SEGREDOS MANTIDOS NO CORAÇÃO

Título original: Secrets kept in the heart

Autora: Eva3

Tradução: Lady K

Comments: Meninas, mil desculpas pela demora em postar este último capítulo. Nessa última semana, fiquei empolgada com DDT e acabei não terminando a tradução. Então, mesmo a fic estando pronta, faltava traduzir rs... Dêem uma colher de chá pq os capítulos de DDT estão super grandes né? *carinha do gato de botas do Shrek* (aprendi essa com a Mamma Corleone e a Amanda rs...). Mas nesse negócio de demorar, gostei foi da quantidade de review! Vcs estão criando um monstro ha ha ha!

Obrigada pelas reviews, deixem neste capítulo final! Logo eu volto com mais traduções :D

Rox beijocas!


A caminho da casa da árvore, Roxton encheu os dois estranhos com perguntas sobre Marguerite.

"Ela está bem? Não está com nenhum ferimento, não é? Onde ela esteve todo este tempo? Por que ela não veio com vocês?"

"Sim, meu senhor, ela está bem. Garanto-lhe que não está ferida." Madoc parecia estar se divertindo com a ansiedade na voz Roxton, e acrescentou: "Apesar de não ter estado nada bem quando a encontramos tantos meses atrás. Ela parecia ter passado por uma grande provação."

"Céus, que tipo de provação? Ela estava ferida?" Roxton mal podia se conter, querendo saber tudo o que lhe tinha acontecido nos últimos quatro meses.

"Nada grave. Foram mais cortes e contusões, seu cabelo estava emaranhado e a encontramos vestindo apenas roupa íntima e botas. Nós nunca soubemos o que aconteceu com suas roupas. Mas foi nosso rei quem a levou à nossa aldeia e a cuidou pessoalmente."

"Seu rei? É com quem ela esteve esse tempo todo? Por que ela não voltou para a casa da árvore?"

"Ela pensou que todos vocês estivessem mortos. Ela viu o fogo cercá-los na explosão. Quando milady se recuperou, voltamos para as falésias e procuramos por indícios de que estivessem vivos ou mortos. Reviramos as cinzas e os escombros, e encontramos alguns objetos pessoais que pertenciam a vocês. Mas o que a convenceu de que vocês se foram foi encontrar o seu anel de ouro. Milady disse que pertencia ao senhor, Lord Roxton. Ela disse que você sempre o usou, então depois disso ela teve certeza do que aconteceu..."

"Perdemos essas coisas com o impacto da explosão." Roxton tinha uma última pergunta. "Por que ela não voltou para a casa da árvore com você?"

"Ela está se preparando para seu casamento dentro dealguns dias. Pediu que trouxéssemos seus pertences pessoais. A esta hora, na próxima semana, ela será a Rainha Marguerite."

Roxton deu uma parada brusca e respirou fundo antes de falar novamente. "Quanto tempo de viagem para o seu reino?"

"Cerca de um dia, meu senhor."

"Então partimos agora". Roxton começou a correr rumo à casa da árvore.

Os outros subiram depois de Roxton e o encontraram arrumando suas coisas para partir para Brannagore.

Challenger pôs a mão no braço de John: "Roxton, meu velho... Já lhe ocorreu que talvez ela pode não querer voltar para a casa da árvore? Ela pode ter construído uma outra vida para si."

"O que você está dizendo, Challenger? Claro que ela vai querer voltar. Esta é a sua casa, aqui entre nós... comigo". Roxton virou-se para olhar para os rostos preocupados dos amigos. "Qual o problema com vocês? Parecem que não a querem de volta. Bem, vocês ouviram o homem, ela pensava que estivéssemos mortos."

Malone tentou argumentar com Roxton. "Isso não explica por que ela não voltou para a casa da árvore para procurar por nós. Para ver por si mesma se estávamos vivos ou mortos".

"Seja qual for a razão, eu a trarei de volta... aonde ela pertence! Se vocês não querem vir, farei isso sozinho, com ou sem vocês."

"Claro que iremos com você, Roxton" disse Verônica. "Nós todos queremos Marguerite de volta. Não tem sido o mesmo sem ela. Só não queremos que você se machuque novamente no caso de ela decidir ficar por lá, só isso."

Challenger e Malone estavam de acordo, e Challnger o tranqüilizou: "Nenhum de nós quer ver você perder um segundo sequer do seu tempo, Roxton. Seria muito doloroso para você passar por uma outra perda como essa novamente."

