AROMAS E ZUMBIDOS

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Presente para Pink Ringo.

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Capítulo 8 – Lá Vem a Noiva

Eu já disse que vida de homem é um milhão de vezes mais fácil do que a vida de uma mulher? Não? Então falo agora. E eles ainda têm a coragem de ficarem reclamando que nós reclamamos demais. Francamente, se eles tivessem que rodar um shopping inteiro à procura do vestido perfeito para ir ao casamento de uma de suas melhores amigas com um de seus melhores amigos, onde vão estar presentes os maiores e mais importantes empresários, as mais brilhantes celebridades e os mais enxeridos paparazzi do mundo – porque, só por acaso, esse é o casamento dos herdeiros das duas maiores companhias empresariais do Japão – eles também, certamente, reclamariam um pouquinho. É simplesmente impossível de entender a complexidade e a intensidade da emoção de chegar a uma loja, bater os olhos naquele vestido magnífico e dizer:

- É esse! – eu gritei quando sai do vestiário e me olhei no espelho enorme, do chão ao teto, preso na parede da quadragésima loja em que eu estou provando vestidos hoje – Esse mesmo! Vou levar, pode embrulhar!

- Ah, senhorita, sinto muito – começou a vendedora com um sorriso amarelo no rosto – Mas não é possível que você leve este vestido.

- O quê? Por quê? Ele ficou divino em mim!

- Ele é um vestido de noiva, Ino! – Shino resmungou atrás de mim, sentado em uma cadeira, com a boca apertada em uma linha tão fina que eu pensei que seus lábios fossem se grudar para sempre.

Tudo bem, pensando agora depois de analisar essa face completamente medonha que Shino está mostrando para mim, é meio compreensível que eles, os homens, reclamem um pouco sobre a dificuldade das mulheres escolherem roupas se elas arrastam-nos com elas para ficarem sentados dizendo se o vestido está bom ou não. Se te deixa mais magra ou mais gorda ou com seios caídos ou bunda empinada. E sabe as quadragésima loja que eu estou agora? Shino foi comigo, calado e paciente, nas trinta e nove anteriores. Ele é realmente um cara esquisito que gosta de insetos muito corajoso, não é?

- Claro que posso, Shino! – eu me virei, olhando para o espelho novamente – Eu recebo pedidos de casamento o tempo todo, talvez uma hora eu aceite um deles.

- O carteiro é deficiente mental, você sabe, não é, Ino?

Eu parei. Encarei-o através do espelho e os meus olhos foram se estreitando e estreitando, muito parecidos com os de Gaara quando ele ficava bravo. O rosto de Shino, pelo contrário, foi relaxando, como se ele ficasse mais lívido e sereno com a minha demonstração de raiva. Desci do pequeno pódio redondo onde as noivas ficam para ajustes do vestido e entrei resmungando na cabine de prova:

- Porque eu trouxe esse idiota comigo mesmo?

- Você precisa de ajuda, senhorita? – perguntou a atendente muito solícita. Para me deixar levar o vestido ela não foi tão bondosa assim!

- Não, obrigada – destilei para ela, porque se essa criatura entrasse aqui eu arrancaria os olhos dela e passaria todo o líquido vítreo que escorreria dos buracos no crânio dela no vestido imaculado. É, eu sei ser diabólica!

Do lado de fora eu acho que a atendente se afastou com medo que eu a enforcasse com a cortina do provador, o que eu poderia fazer sem nenhuma dificuldade, e a ouvi conversando com Shino.

- Ela é sua namorada, senhor?

- Não, é minha colega de apartamento. Por quê? Porque sou entomólogo.

Claro, Shino, aposto que isso fez com que todas as coisas se esclarecessem na cabeça dela, porque, sei lá, o mundo todo sabe mesmo o que diabos é um entomólogo e o porquê de nós sermos colegas de apartamento. Só que, para minha total surpresa, ela respondeu:

- Sério? Eu estudo entomologia também! – COMO ISSO É POSSÍVEL?

Garotinha interesseira! Eu terminei de abrir os botões do vestido, aqueles botões de pérola rosa que há cinco minutos atrás eu tinha achado a coisa mais linda, com um puxão tão brusco que um deles estourou a costura e chicoteou na parede do provador. Eu parei de me mexer um instante para saber se alguém tinha ouvido aquele estalo, mas nada aconteceu, então terminei de tirá-lo, um pouco mais delicadamente.

- Shino, vamos embora! – eu saí do provador e agarrei minha bolsa da poltrona ao lado dele, depois agarrei sua mão e sai puxando-o e bufando da loja, sem nem dar tempo de ele pegar o cartão com o telefone dela que aquela atendente pretensiosa estava oferecendo para Shino.

Aposto que os passantes estavam achando a cena bem bizarra. Uma garota reclamando e agarrando um cara usando um casaco enorme e óculos escuros pelo shopping como se puxa uma mula empacada. E eu continuaria assim até chegarmos em casa se não fosse Shino parar de vez, segurar a minha mão e me puxar para ele tão forte que eu girei como se estivéssemos dançando valsa e me estatelei no peito dele. Não foi uma sensação ruim, nem de longe!

