AROMAS E ZUMBIDOS

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Presente para Pink Ringo

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Capítulo 5 - Ino, tem alguma coisa diferente aqui!

Eu não faço idéia de quanto tempo eu fiquei desmaiada. E não fiquei desmaiada nos braços de Shino, porque estava muito mais quentinho e macio onde eu estava e eu tenho certeza que os braços e o peito de Shino são feitos de músculos rígidos e firmes, sem jeito de ser macio. Abri um olho para confirmar que eu estava na cama de Shino enquanto ouvia alguns barulhos vindos da escada.

- Shino? - perguntei sentando na cama dele. Havia, com certeza, alguém se movendo na cozinha e eu torcia para ser Shino, porque eu nunca fui assaltada nem nada do tipo e não saberia o que fazer caso seja algum assaltante malignamente do mal.

Ninguém respondeu.

Ah, cara, porque é que essas coisas acontecem comigo? Com a minha sorte deve ser mesmo um assaltante malignamente do mal!

- Água - espera um pouco! Essa é a voz do Shino. Mas o assaltante malignamente do mal não deveria ter batido nele com um pau na nuca e o feito desmaiar ou entrado furtivamente como um ninja e colocado um paninho em frente à boca dele com um líquido que faz dormir ou algo assim?

Tirei o edredom dele de cima da minha cabeça onde eu o tinha colocado como um escudo caso fosse um ladrão e não Shino. Eu faço a mesma coisa - me cubro com o edredom até a cabeça - quando vou dormir depois de ter sido burra o suficiente para assistir um filme de terror no meio da noite. Acontece que não dá, eu não consigo tirar os olhos da tevê, não consigo nem me mover depois que eu paro num canal de um desses filmes. É como se eu ficasse hipnotizada, encolhida no sofá. E, enquanto sob essa hipnose, qualquer barulhinho lá fora é motivo para que eu pense que é um monstro!

Era só o Shino, enfim, com um copo de água estendido na minha direção. Peguei sem dizer uma palavra e bebi três goles enormes. Eu não tinha reparado que a minha garganta estava tão seca. Olhei para ele dando as costas e voltando para a cozinha, depois olhei para o copo só meio cheio. Como é que ele tinha conseguido achar o armário em que eu guardo os copos? Quero dizer, eu mesma que sou dona da casa passo uns bons cinco minutos tentando me lembrar em qual dos armários estão eles. Cretino! Deve ter ficado bisbilhotando minha cozinha.

Levantei de supetão empurrando as cobertas para longe o mais rápido que eu conseguia sem levar outro tombo, a água balançando perigosamente dentro do copo querendo brincar de suicida e beijar o chão de tacos do quarto do Shino - antes meu quarto-de-guardar-coisas-sem-importância-vital. E quando eu cheguei à cozinha/sala, que é como o meu apartamento está dividido; eu vi Shino arrumando a mesa e colocando sobre ela os pratos e os hashi, minha panela de arroz automática funcionando e operante em um dos lados da mesa e um peixe - que eu não sei o nome e não sei de onde surgiu - em cima da mesa, aberto, cheirando maravilhosamente bem. E foi aí que eu me lembrei o que eu ia fazer antes de desmaiar. Eu ia brigar com ele por ter me enganado tão descaradamente, já que ele obviamente deveria saber sobre o meu medo de insetos - como ele obviamente deveria saber eu já não sei, mas deveria.

- Seus insetos vão dar tchauzinho para as minhas flores! - eu disse. Queria dizer algo que soasse ameaçadoramente, mas as técnicas que eu aprendi com Gaara eram somente arrumar a voz e o olhar, como formular frases de efeito não estava incluído nas aulas de vilania.

- Não, eles não vão - ele respondeu. Eu abri a boca, depois a fechei e coloquei as duas mãos na cintura querendo parecer indignada. Quero dizer, eu estava indignada, mas achei que só estar não iria adiantar muito, então eu tinha que parecer e achei que colocar as mãos na cintura iriam me fazer parecer indignada. Funcionou, eu acho. Shino me olhou e arqueou uma de suas sobrancelhas - Você disse que eu podia trazer trabalho para casa, eu trabalho com insetos.

- Onde é que está escrito isso? - eu perguntei com a voz ficando uns três tons mais aguda. Pensei, diretamente, em letras miúdas em algum contrato de mil páginas e eu tentando encontrá-las com uma lupa, mas nós não temos um contrato, porque eu tinha esquecido que tinha que haver qualquer contrato - Nós não temos contrato.

