Bgsmeinterfona obrigada pelo review! ^^ E como você pediu, lá vai o Cap. 2! Espero que esteja melhor.
Bjs
Cap. 2.
POV. Edward
Tânia estava realmente me deixando louco! Pensei com raiva. Alguém deveria ter me avisado que começar um namoro seria entrar no inferno, assim eu não teria nem começado.
Encostei a cabeça no banco bufando. Droga! Ela estava enchendo o meu saco, sempre com ciúmes idiotas, ou conversas fúteis – que eu detestava – ou, até mesmo, fazendo escândalos, cada um pior que o outro, o que além de me deixar irritado, estava perto de me fazer tomar uma atitude.
Para piorar, todos os dias encontrava com Bella. Ela não falava mais comigo, mas eu sentia seu olhar, sempre tão penetrante e (olha só que droga!), não evitar observá-la, também.
Jasper, quando eu comentei com ele, rapidamente, dizia que, talvez, eu estivesse começando a me interessar por ela, mas eu não acreditava nisso. De qualquer forma, todas as vezes que seu olhar se encontrava com o meu, sentia uma corrente elétrca passando pelo meu corpo e uma vontade imensa de dizer qualquer coisa. Mas não falava nada, apenas ficava olhando, enquanto meus ouvidos doíam na vontade de ouvi-la mais uma vez.
Com o passar do tempo, ela evitava sentar ao meu lado, e sua expressão de triste passava a ser mais séria que qualquer coisa. Provavelmente, ela estaria me odiando agora, e eu tinha acabado conseguindo meu objetivo original. Ironia, né? Agora, eu queria falar com ela.
- Edward, amor! – ouvi uma voz manhosa e irritante, assim que entrei na sala.
Bufei cansado e vi o olhar "eu lamento" de Jasper. Sentei numa cadeira sem responder à voz, o que me custaria muitas lágrimas ou pior, gritos, da parte dela. Mas, quer saber? Nada disso me importava. Estava ocupado demais pensando no por quê de Bella não ter aparecido, naquela manhã.
- Edward, você ta me ouvindo? – Tânia insistiu entrando na minha frente.
- Como não iria ouvir? – resmunguei.
- Ai Edward, isso não se fala para uma namorada! – ela reclamou e sentou ao meu lado.
- Eu sei. – falei. Mas não quero ser mais seu namorado. Quase cuspi, mas o meu bom senso me impediu. Talvez fosse melhor falar isso num lugar menos cheio, nunca numa sala de química.
- Bem, vamos esquecer isso. – ela continuou e passou a mão nos meus cabelos. – Sabia que o Laurent vai dar uma festa?
- Hum...
- E eu queria muito ir!
- Hum...
- E eu queria que você me levasse...
- Hum...
- Edward, tá me ouvindo? – ela gritou e eu tive que piscar duas vezes para entender, pois estava tentando imaginar no motivo de Bella não ter vindo no ônibus de sempre.
- Quê? – perguntei atônico.
- É isso que eu detesto em você, Edward! – ela gritou se levantando.
- O quê? – perguntei sem entender.
- Você me ignora! – ela continuou sem baixar o tom de voz. – Eu estou aqui falando há horas e você nem está me ouvindo! Por acaso tem a ver com alguma garota?
Tem! Pensei quase imediatamente, mas me calei. A sala estava lotada e todos estavam olhando para a minha cara. Senti meu rosto queimar. Tânia sempre fazia isso, será que ela não poderia ser um pouco civilizada?
- A gente pode falar disso depois? – perguntei, tentando desviar a conversa. Claro que ela não permitiria isso.
- É uma garota, não é? – ela aumentou a voz. – Eu sabia! Eu sabia! Você não presta, Edward! Você é um idiota! Um cretino! Um... Quem é ela? Quem é? É daqui? É de onde?
- Você quer parar de gritar? – sibilei já nervoso.
- Não, até que você me fale quem é a vadia! – ela explodiu e eu levantei pegando as minhas coisas.
- Aonde você vai? – ela perguntou segurando o meu braço.
- Aonde você não fique gritando essas coisas estúpidas no meu ouvido! – respondi. E vendo que ela não me largaria, puxei meu braço com força.
- Vai procurar a vadia, Edward? – ela gritou com o rosto desfigurado pela raiva. – Se você sair dessa sala, nosso namoro estará acabado, ouviu?
- Ótimo! É tudo que eu quero! – cuspi e saí da sala batendo a porta, com força, atrás de mim.
Que mulher maluca! Pensei. Nunca mais ficaria com ela, que louca! Bufei andando rápido pelo corredor e saindo da faculdade. Precisava de um pouco de ar, pensei. O dia estava bonito, o céu aberto, o ar puro. Tudo parecia, incrivelmente, em paz, agora, que tinha me livrado de Tânia.
