AROMAS E ZUMBIDOS
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Capítulo 12 – Eu Amo Você
Uma convenção de entomologia. Uma CONVENÇÃO de entomólogos, um monte de cientistas esquisitos que adoram aqueles monstrinhos zumbidores, parasitas de plantas, que ficam espreitando na escuridão, prontos para pularem em você e arrancarem seus olhos!
Eu pensei que não existissem muitos desses malucos como Shino. Quero dizer, eu pensei que só existisse Shino. E aquelazinha da loja de roupas do shopping que também estuda entomologia, mas quando eu poderia adivinhar que não, não existem apenas eles dois como fanáticos por insetos, mas muitos e muitos outros? Tem mais de uma faculdade desse negócio espalhada pelo Japão e mais um monte aí pelo mundo. Pelo que Shino me disse, é claro, porque eu não sou exatamente uma pessoa que fica na Internet buscando informações sobre insetos e seus estudiosos, não é?
"Entomologiaé a ciência que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o ambiente. A palavra Entomologia é proveniente da união de dois radicais gregos, entomon (inseto) e logos (estudo) e vem sendo empregada desde Aristóteles (384-322 a.C.) para designar "Estudo dos insetos"
O Instituto de Entomologia de Tóquio tem o prazer de realizar a 5ª Palestra Anual de Entomologia Nacional. Reunimos aqui vários dos mais renomados cientístas do campo outrora citado e agradecemos aqueles que puderam comparecer. Como palestrante honorável temos em nosso meio Aburame Shino, o cientista que está fazendo grandes avanços na área de mutação genéticas entre os insetos com relação a polinização."
Isso aí e mais um monte de blá blá blá científico era o que estava escrito no folder que a gente recebeu na entrada. Shino, pelo que parece, é um dos palestrantes. Que chique, não é? Claro que eu tô super orgulhosa dele e tudo o mais, mas como é que ele teve coragem de me pedir para vir a um lugar desses? Ele é meu namorado e sabe que eu tenho medo, asco, nojo, completa e total repulsa por esses monstrinhos de várias pernas – mesmo que eu não tenha demonstrado tanto isso com os monstrinhos do Shino em casa, mas são os monstrinhos do Shino, eu o magoaria se mostrasse repulsa -, mas mesmo assim ele foi delicado o suficiente para perguntar se eu gostaria de vir. Como se eu realmente pudesse virar para ele e dizer:
- Não, Shino, não quero ir, porque seu trabalho me enoja.
Claro, muito delicado da minha parte, não?
Quando Shino comentou sobre isso comigo a primeira vez – há uns três dias – eu achei que fosse brincadeira. De fato, eu até mesmo gargalhei, mas Shino se manteve sério e sua boca se tornou um risco. A essa altura qualquer um sabe que quando a boca dele fica um risco é que ele está com raiva.
Daí eu só concordei dizendo que viria. Escolhi meu melhor vestido lilás um pouco acima do joelho e um bolero branco. Prendi o cabelo todo pra trás o melhor que eu pude escondendo a minha mecha azul entre os fios loiros – só que o meu cabelo é liso demais e algumas mechas acabam soltando – para que todos esses cientistas insetívoros estranhos não pensem que eu sou algum tipo de punk. Quero dizer, eu não sou, só a minha mãe maluca acha isso, mas quem dá ouvidos a ela?
Certo, Shino dá.
E agora eu tô aqui, entre um monte de homens – e umas duas mulheres muito, mas muito mal vestidas – não que todas as mulheres cientistas andem mal vestidas, mas essas exageraram – e alguns desses entomólogos até trouxeram espécimes para demonstrações. Então eu acho que qualquer um pode entender como eu estou me sentindo.
- Shino – chamei puxando-lhe as mangas do terno agarrada a seu braço, tremendo e fechando os olhos com força todas as vezes que um idiota se atrevia a chegar perto de nós com um caixinha toda linda, mas cheia de insetos. Ou pior, quando um desses idiotas vinha falar com a gente carregando uma daquelas caixinhas para mostrar a Shino – Eles vão me atacar, me tira daqui.
Sim, eu estou tratando o Shino como se ele fosse uma mãe, porque todo mundo sabe que mães dão jeito em tudo. É aquela coisa de dizer "Mãe, o mundo tá acabando, dá um jeito" e ela vai lá e resolve o problema. Isso não funcionava com a minha mãe, é claro, então eu preciso fazer de Shino uma espécie de mãe nessas horas para me tirar do apuro em que ele mesmo me colocou.
