AROMAS E ZUMBIDOS
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Presente para Pink Ringo
"Impossível não acatar o pedido de tal autora, mesmo sendo um casal da qual eu não tenha prática alguma. Em homenagem a uma das melhores autoras do site e da sessão de Naruto".
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Capítulo 1 – Aqueles 13 Dias.
Na maior parte do ano eu moro em Tóquio. Para ser mais exata eu moro em Tóquio durante trezentos e cinqüenta e dois dias. Os outros doze dias - mais o dia do Festival da Estela - eu passo na casa de meus pais na cidade de Fujisawa na província de Kanagawa nos arredores de Tóquio onde dá pra se chegar de trem. Durante trezentos e cinqüenta e dois dias no ano eu vivo sozinha em um apartamento espaçoso sobre a floricultura que eu abri no térreo. Logo à frente há um parque em que as pessoas gostam muito de correr e brincar com seus cães. Três quarteirões para a esquerda há um hospital.
Hoje é um dos treze dias do ano em que eu não moro sozinha em Tóquio, mas é um dos dias em que eu vou sozinha de trem até Fujisawa, na província de Kanagawa, para passar o domingo com meus pais. Lá fora chove a cântaros desde manhã e já é quase hora do almoço. Eu, sinceramente, não posso dizer que estou animada em ir visitar meus pais. Eu os amo, mas a minha mãe chegou à idade de dizer que eu preciso me casar de qualquer maneira e vive tentando arranjar pretendentes pra mim. Para ela é uma vergonha uma garota de 26 anos ainda estar solteira. No ano anterior, quando eu fui pra casa para participar do Festival da Estrela, ela tinha arranjado um dos sobrinhos de uma de suas amigas de salão para ficar comigo durante todo o Festival. Até aí é bem razoável, até eu conhecer o tal sobrinho. Ele tinha dezessete anos, era vinte centímetros mais baixo que eu, usava uma parelho horrível que mais parecia um capacete espacial e ficava querendo me cheirar.
Tudo bem que ultimamente a minha vida amorosa – lê-se vida social em geral – não anda tão animada quanto fora no colegial, mas convenhamos que desde o colegial às coisas mudaram muito. Por exemplo: Sakura realmente conseguiu ser médica, Chouji emagreceu depois do terceiro infarto antes dos 30 anos, Sai vendeu um quadro simplesmente por ser incrivelmente desagradável com a compradora e Naruto está viajando pelo mundo. Além do mais eu não tenho mais muitos motivos para sair de casa, afinal, com quem eu poderia fazer isso? Sakura está sempre trabalhando, Tenten está aprendendo artes marciais na China e Hinata anda muito ocupada com os preparativos de seu casamento. O máximo que eu posso fazer é ir sozinha fazer compras no shopping – coisa que não tem graça e eu estou falida – e conversar com as plantas da floricultura e esperar que um dia desses elas evoluam o suficiente para me responder qualquer coisa.
Quando o trem parou e eu desembarquei na estação de Fujisawa com muitas outras pessoas fui sendo levada pela multidão para as entradas descobertas da estação. Amaldiçoei mais que tudo aqueles malditos treze dias em que eu tinha que vir para essa cidade visitar meus pais, simplesmente porque a escova que eu tinha feito no dia anterior, só para querer ficar um pouco mais bonita e me sentir bem, estava se desfazendo lentamente a cada gota grossa de chuva que caia na minha cabeça. Olhei para o céu, já completamente encharcada. Também me amaldiçoei por esquecer o guarda-chuva no armário de casacos ao lado da porta de entrada.
- Muito obrigada – estendi a mão para frente sinalizando para um táxi e ele também fez o favor de espirrar água e lama em meu melhor casaco antes de parar e eu entrar.
- Olá, senhorita – disse o motorista sem perceber a aura assassina que pairava a minha volta. Exibi meu melhor sorriso mesmo estando com uma vontade tremenda de fincar meus dedos em seus olhos e afundá-los até o outro lado do seu crânio, mas apenas torci meus cabelos em cima do queridinho banco de couro do carro – Pra onde?
