Disclaimer: Quadribol e o mundo de Harry Potter no geral pertencem a J. K. Rowling. No entanto, 90% dos personagens dessa história foram inventados por mim assim como muitos lugares mágicos que estão aqui presentes e não nos livros de Rowling vieram de minha mente insana por quadribol.
III
Na boate
Quando chegou a seu quarto no hotel bruxo Sorcière, Olívio bateu na cama e dormiu sem nem mesmo tomar um banho. Tinha bebido muito vinho e não estava acostumado com isso. Acordou por volta das 9 da noite com uma ligeira dor de cabeça. Precisaria fazer uma poção analgésica para se sentir melhor. Pegou então seu kit de ingredientes para poções, misturou uma coisa aqui e outra ali, depois jogou tudo em água fervente, esperou esfriar um pouco e bebeu. Em instantes estava se sentindo melhor, mas a sua aparência ainda era de quem acabara de acordar com uma terrível ressaca.
Tomou um banho e se ajeitou. Às 10 em ponto, alguém bateu na porta e ele foi atender.
- Ah, Gabrielle, olá. – disse Olívio à garota para quem abrira a porta. Ela tinha cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Era um pouco mais baixa que ele e, na opinião de Olívio, um pouco menos bonita que Charlote e era a apanhadora reserva do Furabolas.
- Parrece dessapontad. – disse ela entrando em seu quarto, falando em inglês com um sotaque fortíssimo. – Esperrava porr Charlote, non é? Él e Bernard tiverram um desentendimente e él me pediu que viesse te buscarr.
- Tudo bem. Vamos então?
- Vamos. – disse a apanhadora reserva aproximando bastante seu rosto do de Olívio, deixando-o vermelho, mas depois se afastou e saiu do quarto. Wood a acompanhou. Ele a achou bem atiradinha.
- Vamos andando. Non é longi daqui.
- Os trouxas não vão desconfiar das nossas roupas? – perguntou Wood.
- Estamos na Frrance. Ningám vai reparrá em suas roupas. Vaum pensarr que é alguma moda nova.
Os dois saíram do hotel e Wood a acompanhou pela calçada. Caminharam lentamente e Wood começou a ficar ligeiramente sem graça, pois a garota não parava de lhe lançar olhares e risadinhas.
- Então... o que há entre a Charlote e o Cloud? Eles são namorados? – perguntou Olívio como uma forma de iniciar uma conversa, mas também porque aquela pergunta estava entalada em sua garganta desde que vira os dois indo embora juntos àquela tarde.
- Ah, non... Son prrimos distantes, mas forram crriados juntos. Gostou dela?
- Não... não... quero dizer, não é isso que está pensando.
Gabrielle riu da falta de jeito do outro.
- Deixo alguma namorrada na Inglaterr?
- Não, não é isso. – foi tudo o que Olívio respondeu.
Depois de alguns minutos de constrangimento, Gabrielle disse:
- Estamo chegando.
- Onde exatamente fica essa boate? – perguntou Wood.
- Ningam sabe ao cerrto. Há várrias entrradas pur tod la Frrance, mas que son apenas porrtais que nos levam a boate. Alguns pessoas dizam que ela fique na lue.
- Na lua? – perguntou Olívio, confuso.
- É. Clarro que son só histórrias inventadas parra atrrair mais clientes.
Gabrielle então o conduziu a um beco sem saída e sem nenhuma iluminação. Por precaução, Olívio resolveu segurar a sua varinha dentro do bolso interno de seu casaco, caso precisasse. Havia muito lixo jogado no chão ali, e algumas coisas pareciam se mover às vezes. Provavelmente eram apenas ratos, mas precaução nunca era demais.
- É aqui. – disse a garota apontando para a entrada lateral de um prédio praticamente abandonado ao final do beco.
Eles entraram no que parecia ter sido um hotel razoavelmente luxuoso há meio século. Hoje o balcão da recepção estava vazio e rachado ao meio. Havia um sofá no saguão de entrada que agora parecia com um ninho de ratos. Gabrielle levou-o ao elevador do lugar. Tal máquina dos trouxas não parecia que se movia havia várias décadas.
- Tem certeza de que isto funciona? – perguntou Olívio, quando os dois já estavam dentro do elevador e a garota apertava o botão que correspondia ao 13º andar.
- Clarro que non... – disse ela sorrindo. Então a porta se fechou e houve um solavanco. Gabrielle abraçou Olívio fingindo ter levado susto, mas completamente acostumada com os solavancos daquele elevador. Olívio levou seus braços ao redor do corpo da menina em um instinto de protegê-la, não porque queria se aproveitar da situação, mas apenas o que teria feito se fosse qualquer outra pessoa ali no lugar dela.
Então a porta do elevador se abriu e um grupo de jovens aguardava diante deste pela chegada justamente de Olívio e Grabrielle. Charlote, a mais próxima do elevador, levantou a sobrancelha direita em uma expressão de surpresa ao ver os dois companheiros de time abraçados daquela forma.