- Contrato verbal - disse e eu quis, realmente quis, esganar ele. Apesar de ser gostoso, misteriosamente sexy ou qualquer outra qualidade que eu ainda ia descobrir, eu quis matá-lo. Ele ia mesmo me obrigar a viver com insetos na minha própria casa - Vamos jantar agora?

E eu me sentei à mesa, porque ele puxou a cadeira. Ok. Se eu tivesse matado ele não teria descoberto que ele é cavalheiro. Mas ainda existe a coisa dos insetos e não estou nem um pouquinho satisfeita de que o nosso acordo verbal tenha beneficiado ele.

- Onde é que eles estão?

- Eles quem? - retrucou Shino sem levantar os olhos de sua comida.

- Aquelas coisas que você trouxe, seus insetos em caixinha.

- Na estufa.

- ONDE? - levantei tão rápido que a cadeira caiu para trás e, cara, isso foi emocionante, porque eu sempre quis levantar rápido o suficiente para a cadeira cair para trás, mas enquanto morava sozinha eu nunca comia na mesa, sempre almoçava sentada no sofá e jantava chocolates na banheira pra depois ficar na esteira. De todo modo a emoção não foi intensa o suficiente para sufocar meu espanto.

Não esperei ele responder de novo, porque eu o ouvi começar a falar estufa, pulei a cadeira caída e corri escada acima para a minha estufa de vidro no terraço. Passei pelas plantas que ficam fora dela cuidadosamente para que nenhum daqueles insetos tenha idéias de pular em mim e arrancar meus olhos. Abri a porta da estufa com mais cuidado ainda, ali dentro eu estava em campo inimigo, já que aqueles monstrinhos deveriam estar espalhados por todas as minhas maravilhosas queridinhas.

- Não se preocupe.

- AAAH! - eu gritei e me virei para ver Shino às minhas costas, as mãos nos bolsos da calça. Eu me segurei em uma das estantes de gardênias para não cair e coloquei uma das mãos espalmada a frente do corpo pedindo a ele um segundo para me recompor. Claro que pare me recompor e gritar com ele - Quer me fazer gritar para que os seus insetos reconheçam o alvo e me ataquem?

- Eles não vão atacar você - e ele disse isso como se fosse verdade.

- Vão, sim. Eles sentem o meu cheiro de medo.

- Eles não são cães, Ino, são insetos - ele andou entre uma prateleira e outra, olhando e olhando, até que parou perto de um girassol enorme e posicionou o dedo perto de uma de suas pétalas. Um de seus insetos ficou em seu dedo enquanto ele se virava para mim - São inofensivos, uma espécie híbrida em experimentação.

- Se ele não se alimentar das minhas flores e nem arrancar meus olhos, eu vou saber que é inofensivo - disse dando dois passos para longe daquele monstro.

Shino bufou não acreditando no que eu tinha dito. Pensando bem dizer é bem mais estúpido do que parece quando eu escuto na minha cabeça. Voltou a colocar o inseto no girassol.

- Eles se alimentam de folhas, não de flores - sabe, Shino pode falar pra caramba quando o assunto é algo de que ele gosta, ou seja, insetos - São híbridos para formar híbridos. Eles polimerizam flores de espécies diferentes para formar espécies novas. É uma invenção minha.

Tá, tudo bem, o cara é gostoso, misteriosamente sexy e ainda consegue criar espécies híbridas de insetos que criam espécies híbridas de flores. Dá pra viver com isso, numa boa. Fala sério! Como é que você aí em cima, seja lá quem ou o que for, dá tudo isso pra ele enquanto me deixa aqui falida, neurótica - vamos admitir -, encalhada e chocólatra? Qual é o seu problema, Todo-Poderoso?

Certo que agora que o Shino veio morar comigo eu tirei todos os chocolates de seus esconderijos e joguei fora a maior parte, pois estava vencida ou estragada; também tenho mais dinheiro do que eu esperaria ganhar de qualquer outra pessoa que alugasse esse quarto e potencialmente indo para a estrada do desencalhamento, mas de brinde eu ganhei uma estufa cheia de insetos mutantes. Será que eu posso viver com isso?

- Esse foi o melhor lugar que eu encontrei para continuar a criá-los - disse-me Shino depois de um tempo já perto da porta da estufa - De toda Tóquio.

- Sério? - é, eu sou vaidosa, algum problema? Se bem que eu me lembro desse papo dele de ambiente propício antes de desmaiar. Mas ele não respondeu - Eles não vão estragar o meu negócio, não é?

- Você ouviu alguma coisa do que disse? - aprendi, também, que Shino é um homem que detesta ter que repetir as coisas e, portanto, é para você prestar muita atenção quando ele fala mais do que o seu normal.

- Então eles podem ficar - eu comecei a andar de volta a entrada, passando por ele, e chegando ao topo da escada antes de me virar - Agora vamos terminar de jantar.


Já faz duas semanas que Aburame Shino está morando no meu apartamento. Eu não posso reclamar, ele é totalmente organizado e nunca nada que é dele fica esparramada. Ele não arruma a cama, mas eu também não e agora podemos revezar quem leva e busca as roupas na lavanderia. Ele sempre pendura a toalha no lugar certo depois de tomar banho e não reclama de ir junto ao mercado. Aprendeu a comer comida delivery pelo menos quatro vezes por semana no almoço nos dias que ele está ocupado demais com os seus monstrinhos para cozinhar, mas no jantar ele faz questão. Os insetos continuam lá, sem comer minhas flores propriamente ditas, só as folhas delas.

Eu ainda não consigo nem decifrar a metade de pseudo-expressões que o Shino faz por trás de seus óculos, mas eu tô tentando. A levantada de sobrancelha tem, pelo menos, uma lista de coisas que pode significar:

- Indignação

- Desentendimento

- Repulsa

- Ironia

- "O que diabos você fumou?"

E mais algumas coisas.

Quando ele aperta os lábios formando uma linha fina, muito fina, é porque ele está irritado. Tão irritado que é recomendável que você leve o jantar dele em uma bandeja, deixe aos pés da porta do seu quarto, bata e saia correndo para se esconder no banheiro, mas quando a compressão de seus lábios faz com que fiquem com um biquinho rápido é quando ele não sabe direito o que dizer. Quando suspira lentamente é que está analisando a informação e as possíveis opções que ela trás. E quando ele está envergonhado - sim, eu consegui fazer isso - ele faz de tudo para que você não veja seu rosto.

Só uma vez eu consegui a proeza de deixá-lo com as maçãs do rosto rubras. Estava de tarde, tinha acabado de fechar a floricultura e subido para tomar um longo, muito longo, banho, no fim da nossa primeira semana de convivência. Eu sabia que ele estava na estufa, Shino sempre passa o crepúsculo na estufa, depois desce e a gente decide o jantar, mas ele sempre diz que vai cozinhar assim que eu o deixar terminar o banho – eu peguei o costume estranho de sempre querer perguntar sobre o jantar quando ele está no banho. E ele deve estar com os lábios apertados enquanto diz isso, porque a sua voz fica carregada de uma irritação fora do comum.

Eu entrei no banheiro e arranquei a roupa deixando-a no cesto, abri o chuveiro para deixar a banheira encher e coloquei um sal de banho nela, tudo lindo e maravilhoso que era o que eu merecia depois de um dia inteiro fazendo arranjos para um casamento que aconteceria no dia seguinte e eu tinha terminado todos eles, sem ajuda. Sentei na borda da banheira e, quando ela estava quase terminando de encher eu me toquei que tinha deixado minha toalha pendurada na maçaneta atrás da porta do meu quarto. Escancarei com pressa a porta do banheiro só de calcinha para dar de cara com Shino segurando uma rede de insetos. Tinha me esquecido totalmente e completamente que eu não era mais a única moradora da minha casa.

-I-Ino... - ele gaguejou. Gaguejou! E depois virou a cara, mas continuou parado no mesmo lugar. E eu? Ah, eu fiz a coisa mais sensata do mundo, fechei a porta. Mentira, eu não fiz. Desde quando eu sou uma pessoa sensata? Eu estava com vergonha, claro que estava, mas eu devo ter mais experiência com homens me vendo nua do que ele deve ter em ver mulheres nuas, porque meti meus braços em frente a meus seios e passei por ele que continuou virando a cara para todos os lugares imagináveis sem se mover.

- Esqueci a toalha! - disse quando entrei no meu quarto.

Enquanto eu voltava já enrolada na toalha ele continuava lá, virando a cabeça. Eu quase perguntei se ele estava com alguma dor e estava fazendo exercício para o pescoço, mas eu vi, tão rápido quanto o possível, as bochechas de Shino coloridas em vermelho. Eu quase gritei! Mas foi aí que minha sensatez resolveu acordar para a vida, porque eu entrei no banheiro e bati a porta. Lá dentro eu gritei. A banheira estava transbordando.

E essa foi à primeira cena constrangedora que transcorreu entre mim e Shino. Uma hora ou outra logicamente que precisaria haver alguma cena constrangedora, mas nem eu e nem ele poderíamos esperar que fosse tão terrível quanto essa foi. Eu contei para Sakura enquanto estava no terraço, de moletom e short, mas ela foi chamada para uma cirurgia bem no momento em que eu estava contando o mais bombástico e nem me ouviu. Quando Hinata veio aqui, na quinta, eu não contei pra ela, contei sobre as expressões indecifráveis dele, mas ela só me deu o conselho, rindo com sua voz de sino dos ventos, de que seria mais fácil com o tempo. Entregou-me o convite de seu casamento e foi embora.

E hoje já é sábado, o casamento de Hinata e Sasuke será na semana que vem, enquanto a visita para a minha casa em Fujisawa, província de Kanagawa, será no próximo domingo, um dos malditos 13 dias. Quando eu acordei hoje, por volta das 10, Shino já devia estar acordado há tempos, tinha o cabelo molhado e acabava de descer as escadas que levam a estufa. Eu não faço idéia de como ele pode gostar de insetos e passar tanto tempo com eles. Eu ainda tenho o pressentimento de que eles vão me atacar a qualquer momento, então sempre que eu tenho que ir até lá em cima ele vai comigo. Sentei no sofá, as pernas junto ao corpo e bocejei. Nos primeiros dias de Shino aqui em casa eu tentava acordar, me arrumar ao máximo que podia e só então sair do quarto para passar por ele tomando chá na cozinha rapidamente e correr para o banheiro, mas eu parei de tentar isso uns dois dias atrás, já que não fazia diferença. Agora eu simplesmente acordo, os cabelos totalmente desgrenhados, a cara amassada de sono, vou ao banheiro e volto para me sentar no sofá.

- Você vai cozinhar, Shino? - perguntei para ele e seu chá a mesa da cozinha, o jornal aberto a sua frente. Eu não sei de onde esses jornais dele estão surgindo, mas tem um novo a cada dia. Nunca tive a curiosidade de perguntar se ele saia para comprar todas as manhãs ou se ele tinha assinado e recebia todos os dias antes de eu acordar. Ele não respondeu quanto a cozinhar e isso por si só já é um consentimento - Comida japonesa de novo? - é, eu sei que a é a minha cultura, mas como eu vivo sozinha já faz um tempo e não sei cozinhar, eu comecei a pedir comida e, com isso, a variar os meus cardápios. A rotação de culturas também influenciou quando eu redecorei o meu apartamento. Troquei meus futóns por camas e o chão da sala por uma dupla de sofás. Voltar à época da casa da minha mãe, em que todo dia era comida japonesamente típica, me deprime.

- Você quer pedir comida de novo? - ele desdenhou. Shino é arraigado, ele gosta de ser japonês, tem orgulho disso e honra as tradições. Eu respeito isso. Até certo ponto e esse ponto é influenciar no meu cardápio.

- Não! Eu vou cozinhar - disse e me levantei do sofá. Abri todas as portas dos armários e da geladeira que estavam, eu notei, muito mais bem abastecidos do que eu lembrava - Escolha um tipo. Qualquer um.

Ele não respondeu. Será que Shino não conhece nenhum tipo de comida que não seja do Japão? Que fim de carreira. Escolhi um prato italiano que eu já havia pedido, chama-se Spaguetti e fui pesquisar uma boa receita disso na Internet. Achei, imprimi e fui pra cozinha. Passei boa meia-hora me habituando a situação mudada da minha cozinha, porque ultimamente era apenas ele quem colocava os pés aqui, então várias das minhas coisas bagunçadas e familiares agora estavam arrumadas e estranhas.