- Quer parar um segundo e me escutar? – escutar? Escutar o quê? Eu nem tinha percebido que ele estava falando. Eu estava tão perto e nós dois estávamos tão imóveis, que o hálito da nossa pasta de dentes chegou rapidamente da boca de Shino até mim. E eu me senti esquentar deliciosamente com o tom autoritário e rude que ele usou – Ino, você está parecendo uma louca me puxando por aí, as pessoas estão até apontando.

Sabe, para dar bronca o Shino também fala bastante. Quero dizer, ele fala bastante quando o assunto é algo que ele gosta, então será que ele gosta de ficar bravo? Que coisa esquisita!

- Qual é o problema?

- Ciúmes? Não estou com ciúmes de você! – como eu posso estar com ciúmes de Shino, é completamente incabível de isso acontecer. Ele é meu inquilino há pouco mais de um mês. E ele é bonito e inteligente e, céus, eu queria mesmo transar com ele e tudo o mais, mas não estou com ciúmes dele!

- Não foi isso que eu perguntei.

Merda.

Eu e minha boca enorme!

- Quer me soltar, isso está ridículo! – eu disse, virando o rosto para outro lado, muito longe da linha de visão de Shino, para que ele não visse que eu tinha ficado completamente escarlate com aquela declaração.

- É você quem está me segurando, Ino.

Cara, fala sério, será que eu não dou uma dentro?

E então eu percebi que as minhas mãos tinham agarrado as barras do casaco aberto dele e que eu estava de ponta de pé, a milímetros do rosto dele. Meus dedos estavam até doloridos quando o soltei tamanha a força com que o agarrava e dei-lhe as costas. Duas garotas ali ao lado terminaram de bater uma foto da cena e saíram rindo. Ah, eu sou uma piada mesmo!

- Vamos – chamou Shino recomeçando a andar pelo shopping em direção as escadas rolantes para irmos até o último andar.

- Aonde?

- Você ainda tem que escolher seu vestido – ele subiu no degrau e eu fiquei um abaixo enquanto a escada se movia lentamente – Você conseguiu encontrar algum defeito nos últimos trezentos que experimentou.

- Não foram tantos assim!

- Foram sim. Eu contei.

Quase tropecei quando descemos da escada rolante de tão embasbacada que eu fiquei. Cara, trezentos vestidos! Eu devo ter batido algum recorde, não é possível. Segui Shino ainda sem conseguir raciocinar direito e fui entrando com ele em uma loja especializada do último andar para vestidos e ternos. Na verdade, eu nunca entrei no último andar do shopping, é que aqui em cima é onde ficam as lojas mais caras de butiques internacionais e sei que, se eu ficar por aqui, vou acabar querendo comprar de tudo, porém a minha situação financeira não é das melhores. Ah, tudo bem, quem é que eu quero enganar? Minha situação financeira é um fiasco, não pode nem ser considerada uma situação financeira. Mas como Shino entrou na loja e eu estava estupefata demais com o meu recorde em provar vestidos, nem notei que lugar era aquele.

Quando me recuperei Shino já havia falado com uma atendente magérrima e muito bem vestida com um conjunto de terninho e saia de corte reto. A loja é separada em dois lados, masculina e feminina. Do lado masculino se posicionam umas do lado das outras inúmeras araras com os ternos mais bem costurados e bem passados que eu jamais vi e pensei que Shino fosse comprar alguma coisa, mas quando olhei para o outro lado a atendente estava trazendo um braço cheio de vestidos tão coloridos quanto um arco-íris, tão bonitos e delicados e macios como às pétalas das minhas orquídeas raras. Eu andei até a atendente com as mãos tremendo em direção daqueles vestidos. Eu via as etiquetas famosas, mas me recusava a olhar os preços. Acho que somente experimentar não fará mal, certo?

- Escolha um, duvido que possa encontrar defeitos nestes – disse Shino secamente olhando na direção da parte masculina da loja – Será... - nesta parte ele ficou um pouco relutante, abaixou a cabeça e arrumou os óculos antes que ele deslizasse mais por sobre seu nariz fino - ...um presente meu.

O meu estômago se aqueceu e a quentura subiu e desceu inúmeras vezes enquanto eu olhei de novo para os vestidos caríssimos e para Shino. Ele estava sendo gentil? Depois de uma cesta de chocolates ele ainda ia me dar um vestido daqueles? Céus, eu devo tê-lo deixado bastante traumatizado com minha semana menstruada, não é? Só que Shino não parece ser um homem que se abala por muito tempo com as oscilações de humor de uma mulher, ele se faz de inalcançável demais para isso. Então eu peguei um dos primeiros vestidos da pilha que a atendente ainda segurava e senti que ele era tão macio e suave como aparentava, feito de seda pura. Andei até ele que ainda olhava para o outro lado e me coloquei a sua frente. Sorri e ele me olhou com uma sobrancelha arqueada.

- Obrigada, Shino – ele pareceu surpreso, porque a outra sobrancelha se juntou a que estava arqueada. Não o deixei dizer mais nada e entrei no provador de roupas espaçoso.