Ah, mas querem saber o que é pior do que um desses malucos entomólogos vir até mim e meu namorado com uma caixinha de insetos? Pior que isso só um desses idiotas vir até mim e meu namorado com uma caixinha de insetos e não acreditar que eu sou de fato a namorada de Aburame Shino. Pois é, foi isso mesmo que aconteceu quando um dos colegas de Shino se aproximou e nos cumprimentou – segurando uma caixa com espécimes de escaravelhos, deixe-me acrescentar – e parabenizou Shino pela palestra que ele vai ministrar. Eu só me encolhi. O que mais eu poderia fazer? Ser simpática com um homem que está segurando ESCARAVELHOS pra ele derrubar a caixa sem querer e eles entrarem em mim por sob minha pele?
É, eu assisto filmes de múmias.
- Olá, Aburame – ele cumprimentou a qual Shino respondeu com um aceno de cabeça. O tal dos escaravelhos - que depois eu descobri se chamar Okane - me encarou com um sorriso complacente como se eu fosse uma garotinha de dez anos – E quem foi que você conseguiu arrastar pra cá? Sua prima?
- Minha namorada – olha só o Shino direto e prático por quem eu me apaixonei aí – Yamanaka Ino.
Os olhos azulados de Okane me analisaram por dois segundos antes dele cair na gargalhada. Eu, sinceramente, não sabia qual era a graça. Será que eu coloquei muita maquiagem e o meu pó deixou minha cara laranja? Mas Shino teria me avisado se isso acontecesse, não é? Uhn... Não. Shino nunca enxerga as cores das coisas como elas realmente são porque está sempre com aqueles óculos escuros. E se for mesmo um monte de pó laranja na cara e foi por isso que ele acha que eu sou uma garotinha? Ou uma adolescente, pelo menos. Eu acho que garotinha é um pouco exagerado, por mais jovem e linda que eu seja.
- Claro, sua namorada – ele olhou em volta – Todos aqui têm mesmo cara de ter namoradas que parecem modelos americanas, hein, Aburame?
- Hei, eu sou mesmo namorada dele! – reagi depois daquele desdém ridículo. Quero dizer, se ele é um mal amado, que mal tem o Shino ter uma namorada? Eu aposto que esse cara, Okane ou sei lá, nunca viu o Shino sem camisa – muito menos sem roupa alguma –, porque se não ele não pensaria que ele não pode arranjar uma namorada.
- Claro que é – e se afastou, rindo, acenando para outro entomólogo segurando uma caixinha. Shino começou a me puxar para algum lugar naquele instante, mas eu ainda pude ver o Okane dizendo alguma coisa para o outro entomólogo, apontando pra mim e os dois rindo.
Fala sério, esses caras todos são muito esquisitos. Menos Shino. Shino é lindo, é cheiroso, é inteligente, famoso, rico, meu. Tudo o que eu pedi – e minha mãe também – a quem quer que esteja lá em cima. Ah, vocês entenderam, não é? O Todo-Poderoso ou algo assim.
Shino me guiou para o salão onde as palestras iam acontecer. Várias cadeiras estavam dispostas pelo lugar e, por incrível que pareça, a maioria delas estavam ocupadas. E por gente normal, pelo que me parece.
- Ino, eu preciso ir porque já vão começar – ele avisou e eu concordei com um sorriso encorajador – Pode arranjar um lugar sozinha?
- Acho que isso eu posso fazer, sim – respondi e beijei-lhe os lábios de leve antes de vê-lo desaparecer por um corredor.
Procurei um lugar com os olhos e encontrei alguns bons, mas preciso ir ao banheiro antes disso começar. Cientistas podem virar tremendo tagarelas quando falam sobre o que quer que façam e sobre o que gostam. Sei disso por causa de Shino que, quando consegue algo novo com um de seus insetos, vem me contar e fala pelos cotovelos, apesar de sempre com a mesma voz séria. Eu faço o mesmo que faço com Sakura: cara de interessada e concordâncias nos momentos certos. Portanto é melhor eu arranjar um banheiro e usá-lo agora, porque seria realmente vergonhoso se eu tivesse que me levantar no meio da palestra de Shino, não é?
Tentei encontrar alguma placa com uma flecha em que se pudesse ler "Banheiros", "Toaletes", "Sanitários" ou qualquer coisa do tipo, mas eu acho que esse salão de conferência não oferece nenhuma informação desse tipo. Não encontrei placa alguma, então eu segui até o rapazinho da entrada que estava entregando os folders para ele poder me indicar para onde eu devia ir antes de me mijar em cima.
