Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem à Masashi Kishimoto.

Cap 03: Vinculo

Por Kappuchu09

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Dois meses. Já se passaram exatos dois meses desde a noite da festa. E desde então ele e o loiro não haviam mais se encontrado. Não pessoalmente pelo menos.

Neste momento o Uchiha olhava atentamente uma planilha de vendas... Elas haviam diminuído. As vendas haviam diminuído consideravelmente depois que o Uzumaki tinha assumido o controle do setor de vendas da Konoha corp, não que Suna houvesse decaído, longe disso. Afinal Uchiha Sasuke nunca falhava. Mas era visto que as duas empresas estavam em uma concorrência acirrada, onde a cada dia o vencedor mudava.

O moreno largou as folhas de papel sobre a mesa e fechou os olhos, passando os dedos sobre suas têmporas, as pressionando. Maldito Uzumaki, maldito loiro, maldito smoking branco, malditos olhos azuis mais belos que as sete maravilhas do mundo. Ele soltou um grunhido irritado, tornando mais um gole de café.

Ele definitivamente odiava, odiava se lembrar do loiro. Não só sua mente estava sendo atormentada constantemente por aquela suposta 'visão' que havia tido ao conectar os seus olhos com os celestes do loiro, mas também o atormentava saber que assim que a festa acabou o vazio havia voltado a dominar o corpo, e seu coração clamava por seguir o Uzumaki e preencher o vazio novamente.

Mas seu corpo também sofria, sofria a ausência do calor, do cheiro, do gosto e da voz do outro, ele só conhecia a última, mas algo dentro de si dizia que as outras já haviam lhe pertencido antes, e ainda pertenciam. Ele sentia calor, muito calor, em especial na região do baixo ventre, toda vez que se lembrava da imagem que sua mente produziu dele deitado sobre o loiro acariciando-o.

Porém logo após vêm à imagem dos dois caídos no chão e mortos, é nesse momento que ele comprovava que na verdade quem sofria mais com tudo aquilo, não era sua mente ou seu corpo e sim, seu fígado.

Eram exatos dois meses que ele estava sendo movido à café. Tudo bem que a ele sempre agradou o odor e o sabor do liquido escuro, mas tomar mais de dez xícaras por dia, não podia ser saudável, nem mesmo ao Uchiha. Ele suspirou.

- Preciso de mais café...

- Se continuarmos assim está empresa irá falir, trate de trazer café de casa Uchiha. – disse friamente um homem ruivo de olhos verdes e tez pálida, que adentrava ao escritório do Uchiha sem permissão. Uma coisa que chamava atenção no homem era uma estranha tatuagem na lateral esquerda de sua testa, um kanji, cujo significado era amor. Um tanto quanto irônico já que o ruivo parecia ser do tipo de pessoa que nunca amou e nunca amará. Ele estava vestido com um terno preto. Frio e sóbrio como parecia ser a personalidade do ruivo.

- Sabaku. – disse secamente o moreno, estreitando os olhos. – O que devo a sua ilustre presença em minha sala? – sarcasmo puro e explicito.

- Uma decisão foi tomada. – disse o ruivo impassível, em frente à mesa do escritório – A partir de amanhã Suna corp. e Konoha corp. irão se fundir.

- Frio, insensível, calculador e carrasco.

- Adjetivos dos quais já sabia ao aceitar vir trabalhar para mim.

"Aceitar?" o Uchiha pensou com escárnio, aceitar foi à única coisa que pode fazer, ele e Itachi. Ou aceitavam ou então uma nuvem escura iria se estabelecer sobre suas cabeças. Uchiha Fugaku. À primeira vista o perfeito marido e pai, pelas costas o perfeito carrasco, o poderoso chefão, ou faziam o que ele queria ou então que arcassem com as conseqüências. Não que Sasuke tivesse medo dele, na verdade ele o considerava apenas mais um fracassado, e por essas e outras que ele saiu de casa, mas outra coisa era cortar laços, ele não podia. Ele não podia deixar sua mãe nas mãos de um miserável como aquele. Ele suspirou pela enésima vez naquele dia.

- Suponho que há algo a mais que queira me dizer, não é? – perguntou indiferente, ignorando o comentário do de olhos verdes.

- Certeiro, frio, calculador e carrasco. – sarcasmo eminente.

- Direto ao assunto Sabaku. – diz inclinando-se sobre a mesa, enquanto depositava seus cotovelos sobre a mesma, assim apoiando seu rosto nas mãos.

- A partir de amanhã você irá trabalhar junto com Uzumaki Naruto no fechamento do negócio mais importante para ambas as empresas onde...

"Você irá trabalhar junto com Uzumaki Naruto, Você irá trabalhar junto com Uzumaki Naruto..." Aquelas palavras se repetiam em sua mente sem parar, ignorando todo o resto. Estava perdido, realmente perdido. E como claro sinal de desespero os olhos se arregalaram. Como diabos esperavam que ele e o loiro conseguissem trabalhar juntos? Era impossível, além de ele ser um dobe, teimoso e irritante ele era absurdamente sexy.

Merda! Ele tinha que parar de pensar daquele jeito, ele não gostava de homens, ele gostava de mulheres, mulheres com curvas, muitas curvas, seios e quadris grandes. Nada de barrigas de tanquinho, músculos, braços fortes, pernas torneadas, pele bronzeada ou então um suculento...

Ele iria socar a sua cabeça na parede! Melhor, ele iria socar a cabeça do Sabaku na parede e que se dane seu pai e o processo que teria que enfrentar.

O que infernos ele estava pensando?! Definitivamente ele tinha que parar, ele tinha que respirar fundo, e contar até dez, talvez assim seu baixo ventre se acalmasse e...

"Um, dois, três..." O moreno olhou para a própria mesa. "Imagine ele implorando por mais... quatro..." O Uchiha olhou discretamente para seu colo, vendo um pequeno vulto sob a calça. Okay, talvez contar não funcionasse. Ele precisava de café, muito café.

O moreno ignorando o ruivo a sua frente pegou o telefone e discando a tecla três pela centésima vez nos malditos dois meses.

- Já estou levando seu café Sasuke-sama. – Disse a voz da secretária do outro lado da linha, antes que o moreno dissesse algo. O Uchiha lançou o olhar ao ruivo e o viu suspirando. Talvez fosse realmente melhor trazer café de casa mesmo...

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- NÃO!! Definitivamente, NÃO.

- Não foi uma proposta, foi uma ordem. – falava calmamente Jiraya, sentado no sofá do escritório do Uzumaki.

- Eu já disse, NÃO. Eu me recuso. – dizia o loiro agitadamente, caminhando de um lado para o outro no escritório.

- Naruto, tente entender. Essa união foi a melhor coisa neste momento, com ela evitamos desgastes e perdas. – falou calmamente o homem de cabelos grisalhos, tornando um gole do copo de wisky que estava em sua mão.

- O problema não é a união, o problema sou eu trabalhar junto com o... O teme. Impossível.

- Então me dê uma boa desculpe Naruto. – diz o homem lançando um olhar sério ao afilhado.

Naruto estava aflito impaciente e nervoso. Suspirando novamente o loiro se sentou ao lado do homem mais velho e passou as mãos pelos cabelos.

O que diria? 'óhh, me desculpe Ero-sennin, mas eu às vezes tenho sonhos quentes com o Sasu-chan, e se trabalharmos juntos, eu vou acabar fazendo coisas feias no escritório?'. Completamente fora de questão e... Espera! Ele havia pensado "Sasu-chan", Deus ele estava ficando louco. Ele precisava de férias, sim de férias bem longas de preferência no Havaí onde poderia ver o bastardo só de sunga preta e... CHEGA!

- Não tem desculpa nenhuma, não é? – o mais velho sorriu sarcástico – Ótimo. Amanhã vocês vão ter a primeira reunião. – com esta última sentença o homem deposita o copo de wisky sobre uma mesinha ao lado do sofá e se levanta do mesmo. – Depois me conte tudo. – com um último suspiro o homem se retira da sala, fechando a porta logo atrás de si.

Naruto iria matar Jiraya, realmente matar. Ele que era o dono daquela empresa e quem tomava as decisões era o padrinho, nesses momentos é que Naruto sentia raiva dos pais terem nomeado aquilo como seu protetor.

"Maldito pervertido."

Suspirou novamente apoiando os cotovelos sobre os joelhos, e o rosto sobre as mãos.

Como ele faria aquilo? Como trabalharia com o moreno? Era impossível. Não conseguiria lidar com as imagens que teve ao ver o moreno pela primeira vez, o beijo, as juras de amor, a promessa... A morte. Se antes ele estava curioso pelo misterioso sonho com um homem de olhos negros e suas juras de amor; agora a curiosidade só se fez aumentar.

Ele já sabia quem era o homem misterioso, porém suas dúvidas só fizeram se multiplicarem. Por que aquelas cenas? Por que eles morreram de novo? Por que em ambas as cenas ambos os 'protagonistas' eram eles?

A resposta para essas e outras milhares de perguntas ele não sabia, mas uma coisa ele tinha certeza. Pela expressão no rosto do moreno ele sabia que não era só ele que havia tido aquela cena passando pela sua mente. O moreno também viu. Mas a principal pergunta era: Por que quando viu o moreno tudo mudou, se sentiu pleno, leve e... Completo?

O loiro balançou a cabeça em um gesto negativo, ele não era gay, não era. Mas ele tinha a ligeira impressão que aquilo não era uma fantasia, e nessas horas ele se perguntava: Reencarnação existe?

Arrepiou-se com o pensamento.

Balançou a cabeça novamente e se levantou do sofá, se dirigindo a mesa, assim sentando-se na cadeira atrás da última.

- Melhor voltar ao trabalho e que se dane o bastardo... Pelo menos até amanhã. – suspirou de novo, iria definitivamente matar Jiraya.

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Dia seguinte...

Merda, merda e merda novamente. Ele precisava de café. Realmente precisava, ou sua cabeça iria explodir. O maldito dobe estava atrasado a mais de trinta minutos, fazendo com que o Uchiha mais novo tivesse que aguentar a presença insuportável do maldito demônio, ou também como era chamado pelos demais: Gaara.

Sasuke com uma expressão irritada ingeriu mais um gole de seu café, suspirou.

- Você vai acabar morrendo com tanto café.

- E com certeza você seria o primeiro a chegar ao meu enterro, não é? – disse sarcástico Sasuke, vendo o outro homem a sua frente dar um meio sorriso. Psicótico. Suspirou de novo. Maldito loiro. Queria matá-lo, mas isso claro depois de encenar a imagem da noite da festa, com direito ao termino das ações. Sorriu malicioso. CHEGA! O que infernos estava pensando?

Tomou outro gole de café, acabando novamente outra xícara, pegou o telefone e mandou Sakura trazer outra xícara, ao desligá-lo só pode ouvir um pesado suspiro de Gaara.

"Merda!" exclamou irritado em pensamento.

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Sakura desligava o telefone, e suspirava. O chefe devia ter alguma compulsão por café, em especial de umas semanas para cá. Ele simplesmente tomava mais café do que um médico recomendaria a uma pessoa durante a vida inteira.

Toda a vez que o número pessoal do moreno tocava, ela já sabia até o que ele queria. "Café". Suspirou novamente e sorriu; não importava se ele tinha ou não uma compulsão pela bebida escura, ele continuava a ser um príncipe de contos de fadas. O seu futuro príncipe de contos de fadas.

Um dia... Um dia ele ligaria para aquele telefone e pediria mais café, mas diferente das outras ocasiões quando a rósea fosse levar a bebida para o chefe, ele a puxaria pela mão e a abraçaria, dizendo em seu ouvido doces palavras de amor, de desculpas pela demora para perceber os seus reais sentimentos, juraria um amor eterno, e depois eles colariam os lábios em um beijo apaixonado, fazendo assim ela sentir o gosto amargo do café, que na boca do homem se transformava no mais doce dos méis.

E ao se separarem ele estaria sorrindo verdadeiramente, e combinado com aquele perfeito sorriso que Sakura imaginava nos lábios do moreno, viria um 'eu te amo'.

Ela sorriu mais abertamente e sacudiu a cabeça. Ela tinha que parar de sonhar acordada, era melhor levar o café ao chefe, antes que ele tivesse um ataque. Mas apesar de tudo o sorriso bobo não saia de seu rosto, só de imaginar aquelas palavras saírem da boca do moreno, as pernas tremiam.

Ainda com o sorriso, se levantou e serviu outra xícara de café.

- E eu que pensava que os funcionários do teme fossem carrancudos como o chefe. – disse em tom brincalhão. Chamando assim atenção da rósea.

- Uzumaki-sama? – perguntou ela ao vê-lo.

- Só Naruto, por favor, hm... Sakura-chan néh? – sorriu abertamente.

- H-hai! – corou perante o sorriso do outro, o loiro era lindo. Mais lindo do que se lembrava da festa. Respirou fundo. – Estão todos o esperando Uzum... Naruto-kun. – sorriu meigamente, apontando para a porta da sala de reuniões.

- Ahh, muito obrigado. – o loiro sorriu. – Esse café é para alguém na sala? – perguntou curioso.

- Sim, sim. É para o Sasuke-sama. – ao mencionar o nome do chefe seus olhos brilharam e suas bochechas coraram levemente, o que não passou despercebido pelo homem loiro. - Você também quer um?

- Não, não. Obrigado. É pro teme é? Hm... Eu levo para ele. – disse o Uzumaki se aproximando da moça e tirando a xícara das mãos dela, antes de entrar na sala de reuniões.

- M... Mas... – tarde demais a porta já havia sido fechada.

"Isso não vai acabar bem." Pensou Sakura suspirando, para logo após sentar-se na cadeira atrás de sua mesa e voltar ao trabalho.

