AROMAS E ZUMBIDOS
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Presente para Pink Ringo
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Capítulo 9 – No banheiro, à luz de velas!
Eu queria fazer alguma coisa, queria mesmo. Sabe, em relação a falar com o Shino. Claro que eu não ia falar com ele do modo como a Tenten sugeriu, a coisa de chegar rebolando e espancar meu traseiro. Acho que isso iria assustá-lo. Pensando bem, depois de sobreviver a mim de TPM, nada mais poderá assustá-lo.
O fotógrafo com moicano seqüestrou Hinata e Sasuke para algum canto e as meninas se afastaram para junto de seus respectivos machos e eu fiquei sozinha, perto do banheiro, olhando as pessoas em volta. Algumas estavam sentadas, outras estavam em pé circulando por aí e cumprimentando conhecidos. Eu tinha plena consciência de que pareceria uma idiota se continuasse ali por mais um tempo sem fazer nada, então agarrei o colarinho do primeiro garçom carregando bebidas que passou e puxei-o para pegar uma taça de champanha.
Acho que assustei o pobrezinho, ele parecia ser um rapaz novinho, um estudante.
Tomei um gole de champanha sentindo o gosto doce que eu adoro descer pela minha garganta e quando me virei vi minha mãe acenando para mim. Quis fugir, desaparecer, me enfiar em um buraco na terra, mas não como um avestruz – porque foi provado que avestruzes não fazem isso e eu só sei essa informação por causa do programa sobre animais que o Shino estava assistindo e eu assisti também, enquanto corria na esteira -, como uma toupeira. Mas ao invés disso eu só ignorei, fingi não ver. Passar por um interrogatório por parte da minha mãe, a máfia casamenteira? Nem pensar.
Fugi para a mesa onde estava Kiba e me sentei ao lado dele. O rapaz sorriu para mim e as marcas vermelhas nas bochechas dele levantaram com o movimento, seus caninos afilados ficaram expostos maliciosamente. Eu fiquei com medo do que viria a seguir, porque claro que o Kiba deveria ter percebido alguma coisa, ele pode ser meio lento, mas não tanto, especialmente se o melhor amigo dele está envolvido. Porém existia uma vantagem para mim. Já que o Inuzuka, a Hinata e o meu entomólogo são amigos, Kiba poderia ter alguma informação sobre Shino. Sobre Shino em relação a mim, quero dizer. Sinceramente, não gosto de dar tiros no escuro, como chegar e dizer o que sinto para ele. Alguma luz, mesmo que seja uma lamparina, uma chama, pode ser muito útil.
Apoiei meus cotovelos na mesa e desenhei círculos e figuras disformes na toalha da mesa com as unhas enquanto Kiba ainda me encarava, ambos querendo dizer alguma coisa, mas nenhuma palavra saia. Até que ele pegou minha taça e bebeu:
- Shino já foi pra casa, ele não gosta muito de festa alguma, mesmo que seja o casamento de uma amiga importante.
- É, ele não parece ser do tipo que sai muito – eu respondi querendo aparentar indiferença, querendo que ele dissesse mais, mas Kiba só voltou a ficar em silêncio com seu sorriso de caninos no rosto. Ele parecia um lobo faminto com aquele sorriso e passando o rosto por uma tríade de moças que olhavam para ele sem pudor algum do outro lado da pista de dança – Kiba? – chamei e ele me encarou, ainda sorrindo – Você pode me falar um pouco mais sobre Shino, antes de ir atacar a carne fresca?
Ele alargou o sorriso. Cretino! Ele estava esperando que eu perguntasse, estava esperando que eu admitisse estar interessada. Maldição de armadilha, eu caí direitinho. Querem saber? Não é a toa que essas garotas estavam olhando para Inuzuka Kiba com tanto interesse, ele tem um jeito que é realmente atraente. Para elas, sexualmente, para mim, com um interesse mais acadêmico. Eu queria saber exatamente qualquer coisa para poder estudar Aburame Shino a fundo.
- Ele me disse que é estranho morar com você – eu quase me senti ofendida, entes dele completar – Que você é muito espontânea e ele não está acostumado. Sempre que a gente conversa ele tem alguma coisa nova sobre você.
Daí eu já não pude mais me controlar, porque ele fala de mim para o melhor amigo, quero dizer, isso é ótimo! Ajeitei minha postura e parei de desenhar na toalha da mesa. Sorri um pouco e ajeitei uma mecha do cabelo, completamente interessada.