Ainda sorrindo eu coloquei o terceiro vestido, não que os dois últimos tivessem ficado ruins, mas esse combina com meus olhos. É um tom de azul celeste que desce até os pés em degrade até se tornar um preto sombrio. Exatamente o estilo de roupa que eu gosto. Ele tem um corte reto no busto e alças finíssimas que só estão ali para enfeitar, pois são totalmente de brilhantes pequeninos. E, sinceramente, eu me senti maravilhosa dentro daquele vestido. Saí do provador e a atendente correu para mim, olhando e sorrindo de todos os lados.

- Meu Deus, você está linda! – ela disse – E é tão magra, como você consegue?

- Ahn... – eu não sei se sou tão magra assim, quero dizer, eu como chocolate como uma desesperada – Muito chocolate, esteira... E um colega de apartamento gostoso! – foi o que e completei depois de dar uma olhadela para a outra parte da loja e ver Shino com uma camisa social verde e um terno preto sobre ela.

A atendente - que mais parecia uma modelo anorexica – pareceu se lembrar de alguma coisa e me pediu para esperar por ali enquanto ia buscar. Dois minutos depois ela voltou uma pilha de caixas de sapato tão de marca quanto os vestidos que ela segurava anteriormente. Eu estremeci. Não, eu não posso comprar um par de sapatos, Shino disse somente um vestido e deve ser realmente complicado para um entomólogo pagar alguma coisa numa loja daquelas, ele deve estar gastando suas economias recolhidas com muito esforço ao longo dos anos comigo.

- O senhor Aburame pediu para te mostrar umas sandálias para escolher, alguma que combine com o vestido.

Ah, certo, então foi Shino quem pediu que ela fizesse isso. Mas, senhor Aburame? Que estranho ouvir alguém chamar Shino desse jeito. Quero dizer, ele é o Shino, o cara esquisito entomólogo que mora comigo, não o senhor Aburame.

Antes que eu percebesse a atendente já tinha colocado uma sandália nos meus pés e aquele amontoado de tiras finas deslizou tão suavemente pelo meu tornozelo que eu nem percebi. A cor dela é tão azul celeste quanto à parte do busto do vestido e, sinceramente, foi amor à primeira vista. Se eu não levasse aquela sandália eu deveria arder no inferno pela eternidade, porque ela foi feita para mim. Está escrito Yamanaka Ino na sola. Não literalmente, mas eu posso ver que está. Na minha mente está, pelo menos.

- É esta! – eu exclamei flutuando até o espelho amplo ali ao lado e uma outra mulher que experimentava sandálias prateadas e sua atendente me olharam com admiração quando passei por elas – Este vestido e esta sandália!

Quando eu percebi já tinha tirado o vestido e a sandália, me trocado e sido conduzida ao caixa. Shino estava ao meu lado e tirou um cartão de crédito dourado da carteira. Eu nem sabia que Shino podia ganhar dinheiro com aquele negócio de insetos, quem dera que ele tinha um cartão de crédito daqueles. A moça do caixa pegou o cartão sorrindo e sorrindo devolveu para ele depois de passar pelo leitor. Shino assinou e duas sacolas com o logo da loja foram entregues. Um atendente colocando um terno dentro de uma capa se virou para Shino, todo solícito.

- Quer que entregue, senhor Aburame? – e o meu colega de apartamento balançou a cabeça que sim.

Senhor Aburame. Isso é muito estranho, sabe. Olhei para as minhas duas sacolas, uma com uma caixa de sapatos e a outra com o vestido muito bem embrulhado em papel de seda centro de uma caixa mais fina. Shino colocou novamente as mãos nos bolsos do casaco aberto e eu desacelerei meus passos para poder olhar suas costas. Será que um entomólogo ganha tão bem assim?

Certo – eu estaquei –, espere um momento.

Aburame Shino é rico?


Droga! Droga! Droga! Droga! Droga!

Já não agüento mais repetir isso, porque toda a vez que eu enrolo meu cabelo na porcaria do bobliss nunca fica o cacho? Que raiva, maldição de cabelo liso! O casamento de Hinata vai começar em menos de uma hora e eu ainda não conseguia arrumar o meu cabelo, porque ele não para cacheado. Saí do banheiro enrolada na toalha branca e, por baixo, somente a lingerie. Shino estava sentado na sala lendo alguma coisa sobre insetos e me olhou com seus óculos quando eu passei bufando e entrei no meu quarto para sair de lá segundos depois com um tubo de spray de cabelo fixador. Esses cachos vão existir, de qualquer maneira!

Passei o spray por todo o meu cabelo e retomei a tarefa de cachear mecha por mecha, inclusive a parte azul que ficou ainda mais destacada. Eu repintei antes de começar a preparar o penteado, ficou lindo. Depois de, finalmente, conseguir cachear meus cabelos, comecei com a tarefa de prendê-los em um coque estranho atrás da cabeça com inúmeros grampos, mas a coisa se tornou difícil o suficiente a ponto de eu na conseguir mais segurar o cabelo e prender o grampo ao mesmo tempo. Como é difícil ser mulher, saco!

