Fanfic: O que sobrou
Disclaimer: Harry Potter não me pertence, mas eu nem queria mesmo. Chato demais.
Classificação: M
Tema: Drama / Romance
Sinopse: Não é muito, mas é seu.
Avisos: Prestou atenção na classificação? Acho bom prestar.
Essa fanfic não é igual a nenhum outro projeto que já tive.
Ela fala de dores e dificuldades muito reais e muito difíceis de descrever, mas que acho que preciso falar sobre de alguma forma. É sobre mim, mas acho que deve ser sobre você também, em algum nível.
Nem tudo que está aqui, é sobre mim. Mas tudo que é sobre mim, está aqui.
Já deixo avisado que o texto é mais adulto e trata de problemas que podem ser gatilho para algumas pessoas, como morte, luto e crises de ansiedade, por exemplo.
Espero que faça sentido para você como faz para mim.
Ou, talvez, melhor não.
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Kiss me, I'm loaded
Something for my troubled mind
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Começava em um corredor.
A princípio, era claro. Todo feito de vitrais, o teto e as paredes, incrivelmente coloridos e reluzentes. A luz do sol entrava por eles e a fazia sentir como se estivesse dentro de algum lugar mágico, de algum conto de fadas. Embora houvessem várias cores, as predominantes eram rosa, lilás e amarelo. Todas reluzidas umas nas outras e nela mesma, como pontos de luz marcando suas roupas e a pele alva.
Conforme caminhava, sem pressa, por esse local tão lúdico e maravilhoso, percebia que se aproximava de um real corredor, com paredes pintadas de branco e um teto liso, não muito alto e sem qualquer fonte de iluminação, fosse artificial ou natural.
Por isso, assim que chegava ao local em que os vitrais se encerravam, algo dentro dela se agitava, gritava. Podia pressentir que não seria um caminho tão mágico assim, dali em diante, e chegava a prender a respiração. No entanto, apenas continuava, como se não tivesse escolha. Algo invisível, uma espécie de força que parecia puxá-la com um imã, a impedia de recuar ou parar.
Conforme seguia, a luz natural que adentrava pelos vitrais ficava mais distante e o caminho, por sua vez, mais escuro. Conseguia ouvir, ao longe, alguma coisa pingando. Uma pequena gota insistente que ecoava e lhe fazia ofegar, com medo e ansiedade, enquanto aquela jornada seguia, sempre contra sua vontade.
Dava para perceber que as paredes iam se aproximando dela, assim como o teto, e o barulho de alguma coisa gotejando ficava cada vez mais e mais alto, tornando-se quase ensurdecedor em certo ponto. Quanto mais amedrontada ficava, mais rápido seguia em frente. Agora, ia sem conseguir sequer enxergar nada à sua frente, tamanha escuridão.
Conseguia sentir a parede gelada e áspera raspando em seus ombros suavemente, conforme seguia. Seu coração pulava no peito, aterrorizado, e ela não era capaz de sequer emitir um som. Apenas assistia, com medo, enquanto era direcionada por um caminho que, a cada vez, parecia maior.
Por fim, percebia-se parada, de frente para uma porta de madeira. Tudo estava escuro ao seu redor e o barulho da goteira insistia, num volume um pouco menor, mas certamente vindo bem da sua frente. Então engoliu seco e ergueu a mão, num gesto corajoso, mas também meio desistente, pois sabia que não havia como retornar dali.
Assim que abriu a porta, pôde ver que se tratava de uma sala. Não devia ter mais do que vinte metros, mas continha uma infinidade de coisas que jamais seriam reveladas em sua totalidade. Era tão bagunçada e empoeirada que chegava a irritar seu nariz. Lembrava um pouquinho a Sala Precisa, mas era bem mais suja e cheia de teias de aranha.
Havia uma porção de garrafas vazias e velas apagadas. Um sofá rasgado e tão sujo que a poeira até parecia uma manta. Ao lado, uma mesinha de madeira redonda com um telefone verde enferrujado e um vaso sem plantas. No chão, uma série de brinquedos, como dados, bonecas e um trenzinho de madeira.
Ao fundo, uma mesa redonda um pouco maior, com quatro cadeiras viradas sobre ela. Um relógio cuco pendurado na parede e, ao lado direito, algumas tábuas cobriam o que deveria ser uma madeira. Um ou dois feixes de luz escapavam pelas frestas e a possibilitavam vislumbrar aquele cenário fantasmagórico. Do teto escorria pelas paredes um pouco do que deveria ser água e o acumulo era tão grande que, por vezes, gotejava.
E, de repente, as coisas começavam a balançar. Como se um terremoto ou qualquer catástrofe estivesse acometendo aquele lugar.
Queria fugir.
Queria gritar.
Mas tudo que conseguia, era ficar parada. Seu único direito naquele território hostil era o de assistir. E era ali que começava a pior parte, na opinião dela.
