e a mim pra evitar a chegada do herdeiro Cullen, e só atacarão a vocês se interferirem, sendo assim a única decisão tomada por eles se refere a Nessie e a mim, pra que fique fora do alcance das visões de Alice."

Alice deu um soco de frustração no ar e Jasper perguntou preocupado.

"Mas... Como é que eles sabem dela?"

"Ele são de uma ordem formada por parte da guarda rebelada dos Volture, sabem tudo sobre cada um de nós, eles ficaram de fora quando vieram atrás da Nessie, pois temiam serem mortos nunha batalha pra favorecer ao trono, se recusaram a serem sacrificados como peões à frente do tabuleiro."

Ele explicou alternando olhares ao Jasper e a mim, exceto que, quando os olhos encontravam os meus, rapidamente eram direcionados aos pequenos círculos que ele estava desenhando com a ponta dos dedos no tampo reluzente da mesa, pois sabia que quanto mais revelações ele revelava ter, ele também me deixava saber quanto tempo permaneceu ao alcance dos vampiros sozinho.

Os Volture permaneceram no trono, mas o que era uma monarquia hoje é praticamente uma democracia, eles estão lá enquanto os vampiros os quiserem no comando, pois depois da batalha na neve, ficou claro que existe poder suficiente no mundo dos vampiros pra derrotá-los.

Chegaram a cogitar minha acensão ao trono, mas eu não quis expor minha família a isso, além do mais nosso estilo de vida é bem diferenciado, eu não me sentiria bem gerenciando quem mata humanos em que território.

"Não parece tão complicado, são três e nós somos sete, tirando a mamãe, Jake, Nessie e Ben, agente manda os três num carro separando e Jake vai em forma de Lobo protegendo o perímetro deles, o restante de nós destrossa os adversários em no máximo dez minutos."

Emmett assumiu o controle como se fosse o papel dele decidir, mas seus olhos travessos me diziam claramente, ele só queria uma boa briga, tendo certeza que sua sobrinha, sua mãe e seu bebê estariam fora disso.

"Emmett quantas vezes eu vou ter que repetir que violência não resolve as coisas, só complica, da última vez que resolvemos matar um grupo de três pra proteger a Bella vocês também pensaram que era só pegar e matar, mas na verdade nós custou quatro anos de puro tormento, acabamos até na mira dos Volture."

Minha filha Bella olhou com um olhar sentido, ela, até mais que Edward, sempre se sentiu culpada pelo desespero que nossa família passou.

"Isabella Cullen, mude essa carinha agora, já expliquei a você um milhão de vezes o quanto não me arrependo de nenhuma das nossas ações que trouxeram você e a Nessie pra nós, só estou dizendo que eu não devia ter permitido que as coisas chegassem a aquele ponto por pura impulsividade do Edward e empolgação dos seus irmãos, eu podia muito bem ter feito um tratado com os três e protegido você, ainda assim você poderia ter se casado engravidado e dar a luz à Nessie e nos obrigaria a transformar você."

Jasper Emmett e Eward rolaram os olhos.

"É isso mesmo, não vamos destroçar ninguém até que todas as possibilidades de um acordo estejam fora da mesa, e tenho dito."

Agora, cada um para os seus respectivos castigos, Emmett, Alice e Bella para os seus quartos, Edward e Jasper para a cosinha e Jacob para o escritório, vou ver a Nessie e depois você e eu teremos uma boa conversa sobre essa sua pequena aventura.

Eu pude ouvir o son baixinho de murmuro na boca deles, os meninos começaram a rir, as meninas arregalaram os olhos com pena, as bochechas de Jacob ficaram vermelhas e eu varri o sorrisinho da cara deles com um olhar.

O silêncio constrangedor pareceu congelar a todos onde estavam até eu bater palmas fazendo todos piscarem.

"PLAFT! VAMOS!"

Eles se esbarraram com pressa e em um segundo sumiram pelas escadas deixando apenas Jacob parado ali na minha frente.

"Carlisle, olha..."

"Não é assim que funciona Jake, o que quer que tenha pra falar vamos conversar no escritório, nada que você diga vai limpar o carimbo do seu passaporte pra lá."

Ele olhou pra mim sem graça e depois pra os próprios pés.

"Agora suba..."

Diferente dos outros ele foi lentamente, mais lento que um humano, um humano encrecado.

Eu fui até minha esposa e minha filha pra ver meu netinho.

"Olha só papai, o coração dele já está mais forte."

Minha filha veio ao meu encontro e pulou no meu pescoço como uma criança que ganhara um "A" por um desenho da escola.

"Sim princesinha, ele realmente já vai estar nos seus braços em uma semana."

Esme veio e ocupou os braços que a filha deixara pra voltar ao seu filhinho.

"E assim que ele sair dessa encubadora quero sair daqui, estou ficando preocupada, ouvi cochichos pela casa sobre vampiros na região, não quero que eles cheguem nem perto dos meus bebês."

Eu beijei a testa dela e sorri com humor, eu nunca deixava de achar engraçadinho quando ela falava dos nossos filhos assim, a julgar pela idade dela, qualquer pessoa imaginaria nossa casa cheia de berços, com brinquedos espalhados por toda parte.

