AROMAS E ZUMBIDOS
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Capítulo 10 – Festival da Estrela
Ninguém falou mais nada sobre aquela noite. Nem eu nem Shino. Não queríamos estragar a magia? Estávamos envergonhados demais? Palavras eram desnecessárias? É, pode escolher o termo que melhor que convier poeticamente, tanto faz. Eu pensei nessas coisas porque precisava arranjar uma desculpa melhor do que admitir para mim mesma que eu sou uma covarde. Porque é isso que eu sou, covarde por não dizer a ele o que eu sinto de vez. Mas não posso dizer que Shino também tem sido aquele exemplo de coragem e bravura, pois a sua boca se manteve fechada para esse assunto. Ele a abriu muito bem quando a colocou sobre a minha e enfiou sua língua por ela na segunda-feira antes de eu abrir a floricultura e, sim, nós transamos na escada. No meu quarto, sobre a mesa da cozinha e no sofá. Eu, sinceramente, não consegui acreditar em todos os salamaleques e técnicas sexuais que aquele entomólogo conhece. Um conselho? Todas as mulheres precisam namorar um entomólogo uma vez na vida.
Saímos juntos na sexta e fomos a uma parte comercial de Tóquio que fica aberta à noite. Palavras sobre relacionamento e compromisso não foram proferidas, mas na rua andamos de mãos dadas como namorados. E Shino está mais receptivo. Além de eu já saber decifrar suas expressões razoavelmente bem, ele agora conversa. Com palavras de verdade e frases inteiras! O sexo realmente pode mudar muito uma pessoa, mas eu prefiro pensar que ele está sim pela minha boa influência e energias positivamente extrovertidas.
Fomos até uma loja de quimonos. Shino precisava de um, já que ele disse veementemente que iria me acompanhar ao Festival da Estrela e queria estar apresentável. Como se ele, vestido de qualquer maneira – e nu, também – não estivesse apresentável. Ele escolheu um quimono simples, no fim das contas, uma yukata verde lisa e um obi cinza. Sei lá, Shino tem alguma obsessão com verde, como Naruto com laranja. O uniforme que ele usa no programa de tevê dele, um camuflado estilo exército americano, o deixa completamente a vista no mato, por causa da camiseta laranja berrante que ele usa em conjunto. Da última vez que eu falei com Sakura sobre o mau gosto para roupas que o noivo dela tinha a teimosia de manter – e isso aconteceu no dia seguinte da saída com Shino, quando eu me dei conta -, ela surtou.
- Eu sei! – ela gritou no meio do café perto do hospital onde estávamos passando o tempo – Eu já disse pra ele mil vezes pra abandonar o laranja um pouco, pelo menos no programa, mas você acha que ele me escuta, Ino? – ela tomou um gole de café para repor as energias e continuar a falar – Eu falo pra ele usar preto, porque ele fica sexy de preto, mas você acha que ele usa?
- Acho que não – respondi temerosa, porque o olhar vidrado dela estava me assustando.
- Não! – ela gritou, agora. Eu me encolhi e reparei, de leve, que a cafeteria inteira tava olhando pra gente. Não me senti constrangida, estava com muito mais medo que Sakura resolvesse matar alguém com o açucareiro – Eu vou comprar uma fantasia erótica de cenoura pra ver se ele gosta!
Gritos de assovios saíram de uma mesa de enfermeiros mais ao fundo da cafeteria, mas Sakura se virou e mandou um olhar tão cortante pra eles que não teve como falarem mais. Eu acho que se ela pudesse matar com o poder da mente, os cérebros deles teriam explodido. Pois é, calculem a intensidade do surto! Ela tacou uns ienes sobre a mesa e saiu. Eu fiquei parada um pouco, olhei de um lado para o outro para ver que as outras pessoas estavam fazendo à mesma coisa e daí, saí. Alcancei-a quase na esquina para atravessar para o quarteirão do hospital. Agarrei seu braço e a virei para mim e Sakura estava chorando. As lágrimas escorrendo por suas bochechas e os olhos vermelhos e inchando.
- Sakura... – eu não sabia o que dizer. Céus, eu não via Haruno Sakura chorando desde que Sasuke deu aquele fora fenomenal nela no microfone do karaokê onde estava a nossa turma reunida em uma viagem de férias conjunta para Okinawa – Aconteceu alguma coisa que você não me contou?
Mas ela não disse nada, só se jogou nos meus braços. Chorando muito alto. Algumas pessoas que passavam na rua até ficavam olhando, curiosas. Cara, a Sakura está chamando bastante a atenção hoje, e nem é porque ela está usando essa blusa estampada horrível. Isso eu não vou dizer pra ela, vai arruinar a moral da pobrezinha.
