SEGREDOS MANTIDOS NO CORAÇÃO

Título original: Secrets kept in the heart

Autora: Eva3

Tradução: Lady K

COMMENTS:

* AmandaBBC: coincidência mesmo, hein??? Deve ser telepatia rs...

* Lidy: Suporta sim, vc é forte rs...

* Luanaa: vc está me confundindo com a TowandaBR desse jeito, né?

* Marguerrite: Eu tbm não teria coração para traduzir uma fic em que a Marg morre, seria demais pra mim tbm!


Em algum lugar, muitos quilômetros rio abaixo, dois homens estavam em pé observando um corpo sem vida na margem do rio.

"Por aqui, senhor. Nós encontramos alguém."

Um homem alto, magro, com cerca de cinqüenta nos de idade, cabelos escuros com alguns fios grisalhos, apareceu ao lado deles, e observou a linda mulher deitada no chão, vestida apenas com um corpete de renda e calcinha de seda, visivelmente impressionado com sua beleza exótica. Mesmo suja e despenteada como estava, ele logo percebeu não se tratar de uma mulher comum.

"Traga meu cavalo" ele ordenou. Tirou seu próprio manto de veludo dos ombros e, delicadamente, enrolou-o no corpo inerte da mulher. Ele poderia dizer que ela era uma dama, e uma dama jamais desejaria ver-se despida diante do mundo.

Quando montou seu corcel, pediu a um dos homens que a colocasse sobre o cavalo, bem a sua frente. Ele a segurou firmemente junto a seu peito, envolvendo-a com um dos braços e, com o outro, tomou as rédeas do cavalo. Juntos, afastando-se do rio, voltaram para sua aldeia.


Chegando à aldeia, Madoc parou em frente ao castelo, dando ordens de que preparassem um quarto para a mulher que traziam. Todos queriam saber quem era ela e de onde vinha. Ele disse apenas que não sabia, mas que não precisavam se preocupar, pois o rei tinha total controle da situação e quem quer que fosse esta linda dama, estava em boas mãos.

"Essa foi uma viagem rápida. Encontrou a diversão que estava procurando?" Perguntou uma mulher mais velha já no pátio interno, dentro dos portões do castelo.

"Não, majestade. O rei encontrou um troféu melhor do que qualquer tipo de animal selvagem que poderíamos ter caçado. Encontramos uma mulher perto da margem, praticamente sem vida. Ela passou por maus momentos, com certeza."

O rei e seus outros acompanhantes chegaram finalmente para cumprimentar a mulher carrancuda.

"Agora, não fique tão chocada, mãe. Ela precisava da nossa ajuda" começou.

"Quem quer que seja essa criatura, deveria tê-la deixado por lá mesmo!" ela gritou.

"Bem, ela não é nenhum tipo de animal selvagem. Você não se importava mesmo quando eu trazia animais feridos para casa. O que há de errado com você hoje? Eu não podia simplesmente deixá-la lá." Virou-se para Madoc, seu escudeiro, pedindo que trouxesse a mulher para que ele mesmo a levasse ao quarto reservado.

Uma vez lá dentro, ele a levou para um dos quartos no andar de cima e colocou-a na cama.

"Lívia, traga uma bacia com água morna. Precisamos limpá-la e ver se os ferimentos necessitam de maiores cuidados."

A jovem criada virou-se rapidamente para obedecer as ordens de seu rei, quando ele acrescentou: "E traga uma escova de cabelos. Os dela precisam de cuidado. "

Ele estendeu a mão e acariciou uma mexa de cabelo que havia caído em seu rosto, empurrando-o de volta para se juntar ao resto de seus caracóis emaranhados.

"Tristão, você não sabe quem é esta mulher ou de onde veio. Ela poderia ter sido enviada como uma espiã de nossos inimigos, mandada aqui para matá-lo ou..." A mulher mais velha falou bruscamente. Ele, inconscientemente, ficou ao lado dela, ternamente protegendo-a.

"Mãe, que imaginação você tem" interrompeu seu discurso. "Uma mulher com esse tipo de beleza não poderia ter um único pensamento de maldade em sua cabeça."

Ela saiu da sala balançando a cabeça, desaprovando a situação, passando por Lívia, que chegava com os itens solicitados para limpar a mulher e pentear seus cabelos emaranhados.

Olhando seu rosto, o rei pensou que nunca tinha visto uma mulher de tamanha beleza.

Inclinou-se para seu rosto e falou baixinho. "Bem, quem quer que você seja, minha linda dama do rio, está segura agora."