"Sim querida, nós vamos, eu vou mandar Renesmee Edward e Bella antes, assim que eles se instalarem, eu mando Jasper, Alice e Jacob, só então, assim que Benjamin estiver pronto nós dois vamos com os pais dele e ele, hoje ainda vou sondar o que estes estranhos realmente querem e tentar negociar a paz."

Segurei a mão dela e caminhei em direção ao meu netinho, ele realmente era um Cullen, tão forte e bonito, com certeza passaria por filho biológico de Emmett e Rosalie sem nenhuma dificuldade.

"O leite fez bem a ele, depois vou até a reserva conseguir mais... ele chorou demostrou alguma atividade?"

Perguntei.

"Ele fez cocô, mas foi a mamãe quem limpou... eu sei que ajudei a cuidar da Nessie mas ela era mais resistente."

Ela disse com uma certa tristeza embutida na voz então eu a abracei de lado afagando seu cabelo.

"Você vai conseguir minha princesinha, eu sei que vai."

Beijei minha filha na testa e dei um selinho na boca de minha esposa depois de afagar a mãozinha minúscula do meu netinho, então fui ver minha neta pra ter uma conversa séria com ela sobre seu pai, não me agradava nenhum pouco a forma com que ela estava começando a tratá-lo, de uma criança mimada que às vezes era até engraçadinha ela estava passando à uma adolescente respondona sem graça nenhuma.

Bati na porta dela, mas não ouvi resposta, nem mesmo um ruído, ou ela estava prendendo a respiração ou...

"Nessie?... Renesmee?... Renesme carlie Cullen, não tem graça nenhuma, responda o vovô agora mesmo, mocinha!"

Eu pulei pela janela dela em busca de seu aroma ou qualquer aroma estranho à volta da casa, eu sei que pensamento positivo é sempre bom, mas eu não podia deixar de deduzir o óbvio, os vampiros a levaram, talvez tenham sentido o aroma de Jacob e adiantado o plano.

"RENESMEEEEE!"

Eu gritei em desespero e nem precisei chamar ninguém, já estavam todos à minha volta antes que eu pronunciasse o nome de qualquer um deles.

"Rosalie, fique com Bem, se espalhem de dois em dois, Nessie sumiu! Agora, vamos antes que seja tarde demais."

Todos desapareceram num piscar de olhos, Jacob em segundos já era um lobo gigante sumindo nas árvores com Emmett no alto delas.

Alice e Jasper foram em direção contrária mas Edward ficou ali parado catatônico, Bella puxava seu braço com preça mas não era dela que ele precisava no momento.

"Pai...Ela...ela..."

"Vamos encontra-la Edward, vamos encontra-la filho, tenha fé, é tudo que precisa agora.

Eu sabia a dor, é maior que tudo, era dor que senti quando soube que ele estava na Itália tudo vira um borrão, o corpo perde as forças e a tragédia na mente é maior do que qualquer otimismo, você precisa agir, mas o medo de não haver mais nada que possa ser feito é avassalador demais pra te deixar pensar direito.

"Vamos Edward estamos perdendo tempo!"

Bella disse com o rosto molhado de lágrimas, creio que nem ela mesma percebera que estava chorando.

"Vou até a reserva pedir reforços."

Os dois foram em direção oposta.

Gritávamos na esperança de que ela pudesse enviar um sinal, mesmo que tapassem sua boca poderíamos detectar algum movimento ou murmuro tipico dela, mas grito aumentava o silêncio aumentava o desespero.

Até que Emmett achou algo que nos deu um pouco de sanidade.

"PAAAI, ACHEI O MEMITO."

Por mais que estivéssemos desesperados, o ursinho evidenciava que ela fugira e não fora arrancada de casa à força, eles não iriam dar a ela tempo de pegar o brinquedo predileto.

Os pensamentos horríveis ainda rondavam a cabeça de todos em volta do bicho de pelúcia.

Ela fora levada a partir dali?

Ela correra de alguma ameaça e o deixara cair?

Eles?...

"Ahhrr!"

Escutei um grito de dor e os olhos de todos se voltaram na mesma direção, ao aguçar meus ouvidos percebi que era a esposa de Sam e o por mais estranho que fosse, Leah perguntando pelo bebê.

"Continuem farejando pela Nessie Emily está com problemas."

Cheguei a tempo de ajudar, elas estavam em frente uma caverna camuflada, senti o cheiro de Renesme por ali, mesmo disfarçado pela urina de Seth e misturado com o aroma de uma das gêmeas Uley.

Eu as levei pra casa e fiz uma ultrassom.

Rosalie fez questão de evidenciar a presença de Ben e a adoção.

Eu já estava esperando aquela crítica de, pai que passa dos limites pra dar aos filhos o que eles querem, e acabara de dar a filha mimada mais um dos seus caprichos.

Mas Leah estava preocupada demais com o outro neném pra isso.