- Hoje você tá muito parecida com a Temari quando... – me calei. Ela ainda estava chorando no meu ombro e nem parecia ter me ouvido. Eu me lembro de Temari assim. Não chorando a toa, francamente, quem imagina a Temari se debulhando em lágrimas por aí? No meio da rua, ainda por cima? Nem pensar. Ela tinha mais é umas crises de raiva em que em uma delas pegou todas as estatuetas do ateliê dela e atirou na rua quando Shikamaru disse que tinha que cancelar o jantar de aniversário de namoro deles pra ir a Sapporo em uma reunião de marketing. Ela acertou um motoboy que estava passando bem na testa, fiquei chocada com a pontaria dela.
- Cretino, porque ele tem que passar tanto tempo longe mim, Ino? – ela me olhou com os olhos avermelhados, assim como em volta deles. Eu não soube o que responder, não soube o que fazer. Ela voltou a afundar a cabeça no meu ombro e a chorar.
- Sakura, vem cá – eu chamei e a levei até um banco sentando-a e tentando fazê-la se acalmar. Eu precisava perguntar a ela se não havia a possibilidade dela estar grávida. Sentamo-nos e ela me olhou, começou a enxugar as lágrimas.
- Desculpe por isso – ela pediu – Você estava dizendo alguma coisa sobre a Temari?
- É, Sakura, escuta – comecei. O que será que ela faria quando eu dissesse que Temari ficara com os transtornos de humor parecidos com os dela quando estava grávida? Temari, quando descobriu, começou a andar pela rua rindo como uma louca comigo e Shikamaru atrás dela impedindo-a de morrer atropelada. Acho melhor segurar Sakura, vai que ela quer se tacar na frente do carrinho de sorvete que vem subindo a rua. Peguei suas mãos entre as minhas – Eu acho que você tá grávida.
Tudo bem, a minha intenção era dizer isso com um pouco mais de delicadeza e tato. Algo como "Sua menstruação está regular?" ou "Você sabe o que acontece quando um homem e uma mulher se amam muito?", mas eu não pude evitar, foi isso que saiu. Mas acho que o fato de minha mãe ter explicado sobre menstruação, maturidade e sexo pra mim desse jeito influenciaram um pouco a minha decisão de ir direto ao ponto, porque é realmente traumatizante quando sua mãe te diz, aos berros, no meio do parquinho lotado, que você não pode brincar de médico com um menino.
- Não, eu não posso estar grávida – ela riu e respondeu, divertida, secando as lágrimas que escorriam por suas bochechas – Isso é ridículo.
- Tudo bem, se você tem certeza.
- Absolutamente, a minha menstruação está certinha – ela sorriu e olhou as horas – Céus, Ino, eu preciso voltar pro hospital agora mesmo, já estou atrasada.
- Tá, eu também preciso voltar pra casa – nos despedimos e ela correu para o outro lado da rua enquanto eu pegava o caminho oposto, andando calmamente.
Bom, ela reagiu melhor do que eu esperava. Quero dizer, eu realmente pensava que ela ia dizer "INO, EU TÔ GRÁVIDA!", me segurando e chacoalhando pelos ombros e depois ia fazer alguma coisa esquisita, como sair saltitando e ser atropelada por uma ambulância. Ou começar a chorar e se descabelar e chamar Naruto de desgraçado. Ou até beijar um estranho, sorrir e lhe dizer "Adivinha só? Você acaba de beijar uma mulher grávida!". Dizer que não era possível, que eu simplesmente me equivoquei, não foi uma hipótese que passou pela minha cabeça.
A idéia de Sakura grávida saiu completamente da minha cabeça quando eu passei pela banca de revistas perto do parque e olhei para dentro, só pra ver se tinha alguma revista interessante, como alguma coisa falando sobre as últimas fofocas sobre as celebridades, entende? Literatura realmente importante, não aqueles livros sobre insetos jamaicanos que eu arranquei das vistas de Shino ontem a noite para poder deitar no colo dele pra assistir ao programa do Naruto. Parei por um segundo estendendo a mão para uma revista quando vi uma moça dentro da banca. Estiquei os olhos para ver o que ela teria comprado, mas era só um exemplar da "National Geographic" com um cara lindo de óculos escuros na capa.
Arregalei os olhos depois de pensar isso, porque aquele cara lindo de óculos escuros me parecia muito familiar. Fui pro outro lado da banca onde ficavam as edições de revistas científicas e todas essas coisas das quais eu nunca me aproximei e comecei a vasculhar entre os exemplares.
- Por favor, não me diz que aquela era a última!
- O que é que você está procurando, jovem? – dei um pulo que quase me agarrei ao teto da banca quando o velho dono dela se aproximou sorrateiramente de mim. Velho decrépito, tomara que você quebre o dedinho do pé – porque desejar a morte de alguém é uma atitude muito drástica a se tomar. Quero dizer, vai que ele morre mesmo? Tentei controlar meus batimentos antes de responder, escondendo toda a minha raiva pelo susto.