"Não haverá outra perda. Ela voltará conosco. Ela vai querer voltar conosco. Tenho certeza disso" Roxton repetia.


No meio da manhã, Marguerite e a rainha mãe, Eleanora, estavam acertando formalidades da cerimônia de casamento. Marguerite estava entediada e distraída, eram muitas coisas fúteis, como quem seria convidado, quantos passos ela teria que dar até o altar e todas essas coisas de uma cerimônia extremamente tradicional. A mãe de Tristão também não parecia muito satisfeita com seu casamento iminente com seu filho.

Ela ficava pensando: "Espero que Madoc e Liam tragam minhas coisas. Quero o meu medalhão em volta do meu pescoço quando me casar com Tristão. É a minha única ligação com o passado, e mesmo que eu esteja começando uma nova vida aqui com um novo marido, não quero esquecer tudo o que aconteceu comigo nos últimos anos." John a havia ajudado a fechá-lo numa noite em que comemoravam o aniversário de Challenger numa festa surpresa. Assim, o medalhão tinha um significado especial para ela, como algo que Roxton havia tocado.

Que noite foi aquela! Ela e Roxton dançaram o tempo todo. Por que tantas lembranças de John estavam invadindo sua mente hoje?

"Milady". Lívia estava olhando para fora pela janela que dava para o pátio do castelo. "Eles estão de volta... E não estão sozinhos."

Marguerite, feliz com a desculpa para deixar os preparativos do casamento chato e, sob os olhares frios da rainha-mãe, se levantou e caminhou até a janela onde Lívia estava inclinada, acenando para Madoc.

"O que trouxeram desta vez, Lívia? Que animais selvagens?..." Ela parou abruptamente e respirou fundo. Atrás de Madoc e Liam estavam...

"John!" Ela gritou. "Oh, meu Deus... é o John!"

Antes que Lívia pudesse dizer outra palavra, Marguerite já corria em direção à porta, empurrando Eleanora. A rainha mãe agarrou-a pelo braço, encarando-a com um olhar reprovador.

"Esta não é a maneira como se comporta uma futura rainha! Correndo pelo castelo, gritando o nome de homens desconhecidos!"

"Deixe-me passar, senhora!" Ela puxou o braço e continuou correndo pela escadaria de pedra. "E ele não é um desconhecido! É Lord Roxton!"

Roxton a ouviu dizer seu nome da janela e, num movimento rápido, desmontou do cavalo e começou a correr em direção a sua voz.

Quando Marguerite abriu a porta do castelo, Roxton estava a poucos metros de distância, os quais ele extinguiu com dois passos gigantes e abriu seus braços para ela, puxando seu corpo contra o dele.

"John... eu pensei que você estivesse morto" ela sussurrou em seu peito. Ela levantou o rosto, olhando-o, e seus olhos se encheram de lágrimas quando ele a beijou. Foi então que ela viu os amigos correndo em direção a eles e afastou-se para receber o restante do grupo. Roxton a segurava com tanta força que esse detalhe não passou despercebido pelos outros.

"John.. poderia... me soltar um pouco. Estarei bem aqui. Não vou a lugar nenhum ".

"Não quero deixá-la ir. Quero abraçá-la para sempre."

Todos riram da declaração despudorada de Roxton. Todos abraçaram Marguerite carinhosamente.

"Sentimos sua falta, minha cara" disse Challenger. "Pensamos que estivesse morta. Como chegou a este lugar?"

"Eu gostaria muito de saber. Provavelmente daria uma grande história para o meu diário."

"Sempre o escritor, hein, Malone?" disse Marguerite, abraçando o jovem jornalista.

"Ok, ok... já chega" disse Roxton puxando-a novamente para o círculo de seus braços quentes.

"Marguerite, parece que você fez tudo dar certo por aqui. Será que ouvimos direito, você vai se casar com um rei?" As palavras saíram da boca de Verônica antes que ela pudesse detê-las e só então ela sentiu os olhos de Roxton brilhando, impedindo-a de continuar.

Marguerite engoliu em seco e olhou ao redor, todos com um olhar envergonhado no rosto: "Bem, as notícias voam rápido pelo platô, não é? Vamos entrar e eu contarei tudo a vocês."

Tristão assistia a cena da reunião pela janela de seus aposentos acima do pátio e afastou-se quando viu o antigo amor de Marguerite puxá-la de volta para seus braços pela segunda vez. Ele soube, em seu coração, que pela expressão de Marguerite quando Lord Roxton a abraçou, que ele a havia perdido.


"Olhe, Tristão, são meus amigos da casa da árvore. Eles estão vivos."

