Capítulo 3 – A viagem

Pela manhã liguei para uma amiga da família, a senhora Hiuston, ela veio de bom grado me pegar em casa para me deixar no aeroporto de Dakota, que ficava a 3.600 km de Just Much. No caminho fomos conversando.

- Bella, porque resolveu viajar assim tão de repente? Cadê René? – Perguntou a senhora Hisuton.

- Minha mãe viajou a trabalho, ela resolveu finalmente escrever sobre os lugares que ela acha bonito. – Respondi para a senhora Hiuston enquanto dava adeus a minha casa.

- Não me lembro de René ter me dito nada disso, e olhe que eu era muito amiga da sua mãe. – Respondeu a senhora Hiuston.

- Pois é, ela me dizia isso quando era criança, agora isso entrou na mente dela de novo e vai lé entender a minha mãe não é? – Eu respondia de cabeça baixa.

- Mais Charlie deve ter ficado feliz por ter você em casa não? – Perguntou a senhora Hiuston.

- Sim, o Charlie é muito solitário, e minha mãe já havia avisado a ele antes que eu iria assim que ela viajasse. – Respondi.

- Que bom, quer ouvir alguma coisa querida? – Perguntou a senhora Hiuston sorridente.

- Sim por favor, a senhora poderia colocar este cd? – Perguntei a senhora Hiuston com o cd em mãos.

- Claro minha querida. – Respondeu a senhora Hiuston colocando o cd no som do carro.

- Obrigada. – Agradeci com um sorriso forçado.

Fui até o aeroporto ao som de Debussy, o cd que minha mãe sempre colocara para que eu dormisse quando era pequena e estava sem sono. Aquele cd me trazia lembranças intensas de René, principalmente da noite que a vi morrer nos braços daquele rapaz. Então, minha mente mudou de rumo e eu me perguntava quem seria aquele rapaz, se ele havia realmente trabalhado com René antigamente, era muito novo para isso, eu daria a ele uns 20 anos ou menos, mas agora eu não tinha como saber, estava longe demais, e nem sabia se ele ainda estava vivo uma hora dessas.

Quatro horas de viagem, e eu estava finalmente no aeroporto de Dakota, desci do carro e retirei as malas do porta malas do carro azul da senhora Hiuston, e então me dirigi para agradece-la.

- Obrigada senhora Hiuston pelo favor. – Agradeci com um sorriso forçado.

- De nada minha querida, conte sempre comigo e me ligue para dar notícias. – A senhora Hiuston retribuiu meu sorriso num tom ardente e me deu tchau partindo.

Entrei no aeroporto e segui ao meu portão de embarque, sentada na terceira classe do avião, foi o que meu dinheiro de economia de 4 anos deu pra pagar que sobrasse dinheiro para mim, abri a janela para ver os arredores de Dakota mais uma vez antes de nunca mais voltar ali. De repente senti uma mão em meus ombros, era uma aeromoça dizendo que estávamos em Seatle, e eu nem havia percebido que tinha dormido duas horas de viagem de avião. Quando desci do avião fui pegar minhas malas e ao chegar na porta do aeroporto vi uma picape parada na porta do local e um homem descer lá de dentro.

- Bells. – Disse Charlie vindo em minha direção.

- Oi pai, cadê a viatura? – Perguntei surpresa.

- Está em casa, ela quebrou hoje cedo, então peguei a picape do Newton para vir busca-la – Respondeu Charlie pegando minhas malas.

- Ah, então ta certo. – Respondi entrando na cabine da picape.

Charlie entrou e começou a dirigir. De Seatle até Forks eram 2.000 km de viagem de carro. A picape até que era rápida, e quando chegamos a entrada de Forks pude ver aquela camada de chuva de sempre da cidade e sentir os pingos da chuva entrando pela minha janela aberta da picape, então a fechei logo em seguida.

- Chegamos a Forks. – Eu disse quando fechei a janela.

- É, chegamos querida. – Respondeu Charlie entendendo que falei por causa da chuva, e ele sabia que eu detestava chuva.

- Logo estaremos em casa? – Perguntei a Charlie.

- Mais uns 30 minutos e sim, estaremos em casa. – Respondeu Charlie quase que timidademente.

Assim que chegamos em casa, subi as escadas com algumas de minhas malas e Charlie com as outras. Me instalei no quarto e coloquei minhas coisas nas prateleiras esvaziadas do banheiro, então fui guardar as malas em algum lugar do meu pequeno quarto, mas antes disso, pude perceber que Charlie só havia trocado o berço por uma cama, afinal eu não era mais o bebê que saiu de lá com minha mãe, mais fora isso, tudo era do mesmo jeito, os móveis, os meus desenhos colados no quadro, a cor das cortinas, exatamente tudo. Me sentei na cama maravilhada, como aquele quarto me lembrava a René e todo o meu quarto em Just Much, a cor das cortinas, dos móveis, eram muito parecidos até no design, mas as cores suaves eram as mesmas, exatamente as mesmas.

Depois de tudo arrumado, peguei o livro que ficou sob minha responsabilidade nas mãos, pensei onde poderia esconder e não vi lugar melhor do que embaixo de uma madeira solta no meu quarto, então peguei um pequeno ferrinho com ponta afiada e tirei a madeira, enrolei o livro em um plástico e o coloquei lá dentro, coloquei a madeira de volta e me deitei na cama para dormir, porque desde que havia chegado só tinha tido tempo para arrumar as minhas coisas, e no outro dia eu ia entrar em uma escola nova.