- Um exemplar da "National Geographic" – ele me encarava com suas sobrancelhas enormes e grisalhas, ainda mais espessas que as de Lee, coisa que eu não achava possível existir até agora – Tem um homem de óculos escuros na capa, cabelos arrepiados e pretos.
- Ah, essa edição realmente foi muito bem vendida – ele começou a fuçar onde eu anteriormente estava e se inclinou pela prateleira enfiando o braço por um espaço estreito entre duas delas. Sorriu quando retirou o braço – Aqui, acho que é a última.
Era ele mesmo. Aburame Shino, o entomólogo que mora comigo e com quem agora eu transo casualmente. Ali, na capa de uma importante revista científica, a última edição da banca. Ele tinha o casaco verde no corpo, a gola meio alta e a foto foi tirada uns dias antes de ele o cortar o cabelo, então os fios negros caem um pouco por cima de seu olho direito e pelas orelhas. Ele está sério, como sempre, e seus lábios estão suaves e parecendo macios. Cara, que vontade louca que me deu de ir pra casa e beija-lo.
- Vai levar, jovem? – ele perguntou, esfregando as mãos juntas.
- Vou, sim – coloquei a revista no balcão enquanto abri a bolsa e tirava o dinheiro. Entreguei a ele e peguei a revista, não quis nenhuma sacola. Me despedi e saí da banca.
Olhei para a rua antes de me concentrar na revista. O dia estava quente, bem diferente da chuva congelante de dias atrás. O meu cabelo estava preso com um hashi e fios se soltavam a toda hora. Cara, não encontrei nenhum prendedor hoje de manhã, procurei na casa toda. Shino pegou a mania de soltar o meu cabelo o tempo todo, acho que ele anda escondendo os prendedores de mim. Deve ter um monte deles espalhados pelos bolsos do casaco dele, vou procurar ao chegar a casa.
Peguei a revista em frente aos olhos por um momento, mirando diretamente as lentes quadraras daqueles óculos que ele usava. Quase podia ver por traz delas. Quase. Até que eu parei, estanquei literalmente no meio do calçamento do parque em frente à floricultura. Encarei minha casa, a janela da cozinha logo acima do toldo em que se lia Floricultura Yamanaka. Havia movimento lá em cima, movimento do entomólogo que mora comigo. Do cara gostoso que eu ando pegando. Pois é, e só meia hora depois de comprar a revista em que o tal aparece na capa que eu me dei conta, boquiaberta, da coisa mais óbvia do mundo depois da constatação de Sai ser gay.
- Aburame Shino é famoso?
Sinceramente, isso me tranquiliza um pouco, já que explica todo o dinheiro e eu posso descartar a ideia de herança secreta ou garoto de programa. Particularmente eu o acho educado e atencioso demais para gangster.
Shino acabava de levar os seus pratos do almoço para a pia quando eu entrei e o cumprimentei. Devia comentar sobre a revista? Não, melhor lê-la, depois eu falo "Oh, Shino, veja o que eu vi na banca, você nunca me disse que era modelo!", na maior cara de pau. Porque isso eu sei fazer, com certeza.
- Você demorou – ele constatou lavando os pratos, sem se virar.
- É, um pouco, Sakura teve um surto esquisito – "E, aliás, eu fiquei parada ali na frente de casa, de novo, especulando sobre você ter uma segunda vida na Indonésia com uma esposa e dezessete filhos". Acho que viajei um pouco nessa última parte, ainda bem que não foi o que eu disse a ele.
- Sua mãe ligou.
- E você atendeu? – me desesperei e voltei correndo do meu quarto aonde tinha ido guardar a bolsa.
- Não, eu descobri que era sua mãe porque recentemente adquiri poderes mediúnicos – ele enxugava as mãos quando me respondeu isso, perfeitamente sério. Eu acho que isso foi uma ironia, já que a sobrancelha dele está levantada, mas eu só conheço esse lado de Aburame Shino há poucos dias, já que ele só o usa quando está mais íntimo de uma pessoa. Bom, acho que nós estamos íntimos o suficiente, certo? Acontece que ele usa esse tom tão sério que ás vezes eu não sei se ele está brincando ou não, então tenho que perguntar:
- Sério?
- Não – viu? Acabo com a ironia na hora. Ele guardou o guardanapo e se voltou para mim, recostando-se a pia – Ela queria confirmar se você vai ao Festival da Estrela. Eu respondi que sim.
- Ah, certo, obrigada – me senti tão aliviada, mas só durou um segundo. Todo o alivio que vem da parte de minha mãe nunca dura muito.
- Ela me perguntou sobre Hyuuga Neji – gelei.
- Ahn... É? O que ela perguntou?
- Se ele ia como seu acompanhante.
Sabe, as demonstrações de ciúme de Shino são tão sutis – ou eu convivo com ele há tão pouco tempo – que tenho que interpretar os seus tons de voz para perceber. E aquele, com certeza, era um tom de voz ciumento, apesar de bem dissimulado.