Na manhã seguinte, quando Marguerite acordou, viu-se numa cama estranha, num quarto estranho, vestindo roupas que sabia não serem suas. Sentou-se na cama, então percebendo que havia um homem estranho sentado ao lado de sua cama. Ele parecia ter passado a noite toda ali e dormia, com a cabeça recostada na cadeira.

"Onde estou... e quem é você? Como cheguei aqui?"

Tristão endireitou-se na cadeira e levantou o corpo para ter uma visão melhor de seu rosto. "Você está a salvo. Isso é tudo que você precisa saber agora. Nós a encontramos à beira do rio ontem, inconsciente, por isso a trouxe aqui".

"Onde é aqui?" Marguerite disse desconfiada.

"Você está segura... saiba que está segura. Você está em minha casa."

"E onde é essa casa?"

"Você está no reino de Brannagore."

"E, se esse reino tem um rei?" Marguerite estava lutando para se lembrar do que tinha acontecido. Por que ela estava no rio e inconsciente? E quem era este homem que aparentemente a havia salvado? Quem quer que fosse, bastou olhar em seus olhos para saber que ele falava a verdade sobre ela estar a salvo. Seus olhos eram os mais amáveis que ela já havia visto e todos os seus medos foram afastados com um único olhar.

"Sim, claro que tem um rei. Tristão." Falou suavemente, abaixando os ombros para trás para descansar no encosto. "E, agora é sua vez. Você tem um nome?"

"Claro que eu tenho um nome" ela imitou-o. "É Marguerite Krux".

"Bem... Marguerite Krux... você é uma mulher de muita sorte. Achamos que estivesse morta ontem, quando a encontramos na beira do rio. Com todos os predadores nessa região, você certamente teria sido morta antes do fim do dia. Após essa provação pela qual passou antes de a encontrarmos, sugiro que procure descansar. Fique na cama hoje e nos falaremos mais tarde, quando estiver se sentindo melhor. Lívia atenderá a suas necessidades."

Ele acenou para Lívia para que ficasse com sua convidada ao sair do quarto.

Lívia reverenciou Marguerite e perguntou: "Precisa de algo, milady?"

"Sim, eu preciso saber na casa de quem estou?"

"Por que, milady? Está na casa do Rei Tristão."

Marguerite estava perplexa como tão silenciosamente cedeu a outrem a tomada de decisões. Por alguma estranha razão, tinha total confiança nesse mais velho, porém belo, homem que salvou sua vida no dia anterior. Desde que chegou ao platô, havia apenas um homem que tinha mexido suas emoções: John Roxton. Poderia haver dois como ele no platô? Confusa, admitiu que ele era mais velho que Roxton e possuía uma maturidade que ela tinha sérias dúvidas que John algum dia alcançasse. Mas havia algo diferente neste homem.

Ela tentou recobrar as memórias que pareciam fugir de sua mente. Como chegou à margem do rio? E, para onde foram Roxton e os outros? Então, lentamente, começou a lembrar. A explosão! O fogo! Tudo explodindo diante de seus olhos! Sua queda do penhasco no rio!

Mas Roxton e os outros! O que aconteceu com eles? Eles não estavam todos mortos, estavam? Não podia ser possível. Mas ela tinha visto o fogo engoli-los no local onde estavam antes da explosão. Eles não poderiam ter sobrevivido a isso.

Todas as lembranças dos últimos dois dias, de repente, vieram à tona e Marguerite gritou o nome de John em dor.

Em segundos, Tristão estava ao seu lado, abraçando-a, sentindo seu corpo tremendo, percebendo que ela devia ter se lembrando de algo terrivelmente doloroso. O que ela precisava agora era a segurança de seus braços enquanto derramava as lágrimas.

Sem saber, ele já havia assumido o papel de seu protetor e guardião.


Uma semana depois

Como Marguerite já se recuperava dos ferimentos, Tristão sugeriu uma visita ao seu castelo e ao reino. Ele sentia-se cada vez mais atraído por sua beleza delicada e fazia tudo para tornar sua vida o mais confortável possível. Mas também sabia que teria que fazer todos os esforços possíveis para encerrar sua vida passada antes que pudesse ter a esperança de um futuro.

"Quando estiver se sentindo bem, poderemos voltar ao lugar em que você viu pela última vez seus amigos e procurar por eles."