Se eu não tivesse vivido a mesma situação antes eu poderia até duvidar ou deixar passar, mas a apreensão de Leah me levou a crer que Emily carregava na barriga o imprimit dela, nunca tentaram através de uma ultrasson antes, mas uma coisa era certa ela não era amiga de Emily pra ficar tão preocupada com o bebê a ponto de me fazer tantas perguntas.

"Fiquem calmas, está tudo bem, provavelmente foi só um desgaste emocional que calsou alguma tenção muscular mais acentuada."

Eu olhei pra ela com olhar de desaprovação.

"Eu não estava brigando com ela se é o que o senhor está querendo sugerir."

Emily olhou pra mim com um olhar um pouco mais calmo e completou.

"Estávamos procurando por Lígia e Seth, fugiram de casa, Sam nem sabe que saí."

"Minha mãe também não, na verdade eu nem tinha autorização pra isso, eu só queria achar o moleque antes que ela voltasse."

A ficha caiu, na verdade vocês estavam bem onde eles estão.

O olhar delas demostrou sua curiosidade e fez desnecessário uma pergunta.

"Eu estava procurando por Nessie, ela também sumiu, ali onde vocês estavam tem uma caverna, ela estava camuflada, senti o aroma das duas escondido pela urina de Seth, eles provavelmente estão escondidos lá dentro e ele tentou disfarçar o rastro das duas."

Emily olhou pra mim espantada já descendo da cama e Leah fez a pergunta de ouro.

"Como foi que senhor coseguiu discernir tudo isso."

Mas de cem anos de prática com adolescentes fujões.

"Vou levá-las pra casa, deixem que eu resolvo as coisas na floresta, garanto que as crianças chegarão em casa sãos e salvos."

No caminho liguei para todos e os tranquilizei, pedi que todos voltassem pra casa, pedi ao Edward que me encontrasse nas proximidades da caverna.

Quando entrei no carro pra voltar, mal abotoei o cinto de segurança, sem necessidade diga-se de passagem, Esme já foi logo me pressionando.

"O que você vai fazer com ela?"

Respirei fundo pois eu sabia que minha resposta iria estourar uma discussão dentro do carro.

"Eu vou concertar o estrago que eu mesmo causei, Renesmee precisa aprender respeitar ao Edward e a Bella pelos os motivos certos, quando ela olhar pra eles, ela precisa saber que não está diante apenas de mais um casal de adolescentes da casa, como ela e Jacob futuramente serão, ela precisa saber que está diante de seus pais e o quanto eles merecem ser honrados nessa posição."

Ela engoliu o veneno preso na garganta.

"Não sei não Carlisle, não seria o caso de umas boas palmadas, talvez até uma surra de vara."

Foi a minha vez de arregalar os olhos.

"Esme com certeza ela não vai escapar ilesa de fuga dessas, mas mais do que entender que não deve fugir assim, ela precisa saber o que ela significa para os pais dela e o quanto isso foi cruel com eles."

Ela continuava com aquele ar de quem ainda tinha o que dizer mas estava bolando uma estratégia pra me dissuadir quando dei a partida no carro.

Não demorou muito ela começou de novo.

"É só que eu penso que ela só tem dez anos e vai viver pra sempre, teremos muito tempo pra esperar, acredito que seja seja pra despejar tudo nela por causa de uma travessura, digo, ela só pegou um ursinho, o quão longe essa garota iria."

Eu fiquei furioso quando minha esposa usou a palavra travessura.

"Travessura Esme? Ouça a si mesma, chegamos a pensar que a garota estava morta! Você viu os olhos dos seus filhos? Reconheceu aquela dor?"

Ela colocou a mão no coração e começou a chorar, me encheu de remórcio ter falado com ela daquele jeito.

"Oh, querida não queria fazer você chorar, só quero que você compreenda o tamanho disso, o comportamento dela já não é mais o comportamento de uma garotinha mimada que muitas vezes era até engraçado, ela está se transformando em uma adolescente malcriada e cruel com os pais, ela o chamou de Edward hoje, e aprendeu a usar o dom dele pra responder por pensamentos. Nós não podemos simplesmente assumir o lugar deles na disciplina dela e transformá-los em dois zeros a esquerda quando ela for maior, não depois de tudo que eles passaram."

Esme enxugou o rosto e franziu a testa.

"Ela o chamou de Edward?"

Eu só confirmei levantando as sobrancelhas, e entortando os lábios.

"Temo que realmente chegou o momento de uma conversa mais séria, tudo nela é tão precoce, acredito que esse é só mais um problema que chegou mais cedo."

Eu respirei fundo como se buscasse no ar uma resposta para o problema, escusado seria dizer que ela não veio.

Quando chegamos aos nossos filhos o rosto abatido deles só me deu mais forças pra seguir adiante com a minha decisão, Renesmee precisava crescer antes que a situação perdesse o controle.

Eu simplesmente cruzei os braços em frente a caverna, se alguém visse a cena diria que eu era um louco conversando com um emaranhado de árvores derribadas.

"Renesmee Carlie Swam Cullen! Saia dessa caverna agora mesmo!"

"Eles vão me matar..."