Aburame Shino suspirou lentamente antes de deixar o local com o jornal sob o braço e subir as escadas até a estufa deixando a cozinha, local que se tornara sagrado para ele, a minha mercê. Lembrando que a casa é minha e ele é o inquilino, não o contrário. Peguei a massa para udon¹ que tínhamos em casa e joguei em uma panela com água quente e óleo antes de chegar à geladeira onde havia tomates frescos que usei para fazer o molho, com um pouco de uma coisa verde picada e carne - carne! Está tão cara ultimamente que não compensa comprar se não for peixe, mas como quem pagou foi o Shino, tá valendo. Piquei o mais moído que consegui já que na receite dizia adicione a carne moída refogada.

Arrumei os pratos na mesa e coloquei os hashi - francamente eu não posso tirar assim toda a nossa tradição, não sei comer com aquele garfo ou sei lá como chama - nos seus respectivos hashioki² e coloquei até duas taças e um bom vinho que eu tinha guardado desde muito tempo atrás. Fui até o pé da escada que dá para a estufa e gritei:

- SHINO, ESTÁ PRONTO! - e voltei para perto da mesa. Sorri largamente quando ele apareceu pela abertura da porta e anunciei o que seria o almoço. Ele ficou parado, uma sobrancelha arqueada e só saiu daquela posição quando eu ouvi a campainha tocando. Bebi um gole do vinho no meu copo antes de descer - Vai sentando, Shino.

Quis vomitar quando cheguei à porta da floricultura. Parada, logo ali do outro lado, rindo e acenando pra mim assim que me viu, estava minha mãe. O que diabos ela ta fazendo aqui? Ela não deveria estar aqui, ela nunca vem me visitar se não for para avisar que alguém morreu ou algo assim, eu que vou até ela lá em Fujisawa, província de Kanagawa, num dos malditos 13 dias. Respirei fundo, meu cérebro trabalhando a mil por hora, porque eu tinha um cara morando comigo, um cara potencialmente namorável, provavelmente casável na opinião da minha mãe, morando comigo, mas com quem eu não tinha nenhum tipo de envolvimento sexual.

Ele está lá em cima. Ela está aqui em baixo. Eu estou ferrada.

- Mãe, o que você ta fazendo aqui? - perguntei assim que abri a porta da loja.

- O quê? Não posso visitar minha única filhinha? - ela nem me cumprimentou, mas eu também nem a cumprimentei, e foi entrando, vasculhando a loja a procura de qualquer coisa que não estivesse de acordo com os seus padrões - Como você está, querida? - ela sorriu quando se virou novamente para mim.

- Bem, maravilhosa, pode ir agora - e tornei a abrir a porta para ela sair, mas quando eu vi, ela já estava subindo a escada.

- Ino, tem alguma coisa diferente aqui! - exclamou da escada. Eu tranquei a porta novamente e subi correndo atrás dela. Céus, isso deveria ser alguma habilidade especial dela, porque minha mãe pressente quando tem homem envolvido comigo em a oceanos de distância. Como Fujisawa é meio distante de Tóquio, demorou um pouco para que ela percebesse que tinha um cara morando comigo sob o mesmo teto, mas ela percebeu e agora ela está aqui acabando de entrar na minha sala para ver Shino levantando-se da mesa - Oh, desculpe interromper! - ela disse, maliciosamente passando os olhos por Shino e depois se virando para mim, um sorrisinho em seu rosto - Ino, você não me contou que...

- Shino está morando comigo, mãe - disse tudo de uma vez enquanto ele se aproximava. O sorriso dela se alargou. Com certeza ela deveria estar pensando "Não é nenhum Hyuuga Neji, mas...".

- Morando com você? E você não me disse? - ela olhou de novo para Shino, sorriu e cumprimentou-o - Muito prazer conhecê-lo - e me puxou pelo braço até o meu quarto batendo a porta logo depois - Ino! Como assim ele está morando com você? - foi até o meu criado mudo e abaixou a foto de Gaara.

- Não faça isso! - disse eu pegando o porta-retrato nas mãos - Você entendeu errado, mãe, Shino mora comigo como meu inquilino, ele alugou o quarto ao lado.

- Inquilino - ela repetiu a palavra, analisando-a, saboreando-a. Minha mãe faz isso, ás vezes, para pensar em alguma solução que a agrade - E vocês transam com freqüência?