"Já não tenho muita esperança de encontrá-los vivos. Mas gostaria de ver o lugar de novo... para ver se sobrou alguma coisa. Acho que quero encontrar alguma prova de que estão vivos ou... se foram."

"Entendo".

"Estou me sentindo muito melhor nos últimos dias, então acha que poderíamos ir amanhã?"

"Tudo que desejar, Marguerite. Prepararei tudo hoje à noite. Se você encontrar algum tipo de prova de que eles..." Ele disse hesitante,"você acha que poderia começar a considerar esta a sua nova casa?"

Marguerite estava bastante consciente de afeto crescente de Tristão por ela, mas não queria fazer nenhum compromisso até ter certeza de que os outros estavam vivos ou mortos.

"Vamos falar sobre isso mais tarde. Eu só espero ser capaz de encontrar o precipício de novo... de onde caí. Andei tanto pela selva naquele dia horrível" Estremeceu ao lembrar do terror que sentira naquele dia, há uma semana.

"Aqui estamos. Minha parte favorita do castelo. Quer dar um passeio?"

Eles haviam chegado aos estábulos e bastou olhar a expressão de Marguerite para saber a resposta à pergunta de Tristão. Era óbvio que era uma ótima amazona e amante de cavalos, pela maneira como olhava e acariciava cada animal.

O rosto de Tristão abriu-se em um sorriso amoroso ao perceber o quanto ela gostava de cavalos, tanto quanto ele, outra razão para amar essa mulher que tão abruptamente entrou em sua vida.

"Ah, então você sabe como lidar com cavalos, pelo que vejo."

"São todos seus? Tantos para escolher. Eles são magníficos, Tristão." Marguerite sorriu enquanto andava de cocheira em cocheira, parando para falar baixinho com cada cavalo ao longo do caminho.

"Tristão, por que você nunca se casou? Sendo rei, você não precisa pensar em garantir um herdeiro para o trono?"

"Estive perto de me casar há seis anos atrás".

"Você estava apaixonado? O que aconteceu?" Marguerite parou quando viu o olhar triste no rosto de Tristão. Percebendo que devia ter trazido à tona lembranças dolorosas, acrescentou, "Oh, me desculpe... eu não deveria ter tocado nesse assunto. Você provavelmente não quer falar sobre isso."

"Não, eu não me importo. Sinceramente, não falei com ninguém sobre isso. Ela era filha de um dos meus barões. Foi um casamento arranjado, mas eu havia me afeiçoado muito a ela." Tristão parou, claramente não querendo dizer mais nada.

Marguerite, só de olhar em seu rosto, sabia que doía-lhe pensar nisso, mais ainda revelar a história para alguém. Pôs a mão em seu braço e disse: "Você não tem que me contar se não quiser."

"Não, você precisa saber. Vai ouvir falar disso ainda, eventualmente. Ela morreu de repente na noite antes do casamento."

"Sinto muito, Tristão. Eu não devia ter trazido essas lembranças tristes para você. Foi apenas a minha curiosidade natural, eu suponho." Ela abriu um sorriso e tentou afastar todos os pensamentos de seus passados. "Não vamos deixar que isso estrague um dia tão bonito para nós."


Depois do jantar, naquela noite, Tristão caminhou com Marguerite para seus aposentos e ficou hesitante ao chegarem do lado de fora, esperando por um sinal de que a noite poderia continuar do lado de dentro. Mas Marguerite, não querendo incentivá-lo a pensar que poderia haver qualquer tipo de relacionamento entre eles, rapidamente disse: "Foi um dia lindo, Tristão. Obrigada pelo passeio no seu castelo. Nós ainda voltaremos amanhã para ver as falésias, não? Você não esqueceu, não é?"

Tristão sorriu, conscientemente percebendo sua hesitação em lhe permitir mais do que uma amizade neste momento, dizendo: "Não, eu não me esqueci. Partiremos ao raiar do sol".

Marguerite franziu a testa e Tristão acrescentou rapidamente, "Oh, me esqueci, minha querida... você se levanta tarde. Vamos sair ao meio dia."

Ele beijou a mão dela e a deixou em sua porta para que se preparasse para o passeio do dia seguinte.

"Que lindo", Marguerite pensou, "ele lembrou que eu gosto de dormir até tarde." Algo que Roxton nunca aceitou. Na verdade, essa foi a razão para toda a discussão no dia em que... ela parou... Não queria pensar nele agora. "Mas eu preciso pensar nele" disse em voz alta para si mesma.

"Disse algo, milady?" Lívia perguntou.