- Como assim? – perguntei.
- Ah, coisas como: "Ela estava dançando na cozinha, hoje de manhã. Sem nenhuma música", ele disse uma vez e também: "Ela não sabe fazer um café decente...".
- Que calúnia! – exclamei – É só colocar as coisas na cafeteira e apertar ligar, qual é a dificuldade disso? Meu café é delicioso!
- Você já tomou?
- Não, eu sou alérgica a cafeína.
- Então eu acho que entendo Shino, mas daí ele completou com "..., mas consegue fazer arranjos surpreendentes com as flores mais simples".
E foi isso. No instante seguinte eu me levantei, eu tinha lágrimas nos olhos de felicidade e saí daquela festa, daquele hotel, praticamente correndo. Não, eu tava correndo mesmo sem me importar de que eu poderia quebrar o salto daqueles sapatos lindos e caríssimos que Shino me dera, eu só queria ir até ele. Porque eu estou apaixonada. Não era só querer transar com ele, não era só atração por seu jeito misterioso, não era só curiosidade de saber como ele beija, como ele toca, como são seus olhos.
Eu o amo.
Fiquei no meio da rua e parei um táxi – ele quase me atropelou, mas não prestei atenção nisso. Tenho certeza que poderia continuar correndo mesmo com uma perna quebrada ou com o pulmão perfurado. Certo, eu estou exagerando, porque eu não conseguiria correr com um pulmão perfurado, mas eu tentaria. Entrei e disse o endereço de casa. Dois minutos depois, quando o táxi parou em um sinal vermelho, começou a chover.
Eu demorei demais para me tocar de uma verdade que eu já sabia, que todas as pessoas sabem, na teoria, mas que na prática é completamente diversa. Eu poderia amar de novo, de um jeito novo, porque Shino é uma pessoa nova. Quero dizer, Gaara foi o meu primeiro amor e sempre será, mas isso não tinha nada a ver com não poder existir um segundo, terceiro, quarto amor na minha vida. E esse segundo amor era Shino. E o mais triste é que eu só me dei conta disso através de outra pessoa, porque não conheço Shino o suficiente, apesar de ele morar comigo. Mas agora isso vai mudar, porque eu estou indo pra casa e vou... O quê? O que eu vou fazer? Contar a ele? Assustá-lo com os meus sentimentos que podem não ser correspondidos? Como eu disse, eu não o conheço o suficiente.
O táxi parou na porta de casa e o motorista anunciou o preço da corrida. Eu o paguei e saí do carro, a chuva fria caindo nos meus ombros desnudos e arruinando o meu penteado de cachos que demorou um monte para fazer. Mas eu não quero entrar, apesar do meu coração estar batendo tão forte que poderia me fazer subir a escada só com seus pulos. Então eu fiquei parada na chuva dando graças a quem quer que seja que tenha inventado a maquiagem a prova d'água. Já passava da uma da manhã e eu sentia as inúmeras tiras da minha sandália maravilhosa apertando meus pés, quase se fundindo com a minha carne.
- O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? – fiquei repetindo pra mim por algum tempo.
Eu deveria entrar, isso eu tenho que fazer. E, agora que eu sei que gosto mesmo dele, deveria contar, mas não podia fazer isso ainda. Eu tenho que, primeiro, tacar uma isca, para ver se ele morde. Como eu disse, não gosto de dar tiros no escuro. Queria poder falar com uma das minhas amigas, com Temari, talvez, mas elas seriam unânimes. Diriam que eu devo me declarar, mas elas não entendem a complexidade da coisa, porque não é com elas que isso está acontecendo. É muito fácil dar conselhos, mas muito difícil segui-los.
Abri a porta e pensei em só não pensar mais nisso.
Perdi o fôlego completamente quando pisei no primeiro andar. Com tudo completamente escuro, fora algumas velas espalhadas estrategicamente, e Shino esparramado no sofá. O paletó do terno sobre o espaldar de uma das cadeiras da cozinha, a gravata junto dele. Ele está com a camisa verde totalmente aberta sobre seu peito, um livro seguro por uma única mão e, pela primeira vez em dois meses, sem os óculos escuros.
- Já chegou, Ino? – ele perguntou com uma voz que denunciava que ele não entendia porque eu estava em casa tão cedo – Você tomou chuva.
- É, eu... – recuperei minha voz em algum lugar. Sentei-me no chão ali mesmo querendo tirar aquelas sandálias que apertavam meus pés inchados. Maldição de tiras lindas! – Vim andando.
Vim andando, claro, ou o quê eu poderia dizer? "Não, é que eu fiquei aí em frente de casa, parada na chuva, pensando se eu devo ou não dizer que te amo!". Prefiro vir andando, obrigada.
- Veio andando? – o ouvi se levantar do sofá e a voz dele estava muito perto de mim quando percebi – Vai ficar resfriada, você está gelada – ele me tocou e tirou a minha mecha azul dos meus ombros jogando-a para trás.
Eu estou gelada, aquela chuva de verão realmente parecia neve derretida. Mas, por dentro, com Shino tão perto e com o meu coração que ainda não parara de martelar, eu não me sinto fria. Na verdade, acabou de nascer no meu estômago um pequeno vulcão que está entrando em erupção.
- Sim, eu vou tirar essas sandálias e tomar um banho quente – eu respondi, ainda sem encará-lo – Assim que conseguir desabotoar todas as tiras.
Mas ele não quis esperar que eu desabotoasse todas as tiras, pelo jeito. Eu deveria começar a contar, porque Shino fez mais uma coisa que me surpreendeu. Tipo, depois de corar, do negócio de se preocupar comigo quando bêbada, de conversar de ser humano para ser humano com a minha mãe que, nem de longe, pode ser chamada disso e da cesta de chocolates, Aburame Shino me surpreendeu. E ele ainda tem coragem de dizer que eu sou quem faço isso com ele. Francamente.
- Uou! – eu gritei enquanto era içada por ele e o entomólogo começava sua jornada até o banheiro – Hei, Shino, o que está fazendo? Me coloca no chão!
Não que eu realmente queria dizer isso, eu queria dizer: "Muito bem, agora vire a direita e vamos pro quarto!". Só que nem sempre a gente diz o que realmente quer dizer, coisa totalmente errada de se fazer. Shino me ignorou, mais uma vez. Ele faz isso, eu notei, quando acha minhas idéias meio ridículas, coisa que elas não são. Não sempre, pelo menos. Por exemplo, minha idéia de deixar a porta do banheiro destrancada não é ridícula, porque eu posso estar extremamente apertada quando ele estiver tomando banho, isso é algo que pode acontecer completamente.
Ele me levou até o banheiro escuro, me colocou sentada na beirada da banheira e se foi, porque eu senti seu calor delicioso se afastar de mim e quase fiz uma pose de indignada – com direito a mãos espalmadas e uma careta –, mas me controlei no último segundo, porque ali estava ele de volta com um par de velas.
- Acabou a força de toda a região leste de Tóquio, eu liguei para a companhia elétrica – ele explicou colocando as velas, do melhor jeito que conseguiu, sobre a pia.
Depois ele se ajoelhou a minha frente, meu coração desacelerou – eu não sei, mesmo, o que há de errado com meus órgãos internos, acho que estão desregulados. Quero dizer, ele não deveria estar batendo mais rápido porque eu estou liberando adrenalina e tudo o mais? -, eu me senti fria e ele começou a tirar minhas sandálias. Eu não sabia que Shino tinha mãos ágeis, cara. E eu sinto inúmeros arrepios conforme ele me toca e esses arrepios sobem pelas minhas pernas e os pêlos dos meus braços se erguem todos.
Ele continua sem os óculos e seus olhos são castanhos. Seu nariz, bem onde fica a ponte dos óculos, tem uma lombada pequena e seu cabelo arrepiado parece melhor quando ele está sem o peso dos óculos escuros. Aliás, tudo em suas feições se suaviza. Sua camisa continua aberta e, curvado como ele está, desatando as últimas tiras, posso ver três fileiras de músculos não muito exagerados formando um tanquinho ali em baixo. Se eu achei que a visão dele na sala, a luz de velas, foi incrível, é que eu ainda não tinha chegado ao banheiro. Céus, eu vou desmaiar!
Quero atacá-lo! Simplesmente me jogar sobre ele e começar a beijá-lo rezando para que ele me corresponda, porque dessa vez eu estou sóbria, completamente sem álcool no corpo – tudo bem, fora três taças e meia de champanha, mas ele não precisa saber disso – e quero que ele corresponda para que possamos ficar ali mesmo, no chão do banheiro, à luz de velas e eu não pense em lhe dizer que o amo, apenas em ficar com ele. Não quero algo romântico, porque não seria romântico, apesar das velas e do cavalheirismo, mas seria real. Aconteceria e isso é o que importa.
- Você não pode tomar banho – ele disse subitamente depois de terminar de tirar as sandálias – Por quê? Porque acabou a força e não tem água quente, só vai piorar seu estado.
- Certo, eu posso me esquentar de outro jeito – ele ainda está ajoelhado, e olhando para mim, então eu não pensei, apenas escorreguei da beirada da banheira e dei com os joelhos no chão, a sua frente. Quando eu pensei nessa frase, não havia duplo sentido, mas depois que eu a falei ele estava ali, o tom malicioso.
Shino não se moveu, só cravou seus olhos nos meus e eu me senti invadida, mas de um jeito bom. Eu queria que ele pudesse ir até mais fundo, que ele pudesse ler a minha mente, mas ele não podia, então eu tenho que dar algumas dicas. Minhas mãos ficaram caídas ao lado do corpo, inertes, e demorou uns segundo até que eu tomasse coragem e as fizessem ir em frente para onde os meus instintos as guiavam. Toquei a pele do abdômen dele com cuidado, de leve. Ele não reagiu de nenhuma maneira, então não hesitei nem recusei. Deslizei mais os dedos por sua barriga e o senti arrepiar e retesar os músculos quando fiz uma volta por seu umbigo raso. Não tirei os olhos dos dele nem por um segundo com medo de perder aquela sensação de leveza que me acometeu, como aquela sensação deliciosa de ter o sol sobre você em um dia mais ou menos frio. Minhas mãos sobem e passam por seu peito que também retesou os músculos e deslizam pelos ombros largos levando a camisa aberta para baixo e ela ficou jazendo em algum canto.
Subitamente a mão direita de Shino me alcançou e desenhou toda a minha clavícula exposta. Fechei os olhos apreciando o prazer de senti-lo retribuindo quando os meus cabelos começaram a despencar com o entomólogo me tirando os grampos. Findado aquele trabalho a outra mão de Shino me pegou pela cintura e ele andou de joelhos até ficar com o corpo colado ao meu. Os leus lábios estavam recém-umedecidos quando chegaram a minha pele e os beijos curtos foram propagados pelos meus ombros, pescoço, queixo e eu já estava a beira da loucura quando ele alcançou minha boca. Ávido, sôfrego, lascivo, muito diferente da calma habitual que eu esperaria de Aburame Shino, mas é assim que é divertido. Não saber o que esperar nesses momentos. Retribuo ao beijo e saio do transe lançando minhas mãos ao redor de seu pescoço, aperto um dos seus ombros enquanto minhas unhas arranham sua nuca em direção aos cabelos. Shino gosta de brincar, eu percebi. Fica fugindo da minha língua e mordisca meus lábios sempre que pode, então eu me separo da boca dele com certa dificuldade e passo a beijar seu pescoço, seus ombros, querendo descer mais, mas ele me impede. Trouxe-me de volta para cima quando eu já alçava o fim do peito, mas fiquei feliz por ele ter feito isso. Não demorou e ele encontrou o zíper lateral do vestido abrindo-o com um puxão preciso. O vestido caiu sem pressa, diferente da boca dele que atacou meu colo sem pestanejar, eu sorri deliciada.
Não demorou pra ele alcançar o fecho do meu sutiã, então eu também não perdi tempo e encontrei o cinto por cima do botão de sua calça social. Desabotoei o cinto e o arranquei com um puxão brusco, depois foi à vez do botão e do zíper. Já dava pra notar o volume ali embaixo, mas depois eu só vi o teto enquanto ele levava a boca um dos meus seios. Arfei de prazer e a coisa só melhorou quando uma de suas mãos apertou minha anca e encontrou minha feminilidade, começou a massageá-la e eu mandei todo o meu pudor e comedimento para o inferno quando gritei de completo prazer. Shino era atencioso.
Ele parou o ato e eu me senti mal, porque ainda não tinha atingido o orgasmo, mas ele estava disposto a remediar isso, ao que parecia. Ele me colocou deitada de costas no chão e eu não me importei com o choque do piso frio na minha pele quente. Ele se colocou por cima de mim e eu abri as pernas para que ele se encaixasse ali. Shino tomou minha boca, ainda com um dos meus seios nas mãos. Enlacei as penas em seus quadris e senti o volume, então me balancei para frente para trás e ele interrompeu o beijo com um gemido rouco. Foi descendo os beijos e as mãos pelas laterais do meu corpo e levou a calcinha com ele até arrancá-la. Depois voltou e parou entre minhas pernas. Eu não esperava que Aburame Shino, o entomólogo de casacão, fizesse coisas desse tipo, mas me convenci do contrário quando ele começou a instigar meu clitóris com a língua. Eu gemi e arqueei o corpo de prazer e queria desesperadamente agarrar alguma coisa, mas só podia arranhar o piso do chão do banheiro. Um espasmo percorreu meu corpo quando atingi o primeiro orgasmo, depois me senti leve e cansada, mas sem querer parar. O puxei para cima e arranquei aquela cueca incômoda o melhor que pude enquanto o beijava.
Eu estava adorando conhecer o lado libertino de Shino e ele não esperou nenhuma preparação, apenas me penetrou fundo de primeira. Gritei com a dor momentânea sendo suprimida pelo prazer em longo prazo e agarrei o melhor que pude seus braços e costas por causa do suor em nossos corpos, ainda assim consegui deixá-lo muito arranhado. Movimentei meu quadril para me ajustar aos movimentos e as estocadas de Shino. Já estava pronta para morder o ombro dele quando seus lábios procuraram os meus. Apertei todos os meus músculos quando senti meu segundo orgasmo instantes antes de Shino gozar. A respiração ofegante dele ficou na minha orelha por um tempo e nesse tempo ele a mordiscou e beijou até voltar pelo meu queijo e minha boca de novo. Levantou-se e me levou com ele, ambos cansados, e deixamos tudo no banheiro, a luz ainda não tinha voltado.
Pegou-me no colo de novo e, não sei como naquele escuro, encontrou o caminho de seu quarto.
Eu acordei cedo na manhã seguinte e controlei completamente a minha vontade de tocá-lo. O edredom escuro o cobria mais ou menos, mas isso pode ser explicado porque eu me mexo muito durante a noite e devo ter roubado-o todo. A noite passada não foi a mais romântica que eu já tive, mas como eu disse, foi real. E essa manhã foi digna de cena de cinema. Shino dorme com a janela aberta, acho que isso já diz um monte de coisas. Ronca um pouco, também, mas ninguém é perfeito. Saí da cama de fininho, o céu ainda estava nublado e ventava. Não importava, eu queria andar por aí, porque me sentia feliz. Amarrei os cabelos em um nó malfeito com eles mesmos e peguei umas roupas no meu quarto, entrei no banheiro e o meu sorriso apareceu e se alargou tão rápido que eu pensei que nunca mais poderia me desfazer dele. Agarrei a camisa de Shino caída por ali e, como prêmio, a vesti.
Quando acordei pensei em ir até o café do outro lado do parque aí em frente de casa e comprar um café da manhã, mas depois que vesti essa camisa não quero mais tirá-la, então só fiz um pedido e eles virão entregar em algum tempinho. Agarrei o telefone e subi as escadas que levam a estufa. Me esgueirei do melhor jeito que pude de todos aqueles serem zumbidores espreitando por ali e cheguei do outro lado em segurança. Disquei o cinco na discagem rápida e torci para que o bebê tivesse chutado um monte aquela noite e ela estivesse acordada tão cedo. Bem, não exatamente cedo, mas ainda antes das dez.
- Espero que seja alguma coisa boa – a voz de Temari não era sonolenta, mas completamente embargada. Acho que ela voltou tarde da festa, acabou de acordar e ainda não tomou café.
- É uma coisa ótima!
- Ah, já sei, vocês transaram. Ou você, pelo menos.
- Sim! – daí completei, porque achei que só esse sim a deixaria confusa – Quero dizer, nós transamos, eu e Shino.
- Isso aí, garota! – ela exclamou. Temari gosta quando alguma coisa dá certo para mim, ela se tornou como uma irmã mais velha e isso é ótimo. Só que ela também faz perguntas de irmã mais velha – Você contou a ele como se sente?
- Uhn...
- Eu entendo seu pensamento, Ino. Entendo que você prefere que aconteça primeiro, mas agora que ele também já está envolvido, não depende só de você.
- Na verdade, eu meio que estou esperando ele falar alguma coisa, porque eu dei o primeiro passo, não vou estragar tudo.
Silêncio enquanto o telefone chiava e a voz de Shikamaru, do outro lado, perguntava se Temari queria café.
- Se você quer mesmo uma coisa, tem que fazê-la dar certo com suas próprias mãos.
- Porque vocês me dizem para esquecer Gaara e ficam me dizendo as coisas que ele dizia? – perguntei com certa raiva. Eu estava feliz, não queria chorar.
- Porque Gaara, de algum jeito, conseguia enxergar coisas que nós ainda não conseguimos, Ino, então entenda que você não vai estragar tudo se conversar com ele, diferente de se ficar em silêncio.
Ela sempre acerta, não é? Isso é alguma coisa com os Sabakus ou o quê? Que espécie de educação emocionalmente privilegiada eles tiveram?
- Você não me ligou somente para que eu ficasse feliz por você, se era isso que queria teria ligado para Sakura.
- Eu sei, desculpe – fiquei balançando as pernas na beirada do terraço e esqueci totalmente do vento e do tempo nublado – Vou fazer dar certo.
- Era isso que eu queria ouvir. Shikamaru mandou um 'oi'.
- 'Oi' pra ele – pouco depois, desliguei.
É, não era nenhum segredo aquelas coisas que Temari me disse. Eu já sabia delas desde ontem à noite quando me dei conta de que estava apaixonada. Realidade, sonho, fantasia, coisas criadas pela minha cabeça. A única que podia ser mesmo partilhada era a primeira. E eu precisava fazer isso, dizer a Shino. Depois da noite passada, então, precisava fazer isso rápido. Mas para quê estragar as minhas fantasias? Eu direi ele, mas daqui um tempo, se ele não disser qualquer coisa antes.
Quando me dei conta havia um embrulho de café da manhã na beirada do terraço ao meu lado e, do outro lado dele, Shino com uma calça surrada, uma camiseta esgarçada e óculos escuros. Ele me olhou com os óculos e eu olhei para ele, através das lentes. Sorri e Shino começou a desembrulhar as coisas que eu pedi.
- Está com muita fome, parece – ele disse quando terminou de tirar as coisas do pacote.
- Eu não sei o que você gosta, então pedi uma variedade – peguei um pão caramelado enquanto ele ficava pensativo com as coisas ali.
- Prefiro café da manhã tradicional – quase taquei o meu pão caramelado mordido nele. Qual é? Eu peço um super-café da manhã e ele fica todo "prefiro tradicional". Sabe o que ele quer dizer com isso? "Não gosto de nada que tem aqui e quero comer arroz com peixe cru". Cretino! Daí ele pegou uma salada de frutas – Gosto disso, também, e de panquecas.
- Que bom!
- O Festival da Estrela é no próximo sábado, certo? – ele perguntou parecendo um cara importante que queria confirmar as coisas na sua agenda ocupada. Cara, eu tô com uma mania terrível de ficar comparando o Shino com caras sofisticados, mas o pior é que ele se encaixa muito nesse papel.
- É e a minha mãe vai estar lá – fiz uma careta espalhando o chocolate de uma rosquinha pela cara, então pensei numa coisa durante o silêncio dele – Se você não quiser mais ir comigo, Shino, não tem problema, eu... – minha voz estava um pouco estrangulada quando disse isso e não consegui olhar para ele. Merda, será que eu tinha conseguido estragar tudo com aquela impulsividade sexual? Mas o sexo não deveria estragar as coisas, deveria melhorar!
- Preciso encontrar um quimono. Ainda usa-se quimonos, de forma tradicional, não usa? – Shino gosta de coisas tradicionais mesmo, não é? Que coisa quadrada!
Tudo bem, o sexo com ele não é exatamente tradicional, mas nós precisamos diversificar um pouco.
Espera um segundo, será que a gente vai transar de novo?
Olá!
Uaah! Que demora, gente, não tenho nem cara para pedir desculpas, então não vou fazer isso, porque eu mesma já to me sentindo bem mal por deixar vocês esperando. Espero que o capítulo possa me redimir um pouco! Por essa vocês não esperavam, não é? Eu queria que as coisas só acontecessem depois do Festival, mas o Shino tão lindo tirando as sandálias dela, não deu pra evitar.
Agora eu to de férias! *dança* Capítulos novos mais rápido! Ainda hoje tem atualização de "Lembranças de Luz!", se eu voltar cedo da quermesse que meu pai quer ir. Espero que estejam gostando dessa fic, povo, me digam se sim ou não, ok?
AGRADECIMENTOS:
Hana-Lis, J P Sarutobi, Taliane, Hachi-chan2, NaruHinafã, Lust Lotu's, Camila, Diny, Graci-chan, Danii, Vivian Hatake Malfoy, Lenita Hiko e V. Lovett.
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim!