- Shino! Shino, me ajuda aqui! – gritei para a sala. Eu deixei a porta aberta. Não demorou muito e ele já estava ali na porta do banheiro, encostou-se ao batente, cruzou os braços e ergueu a sobrancelha.

E então minha toalha caiu. Que bom!

Eu vi o rosto de Shino ficar rubro e ele desviar o rosto. Ele quis se abaixar para pegar a toalha, mas os meus braços já estavam erguidos a tanto tempo na direção dos meus cabelos que estavam ficando dormentes.

- Ignore a porcaria da toalha, segura aqui pra mim! – chacoalhei os braços dando ênfase para onde eu queria que ele segurasse. Ele se aproximou um passo e estendeu o braço para o meu cabelo – Ah, Shino, faça-me o favor de segurar direito!

Puxei a mão dele e ele, consequentemente, para mais perto de mim. Nem me importei de estar de lingerie na frente do cara que eu supostamente queria que me agarrasse e tudo tamanha a minha raiva com aquela porcaria de cabelo. Peguei mais alguns grampos de cima da pia e terminei de ajeitar os cabelos antes de deixá-lo soltar.

- Obrigada! – eu disse ao me virar sorrindo, mas ele só desviou o olhar e saiu do banheiro no exato momento em que a campainha tocou e desceu as escadas. Nem me importei mais em pegar a toalha do chão.

- Belas pernas, Ino! – disse uma voz divertida e conhecida vinda das escadas. Eu parei a meio caminho do meu quarto para ver o sorriso de caninos salientes de um Kiba vestido com terno, camisa vermelha e gravata. Céus, que visão!

- Kiba? – perguntei espantada e nem me importei de ele me ver de roupa íntima. Shino subia as escadas atrás dele e, cara, eu nem tinha percebido que ele estava trocado com a camisa verde do outro dia, gravata risca de giz de um verde mais escuro e prata e o terno preto – Vocês se conhecem? – apontei para Shino.

- Desde berço – ele sorriu mais e olhou para o entomólogo estreitando os olhos de um jeito realmente sedutor, mas não acho que essa foi à intenção dele para Shino – Porque você não me disse que estava morando com a Ino, Shino?

- Não achei necessário.

Ele não achou necessário? Como assim? Eu vou matar ele!

- Vamos, Kiba – ele começou a descer as escadas sem olhar para trás.

- Realmente bom te ver, Ino – Kiba me olhou de cima a baixo, sorriu e acenou antes de seguir Shino escada abaixo.

E quando a porta de frente bateu, eu me lembrei de algo importante. Kiba não é um dos padrinhos da Hinata? Onde é que ele vai com Shino? Será que ele não vai ao casamento? Hinata sabe disso? Ah, se ele não aparecer lá para ficar ao lado dela ela vai se sentir horrível, Kiba é um dos melhores amigos dela, dá aula na mesma faculdade que ela!

Entrei no meu quarto decidida a tomar o lugar de madrinha caso Inuzuka Kiba, aquele desnaturado, não aparecesse de fato. Vesti o vestido de noite degrade azul e a sandália e fiz a mais linda maquiagem que eu tive a capacidade na vida. Claro que a matéria sobre realçar os olhos numa das revistas de moda que eu achei no banheiro ajudou bastante. Dei uma última olhada no cabelo depois de passar o batom vermelho, peguei a minha bolsa e desci as escadas entrando no táxi que já estava me esperando lá embaixo.


Hinata, desde menina, gosta de coisas velhas. Ela sempre queria comprar livros usados quando passávamos pelos sebos, ela sempre gostou de móveis coloniais e todas as coisas européias. Não sei como ela casou com o Sasuke, que é um cara tão tecnológico. Mas acho que é por isso que existe o ditado que os opostos de atraem. O casamento deles ocorreria no saguão do Plaza de Tóquio e, fala sério, não é qualquer um que pode dizer que consegue isso. Acontece que, para a união de dois nomes pesados como Uchiha e Hyuuga, qualquer um abre exceção.

Eu desembarquei do meu táxi e fui recepcionada por um tapete vermelho quilométrico. Flashes de câmeras e diversas luzes me deixaram tonta conforme eu andava até a entrada dourada do prédio. Céus, há tantas luzes e coisas brilhantes que mais parecia que eu estava entrando no paraíso. Fui recepcionada por um homem muito bem vestido, com uma roupa idêntica a dos garçons. Ele me guiou pelo saguão do hotel e eu pude jurar que, por um segundo, eu vi o Kenichi Matsuyama¹ fazendo check-in apoiado no balcão da recepção. Continuei seguindo o tal recepcionista até entrar no grande salão onde aconteceria o casamento em estilo tradicionalmente europeu, apesar de no centro do altar estar prostrado um monge oriental. Acho que nem tudo dá pra fazer diferente, não é?