"Não, nada, estava apenas pensando em voz alta."

"Já posso ajudá-la com seu cabelo, senhora?" Lívia perguntou com escova de cabelos na mão.

O jovem parou atrás de Marguerite, agora sentada em frente ao espelho da penteadeira, e começou a pentear seus longos cabelos.

"Lívia, você viveu a maior parte da sua vida aqui, não é?"

Ela concordou: "Eu nasci aqui no castelo, milady."

"Então você deve ter conhecido a noiva do rei há alguns anos atrás."

"Oh, sim, milady. Lembro-me dela, sim. Ela era linda. Seu nome era Alyce e pelo que ouvimos, o rei se apaixonou por ela à primeira vista, apesar de ter sido um casamento arranjado. É por isso que foi tão trágico o que aconteceu."

"O que aconteceu com ela? A única coisa que soube é que ela morreu de repente."

"Bem, senhora, ela se mudou para o castelo uma semana antes do casamento e eu fui encarregada de atendê-la. Devo ter sido a última a vê-la com vida, pois lhe trouxe uma bandeja com uma taça de vinho na noite anterior ao casamento. Na manhã seguinte, entrei em seu quarto para ajudá-la a vestir-se e a encontrei morta."

"Que horrível para você... e Tristão. Mas do que ela morreu? Estava doente?"

"Não, senhora... nunca soubemos o que aconteceu. Não foram encontradas marcas em seu corpo, nenhum sinal de qualquer tipo de luta. Supomos que ela tinha morrido durante o sono. Houve rumores de que tinha um amante, um plebeu, eu acho. Alguém soube antes de o casamento ter sido arranjado. Ouvi dizer que seu amante estava à espreita na noite anterior ao casamento para levá-la com ele, mas ninguém realmente viu..."

"Ah, Lívia," Marguerite a repreendeu, "Isso são boatos. Tenho certeza de que não havia nenhuma verdade nisso." Ela hesitou, então, e perguntou:: "Eu me pareço com ela?"

"Oh, não, milady... Não há qualquer semelhança. A outra senhora tinha longos cabelos louros e os olhos mais azuis que eu já vi, e pele muito clara."

Marguerite sentiu-se aliviada por algum motivo. Seria possível que ela não fosse comparada ao amor antigo de Tristão?


Na manhã seguinte, Tristão, Marguerite e Madoc andavam fora dos portões do castelo, de volta ao penhasco de onde Marguerite havia caído mais de uma semana atrás. Demorou algum tempo para encontrar o lugar, mas seguindo o rio, finalmente chegaram ao último lugar onde ela tinha visto seus amigos com vida. Amarraram os cavalos perto da margem e fizeram o caminho a pé de volta ao topo do penhasco.

Não havia nada além de cinzas e escombros agora, mas a procura resultou em alguns objetos pessoais de seus companheiros. Entre eles estavam o bracelete frisado que Verônica estava usando em torno do braço naquele dia, o relógio de pulso de Malone, e o pior de todos: o anel de ouro de Roxton. Foi a visão do anel de John que a fez parar a busca. Nenhum corpo ou ossos foram encontrados, mas sabendo como muitos predadores habitam a região, provavelmente seus corpos tinham virado jantar para algum T-Rex.

Tristão colocou seu braço em volta dos ombros, puxando-a para seu peito. "Marguerite, minha querida, sinto muito sobre seus amigos." Quando ela começou a chorar, ele continuou, "Talvez seja melhor voltar ao castelo. Você não precisa estar aqui com essas lembranças desagradáveis".

Marguerite concordou com a cabeça enquanto enfiava o restante das poucas lembranças de seus amigos no bolso de sua roupa. Ninguém falou nada durante a viagem de volta para o castelo e, no coração entristecido de Marguerite, ela sabia que seus amigos haviam falecido e ela teria que construir uma outra vida para si mesma. O seu maior lamento foi que nunca havia permitido que ninguém soubesse o quanto gostava e se importava com eles, especialmente John.


Quatro meses depois

Quando o grupo voltou para casa, uma grande tristeza caiu sobre a casa da árvore. Todos sabiam o quanto Roxton e Marguerite significavam um para o outro, mas também sabiam que com suas personalidades teimosas, nenhuma palavra de amor havia sido trocada.

Enquanto os dias passavam, a vida na casa da árvore lentamente voltava ao normal, exceto que Roxton fechava-se mais e mais em si mesmo e muitas vezes ia caçar sozinho, em visível desagrado de estar com os outros. E quando ele ficava assim, ninguém conseguia dissuadi-lo.

