Disclaimer: Quadribol e o mundo de Harry Potter no geral pertencem a J. K. Rowling. No entanto, 90% dos personagens dessa história foram inventados por mim assim como muitos lugares mágicos que estão aqui presentes e não nos livros de Rowling vieram de minha mente insana por quadribol.

I

Puddlemere United

"United, united, united we stand!

United we never shall fall!

United, united, united we stand!

United we stand, one and all!"

Era o que cantava a massa gigante azul-marinho no estádio de Puddlemere na Inglaterra. Era a torcida do União que entoava um de seus cânticos preferidos para animarem o time, e parece que estava funcionando perfeitamente. O União ganhava do Morcegos de Ballycastle por 120 x 20 e só haviam se passado 40 minutos de jogo. Nesse instante, o Morcegos vinha acelerado para o ataque com o objetivo de diminuírem a diferença no placar. Trocavam bons passes e o trio de artilheiros era eficiente, mas então por que só haviam marcado duas vezes na partida?

Terry McCalister, um dos artilheiros e o capitão do time original da Irlanda do Norte, entra na área de gol e faz um forte arremesso no aro da direita. Era inútil. Lá estava Olívio Wood, goleiro do União, para fazer a defesa.

- Esse cara não deixa passar nada? – indagou-se McCalister.

Olívio Wood faz um lançamento longo para um dos artilheiros de seu time, mas a rebatida certeira de um dos batedores do Morcegos faz ele perder a posse da goles e levar o time de Ballycastle para o ataque mais uma vez.

- OLÍVIO WOOD DEFENDE NOVAMENTE! – era a voz do narrador da partida que ecoava pelo estádio. – PARECE QUE NÃO HÁ ARREMESSO QUE ESSE OLÍVIO NÃO CONSIGA PEGAR.

Fato é que esse era o primeiro jogo de Olívio Wood na sua carreira como profissional. Há alguns meses, o União de Puddlemere o contratou para o time de reservas e depois de ótimos desempenhos em treinos e cinco partidas seguidas de decepções com o goleiro titular, esperava-se que o capitão do time lhe desse uma oportunidade para figurar como titular em uma partida da Liga Britânica. O problema é que o capitão do time é também o goleiro titular que recusa a aceitar maus comentários sobre suas performances. Olívio só estava jogando aquela noite porque Glen Matthews, o dito capitão e goleiro titular, decidiu que "precisava de uma folga".

A partida segue violenta por parte dos batedores do Morcegos, no entanto Olívio continua fechando os aros de gol e 30 minutos depois o União havia marcado mais duas vezes e o Morcegos apenas uma.

Naquele momento, o pomo de ouro foi avistado pela segunda vez e McKinnon, apanhador do time adversário, quase faz a captura. Graças à habilidade de Bulstrode no bastão para o União, um balaço atingiu o apanhador durante a perseguição ao pomo e a bolinha desapareceu.

O Morcegos agora atacava com ferocidade e conseguiram arrancar mais dois gols de Olívio que por pouco não defendeu.

Enquanto isso, a torcida do time da casa agora cantava o hino do clube "Rebatam esses balaços rapazes, e joguem essa goles para cá!"

Isso serviu para reanimar o trio de artilheiros do União, que marcou três vezes nos 10 minutos seguintes.

- O JOGO ESTÁ INCRÍVEL! – continuou a narração. – QUEM PODERIA ACREDITAR QUE O NOVATO OLÍVIO WOOD ESTARIA SE SAINDO TÃO BEM. NÃO ACHO QUE VAI DEMORAR MUITO PARA ELE SER COLOCADO NA POSIÇÃO DE TITULAR.

Na cabine da diretoria do União nas arquibancadas, Glen Matthews ouvia esses comentários com a cara amarrada.

Após aquele jogo contra o Morcegos de Ballycastle, que acabou se tornando uma vitória para o União, Olívio Wood não voltou mais a jogar como titular por mais de 3 meses. Glen Matthews não parecia disposto a tirar mais uns dias de folga. Queria demonstrar suas habilidades para garantir sua posição de titular. Porém, a crítica desportiva não estava pegando leve com ele. Todos ficaram muito impressionados com o desempenho de Wood e começavam a dizer que a diretoria do clube deveria destituir a posição de capitão de Matthews.