Havia duas fileiras de bancos de madeira com suas laterais enfeitadas de flores, tantas flores por todo o lugar que eu não conseguiria fazer esse número de arranjos, mas Hinata foi bondosa e me deixou com o dever de fazer apenas o seu buquê. Eu acenei para Tenten e Lee do outro lado do salão. Eles estão de mãos dadas, claro que estão, eu sempre soube que eles iriam ficar juntos. Até parece que o Lee só foi para a China – onde Tenten montou a rede de academias marciais dela – para fazer uma participação especial no curso de karatê. "Pelo fogo da juventude!" ele disse. É, conheço bem o fogo de que ele estava falando. Naruto está rodeado por um grupinho de pessoas famosas e Sakura ao seu lado não parece estar apreciando muito toda essa atenção que seu noivo está chamando.

O salão está lotado e as pessoas começaram a tomar seus lugares para assistir a cerimônia quando eu avistei Sasuke no altar. Ele está lindo, mais lindo que nunca, e tão sério como sempre. Mas eu posso ver, todas as pessoas presentes e com bons olhos podem ver, as mãos dele tremendo de nervosismo. Uma coisa que Uchiha Sasuke sempre prezou é a discrição e parado ali sobre o altar sendo observado por tantas pessoas não é um bom jeito de passar-se por discreto. Naruto e Sakura se colocaram ao lado dele e o loiro lhe deu tapinhas tranqüilizadores no ombro a qual não pareceu agradar muito Sasuke. Não consegui encontrar Kiba, mas em compensação eu fui encontrada.

- Eu disse que era ela, Inochi. Veja, é aquela coisa no cabelo dela – eu conheço essa voz e conheço esse nome. Adoro o nome, a voz nem tanto – Ino, querida!

Respirei fundo, me perguntei um milhão de vezes porque, diabos, não tinha nada alcoólico por perto no momento e então me virei. Sorri de lado para minha mãe e meu pai que vinham até mim. Mamãe me analisou dos pés a cabeça e ainda levantou a barra do meu vestido para ver a sandália antes de me cumprimentar. Papai foi mais agradável.

- Está tudo bem com você, Ino? – ele perguntou, sorrindo de leve, como todos os pais deveriam sorrir sempre, mas a minha mãe não sorri a menos que alguém tenha dito alguma coisa maldosa sobre outra pessoa para ela.

- Está tudo ótimo – respondi.

- Ino, sabe quem vai entrar com Hinata na igreja? Ele voltou de viagem somente para isto, o Neji – minha mãe sussurrou, mas seguia com os olhos uma garota que acabava de entrar. Deve estar pensando um milhão de injúrias contra ela por estar simplesmente magnífica naquele vestido prateado – Acho que, se ele pudesse, se casava com a prima.

Sabe, eu também não duvido muito disso. Todo mundo já sabe há séculos que o Neji sempre sentiu e sempre sentirá algo pela Hinata, só a Hinata que é ingênua demais para perceber as coisas não nota as investidas descaradas que ele faz. E o Naruto, é claro, mas ele é burro demais para isso. Sasuke morre de ciúmes e faz de tudo para manter Hinata o mais afastada dele possível.

- Vamos, vamos, querida – meu pai chamou, ainda sorrindo suavemente para mim, pegando minha mãe pelo cotovelo e levando-a para um dos bancos, sem se importar de ficar ouvindo-a fofocar sobre as pessoas – Até a festa, Ino.

Meu pai vai pro céu direto, quanto a minha mãe eu tenho minhas dúvidas.

Avistei Shikamaru e Temari em um canto e fui até eles. O barrigão saliente de Temari ficou um pouco disfarçado pelo vestido preto dela, mas não o suficiente para as pessoas desistirem de pensar que ela está grávida. Mesmo eu dizendo para ela que ela ficava ainda mais bonita grávida, ela me disse que faria isso, sabe, tentar evitar os olhares. Shikamaru está ao seu lado, o tempo todo, os dedos entrelaçados aos dela como argolas inseparáveis.

- Como vai minha afilhada? – acariciei a barriga de Temari e sorri enquanto fazia isso.

- Está chutando o tempo todo – respondeu Temari – Pelo jeito não puxou ao pai.

- É uma mini-problemática – o homem ao lado disse com os olhos sonolentos de sempre – Será que isso vai demorar pra começar?

- Acho que não, Sasuke está tremendo mais que eu liquidificador – disse-lhe e depois olhei para Temari, suplicante, mesmo sabendo que o que eu ia pedir ela não me negaria jamais – Posso sentar perto de vocês? Quero ficar longe da minha mãe.

- Tá brincando, Ino? Eu te espanco se você não sentar do meu lado, Shikamaru com certeza vai dormir a cerimônia toda.

- Amém – ele completou e fomos todos para um dos bancos bem na frente. Acenei para Sakura e ela retribuiu. Não demorou muito para que os últimos convidados se sentassem, Sasuke ficasse ainda mais nervoso e as portas de entrada do salão se abrissem com lentidão.

