Disclaimer: Quadribol e o mundo de Harry Potter no geral pertencem a J. K. Rowling. No entanto, 90% dos personagens dessa história foram inventados por mim assim como muitos lugares mágicos que estão aqui presentes e não nos livros de Rowling vieram de minha mente insana por quadribol.

II

Quiberon Quafflepunchers

Era sábado de manhã e o time francês do Furabolas de Quiberon treinava arduamente. Metade do time usava o uniforme rosa – choque do clube e a outra também, mas com um colete verde florescente por cima. Os coletes serviam para diferenciar o time de reservas do time de titulares. Em um dos extremos do campo, Olívio Wood divertia-se com o uniforme rosa – choque e seu colete de reserva florescente.

Não havia, no entanto, muito tempo para divertir-se com as cores de sua vestimenta pois o capitão e um dos artilheiros do time titular, Bernard Cloud, aproximava-se com a goles. Era a hora de ele mostrar ao seu novo time o porquê de ter sido contratado.

Cloud arremessa no aro contrário ao lado em que se aproximava. Ótimo arremesso. Com a força e o ângulo certos. Olívio se esticou todo, a goles resvala na ponta de seus dedos, mas entra.

- Droga. – disse ele, para si mesmo.

- Jamais conseguirá me derrotar estando cara a cara comigo. – disse Bernard em francês fazendo uma cara de poucos amigos para Olívio, que não compreendeu exatamente o que ele disse, mas sim a mensagem.

A expressão de Bernard fora a mesma para seu goleiro reserva desde o início da semana, quando o inglês juntou-se a eles para o primeiro treino da temporada 1995/1996. Bernard não parecia contente de o time contratar um estrangeiro e Olívio não foi bem-vindo por ele. Os batedores Brunot Burnier e Daniel Collet também não foram muito agradáveis com o inglês, mas o restante da equipa pareceu receptiva.

Após o treino de sábado de manhã, o time voltou aos vestiários para uma palestra de geralmente meia hora pelo capitão Cloud. Ele explicava com uma miniatura de campo de Quadribol e de jogadores, magicamente animados e falava em francês. Olívio não entendia nada do que ele estava falando, mas podia entender perfeitamente os esquemas que ele fazia na maquete mágica. Mesmo assim, Charlote Desiré, a apanhadora titular do time, ficava cochichando as traduções em seu ouvido.

Desiré era baixinha, de cabelos loiros e olhos verdes. Tinha sardinhas na ponta do nariz que Olívio achou estranhamente sexy.

Aquilo, no entanto, parecia atormentar Bernard seriamente, pois após alguns minutos virou-se para a jogadora e disse-lhe irritadamente alguma coisa em francês. Depois daquilo, Desiré levantou uma sobrancelha para Olívio, como quem diz "desculpe" e parou de traduzir a palestra em seu ouvido.

Com o fim daquele treinamento tático, os jogadores se juntavam para almoçar no Frontin's, o restaurante do estádio. Olívio ainda não sabia disso, pois aquele era seu primeiro fim de semana como jogador do clube. Foi a própria Desiré quem o convidou.

- Ei, Wood. – ela era a única que o chamava assim. Todos os outros chamavam-no de angliche, ou inglês. – Nós sempre vamos ao Frontin's, o restaurante aqui do estádio, após os treinos de sábado. Você vai, não é?

- Claro. – respondeu Olívio. – Estou morrendo de fome.

O restaurante do lugar tinha um tamanho razoável e ficava aberto sempre que o estádio estava aberto a turistas e aos fãs do Furabolas que gostavam de visitar o estádio mesmo quando não tinha jogo. Ele ficava no saguão de entrada, ao lado do museu do time. A sala de troféus ficava um pouco mais a direita.

Os jogadores tiveram que juntar cinco mesas para que todos pudessem se acomodar. Eles gostavam de almoçar assim. Todos juntos em uma grande mesa. Desiré sentou ao lado de Wood e pediu cuisses de grenouilles sem nem ao menos olhar o cardápio.

- O que é isso que você pediu? – perguntou-lhe Olívio.

- Coxas de rãs. – respondeu ela, sorrindo.

Olívio fez cara de que passaria mal só de ver tal prato e deu uma olhada em suas opções. Acabou por pedir uma comida que já conhecia: Coq ao vin, ou galo cozido no vinho tinto.

- E então, o que tem achado da França, Wood? – perguntou-lhe a apanhadora titular.

- Adoro esse país. – disse Olívio. – Vim aqui umas duas vezes com meus pais. Uma quando era criança e a outra durante as férias de Hogwarts. Aliás, você tem um inglês ótimo, sabia?

- Meus pais são britânicos. – disse Desiré. – Meu pai é de Londres apesar de ser descendente de franceses e minha mãe é de Gales, estudaram juntos em Hogwarts. Se mudaram para cá quando minha mãe engravidou. Com Você-Sabe-Quem no auge do poder, não quiseram me criar na Inglaterra e fugiram. A família do meu pai morava quase toda aqui, sabe? Quando ele caiu, já tinham toda uma vida montada aqui na França e não quiseram voltar.

- Então você estudou em Beauxbatons?

- Sim. Eu tinha vaga em Hogwarts, mas eles não quiseram me mandar para tão longe. Estavam certos. Seria muito complicado vir para casa nas férias, além do mais, minha vida e a deles é na França agora. Não tenho nada contra a Inglaterra, mas amo meu país e não pretendo sair daqui.

Ela lhe sorriu.

Os dois conversaram pelo que pareceram horas rindo de se acabarem, mas na verdade foram apenas uns vinte minutos até que o garçom trouxesse os pratos.

Olívio acabou por experimentar uma das coxas de rã que Charlote o ofereceu e a achou bastante apetitosa. Após a sobremesa ( quase todos comeram Mousse de Chocolate ), beberam vinho tinto e conversaram animadamente sobre suas esperanças para aquela temporada.

- Pom trreino, angliche. – Disse a maioria do time a Olívio (os que não pareciam ter problemas com o fato de ele ser estrangeiro) quando se despediam já quase no fim da tarde. Bernard Cloud não foi um desses. Olívio reparou que ele lhe lançou vários olhares maldosos durante todo o almoço e a tarde. Não pareceu gostar da amizade que surgia entre ele e Charlote.

- Quer ir a uma boate hoje à noite? – perguntou-lhe Desiré. – Eu, a Gabrielle, a apanhadora reserva, o Bernard e os artilheiros Aaron e Nicole do time titular também vão.

- Claro, onde é?

- É meio difícil de explicar. Você está ficando onde?

- Ainda não arrumei um lugar certo para morar. Estou hospedado no Sorcière.

- Sei onde ele fica. Eu passo lá para te buscar e nós vamos juntos. Qual o número do seu quarto?

- Quarto 3.

- Às 10 então está bom?

- Está ótimo. – disse Olívio.

- Ok, então até lá. – E despediu-se dele com um beijo no rosto que deixou o jogador britânico com as orelhas vermelhas. Depois afastou-se com Bernard e os dois foram conversando em francês. Olívio pode distinguir a palavra "angliche" no meio da conversa deles, quando o capitão lançou-lhe mais um olhar de desconfiança antes de desaparatar junto com a garota.