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O Uchiha batia os dedos impacientemente na mesa enquanto direcionava o olhar a sua xícara de café vazia. Foi desse modo que Naruto, com uma expressão de aborrecimento, o encontrou ao abrir a porta com uma maleta em uma das mãos e na outra uma xícara contendo café.

Mas a expressão de ambos se modificou ao cruzarem o olhar; os dois homens puderam sentir a pulsação aumentar e um estranho calor percorrendo o corpo de ambos. Desviaram o olhar para as paredes, melhor não brincar com fogo ou então sairiam queimados novamente.

- Senhor Uzumaki – diz o presidente se levantando da elegante cadeira e se dirigindo ao loiro, estendendo o braço, para um comprimento.

- Suponho que seja Sabaku no Gaara, correto? – o loiro sorriu, fazendo com que Sasuke mordesse a própria língua para evitar emitir um suspiro. Espera! Suspiro? Ele estava parecendo uma menininha apaixonada, igual a dezenas das fãs que o seguiam. – Bem, sinto não poder lhe dar um aperto de mão. – disse o Uzumaki direcionando o olhar para as mãos ocupadas.

- Meu café? – Sasuke arqueou uma das sobrancelhas inquisidor.

- Devia ter deixado isso com a secretária e...

- Não, não. Esta tudo bem, eu que insisti em trazer.

- Aff, que seja. – pela primeira vez em mais de trinta minutos o Uchiha se pôs em pé e caminhando placidamente até o recém chegado, retirou das mãos do último a xícara de café, entornando a líquido escuro, para logo após dar um leve suspiro prazenteiro.

- Bem, deixemos o Uchiha e seu café em paz. Por favor, se sente senhor Uzumaki e comecemos esta reunião que já esta muito atrasada... – o ruivo se dirigiu ao local onde antes se encontrava, sentando-se novamente.

- Por culpa de quem será? – pergunta o moreno com puro sarcasmo na voz, enquanto fazia à mesma coisa que o chefe, porém em sua própria cadeira, assim depositando a xícara sobre a mesa.

- Educação nunca foi seu forte não é... Teme? – pergunta o Uzumaki emanando sarcasmo assim como moreno, porém diferente do outro possuía um sorriso na face. Sentando em uma cadeira no lado oposto que o Uchiha, porém ficando frente a frente com ele.

- Dobe. – o moreno se limitou a estreitar os olhos.

- Okay, okay, chega dessa briguinha interna de vocês. – o Sabaku proclamou em tom frio, fazendo com que os outros dois se calassem e finalmente prestassem atenção no outro homem. – Bem, para iniciarmos essa reunião o senhor Uzumaki...

- Naruto.

- Como?

- Me chame só de Naruto, por favor.

- Hm... Como queira. Mas como dizia...

O Uchiha entornou mais um gole de café. Aquela seria uma longa reunião... Ainda mais quando não conseguia desviar o olhar do pescoço cor caramelo que o homem loiro mostrava. Balançou a cabeça e bebeu outro gole. Estava louco.

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Naruto esboçava um rosto compenetrado enquanto esperava o ruivo acabar seu monólogo de quase duas horas. Isso que haviam lhe dito que o Sabaku era quieto e certeiro. Odiava falar, era o que disseram para si. Ignóbeis, ele poderia ser assim com tudo e todos, mas não em negócios. Suspirou. E direcionou um olhar com o canto de olho para o moreno a sua frente, ao que parecia a centésima vez que fazia aquilo naquele pequeno tempo dentro da sala, logo após direcionou o olhar mais a baixo vendo assim a mão do Uchiha levando outra xícara de café à boca, para logo após depositá-la novamente sobre a mesa, porém desta vez vazia.

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis e... Sete? Aquela era a sétima xícara de café do moreno? Agora ele entendia o porquê Gaara havia suspirado e resmungado algo ao ver o Uchiha mandar Sakura trazer outro café, cerca de dez minutos depois que havia adentrado na sala. Pelo que havia analisado o homem moreno tinha um sério problema com cafeína.

Direcionando o canto de olho novamente para o rosto do moreno. Perguntava-se como ele não possuía olheiras? Afinal, não era especialista, mas até onde sabia café dava energias e insônia, e em pessoas de tez pálida como ele olheiras ficariam bem marcadas... Talvez maquiagem? Não, não. Não havia sinais dela.

Pelo que via a cafeína não atingia o Uchiha como normalmente atingia as outras pessoas... Ele era especial até nisso.

Balançou a cabeça discretamente.

O olhar então desceu pelo nariz fino e curto, depois para as bochechas completamente pálidas e por fim desceu até a boca... Fina, rosada e completamente deliciosa...

O loiro balançou a cabeça novamente. Agradecia que o ruivo estava tão focado na reunião, pois apesar do rosto compenetrado ele não havia ouvido sequer uma palavra do que o homem falava.

O que o Uzumaki não sabia era que pela mente de Sasuke ocorria à mesma coisa, porém seus pensamentos não o levavam a uma tez pálida e sim uma bronzeada que lembrava muito a coloração de um caramelo, a mente do moreno o levava para o detentor de belos olhos azuis e cabelos louros que se encontravam sentados a sua frente naquele exato momento.

- Bem creio que seja só isso por hoje. – completou o ruivo tomando um gole de água.

Os outros dois homens estavam prontos para se levantarem, eles almejavam poder sentir suas pernas novamente, porém como dizem por aí: querer não é poder.

- Naruto, Uchiha um instante, estava me esquecendo do último assunto da pauta desta reunião. – o loiro e moreno entrecruzaram o olhar de um modo cúmplice que ambos não sabiam que possuíam, voltando a se acomodarem nas confortáveis cadeiras.

– Como eu já disse anteriormente depois que a união da Konoha e da Suna corp. foi anunciada, ganhamos muito mais mídia e o melhor: mais contratos.

"Duas horas pra dizer só isso?" pensaram simultaneamente o Uchiha e o Uzumaki.

- Pois bem, uma das maiores empresas de exportação e importação do mundo a, Takigakure, está precisando urgentemente de sistemas de seguranças de última geração. Eu quero que vocês dois vão lá e ofereçam os nossos sistemas. – ambos os homens arquearam uma sobrancelha. – ...Isso me lembra, para que haja uma melhor porcentagem de sucesso neste projeto, a partir de amanhã estará disponível uma das salas do décimo oitavo andar para vocês.

- Você quer dizer duas salas. – sentenciou o Uchiha, sob um olhar de concordância do loiro.

- Acho que vocês não entenderam. – o ruivo se inclinou elegantemente sobre a mesa. - Vocês irão trabalhar juntos a partir de agora por isso será apenas uma sala para os dois.

Choque, olhos arregalados, bocas abertas e pavor, completo e puro pavor.

- M... Mas não há necessidade de dividirmos.... – disse um Naruto apavorado.

- Concordo com ele. – afirmou efusivo o moreno.

- Sinto muito, mas eu quero os dois juntos, apesar de não gostar de admitir... – disse o ruivo direcionando um significativo olhar ao moreno – vocês são os melhores no que fazem. Konoha e Suna precisam de vocês dois juntos. – diz o ruivo em tom de final de conversa.

O Uzumaki e o Uchiha se entreolharam e suspiraram. Pela milésima vez no dia Sasuke pegou o telefone discando a tecla 'três'.

- Mais um café certo Sasuke-sama? – diz a voz do outro lado entediada.

- Não. – o moreno olhou para o loiro. – ...Mais dois cafés Sakura. – após isso desligou o telefone e juntamente com o loiro suspirou novamente. Era unânime ambos odiavam Sabaku no Gaara.

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Algumas horas mais tarde...

Se o Uchiha pudesse definir aquele dia com apenas uma palavra seria: Irritante. Ou seria problemático? Melhor esquecer isso; nem com mil palavras poderia expressar o que o moreno achava daquele dia. Mas definitivamente se pudesse ele teria ficado na cama e não iria trabalhar. Não. Para começar ele nunca teria aceitado a ordem do pai, nunca teria ido trabalhado com o Sabaku.

O moreno que estava sentado em seu confortável sofá suspirou profundamente, enquanto ingeria outro gole de seu café. Ele se lembrava das exatas palavras do pai, como se elas estivessem gravadas a ferro e fogo em sua mente. Pressionou suas têmporas, fechando os olhos...

Flash back on:

Dois morenos, um claramente mais velho do que o outro, estavam sentados frente a frente, tendo apenas uma mesa refinada entre eles. Ambos se olhavam com expressões frias e ilegíveis... Aparentemente.

- Eu não irei trabalhar na Suna. – disse firmemente o mais novo.

- Acho que você não entendeu. Não foi um pedido, foi uma ordem. Você vai trabalhar na Suna.

- Eu tenho propostas muito melhores, fora do país. Fora o fato de que o senhor não manda em mim... Fugaku.

O homem mais velho arqueou levemente uma das sobrancelhas, se levantando da cômoda cadeira em que estava, e caminhando elegantemente até o lado do mais novo, sentou-se no canto da mesa, assim pegando um dos porta retratos que haviam sobre a mesa. Ele o olhou e deu um meio sorriso, o que fez com que o mais novo estreitasse os olhos.

Na foto, que continha no porta retrato, havia Fugaku sentado elegantemente na cadeira que até pouco tempo se encontrava, e ao seu lado de pé uma bela mulher com traços muito parecidos com o mais novo. Ela usava um longo vestido de cor preta, que lhe cobria os braços e pernas. O rosto da mulher era emoldurado com um sorriso singelo.

- Nesse dia fazia muito calor não é... Sasuke?

Sasuke estreitou mais os olhos; ele se lembrava daquele dia. Se lembrava que o pai mandou todos sorrirem. Se lembrava da mãe, ali na foto, passando maquiagem para cobrir as marcas de choro. Se lembrava do intenso calor naquele dia, mas mesmo assim a mulher seguia coberta da cabeça aos pés. E se lembrava o porquê disso.

- Sua mãe já estava louca naquela época... Acho que é por isso que tivemos que interná-la. Não é verdade? – o homem mais velho sorriu novamente, fazendo com que seus olhos transmitissem um brilho sádico. – Sabe, Mikoto está muito bem instalada no... Hospício não é verdade? Mas acidentes sempre acontecem, certo filho?

- Não fale com essa sua boca suja o nome da minha mãe. – falou agressivamente Sasuke, se levantando e tirando o porta retrato da mão do pai. – Você não merece nem sequer ter conhecido ela, eu tenho nojo de você. – dizendo isso, o moreno põe sobre a mesa o porta retrato virado para baixo, e dando as costas ao pai se dirigiu à porta.- ...E não me chame de filho. Nunca te considerei como meu pai.

- Me avise se reconsiderar a decisão sobre Suna. – sorriu o homem se levantando da mesa e voltando-se a se sentar, ignorando as palavras do filho.

Ainda de costas Sasuke apertava a mão sobre a maçaneta da porta, fortemente. Ele queria matar, realmente matar, aquele homem. E tirar sua mãe daquele inferno.

- Eu irei.

- Viu como sempre é melhor reconsiderarmos nossas decisões?! – Fugaku disse com um tom brincalhão na voz. Após essas palavras Sasuke abre a porta, assim saindo do escritório do pai. Nojento.

Flash Back off

Suspirando novamente, o Uchiha deposita seu café sobre uma mesinha de vidro, que se encontrava em frente ao sofá em que estava. Assim levantando-se e indo em direção a janela aberta.

Às vezes pensava em como era possível ele ter o mesmo sangue que aquele homem? Ele era um maldito. Nunca o tinha considerado um pai realmente, nunca, nem mesmo quando era pequeno. Sempre soube que o homem apenas queria esboçar uma suprema perfeição em sua vida; esposa bonita, fiel, inteligente em outras palavras perfeita. Dois filhos, com as mesmas características, sendo os melhores sempre.

Mas Fugaku não merecia nem metade daquilo, ele era um cafajeste. Sasuke ainda se lembrava de quando tinha quatro anos e do seu quarto ouvia o pai gritando com a mãe e ouvia o barulho de tapas. Sempre quis sair do próprio quarto e ir lá defender a mãe, mas Itachi sempre aparecia para acalmá-lo e dizer que estava tudo bem, mas ele via. Via que pela expressão do irmão mais velho, pela falta de brilho nos olhos, que aquilo era mentira. E a prova vinha na manhã seguinte quando olhava para sua mãe e sempre via rastros de maquiagem cobrindo os hematomas, ou então roupas que a cobriam por completo.

Nunca poderia perdoar aquele miserável. Nunca. Um dia ele e Itachi conseguiriam tirar a mãe daquele lugar; mas até lá tinham que dançar conforme o pai mandava, pois ambos sabiam que o progenitor Uchiha era capaz de qualquer coisa, ainda mais quando era desafiado.

Encostando as costas no batente da janela e cruzando os braços, direcionou o olhar para a cidade a sua frente, tudo tão pequeno, tudo tão... Desinteressante. Inclinou a cabeça, apoiando-a na janela.

Agora poderia ver o céu escurecido, pela ausência do rei sol que decidiu se pôr a algumas horas atrás, agora a lua que cuidava dos céus, iluminando tudo com seu brilho, guiando e inspirando.

"A perfeita rainha" pensou com um meio sorriso.

Direcionou o olhar para algumas estrelas que lá no alto ajudavam a suprema rainha a iluminar a vida de muitos...

"...E os perfeitos servos." Desta vez o sorriso foi de escárnio.

O moreno nunca se considerou muito romântico, muito menos poético, mas naquele dia parecia que tudo estava diferente. Ele simplesmente não sabia o porquê, só sabia que estava.

Romance... A primeira coisa que sua mente visualizava era uma cabeleira loura e um belo par de olhos azuis vívidos, uma tez caramelada e o mais belo e radiante sorriso. Uzumaki Naruto. Sua perdição. Não dava mais para simplesmente negar, aquele homem tinha algo de diferente, muito diferente, o Uchiha sentia como se sempre o tivesse conhecido. Não havia conseguido desviar o olhar dele na reunião mais cedo. Cada sorriso que ele esboçava, mesmo que desinteressadamente, fazia o coração do Uchiha bater mais forte a ponto pensar que ele fosse saltar pela boca e...

"PARE UCHIHA SASUKE."

Que tipo de pensamento era aquele? Homens não pensavam assim de outros homens; não sentiam que toda a vez que visse ele sua respiração fica mais pesada, sua visão nublada, e seu pulso acelerado como se fosse... CHEGA!

Esse tipo de pensamento é inaceitável. Ele gostava de mulher, e gostava muito. Nunca havia sentido atração por nenhum homem, nem os mais lindos, nem os mais lindos que Naruto... Se é que existisse tal anomalia. Merda! Simplesmente não conseguia mais imaginar poder fechar os olhos e não cair nos braços de Morfeu sem ter os olhos azuis o vigiando na terra dos sonhos.

"O café ta começando a me afetar" proclamou o moreno em pensamento. Ele havia se desencostado da janela e estava prestes a fechá-la quando vê um brilho anormal vindo do céu.

Ao olhar para o mesmo, se depara com uma grande, bela e brilhante estrela cadente passando. Seus movimentos pararam, hipnotizado pela beleza do cometa, e juntamente com seu corpo, os olhos perderam todo o brilho, como se não estivesse mais naquele mundo, naquele corpo, naquela vida, a única coisa que não mudou foi seu coração, que batia mais forte, mais alto, estava se repetindo tudo de novo, mais uma vez e nada mais fazia sentido para si, apenas...

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Às vezes o loiro se perguntava se o destino gostava de brincar com as pessoas ou então se ele era sádico por natureza. Tantas pessoas com quem poderia trabalhar, sonhar, desejar... Tantas mulheres e ele tendo todas essas 'oportunidades' com o bastardo arrogante.

Não que ele tivesse algo contra o Uchiha, era exatamente o contrário. Tudo no moreno o chamava atenção desde seu caminhar calmo e compassado à seus olhares gélidos; talvez esse fosse o grande problema: motivos em excesso para gostar e motivos de menos para odiar.

O loiro se perguntava constantemente, enquanto ingeria um gole de seu Martine, como ele suportaria a presença tão próxima do outro homem. Como seu corpo reagiria? Será que aguentaria estar na presença dele e não perguntar se o homem também estava tendo sonhos e sentimentos estranhos?

Naruto balançou a cabeça negativamente, tentando assim tirar aqueles pensamentos da mente, e com um último gole da bebida alcoólica, depositou a taça sobre uma estante. Dirigindo-se assim à janela.

Ele tinha que parar de pensar naquelas coisas, já tinha problemas de mais na vida para ter que, nessa altura do 'campeonato', começar a ter dúvidas sobre a própria sexualidade...

Espere! Ele não tinha nenhuma dúvida. Ele gostava, não. Ele amava mulheres. Seios, quadril, curvas, muitas curvas. Era simplesmente inadmissível que se sentisse atraído pelo moreno. Era loucura. E ele sabia. Mas o bastardo exercia sobre si algo muito mais forte do que todas as mulheres com belíssimas curvas haviam conseguido. Era algo que não sabia explicar o que era, o porquê, ou qualquer coisa do gênero, ele apenas... Sentia.

Sentia seu coração descompassar, bater, gritar, rugir ao ver o moreno. Sentia como se alguém muito mal lhe tivesse posto dentro de um lago congelado, mas que ao ver o homem moreno esse lago, não era mais congelado. Exatamente o contrário, agora o lago era quente, reconfortante como em um belo final de tarde.

Mas então vem aquela cena do moreno ensanguentado a sua mente. E seu coração parava de rugir, o lago voltava a se congelar. Era como se algo, muito maior, estivesse impulsionando ambos para lados contrários, norte e sul, leste ou oeste. Distantes demais para poderem sentir o calor um do outro.

Suspirou. O que estava pensando? Ele não era gay. Ele não podia ser gay. Ele tinha um objetivo, ele tinha que encontrar uma boa mulher que amasse e que o sentimento fosse recíproco, se casar e por fim ter filhos, ver os netos nascerem... Ele sempre foi sozinho, mas não queria mais ser...

O olhar perdido anteriormente em algum ponto qualquer na cidade iluminada, se direcionou para o céu. Brilhante, mas ao mesmo tempo escuro.

Lembrava tanto o Uchiha. Qualquer pessoa que visse o moreno, o compararia com a escuridão, com o frio, com a morte... Não que estivessem errados. Ele realmente tinha características muito peculiares. Mas o que fazer quando alguém assim faz você sentir ao invés da escuridão à luz, do frio o calor, da morte à vida?

O que fazer quando, por mais que você tente tirar, arrancar, alguém de sua mente essa pessoa teima em não sair, persiste em ficar, ficar e dissolver qualquer barreira que seja imposta frente a ela?

O Uzumaki balançou a cabeça novamente. Tinha que parar de pensar naquelas coisas. Até porque tudo aquilo poderia ser algo que sua mente criou por algum motivo em especial. Afinal o Uchiha não sabia do seu 'dilema interno', não sabia das suas dúvidas, não sabia que estava quebrando as barreiras do loiro de forma arrasadora. O moreno simplesmente não sabia.

E doce ilusão era pensar que ele sofre com os mesmo problemas. Que perdia noites de sono pensando, desejando que eles pudessem estar juntos, se amando. Eles? Não. Não poderia usar essa palavra, pois não existiam eles. Existia o loiro e o moreno, dois opostos.

Eles eram como a lua, que à noite regia os céus, e o sol que durante o dia comandava. Nunca se encontravam, mas se amavam segundo algumas lendas. Castigo divino por serem egoístas e esquecerem-se que eram necessários...

Por que diabos estava comparando o amor entre astros com ele e o moreno? Loucura.

Por essas e outras que deveria parar de pensar nessas baboseiras, pois elas não o levariam a lugar nenhum. Mas de uma coisa ele tinha certeza. Nunca conseguiria esquecer como o peito do moreno subia e descia quando respira, de como com esse movimento a parte que fica exposta da camisa por de baixo do terno se aperta firmemente delineando assim os possíveis músculos por sob ela. Ou então de como a voz dele era grave, forte, e...

- MALDITO SÁDICO FILHO DA PUTA!! – exclamou frustrado. Por que simplesmente o bastardo não sumia de sua mente? – Isso deve ser sono... Tem que ser sono. - O loiro desviou o olhar do céu para a janela em que estava começando a fechá-la. Quando de repente algo brilhante chamou sua atenção no céu. Naquele exato momento uma estrela cadente cruzava os céus com irreverência. Era bela, ela chegava a ofuscar o brilho da lua.

O Uzumaki sorriu singelamente; sempre lhe diziam que ao ver uma estrela cadente deveria fazer um pedido, pois ele se realizaria. Pois bem, o que pediria? 'estrelinha querida me diga, eu sou hetero, gay ou bi?'. Definitivamente era melhor nem considerar a possibilidade, melhor deixá-la passar e...

Algo no centro do cometa o atraia, ele não sabia o que, mas o atraia. O loiro focalizou melhor o olhar sobre a estrela e se sentiu como se estivesse sendo sugado por ela. Seus olhos perdiam o brilho, seu corpo já não respondia a seus pensamentos, seus pensamentos já nem existiam mais, a única coisa que ainda estava lá era seu coração que rugia... Rugia como quando se encontrava com Sasuke; nada mais fazia sentido, ele já não estava mais no seu país, cidade, bairro, na sua cobertura; ele estava muito além de tudo e todos...

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Um homem de cabelos e olhos na tonalidade negra, com claras feições delicadas e pele pálida, por de baixo da grossa camada de sujeira, ele usava roupas amareladas, provavelmente por culpa da poeira, e nos pulsos haviam grossas correntes os prendendo. O moreno era levado com rudeza por um homem claramente mais forte que si, até uma grandiosa pirâmide, passando assim por milhares de pessoas que trabalhavam na construção de outras. Escravos.

Ao entrarem na dita pirâmide, o homem moreno foi guiado por empurrões até a porta de uma grande sala.

- Espere aqui escravo. – disse o homem que o empurrava, entrando na sala a sua frente. O moreno como resposta apenas abaixou a cabeça e contorceu o rosto, malditos egípcios, pensavam que eram os maiores, mas eles mal poderiam esperar, Deus os castigaria sem dó nem piedade. Ergueu o olhar novamente e pode ver o homem voltando. – Preste atenção, o faraó quer vê-lo, não sei o porquê, mas quer. Por isso comporte-se ou então sua língua e suas orelhas serão cortadas. – com mais alguns 'delicados' empurrões o moreno, que havia perdido o equilíbrio se encontrava caído de quatro frente ao trono do faraó.

- Custo a crer que és um escravo. – erguendo a cabeça o moreno, pode identificar a voz do homem que lhe falava como sendo o faraó, um homem alto, de cabelos longos e negros, não muito musculoso, e de estranhos olhos amarelados... E estreitos? Estranho. Foi o que o moreno pensou. – Há tempos que procuro um escravo que não se pareça com um escravo para servir meu filho. Creio que finalmente achei.

'Que sirva meu filho'? Com essa indagação o moreno olhou novamente em direção ao faraó só que desta vez um pouco para o lado esquerdo. Lá havia um jovem de cabelos loiros e olhos azuis, com uma pele levemente bronzeada.

- Meu senhor, por que um homem? Posso conseguir para vosso filho a mais bela escrava virgem que temos e... – o homem, que anteriormente acompanhava o moreno, agora se encontrava ajoelhado ao lado do último.

- Seria bom, se não houvesse o problema delas engravidarem certo meu filho?

- Como preferir meu pai. – disse o loiro serenamente. O moreno se impressionou, uma aparência tão diferente, e mesmo assim tinham o mesmo sangue.

- Bem, erga-se escravo e siga meu filho a seus aposentos, ele lhe dirá tudo o que necessita que faças.

- Sim faraó! – o moreno então lentamente se ergueu, ficando ereto. Não pode deixar de reparar que era cerca de três dedos mais alto que o filho do faraó.

- É por aqui! – disse o loiro apontando para um corredor, mas não sem antes cruzar um olhar com o moreno. Aquele escravo era belo, muito belo, apesar da imundície em que se encontrava, podia-se perceber a beleza por sob a sujeira. Ambos ficaram alguns segundos com os olhos conectados um ao outro até que saíram do transe, seguindo assim para o quarto.

Já no quarto o loiro se encarregou de dar um banho no moreno, o limpando completamente. Realmente não havia se enganado ele era belo, apesar de homem. Deu-lhe algo para comer e por fim sentou-se na cama, vendo o outro em pé diante de si, provavelmente esperando ordens. Suspirou, era sempre assim.

- Como veio parar aqui?

- Por que perguntas?

- Não sabias que só burros respondem algo com outra pergunta?

- Então por que o fazes? – o loiro sorriu, ele era diferente, havia percebido isso desde o primeiro instante.

- Primeira pessoa que se atreveu a discutir comigo.

- Não seria melhor o termo 'escravo'?

- Escravo? Escravos também são pessoas, também possuem vida.

- Vida da qual pertence a vosso pai.

- Você realmente é diferente. Saiba que quando me tornar faraó irei dar alimentos e moradia em troca do trabalho destas pessoas das quais chama de escravo.

- Oh claro! – ironia palpável em sua voz.

- Não duvide de mim. Não é porque meu pai faz atrocidade que eu também as farei.

- Se és contra o que seu pai faz, deverias impedi-lo.

- E crês que já não tentei? Pois me diga se tens alguma ideia para que ele ouça-me, diga-me. Pois se tiveres eu irei agora mesma pô-las em prática. Pessoas que crêem em outras coisas continuam sendo pessoas que não merecem esse sofrimento que lhes é imposto - o moreno sorriu.

- Você realmente é diferente. – repetiu a frase que o loiro lhe havia dito anteriormente, fazendo com que o último sorria, apontando para um lugar ao seu lado na cama. Um sinal de que o moreno poderia sentar-se ali. O que o último acatou rapidamente.

- Quero que saiba que frente a meu pai e outros terei que lhe tratar como um 'escravo' como você mesmo diz, porém quando estivermos sozinhos não quero que faças nada para mim, absolutamente nada. Já sou crescido o suficiente para necessitar de uma babá. – disse em um tom de brincadeira.

- Entendo... Mas tenho uma pergunta. Por que um homem? Por que não uma mulher? Pois até onde eu sei seu pai abomina, mesmo que seja apenas por prazer, ter relações com...

- Sim eu sei. Mas entenda uma coisa. Se me 'dessem' uma escrava ela provavelmente seria belíssima e tentaria a todo custo me seduzir para que eu a liberte, pois bem você deve saber que nós homens temos pontos fracos...

- E você não quer acabar fazendo alguma besteira.

- Exatamente. – ambos sorriram abertamente. Eles nunca haviam se sentido daquela forma, nunca haviam se sentido tão completos e plenos. Era como se todo o ouro do Egito não pudesse mais dar felicidade ao loiro, era como se a tão clamada liberdade do moreno, já não fosse tão clamada assim. Era algo diferente, e ambos sabiam. – Pois bem, esqueçamos disto tudo e me conte, como chegastes aqui? E como se tornastes um escravo de meu pai? – o loiro indagou, vendo claramente o olhar do moreno perder o brilho e o sorriso se desfazer... A história seria longa, longa e dolorosa...

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Roupas estavam jogadas pelo quarto, mas nenhum dos dois ocupantes se preocupava com este fato. Direcionando o olhar para cama podia-se observar o filho do faraó sentado sobre a mesma, ainda vestindo sua túnica, e sob si se encontrava o escravo tão incomum. O último se encontrava sem nenhum tipo de roupa, encontrando-se sentado de pernas abertas sobre o colo do loiro.

Ambos se beijavam com fervor. Sempre diziam que o Egito era quente, mas aquilo já havia extrapolado o calor típico da região, nem mil Nilos¹ poderiam fazer com que a calentura de ambos diminuísse, tanto a corporal quanto a mental. As mãos do loiro desciam pela coluna do moreno, acariciando-a delicadamente, mas com malicia, ao chegarem a cintura do escravo, as mãos acariciaram a região, para logo após partir para o abdômen e por fim o rígido membro que se encontrava erguido ameaçadoramente entre ambos os corpos, apertando-o e massageando-o.

Com o toque o moreno pendeu a cabeça para trás e mordeu o lábio inferior, impedindo que um alto rugido escapasse de seus lábios. Era uma sensação indescritível aquilo que sentiam um pelo outro, ambos sabiam, mas também sabiam que aquilo era pecado, os deuses não deviam estar gostando daquilo, dois homens juntos? Era inadmissível. Mas os dois homens naquele quarto não se importavam nem um pouco com aquilo, queriam apenas sentir um ao outro, como se fosse a primeira, como se fosse a última vez.

Aquilo que sentiam era muito mais profundo que apenas prazer, eles sentiam... Amor? Isso, amor. Os homens não sabiam como aquilo havia florescido, só sabiam que existia uma ligação muito forte entre ambos. Desde a primeira palavra... Não, desde a primeira troca de olhares, ambos já sabiam que não seriam apenas mestre e servo. Era algo muito mais profundo; muito mais intenso; muito mais... Apaixonante.

- Ahhh... – gemeu baixo o moreno. – vamos logo com isso.

- Como queira meu mestre. – disse o loiro com um sorriso brincalhão, recebendo em troca apenas uma bufada e uma forte cravadas de dentes no pescoço, que logo foi substituída pela língua ágil do moreno, succionando a área. – ahhh... – com um gemido afogado o loiro retirou o moreno de seu colo, e se levantando retirou com a ajuda do outro homem a túnica 'real', revelando assim um grande membro gotegante. Sentando-se novamente, fez um sinal para o moreno vir. O último com um sorriso malicioso sentou-se novamente sobre o loiro, só que desta vez sobre o membro do outro, que com a mão o guiou até sua entrada.

Em poucos instantes aquele quarto estava repleto de altos gemidos e exclamações como "mais rápido", "te amo". Aquilo era mais do que apaixonante, era enigmático, celestial. Dois corpos tão diferentes, mas que juntos faziam um perfeito encaixe.

- Acre...Acredita em reencarnação?! – pergunta o loiro que estava com as mãos na cintura do moreno, o impulsionando para cima e para baixo.

- De...Deveria? – disse apertando mais firmemente o pescoço do amante, mergulhando por fim o rosto na curva do pescoço dele.

- Sim. Pois nós somos a prova disso... Ahhh.... Eu...Eu tenho certeza que já nos encontramos antes, e eu... eu sei que na próxima vida nós poderemos... – o loiro foi calado com um doce e casto beijo nos lábios.

- Pare! – disse o moreno firme, pondo uma mão em cada bochecha do loiro. - Não me importa o passado, ou então o futuro. Importa-me apenas o agora. O presente. Viva o agora e deixe o resto com o destino, ele se encarregará de tudo por nós. – o loiro apenas sorriu e o beijou carinhosamente. Como aquele homem poderia ser tão sábio, inteligente, belo, tão horrorosamente perfeito?! Às vezes o loiro se perguntava se o amante não era um Deus que havia vindo ao Egito para testá-lo.

Deixando os pensamentos de lado, continuou com os movimentos e as caricias. Decidindo apenas aproveitar aquele momento com o seu amante.

O que eles não sabiam era que naquele momento uma das servas passava por perto e ouviu ruídos, curiosa para descobrir o que estava se passando, abriu a porta e se deparou com os dois homens nus. Espantada e com nojo, correu em direção do faraó. E contou-lhe tudo.

Foram alguns instantes depois que haviam descoberto tudo aquilo, pois como uma ventania que atingia as dunas de areia, o faraó junto com alguns homens entrou no quarto, o soberano simplesmente se encontrava enojado, e mais enojado por saber que os dois homens nem haviam percebido a entrada de terceiros no local.

Com a face contraída pelo nojo, o faraó puxou sua espada e com um movimento ágil e preciso à cravou nas costas do homem moreno, exatamente ao lado esquerdo... O coração.

- MAS O QUE... – ao ver a expressão de dor, medo e finalmente de angustia nos olhos do amante, o loiro percebeu o que se passava e com um forte agarre, abraçou o moreno com todas as forças, puxando com uma das mãos um lençol abandonado na cama, e pondo-o sobre o ferimento na tentativa de estancar o sangue. Os olhos já se encontravam marejados pelas lágrimas.

- Es...esta tudo bem eu... – o moreno cuspiu sangue. – Você se le...lembra quando me perguntou se eu acreditava em re...reencarnação? – indagou desajeitadamente o moreno, depositando sua testa sobre a do amante.

- Pare de falar, eu vou... Eu vou te salvar, você não vai morrer, você não pode, você... – o desespero tomava conta do corpo e da mente do loiro, ele não sabia o que fazer, não sabia se saia de dentro do moreno e corria atrás de algum curandeiro, tão repudiados pelo pai, ou se ficava lá com ele, até o último... Não... Ele não podia...

- A res...resposta é sim. – o moreno deu um meio sorriso. – E por isso eu sei que nós... Nós iremos nos encontrar, porque o que sentimos é muito... – cuspiu mais sangue - ...forte. É eterno. – com essas últimas palavras os olhos do moreno começaram a se fechar.

- NÃO, ABRA OS OLHOS, ABRA-OS!! – exclamava com desespero, assustando os homens, que nunca haviam visto o loiro exaltado, e enojando ainda mais o pai que assistia à cena quieto.

- Nos encontramos na próxima, lhe amo, nunca se esqueça. – e com essas últimas palavras os olhos semicerrados do moreno se fecharam por completo, e o coração perfurado parou de bater, o peito parou de subir e descer. Tinha acabado, tinha acabado tudo.

- Finalmente morreu! – disse orgulhoso o faraó. – Você é meu filho, não pode fazer esse tipo de coisa, é...

- Não me chame de filho seu maldito. Nunca mais me chame assim, eu não sou seu filho. – cuspiu nervosamente as palavras. Como poderia considerar alguém que matou a única pessoa que realmente lhe entendia, lhe ajudava, que lhe amava? Ele amava aquele escravo. Nunca, aquele homem nojento, nunca poderia ser seu pai, nunca. – Eu lhe desejo todas as maldições existentes no Egito, e além dele. Lhe desejo as piores dores, as piores experiências, os piores sentimentos.