"Que tal para o inferno?" pensei, mas dei-lhe o endereço certo da casa de meus pais. Lá já era um verdadeiro inferno quando minha mãe tirava o dia para implicar comigo e com as coisas que eu faço – os dias favoritos dela para implicar comigo são treze malditos dias.
Desci do táxi e corri para a varanda da casa tirando imediatamente o casaco molhado e torcendo-o nas roseiras de papai, um pouquinho mais de água não fará mal - tirando a parcela do Pacífico que resolveu cair no Japão hoje em forma de chuva. Ela deve ter ouvido o carro, pois logo a porta de entrada se escancarou.
- Ino! – ela exclamou – Você se esqueceu do guarda-chuva de novo?
- É, foi mal – disse tirando as botas de cano longo e sem salto e deixando-as no tapete de entrada enquanto mamãe praguejava atrás de mim sobre estar respingando em todo o seu chão de madeira – Será que dá pra me arranjar umas roupas secas, mãe?
- Você vai ter que usar alguma minha, querida, eu disse para não levar tudo quando se mudasse, mas quem disse que você me ouve?
- Certo – tentei ignorar e subi as escadas encontrando papai que saiu do meu antigo quarto. Antigo quarto que ele transformou em sala de leitura/escritório/sala de jogos – Olá, papai!
- Querida, você vai pegar um resfriado – ele comentou me dando um beijo na testa e descendo as escadas. Ao menos ele se importa com a minha saúde e não com o assoalho.
Tomei um banho rápido, ainda mais rápido quando minha mãe escancarou a porta do banheiro deixando o vento frio entrar para colocar um conjunto de moletom sobre o vaso sanitário fechado. Prendi os cabelos no alto da cabeça deixando somente minha franja nos olhos e desci as escadas já secas. Sentei-me com meu pai em frente à lareira enquanto esperava mamãe terminar o almoço, mas sei que o meu momento de paz não vai durar, pois logo ela vai aparecer na porta falando alguma barbaridade sobre alguma de suas vizinhas. Esse foi um dos motivos que eu quis sair de Fujisawa para um lugar maior. Para que não tivesse que ficar decorando a vida de ninguém por intermédio de minha mãe e que outros alguéns não ficassem xeretando minha vida, apesar de que minha mãe já faz um favor enorme de expor a bem sucedida filha dela. Ao menos é isso o que ela fala pras vizinha por sobre o muro quando está pendurando a roupa no varal.
Eu sou uma mulher bastante simples, na verdade, não sei por que não consigo arranjar namorado. Aliás, eles sempre terminam comigo com o mesmo argumento: "Você é muito complicada pra mim!" e se vão batendo a porta ou deixando a conta daquele restaurante caríssimo para eu pagar. E é sempre o mesmo restaurante! Todos os garçons já me conhecem e sabem que sempre que eu vou até lá acompanhada - porque eu nunca, em sã consciência, iria a um restaurante caríssimo solteira - sabem que devem servir vinho tinto e não champanha, porque champanha é para comemorar, enquanto vinho é para lamentar. Teve uma vez que eu quase cheguei a elaborar uma tese de tanto que pensei sobre os homens com que me relacionei fazerem parte de alguma seita ou coligação contra mim. O que há de errado? Meu pai é o homem que viveu mais tempo comigo e nem uma vez na minha vida ele disse que eu sou uma mulher complicada.
Eu gosto de flores, de compras e de chocolate. Qual é o mistério disso? A conclusão óbvia a se tirar a partir desses gostos simples é que eu tenho uma floricultura, vivo falida e me acabando na esteira que tenho no quarto depois de quase tacar a balança que eu tenho no banheiro pela janela para cair na cabeça de algum desavisado que estivar passando embaixo. Teve um dos meus namorados que até chegou a me chamar de neurótica, uma calúnia completa. Só porque depois que eu como chocolate fico feliz e começo a rir fazendo com que meu cérebro libere enzimas parecidas com a heroína? Não tem nada haver.
