AROMAS E ZUMBIDOS

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Fanfic de presente para Pink Ringo.

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Capítulo 11 – "Inteligência, Fama e Beleza"

Branco e azul. Branco e algum verde. Branco e pontinhos coloridos de vez em quando. Cara, porque hospitais têm que ser tão brancos e claros e brancos e neutros e brancos e luminosos? Eu já disse que eles são brancos? Porque eu estou ficando cega aqui!

Mas sabe o que é tudo de bom? Eu estou andando pelo hospital e vários enfermeiros e médicos lindos estão olhando pra mim. E não são nem um pouco inocentes esses olhares. Só que eu não me importo com eles! Por quê? Porque eu tenho Aburame Shino ao meu lado, o entomólogo esquisito mais gostoso de todos os tempos. Ele mora comigo e é meu namorado! Sabe o quão bom é repetir isso? Claro que não, porque ele é MEU NAMORADO!

E sabe todas as enfermeiras bonitinhas com suas roupinhas de hospital e sorriso acolhedor – aqueles que elas tem que usar até para os pacientes em caso terminal e contribuir com a frase "Vai dar tudo certo, você vai ficar bem", mesmo que nada dará certo e ele não ficará bem -, bem, sabe essas aí? Pobrezinhas, elas olham para nós dois, Shino e eu, andando no corredor em direção a maternidade, com as mãos dadas, e só podem fazer isso mesmo, olhar. Cheias de inveja em seus olhos brilhantes por eu ser quem está ao lado do cara alto e moreno e misterioso e não elas. E Shino? Shino é apenas ele, como sempre, totalmente indiferente ao que qualquer outra pessoa faça ou deixa de fazer, ele só está ao meu lado, dando atenção a mim.

Quando entramos na ala da maternidade passamos por algumas salas onde havia mulheres grávidas em vários estágios para fazer consultas ou qualquer coisa que grávidas façam quando, bem, quando estão grávidas e vão ao hospital. Viramos alguns corredores para encontrar o pior lugar em que eu já fui em minha vida. Gritos de agonia vinham de trás das portas, choradeira infernal de recém-nascidos.

- ARRANQUE ISSO LOGO DE DENTRO DE MIM! – vinha de uma sala e eu quase pulei no pescoço de Shino, porque a infeliz lá dentro gritou exatamente no instante em que passamos pela porta. Eu comecei a andar mais rápido puxando Shino comigo até outro corredor que dá em uma saleta vazia, com umas cadeiras e máquinas de refrigerante e outras coisas de comer num dos cantos e uma mesinha cheia de revistas. No alto, uma televisão desligada.

Shikamaru estava sentado ali, a mão direita engessada, o braço esquerdo apoiado no encosto da cadeira do lado e um cigarro quase no fim pendendo da boca. Eu e Shino nos aproximados, meio com medo, porque o Nara tinha os olhos vidrados no nada e não pareceu se dar conta de que estávamos ali.

- Shikamaru – chamei, mas ele não respondeu – Não é permitido fumar aqui, sabia?

- Temari vai ter o bebê – ele disse, quando eu peguei a bituca de sua boca e – serei condenada por isso – apaguei num pequeno coqueiro ali no canto, para depois jogar no lixo – Ela vai ter nosso bebê!

- E isso é ótimo, não é? Onde ela está? Eu vou entrar lá – eu sorri encorajando-o.

- Ela vai ter nosso bebê – ele só repetiu.

- Abandona, Ino – eu virei à cabeça para ver Chouji chegando com um pacote de batatinhas light nos braços – Ele está em choque, só fica repetindo isso.

- Em choque? – eu abri muito a boca, arregalei os olhos e empalideci – Eu nunca vi o Shikamaru nem abalado e agora ele está em choque? – Chouji acenou que sim com a cabeça – Preciso tirar uma foto disso.

- É, eu já tirei – e mostrou a máquina digital escondida em seu bolso.

- Brilhante, Chouji! – eu cantarolei – Pode me levar até Temari?

- Eu tenho que te levar até Temari, ela só grita por você e algo a ver com a maldição da sua estufa e o cara esquisito e sexo. São palavras desconexas que vem entre as contrações, não dá pra entender direito – Chouji coçou a cabeça, meio confuso – Ela foi levada para uma área com isolamento acústico, estava atrapalhando o andar de cima onde acontecem as cirurgias de risco e já recebeu uma peridural, da última vez que a vi ela só parecia meio grogue.

Eu corei dos pés a cabeça, ainda bem que Chouji não entendeu o que ela disse. Olhei para Shino e, por incrível que pareça, ele desviou o rosto. Isso quer dizer – e eu estou orgulhosa em dizer que já sei definir a maioria de seus atos – que ele está corado. Muito fofo, não é? Quis mordê-lo e beijá-lo ali, mas preciso ir antes que Temari continue gritando sobre a minha vida sexual recém-restabelecida pra todo o hospital e pra minha futura afilhada. Ela não merece nascer e já ouvir esse tipo de coisa sobre a madrinha dela.

Chouji me guiou por vários corredores, tantos que, eu tenho certeza, me perderia se fosse sozinha. Chegamos a uma sala como aquele onde deixamos Shino e Shikamaru, mas com várias outras pessoas lotando-a e enfermeiras e um ou outro médico. Chouji foi até uma enfermeira.

- Está é Yamanaka Ino, ela será a acompanhante do parto de Nara Temari.

- Sim, por favor, me acompanhe – disse a enfermeira andando e abrindo grandes portas duplas de metal.

- Eu vou voltar e tentar reanimar Shikamaru – disse Chouji – Boa sorte.

- Você está falando como se Temari fosse algum tipo de monstro, Chouji.

- Você já viu Temari nervosa, não viu? – eu confirmei – Agora una isso à situação de ela está tentando desesperadamente fazer uma bola de basquete sair de dentro dela e você conhecerá o inferno, por isso, muita sorte mesmo – e ele se foi.

Maldito cretino, agora sim eu estou mesmo aterrorizada!

Eu segui a enfermeira até uma sala de onde, quando me aproximei, pude ouvir o pior grito de agonia de toda a minha vida. Paralisei no lugar enquanto a enfermeira me levava para uma ante-sala onde eu poderia vestir o avental, a touca e aquelas coisas todas para entrar na sala de parto.

- Senhorita? – ela chamou.

- Ela vai fazer alguma coisa contra mim se eu entrar aí? – perguntei a enfermeira me lembrando, subitamente, da mão engessada de Shikamaru – Quero dizer, ela está anestesiada, não está?

- Sim, agora ela está – a enfermeira sorriu amarelo – Ela segurou a mão do marido com um pouco de força.

Um pouco de força. Ela quebrou a mão de Shikamaru, dá pra entender isso? Ela o fez ficar em choque, fumando sem perceber o que estava fazendo, com cinzas caindo no peito pela camisa aberta. Eu realmente não sei se quero entrar lá, sabe. Quero dizer, se ela fez algo assim com o próprio marido de quem ela está esperando o filho, imagine o que não fará comigo que sou só a amiga ex-namorada do irmão morto futura madrinha da filha que ela está tentando colocar no mundo? Sinceramente, não sei o que ela pode fazer, mas não deve ser algo simpático.

Respirei fundo e entrei, depois de vestir todas as coisas que a enfermeira me entregou.

Temari estava deitada numa cama reclinável, os pés apoiados em suportes de metal e, enfiada entre suas pernas, estava uma médica de máscara e touca com uma bandeja de instrumentos na mesa ao lado e uma enfermeira. Temari, a minha amiga Temari, sempre tão chique, sofisticada e autoritária, estava ofegante, o rosto vermelho, o penteado desfeito e os fios de cabelo loiro grudando na face suada. No momento em que eu entrei ela deu um grito, trincou os dentes e fez força agarrando as beiradas da cama.

- Temari! – eu me aproximei e toquei-a sem me importar dela gritar comigo ou quebrar minha mão. Ela estava ali, tão corajosa e guerreira como sempre, e eu não pude deixar de sentir ainda mais admiração por ela.

- Ino... – ela se reclinou por um tempo, ofegando, seu peito subindo e descendo. Ela sorriu – Você não estava mesmo transando com Shino prensada na estufa, estava?

- Não – ri com gosto sem sentir-me envergonhada. Queria chorar de felicidade por Temari – Não, estávamos assistindo o Naruto e ele disse ao vivo que Sakura está grávida. Não é bom?

- É, com certeza, ótimo passar por isso – Temari riu, mas seu rosto se contorceu de dor no meio da risada e ela trincou os dentes de novo. A médica mandou-a fazer força e eu segurei seus ombros.

- Vamos, Temari, empurre!

- Eu já não tenho mais forças.

- Fala sério, mulher, você nocauteou um motoboy com uma estatueta, é a mulher mais forte que eu conheço – e outra contração veio – Vamos, você é quase a mulher-gorila!

- Você quer apanhar, Ino? – ela perguntou ainda fazendo força

- Er... – eu me calei. Quero dizer, fala sério, olha a situação dessa mulher, com certeza em uma situação dessas eu me lembraria de cada injúria lançada contra mim, então achei melhor parar de tentar lembrá-la de seus poderes sobre-humanos e só mandá-la empurrar – Força!


Era uma coisinha rosada com uns poucos fios de cabelo preto, pretinho, e olhinhos tão inchados que não abriam para que pudéssemos ver sua cor. Era uma menininha pequenina, frágil e adorável. Claro que quando ela saiu de Temari cheia de sangue e líquido amniótico e a placenta e tudo o mais que se deve sair naquela hora, foi um nojo, mas agora que ela está limpinha e terminando de chorar, parece linda.

- Ino, o que você ainda está fazendo aqui? – perguntou Temari. A loira sorria enfeitiçada pela filha em seus braços.

- O quê? – perguntei meio aérea pensando em como será linda quando ela virar pra mim e disser "tia Ino". Com certeza serão as primeiras palavras dela.

- Vá chamar aquele preguiçoso aqui – ordenou Temari. Ela é cheia de ordenar as coisas e duvido que tenha alguém que a conheça que se negue a obedecer – Agora!

Eu saí correndo da sala de parto ainda com a toca, o avental e a máscara descartável. E lembra que eu falei que ia, provavelmente, me perder pelos corredores quando voltasse de tantas e tantas voltas e curvas que fizemos? Bem, não deu outra, né?

- Ah, não! – eu entrei numa sala com um leito onde um velho dormia – Merda! Não acredito que me perdi mesmo – passei por um corredor com várias portas, mas não me atrevi a entrar em nenhuma, queria mesmo era achar alguém em algum corredor, mas aparentemente todo mundo do hospital resolveu ir embora!

Eu me senti como num daqueles filmes de terror manjados. Quero dizer, como todas as pessoas podem sumir num hospital? Sempre tem que haver pessoas em hospitais, é como uma regra universal que, pelo jeito, as pessoas não querem mais seguir aqui!

O que me restava fazer? Sentar e chorar.

E o que eu fiz? Sentei e chorei. Bem ali no meio do corredor estupidamente branco daquele hospital estúpido com aquele avental azul e touca estúpida. Sentei, as pernas e os braços cruzados, um bico enorme e fiquei, minhas sobrancelhas franzidas. Tenho certeza de que se alguém me achar nessa situação vai pensar que eu sou uma paciente fugitiva da ala psiquiátrica – se é que eu já não estou na ala psiquiátrica – e me dará um sedativo.

- Ino?

Viu? Agora eu também estou ouvindo vozes do além que chamam o meu nome. Só falta vir uma menina demoníaca do nada com uma faca, andando no teto, e cair com a faca afiada diretamente na minha cabeça. Ou algo assim mais bizarro, uma abelha gigante vai aparecer e me ferroar até a morte! Porque é a que a minha vida não pode ser normal, como a vida de qualquer outra florista chocólatra, falida e encalhada que recentemente desencalhou com o entomólogo gostoso que foi morar com ela?

- Ino, o que é que você está fazendo sentada aqui? – olhei para o lado para me ver encarando olhos castanhos extremamente conhecidos, mas que eu não via há algum tempo. Os olhos castanhos estavam fixos em um rosto e em um corpo tão familiar quanto eles e o corpo tinha balões de felicidades e um pacote de presente nas mãos.

- Kankurou? – eu balbuciei meio aturdida por ele estar ali, com aquelas coisas. Quero dizer, eu não o vejo há uns oito meses e, de repente, ele aparece no hospital e me encontra quando eu achei que estava perdida, louca e abandonada e ia morrer de fome aqui. Qual a probabilidade de isso acontecer? Na verdade, não importa realmente. Estou salva! – Kankurou! – e pulei no pescoço dele.

- Uou! – ele gritou, porque estava agachado para ficar da minha altura, então ele caiu pra trás comigo em cima, entre suas pernas, e o chumaço de balões de hélio com as congratulações voou e bateu no teto – É, eu também tô feliz em te ver, sabe.

- Não, você não entende, eu pensei que fosse morrer aqui, abandonada e sozinha nesse corredor escuro que, se eu não morresse de fome antes de alguém me encontrar, com certeza eu morreria quando alguma aparição fantasmagórica com efeitos especiais de terceira iria me pegar! – daí eu comecei a rir, porque Kankurou com certeza deve saber o caminho para a ala da maternidade – Então, eu estava perdida, mas agora você está aqui e podemos voltar pra lá. Aliás, porque é que você está aqui com essas coisas?

- Ah – foi o comentário de Kankurou enquanto nos levantávamos. Acho que isso se deveu ao fato da quantidade de informação junta que eu joguei para ele absorver – Então, eu também tô perdido.

Silêncio.

Silêncio sepulcral.

Silêncio arrasador.

Completa ausência de qualquer tipo de ruído.

Eu olhando para Kankurou.

Kankurou olhando pra mim.

A luz piscou.

E é agora que a gente morre.

- A gente vai morrer aqui! – eu gritei desesperada tendo o princípio de correr, mas só fiquei parada, atirei os braços pra cima e me sentei de novo – Merda, eu ainda nem transei na estufa!

- Quê? – ele perguntou sentando-se a minha frente, deixou o presente que segurava de lado e os balões flutuando encostados no teto.

- Você ainda não me respondeu o que está fazendo aqui com isso? – eu perguntei-lhe. Quero dizer, não vejo Kankurou há tempos e de repente ele aparece tão perdido quando eu num hospital com balões e presentes? Será que ele veio visitar alguém doente?

- Vim ver Gaara, sabia que ele ressuscitou há alguns dias? – ele zombou.

Paralisei com os olhos vidrados dele.

- Idiota – respondi quando me lembrei que ele também é irmão da Temari e ela acabou de ter uma filha, então ele provavelmente está aqui pra ver a criança – Ah, droga, a Temari me mandou chamar Shikamaru há uma hora e eu to perdida aqui com você. Ela vai me matar, Kankurou!

Ele só continuou me olhando indiferentemente como ele sempre faz quando eu digo algo óbvio. Quero dizer, nós passamos vários momentos juntos, quando eu ainda namorava o Gaara, então é natural que ele tenha alguns hábitos quanto a hábitos meus. Sempre que ele faz uma piada de mau gosto, por exemplo, eu o chamo de idiota. Natural como respirar.

Daí ele tirou o celular do bolso e discou algum número.

- Hei, Chouji – ele disse todo feliz – É, eu encontrei a Ino – escutou um momento – É, ela tava alucinando num dos corredores, só que eu me perdi também – escutou de novo – Sério? Tudo bem, então. Até.

- O que ele disse? Que estamos perdidos e não tem escapatória? Que vamos ter que conseguir alguma coisa para quebrar uma das paredes antes de tudo ficar alagado por uma onde gigante?

Kankurou – demonstrando de uma bela falta de educação – não me respondeu, apenas levantou-se e, comigo atrás dele, seguiu até o fim do corredor, virou a direita e... Apertou o botão para chamar um elevador.

Elevador. Claro que eu sabia que ele estava aqui o tempo todo, nunca achei que fosse morrer perdida em um hospital vazio onde, do nada, iria aparecer uma menina fantasma morta-viva com uma faca enorme para me matar. Claro que não, isso tudo é bobagem hollywoodiana.

- Você vem? – quando eu acordei de meus pensamentos Kankurou já estava dentro do elevador.

- Não, não, acho que vou continuar perdida por aqui – ironizei.

- Então, tá – quem disse que Sabaku no Kankurou entende ironias?

- Não! – gritei e coloquei minhas mãos entre as portas de metal antes delas se fecharem.

Agora, como Chouji sabia onde estávamos para indicar precisamente onde estava o elevador?


Quando a gente voltou para um lugar onde, pelo menos, havia outras pessoas circulando, descobrimos que Temari já fora mudada de quarto. A sala onde Shikamaru tinha estado em choque estava ocupada por outras pessoas e uma enfermeira prestativa que lançou vários olhares para Kankurou – que retribuiu, é claro – nos guiou até o novo quarto.

Temari estava na cama, já bem penteada e maquiada, completamente reconstituída e muito diferente da mulher ofegante, vermelha e suada que ela era na mesa de parto. Onde que ela arranjou as coisas pra se arrumar, sendo que eu não vi Shikamaru segurando mala alguma, é um mistério pra mim. E ao redor da cama dela estavam todos os nossos amigos, incluindo uma Haruno Sakura segurando um telefone com Naruto em uma vídeo-conferência bem próximo ao rosto da neném nos braços de Hinata.

- Ino, onde é que você estava? – perguntou Tenten e vários rostos se viraram pra mim, incluindo Shino que se aproximou devagar. Kankurou saiu do meu lado como se não me conhecesse e correu até a bebê deixando os balões voarem pelo quarto e colocou o presente sobre uma cadeira com vários outros presentes – Nós chegamos aqui há séculos.

- Eu... Me perdi – disse atordoada. Se pelo número de gente que eles deixam entrar no quarto ou pelo número de gente que chegou aqui do nada, não sei dizer.

Arranquei o avental e a touca que ainda vestia e remexi na mala de Temari – que encontrei debaixo da cama – para dar um jeito no cabelo. Tava todo mundo rindo e conversando e a neném era passada de braço em braço. Eu, quando a peguei dos braços de Lee, que deixou um pouco do fogo da juventude de lado para não machucar a pequenina, senti aquele delicioso cheiro de bebê. Ela dormia apesar de toda a bagunça de nossos amigos animados por ela ser o nosso primeiro bebê. Porque, com amigos como nós, quando um tem um filho, todos têm.

- Hei, gente! – Kiba gritou animado entrando e fechando a porta. Ele carregava duas sacolas de presente que pareciam pesadas demais para conter coisas de bebê – Olha só o que eu consegui.

Ele colocou uma das sacolas no chão e da outra tirou suas garrafas de saquê abrindo um sorriso enorme com seus caninos a vista.

- Kiba! – exclamou Hinata.

- Onde é que você conseguiu isso? – perguntou Neji que até agora eu não tinha visto que estava presente.

- Eu comprei e subornei uma enfermeira sacana pra conseguir trazer aqui – ele começou a distribuir o saquê para Lee e Tenten – Pra comemorar a chegada da mini-problemática!

- Você a subornou? – Shino, ao meu lado, perguntou inquisidor – Com dinheiro ou com sexo?

- Ambos, para ser mais eficaz.

- Você é um prostituto, Kiba – riu Temari pegando uma garrafa de saquê, mesmo com o olhar reprovador de Shikamaru.

Quando ela foi beber, Sakura agarrou a garrafa das mãos dela dizendo que, como ela vai amamentar, não pode beber. Sinceramente, eu tenho medo da Temari. E também tenho medo da Sakura, então é compreensível que apenas Sakura possa fazer algo parecido como tirar uma garrafa de bebida alcoólica das mãos de Temari sem que ela fique realmente possessa com ela a ponto de matá-la.

- Não, eu sou sexy e todas as mulheres me querem, só isso – e continuou distribuindo as garrafas de saquê.

- Hei, Sakura, nada de beber você também! – disse a imagem de Naruto, repreensivo, através do celular que a Haruno ainda segurava.

- Eu sei, Naruto, não precisa ficar paranóico.

Eles continuaram com a conversa de casal preocupado com a família crescendo e essas coisas. Eu continuei com minha afilhada no colo, mimando-a, querendo apertar suas bochechas gordas, com a mão sobre seu peito pequenino descendo e subindo suavemente com o sono. Mal posso esperá-la crescer, andando com seus pacinhos de pinguim, indo pra escola com maria-chiquinhas, correndo com flores nos cabelos.

- Está tudo bem, Ino? – a voz de Shino veio me trazer de volta para o mundo real. Eu tinha ido parar próxima a janela, o pôr-do-sol trazia seus tons outonais para dentro do quarto. Eu gosto do crepúsculo, gosto de Shino ao meu lado falando comigo com sua voz suave de preocupação. Gosto de ter minha afilhada nos braços. Voltei-me para ele e sorri, limpei a lágrima de felicidade incontida que desceu pela minha bochecha e, em meio a nossos amigos, vi Temari e Shikamaru nos encarando.

- Estou bem. Bem e feliz, Shino – sorri para ele querendo beijá-lo e abraçá-lo para sempre, mas antes fui até a cama e entreguei a neném aos braços cuidadosos do pai – Já escolheram o nome dela?

- Já, sim – respondeu Shikamaru – Não foi nem um pouco problemático.

- Akemi – disse Temari pegando uma das mãos minúsculas da filha – "Linda luz", você não acha apropriado, Ino?

- Perfeitamente apropriado.


Chegamos tarde a casa, depois de levarmos um Lee e um Kiba totalmente embriagados para suas respectivas casas. Tenten cuidaria de Lee, mas não havia ninguém para cuidar de Kiba e, por mais que ele dissesse que Akamaru era perfeitamente capaz de ficar com ele e era treinado para ligar para a emergência, Shino não conseguia não ficar preocupado com o melhor amigo e só o deixou depois de se certificar que ele tinha tomado um banho e um remédio para dor de cabeça – e que Akamaru conseguia, além de ligar para a emergência, ligar para Shino em seguida.

Ele foi preparar um jantar rápido enquanto eu entrei no banheiro, exausta de me perder pelo hospital, só queria tomar um banho. Fiquei feliz de ver o parto de Akemi e todo o amor que todos nós podemos dar a ela, como daremos a todos os bebês que virão porque, fala sério, os homens do nosso grupo de amigos tem um instinto preservador da espécie fora do comum!

Liguei o chuveiro esperando a água esquentar, tomar banho de banheira demora demais, quero ir dormir logo. Tirei a roupa e o sutiã, mas quando me abaixei para tirar minha calcinha eu a vi. A coisa mais nojenta e asquerosa que pode existir no mundo, o inseto-mor na questão de repugnância, a maldição da minha existência que será a única coisa que sobreviverá se um dia uma guerra atômica acabar com a vida na Terra.

Uma barata!

E a porta se abriu as minhas costas, mas eu nem consegui me virar, somente gritei:

- SHINO! – e aparentemente era mesmo ele, mas eu estava chocada em demasia para conferir. Convenhamos, se não fosse ele, quem mais poderia ser? Um estranho que entrou na minha casa, no meu banheiro, do além? Papai Noel? Não, só podia ser Shino.

- Desculpe, eu não sabia que você estava no banho – ele ia fechando a porta e eu continuava petrificada olhando para aquele serzinho marrom, asqueroso, perto do cesto de roupas sujas – Não a vi entrar aqui.

- Mas eu não estou te expulsando, estou te chamando – disse mexendo meus lábios o mínimo possível para não espantar a maldita.

- O quê?

- Mata aquela barata pra mim! – eu apontei. Com cuidado ou ela pode fugir, se refugiar no seu esconderijo e fazer uma organização terrorista nazifascista se perceber as minhas intenções.

- Novamente, o quê?

Fala sério, Shino, meu querido, eu sei que você trabalha com insetos e deve ser contra a sua política ou filosofia de vida matá-los, mas nem a pau eu vou viver sabendo que essa barata continuou viva. Os insetos da estufa vá lá, eles são bonitinhos e realmente tem feito umas novas espécies de flores incríveis e que estão cativando as pessoas quando elas vêm procurar por novidades, mas não podemos compará-los com essa monstruosidade da natureza. É como comparar o Gollum com Legolas!

- Rápido, antes que ela fuja – eu instiguei.

- Ino, eu não vou matar essa barata. Por quê? Porque ela não proporciona perigo algum.

- Pra que é que você é meu namorado? Para fazermos companhia um ao outro, para fazermos sexo e para você matar as baratas que aparecerem, agora faça! – virei o rosto para tentar olhá-lo por cima do ombro e só encontrei seus óculos e lábios espremidos em uma risca fina, como quando ele fica irritado por alguma coisa – Qual é, Shino? Você pode ser educado com a minha mãe e não pode matar uma barata? – ele continuou me encarando sem mudança.

- Saia daí – ele entrou no banheiro e eu saí.

Pulei um pouco de nojo, balançando as mãos e quando senti meus seios balançando junto me lembrei da minha situação. Quero dizer, a semi-nudez em que me encontro. Coloquei os braços por cima dos seios para cobri-los, mas não tenho mais nada a esconder de Shino, então não tem verdadeira importância como eu estou vestida. Ou despida, que seja.

Ouvi uma chinelada, depois a descarga. É pra isso que é bom ter um homem em casa, quero dizer, quem mais poderia matar os ratos, os morcegos e as baratas da vida quando eles eventualmente entram em casa? Os homens, é claro! A habilidade de matar animais asquerosos, de dizer coisas fofas nos momentos certos, de proteger e de ter pegada quando é necessário, tudo isso, vem incluído na testosterona. Para nós, junto do estrógeno, vem à habilidade de fazer compras úteis, a sensibilidade perante filmes e livros, decorar a vida de todas as pessoas famosas e seduzir.

E é assim que o mundo gira!

Ele saiu do banheiro com um rosto impassível, parece que ele não ficou exatamente feliz por ter que matar um dos espécimes de seus objetos de estudo. Bem, ele vai superar! Eu dei-lhe eu beijo na face e agradeci antes de entrar novamente no banheiro e fechar a porta, mas agora não há mais necessidade de trancá-la. Mudei de ideia e, como Shino fechou o chuveiro, abri a torneira da banheira. Preciso relaxar depois desse episódio exaustivo e perturbador com o serzinho marrom. Enquanto ela enchia, eu raspei as pernas e taquei sais de banho com cheiro de frutas vermelhas na água e entrei, pegando uma das revistas da pilha, uma com a foto de Shino que eu nem me lembrava existir. Abri na reportagem falando sobre ele.

Aburame Shino

Inteligência, fama e beleza. Uma combinação que deu certo!

Cara, eu não sabia que as pessoas que escrevem as revistas de ciências podem ser tão puxa-sacos e bajuladores como aqueles que escrevem as revistas de fofocas. Quero dizer, nem todo mundo que escreve essas revistas é assim, mas quem não vai falar melhor daquela banda que adora? Eu falaria se escrevesse pra essas revistas.

Logo abaixo de uma foto de Shino que provavelmente foi tirada em uma sessão de fotos, porque tem aquele fundo azul, havia uma breve ficha técnica:

Nome: Aburame Shino

Idade: 26 anos

Aniversário: 23 de janeiro

Estado Civil: Solteiro

Ocupação: Entomólogo

Aburame Shino é, talvez, o nome mais promissor da entomologia atualmente. Voltou para o Japão recentemente, onde nasceu e cresceu, depois de passar três anos fazendo suas pesquisar genéticas de um novo tipo de inseto polinizador em vários laboratórios especializados pelo Europa, Estados Unidos e Canadá.

As pesquisar de Shino dizem...

Depois segue um monte de blá, blá, blá técnico sobre as implicações das mutações genéticas bem sucedidas em todos os testes feitos em laboratório e coisas do tipo, coisa totalmente sem importância para informações adicionais sobre Shino e sua personalidade até agora meio obscura, o que me interessou realmente foi o último parágrafo:

Não foi divulgado o local em que o jovem entomólogo está realizando suas pesquisas em território japonês, apenas sabe-se que é uma área urbana pouco movimentada de Tóquio, coisa realmente difícil de conseguir numa das maiores e mais populosas cidades de mundo. Em uma breve entrevista durante a sessão de fotos para esta reportagem, Shino disse que vai permanecer no Japão por mais alguns meses, mas que precisará estar na Europa dentro em breve para concluir e patentear suas descobertas.

Como assim, "estar na Europa dentro em breve"? O que está acontecendo aqui? Eu sei que Shino é importante e, depois de ler isso, também sei por que ele é rico, o que me deixa bem aliviada sobre ele ter uma segunda vida fora da lei, mas ele não mora aqui? Mora! Então porque ele tem que ir embora para a Europa dentro em breve? Ele pode fazer as pesquisar aqui, não é? Quero dizer, ele mesmo não disse que a minha floricultura é o lugar mais propício para seus insetos de toda a Tóquio? Certo, calma, ele deu essa entrevista há muito tempo, nem devia estar morando comigo na época, deve ser de quando ele mudou pra cá, já que diz que ele ainda estava solteiro – ignorando o fato de que ele só me pediu em namoro oficialmente ontem – e agora ele tem a mim, a vida dele mudou completamente. Ele nem deve pensar em mais nada sobre voltar pra onde quer que ele precise voltar. Não, Shino vai ficar aqui.

Não é?


Olá!
Céus, que demora, nem me atrevo a me desculpar, mas como sempre a culpada é a instituição escolar, como se meus pais já não soubessem que eu vou simplesmente virar escritora. Falida, mas uma escritora de qualquer modo! Espero que vocês gostem do que eu escrevo, porque vocês terão que comprar meus livros um dia. E acredito que eu não vou demorar tanto para publicá-los quanto demoro a postar fics.
Enfim, esse capítulo foi meio relax e depressivo, final misterioso e tudo o mais. O que será que acontecerá? Shino vai embora? Fica pela Ino? Kiba é mesmo prostituto? Quanto ele cobra? As respostas vêm com os próximos capítulos, não percam.
Em breve também teremos atualização das outras fics! Espero que tenham gostado desse capítulo, obrigada a todas as pessoas que acompanham, leem e deixam reviews ou não, todos são muito importantes pra mim.

AGRADECIMENTOS:

JP Sarutobi, Lust Lotu's, Hyuuga Ana-chan, Nostra-chan, Nati s2, Estrela Malfoy, Nha T., JinchurikiGIRL, V. Lovett, Hana-Lis, Vivian Hatake Malfoy, Tia-Lulu, Hachi-chan 2, Lenita Hiko, Hyuuga Maya – Haruno Tomoe e Felt Morgan.

OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim! :)