Lembra-se daquela vontade que eu tive de vomitar quando a vi parada na minha porta da frente? Acredita que voltou agora com mais força? Oh, que surpresa! Não, mamãe, eu e Shino não transamos freqüentemente, não que eu não queira, porque eu quero e acho que sou uma garota bem bonita e que ele está demorando demais para me segurar e prensar contra a estufa, mas isso não é algo que eu vou dizer a você. Esforcei-me para não sujar os sapatos da minha mãe e o chão do meu quarto quando a via saindo pela porta e voltando para perto de Shino que tinha sentado no sofá, mas como era um cavalheiro voltara a se levantar quando minha mãe entrou na sala.

Ela lhe sorriu amigavelmente, do mesmo jeito que sorriu para aquele sobrinho de 17 anos desprezível de uma de suas amigas antes de me apresentar a ele. Fez um circulo em volta de Shino, olhando com a mão no queixo. Minha cara pintou-se de vermelho e eu bati com as mãos nas bochechas. O que eu fiz, sério, para merecer isso? Eu não podia ter uma mãe normal, seria muita bondade na minha vida maravilhosa de encalhada, falida, chocólatra.

- Como se chama?

- Aburame Shino - pronto, começou o interrogatório.

- E o que você faz, Shino?

- Sou entomólogo - minha mãe, sim, fez a sua mais perfeita e genuína cara de confusa e Shino explicou para ela - Trabalho com o estudo e desenvolvimento de novas espécies de insetos.

- E você tem condições de sustentar uma família com esse ofício?

- Mãe! Quer ir embora? Você interrompeu o nosso almoço - eu resmunguei depois de tomar um grande gole de vinho direto do gargalo. Shino dirigiu seus óculos escuros na minha direção - porque eu já criei minha teoria de que os óculos servem para ele no lugar dos olhos - e depois voltou para minha mãe. Isso, Shino, perceba minha expressão de agonia e me ajude a expulsar ela de volta para seita casamenteira diabólica de onde ela saiu.

- E você tem algum problema de esterilidade? - ela continuou me ignorando completamente. Minha cara, tenho certeza, nunca mais vai deixar de ser carmim, mas isso não envergonhou Aburame Shino nem um pouco.

- Sra. Yamanaka - ela olhou para ele com os olhos brilhando, encantada - Gostaria de sentar? - indicou o sofá.

Não, Shino, é para ela ir embora, não se sentir confortável e encorajada a ficar. Temos que levá-la porta afora, mas ele não entendeu minhas mímicas desesperada as costas de minha mãe, porque foi super educado enquanto ela acarretava uma conversa sem pausas sobre a minha infância, depois sobre a época do colegial e todas as minhas frustrações amorosas. Ela só não falou sobre o Gaara, porque nunca aprovou o meu namoro com ele. Ela não gosta de diplomatas, dizia que o trabalho de Gaara era inútil.

Eu só peguei aquela garrafa de vinho e entornei enquanto eles conversavam. Fiquei ouvindo, mas tragando até a garrafa acabar. Eu preciso estar bêbada, muito bêbada, para agüentar isso.

- Ino, a propósito - eu olhei para ela sem realmente vê-la, havia duas de minha mãe. Ok, agora eu realmente estou ficando louca - Neji, aquele amor de rapaz, voltou para o país, eu liguei para a Mansão Hyuuga e disse para ele te ligar. Não se afaste muito do telefone.

Ela falou sobre Neji. Ela falou para ele me ligar. Ela ligou pra ele me ligar. E ela disse isso, tudo isso, na frente do Shino. Cara, onde é que foi que eu coloquei aquele saquê, mesmo?


Udon¹: um tipo de macarrão japonês.

Hashioki²: suporte para hashis. Em um restaurante japonês jamais espete os hashis na comida, coloque-os horizontalmente sobre a tigela ou no hashioki.


Olá!

Povo, desculpe a demora!

Eu, na verdade, não tenho uma justificativa boa para o atraso além da falta de tempo absurda que tive esses dias pré-volta às aulas e um bloqueio criativo terrível, por favor, espero que compreendam.

Espero que tenham gostado do capítulo! Não é o meu favorito, mas é um capítulo legal. Mais legal ainda vai ser o próximo!

AGRADECIMENTOS:

Srta. Abracadabra, Hyuuga Ana-chan, Nat, Lucy, Lust Lotu's e Toph-baka.

Agradecimento especial a Srta. Abracadabra por betar.

OBRIGADA POR LEREM!

Beijos, Tilim!