Fui tirada bruscamente dos meus pensamentos proféticos e auto-defensivos quando minha mãe chamou a mim e meu pai para almoçarmos. Sentei, agradeci a refeição, peguei meus hashi e contei até cinco. Minha mãe começou a falar eu acabara de dizer mentalmente o número quatro:
- Ino, querida, você tem que parar de pintar o seu cabelo de azul.
- É só uma mecha, mãe.
- Uma mecha ou o cabelo todo, é muita infantilidade do mesmo jeito.
- Quer parar de implicar com meu cabelo?
- Diga a ela, Inoshi, que na nossa época quem fazia isso era considerado uma escória na sociedade.
- Ino, na nossa época quem fazia isso era considerado uma escória na sociedade - repetiu papai e eu tive que segurar o riso. Ele nunca iria contra mamãe, mas ele também jamais me daria uma bronca ou uma repreensão e é o que eu adoro nele. Papai é uma pessoa muito tranqüila. Ele me olhou de canto e piscou um olho, cúmplice.
Com isso mamãe se calou por todo o resto do almoço, ela só começaria a desferir os próximos comentários durante o chá após o almoço. Não demorou muito para que ela começasse quando nos sentamos em frente à lareira com as xícaras na bandeja na mesinha de centro. Ela tirou do lado do sofá uma pilha com três álbuns repletos de fotografias. Começou a folheá-los como quem não quer nada, mas eu sabia o que viria e também sabia de quem eram aqueles álbuns. Fotos minhas e dos meus amigos durante o colegial que ela insistia em ver para me dizer o que as mães de cada um deles disseram a ela o que eles estão fazendo ou por onde andam.
- Olhe, Ino - apontou mamãe uma foto de Neji Hyuuga na formatura dele. Naquela época eu e ele estávamos namorando e ele me levou ao seu Baile de Formatura - Uma das empregadas da Mansão Hyuuga me contou que Neji está fazendo um curso de economia na Inglaterra, ele é sempre tão educado. Volta em dois meses. Porque você não liga para ele para te ajudar a controlar o seu dinheiro que vive desaparecendo?
Vamos analisar esse comentário. Primeiro minha mãe ou deixando a conta daquele restaurante carargumento "ra um lugar maior. de sobre alguma de suas vizinhas.
o sanitacentuou que ficaria feliz em tê-lo como genro, que além de rico é educado e possivelmente herdará uma Mansão, já que Hinata vai se casar com seu próprio rico. Depois me deu um prazo de dois meses para me contatar com ele e ainda sugeriu que eu não sei cuidar do meu dinheiro. Na maioria das vezes os comentários ácidos da minha mãe são bem diretos, mas nas outras vezes ela faz esse tipo de insinuação. Eu não disse que voltar para minha casa em Fujisawa, província de Kanagawa, naqueles malditos treze dias, era um inferno? Minha mãe folheou o álbum mais algumas vezes e parou numa foto da minha própria formatura. Era na hora das músicas lentas e virou a foto para mim depois de uma exclamação emocionada:
- Sasuke realmente foi muito esperto - ela disse virando para si mais uma vez a foto de Hinata completamente corada enquanto tinha as mãos de Sasuke em volta de sua cintura com um sorriso de canto - Mesmo com você e Sakura correndo atrás dele feito abelhas no mel ele escolheu a Hinata - guardou os álbuns e pegou uma xícara - Quando vai ser o casamento deles, aliás?
- Hinata, com certeza, vai lhe mandar um convite, mãe.
- Mas é claro que ela vai - mamãe sempre acha que é o centro das atenções e que todo mundo convida ela pra tudo. Na realidade ela finge que é amiga de todo mundo para conseguir um status e quando a pessoa não a convida para alguma coisa ela manda um dos garotos da rua tacar ovos na porta de quem a desrespeitou de maneira tão imperdoável. Ela é realmente um doce! - Aquela moça é um anjo.