Algumas velas começaram a flutuar, sem uma explicação aparente. E da luz delas surgiu um grito, um urro desesperado de dor que soava exatamente como a voz de Colin Creevey. E esse som horrível e apavorante fazia todas o vidro de todas as garrafas explodirem.
O teto começava a rachar e o barulho era ensurdecedor. A água que antes gotejava, agora escorria em livre demanda e chegava até seus pés. Os brinquedos se movimentaram com o impacto do vazamento e foram sendo suavemente empurrados para fora, enquanto ela era puxada para dentro.
"Gina"
Ela ouviu alguém sussurrar seu nome enquanto entrava na casa. Apertou os lábios e sentiu o pulmão queimar enquanto tentava desesperadamente gritar. Conhecia tão bem aquela voz, aquele jeito de falar, e tinha tanto, mas tanto medo de ter aquilo dentro de si novamente que chegava a ofegar e se sacudir de puro terror.
Se tinha algo que a amedrontava, era Tom Riddle. E ali estava ele, novamente, falando com ela como se fossem meros conhecidos.
"Qual o problema, Gina? Não sentiu minha falta? "
Logo em seguida, uma risada. E várias outras vozes se misturaram a de Tom. No início, pareciam apenas risos de uma plateia que aprova o espetáculo. Porém, ouvindo com atenção, Gina notava que eram gritos e lamurias. Provavelmente de almas que, assim como a dela, eram assombradas por ele.
"Gina! "
Ouviu a voz de Hermione antes que uma mão tocasse seu ombro. Foi subitamente virada nessa direção a tempo de ver a amiga, que a olhava em desespero, se transformar em pedra. Bem ali, com aquele semblante de horror e a mão endurecida que ainda segurava Gina.
O volume de água subia cada vez mais e agora já batia em seus tornozelos. Um cheiro de ferrugem começou a ficar incrivelmente forte, forçando-a a procurar, rodando os olhos em todas as direções. Era ali que sua atenção parava no chão.
Aquilo não era água.
Era sangue.
"Gina, me ajude! Me ajude, Gina, por favor! "
Era a voz de Fred.
Mais um estalo no teto e a rachadura ficou ainda maior.
Agora o sangue escorria e caía ainda sobre ela, molhando seus cabelos, suas roupas e impregnando-a por toda parte. Estava tão desesperada que queria apenas fechar os olhos. Mas nem ao menos isso lhe era possível. Não, tinha de assistir a tudo, independentemente de seu estado de nervos.
Foi quando sentiu algo passando em suas pernas. Lentamente, contornando a esquerda e parando logo abaixo de si. Era quente e felpudo, como uma toalha. Então, subitamente, aquele horrível ganido.
Um miado extremamente alto e sofrido que ecoava por toda parte, reverberando pelas paredes e fazendo tudo dentro de Gina tremer em resposta. Em seguida, o gato que estava em suas pernas saltava bem em seu rosto, empurrando-a para trás e Gina pôde reconhecer que era Madame Nora.
Com o impacto do empurrão da gata, seu corpo foi para trás e caiu. No momento em que se bateu com as costas no chão inundado de sangue e sentiu o impacto, finalmente aquilo tudo acabou.
Acordou aos gritos, sentando subitamente em sua cama, sem ainda identificar ao certo o que havia acontecido.
Foi tentando regular a respiração aos poucos, olhando ao redor e se convencendo de que tudo aquilo tinha acabado. Não passara de um maldito pesadelo.
O mesmo maldito pesadelo.
Ainda abalada, Gina foi puxando as pernas para junto do corpo e as abraçou com força, se sentindo tremer de adrenalina e nervosismo. Certamente que levaria um tempo até se estabilizar novamente. E, honestamente, voltar a dormir não parecia uma opção muito segura.
Então suspirou baixinho e afundou o rosto entre os braços, se permitindo derrubar uma ou duas lágrimas enquanto tentava se desvencilhar das memórias recentes daquele pesadelo.
Não era a primeira vez e, ao que parecia, não seria a última. Tudo o que podia fazer era se acalmar e, depois, tentar salvar nem que fosse um pouquinho daquela noite de sono antes que seu despertador tocasse.
Ao menos, era o que ela tentaria.
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N/A: Oi pessoal
Como vocês estão?
Será que ainda tem alguém aqui? Alooooo!
Pisque de volta se estiver aí.
Essa fanfic vai ser hiper mega curtinha. Eu bolei 4 capítulos + epílogo para ela.
Como eu disse, essa fanfic é mais pesada e mais real. É um pouco pessoal, mas um pouco impessoal, também... acho que, quando vocês virem o resultado irão entender melhor do que estou falando.
Ela difere da good vibes de Pontual e também não é agridoce como Xadrez de bruxo. É um chocolate amargo mesmo, 70% cacau. Para mim, tem gosto de vida.
Se tiver alguém aí, manda um oi. Vou gostar de saber que tenho companhia.
Beijos!