- Entre por aquelas portas duplas e siga para a esquerda até o fim do corredor – ele me indicou com voz de tédio sem parar de entregar os folders para as pessoas que entravam.
- Obrigada – respondi e segui para o lugar que ele tinha dito. Era a mesma porta por onde Shino fora, mas eu não me lembro para que lado dele foi. Não importa, eu já estava torcendo as pernas quando encontrei os sanitários.
Entrei, tranquei a porta e tratei de me apressar. Segundos antes de entrar aqui, quando estava terminando de andar por aquele corredor terrivelmente longo, ouvi duas pessoas dizendo que precisavam começar logo, mas elas falavam de um jeito preocupado, quase aflito. Eu realmente espero que essa aflição toda não de deva a uma daquelas caixinhas ter se aberto e deixado todos os espécimes saírem zumbindo por aí.
Abri a porta aliviada e alisando o vestido. Pronto, agora é só voltar pelo corredor e arranjar um lugar pelo meio, assim eu não preciso parecer muito interessada ao sentar na frente e nem completamente entediada se sentar num dos lugares de trás.
- Ah, você está aí! Eu estava louca te procurando, senhorita Schermer – que nome engraçado esse. Deve ser alemão ou algo do tipo, não é? Continuei andando até sentir o meu braço ser puxado com força para trás e quase me fazendo desequilibrar do salto – Você precisa ir logo pro palco.
- O... O quê? – arregalei os olhos enquanto a moça baixinha e de cabelos curtos me puxava em direção ao banheiro, mas entrando num outro corredor à esquerda, em vez da porta a direita onde eu estava me aliviando – Pra onde é que você está me levando?
- Não temos tempo pra isso, senhorita – ela me repreendeu – Você tem que introduzir a conferência e o palestrante, Aburame Shino. A-B-U-R-A-M-E.
- Eu sei como se soletra isso! – gritei tentando soltar meu braço – Mas eu não vou introduzir nada, você deve estar me confundindo com alguém.
- Claro, aposto que você vê muitas mulheres japonesas loiras e de olhos azuis por aí – ela desenhou e me empurrou para um palco atrás de grandes e pesadas cortinas de veludo negro.
Que calúnia! Eu sou uma mulher japonesa loira e de olhos azuis, qual o problema? Meu nome é Yamanaka Ino, me fala que isso não é japonês? Tudo bem que o meu pai é alemão e adotou o sobrenome da minha mãe quando se naturalizou japonês e por isso eu sou loira de olhos azuis, foi o que tentei explicar pra ela, só que ela não quis acreditar em mim. Não, ela só me empurrou para o palquinho me chamando de senhorita Schermer-japonesas-loiras-não-existem e achando que está tudo bem, achando que eu vou fazer a introdução de uma palestra sobre insetos que o meu namorado vai ministrar. Mas ela está muito enganada, eu vou é mostrar pra ela que eu...
- Tudo certo em três, dois, um – alguém gritou. Espera, tudo certo o quê? Nada está certo simplesmente pelo fato de que EU NÃO DEVERIA ESTAR AQUI! – Luzes... Cortina!
A cortina abriu, as luzes se acenderam e eu tô aqui no palco, meio de lado porque estava indo ensinar uma lição pra aquela maluca e olhando para um monte de rostos de cientistas entomólogos e simpatizantes. Eu sabia, realmente sabia que alguma coisa ruim iria acontecer quando eu aceitei vir a essa palestra sobre os meus piores inimigos. Se uma daquelas caixinhas não se abrisse em cima de mim, então seria outra coisa ainda pior. O que seria pior que ser confundida com a mulher provavelmente alemã que ia fazer a introdução?
- Senhorita Schermer, você precisa ir até o púlpito – ouvi aquela mulher que me empurrara até aqui sussurrar e olhei pra ela de esguelha. Vejam só, Shino está ali do lado e parece que está olhando pra mim de um jeito estranho. Será que ele vai querer terminar comigo depois disso? Ah, merda, merda, merda!
Outra coisa: o que diabos é um púlpito?
- Ino, saia daí! – sussurrou Shino quando comecei a caminhar em direção àquele lugar onde tem um microfone, para fazer o papel da tal senhorita alemã. Eu não quero mais passar vergonha, então é só dizer algumas coisas que soem inteligentes, chamar Shino e sair correndo para vomitar em algum lugar.