- Ino, como vai à floricultura? - perguntou papai. Ele é o único que se importa de verdade comigo e o meu negócio, porque como eu ele é um amante de flores e chocolates. De compras, não. Ele detesta shoppings e locais muito grandes e com muita gente. De fato, o único lugar grande e com muita gente que ele gosta é o Festival da Estrela, mas ele também só gosta porque pode trabalhar na barraca de flores e recados amorosos que, ocasionalmente, fica ao lado da barraca de chocolates.
- Tudo bem, pai. Conseguir um lugar perto de um hospital que atraí muitos clientes.
- Essa chuva vai fazer as plantas se afogarem.
- Depois é só colocá-las no terraço fora da estufa onde tem mais luz do sol.
- Muito bem - é claro que o meu pai estava me testando. Ele adora fazer isso.
Minha mãe pigarreou. Ela detesta profundamente quando eu e meu pai entramos em debates sobre como vão às plantas e o meu negócio propriamente dito, ela não entende nada, então faz de tudo para o foco da conversa voltar a ser um dos assuntos de relações sociais dela. Olhamos novamente para ela e ela me perguntou com a maior cara lavada e sem rodeios:
- Quantos namorados você já teve esse ano, Ino?
- Mãe!
- Ino, querida, você vai entrar na menopausa sem me dar netos! - ela tomou o chá com indiferença. Meu pai cuspiu o dele. Ele não é um homem acostumado a falar sobre ciclo menstrual abertamente com a mulher e a filha.
- Mãe! - repeti - Eu só tenho 26 anos!
- Quando eu tinha essa idade eu e seu pai já estávamos fazendo 10 anos de casados! - papai cuspiu o chá novamente eu precisei dar fortes tapas nas costas dele para parar de tossir. Mamãe estava, visivelmente, exagerando.
- Tudo bem, já deu minha hora - eu me levantei e corri pra cima passando pela cozinha no caminho para pegar as minhas roupas que estavam secando atrás da geladeira.
Vesti-me rapidamente e voltei a descer as escadas. Despedi-me dos meus pais ignorando os inúmeros protestos de que eu deveria ficar mais um pouco, que ainda chovia muito. Não importa. Eu volto para casa apenas doze dias por ano - mais o dia do Festival da Estrela - e é sempre a mesma coisa. Almoço, um pouco de conversa com meu pai, chá e minha mãe fazendo de tudo para me colocar pra baixo. Como se as minhas condições de vida por si só já não fizessem um ótimo trabalho, obrigada. A chuva, que quando eu cheguei quase arrancava as árvores do chão, transformara-se apenas em um chuvisco gélido. Eu não reclamo dos dias de chuva, a água é boa para minhas flores e deixa o ar mais leve e com um cheiro agradável, mas não posso negar que é como se eu também desabrochasse em um ótimo dia de sol. Chamei um táxi quando cheguei à avenida perto de casa e segui em silêncio até a estação ferroviária. Entrei no trem e esperei pacientemente a viajem de uma hora até em casa terminar.
Cheguei a casa e destranquei a porta entrando na floricultura. Estava exatamente como eu a tinha deixado naquela manhã antes de ir dar uma voltinha na casa dos infernos. Deixei o casaco no armário perto da porta depois de subir as escadas dos fundos até o primeiro andar. Joguei todas as minhas roupas no cesto do banheiro e, sem me importar nem um pouquinho com fechar as cortinas da janela ou qualquer coisa assim, me deitei de lingerie no sofá pegando a correspondência de cima da mesinha de centro. Eu faço qualquer coisa para tirar as tagarelices da minha mãe da cabeça, inclusiva ler a minha escassa correspondência. Alguns panfletos de propaganda, duas contas de água e do cartão de crédito - eles querem cortar a minha água se eu não pagar logo. Como aqueles cretinos ousam? Como eles esperam que eu tome meus banhos de banheira e regue as rosas sem água? - e uma camisinha. Eu já tinha dito que o carteiro do bairro é um tarado? Bem, agora acho que isso ficou bem claro. Vira e mexe ele tem a mania de deixar uma camisinha na minha caixa de correio com o número de telefone dele. Se ele não fosse tão grotesco eu sairia com ele, ele tem umas pernas ótimas por ficar andando de bicicleta pra cima e pra baixo.