- É isso aí, angliche! – disse Aaron Reverbel, artilheiro titular do Furabolas, sorrindo para o goleiro reserva, julgando a posição de Olívio e Gabrielle como a de um casal que acabara de dar uns amassos. Sua namorada, Nicole Rousseau, deu-lhe um tapa no braço como forma de reprovação ao comentário, mas ria como quem concordava com a opinião de seu parceiro. Bernard pareceu indiferente a isso tudo.
- Non é nad disso que vocês eston pensando. – disse Gabrielle, saindo do elevador com um sorrisinho no rosto.
- Olá. – disse Olívio, muito sem graça, aos companheiros do time.
Com certeza não estavam mais no prédio ao qual aquele elevador originalmente pertencia. O lugar em que estava agora tinha uma área quadrada bem maior do que um dos andares daquele hotel. Ele se encontrava naquele momento no que parecia ser o Hall de Entrada da boate. Havia outras quatro portas de elevadores ao lado daquela pela qual Olívio acabara de sair e cada uma dessas tinha o nome de uma cidade da França escrita em uma plaquinha sobre elas. Na que correspondia ao elevador que acabaram de usar estava escrito "Quiberon".
O Hall de entrada era como um corredor não muito largo, mas com uns 20 metros de comprimento para frente, onde dava no que parecia ser uma bilheteria com uma fila de tamanho razoável. Porém, sobre as cabeças dos jovens bruxos que esperavam para entrarem na boate, Olívio podia ver parte do interior do lugar. Parecia ser maior do que um campo de quadribol. Era iluminado por archotes presos nas paredes de pedra, mas as chamas ali acesas não permaneciam na cor normal alaranjada de fogo, mas mudavam constantemente de laranja para amarelo, azul, verde, roxo e por aí vai.
- Desculpe não ter podido ir te buscar. – disse Charlote a Olívio, um pouco seca. – Mas acho que você se divertiu com a Gabrielle, não é?
- Não... você está confundindo tudo. Não aconteceu...
- Olívio, você não precisa me explicar nada... – disse a garota, agora em um tom mais descontraído, até lançando-lhe um sorrisinho. – Não temos nada um com o outro. Agora vamos para a fila da bilheteria, se não agente só vai conseguir entrar lá dentro depois da meia-noite.
Charlote exagerou um pouco quando falou sobre o tempo de espera na fila. A venda das entradas (que custavam sete sicles) era bem rápida, só o que parecia demorar um pouco mais era a inspeção, pela qual tinham que passar dos seguranças do lugar que usavam um sensor de segredos para procurarem por qualquer objeto das trevas que alguém pudesse tentar levar para dentro da boate.
Já lá dentro, o grupo seguiu para o grupo de mesas que ficava próximo ao bar. No centro havia uma pista de dança com muitos bruxos dançando uma música agitada que vinha do palco mais além, onde uma banda tocava com instrumentos mágicos e não elétricos.
Quase não havia mesas vazias próximas ao bar, mas eles conseguiram se ajeitar em uma das últimas desocupadas.
- Vou pegarr as bebids. Olívio me acompanhe? – perguntou Gabrielle.
- Ah... tudo bem. – disse o inglês.
Todos pediram cerveja amanteigada, menos Bernard que pediu vinho (falou em francês. Parecia se recusar a falar inglês especialmente por causa de Wood. Os outros pareciam contentes por poderem praticar conversação no idioma estrangeiro).
Quando voltaram à mesa trazendo as bebidas, começou uma música agitada das Esquisitonas.
- Eu adorrar esse música.- disse Gabrielle, entregando a taça de vinho a Bernard. – Vamos dançarr, Olívio.
A garota puxou-lhe quando estava prestes a sentar de volta em sua cadeira e ele quase caiu. Quando chegavam à pista de dança, olhou para trás e viu Charlote desviando o olhar que parecia ter estado sobre ele e Gabrielle.
Olívio até que não dançava muito mal e resolveu curtir aquele momento com Gabrielle. Afinal, o que é que estava acontecendo? Por que ele não parava de se preocupar com o que Charlote pensaria sobre ele e a apanhadora reserva?
Sua parceira de dança era bem sedutora, mas Olívio não conseguia parar de pensar em Charlote. Ele lançou mais um olhar para a mesa onde seu grupo estava, mas a garota havia saído. Teria ido ao banheiro? Teria ido embora? Então ele a avistou. Alguém havia a convidado para dançar e ela se encontrava agora com esse parceiro de dança a poucos metros de onde ele e Gabrielle se encontravam.
Sentiu algo estranho no estômago. Um frio na barriga. Seriam ciúmes? Por quê? Ele mal conhecia Charlote. É claro que ela era linda e ele tinha se sentido atraído por sua beleza. Mas Gabrielle também era.
Só há uma maneira de responder a essas perguntas que estão em minha cabeça, pensou Olívio. Então deu um beijo em Gabrielle. Foi um bom beijo francês. Um dos melhores que já tinha dado. Mas foi quando seus lábios se separaram e Olívio pode olhar para o belo rosto sorridente de Gabrielle que ele descobriu que era com Charlote que queria ter dado aquele beijo.