Sentei num banco que dava para ver a faculdade de letras. Ela ficava em frente a minha, e enquanto via os carros passando, avistei Bella descendo do ônibus.
Meu coração acelerou de repente, enquanto a via esperar o sinal fechar para atravessar a rua. Provavelmente não tinha me notado, pensei. Ela parecia um pouco fora do ar e seu rosto estava mais sério do que eu me lembrava. Apertei meus olhos e uma idéia louca surgiu na minha mente. Por que não ir lá e falar com ela? Balancei a cabeça, me auto-negando, mas até que era uma boa idéia, não era?
O sinal abriu, cortando meus pensamentos. Corri um pouco, o suficiente parar ficar próximo a ela. Não queria chegar assim de supetão, mas também não queria seguí-la. Apenas tinha uma leve sensação de que deveria estar por perto.
Então de repente aconteceu. Ela pegou a mochila e a abriu, enquanto andava, sem prestar atenção por onde ia, quando seu pé, incrivelmente, encontrou algum lugar no chão para tropeçar. Todos os seus livros voaram, quase instantaneamente. Menos ela, que por alguma razão fora do meu controle, foi segurada por mim, que já estava, praticamente, do lado dela.
- Cuidado! – exclamei, puxando-a para cima.
- Desculpa, eu não tava prestando atenção e... – começou ela, mas quando seus olhos se encontraram com os meus, sua voz, repentinamente, sumiu. Não pude deixar de sorrir.
- Oi, Bella. – disse vendo-a abrir a boca surpresa e erguer as sobrancelhas. Dei o meu melhor sorriso torto. Aquela seria uma experiência interessante.
- Oi Bella. – repeti, ao que ela piscou algumas vezes, antes de responder.
- Oi...- foi o que disse pegando os livros no chão. Claro que como um cavaleiro – que sou – comecei a ajudá-la nisso.
- Atrasada? – perguntei, insistindo em começar um papo.
- Na verdade, não. – foi a resposta curta e fria. Logo ela recomeçou a andar. Fui atrás dela.
- Ah! – continuei. – Sabia que é perigoso andar correndo?
Senti que como resposta ela começou a andar ainda mais rápido. Ri comigo mesmo. Ela provavelmente estava irritada com alguma coisa, e isso era um sinal para eu me manter longe, mas o que eu podia fazer, se estava com uma incrível vontade de falar com ela?
- Você pode acabar escorregando, se continuar nesse ritmo. – insisti andando tão rápido quanto ela. – E considerando que...
- Você não deveria estar em aula, agora? – ela perguntou com os olhos faiscando para mim. Ok. Ela estava ficando irritada comigo. Sorri ainda mais com isso. Nada mais justo do que dar o troco por aquela falação no ônibus.
- Não tenho nada que não possa pegar depois. – comentei presunçosamente. Ah! Qual é, eu era o melhor aluno mesmo!
A ouvi bufar e aumentar o passo. Mas eu não iria desistir, afinal, a culpa era dela, se agora eu queria conversar.
- E você, tem aula, agora?- perguntei, sabendo que era uma pergunta idiota.
- Não, vim pra faculdade só pra gastar dinheiro!
- Sério? Não sabia que você era tão perdulária. – ironizei, sorrindo com a cara mais cínica possível. Ela praticamente me fuzilou como resposta, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa dessa vez, pisou numa poça de água e caiu com tudo no chão.
Não consegui me segurar. Meu riso saiu quase instantaneamente, o que não deveria ter acontecido, porque ela me olhou com ódio e se levantou em silêncio, recomeçando a andar, agora com mais cuidado.
Corri atrás dela, fazendo a cara mais arrependida possível, o praticamente era impossível, já que eu estava adorando isso tudo.
- Bella, desculpe! – falei enquanto ela, andava sem me olhar. – Sério, eu não quis rir de você, eu só...
- O que você quer, Edward? – ela perguntou parando, subitamente, na minha frente.
- Falar com você, ué!- respondi avaliando a expressão dela.
- Falar comigo... – ela repetiu cinicamente. – E por que agora?
Apertei meus olhos.
- Tinha que ser num momento especial, por acaso? – continuei no mesmo tom que o dela.
- Não...- a ouvi sussurrar com uma expressão magoada. – Só que você nunca falou comigo, desde aquele dia. Então, não vejo por que você querer falar, agora!
Fiquei em silêncio com essa resposta. Realmente, nem eu via sentido de querer falar, naquele momento. Mas eu queria! Sentia que queria, o que era estranho e desconcertante.
Percebendo que eu não dava resposta, Bella recomeçou a andar. Fiquei parado ali, observando ela se distanciar. Cara, era melhor eu ir embora... Pensei. Mas quem disse que eu escolhia o melhor caminho? Dei algumas passadas mais longas e, rapidamente a alcancei.