Olhei para trás por um instante e me levantei junto com a multidão do salão. Quanto tornei a olhar para frente e a marcha nupcial começar a ser entoada por um quarteto de cordas colocado discretamente ali ao lado, eu me paralisei no lugar. Ali, no lugar em que deveriam estar os dois padrinhos de Hinata, estavam Kiba, como deveria ser, e Shino. O mesmo Shino que é o meu colega de apartamento, o cara esquisito que usa um casacão de frio no verão, o entomólogo com quem eu quero transar. Está parado lá, com os óculos escuros, esperando Hinata seguir calmamente pelo tapete vermelho. Ela, com as lágrimas nos olhos por cair com a emoção, de braço dado com Neji e simplesmente à pessoa mais radiante do mundo com aquele vestido feito sob medida e os cabelos presos com brilhantes em um coque frouxo. Os óculos dele se encontraram com os meus olhos e começaram a deslizar para a ponta de seu nariz, mas ele ajeitou-os antes que eu pudesse ver seus olhos. Hinata chegou ao palco, Sasuke praticamente rosnou para Neji, as pessoas se sentaram e a cerimônia começou.

- Ino – sussurrou Temari ao meu lado – Ino!

- O quê? – perguntei olhando-a, por algum motivo, de cima.

- Eles estão esperando você sentar, problemática – quem sussurrou isso foi Shikamaru ao lado de Temari.

Foi aí que eu percebi que todas as pessoas se sentaram e estavam olhando para mim, o salão inteiro, porque eu continuava em pé. Olhei em volta sentindo que eu poderia ser considerada um raro vaga-lume de brilho vermelho, tamanha a intensidade com que eu senti minhas faces ardendo, e arrisquei um olhar rápido para Hinata – que me sorria gentilmente – e para Sasuke – que tinha uma sobrancelha arqueada, quase como Shino – e recuperei o movimento do meu corpo para me sentar com um pedido sussurrado de desculpas.


A festa aconteceria no salão vizinho e tudo estava maravilhoso. A decoração de muito bom gosto constituía-se por toalhas de mesa azuis escuras e brancos puríssimo. A pista de dança foi rodeada por balões brancos, pretos e prateados e banda era muito bem requisitada. Acho que a decoradora da festa também aderiu a idéia que nós formamos de que Sasuke e Hinata juntos são os dois lados do Yin e Yang. Um outro recepcionista pediu nossos nomes e nos guiou para uma enorme mesa redonda onde deveriam ficar os amigos íntimos dos noivos. Sentei-me ao lado de Temari ainda meio pasma e segurei com força o avental de um garçom que passou, quase derrubando todas as taças em cima de uma mulher que eu não conheço, para pegar duas taças de champanha. Naruto e Sakura se juntaram a nós e Kiba e Chouji e Tenten e Rock Lee. Virei às duas taças antes de Sakura, que se sentou do meu outro lado, perguntar:

- Aconteceu alguma coisa lá na cerimônia, Ino?

- É, você ficou quieta o tempo todo – completou Temari.

- Vocês sabiam... – eu comecei, tomando fôlego -... quem seria o outro padrinho da Hinata? Vocês o conheciam?

- O Aburame Shino? – perguntou Temari levantando os olhos e procurando-o – Claro que sim.

- Ele, a Hinata e o Kiba estudaram juntos na mesma faculdade, você não sabia?

- Não! – eu gritei – Eu não sabia que eu estou morando com o cara que é o padrinho da minha amiga!

E me levantei da mesa deslizando a cadeira para trás me sentindo muito estranha. Quero dizer, esse é o tipo de coisa que as amigas sabem, que umas contam para as outras. Dei um passo de costas depois de tirar a cadeira do caminho e bati em alguém. Ah, que perfeito, minha sorte é uma desgraça! Além de eu estar me sentindo uma tremenda rejeitada por não saber quem é um dos padrinhos da minha amiga e que esse padrinho supostamente é o meu companheiro de apartamento entomólogo esquisito, eu ainda tenho que trombar em algum idiota.

Vir-me-ei e vi que o idiota era ninguém mais, ninguém menos, que Hyuuga Neji.

E aí eu perdi as palavras, porque ele está tão perto, tão bonito, tão alto, tão cheiroso e eu estou tão sozinha, tão brava, tão frágil e tão estonteada. Neji falou e eu tremi e não vi mais nada depois disso.

- Oi, Ino – foi o que ele disse.

- Oi, Neji – foi o que eu respondi com muita, mas muita dificuldade mesmo.

- Sasuke e Hinata vão dançar a primeira valsa – ele anunciou e imediatamente o quarteto de cordas presente na cerimônia começou a entoar uma música. Alguns casais passaram por nós rumo à pista de dança junto com os noivos. Atrás de mim cadeiras foram arrastadas – Quer dançar comigo?

Só que, como sempre, Neji não deixa tempo para as pessoas responderem sim, não, vá para o inferno, me faça sua, bater nele, beijá-lo ou qualquer outra coisa que a pessoa decida fazer quando ele pergunta alguma coisa, porque Neji acredita que tudo mundo sempre tem respostas afirmativas para dar a ele. Mas como sempre acontecia no nosso namoro ele só me pegou pela cintura e me levou para a pista, sem dar tempo para eu fazer qualquer uma das coisas que me passou pela cabeça. Quando eu vi já estava lá sendo guiada por ele, olhando nos confins nebulosos de seus olhos, e me sentindo muito, extremamente leve.