Eu a escutei falando com seus parceiros de crime, em seguida Seth saiu pateticamente tentando protegê-la, ela olhou por cima do ombro dele e pude perceber o seu espanto ao ver seus pais mais atras e minha postura, a postura que somente meus filhos conheciam, mas nunca minha netinha.

Minha esposa como sempre presente estava ali, com a mão no meu braço.

Ela saiu correndo de volta pra dentro da caverna esperando que eu fosse atrás dela, assim ela poderia espernear e fazer aquele escândalo desesperador que me fazia desistir da punição, mas para sua decepção eu permaneci onde estava.

"Renesmee estou esperando, assim que acabar o seu teatro podemos ir."

Quando ela saiu toda sem graça, eu queria evitar de constrangê-la, mas minha irritação pela falta de limites da garota, além de fugir num momento como esse, ainda me faz uma cena dessas?

PAFT!*

Quando eu vi já tinha agarrado o bracinho dela e enchido a mão com seu traseirinho.

Ela recebeu a palmada em silêncio, mas seu constrangimento fez algumas lágrimas escorrerem.

"Edward e Bella, levem Seth e Lígia pra casa, Sua mãe eu temos uma conversa séria pra ter com a Renesmee."

Eu deixei que Edward e Bella os levassem no carro e guiei minha neta pra casa pelo cotovelo à pé.

Na metade do caminho ela ainda tentou se safar com uma vozinha manhosa.

"Vovô..."

Eu não respondi.

"Vovozinho, descuuulpaaa."

Ela insistiu começando a chorar, não vou negar, fez meu coração em pedaços, mas eu precisava ser firme, então permaneci em silêncio.

Entramos em casa, e eu soltei o cotovelo dela, e apontei pra cima.

"Agora vá me esperar no seu quarto, porque eu vou te dar uma surra."

Ela quase derreteu de tanto medo, algo na minha voz na minha postura e no meu olhar dizia a ela que pela primeira vez ela estava tão encrencada como qualquer um dos meus filhos.

"Por favor, vovô, não me bate não...eu prometo que eu vou melhorar...eu juro que eu não faço mais..."

Ela disse agarrada na minha camisa como se fosse ajoelhar, vê-la implorando daquele jeito fez com que eu me sentisse um monstro, mas pra o azar dela Alice já tinha me ensinado a lidar com aquela mesma sensação inúmeras vezes. Era só trocar a palavra vovô, por papai e "voilà", cena repetida.

"Agora Renesmee."

Ela saiu correndo e subiu as escadas chorando como se estivesse apanhando há horas.

Na verdade eu tinha planejado subir com ela assim que chegássemos e dar logo uma boa surra nela e ter com ela a conversa de sua vida.

Mas não pude deixar de perceber a ausência dos meus filhos, que eu tinha ordenado que viessem pra casa.

Sentei no sofá, exausto cobri o rosto com as mãos.

"Onde estão os nossos filhos, Esme."

Ela parou na minha frente e afagou os meus cabelos.

"Eu não sei mais o que fazer Esme, quando é que eu vou ter um pouco de sossego? Eu mandei que viessem, já estão de castigo, já apanharam, todos eles, eu vou acabar tendo um colapso se é que isso é possível...custava obedecer só dessa vez?"

Ela colocou a mão no coração assustada.

"Oh meu Deus será que eles..."

"Não seja boba querida, eles não iriam tão longe, a ponto de encarar uma dessas depois de tudo que conversamos sem os reforços de Edward e Bella, eles estão é querendo aproveitar pra bular o castigo um pouco."

Bati as mãos no joelho e fiquei de pé.

"Eu vou ver a Nessie, você cuida disso pra mim? Diga a eles que se estiverem dentro dessa casa em 20 minutos podem passar direto pro escritório, todos eles, inclusive Edward e Bella, eles foram de carro, 20 minutos é mais que o suficiente."

Ela me deu um beijo no braço.

"É claro querido...Tenha paciência com ela, lembre-se que ela já apanhou do Edward hoje, e muito."

"Eu terei querida, depois que conseguir falar com seus bebês, suba pois quero falar com Nessie junto com você."

Beijei a mão que ela tirava do meu braço e ela me acenou positivamente, com o apoio total dela eu subi pra dar a minha neta rebelde uma bela lição.

Quando eu entrei no quanto dela ela estava debaixo da cama.

"Renesmee saia daí agora mesmo,você não vai escapar."

Eu não quis perder tempo, já sabia que ela não iria obedecer, era esse mesmo o motivo de eu estar ali.

Com apenas um braço eu a puxei pela cintura de debaixo da cama a joguei no meu colo e puxei suas calças por completo.

Ela estava tão apavorada que nem ligou para o constrangimento, que nem tem razão de ser, eu sou o médico dela e conheço cada parte do seu corpo.

"Aiaiai vovô! Não me bate nãaaao!"

PAFT!**** AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAiii

Ela gritou de dor com um tapa que nunca tinha ganhado antes, eu confesso que olhei preocupado a pele do seu traseiro pra verificar se não tinha passado do limite.

Eu passei a mão pra ver as marcas dos meus dedo sumir e fiz a pergunta que ela devia ouvir.

"Por que você está apanhando Renesmee?"