Verônica também expressou sua preocupação com os outros por Roxton passar grande parte do tempo no quarto de Marguerite. Ela sabia que, de alguma forma, ele se sentia mais perto dela ali, entre seus objetos pessoais. Muitas vezes, dormia a noite toda em sua cama e ela tinha a nítida certeza de ouvi-lo chorar em algumas ocasiões.

Esta noite não foi diferente. Após o jantar, Roxton novamente desapareceu no antigo quarto de Marguerite. Verônica o seguiu para ver se ela poderia quebrar a resistência que ele havia construído ao longo dos últimos meses de não querer falar sobre Marguerite.

"Roxton, você quer companhia?"

Roxton estava em pé perto da janela evirou-se assustado com a voz da mulher, quase como se esperasse que Marguerite estivesse ali.

"Oh, Verônica... é você."

"Bem, espero não tê-lo decepcionado." Então, percebendo que ele provavelmente estava desapontado por não ser a voz de Marguerite, ela acrescentou rapidamente, "Olha, Roxton, você tem que saber que eu... que estamos todos preocupados com você. Você nunca fala dela. Na verdade, você se levanta e sai de perto quando seu nome é mencionado."

"Verônica, eu sei que você só quer ajudar, mas..."

"Mas nada, Roxton. Isto não está te fazendo nenhum bem. Você não deve manter os seus sentimentos engarrafados. Você não será capaz de acabar com isto até que fale sobre isso."

"Eu não quero acabar com isso" disse ele irritado. "Eu não quero perdê-la nunca."

"Eu não quis dizer que você deva esquecê-la. Basta que você se abra com alguém ou a dor que está sentindo o destruirá. Veja os riscos que está correndo agora, caçando sozinho. É quase como se..." Ela parou para não colocar seus pensamentos em palavras.

"É quase como se o quê? Que eu queira me juntar a ela? É isso que você está pensando?"

"Bem, talvez... Bem, sim. Eu me preocupo com você. Fale comigo, Roxton, ou com Malone ou Challenger, mas fale com alguém."

Roxton sentou na cama ao lado de Verônica com os olhos voltados para baixo e, com uma voz rouca, começou lentamente a revelar a sua tristeza. "Eu deveria ter dito a ela que a amava. Nunca deveria ter brigado naquela manhã por ela acordar tarde. Nunca deveria tê-la deixado assumir a liderança naquele dia. O que eu estava pensando?"

Verônica colocou a mão em seu braço: "Você se responsabiliza demais pelo grupo, Roxton".

"É por isso que estou nesta expedição, Verônica. Challnger é o cérebro do grupo, Malone está para anotar cada detalhe e meu trabalho é garantir que todos retornarão para casa em segurança."

"E Marguerite?"

"Eu não sabia disso até aquele momento, mas ela era o coração desta expedição. Pelo menos para mim. Ela me deu uma razão para viver cada dia. Não houve dois dias iguais com Marguerite em minha vida. E, agora..."

"Sinto muito, John. Eu sabia que ela significava muito para você, mas não acredito que algum de nós soubesse o quanto. Se isso significar alguma coisa para você, como mulher, posso dizer-lhe que todos os sinais estavam lá de que Marguerite o amava também."

Roxton estendeu a mão e a colocou no braço da garota e disse carinhosamente: "Você é uma boa amiga, Verônica. Obrigado. "

Antes de sair, ela disse, "Bem, pelo menos você está falando. Não espere tanto tempo da próxima vez".

Sozinho novamente, ele foi até a janela, segurando o medalhão de Marguerite em sua mão direita e levantou o rosto para olhar a lua cheia.

"Marguerite, se estiver por aí... Eu deveria ter dito isso há muito tempo. Eu te amei. Eu ainda amo você. Não deveria ter mantido isso em segredo e sinto muito que não tenha dito isso quando você estava viva. Mas onde quer que esteja, nesta noite, eu espero que você possa me ouvir."


Marguerite sobressaltou-se repentinamente.

"Minha querida, o que houve? Você parece assustada com alguma coisa" Tristão perguntou com preocupação. "Você está suando. Está muito quente aqui para você? Madoc, abra as janelas. Precisamos de um pouco de ar."

"Eu... Eu estou bem. Apenas senti uma precipitação, um calor sobre mim."

"Sente-se mal?" Ele sentiu a testa para ver se ela estava febril.