- Uhn... – porque é que eu tô fazendo esses grunhidos o tempo todo? Já tô parecendo o Sasuke! – E o que você respondeu?
Se eu estava apreensiva? Que nada!
EU TAVA ERA MORRENDO DE ANGUSTIA!
- Respondi que não sabia e que diria a você para retornar a ligação.
- Quê? Shino, porque você disse isso?
- Porque eu não poderia adivinhar sua resposta.
- Como não? Eu vou com você, não com Neji!
Com isso eu devo tê-lo deixado bem satisfeito, não é? Eu acredito que sim, porque ele desfez aquela sobrancelha levantada e deixou o arco dos óculos escorregarem pelo nariz até descobrir seus olhos e me encarou profundamente com o seu par castanho. Ele não sorriu, como eu fiz, mas quando ele deu uns passos em minha direção e arrancou a camisa preta que usava com um puxão arremessando-a pela sala para parar não sei onde, eu arregalei os olhos de surpresa. Tudo bem, Shino por ser mesmo bem surpreendente com o sexo, mas ele nunca fora tão drástico do tipo "Arranca a roupa! AGORA!" como parecia estar fazendo, mas ele se aproximou de mim, os óculos ainda me deixando ver seus olhos, e parou.
Será que eu devo perguntar o que ele está fazendo?
- O que você está fazendo?
- Tirando a blusa. Por quê? Porque não é justo só eu estar sem ela.
Espertinho cretino, me pegou na minha própria armadilha. Não que eu esteja reclamando, muito pelo contrário. Agarrei a borda da minha blusa e a tirei também quando Shino deu mais uns passos até mim prensando-me na parede. Olhei para o relógio com canto de olho, daqui a pouco eu tenho que abrir a floricultura, mas acho que uma rapidinha não faz mal.
- Se ela começar a fazer muitas perguntas sobre a casa, responda que está tudo as mil maravilhas e não fale, em hipótese alguma, sobre a goteira da sala, porque minha mãe adora falar mal das coisas que eu tenho e se ela souber de algo assim só vai ficar ainda mais satisfeita – estávamos indo para o Festival, ambos vestidos com yukatas, sentados no trem.
Desde que saímos de casa eu não paro de fazer a Shino inúmeras recomendações sobre o que falar ou não, fazer ou não, na frente da minha mãe. Tudo bem que ele já a conhece e vice e versa e que ela o adorou da última vez, mas naquela época nós não tínhamos um envolvimento íntimo. E ainda não temos, quero dizer, minha mãe acredita que envolvimento íntimo queira dizer relacionamento que termine em casamento e nem relacionamento nós não temos ainda.
Ainda.
- E se tiver alguma comida que você não gosta, por favor, não precisa comer só porque ela está oferecendo.
- Eu acredito que posso lidar muito bem com sua mãe, Ino – ele parece aborrecido. Será que é porque parece que eu nunca mais vou calar a boca?
- Desculpe – eu me encolhi.
- Você está nervosa.
- É que... – eu apertei as mãos sobre o colo – Desde que Gaara morreu, eu nunca mais fui com ninguém ao Festival da Estrela.
Ele compreendeu e pegou minha mão entrelaçando com a dele no exato instante em que o trem começou a diminuir sua velocidade. Diferente da última vez que eu vim aqui, não chovia. Era fim de tarde em Fujisawa, província de Kanagawa, e o sol brilhava lindamente sobre as construções. Eu e Shino tomamos um táxi para a Mansão Hyuuga, onde aconteceria o Festival. Ideia da Hinata, é claro, porque ela é uma das maiores entusiastas desse tipo de evento. Aposto que ela fez alguma chantagem sacana pra conseguir arrastar o Sasuke da lua-de-mel de volta pra casa somente para o Festival.
A entrada da Mansão Hyuuga estava iluminada com dois varais de lanternas vermelhas ladeando a estradinha de pedras brancas. Descemos do táxi, eu e Shino. Fiquei maravilhada, porque esse ano a Hinata realmente se superou com a decoração. Como ela teve tempo enquanto cuidava dos preparativos do casamento e de um Sasuke ávido por Uchihazinhos na lua-de-mel? Vai saber. Essa mansão é enorme e a sensação de me sentir uma pequena ameba, como eu me sentia no colegial, voltou rapidamente.
Mas só até eu sentir Shino do meu lado, entrelaçando os dedos com os meus. Olhei para baixo instintivamente, para nossas mãos, depois para o rosto de perfil dele que não me encarou de volta. Apertei mais os dedos dele contra o meu sentindo-me crescer – não literalmente, mas daqui a pouco meu ego e auto-estima não caberão mais dentro de mim. E então a Mansão Hyuuga não parecia mais algo tão grande assim.