Aproximei-me do tal púlpito de madeira e agarrei as bordas com as duas mãos sentindo minhas pernas tremendo sob o vestido. Meus lábios também tremiam e eu tentei dar um sorriso forçado antes de abrir a boca duas vezes para só saírem grunhidos inteligíveis. Olhei para Shino tentando buscar um pouco de força, vi-o me encarando fixamente e uma mulher loira com os cabelos repuxados para trás presos em um coque, usando terminho e óculos retangulares, dizendo-lhe alguma coisa, e parecia usar um tom de reprovação, porque tinha as sobrancelhas franzidas em desagrado.
Virei à cabeça para frente, mas com o canto dos olhos pude vê-lo virar-se para ela e parecer se desculpar. Ah, céus, eu o estou envergonhando! Ele vai virar a chacota dos entomólogos do Japão: "Olhem, aquele é Aburame Shino, o namorado daquela maluca que falou um monte de idiotices na última conferência", é o que eles vão dizer de Shino. Eu preciso sair logo aqui. Tudo bem que eu faço um ótimo trabalho arruinando vidas – peça a Temari, ela teria um monte de histórias embaraçosas para contar sobre mim quando ainda namorava Gaara –, mas arruinar a minha vida já é o suficiente, não preciso arruinar a de Shino também. Parei de olhar para o lado e encarei a platéia intensamente tentando arranjar um rosto mais caridoso para me focar, mas só encontrei os olhos divertidos daquele tal dos escaravelhos, Okane.
- Senhoras e senhores – comecei, finalmente. Ouvi minha voz sair firme, o que é muito estranho, porque me sinto tão nervosa quanto Hinata em seu chá de cozinha – Muito obrigada a todos por comparecerem aqui hoje. Temos muitos cientistas ilustres entre nós, mas o entomólogo escolhido para ministrar a palestra sobre o trabalho de mutações genéticas dos insetos com relação à polinização é o doutor Aburame Shino. Por favor, uma salva de palmas.
Nem preciso dizer que a maiorias das coisas que disse eu retirei do folder que eles entregaram na entrada, não é? Respirei fundo, me afastei do púlpito e vi Shino subir a escadinha ao meu encontro. Aproximamo-nos e eu quis dar-lhe um sorriso, mas vi a sua boca em risca. Não me atrevi nem a olhá-lo nos olhos depois de ver seus lábios e abaixei a cabeça ao apertar sua mão. Seu toque foi frio. Não fisicamente, mas eu senti a frieza de seus sentimentos. Ele deve estar tão bravo comigo!
Desci a escadinha e vi a loira alemã vir em minha direção. Já estava pronta para abrir a boca e pedir desculpas, quando ela parou em minha frente, cruzou os braços e despejou:
- Está satisfeita? Aqueles cientistas vieram aqui para me ouvirem introduzir a convenção e tiveram que ouvir suas baboseiras! – ela tinha um sotaque tão perfeito quanto às sobrancelhas. Será que ela é entomóloga também? Não se parece nada com as outras duas mulheres meio mal-vestidas que vi anteriormente – Não diga nada! – fechei a boca; nem tinha percebido que ela se manteve aberta – O querido Shino já se desculpou o suficiente pela sua idiotice. Suma da minha vista!
O que mais eu poderia fazer depois disso? Claro que responder, não é? Eu é que não ia ficar parada ouvindo-a dizer essas coisas sobre mim – e sobre o acidente de ir parar lá naquele palco que nem fui eu quem provocou – e iria embora especialmente depois de ela chamar meu entomólogo, meu namorado, de querido.
- Hei, eu não surgi lá em cima porque eu quis! – retruquei. Não muito inteligentemente, devo admitir – Foi um acidente.
- Evidentemente – ela me olhou com desdém dos pés a cabeça – Dá pra ver muito bem o que o Shino viu em você.
- É, também dá pra ver o que ele não viu em você – olhei para ela com o mesmo desdém dos pés a cabeça e, um pouco atrás, eu vi aquela lunática que me confundiu com essa bruxa abrindo a boca em uma exclamação muda. Dei um sorriso e saí dali.
Eu passei o caminho todo de volta em silêncio. Fiquei em silêncio também quando Shino me perguntou o que eu queria para o jantar e foi preparar qualquer coisa, já que eu não respondi. Fiquei em silêncio esperando-o falar, mas ele não falou. Tampouco eu. O silêncio estava me matando, eu queria pedir desculpas, mas estava em dúvida se ao menos devia comentar aquele episódio malfadado. Passamos o jantar em silêncio e continuamos assim quando Shino pegou um livro, depois do banho, e sentou-se no canto do sofá pra ler. Depois que eu saí do banho, ainda estávamos em silêncio.