- Desculpa. – falei por fim, dessa vez sendo realmente sincero.
Ela lançou um olhar enigmático para mim e continuou andando. Será que ela estava tão chateada, comigo, assim?
- Ei! Não vai falar comigo? – insisti quase a segurando. Que droga! Ela que tinha vindo falar!
- Tô com pressa. – foi a resposta.
- Ah! Bella, isso é ridículo! Foi você que veio falar comigo no ônibus. Eu não pedi para você sentar do meu lado e começar a falar um monte de coisas. – joguei essa, sem pensar, e como resposta tive uma expressão irritada e até chocada.
- Ah! Desculpa, senhor "não falem comigo"! Não pensei que tinha incomodado tanto. – ela continuou. – Mas não precisava vir pelo arrependimento, se você notar, eu nem falei mais com você. Então, me poupe!
- Não estou arrependido! – retruquei ficando irritado.
- Então, ótimo! Não tem por que ficar andando atrás de mim! – ela rebateu.
Bufei irritado.
- Por que você tem que ser tão irritante? - questionei.
Ela não respondeu e a segurei pelo braço.
- Ei! O que está fazendo? Me larga! – exclamou Bella me olhando surpresa.
Suspirei pesado e tentei me acalmar. Não tinha motivo de eu estar ali segurando o braço daquela garota e naquela faculdade, ou pelo menos eu não via motivo. Então por que eu estava fazendo aquilo?
- Certo... – comecei. – Vamos começar de novo?
Ela não respondeu, mas senti que seu braço relaxara. Resolvi continuar.
- Eu estava irritado naquele dia e você acabou sendo a vítima do meu mau humor. – falei por fim, esperando alguma reação. Bella, que olhava para o lado, resolveu me encarar, acho que mais calma. – Desculpe. – balbuciei dando um pequeno sorriso.
Acho que ela ia falar alguma coisa, porque ela abriu a boca, enquanto seus olhos miravam os meus. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer palavra, alguém se aproximou.
- Bella? – chamou uma voz masculina, que a todo custo me obrigava a desviar dos olhos dela. – Ele está te machucando? – a voz perguntou e eu tive que encarar quem falava.
- Não, Jake. – foi a resposta.
O dono da voz, intrometida, que interrompera as minhas desculpas, era moreno e alto. Não gostava dele, pensei logo que o vi, e acho que a recíproca era verdadeira, porque ele me encarava com um olhar de ódio, ao qual eu retribuí à altura. Bella, incomodada com aquela situação, se desvencilhou de mim, e foi até ele, que ficou me olhando com cara de poucos amigos. Olhei-o presunçosamente, e ele praticamente rosnou para mim. Ainda por cima, era um cachorro!
- Jake, fica calmo. – Bella falou pegando no braço dele. – Edward é um amigo.
- Amigo? – ele perguntou com sinismo. – Sei...
- Sério, Jake. – ela emendou e ele a fitou nos olhos. Ficaram assim por algum tempo, e eu senti náusea de ver aquele contato visual tão intenso.
- Ok. Bells, eu acredito. – ele falou relaxando e ela sorriu; o sorriso mais lindo que eu já vira. De repente uma inveja me atingiu, ela nunca tinha dado aquele sorriso para mim, pensei. Mas é claro, eu não falava com ela! Droga, eu deveria ter sido mais educado. – Então, vamos pra aula, né? – ele continuou passando o braço por cima dos ombros dela.
- Sim, já tô atrasada! – ela falou e olhou para mim. – Até mais, Edward. – e os dois se viraram começando a andar.
Me senti uma ameba no meio daquele corredor estranho. Eles tinham mesmo me deixado lá, sozinho? Ela tinha me deixado lá, falando SOZINHO? Bem feito! Falou minha consciência. Para você deixar de ser idiota! Cerrei meus punhos com raiva. Garoto idiota! Pensei, vendo-o saindo abraçado com Bella. Mas, ele achava que ia ficar assim, não achava? Me virei, começando a caminhar do lado oposto. E o que você pensa em fazer? Falei para mim mesmo. Se ele for o namorado dela, você não pode fazer nada. Se ele fosse o namorado dela, ela não iria me olhar daquela maneira! Repliquei o meu próprio pensamento. Olhei para trás, e não tinha mais ninguém. Suspirei, vencido. Talvez fosse melhor deixa-la em paz, pensei. Mas uma dor apertou no meu peito só de ouvir esse pensamento. Ou talvez fosse melhor lutar por ela...
Lutar por ela... Repeti mentalmente, me surpreendendo com a idéia. Desde quando, eu pensava isso? Me perguntei. Balancei a cabeça tentando tirar esse pensamento da cabeça. Era melhor eu deixa-la em paz e voltar para o meu mundo. E isso era, exatamente, o que ia fazer.