Algumas pessoas vinham pela rua ou de carro e entravam, entramos também seguindo pelo caminho ladeado pelos varais de lanternas que guiavam para os enormes fundos da mansão Hyuuga onde tem até um templo. Um templo, porque qualquer um pode ter um templo em casa, supernormal, acontece o tempo todo! As lanternas acabavam quando começavam as barraquinhas, inúmeras delas, de tudo quanto é coisa. As barraquinhas estavam todas enfeitadas com os tradicionais origamis de estrelas, no fim do caminho havia um palco onde todos os anos é encenado o motivo do Festival da Estrela, o encontro de Orihime e Kengyu, a princesa e o plebeu apaixonados representados por estrelas chamadas de Vega e Altair que vivem em lados opostos da Via-Láctea e só podem se encontrar uma vez, no sétimo dia do sétimo mês¹. Normalmente é encenado por crianças e eu me lembro de quando era pequena e eu e Sakura ficamos disputando quem seria Orihime, já que Sasuke seria Kengyu. Neji ganhou. Este ano, na parte de trás do palco, tem um telão passando danças folclóricas cantadas por famosos, que moderno!
Os ramos de bambu onde os tanzaku – os papéis com os desejos que Orihime e Kengyu devem realizar hoje - são pendurados ficavam perto do templo, assim seriam mais facilmente lidos pelos seres divinos. Todo ano eu amarro meu pedido lá, este ano não será diferente, apesar de parte dele já estar realizado desde que Shino pegou minha mão e não quis mais soltar. Andamos por todo o local sem encontrar nenhum rosto conhecido, nem mesmo o de Hinata. Os tocadores de taiko já se colocavam no palco para começarem a apresentação seguida pelas danças tradicionais e, então, o teatrinho. Compramos algodão doce minutos antes de vermos Sakura, Hinata e Tenten correndo até nós com seus respectivos noivo/marido/namorado atrás. Eu dei uma olhadinha pra carranca do Sasuke, mas era a mesma que ele sempre ostenta, então parece que Hinata fez uma ótima proposta para ele.
- Ino, você vem com a gente até os tanzaku? – perguntou Tenten, sorrindo de orelha a orelha. Tenten é outra que, por ser chinesa e não conhecer os Festivais adorou quando conheceu este.
- Claro – eu respondi.
- Temari está sentada embaixo das cerejeiras, está cansada – disse Hinata. Está cansada? O bebê está praticamente saindo e ela está só cansada? Sinceramente, o mundo devia idolatrar essa mulher, fala sério! – Ela pediu que você fosse até lá, depois.
- Hei, Shino – gritou Naruto, um pouco afastado, onde ele, Sasuke e Lee conversavam – Kiba está te procurando.
Shino balançou a cabeça pra ele e se virou pra mim. Eu fiquei petrificada quando ele começou a se inclinar – muito devagar a meus olhos – pra mim e pensei "Ele vai mesmo fazer isso aqui no meio de todo mundo?", só que antes de eu fazer qualquer outra coisa à câmera lenta em frente a meus olhos se desfez e ele me beijou, de leve, e os seus lábios grudaram nos meus por um segundo por causa do algodão doce.
E se foi com os rapazes enquanto eu ficava petrificada no lugar só acordando quando as meninas já me puxavam, soltando exclamações e risadas, enquanto íamos para perto do templo, para os ramos de bambu.
- Ino, porque você não contou pra gente que disse a ele? – perguntou Tenten.
- Shino parece gostar muito de você, Ino, ele não costuma demonstrar esse tipo de afeição em público – à voz de Hinata veio logo em seguida.
- Vocês já transaram, não é? Tá escrito na sua testa! – Sakura foi à última a dizer alguma coisa antes de eu parar de escutar.
Shino gosta de mim. Se a Hinata, que é amiga dele de longa data, está dizendo isso, quer dizer que tem que ser verdade. Está escrito na minha testa, não está? Quero dizer, não que transamos, mas que eu também gosto dele. Ele tem que ter percebido, Shino não é nem de longe uma pessoa lerda, burra ou derivados. Ele inventou um novo tipo de inseto, qual é?!
Então, se ele percebeu e não me disse nada, mas mesmo assim parece gostar de mim também, isso quer dizer que...
O QUE DIABOS ISSO QUER DIZER?
- Tome aqui, Ino – Sakura me estendeu um papel que o monge perto do templo estava distribuindo para escrevermos nossos desejos – Se bem que eu acho que você não precisa disso mais, não é? – e piscou pra mim pegando uma caneta pendurada num dos ramos de bambu por um barbante e escrevendo seu pedido.
O que eu posso escrever? Eu gostaria que Shino gostasse de mim, mas parece que isso já acontece. E não posso mais escrever que quero que ele me agarre e arranque minhas roupas e tudo o mais – como disse que ia escrever no tanzaku quando o conheci –, porque isso já aconteceu. Merda! Esse cara fica realizando meus desejos, assim não sobra trabalho nenhum pra Orihime e Kengyu.