"Por que eu fu-giiii"

Estranhamente a rebeldia dela não estava mais nenhum pouco evidente, ela nunca respondera tão prontamente, se estava chingando em seus pensamento, graças a Deus eu não era Edward pra ouvir.

PAFT!**** AAAAAAAAAAAAAAAAA PAFT!****AAAAAAAiiiiiiiiiii PAFT!**** AAAAAAAiiiAAAAAiiiiiiPAFT!****ASSIMMMM NÃAAAOO VovôooooooooPAFT!****Doooooooooíiiiiiiiii

Depois de mais cinco palmadas bem dadas eu parei um pouco pra verificar o tom de vermelho do traseiro dela e aproveitei pra fazer um pequeno discurso.

"E pra doer Renesmee, você tem é muita sorte, você devia estar agora mesmo no escritório encarando o cinto da disciplina, agradeça a surra que você levou do seu pai, ou estaria lá nesse momento..."

Por que é isso!PAFT!****aaaaaaaaaaAAAAAAAAAA

Que você! PAFT!****ARRAAAAAAAAAIiiiiiiiiii!

Merece! PAFT!**** aaaaaaaaiiaaaaaiiiaiiiiiiiii iiiiiiêeee

Eu dei mais 20 palmadas bem dadas, as vezes eu parava pra acariciar e verificar o vermelho, as palmadas pausada davam ainda mais tempo pra arder e levá-la a pensar no que tinha feito.

Mas o que realmente a assustou, foi eu colocá-la sentada ainda nua na cadeira da escrivaninha e tirar o cinto da minha calça.

"Eu quero que você olhe bem pra esse cinto mocinha, porque eu vou ter uma conversa séria com você, e se você disser uma malcriação se quer, você vai levar a surra da sua vida, eu nem acredito que só te dei umas palmadas."

Abri a porta pra chamar minha esposa, minha neta chorava querendo esfregar o traseiro mesmo sem poder levantar, eu sabia que estava doendo, mas ideia era essa.

"Esme querida, chegou a hora."

Em segundos ela já estava ali pra me apoiar, sentada na cama ela olhou apreensiva o cinto na minha mão.

Eu permaneci de pé.

"Renesmee eu quero falar sobre o seus pais com você, sobre respeito, você não pode tratar Edward assim, não importa o que ele fa-..."

"Mas, ele confiscou meus presentes que nem foi ele quem me deu!"

SHLAP!** AAAAAAAAAAAAAiiiiiiiiiiiiiii i

Ela me interrompeu com um arsinho cheio de razão, eu como um homem de palavra, bati o cinto na lateral da cocha dela, ela deu um pulo e gritou, então dei outra cintada no trazeiro vermelho dela.

Senta aí! SHLAP!** AAAAAAAAAAAAAiiiiiiiiiiiiiii i

Ela sentou quase em cima da mão.

"Cala essa boca, eu não estou brincando com você... Você quer apanhar mais?"

Ela permaneceu calada com aquela cara de empáfia.

"Você. Quer. Apanhar. Mais?"

Eu perguntei impaciente.

"É pra responder? Disse pra eu ficar calada..."

Ela respondeu tão cínica que eu fiquei com medo de perder a cabeça.

Esme chegou a ficar de pé no intuito de me deter, pois uma resposta assim da boca de um dos meus filhos normalmente correria o sério risco de terinar numa tragédia, Rose mesmo já me deu deu essa mesma resposta e não foi nada bonito.

Mas tudo que fiz foi respirar e apertar a ponte do nariz antes de agarrar o braço dela e dar três boas cintadas nas pernas dela.

SHLAP!* SHLAP!* SHLAP!* AAAAAAAArraaaaaaiiiêeeeee!

Ela deu aquele grito exagerado de quem estava sendo espancada.

"Deixe de escândalo, Renesmee Carlie!"

Esme já estava agoniada, ela não gosta de ver nenhum deles apanhar, eu sempre evito na presença dela, só mesmo em caso extremo ela acabava presenciando, mas eu sabia bem que mesmo ouvir o choro pela casa, pra ela era uma tortura.

Ela deu aquela soluçada de quem tenta engolir o choro e eu esperei que ela se acalmasse.

"Podemos falar agora? Com educação e respeito?"

"Sim...sen...hor."

Ela forçou a saída das palavras pela boca, pois a impressão que dava era que se ela a abrisse o choro escaparia.

Esme deu a ela algo pra vestir, uma bermudinha de algodão cor de rosa, na verdade parte de um pijama.

Eu coloquei o cinto na mesinha como um sinal de rendição, como sinal de um tratado de paz, sentei na cama e a coloquei entre Esme e eu.

Peguei sua mão e olhei nos seus olhos.

"Nessie eu preciso falar com você sobre algo muito importante, sobre a importância dos seus pais na sua vida."

Eu não sabia na verdade por onde começar, um pai é um pai, uma mãe é uma mãe, eu não queria passar a imagem de que Esme e eu tivessemos menos importância para nossos filhos do que Bella e Edward tem pra ela.

"Você se lembra bem da história do seu nascimento?"

Eu busquei sondar de quanto ela sabia ou mesmo se lembrava, dado ao estado avançado de seu entendimento quando nasceu.

"Vovô eu sei que a mamãe quase morreu, sei que foi um parto difícil e que foi uma gestação milagrosa e rápida, que Jake estava sempre à minha volta, ou à volta da mamãe por minha causa e que o papai podia me ouvir dentro da barriga, essa foi a parte que me contaram. O que eu me lembro são apenas borrões e gritos o rosto do papai e depois o rostos de todos, às vezes me esforço e me lembro vagamente do rosto estranho sofrido da mamãe dormindo, mas imagem dela hoje é tão linda que é difícil associar, é como se fosse um sonho estranho e ruim."

Ela disse olhando para suas mãos, eu me senti um monstro tirando sua inocência, nunca escondemos dela que Bella sofreu pra tê-la e que sua chegada foi um acontecimento pra nós, mas toda a parte mórbida foi ocultada pra ser dita no momento certo, ou mesmo quando viessem suas próprias perguntas.

"Meu amor, você precisa saber de algo muito forte, mas quero que antes disso você saiba que nosso amor por você é eternamente maior e mais forte do que tudo isso, e qualquer um de nós daríamos a nossa vida por você a qualquer momento sem pensar duas vezes."

Ela me abraçou chorando.

"Desculpa vovô... eu sinto muito..."

"Eu sei que sim, minha florzinha mas o papai e mamãe não mereciam ter passado por isso, pensamos que tínhamos perdido você, eu não sei se eles sobreviveriam a isso, a muito tempo atrás ele quase morreram um pelo outro por achar que tinha se perdido, eu não consigo se quer cogitar o que seria deles se perdesse você, que parte dos dois e por se só significa muito pra eles, você é o milagre deles e eles enfrentaram um inferno pra que você estivesse aqui, algo muito pior do que você sabe ou se lembra."

Eu a consolei enquanto Esme afagava seu cabelo.

"Querido, tem certeza?"

Eu apenas confirmei com a cabeça.

Nessie ergueu os olhinhos de chocolate pra mim como quem esperava uma resposta.

"Nessie, o papai passou por volta de 100 anos sozinho sem conseguir amar ninguém, entenda o quão importante sua mãe foi e é pra ele."

Ela olhou com olhos compreensivos, mas a ruga de confusão estava ali na sua testa.

"Quando ele percebeu que ela estava em perigo vivendo em meio a vampiros, o medo de ele mesmo vir a morde-la fez com que ele resolvesse deixá-la."

Ela franziu o cenho totalmente alarmada com a ideia do Pai cogitando se quer a ideia de se separar de Bella.

Ela sofreu muito, o seu avô Charlie conta que ela ficou tão deprimida que não falava com mais ninguém, nem se quer comia direito...

Contei a ela toda a história até a parte em que Edward quase morreu, ela parecia estar ouvindo a história de outras pessoas, parecia não acreditar no quão longe seus pais iriam por amor, eles pareciam um casal comum pra ela, todos nós somos muito amorosos com nossos parceiros, ela sempre viveu num ambiente de paz que proporcionamos a ela.

"Eu nunca senti dor maior na vida, a dor de achar que meu filho poderia estar morto, Emmett me fizera passar por algo parecido antes quando fugiu de casa uma vez, mas tudo se resolveu em algumas horas, antes que eu pudesse perceber eu já estava dando umas varadas nele pelo susto que nos deu, mas Edward me levou dias de completo desespero pra poder abraçá-lo novamente, entende o que seus pais passaram hoje Nessie? Eu nunca mais quero vê-los assim novamente."

Ela balançou a cabeça, mas envergonhada olhava sempre para as mãos entre os joelhos, então e fez uma pergunta com uma voz embargada.

"Vovô, o papai apanhou quando chegou em casa?"

"Sim senhora, a maior surra da vida dele, e a mamãe também, o vovô Charlie depois deu uma boa surra nela."

Ela me lançou um olhar solidário e depois olhou para Esme, mesmo que a próxima pergunta tenha sido pra mim.

"Mas vovô, além do fato de eu ter feito o que fiz hoje, o que tudo isso tem a ver com meu nascimento?"

Eu respirei procurando forças eu já tinha disparado a arma não mais como deter a bala.

"Por esse motivo, eles ficaram na mira dos Volture, eles exigiram que seu pai a transformasse, ele não queria de forma alguma, então depois de muito negociar com sua mãe prometeu a ela que o faria se ela se casasse com ele."

Eu parei um instante, e finalmente comecei a sua história na versão completa.

Eu estava me sentindo um equilibrista numa corda bamba entre dois prédios, qualquer movimento errado poderia causar um erro fatal.

"Estávamos felizes em casa finalmente em paz esperando seus pais voltarem do Brasil, bolando o que dizer a Charlie quando fossemos para o Alasca e sua mãe não voltasse mais, quando sua tia Alice parou de ver o futuro de sua mãe, ela ligou para o seu pai e eu falei com ele, então recebemos a notícia da gravidez."

Ela deu um sorriso, ela sempre ouvia essa história cheia de magia, Bella sempre diz como milagroso foi e o que ela sentiu ao saber que tinha um bebê dentro dela, mas eu não correspondi seu sorriso, ela buscou o de sua avó e na verdade recebeu um abraço.

"Nessie... na verdade não foi... uma boa notícia."

Ela alternou olhares entre nós, as lágrimas na borda.

"Mamãe mentiu pra mim?"

Eu nem comecei direito e ela já estava sofrendo, eu não sabia onde arranjar forças pra continuar, eu a coloquei no meu colo e segurei seu queixo com um dedo mantendo seu olhar no meu.

"Não...não minha florzinha, a mamãe não mentiu pra você, ninguém nunca mentiu sobre as alegrias que você nos trouxe, você foi é e sempre será nosso milagre."

Esme percebendo minha exaustão assumiu o assunto.

"Florzinha, foi mesmo a melhor notícia do mundo pra sua mãe, ela tinha abdicado tudo pra ficar com seu pai e de repente acontecer um milagre assim...foi sem dúvida a coisa mais maravilhosa pra ela, mas pra o seu pai e seu avô que é médico, foi uma notícia preocupante, você crescia por hora, e era o bebê de um vampiro, vampiros se alimentam de humanos, não fazíamos ideia do que você era, tudo que conseguíamos pensar é que perderíamos a sua mãe."

Ela saiu do meu colo e ficou de pé na nossa frente.

"Vocês não me queriam?"

Eu voltei a falar, dizia respeito a mim, eu é quem deveria dizer a ela que eu queria arrancá-la do ventre de sua mãe.

Nem notei que minhas lágrimas já estavam escorrendo na minha face.

"No início nós só queríamos salvar sua mãe, não havia nada que eu quizesse mais do que afastar o sofrimento dos olhos do meu filho, a membrana gestacional era muito forte eu não conseguia te ver, eu só podia ver inha filha desfalecer e meu filho desfalecer junto com ela, houve momentos em que eu quis sedá-la pra tirar você à força."

Eu quase não podia me conter, eu sentia o veneno dos meus olhos entrando na minha boca, era como se meu coração estivesse batendo, mas eu precisava dizer a ela.

"Mas sua mãe é uma teimosa, uma guerreira teimosa, ela queria morrer pra te dar a luz, ela sabia que iria morrer se não houvesse tempo para a transformação, seu pai e eu sabíamos que o coração dela não aguentaria, mas ela não ligava, ela não via problemas em partir se fosse deixar você aqui, mas seu pai não queria isso, e eu não queria isso pra ele, nem sabíamos que tipo de criatura você seria, ele sofreu vendo você quebrar as costelas dela e sugar sua vitalidade dia após dia, mas sua mãe não precisava de ultra som pra saber que você era boa ela sentia, então sua vó e sua tia apoiaram o direito materno de te dar a luz, eu fiz de tudo pra ajudá-la nessa tarefa."

Ela não conseguia olhar pra mim, eu não conseguia olhar pra ela, eu ouvia suas lágrimas não tão silenciosas quanto as minhas, Esme a abraçou por traz tentando tirar suas mãos do rosto.

"Querida não fique assim, não é que seu avô não queria você, ele só queria acabar com o sofrimento de seus filhos, isso significa que ele também queria mais do que tudo que você realmente fosse o sua mãe esperava."

Eu dei um passo para encará-la e tirei as mãos dos seus olhos, então derramei uma enxurrada de palavras.

"Sim meu amorosinho eu queria, eu queria mais que tudo dar a sua mãe o bebesinho que ela acreditava estar dentro dela, eu queria dar ao seu pai sua esposa sã e salva, eu queria e ainda quero dar a cada um de vocês tudo que precisam, eu só queria saber o que fazer, e antes que soubéssemos mais, a única opção médica pra mim era o aborto. Me perdoa meu bebê, me perdoe por não ter tido copetencia pra ajudar vocês duas, sei que você deve ter passado por tanto sofrimento dentro de um útero que não te comportava sem eu saber o fazer para te nutrir, eu me martirizei a cada minuto desde que seu pai te ouviu, até que pude por uma mamadeira de sangue na sua boca, e papinha na sua boca, e te dar suas vacinas, e verificar seus batimentos e medir seu crescimento... e..."

Minha voz se calou num abraço repentino, seus bracinhos delgados envolveram minha cintura.

"Eu entendo vovô, eu entendo, eu não queria... eu não devia... eu não..."

Ela molhou minha camisa com suas lágrimas, tudo que eu conseguia era mantê-la no meu abraço, minha esposa nos abraçou fazendo o nosso tradicional sanduíche vovó netinha vovô.

"Vovô?... Quando o papai me ouviu, a mamãe ainda estava muito mal, mesmo assim ele..."

Eu a afastei do meu corpo com urgência, sentei-a na poltrona do canto e me ajolhei diante dela, eu estava ancioso por essa parte.

"Oh sim querida, ela estava cada vez mais em risco devido ao seu tamanho, embora já estivesse bebendo sangue humano pra nutrir você a situação era ainda mais perigosa já que tinha uma vampirinha muito gente boa ficando forte lá dentro."

Eu trisquei na ponta do seu nariz tentando arrancar um pouco de humor, mas ainda era um pouco cedo.

"Mas seu papai passou a te querer tanto quanto queria a mamãe, ele falava com você o tempo todo, te ajudava a se acalmar pra não machucar a mamãe... é por isso que eu te pesso que se lembre, ele arriscou tudo que ele mais amava na vida pra ter você aqui, ele teve coragem de rasgar a sua mãe e tirar você de lá mesmo sabendo que você poderia ser a única parte da mulher que ele mais amava, que viveria com ele para o resto da vida, por toda a eternidade, eles arriscaram tudo por você... Ele merece o seu amor e o seu respeito, sei que você o ama, mas também quero que você saiba respeitá-lo mesmo quando olhar no espelho e se ver com a mesma aparencia deles."

Nada no mundo me fez mais feliz do que ver um sorrisinho nascendo no canto da sua boca.

"E os outros... o que todos fizeram depois que o papai me ouviu?"

Eu a abracei e joguei pra cima e comecei o seu conhecido conto de fadas.

"Tia Lice ajudou a tia Rose montar o mais lindo quarto de bebê de todos..."

Eu dizia girando-a pelo quarto.

"...o tio Jazz e o tio Emm, brigavam o tempo todo discutindo quem seria o tio predileto e é lógico, comprando brinquedos legais pra garantir isto."

Sua rizadinha começou a ecoar pelo quarto.

"E a vovó Esme e eu, tratamos de deixar a casa o mais segura e saudável possível pra nosso netinho ou netinha, compramos todos os tipos de protetores e utenssílios de cozinha e farmácia, era aprimeira vez que teriamos um bebê de verdade perambulando pela casa."

Eu a peguei no colo como se fosse um bebê.

"Agora eu quero que você fique bem aqui, nessa cama, nessa casa onde todos te amam e se preocupam com você, principalmente seus pais e quando o papai chegar dê a ele um grande abraço e um pedido sincero de desculpas."

Eu a coloquei no seu edredon e fiz cocégas em sua barriga, depois desmanchei meu sorrizo lentamente e falei muito sério com ela.

"Deixe eu ver o bumbum."

"Aaah vovô, isso é mesmo necessáaario?"

Eu mesmo a virei de bruços, enquanto ela gemia de vergonha no travesseiro, eu puxei sua bermuda e vi que estava tudo bem, um tanto vermelho, mas nada que um hidratante à base de aloevera não podesse resolver, pedi Esme que pegasse o creme na penteadeira pra mim, ela deu um sorriso e reconheceu que era um momento nosso, me etregou e deu um beijo e saiu.

Passei a pomada e disse ainda bem sério.

"Fique o aviso mocinha, de hoje em diante a senhorita será tratada como um dos meus filhos, essa palmada foi só uma amostra, se fugir de novo, não importa o motivo a senhorita vai direto para o meu escritório ter um encontro com o cinto da disciplina."

"Vovô...?"

Ela chamou assim que cobri seu traseiro, mas ainda com o rosto no travesseiro.

"Benjamin é o novo bebê Cullen agora por isso tenho de crescer?"

Meu coração ficou tão pequeno ao perceber tamanha insensibilidade minha, ela era só uma menina de dez anos em tantos aspectos, e ninguém se tocou que talvez ela só estivesse se esforçando pra chamar a atenção por causa do primo.

Sentei na cama dela e pedi que olhasse pra mim, tirei o cabelo do seu rosto quando ela rolou na minha direção.

"Você está com ciumes do pequeno Bem?"

Ela olhou para a janela desviando os olhos dos meus.

"Não é isso é só que... Ele trouxe o prazer que eu costumava dar à tia Rosalie, tem o seu nome e nem é todo misturado como o meu, é o garoto que o tio Emm e o tio Jazz vão levar pra jogar bola, fora que ele vai ser neném por mais tempo do que eu, sem contar que ele nasceu quase que no dia do meu aniversário, minha festa do ano que vem nem vai ter graça levando em conta que vai ser o primeiro dele, eu sinto que não vai me sobrar muita coisa com o carinha por aqui pra vocês mimarem."

Eu comecei a rir e a agarrei nos braços.

"Do que está rindo vovô?"

"Do quanto você se parece com o seu pai, quando tia Rose chegou ele pensou exatamente o mesmo e olha só, até hoje sua vó o chama de bebê."

Ela começou a rir disso também.

"Não seja boba minha lindinha, você é o que é, significa o que significa e nunca perderá seu espaço pra ninguém, cada Cullen aqui é especial, você tem todo o tempo do mundo pra crescer, não precisa ser agora, só quero que você se lembre que quando isso acontecer seus pais sempre serão os seus pais... Combinado?"

"Combinado!"

Ela abraçou o travesseiro e deitou de bumbum pra cima, pra falar a verdade eu preferiria que ela fosse meu bebezinho pra sempre, mas não da pra evitar o inevitável.

Continua...

A/N: Talvez demore um pouco, pois sou muito rígida comigo mesma quando se trata de finais.

Marry, feliz por tê-la de volta ;)