O problema é que Matthews era primo de dois dos membros da diretoria e afilhado de outro. É claro que os jornais ligaram isso ao fato dele continuar titular e capitão e passaram a dizer que aquilo era trapaça.

- O que tem a dizer sobre o boicote que está sofrendo no União, Wood? – perguntavam os repórteres ao jovem jogador.

No início ele ficou na sua e não fez comentários para não encorajar os boatos. Recusava-se a dar entrevistas sobre o assunto e não parecia concordar com a opinião geral dos jornais. Mas, enquanto seus desempenhos nos treinos só melhoravam e os de Matthews só caiam, ele começou a se questionar se não estava sendo enganado pela diretoria. Mary Grey, uma das artilheiras do União, um dia fez-lhe o seguinte comentário nos vestiários quando todos já haviam saído e só os dois haviam ficado:

- É claro que a diretoria está te sacaneando pra beneficiar o Glen. Ele nem é um capitão tão bom assim e suas habilidades como goleiro são muito questionáveis. Nosso time está sofrendo por causa disso. Fomos eliminados da Taça da Europa por causa dele e também não estamos bem na Liga Britânica! O União precisa de você Olívio.

- E o que é que eu posso fazer?

- Confronte a diretoria! Dê as entrevistas que vem recusando e diga a verdade!

E foi o que Olívio fez. Sua entrevista vendeu milhares de exemplares de jornais por toda a Europa e chamou a atenção de times estrangeiros. Um dos membros da diretoria do Furabolas de Quiberon, da França, havia assistido ao seu jogo contra o Morcegos de Ballycastle e depois disso passou a assistir alguns treinos do União secretamente. Ele estava interessado no garoto, principalmente porque o goleiro titular do Furabolas estava para se aposentar e eles estavam sem reserva, pois o antigo fora jogar no Quadribol do Canadá.

Eles fizeram uma proposta informal a Olívio, mas ele recusou, dizendo que tinha paixão pelo seu clube atual e que queria dar ao time mais uma oportunidade de deixá-lo jogar.

Ele foi ter com a diretoria do União e lhes contou que havia sido procurado pelo Furabolas, mas que queria ficar no clube, desde que eles o dessem mais oportunidades.

- Deveria ter ido. – disse Austin Downing, o padrinho de Glen, com um sorriso malicioso no rosto. – Você não entende que aqui no União não terá chances? Você é só uma peça usada para treinar nossos artilheiros titulares.

Aquilo foi a maior ofensa que Olívio poderia ter ouvido. Outros membros da diretoria não pareciam compartilhar da mesma opinião de Downing, mas os galeões que ele lhes fornecia para manter Matthews no time falavam mais alto em seus pensamentos.

Wood então deu um basta àquela palhaçada e entrou em contato com o Furabolas. Partiria para a França no dia seguinte se pudesse, só bastava organizar sua mudança. Não seria fácil ir morar em outro país, sozinho, longe da família, mas o Quadribol era sua paixão e ele faria tudo por ela.

Infelizmente o período de transferência de jogadores para clubes internacionais ainda não estava aberto e ele teria que esperar o final da temporada. Só faltava um mês para que isso acontecesse.

A torcida do União ficou louca quando soube que Olívio iria embora. Em protesto à diretoria do clube, nem um torcedor foi ao estádio em Puddlemere gritar pelo time nos dois jogos que ainda faltavam pra o fim daquela temporada. O União acabou em oitavo lugar na Liga. A pior participação do time nos últimos 30 anos.

Dias antes de pegar a Chave-de-Portal no Ministério da Magia que o levaria a França, Wood deu uma entrevista ao Quadribol Agora, um programa na Rádio Bruxa inteiramente voltado para o esporte, pedindo aos torcedores do União que não deixassem seu amor pelo clube se abalar.

- Você acha que um dia voltará a jogar pelo União, Olívio? – perguntou-lhe o apresentador do programa.

- O que sinto pelo clube não se abalou, mas jogar novamente em Puddlemere, acho que posso te jurar que nunca mais farei isso. – respondeu Olívio.

Chegaria ainda o dia que Olívio viria a quebrar esse juramento.

N/A: O primeiro capítulo está meio corrido. Ele na verdade era o prólogo da história, mas resolvi escrever parte da final da Copa Mundial de 2002 e usar aquele material como prólogo, até para dar um gostinho do que ainda tem por vir.