"Quero que Shino diga o que realmente sente por mim!", decidi escrever e deixei a caneta pender enquanto pendurava o meu papel no ramo. As meninas já tinham terminado quando me juntei a elas, que riam enquanto Hinata ficava muito, mas muito vermelha.
- Vamos, Hinata, sabemos que você pediu filhos, mas, acredite, Sasuke pode fazer esse seu desejo se realizar sem precisar apelar para as divindades! – Tenten riu-se, quase se torcendo.
- T-tenten... – ela sussurrou, corada e envergonhada demais para falar isso de qualquer outro jeito.
Rimos todas e eu encarei Sakura. Sinceramente eu não engoli aquela história dela estar totalmente normal com seu corpo e tendo aquelas oscilações de humor tão intensas que pareciam eu em semana de menstruação. Shino e Gaara que o digam! Mas Sakura nunca teve disso. Haruno Sakura era a aluna perfeita, centrada e disciplinada, determinada e pulso firme, que só se distraia e descabelava quando de tratada de Uchiha Sasuke – que depois mudou para Uzumaki Naruto -, mas nunca do jeito que aconteceu outro dia no café e na rua. Mas ela não demonstrou grandes reações com o comentário sobre maternidade, riu como faz normalmente das coisas que Tenten fala e continuou andando.
- Sakura! Sakura! – Naruto vinha ao encontro ela, um quimono laranja com redemoinhos negros espalhados por ele. Sorria de orelha a orelha, como sempre e se aproximou dela pegando-lhe as mãos – Vamos até a pescaria, eu vou ganhar um urso enorme pra você!
- Tá, não precisa ficar tão eufórico, Naruto – e ela pensa que ele pode evitar? Alô, Sakura, seu namorado é hiper-ativo, será que nunca percebeu isso?
Ela acenou rapidamente e se afastou arrastada pelo ser loiro e laranja que a puxava. Tenten não demorou a ir embora, também. Lee acenava para ela segurando um par de balões de hélio em formato de estrela. Eles iam se posicionar perto do palco para assistir ao teatrinho que não demoraria a começar. Hinata continuou andando ao meu lado.
- Você não disse a ele, disse, Ino? – ah, maldição, como é que as pessoas me conhecem tão bem? – Mas ele gosta de você, de verdade – certo, Hinata não me conhece tão bem assim, mas conhece Shino, certo? – Eu desejo tudo de bom a vocês.
- Hinata – foi a única coisa que Sasuke disse ao se aproximar, eu vi Shino vindo um pouco afastado, atrás de Sasuke. A morena foi até ele depois de me fazer uma pequena reverência e sorriu-lhe, depois o Uchiha a retribuiu com um sorriso de canto.
- Quer assistiu o teatro? – Shino me perguntou quando se aproximou o suficiente e entrelaçou nossas mãos.
- Quero – respondi.
Andamos entre o aglomerado para arranjar um lugar relativamente próximo ao palco onde algumas meninas estavam fazendo um coro da música que é ensinada a todas as crianças quando pequenas². Eu nunca me esqueci e aposto que nenhum dos meus colegas do primário também não, já que a nossa professora fazia-nos cantá-la em todas as aulas de música, uma vez por semana. Nossos amigos estavam espalhados por ali, alguns juntos outros separados. E nem sinal da minha mãe, o que é muito estranho.
- Eu encontrei seus pais – tava demorando, não é? – Estavam indo embora. Por quê? Porque sua mãe comeu um espetinho de lula estragado e estava passando mal.
BEM FEITO! Certo, isso é feio, horrível, repugnante para uma filha fazer, mas minha mãe não morre só com isso e é castigo por todos os anos de tortura que ela me fez passar neste Festival. Orihime e Kengyu estão ouvindo minhas preces de outros Festivais!
Tomara que eles ouçam todas e cumpram a de hoje.
O teatrinho começou, mas eu não prestei muita atenção. Já o conhecia décor e salteado, de trás pra frente e de ponta cabeça. Fala sério, eu moro em Fujisawa desde que nasci, vim a todos os Festivais durante 26 anos e até quando estava na barriga de minha mãe. Não existe pessoa que conheça mais esse teatrinho e essa lenda do que eu! Bom, talvez um especialista em cultura de festivais japoneses conheça, especialmente se ele tiver ido a todos os festivais da vida dele e hoje já tiver 80 anos, então serão 54 anos a mais de festivais que eu.
Eu só percebi que estava divagando sobre coisas estúpidas quando ouvi as últimas falas de Orihime declarando seu amor eterno a Kengyu e que poderia viver separada dele se o pudesse encontrar pelo menos por um dia e ele repetia que também o faria, que esperaria por ela com amargura, mas que eles voltariam a ficar juntos. Encarei Shino ao meu lado compenetrado na peça e decidi não atrapalha-lo, mas antes que eu pudesse voltar minha atenção para as crianças, meu entomólogo a reclamou:
- Ino – ele começou, virando-se para mim. Estava diferente de todas as outras vezes que eu já o vira, que já o analisara. Aquela expressão não era uma que eu poderia decifrar – Eu queria perguntar se você quer namorar comigo, porque assim posso dizer algo mais íntimo que "colegas de apartamento" e menos vulgar que "transa casual" quando as pessoas me perguntarem quem é você.
Ah, Shino, é por isso que eu amo você! Pra quer ser carinhoso e romântico quando se pode ser apenas prático e direto?
Certo, uma pequena parte de mim sentiu vontade de socá-lo por isso. A mesma parte que me fez corar, se querem saber, e que também me fez ficar encarando-o com os olhos arregalados, sem conseguir dizer eu fazer nada, apenas captando a informação.
Depois eu ri.
E acho que todas essas partes que me fizeram fazer essas coisas, são, na verdade, a mesma parte. Aquela lá em que está escrito o nome dele e "Amor" logo abaixo.
- Do que você está rindo? – ele me perguntou e eu não respondi, só continuei rindo, até ele completar – Eu estou apaixonado por você. Por quê? Dessa vez eu não tenho uma resposta.
Minha boca secou, eu senti dispnéia, meu coração acelerou e o vulcão do meu estômago entrou em erupção, depois eu gelei, me arrepiei e não consegui falar, apenas fiquei vidrada nele enquanto tentava decifrar as reações do meu corpo, mas elas passaram todas tão rápidas e em uma variedade tão grande que eu não consegui memorizar ou definir com certeza. Eu só acho que foi assim que eu me senti quando Gaara me disse que me amava ou pode ter sido completamente diferente, é que o meu cérebro fazia questão de esquecer, só pra poder sentir todas aquelas coisas quando ele dizia de novo. E isso vai acontecer com Shino, também, então é perda de tempo eu ficar pensando tudo isso e não responder logo.
- Sim – eu sorri largamente, querendo chorar e não ao mesmo tempo. Porque eu me senti tão emocionada? Fala sério, quando receber uma declaração dessas de alguém que ama, saberá como eu me sinto – Quero ser sua namorada.
Daí eu me pendurei nele, com os braços em volta de seu pescoço, para beijá-lo. E continuamos nos beijando de uma forma bem pudorosa, diferente de quando nos beijamos em casa e me senti bem. Bem de uma forma completa novamente, completa como eu não me sentia desde que uma parte de mim foi arrancada, morta e enterrada junto com Gaara. No momento, essa parte não revivia – pois se o fizesse seria uma parte zumbi de mim -, mas algo igualmente delicioso e diferente nasceu. E eu adorei a sensação. Até sermos interrompidos por gritos histéricos. De quem mais? De nossos amigos em comum, é claro, porque eles não conseguem nem vir a um Festival inofensivo sem aprontarem alguma.
E, falando em nossos amigos, eu ainda não vi o Neji. Mas eu aposto que ele só foi ter comigo no casamento dos Uchihas – lê-se Hinata e Sasuke – ou porque minha mãe o subornou, o que é muito improvável já que ele é rico, ou porque ela estava pegando no pé ele e ele a queria fazer sumir.
- Aquele é Uchiha Sasuke? – perguntou Shino.
Quando eu olhei apenas vi uma mancha laranja seguida por uma mancha preta passarem entre eu e Shino, depois seguidos por uma mancha verde e uma vermelha. Um aglomerado de meninas, e Shikamaru, estavam em volta de Hinata que parecia estar passando mal e, no telão, a cena de eu me levantando e passando batom vermelho nos lábios de Uchiha Sasuke sujo de farinha e outras coisas ficava se repetindo com o fundo musical de "I Will Survive".
- Ah, céus, alguém segura a Hinata! – gritou Tenten pegando Hinata que acabava de desmaiar e Sakura vinha correndo para perto delas, mas Temari gritou em resposta, com seu barrigão protuberante segurado por uma das mãos.
- Alguém segura a Hinata? – ela gritou em resposta – Alguém segure o Sasuke! Não podemos deixá-lo alcançar o Naruto antes de fazermos um bolão de apostas! 500 ienes que o Naruto quebra o nariz e perde um dente!
- 700 que ele fica de olho roxo! – gritou Sai. Peraí, Sai está aqui desde quando?
- 1000 que o Sasuke perde um dente – Itachi também? Fala sério, Ino, claro que está, quando é que ele desgruda do Sai? Da mesma forma que o Sasuke só desgruda da Hinata quando precisa perseguir o Naruto. Credo, Uchihas podem ser possessivos, não é?
- Você não acredita mesmo nisso, não é, Itachi? – perguntou Tenten.
- Não, mas seria divertido ver meu irmãozinho sem um dente – ah, lindo o amor fraterno. Eles se aproximaram de onde as meninas tinham Hinata com elas, às pessoas em volta seguiam a perseguição. Mais tarde eu descobri que o vulto verde era Lee e o vermelho, Kiba – Olá, Hinata, desculpe não ter vindo ao seu casamento.