"Não... não. Realmente, estou bem. Provavelmente eu só precise de um pouco de ar." Ela andou até uma das janelas abertas e olhou para a lua cheia."Ah, olhe, Tristão, como a lua esta hoje. É lindo, não é?"

Juntando-se a ela, disse: "Você está mais linda, minha querida. Você está hoje uma rival à altura da lua".

"Tristão, já aceitei sua proposta de casamento. Você não tem que me agradar mais, você sabe."

"Mas eu quero. Quero que você saiba tudo do meu coração. Você é uma mulher que deveria ouvir elogios todos os dias na vida do homem que ama. E agora, esse sou eu." Ele beijou a bochecha dela calorosamente.

Marguerite, de repente, lembrou das raras vezes em que ela e John tiveram beijos interrompidos e seu coração afundou-se em tristeza por ela nunca ter ouvido tais palavras de amor de Roxton. Ela sempre soube John a amava, mas por que ele nunca disse a ela? Provavelmente pela mesma razão que ela nunca lhe disse.

Balançou a cabeça, tentando se livrar das memórias dolorosas que ameaçavam sua paz de espírito. Esta noite era a comemoração de seu noivado com Tristão, o homem mais gentil, mais generoso e mais valioso que já conheceu. Ela sabia que ele a amava, porque ele disse muitas vezes, sem reservas. Ela sentia muito amor por esse homem, mas não o mesmo amor que sentia por John. Nunca haveria um outro amor para preencher seu coração como John Roxton fizera. Seu coração doía à sua lembrança. Mas isso era em outro lugar e em uma outra vida, e havia terminado. Assim como John se fora. E agora ela tinha uma vida nova.

"Tristão" começou, "Eu me sinto estranha em falar desse assunto, mas estava pensando..." Ela disse hesitante.

"O que é, minha querida?"

"Bem, só estava pensando que talvez fosse mais fácil eu me adaptar ao meu novo lar se eu tivesse alguns dos meus objetos pessoais que ficaram na casa da árvore. Eu sei que é pedir muito, mas..."

"Não diga mais nada. Faça uma lista e eu enviarei dois dos meus homens ao raiar do dia. Acho que é uma excelente idéia. Você deve ter algumas coisas suas aqui. Eu prometo que chegarão antes do casamento." Tristão beijou a mão dela: "Eu faria qualquer coisa para ter certeza de que você está feliz, meu amor."

Marguerite voltou-se para olhar a lua através da janela aberta e sorriu sabendo que iria, em breve, estar cercada por seu pertences queridos e tão familiares dentro de poucos dias.


O sol nasceu sobre a selva naquela manhã lançando um brilho branco em toda a casa da árvore. Roxton acordou no antigo quarto de Marguerite com uma sensação de calma que não havia sentido em quatro meses, e teve que admitir que estava se sentindo melhor depois de sua conversa com Verônica na noite anterior. Poderia isso significar que estava finalmente começando a aceitar a morte de Marguerite?

Mais tarde naquela manhã, Malone e Verônica estavam cuidando da horta, enquanto mais perto da casa da árvore, Challenger e Roxton estavam fazendo reparos necessários à cerca elétrica.

Quando o desconhecido entrou na clareira puxando dois cavalos sem cavaleiros, Malone rapidamente pegou seu rifle gritando: "Ei, alto lá. O que quer?"

Madoc levantou as rédeas dos cavalos indicando estar desarmado: "Viemos como amigos. Não queremos causar nenhum dano."

Malone caminhou lentamente em direção aos homens, seguido por Verônica, que tinha uma faca na mão.

Verônica falou primeiro. "Quem é você? O que você está fazendo aqui?"

Madoc respondeu novamente com as mãos erguidas: "Eu sou Madoc e este é o Liam", ele apontou para seu companheiro de viagem. "Somos do reino de Brannagore. Não esperávamos encontrar alguém vivendo aqui".

"Mas o que você quer e como você sabe sobre este lugar?" Malone perguntou.

Da cerca, Challenger e Roxton podiam ver seus amigos falando com os dois estranhos com cavalos, mas não conseguiam ouvir o que estava sendo dito. Pegaram os rifles para juntar-se aos amigos, quando Verônica veio correndo em sua direção.

"Roxton... Challenger..." Ela estava sem fôlego.

Roxton a pegou pelo braço e disse, alarmado, "O que foi, Verônica? Problemas?

"Não... Ah, Roxton ... ela está viva. Marguerite está viva!"


CONTINUA…