Joguei um blusão de moletom por cima do lingerie e agarrei o telefone subindo mais um lance de escadas, até a estufa de vidro no terraço da minha casa. É uma casa consideravelmente grande por ser japonesa e também foi bem cara. Nada que um financiamento para a vida inteira não possa pagar, claro. Disquei o número de Sakura enquanto observava algumas gotas de chuva escorrer das pétalas de um lírio laranja. Sentei no canto do prédio com as pernas pra fora esperando Sakura atender. Ela é sempre muito ocupada, normalmente quando me atende é porque estava dormindo numa das saletas reservadas aos médicos do hospital. Ela logo vai ficar com os cabelos brancos se continuar assim ou sofrer um enfarto. Porque ela não segue o exemplo do Chouji e relaxa um pouco?
- Alô?
- Ela fez de novo.
- Ino, é você?
- Quem mais você conhece que tem uma mãe neurótica por casamento?
- Neji está voltando de viagem.
- Ah, céus, ela ligou pra você, não ligou?
- Não! Hinata me contou.
- Como aquela vadia tem tempo de falar com você e não comigo?
- Ela veio fazer os exames do casamento, Ino, não dê escândalo em cima do terraço.
- Como você sabe que eu tô em cima do terraço? - a essa altura eu já tinha me levantado e estava andando de um lado para o outro sobre o parapeito.
- Você sempre me liga de cima do terraço depois de voltar da casa dos seus pais.
- Eu sou assim tão previsível?
- Só pra quem te conhece - ela riu.
- E eu estou falida.
- De novo?
- Não tem graça - sentei de novo, as pernas cruzadas. Ao longe as nuvens cinzentas de chuva estavam dando lugar aos raios laranja do sol poente. Eu adoro observar o pôr-do-sol sobre o terraço somente de moletom depois de um dia péssimo na casa dos meus pais conversando com a minha melhor amiga rica e bem sucedida enquanto eu estou falida e propensa a me tornar chocólatra. É, talvez eu não goste tanto assim do pôr-do-sol - Como vai o Naruto?
- Volta em seis meses, tempo suficiente para o nosso apartamento ficar pronto.
- Preciso de um vestido novo.
- Você tem milhares de vestidos.
- Então eu preciso de um namorado novo.
- Você já teve milhares de namorados.
- Mas eu estou solteira no momento. Porque é que todos eles fogem de mim?
- Eles não fogem de você, Ino, você os espanta - Sakura fez uma pausa e deu um suspiro - Depois do que aconteceu com o Gaara você faz muito disso.
Maldição! Porque ela tinha que mencionar ele? Sakura Haruno, você sabe muito bem que a menção desse nome é proibida, eu vou te matar lenta e dolorosamente assim que eu te encontrar. Se eu conseguir te encontrar de novo algum dia, não é? Mas a menção de Gaara doeu e fez o meu coração ficar do tamanho de um feijão sem conseguir bombear sangue suficiente para me manter lúcida. Ela iria me fazer chorar.
- Você ainda tem aquela foto dele no criado-mudo, não tem? Porque você não taca o passado pela janela? Literalmente.
- Eu não quero falar sobre isso.
- Ino, escute uma coisa: o Gaara morreu, você não!
- PÁRA!
Silêncio.
- Desculpe.
- Tudo bem. Eu só não consigo falar sobre isso ainda, entende? Eu vou conseguir um dia.
- Claro, eu sei disso.
- Sakura?
- Fala.
- Acho que o que eu preciso mesmo é de dinheiro.
- Porque você continua gastando tudo naqueles remédios para emagrecer que não funcionam? Você já está magra feita um palito!
- É que você não sabe a quantidade de chocolate que eu tenho escondida. Eu achei um bombom no meio de uma petúnia outro dia, nem lembrava que estava lá.
- Eu lembro quando você não gostava de chocolate - silêncio novamente. Esses comentários não estão ajudando em nada, sabe?
- Certo, o fato em questão é o dinheiro.
- Tá precisando de dinheiro? Porque não aluga aquele outro quarto em cima da floricultura?
- Certo, até parece que isso iria... - dei um pulo ficando em pé na beirada e quase que eu caio do segundo andar. Não é a primeira vez que isso acontece, Sakura já disse mil vezes que eu ainda vou morrer caindo de um lugar alto - Espera, essa é uma ótima idéia!
- É claro que é!
- Eu posso dar um jeito no quarto, já que ele está todo mobiliado, só falta uma limpeza, tirar de lá umas caixas de sementes e alguns vasos e tudo bem! Posso colocar um anuncio no jornal... Não, os anúncios estão caros e eu estou pobre. Esquece essa idéia. Mas eu posso colocar uma placa na floricultura! O que você acha, Sakura?
Sabe o que eu ouvi como resposta? O sinal de desligado do telefone. Aquela testuda dos infernos tem a mania irritante de desligar o telefone na minha cara quando eu começo a falar sozinha, quem ela pensa que é? Além do mais, fui eu quem ligou pra ela, seria minha conta de telefone. Mal agradecida! Mas a idéia dela foi bem vinda e eu desci as escadas tirando a roupa pelo caminho e colocando a banheira pra encher com água morna. Amarrei os cabelos e busquei um suco na geladeira pra tomar na banheira e uma caixa de bombons de licor. Quem se importa com umas calorias a mais? Eu tinha um plano para ganhar dinheiro e poder pagar a conta de água finalmente! E eu também tenho uma esteira, algumas horinhas em cima dela serão suficientes para os chocolates serem eliminados.
É bom ter planos novos, fazem esquecer que minha mãe me acha um fracasso e que eu sou uma chocólatra falida sem namorado. Estou até com ânimo suficiente para raspar as pernas adequadamente e não somente uma passada rápida de gilete. Peguei o controle e liguei a televisão da sala. A vista da banheira dá diretamente pra ela e cabeceira da cama do meu quarto. Sobre o criado-mudo um porta-retratos me encarava com olhos verdes profundos. Sorri e agarrei uma revista qualquer sobre o vaso sanitário – pessoa multifuncional: televisão ligada, tomando suco, comendo chocolate, lendo revista. Sabe do que eu realmente preciso agora? Um bom teste de personalidade para acalmar meus ânimos e uma noite de sono. E, quem sabe, um bom sexo em breve. Porque, como todo mundo sabe, tensão sexual não afeta somente os homens.
Olá!
Gente, me desculpem a demora e o capítulo curto, mas é como se fosse um capítulo introdutório para a personalidade incrivelmente neurótica e cheia de conflitos internos da Ino. Ainda bem que o Shino é um cara sério e neutro para lidar com uma mente dessas. As coisas começaram agora e todos as alusões desse capítulo a outros personagens serão explicadas no decorrer dos próximos capítulos. Sem data estipulada.
Espero, principalmente, que a Pink Ringo, a quem essa fanfic é dedicada tenha gostado do primeiro capítulo, juro que estou me esforçando, mas Shino/Ino é um mundo novo pra mim. Vou dar o melhor de mim nos próximos capítulos, espero uma opinião sincera sua, Pink-sama.
Infelizmente as review não poderão ser respondidas individualmente dessa fez, mas agradeço infinitamente quem leu, mandou review ou não mandou e quem favoritou a fic, me deixaram incrivelmente feliz!
AGRADECIMENTOS:
Srta. Abracadabra, Pink Ringo, Hanari, Marcy Black, Jane Nylleve e FranHyuuga.
OBRIGADA A TODOS POR LEREM!
Beijos, Tilim!