Se bem que eu queria chutá-lo na canela e ir embora. Eu estou me sentindo muito ferida por não saber o mínimo da vida da Hinata para continuar ali. Só que o Neji me hipnotizou e agora eu estou aqui, dançando com ele. Eu vi os olhos de Sakura me lançarem uma preocupação latente, chegou a dardejar nas minhas costas. Temari e até Shikamaru não ostentavam os melhores olhos do mundo.

- Eu te ouvi dizer que está morando com Aburame Shino – os lábios de Neji desceram demais, e eu nem percebi, até eles roçarem na minha orelha e aquele arrepio passar para o meu ventre – Vocês não estou juntos, não é?

- Não – eu estou rouca. Completamente!

- Que bom, porque eu queria te... – mas Neji não completou o que queria dizer, porque levantou os lábios de perto da minha orelha e a hipnose acabou quando ele parou de me guiar pelo salão e olhou para alguém parado ao lado. Eu também olhei, deixando de estar entorpecida, deve ter alguma droga no perfume desse Hyuuga, e encarando os óculos de Shino – Pois não?

- Pode me dar a honra? – Shino foi extremamente sucinto e só continuou com seus óculos sobre mim. Neji, como o perfeito cavalheiro que foi criado para ser, colocou a minha mão sobre a de Shino e se afastou.

Meu companheiro colocou a mão sobre a minha cintura e nós começamos a valsar. E eu nunca adorei mais na minha vida as valsas serem tão estupidamente longas, eu poderia ter beijado-o ali naquele momento simplesmente por ter me tirado de Neji. Eu o beijaria e ele retribuiria e nós iríamos para casa fazer coisas que não envolvem roupas. Mas eu não o beijei e nós não fomos pra casa. Nenhum dos dois disse nada por um tempo e foi muito bom assim, até que Shino quebrou o silêncio.

- Você e Hyuuga Neji... – ele parece desconfortável conversando sobre esse tipo de coisa - ...tem alguma coisa?

- Não! – eu respondi quase ofendida. Será que é assim tão difícil para o Shino perceber que é com ele que eu quero transar e não com o Neji? Tudo bem, ele possivelmente ter visto o meu embasbacamento quando trombei com Neji não ajuda muito – Nós namoramos no colegial, mas foi antes de Gaara e nada mais aconteceu depois.

- Ele pareceu bem íntimo – e a mão dele apertou mais a minha.

Ah, céus, não vá me dizer que Shino é ciumento? E que ele está com ciúme de mim? Ganhei meu dia!

- Bom, minha mãe quer muito que eu me case com ele, sabe – eu respondi dando-lhe um sorriso maroto, só para instigar mais um pouquinho aquele ciúme, eu gostei da sensação – Toda a fortuna Hyuuga e por ele ser mesmo muito gostoso.

- Sei – a boca dele ficou uma linha, então decidi mudar de assunto, já que os olhos de Shino estavam além de mim e fiquei com medo de que ele fosse lá bater em Neji e causar um vexame no casamento de Hinata e Sasuke é a última coisa que eu quero. Hinata ficaria magoada e Sasuke me mandaria exilar em algum país muito ruim. Como a Sibéria ou sei lá.

- Porque não me contou que conhece a Hinata?

- Porque você não me contou?

- Não sei se você anda conversando consigo mesmo ultimamente, mas é realmente complicado fazer isso.

- Por quê? – cara, Shino adora fazer essa pergunta – Não é por falta de convivência.

- Não, não é – eu parei de falar por um instante e fiquei só olhando-o. A linha fina de seus lábios se desfez.

- O vestido ficou bonito em você – ele disse e parou de me encarar.

- Obrigada – respondi.

E então a valsa acabou e a gente se separou, mas ainda ficamos parados na pista quanto às pessoas se dispersavam. Eu não queria soltar a mão dele e ele também não estava fazendo muita força para tentar ir embora. Eu gostei da sensação de Shino ter ciúme de mim e de tê-lo tão perto, quase frágil. Talvez nunca mais pudesse ficar junto dele assim, vulneravelmente. E nesse momento eu queria poder ter algum controle sobre essa minha mente e sobre a minha boca, assim eu poderia dizer a ele... O quê? O quê eu poderia dizer a ele? Que ele me atrai e quero fazer amor com ele? Não. Não é só isso.

Mas não deu nem tempo de eu poder ficar parada na pista um pouco o observando se afastar – pois eu nem percebi quando o calor dele foi para longe - e pensando que aquele perfume era diferente do que ele usa em casa, deve ser alguma marca importada, que eu fui agarrada pelo braço por outro braço e de repente alguém já estava gritando para outro alguém – ou alguéns:

- Retocar a maquiagem. Agora!