- Acho que ela não pode te ouvir, Itachi.
- Ela ainda está viva? – Sai agachou-se, cutucando o braço mole de Hinata.
- Ah, não! SAKURA, ACHO QUE A HINATA MORREU! – Tenten desesperou-se.
Daí, acima de nós, explodiu os fogos de artifício.
Kiba e Lee conseguiram segurar Sasuke no último segundo, mas Sasuke nunca ficaria muito tempo bravo com Naruto, apesar de superbrincadeira que ele fez dessa vez. Brincadeira? Tá, eu não consegui arranjar um nome melhor para denominar o que é colocar um vídeo constrangedor seu no telão do evento em que vocês comparecem desde crianças na casa da família da sua esposa. Ele não acabou com nenhum tipo de hematoma. Droga, só porque eu apostei no olho direito roxo!
Hinata não estava morta, afinal. Ele nunca morre, só desmaia mais vezes que uma pessoa normal, mas eu juro que não a via desmaiar como ontem desde o colegial. Neji, por falta de qualquer outro homem por perto e por ele ser o primo-mais-super-protetor-depois-do-próprio-marido-dela-ocupado-caçando-o-melhor-amigo, surgiu do meio da multidão abestalhada com a cena e a levou para dentro da mansão, para o antigo quarto que ela ocupava. Depois que nos certificarmos que ninguém mais seria espancado, morto ou estaria com membros faltantes quando nos reencontrássemos, eu e Shino conseguimos pegar o último trem para virmos para casa.
Estamos no sofá, agora. Quero dizer, Shino está no sofá lendo enquanto o programa do Naruto não começa, e eu estou na esteira, correndo um pouco enquanto como chocolate. Parei quando os chocolates acabaram bem no instante que o programa começou. Estranho como Naruto parece mais sorridente hoje.
- "O programa de hoje é um especial sobre os filhotes selvagens provenientes do norte da Índia e esse é o tema de hoje por um motivo muito especial" – então ele, na melhor pose de hiper-ativo que era, aproximou-se da câmera com um sorriso imenso e a glória da sua perpétua roupa laranja e concluí – "EU VOU SER PAPAI!".
- AH, EU SABIA! – pulei do sofá, mas antes de poder comemorar qualquer coisa, o telefone tocou e eu corri até ele para atender, porque deve ser uma das minhas amigas – ou Kiba, querendo falar com Shino, sem ter nada a ver com a história -, que acabaram de receber essa informação também – Alô?
- Ino, você pode vir para o hospital agora? Temari vai ter o bebê – era Shikamaru e ele estava dizendo...
- O QUÊ?!
- É, pois é, problemático, e ela diz que quer você aqui...
- ...MESMO QUE ESTEJA NA MELHOR TRANSA DA SUA VIDA PRENSADA CONTRA A ESTUFA! – certo, isso, essa declaração amigável e discreta que deve ter sido proferida de dentro da maternidade de um hospital, veio de Temari.
- Tá, já to indo! – e desliguei.
- O que aconteceu? – perguntou Shino, ainda sentado, enquanto a televisão mostrada um Naruto mudo – Shino abaixou o volume, porque ninguém jamais presenciou Naruto mudo - e saltitante apresentando um monte de filhotes fofos de animais fofos.
- De onde é que estão surgindo tantos bebês?
¹Lenda do Festival da Estrela, pode ser encontrada na Wikipédia ao digitar "Tanabata".
²Música infantil ensinada as crianças japonesas geralmente cantada no festival, também pode se encontrada na página "Tanabata" da Wikipédia.
Olá!
Cara, desculpas não servem dessa vez, eu sei. Demorei muito mesmo e não sei se os próximos capítulos vêm com tanta rapidez assim, porque minhas aulas recomeçaram, mas eu prometo tentar, ok? Eu não sou super como a Ino, que consegue fazer tantas coisas ao mesmo tempo com ainda mais coisas na cabeça, porque eu não tenho um Shino.
Espero que vocês tenham gostado desse capítulo, porque eu adorei escreve-lo e me desculpem qualquer erro que passou despercebido. Foi meio curto, mas com várias coisas acontecendo, certo? Obrigada a todo mundo que tá acompanhando a fic e mandando reviews ou não e essas coisas, os hits também são importantes e apreciados e eu sei que ninguém lê isso aqui, mas eu continuo escrevendo, não é? Certo, agora acabou.
AGRADECIMENTOS:
Hyuuga Ana-chan, Tina Granger1, Hana-Lis, V. Lovett, Lust Lotu's, Vivian Hatake Malfoy, taliane, Graci-chan, JinchurikiGIRL, Lenita Hiko, pessoa-fofa-sem-nome, J P Sarutobi, Estrela Malfoy, Lariss G., Diny, Nati s2, Aqua-kun, Alera, Nhá Tomazela(3) e Ingrid.
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim!