Um conselho? Nunca fique em silêncio com o seu namorado, é muito horrível.
- Porque estamos tão quietos? – a voz dele veio tão de repente que eu me assustei ao ouvi-la. Estava no meu cantinho do sofá, quieta, a televisão desligada, olhando para o nada e o vi pousar o livro sem marcar a página. E, dessa vez, ele não tinha uma resposta, pois logo após a perguntar não veio uma explicação introduzida por um "porque".
- Por que... Você está bravo comigo, não é? – arrisquei meio que me encolhendo.
Shino deixou o óculos escuro escorregar para a ponta de seu nariz em um sinal claro de que ele quer me observar atentamente.
- Estou?
Não tô entendendo mais nada.
- Está! Pela coisa de aparecer no palco e roubar o espaço daquela senhorita Schermer – o lembrei me empertigando no sofá e fazendo uma careta descaradamente ao falar o nome dela – Você passou por mim com um risco no lugar de lábios e não falou mais depois que saímos da conferência.
Shino ficou pensativo por um momento e, eu pude ver claramente, voltou os óculos no lugar com um micro-sorriso. O que isso quer dizer?
- Eu não estou bravo com você agora nem naquela hora – ele voltou a pegar o livro – Estava irritado com a senhorita Schermer.
Pisquei desentendida, mas aposto que o meu namorado notou a minha felicidade irradiante quando eu me aproximei dele no sofá com um sorriso para perguntar:
- Estava bravo com ela por quê?
- Não gostei das coisas que ela disse sobre você – ele colocou-se atrás do livro enquanto dizia isso – Mesmo depois que eu disse quem você é pra mim e me desculpei já que eu não sabia o porquê de você estar lá, mas ela ainda disse mais coisas e eu a mandei calar a boca.
- Você... – podia sentir meus olhos arregalados. Não é emocionante quando o seu namorado de defende desse jeito? E também é muito, muito romântico! Quem precisa de príncipes em cavalos brancos quando pode ter um entomólogo desses? – Mandou ela calar a boca por mim?
Só que eu não dei tempo dele responder patavinas, pulei no seu pescoço tão rápido que apenas deu tempo de tirar o livro do meu caminho e jogá-lo em algum lugar da sala. Espero não ter quebrado nada. Shino me segurou quando rolamos no sofá acabando ele em cima de mim com meus braços em seu pescoço desferindo beijos por cada pedaço dele que eu encontrei disponíveis e voltando para sua boca repetidas vezes.
- Shino... – parei e sorri olhando pra ele. Arranquei seus óculos e passei os dedos por todos os contornos de seu rosto vendo-o fechar os olhos com o contato e beijar meus dedos quando os passei por sobre seus lábios finos. Retirei mechas de cabelo preto de cima de seus olhos para que pudesse olhá-lo perfeitamente. Respirei fundo e disse o que eu já deveria ter dito desde o casamento de Hinata – Eu amo você.
Prendi a respiração quando ele ficou tenso de surpresa. Lambeu os lábios, mas continuou com os olhos castanhos o tempo todo em cima dos meus. Fechei os olhos, pronta para dizer a ele que não precisava me responder a mesma coisa, que cada um demora tempos diferentes para dizer isso, mas senti os lábios dele nos meus como que me obrigando a abrir os olhos de novo e sua voz:
- Te amo também.
Eu não sou muito fã do outono. As folhas todas amarelam e caem, as flores murcham; a freguesia praticamente some; o céu fica cada vez mais cinzento. Claro que todas as coleções de outono/inverno nas melhores lojas são as mais sofisticadas, mas só há pouco tempo que eu consegui realmente – e com uma pequena ajuda de Shino depois que eu admiti para ele que sou uma chocólatra, falida e ex-encalhada – a sair do vermelho; não posso simplesmente me dar ao luxo de ir lá, renovar meu guarda-roupa e ficar falida novamente. Shino até quis me emprestar um pouco de dinheiro para eu poder comprar botas novas. Eu não aceitei, é claro; sou orgulhosa demais pra aceitar dinheiro do meu namorado para um par de botas. O que não o impediu de ir lá e comprar as botas "como presente de três meses", ele disse.
Eu nunca tive nenhuma memória realmente interessante que ocorrera no outono. No verão tínhamos as férias agitadas do colegial, tínhamos as competições de inverno e, é claro, minhas lindas flores na primavera. Nada de especial no outono além de um monte de folhas secas, um frio seco, pessoas secas.
Acordei totalmente perdida. Não sabia onde estava nem que horas eram, em que dia, mês, ano, século, cidade, país, mundo ou universo eu me encontrava. Apenas acordei atordoada no meio das cobertas deitada de atravessado na cama. Nua. Sentei-me na cama de um pulo tentando reconhecer o quarto em meio à penumbra sem sucesso e tentando, também, lembrar-me do que eu tinha feito na noite anterior. Olhei para baixo, para os meus seios desnudos, vendo algumas marcas vermelhas por ali. Uma, bem maior, perto do meu mamilo. Uau! Na afobação e em meio às cobertas conseguia cair da cama num tombo colossal, bater em uma estante e derrubar um monte de livro em cima de mim.
Aí a porta abriu:
- Ino, você está bem? – perguntou uma silhueta masculina parada na porta. O máximo que eu conseguia distinguir estando de ponta cabeça e com pouca luz era que o estranho usava nada mais, nada menos, que apenas uma cueca boxer branca.
Eu me lembro dessa cueca. E me lembro de tirá-la, girá-la por sobre a cabeça e arremessá-la para algum lugar de algum cômodo da casa. Ah, imagens começam a invadir a minha cabeça junto com sensações deliciosa e excitantes e... Céus! Fizemos tudo isso noite passada, Shino? Mas obviamente que ele não respondeu a uma das perguntas dos meus devaneios, não é?
Sabem o que é ter uma noite de transas e romance tão boa que na manhã seguinte você nem consegue se lembrar que é um ser humano? Pois é, quem não sabe devia experimentar.
- O que está fazendo aí? – Shino se aproximou de mim ainda estática no chão e agachou-se.
Só que eu não pude resistir. Fala sério, até parece que alguma outra mulher em sã consciência de que bem na sua frente está o homem da sua vida apenas de cueca preocupado com ela também resistiria. Então eu tentei voltar a ficar com a cabeça no lugar certo, ou seja, pro outro lado, e pulei em Shino levando-o ao chão sob mim. Ah, é realmente ótimo ter alguém sob si para amortecer a queda.
- Shino, isso vai acontecer aqui e agora! – olhei-o fundo nos olhos e dei-lhe o meu melhor sorriso pervertido que só serviu para atiçá-lo a me beijar.
Ainda durante o beijo chutamos os livros que caíram da estante para os cantos e ficamos parcialmente em cima do edredom. Empurrei o peito de Shino – que estava até aquele momento apoiado nos cotovelos comigo nua entre suas pernas – para ficar deitado sobre o assoalho. Andei de joelhos até ficar sentada em seus quadris me mexendo sobre a cueca. O peito de Shino subiu muito quando ele arfou e agarrou minha cintura me puxando pra baixo e colocando a boca sobre a minha passando sua língua entre meus lábios e levando a minha língua para sua boca. Enquanto o beijava iniciei os movimentos de vai e vem com o quadril sentindo-o enrijecer.
- Ino... – ele arfou quando eu interrompi o beijo e saí de cima dele indo pra baixo e levando sua cueca comigo, deixando-o livre daquele incômodo inoportuno.
- Relaxe, Shino – eu lhe respondi beijando-lhe as pernas, subindo os beijos e deslizando as unhas por sua pele exposta – Apenas relaxe.
Abri a porta da floricultura silenciosamente, mas não ia agüentar ficar em silêncio tempo suficiente para pegar Shino de surpresa. Subi as escadas e deixei minha bolsa no sofá, assim como o casaco e a boina superestilosa que eu tenho desde sempre. Coisas desse tipo nunca saem da moda. Subi as escadas até a estufa onde Shino ficara trabalhando enquanto eu ia visitar Temari e minha sobrinha. Ela está sozinha em casa esses dias, pois Shikamaru foi receber um prêmio de xadrez em algum lugar nos Estados Unidos – não que ela esteja reclamando, foi Temari mesma quem o obrigou a ir, porque Shikamaru disse que seria muito problemático ficar longe dela e de Akemi.
Esgueirei-me pela porta de vidro da estufa vendo a silhueta difusa de Shino lá dentro. Sorri e comecei a lhe contar tudo o que eu tinha feito e conversado com Temari sem nem parar para respira. Mesmo concentrado ao máximo eu já aprendi que Shino consegue me escutar, então somente peguei um regador pequeno, enchi de água e fui aguar umas gérberas sedentas ali no canto:
- Você sabe, a Akemi é aquela gracinha igual todos os bebês recém-nascidos, mas é meio chato porque ela ainda não faz muita coisa. Ela fica o tempo todo deitadinha, molenga. Parece um bebê feito de gelatina, sabe? E tem aqueles barulhos estranho que parece que ela está arrulhando como uma pomba – fiz uma pausa para respirar dar um olhar de esguelha para Shino. Ele parecia estar terminando o que quer que esteja fazendo, então eu continuei – Temari está maravilhosa como sempre. Forte e radiante por causa da filha, mas diz que está com os seios rachados e que dói muito. Eu mal posso esperar quando ela começar a andar, sabe, parecendo àqueles filhotes de pingüim? A coisa mais fofa!
- Ino...
- E os presentes que ela ganhou, então? Naruto e Sakura deram uma coleção de bichos de pelúcia de todo quanto é tipo. Akemi gostou tanto do tigre siberiano gigante que ele precisa ficar junto dela no berço. Hinata e Sasuke deram-lhe a maior casa de bonecas que eu já vi. Praticamente dá pra colocar Akemi lá dentro e ela seria uma mini-dona de casa.
- Ino, eu preciso ir embora.
- E eu estava pensando, na volta pra casa, o que é que nós dois podemos dar... – e foi então que eu finalmente ouvi que Shino estava me chamando e dizendo aquelas quatro palavras que demoraram uma eternidade para serem processadas no meu cérebro ainda maravilhado por ficar babando sobre minha afilhada – O que... O que é que você acabou de dizer, Shino?
- Eu preciso ir embora.
- Mas... – eu meio que já sabia a resposta para a pergunta que eu estava prestes a fazer, mas eu precisava ouvir dos lábios dele. Eu poderia estar enganada, terrivelmente enganada. Eu queria muito estar – Embora pra onde?
- Preciso voltar para terminar minha pesquisa na Europa – eu o vi dar um passo na minha direção e iniciar o movimento de levantar os braços para me envolver, mas eu o detive. Dei a volta me segurando em uma banca de Rosas Alegres – uma ironia enorme naquele momento – e senti... Ah, nem sei o que senti. Quando algo do tipo acontece com você, quando a pessoa que te ama simplesmente diz que vai embora, você não fica pensando no que sentiu naquele momento. Só sente, só dói, só se desespera e tenta mentir para si mesma dizendo que não, que aquilo não estava mesmo acontecendo.
Era como a revista dizia. Eu li e lá estava escrito que uma hora ele tinha que voltar para a Europa, mas era uma revista que fazia fofoca. Eu nunca fui muito de acreditar em tudo o que uma revista de fofoca escreve. Seria a mesma coisa que acreditar que a Lady Gaga é hermafrodita ou que Michael Jackson está fazendo como Elvis Presley e só fingindo que morreu. Simplesmente não dá pra confiar nesse tipo de revista.
Mas é completamente possível confiar em palavras de verdade ditas tão fortemente na sua cara como um tapa.
E sabe o que era pior? Não parecia fazer nenhuma diferença pra ele.
- Não é por muito tempo, então...
- CALE A BOCA! – eu gritei com todas as minhas forças, os olhos fechados para dar ainda mais efeito, a cabeça baixa e as lágrimas retidas. Quando Gaara foi embora ele não me avisou, porque também não sabia, e aquilo doeu muito. Saber que Shino está indo embora por vontade própria e me deixando ali doeu de uma forma completamente diferente. Eu só queria gritar com ele, tirá-lo da minha vista o mais rápido possível e não voltar a encontrá-lo nunca mais, já que ele estava fazendo isso comigo.
Pensando no que aconteceu depois, eu percebi que, se ele tivesse dito de uma forma diferente ou se eu não tivesse sido covarde e tivesse conversado com ele sobre a matéria da revista onde estava escrito que ele iria embora em breve, as coisas teriam sido diferentes. No momento, porém, eu estava brava, ferida, desesperada, completamente fora de mim.
- Se você vai embora, faça isso agora! Pegue o que você tem que pegar e simplesmente vá! – continuei gritando, mas num tom mais baixo. Dei-lhe as costas e abri os olhos. Junto com meus olhos abertos, vieram as lágrimas, mas eu encarava a parede de vidro da estufa.
- Ino – ele me chamou de novo, a voz em um tom que eu não reconheci. Apertei meus braços com as mãos para me manter firme. Não estava adiantando muito e eu sabia que logo iria cair ali na estufa, no meio daquele outono seco, e chorar até minhas lágrimas secarem, chorar até ficar tão cansada que acabaria dormindo por ali. Chorar até alguém saber do que aconteceu e ir me encontrar chorando na estufa.
Quando eu me virei, Shino já não estava mais ali e ouvi a porta da escada batendo.
Gente, o que eu fiz? o.o
Shino foi embora, a Ino está sozinha de novo e o que será que vai acontecer agora? Sinceramente, nem eu sei, porque fui escrevendo esse capítulo na empolgação e saiu isso. Espero que vocês me perdoem por desmanchar o casal vinte e esperem os próximos capítulos, quem sabe?
AGRADECIMENTOS:
Lust Lotu's (A Temari com certeza é um perigo e, coitada da Ino, só acontece desgraça com ela. Vai comprar meus livros? Que bom, obrigada! Beijos.);
Marcy Bolger (Obrigada por seu carinho, Marcy-chan, e fico muito feliz que esteja gostando a história, eu tento fazer uma Ino mais leve e engraçada mesmo. Obrigada por tudo! Beijos.);
Sofia di Luna (Obrigada, que bom que gostou do capítulo. Nossa, tanta gente me pedindo o telefone do Kiba, ele vai ter muito trabalho! Beijos.);
Estrela Malfoy (Desculpe a demora, Estrela-chan. Sim, o Shino gosta mesmo muito da Ino, mas veja só o que aconteceu! Eu mesma espero que as coisas dêem certo. Obrigada pelo carinho. Beijos!);
Diny (Claro que você adora essa, é a minha única história que você lê, sua cretininha! Te amo. Beijos!);
Camila (O capítulo anterior também foi o que eu mais ri, adoro cenas Tema/Shika, eles são demais. Desculpe a demora. Beijos!);
Kaya (Até que enfim uma review sua, ainda mais que tem um superconteúdo nela. Te amo mesmo assim, fazer o quê? Beijos!);
V. Lovett (Sério que já ficou perdida num hospital? Eu sei, a Ino é louca. Foi a convivência com a mãe dela. Ah, com tantos pedidos, o Kiba cobra caro! Beijos.);
Nha T. (Pois é, mas será que o Shino matou a barata mesmo? Dúvidas. Desculpe te deixar ávida por resposta, Nha-chan, mas eu acho que esse capítulo não ajudou, não é? Desculpe a demora. Beijos!);
Hana-Lis (Hana-chan, minha margarida, o que é que você acha? Será que no último minuto o Shino não vai embora de verdade, vai voltar com a Ino e vão acontecer coisas na estufa? Só no próximo capítulo. E Kiba como garoto propaganda promocional realmente funcionou. Beijos!);
Felt Morgan. (Temari dá medo em todo mundo, sinta-se bem vinda ao clube! E eu acho que não vai acontecer o pedido de casamento, Morgan-chan. Ou será que vai? Ah, eu mesma estou tão confusa! Obrigada pelo carinho. Beijos.);
Pink Ringo (Não grila com seu sumiço, Pink-sama, eu entendi a situação. Desculpe a demora pra atualizar sua fic, mas estou me dividindo em muitas coisas no momento. Fico feliz, felicíssima, que esteja gostando, já que é escrita especialmente pra você. Te adoro muito, beijos!);
Guida-Hyuuga (Quer saber um segredo, Guida-chan? Antes da Pink-sama me pedir essa fic, eu também não gostava de Shino/Ino, mas fui me encantando conforme fui escrevendo. Eu prefiro a Ino com o Gaara, mas esse casal me cativou. Que bom que cativou você também. Beijos!);
Coelha-chan (Que bom que você gostou da minha fic, mesmo que não seja da sua preferência, Coelha-chan, isso me deixa muito feliz. Quer o telefone do Kiba? Acho melhor entrar na fila. Obrigada por ler. Beijos!).
Sim, me deu uma louca e eu resolvi responder as review individualmente, já que eu não fazia isso há muito tempo. Acho que desde que meu nick era "E-Pontas", coisa antiga. Espero que tenham gostado, já que eu deveria estar estudando pra prova de história, mas estou aqui atualizando a fic. Se eu tirar vermelha a culpa será de vocês, apesar de eu adorar a todos!
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim! :)