"Bem-vindos à minha casa e ao meu reino. Marguerite descreveu a todos por tantas vezes que tenho certeza de que já sei um pouco de cada um." Ele virou-se primeiro a Verônica. "Ah, essa deve ser a linda Verônica, a beleza da selva que acolheu todos vocês em sua casa quando chegaram. Marguerite fala de você como se você fosse sua irmã" Tristão disse ao beijar sua mão.

Verônica olhou surpresa pela palavra "irmã", e corou com o beijo sobre sua mão.

Malone sentiu um pequeno arrepio de iciúmes pela repentina atenção para Verônica e, em seguida, Tristão estava falando novamente. "E você deve ser Ned Malone, o jornalista e escritor talentoso. Marguerite me disse que você tem um diário de sua vida no platô. Eu fiquei interessado em ler sobre suas experiências."

"E você deve ser George Challenger, o homem da ciência, o líder da expedição. Entendo por que Marguerite diz que você é a base deste grupo. Ela me disse que sem você, todos certamente teriam perecido."

Marguerite brilhava com orgulho pela forma como Tristão acolhia tão gentilmente seus amigos em sua casa. No entanto, seu coração pareceu parar de bater por alguns segundos quando ele parou em frente a John. O que ele diria sobre Roxton?

"Nenhuma apresentação é necessária, acredito. Lord Roxton. Lord John Roxton. Você é exatamente como Marguerite falou durante suas primeiras semanas aqui. Pelo que ela me disse, devo lhe agradecer por salvar sua vida em várias ocasiões. Bem-vindo à minha casa."

Tristão colocou o braço em torno de Marguerite e beijou sua testa. Ela olhou para o rosto de Roxton e percebeu seu olhar triste e o que ele estava pensando.

"Falaremos disso mais tarde, Marguerite." Ela balançou a cabeça e olhou para outro lado, evitando o olhar de John, que estava cravado sobre ela e Tristão.

"Meus empregados estão preparando os quartos para que possam passar a noite conosco. Fiquem o tempo que quiserem. Tenho certeza que todos vocês têm muita coisa para pôr em dia. Juntem-se a nós para o jantar mais tarde. Marguerite irá lhes mostrar o caminho."

Quando Tristão deixou a sala, foi recebido por Eleanora, que não estava tão acolhedora como seu filho.

"Eles vão passar a noite aqui?"

"Claro que sim, mãe."

"Não gosto disso. Nós nem sabemos quem são essas pessoas."

"Eles são velhos amigos de Marguerite, mãe" Tristão suspirou cada vez mais irritado com sua paranóia com estranhos.

"É disso que estou falando. Guarde minhas palavras: eles são problemas, Tristão. Não é em Lord Roxton que ela fala sem parar? Estou surpreso que o tenha permitido entrar. Ele está aqui para levá-la de volta, tenho certeza. É melhor fazer alguma coisa ou irá perdê-la."

"Mãe, se Marguerite quiser voltar com seus amigos... Bem, não posso impedi-la. Se ela não me ama o suficiente para ficar comigo, não há muito o que eu possa fazer."


"Marguerite, você está tão diferente" Roxton sentado ao lado de Marguerite no grande salão observou-a pela primeira vez em seu vestido longo de veludo vermelho à moda medieval, justo no tronco, com mangas compridas e um discreto decote no colo. Seu cabelo estava trançado, e alguns fios se soltavam. Havia correntes de ouro entrelaçadas entre a trança. Em torno do pescoço, uma outra corrente de ouro que desaparecia dentro do decote de seu vestido. A visão de sua pele clara contra o vestido vermelho tirou seu fôlego.

A herdeira de cabelos negros deu uma volta na frente do Roxton.

"Provavelmente é o cabelo. Eu não o usava tão comprido. A mãe de Tristão diz que não é digno de uma rainha ter cabelos curtos. Lívia, minha criada, faz as tranças todas as manhãs."

"Você tem uma criada? Uau, quem diria, Marguerite, você realmente está progredindo" Verônica a repreendeu.

"Certo, damas, já tivemos o suficiente sobre criadas e cabelos" Malone interrompeu. "O que nós realmente queremos saber é como você chegou até aqui viva? Marguerite, pensávamos que estivesse morta."

Roxton, que estava estranhamente calmo em toda a reunião, repetiu as palavras de Malone: "Sim, nós pensávamos que estivesse morta. Encontramos suas roupas, rasgadas e desfiadas... encharcadas de sangue. O que aconteceu?"

Marguerite, tocada pela preocupação de todos, disse: "Quando caí do penhasco, o rio me levou por milhas até que consegui nadar até a costa. Estava começando a encontrar o caminho de volta quando um casal de raptores começou a me perseguir. Corri para a selva para fugir deles, o que me pareceu durar uma eternidade. Achei que não fosse me livrar deles, até que tropecei sobre um animal morto, um tigre... eu acho... que já havia sido ferido e morto."

Ela fez uma pausa e olhou timidamente para Roxton, como esperasse sua aprovação. "Pensei que se eu tirasse minhas roupas e as espalhasse sobre a carcaça, os raptores encontrariam meu cheiro no animal e, enquanto estivessem comendo, eu teria tempo de escapar. Até então, eu havia entrado tão fundo na selva que não consegui encontrar o caminho de volta para o rio".

"Meu Deus, Marguerite, esta história tem que fazer parte do meu diário" Ned disse.

"Que idéia brilhante, minha cara! Como pensou em algo tão inteligente?" Challenger perguntou.

"Oh, aprendi com um grande caçador" Marguerite olhou diretamente para Roxton com um olhar astuto.

"Então você estava me ouvindo todas aquelas vezes em que eu lhe falei de sobrevivência na selva."

"Cada palavra" Marguerite inclinou-se para Roxton, beijando sua bochecha.

Os cinco amigos permaneceram no grande salão conversando durante horas, até finalmente irem para seus quartos. Cada vez que o iminente casamento de Marguerite e Tristão era mencionado, ela rapidamente mudava de assunto. Na verdade, ela se sentia um pouco envergonhada em falar sobre o casamento com outro homem na frente de seus amigos, principalmente Roxton.

Várias vezes durante a conversa, Roxton deixou claro que esperava que Marguerite os acompanhasse de volta para a casa da árvore. Mas ela não confirmou nem negou se iria voltar. Ela sentiu que precisava dizer a Tristão suas intenções antes que pudesse responder a seus amigos. Isso seria justo com o homem que tão gentilmente abriu sua casa e seu coração para ela tantos meses atrás. Ele havia salvado sua vida, de diversas formas.


Após o jantar, naquela mesma noite, quando os outros se retiraram para seus quartos para uma noite muito necessária de descanso, Roxton caminhou até o quarto de Marguerite. Ele tinha que saber ao certo se ela voltaria com eles na manhã seguinte. Ele percebeu que ela havia evitado responder o dia todo, mas ele tinha que saber, não importava qual fosse sua decisão.

Quando entrou no quarto, olhou em volta, e não pôde deixar de notar o mobiliário suntuoso.

"Bem, Marguerite, é um quarto digno de uma rainha. Parece que não demorou muito tempo para ter o mundo a seus pés." Ele não conseguia esconder o sarcasmo na voz.

"Escute, Roxton, antes que você comece..."

"E por que ainda não arrumou suas coisas? Partiremos amanhã ao raiar do sol."

"Tão cedo assim?"

"Marguerite, você fala como se não fosse voltar conosco."

"Roxton, deixe-me explicar algo a você..."

Antes que pudesse terminar, ele a interrompeu: "Você não precisa explicar nada. Posso ver porque você iria querer ficar. Você tem tudo o que veio buscar no platô. Dinheiro, jóias, poder, até mesmo um marido. Embora eu nunca pensasse que isso estivesse em seus planos."

"Roxton, você não está sendo justo" ela retrucou com raiva. "O que eu devia fazer quando pensei que tinha perdido todos vocês? Eu estava sozinha. Como poderia ter sobrevivido sozinha na casa da árvore? Tristão me ofereceu uma nova vida, uma vida de segurança. Mas mais do que isso, ele dividiu seu coração comigo. Roxton, por Deus, o homem me ama". Ela parou quando viu o efeito de suas últimas palavras sobre o caçador vigoroso diante dela.

"E, a partir do momento em que eu voltar para a casa da árvore com você..."

"Não há necessidade de colocar em palavras. Posso ver que já fez sua escolha!"

Ele virou-se irritado e passou pela porta. Marguerite correu atrás dele gritando "Roxton, espere... Você não me deixou terminar." Ela bateu o pé e gritou novamente "Volte aqui, John!"

Roxton andou rapidamente pelo corredor até seu quarto, querendo colocar a maior distância possível entre ele e Marguerite. Em sua corrida cega para ficar longe, chegou perto de bater em Verônica quando ela passou por ele no corredor.

"Nada muda entre você dois. O que foi dessa vez? Ouvi Roxton dizer que você fez uma escolha. Por favor, não me diga que vai ficar? Marguerite, você não pode fazer isso com ele. Não novamente. Ele não pode perdê-la novamente."

"Não é nada disso, Verônica. Eu tentei falar, mas ele não me deixou terminar. Ele sempre sai assim."

"Então vá atrás dele, Marguerite. Diga-lhe como se sente. Termine o que tem a dizer".

"Hmmmph! Não, deixe-o pensar esta noite. Talvez isso o faça me dar mais valor."

"Ohhhhh! Vocês dois! Vocês não vêem como fazem sofrer um ao outro? Vocês são teimosos como duas mulas. Marguerite, ele te ama e você o ama. Não há duas pessoas feitas para estarem juntas mais do que vocês dois. Por que prefere torturá-lo assim?"

"Sabe, não tenho tanta certeza. Só sei que no mundo de onde venho nunca cedi tanto para nenhum homem. E essa é a maneira mais segura de ter seus sonhos despedaçados".

"Marguerite, você não o viu todas as noites em ele pensou que você estivesse morta. Ele se mudou para o seu quarto para se sentir perto de você. Ele chorava, às vezes toda a noite. Eu nunca vi um homem chorar antes, mas Roxton não se importava que o vissem assim. Se você não voltar conosco, vai partir seu coração."

"Oh, Verônica, é claro que eu vou voltar com vocês. Eu não quis dizer nada antes para John porque queria falar com Tristão primeiro. Isso não é fácil para mim, mas eu amo os dois, Verônica. Eu soube, desde o momento em que vi o John esta manhã, que eu voltaria com vocês. Nunca houve outro homem em minha vida como Roxton. Ele é parte de mim. Ele está no meu coração e nos meus pensamentos o tempo todo."

"Mas Tristão" continuou ela "salvou minha vida, me trouxe para sua casa, me deu uma segunda chance na vida. Não queria me apaixonar por ele, mas aconteceu. E eu não posso negar o que sinto por ele. O que realmente importa, eu suponho, é quem mais precisa de mim."

"E seria o John?"

Marguerite sorriu e assentiu com a cabeça. "Talvez, mas também de quem eu preciso mais. Tudo isso... as jóias... o poder... não significam nada a menos que John esteja comigo. Tentei dizer isso, mas ele é tão teimoso que começou a falar porque eu vim para o platô... e porque iria querer voltar com ele se agora tenho tudo isso. E saiu daqui que eu pudesse dizer tudo."

"Agora, Marguerite, você precisa encontrar Tristão. Esclareça sua situação, e então fale com John" declarou Verônica.

"Você está certa. Farei isso agora. No caso de eu não vê-la novamente hoje à noite, irei encontrá-los no portão amanhã de manhã." Verônica a abraçou e disse: "Vai ser como nos velhos tempos na casa da árvore."


Marguerite encontrou Tristão nos estábulos dando instruções para que preparassem cinco cavalos para ela e seus amigos.

"Tristão, então você já sabe que pretendo voltar com eles?"

"Claro, minha querida. Eu soube no minuto em que vi o olhar no seu rosto quando Lord Roxton a tomou em seus braços pela segunda vez. Não, não fique tão triste. Eu sempre soube o quanto você amava este homem. E sabia que nunca iria tomar seu lugar no seu coração."

"Oh, Tristão, eu te amo também. É só que..."

"Eu sei. O amor que você tem por Lord Roxton é o único verdadeiro. Estou grato por ter tido você em minha vida, mesmo por tão pouco tempo."

Marguerite puxou o anel de safira de sua mão esquerda e ofereceu-o ao homem que estava a sua frente. "Tristão, você sempre terá uma parte do meu coração que ninguém poderá tocar ou substituir".

"Ah, não... Fique com o anel, minha querida. Espero que olhe para ele muitas vezes e pense em mim." Ele colocou o anel de volta na palma de sua mão e fechou os dedos em torno dela.

"Obrigada, Tristão." Depois que colocou de volta o anel em seu dedo, ela o beijou, não sabendo que a rainha-mãe assistia a cena, escondida. Estava muito longe para ouvir as palavras trocadas, mas quando viu Marguerite devolver o anel para a mão esquerda, soube o que tinha que fazer. Ela não poderia deixar seu filho tentar se casar outra vez com uma mulher inferior.


Quando Marguerite voltou para seu quarto, já passava da meia-noite. Lívia a esperava para ajudá-la a se preparar para dormir.

Ela notou que uma bandeja com uma garrafa de vinho e uma taça de prata estavam na mesinha ao lado da cama.

"Lívia, de onde veio isso?"

"A rainha mãe me pediu para trazer, milady. Ela pensou que poderia ajudá-la a dormir esta noite. Disse que percebeu como estava excessivamente animada por ver seus amigos novamente."

"Suponho que estava mesmo. Lívia, voltarei para casa com meus amigos amanhã de manhã. Portanto, esta é provavelmente a última vez que vou vê-la." Marguerite abraçou a jovem carinhosamente. "Obrigada por tudo que fez por mim durante a minha estadia aqui."


Antes do amanhecer, Roxton começou a bater à porta de todos para despertá-los para a partida. Ainda acreditando que Marguerite não voltaria com eles, queria começar cedo na esperança de evitar ter de vê-la novamente. Havia tanta raiva em seu coração, que mal conseguia falar civilizadamente com qualquer um de seus amigos naquela manhã... uma raiva e uma tristeza que, temia, nunca fossem embora.

Quando a perdeu pela primeira vez há meses atrás, pensou que estivesse morta e sua separação, decidida pelo destino. Mas esta segunda perda foi muito pior. Foi através de sua escolha, sua escolha por outro homem. Como ele poderia concorrer com um rei? Esta foi a razão porque Marguerite havia chegado ao platô... ganância.

Um nó havia se formado em sua garganta e a rispidez que havia desaparecido durante os meses passados, infelizmente, voltou a sua voz.

"Precisamos sair o mais rapidamente possível. Quero começar cedo".

Conforme se aproximavam do portão, Verônica andava sempre olhando para trás, na esperança de que Marguerite logo aparecesse.

"Verônica, que há de errado com você? Por que está tão nervosa?" Malone perguntou.

"Temos de esperar mais um pouco."

"Marguerite sabia a que hora sairíamos" Verônica pensou. "Onde ela está? Eu vou torcer seu pescoço se ela ferir Roxton novamente. E pensei que ela iria falar com ele novamente na noite passada. Pelo humor que ele está nesta manhã... devem ter brigado de novo".

"O que estamos esperando, Verônica?"

"Roxton... Marguerite não falou com você novamente na noite passada? Quando a vi pela última vez, ela me disse estar voltando definitivamente conosco."

Roxton parou, refletindo sobre o que ela dizia, virando-se para Verônica com um olhar assustado.

"Não entendo. Só falei com ela uma vez na noite passada, pouco antes de nos encontrarmos no corredor. Não a vi novamente. Pensei que... Por que ela não disse que voltaria conosco em vez de..."

"Você não a deixou terminar, Roxton. Ela estava tentando lhe dizer que precisava comunicar a Tristão sua decisão de voltar para a casa da árvore antes de confirmar isso com você. Ela disse que devia isso a ele por tudo que fez por ela. Então, disse que depois falaria com você. Está me dizendo que ela não foi ao seu quarto na noite passada?"

Ela fez uma pausa e quando Roxton desviou o olhar, ela já sabia a resposta.

"E você contou a ela, Roxton? Contou-lhe sobre todas aquelas noites em que ficou triste pensando que ela havia morrido?" Verônica balançou a cabeça em desapontamento com seu amigo e Roxton baixou os olhos.

"Você está certa, Verônica. Eu estava tão convencido de que Marguerite estivesse feliz com sua vida nova e que não voltaria para a casa da árvore comigo... Eu estava errado."

Ele ficou ali perplexo e envergonhado por não ter confiado em Marguerite para tomar a decisão certa na noite anterior. Não deveria ter sido tão impaciente. Ele não deveria tê-la deixado tão rapidamente. Lamentou não deixá-la terminar. Teria evitado uma noite de tormentos, pensando que tinha perdido seu tempo com ela.

"Então, onde ela está? Acha que ela dormiu demais, como de costume?" Roxton perguntou ansiosamente. "Ela sabia que estaríamos saindo cedo."

"Não sei, mas vou procurar por ela."

Verônica estava cruzando o pátio, quando ouviu os gritos de Lívia vindos do quarto de Marguerite. Verônica correu em direção à porta do castelo, seguida por Roxton e pelos outros.

Ao entrar no quarto de Marguerite, viu-a deitada inconsciente no chão ao lado da cama com Lívia em pé a seu lado, soluçando. Roxton pegou seu corpo desacordado, a colocou sobre a cama e começou a esfregar suas mãos e os braços chamando seu nome repetidamente. "Marguerite, Marguerite, acorde, fale comigo."

Challenger aproximou-se do rosto de Marguerite, cheirando seu hálito, então cheirou a garrafa de vinho na mesinha de cabeceira. "Acho que ela foi envenenada. Por cianureto."

"O que vamos fazer? Não podemos deixá-la morrer!" Verônica gritou.

Antes que Challenger pudesse responder, Roxton rapidamente tomou o controle e começou a dar ordens.

"Malone, traga essa bacia aqui. Verônica, segure-a e abrace-a. Quando eu disser, pressione as mãos com força contra seu estômago. Challenger, prenda seus cabelos para trás."

Verônica puxou o corpo sem vida de Marguerite para uma posição vertical e seguiu as ordens de Roxton. "O que você vai fazer?"

"Tenho que tirar o veneno dela."

"Mas como?"

"Pela única maneira que conheço!" Roxton embalou a parte de trás da cabeça de Marguerite com uma mão, enquanto mantinha a boca aberta com a outra. Colocou o dedo indicador em sua boca, indo até a garganta. "Vamos, meu bem... Vamos lá... vamos!"

Depois do que pareceu uma eternidade, Marguerite começou a vomitar, mas não sem apertar os dentes no dedo de Roxton. "Agora, Verônica, pressione sua barriga com força."

O primeiro par de contrações não produziu nada, então Roxton novamente mergulhou o dedo em sua garganta, ignorando completamente o fato de ela ter acabado de machucá-lo. Ele tinha que expelir o veneno de qualquer maneira. Recusou-se a perder um segundo que fosse.

Finalmente, o conteúdo de seu estômago começou a sair, caindo na bacia que Malone segurava.

"Isso, vamos lá... Boa menina... Boa menina. Continue pressionando, Verônica". Roxton moveu sua mão ferida para apoiar a testa de Marguerite perto da bacia para que ela expulsasse o veneno. Ela começou a tossir e vomitar, um largo sorriso invadiu o rosto de Roxton e ele instruiu Lívia a trazer um copo de água para Marguerite.

Debruçada sobre a bacia, a corrente em volta do pescoço de Marguerite caiu para a frente, revelando o pingente que se escondia entre o decote de seu vestido... o anel de ouro de John. O coração de Roxton se afundou em tristeza ao perceber como estava errado em tê-la menosprezado na noite anterior. Ele balançou a cabeça, voltando à situação. Quase perdera Marguerite pela segunda vez.

"Acho que ela vai ficar bem" disse Challenger ajudando-o a colocá-la em uma cadeira.

Verônica entregou a Roxton um pano molhado do aparador para limpar seu rosto. Ele enxugou as lágrimas que haviam sido provocadas pela violenta náusea.

Marguerite conseguiu esboçar um pequeno sorriso e sussurrou: "O que aconteceu?"

"Não se lembra de nada?" Roxton perguntou.

"Lembro-me de beber um pouco de vinho à noite para tomar coragem antes de bater em sua porta. Então devo ter desmaiado. Isso é tudo que me lembro."

Roxton se virou para Lívia e perguntou: "De onde veio esse vinho, Lívia? Foi você quem o trouxe?"

Lívia começou a chorar novamente. "Sim, meu senhor, fui eu. Mas foi a rainha mãe quem me entregou e me disse para trazer para milady."

"Está tudo bem, não chore. Lívia, preciso que traga o rei e sua mãe aqui. Vamos tirar isso a limpo".

Ele virou para colocar ambos os braços em torno de Marguerite, puxando-a com força para ele. Ela descansou a cabeça em seu peito e cercada por sua força, em silêncio, chorou de alívio por ter sido salva, mais uma vez, pelo homem que amava. Desta vez, resgatada pelo homem que, sem saber, tinha conquistado seu coração desde o momento em que veio para o platô.

Naquele momento, Tristão e sua mãe entraram no quarto de Marguerite. Lívia já os havia informado sobre o que acontecera nesta manhã.

Roxton deixou Marguerite aos cuidados de Challenger, enquanto se levantou para impedir Tristão de tocá-la. "Que tipo de homem envenena a mulher que diz amar?"

Eleanora colocou-se entre os dois homens e disse corajosamente: "Ele é inocente. Meu filho não tem nada a ver com isso. Eu coloquei o veneno em seu vinho."

"Você, mãe?" disse com horror. "Você a envenenou? Mas por quê?"

"Eu não podia deixar que se casasse com alguém abaixo de você. Não poderia deixar que isso acontecesse outra vez."

"Outra vez? Está dizendo que teve algo a ver com a morte de Alyce?"

"Na noite antes do casamento, vi Alyce nos estábulos com seu amante que veio para levá-la embora. Mas ela se recusou a ir com ele. Ela queria o poder e para isso, precisava se casar com p rei Eu não queria que ela se casasse com meu filho."

"Mas o que dizer de Marguerite? Ela estava de partida com seus amigos esta manhã. Por que você quis que ela morresse?"

"Eu não sabia, Tristão. Eu estava lá na noite passada e a vi devolver o anel a você. Pensei que todos os meus problemas estivessem resolvidos, que ela iria embora. Então você deu o anel de volta e ela recolocou em seu dedo e eu acreditei que o casamento estava de pé. Eu não poderia deixar que isso acontecesse novamente. Ela não é digna de você. Eu não podia deixar você se casar com uma plebéia."

"Mãe, não posso acreditar no que estou ouvindo. Não sei o que dizer, mas talvez você deva ir para o seu quarto e decidiremos mais tarde como lidar com isso."

Eleanora recuou rapidamente para o quarto, feliz por estar longe do olhar hostil de Lord Roxton.

Tristão virou-se para Marguerite e tomou-lhe as mãos entre as suas. "Agora, preciso consertar o que minha mãe destruiu. Não fiz um trabalho muito bom na sua proteção, não foi, minha querida?"

"Tristão, como você poderia saber? Não é sua culpa" disse Marguerite com a voz ainda fraca.

"Mas eu sabia que ela não estava feliz com este casamento, e eu também sabia como se sentia sobre Alyce. Só não imaginei que ela faria algo tão hediondo como envenenar vocês duas. Não sei o que dizer, exceto que sinto muito que você tenha que ter passado por isso."

Ele se virou para olhar Roxton, que havia retomado sua posição protetora e possessiva ao lado de Marguerite, um gesto que era bastante óbvio aos olhos de Tristão.

John estendeu sua mão e disse baixinho "Marguerite, precisamos sair agora. Está pronta para voltar para casa?"

Ela segurou sua mão e não foram necessárias palavras para que ele soubesse sua resposta. Estava muito claro em seu olhar.


Mais tarde, naquela noite, eles acamparam para passar a noite na selva. Roxton, novamente, chamou Marguerite para dar uma volta, uma sugestão que ela ficou muito feliz em aceitar.

Eles haviam ido a uma curta distância do acampamento, quando ele encontrou o lugar certo para fazer uma parada, apenas o suficiente para sentir um pouco de privacidade para as palavras que queria dizer a Marguerite.

"Marguerite, quando pensei que você estivesse morta, eu não me permiti sentir nada. Eu não queria sentir nada. Então vi você correndo para mim ontem, e tudo o que eu sentia por você antes da explosão voltou. Eu te amo, Marguerite. Fui injusto com você na noite passada. Deixei meu orgulho ficar no caminho e me enganei. Prometo que nunca mais deixarei isso acontecer novamente."

Marguerite, tocada por suas palavras, colocou a mão em seu rosto, olhou nos olhos dele e disse: "John, parece que temos desperdiçado muito tempo mantendo segredos. Você é meu coração e minha alma. Não consigo me lembrar como era o meu mundo antes de te conhecer. E, o que houve na noite passada, já foi compensado pelo que aconteceu esta manhã."

"Então estou perdoado?" Disse em um sussurro.

Bem ao seu estilo e não querendo facilitar as coisas para Roxton, ela jogou a cabeça para trás virando os olhos para cima e disse brincalhona: "Bem, vou ter que pensar sobre isso".

Como ela começou a se afastar, John a puxou pelo braço, encostando-a contra a árvore mais próxima. "Pois não espere muito tempo, Srta. Krux. Posso mudar de idéia" disse com aquele sorriso inconfundível.

"Agora, John... Não me aperte" ela o alertou ofegante, levantando levemente seu rosto na direção dele.

Ele levou as mãos a sua longa trança e começou a desfazê-la.

"Talvez isso a ajude a mudar de idéia".

Roxton deslizava os dedos pelos cabelos de Marguerite, espalhando-os sobre seus ombros até que parecessem um manto de seda negra.

"Porque está fazendo isso, John?" Ela perguntou maliciosamente. "Você sabe que isso não é adequado a uma rainha."

Ele passou alguns instantes admirando sua obra e a visão encantadora que ela era, seu rosto brilhando. "Esta é a imagem que guardei em minha mente todas aquelas noites que passei sem você, e para mim, Marguerite, você sempre será um rainha".

FIM!