Dez segundos depois eu já estava dentro da banheiro maravilhoso do Plaza de Tóquio cercada pela curiosidade saltando dos olhos ávidos de Sakura, Temari, Tenten e até Hinata. Céus, se minhas amigas um dia quiserem dar sumiço em alguém elas seriam ótimas. Melhores até que a minha mãe e a máfia juntas. Eu estava recostada na pia com um pouco de medo de manchar meu vestido com água. A moça que fica parada perto da porta distribuindo toalhas deu um pigarro, colocou as toalhas sobre uma das poltronas douradas e foi embora depois que Temari ficou olhando para ela por muito tempo. Temari me dá tanto medo quanto Gaara me dava quando ele realmente resolvia fazer aquela cara de psicopata. Depois eu me acostumei. Com Gaara, não com Temari.

- Pode contar todos os detalhes! – disse Sakura.

- É, tá muito mal contada essa história de "Estou morando com Shino..." – Tenten.

- "...daí Neji me tira pra dançar..." – Temari.

- "...e depois Shino me tira de Neji..." – Hinata.

- "...e nós ficamos no maior clima!" – Sakura completou.

Eu olhei de um par de olhos para os outros. Perolados, castanhos, verdes, verde-escuros. Será que elas ficaram muito tempo ensaiando isso? Mas não estavam todas dançando com seus respectivos pares? Ah, não vá me dizer que agora as minhas amigas também têm telepatia e elas não me contaram isso?

- É muito irritante isso de uma completar a frase da outra. Por quê? Porque me confunde! – fui bem Shino agora, não fui?

- Ah, Ino – Hinata arregalou os olhos e levou as mãozinhas cobertas pelas luvas brancas até a boca. Merda, esqueci que Hinata deve conhecer as manias dele – Você... Falou igualzinho ao Shino agora.

- Você já está pegando as manias dele? É muito mais sério do que a gente pensou – Sakura sentenciou e colocou a bolsa ao meu lado, abriu e retirou de lá o batom.

- Não! Não há, definitivamente, nada sério. Não há nem um nada – eu respondi e me virei para o espelho – Eu queria que houvesse... Mas é difícil lidar com Shino.

- Ah, eu sabia! Eu sabia! – cantarolou Tenten dando uns pulinhos no lugar e então ela virou-se para Sakura – Sakura, me empresta o rímel? – cara, como essa garota consegue mudar de comportamento tão rápido?

- Shino só não é muito bom em começar as coisas, Ino – Hinata tocou minha mão e a pegou entre as dela. Eu me virei e fitei os olhos perolados tão diferentes de Neji que senti vontade de chorar com a confiança que Hinata depositava em mim através deles.

- E você também não ajuda muito, não é, Ino? – alfinetou Temari que tinha se afastado um pouco e sentado em uma das poltronas – Desde que Gaara morreu você não consegue ficar em um relacionamento, você não consegue fazer com que as coisas realmente funcionem porque sempre pensa "ele não é o Gaara". Ninguém mais será o Gaara!

- Você tem que aceitar isso – Sakura tapou o batom – Dê uma chance para o que nós e todo o salão vimos surgir enquanto vocês dançavam. Aposto que até a sua mãe ficou de queixo caído.

- Quer saber o que eu faria se fosse você? – perguntou Tenten num sussurro.

- Vou me arrepender de querer saber isso, não vou? – devolvi-lhe a pergunta, mas Tenten só riu e não se importou.

- Corre pra fora, vai andando com essas seus pernões até Shino, rebolando, e diz "Querido, me tira daqui que essa noite eu sou sua!" – e deu um tapa na própria bunda.

Tenten é a melhor para quebrar a tensão. Ajudamos Temari a se levantar reclamando e resmungando que iria matar Shikamaru por fazer aquilo com ela – referindo-se, carinhosamente, ao bebê - e saímos do banheiro. Um fotógrafo obviamente afeminado, com uma camisa social verde limão e um moicano loiro trazia Sasuke arrastado até nós. E, pelas feições do Uchiha, aquele homem não iria sobreviver por mais muito tempo se não o soltasse naquele instante. Para a sorte do fotógrafo, ele soltou e ordenou:

- Vocês aí, queridas, juntem-se pra foto – e nós nos juntamos com Hinata no meio.

- Digam sexo! – gritou Tenten e só assim pra todas nós sairmos rindo na foto.


¹Kenichi Matsuyama: Ator japonês que interpretou o "L", de Death Note, no live action do anime e no filme "L Chande the World".


Olá!

Desculpe-me, de novo, a demora! Não tem desculpa, eu só ando muito ocupada mesmo, lamento. Vocês não fazem idéia de como eu queria pode ficar escrevendo o dia todo e todos os dias, mas não posso. Um dia poderei! Até que esse dia não chega, eu vou postanto as fics entre trancos e barrancos, espero que vocês compreendam.

Esse capítulo com o começo do romance da Ino e do Shino, heim? No próximo vocês saberão o que ela fez depois da conversa com as amigas, até lá vou deixar na curiosidade!

AGRADECIMENTOS:

Graci-chan, Lust Lotu's, Soneca Abacate, Toph-baka, Lucy, Erika Simoes, Sasuke, Camila, Hana-Lis, Nati s2(2) e Aqua-kun

OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim!