"Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.." Oscar Wilde.
Você se lembra do seu primeiro corte? Você lembra o quanto doeu? Você lembra o quanto foi prazeroso? Você lembra a sua vontade de mais daqueles risquinhos finos? Você lembra de quando parou? Ou você não parou? Vicia.
Eu lembro. Eu lembro vagamente. O meu desespero escondido por trás dos sorrisos, a morte me fazendo uma visita tentadora. Desespero. Você quer tanto morrer que ideias loucas passam pela tua cabeça ingenua. Você quer tanto morrer que você tira aquela lamina do barbeador. Você se depara com aquela coisinha prateada que faz um bem terrível. Você a encara. Você pensa bem como fazer. Você não sabe como fazer. Onde cortar? Onde? Onde está o manual de instruçoes de como se suicidar? Internet. Você nasce sabendo como se matar, não precisa de internet. O corpo humano sabe o que fazer com aquela lamina. Você se corta. O primeiro corte. Você vê o sangue escorrendo. Você fica com medo. E se alguém descobrir? Você fica assustada. É muito sangue. Você quer mais. Você sente a dor que aquele pequeno risco faz. Você vê o sangue. Você o acha lindo. Você esqueçe da dor interior que te fez fazer aquilo. Você quer mais. Você sempre quer mais. Você não consegue parar. Você sempre diz "dessa vez eu vou parar". Você nunca para. Algumas pessoas se viciam em drogas. Outras em alcool. Outras em nicotina. Outras em se auto-mutilar.
Endorfina. Se cortar libera endorfina. Endorfina te traz prazer. Por isso aquilo que devia doer, se torna prazer. Endorfina. Amar alguém te faz liberar endorfina. Endorfina te traz prazer. Por isso aquilo que devia ter prazer, doí. Você se corta porque você ama. Você ama algo que foi perdido. Você ama sua vida que fugiu de dentro de ti. Você ama seus pais que te rejeitam. Você ama alguém que te iludiu. Você ama um amigo que te enganou. Você ama algo. Você sempre ama algo. Você sempre perde algo.
Homens se suicidam por dinheiro. Mulheres se suicidam por homens. Mulheres são mais fáceis de se salvar do que homens. Homens tentam se suicidar menos que mulheres. Mulheres são desesperadas. Mais mulheres tiram sua vida do que homens. 35 pessoas, em média, por ano tentam se jogar da ponte do Brooklyn. 24 delas são mulheres. 16 pessoas se jogaram da ponte do Brooklyn para uma eternidade mórbida. Mais de 2 mil pessoas por ano tiram sua propria vida. A maioria entre 14 á 44 anos. A maioria por um coração partido. Esses são os números registrados, apenas.
Eu estava no banheiro da minha casa. Eu aceitei tomar café com Sasuke, mas estava prestes a desistir. Não sabia me comportar em um encotro, nunca soube, sou desastrada, sem assunto, introvertida. As pessoas naturalmente já não gostam de mim. Eu dou mais motivos para elas não gostarem de mim.
Hoje, teria uma consulta rápida de algumas horas no terapeuta de sempre, desmarcada, qualquer coisa, Sasuke aturaria meu clichê repetitivo de como odiava minha vida.
As marcas no pulso estavam recentes.
A dor nunca, realmente, me deixaria em paz.
O médico ainda assim não me reçeitou pilulas anti-depressivas. Eu disse á ele que nunca mais voltaria ao seu consultorio. Eu voltei na semana seguinte. Eu pago 100 dolares por hora para poder desabafar as mesmas coisas. Eu preciso desabafar com alguém o que eu vejo todos os dias.
Quer saber o meu problema?
Eu não me contento só com a bosta da minha propria dor. Quando as pessoas que estao proximas a mim se machucam, eu me machucho também. Quando alguém se joga na minha frente, é como se eu tivesse absorvido a sua historia pra mim. Eu sabia de tantos medos. Eu tinha tantos medos. Tantos medos que nem eram meus.
Eu não me importava.
Eu me importo agora.
Eu não deveria me importar.
Passei meia hora no metrô, adorava andar de metrô, adorava ver o comportamento das pessoas, não é a toa que me formei em psicologia, mas nunca cheguei á abrir uma cliníca ou algo assim, talvez algum dia, se eu realmente tivesse paciência para entender as pessoas.
Eu quase não me entendo.
Consultei o relogio, 13:20, ainda faltava 10 minutos para o tal "encotro", ok, você iria tomar um café e depois ir embora o mais rápido possivel, sem contato fisico, fale o menos possivel — repassei isso tudo em minha cabeça, antes de apagar o cigarro e entrar no café com decoração anos 80 ( bem desgastada, por sinal).
Então lá estava ele.
Sasuke acenou discretamente pra mim, enquanto eu caminhava em direção as poltronas vermelhas e sentava em frente a ele.
Então ele sorriu, e mais uma vez, eu sorri quando ele sorriu, automaticamente, e por mais clichê que seja e por mais que eu não tenha percebido naquela época, o sorriso do Sasuke provocará o meu, sempre foi assim, sempre vai ser.
Olhei ao meu redor, o lugar estava praticamente vazio e na jukebox tocava algo que me pareçia Billie Joe, talvez.
— Estou em desvantagem — Voltei minha atenção á Sasuke e arqueei uma das sombracelhas — Você sabe meu nome. Eu sei só seu sobrenome.
— Me surpreenderia... se não soubesse — Eu fiz uma pausa para pedir um café expresso para uma das garçonetes com patins que passava por ali alheia com um olhar que demonstrava tédio — Hinata. Meu nome é Hinata.
— Qual sua descendência?
— Eu?... Familia natural do Japão.
— Grande coinscidência. Também sou natural do japão, digo... Meu pai apenas.
— Sério? — Suspirei, enquanto brincava com o guardanapo, lembrar do meu pai me causava enjoo.
— Você ofereçe jantares para todos os suicidas que encotra pelo caminho querida Hyuuga? — Não pude deixar de arquear as sombracelhas e muito menos segurei o risco de sorriso que se formou ao ouvir o pequeno e quase invisivel querida, antes do sobrenome que me pertencia.
— Tenho uma atração.. morbida por suicidas.
— Só não entendo porque — Eu esperei ele continuar, ouvi ele pedir um franpuccino para a moça que veio deixar meu café, escaldante e amargo para me manter de pé mais algumas horas.— Uma suicida quer salvar outros suicidas.
— Eu salvo os outros para poder me salvar.
— Um anjo?
— Não chego perto de algo divino — Eu o sorri. Beberiquei meu café. Ele bebericou o seu. Nos encaramos. Eu odiava que alguém me encarasse.
— Talvez... você precise de alguém pra lhe salvar — Eu não consegui ok? Era uma cantada terrivel e eu tive que rir, uma gargalhada que eu não dava á um longo tempo — E nossa, você tem um sorriso lindo.
— Tenho? — Sabia que um risco de sorriso ainda me cobria o rosto ao abaixa-lo, minimamente corada.
— Você salva muitas pessoas?
— Quando posso.
— Muitos suicidas? — Ele fez uma careta, para logo apos, colocar algumas colheres de açúcar a mais. — Quantos mais ou menos por mês?
— Em média, 06 por mês. Em média 03 sobrevivem. Os outros, você sabe.
— Acha que eles vão para o inferno?
— Você saberia disso se tivesse pulado — Segundos apenas, para que eu pudesse dar-me conta da frase que tinha soltado, os olhos, sei que arregalaram, e o que antes era apenas um rubor nas bochechas, também sei, por sentir o rosto queimar que havia se tornado extremo vermelho.
Ele, por sinal, soltou um sorriso divertido e se ajeitou na poltrona.
Conversamos por horas á fio, descobri seu filme favorito, o seu endereço, que ela era hippie quando tinha 15 anos e costumava viajar o mundo todo, descobri que aquele café com aparência desgastada era dele, descobri que ele me faz sorrir demais, descobri sua mania de arquear as sombracelhas quase sempre descobri que ele tem um efeito gostoso sobre mim quando segurou a minha mão e me abraçou quando eu tive que ir embora. Mas o que ainda me atormentava a cabeça e me formava labirintos era entender aqueles tais olhos, entende-lo, eu queria descobrir o porque de sua quase-morte.
Ok, tá ai, espero que tenham curtido, minha Hyuuga e meu Sasuke.
Sem muito o que falar, 04:17 da manhã, não consigo dormir, não me deixam dormir ç_ç to in love gente ~sorriso bobo~ essa fanfic vai ser mais romântica do que eu planejava por isso k aiai
Reviews? xoxo.