Todos os homens arregalaram os olhos, maldições não eram brincadeiras, eram coisas perigosas e que no momento em que começassem só terminariam no momento em que tudo que o amaldiçoado havia tocado desabasse. Os olhos amarelados do faraó se estreitaram perigosamente. E pegando uma espada tingida de rubro, que anteriormente havia sido usada para matar o escravo, aponto-a para o filho.

- Se és assim que desejas, morrerás junto a este lixo, morrerás como um lixo também.

- Melhor ser um lixo como dizes, a ser um homem repugnante e mentiroso como você. – o loiro falou desafiante, se abraçando ainda mais ao corpo, ainda quente do amante. Afundando o rosto na curva do pescoço do mesmo, aspirando pela última vez aquele odor tão agradável para si.

Com aquelas palavras o homem de olhos amarelos perfurou novamente o corpo do moreno no mesmo lugar que anteriormente, só que desta vez mais forte e mais profundo, fazendo com que a lâmina da espada atravessa-se o coração já morto do escravo chegando até o corpo do próprio filho, perfurando-o também.

- Você realmente não é meu filho, você é um nada, um nada como esse bastardo. – disse enojado.

- O bas...bastardo mais perfeito e apai...apaixonante que há em todo Egito, o bastardo... que eu... amo... – disse entrecortado pela dor, sua pequena declaração ao homem sobre si, com um sorriso alegre na face.

O rosto do faraó havia adquirido uma tonalidade avermelhada da raiva. E com ódio e força, ele virou a espada, fazendo assim com que a lâmina cortasse ainda mais os órgãos internos dos amantes.

- Nos ve...vemos na próxima... meu amor. – sussurrou no ouvido do amante, com um leve sorriso nos lábios, antes de fechar os olhos e cair morto. O faraó apenas sorriu vitorioso, enquanto seus olhos ainda brilhavam com nojo.

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O portador de olhos amarelados sorria sadicamente enquanto jogava uma faca, em direção a uma folha de revista que estava pregada sobre um painel de tiro ao alvo. A faca atingia exatamente no meio da imagem; fazendo assim o homem sorrir mais abertamente e seus olhos brilharem em desafio.

O homem pegou com elegância uma taça que se encontrava sobre sua mesa, levando-a à boca e entornando o líquido rubro que continha nela. Um pequeno filete do vinho correu pelo canto de sua boca descendo até seu queixo. Em um movimento rápido e perverso o homem passou a língua por sobre o filete, enquanto olhava a imagem perfurada fazendo com que seus olhos brilhassem, limpando assim sua boca e queixo.

Seria divertido, muito divertido brincar de gato e rato mais uma vez com aqueles dois, ainda mais agora que eles ainda não sabiam de nada, deveria aproveitar sua última chance, e cumprir sua missão. Sorriu mais amplamente.

- Senhor Orochimaru? – chamou calmamente o homem grisalho que se encontrava perto da porta do escritório do outro homem. – Se não for muita intromissão, eu gostaria de saber por que tudo isso? Por que não desiste de tudo isso? – perguntou se aproximando lentamente do chefe.

- Ora Kabuto, digamos que todo homem tem seu destino traçado. – disse o moreno irônico enquanto caminhava até onde havia acertado a faca. Pegando-a na mão e desenterrando-a do papel.

- Destino... traçado? – perguntou hesitante.

- Sim, meu caro. Uma vez traçado o destino, nunca mais poderá ser mudado. Pensei que já tivesse entendido isso no momento em que lhe contei toda a história.

- Eu havia entendido senhor, mas eu sempre quis saber o porquê de nunca desistir.

- Desistir, não é um verbo que está no meu dicionário Kabuto. Fora que foi incumbido a mim acabar com essa raça nojenta de putos.

- Mas... o senhor não demonstra nojo nenhum por outros... Gays e...

- Não demonstro por não sentir. Os outros não me perturbam, mas esses dois, esses dois... São demônios, malditos, miseráveis, eles merecem a morte, a mais dolorosa e cruel de todas. – disse o homem com um brilho perigoso em seus olhos amarelos, e uma veia saltada em sua testa. Enquanto se direcionava para o lado de Kabuto.

- Hm... Quando o senhor pretende dar o primeiro ataque?

- Em breve, estou apenas esperando o momento certo.

- E quando vai ser esse 'momento' certo?? – pergunta o grisalho curioso.

- Quando o que sentirem pelo outro seja tão forte que recusarão a própria vida... – o homem apontou a faca novamente para a imagem e a jogou. – e quando essa hora chegar, vai ser o fim, finalmente o fim, minha vingança chegará ao fim... A sétima e última vez. – o homem começou a gargalhar quando viu que faca havia atingido seu alvo novamente.

A imagem que Orochimaru tanto acertava e tanto almejava que pudesse estar acertando os homens em carne e osso, eram nada mais nada menos do que Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto. Para o homem não existia limite, ele só pararia quando tudo virasse pó, quando a esperança e os mais profundos desejos de ambos os homens na foto se despedaçasse como gelo em pleno deserto. Kabuto apenas olhava abismado para o chefe, ele sabia onde estava se metendo, mas não é por isso que devesse concordar com todas as ações do chefe...

Bem, isso não tinha importância para o grisalho. Ele seguiria Orochimaru até o inferno se fosse possível, sua alma é à muito tempo do outro homem.

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O loiro piscou os olhos, saindo do transe. O que havia sido aquilo? Como que aquilo tinha acontecido? O que estava acontecendo com ele?

O Uzumaki encontrava-se tremendo, tamanha era a intensidade do que havia visto. Como era possível tudo aquilo? As roupas, a linguagem, o lugar aquilo definitivamente não era o Japão e muito menos o século XXI. Será que havia ficado louco? Será que todos aqueles pensamentos desenfreados em relação ao Uchiha estavam sendo transformados e alucinações? Não. Aquela cena não podia ser uma simples alucinação, pois se fosse seu corpo não estaria tremendo, seu membro não estaria ereto, seu corpo não estaria suando, sua mente não estaria tentando encontrar uma razão lógica para aquilo e seu coração não estaria batendo tão fortemente a ponto de sentir como se sua caixa torácica estivesse sendo destroçada em mil pedaços para o coração sair. Não, aquilo não podia ser uma alucinação, nunca seria. Era algo maior, muito maior. Mas o que? O que era tudo aquilo?

Não era a primeira vez que sentia aquilo e podia perceber que não seria a última, as coisas simplesmente corriam fora de seu controle; sua mente, seu corpo, seu coração e sua alma, estavam completamente entregues a Sasuke, de um jeito inimaginável, ele mal conhecia o moreno, mal haviam trocado duas frases sem que fossem ofensas, mas algo dentro de si dizia que tudo o que estava acontecendo para si de uns tempos pra cá estava diretamente ligadas a Sasuke e que eram laços muito mais profundos do que normalmente eram estabelecidos por outras pessoas.

O loiro se condenava, ele não podia, ele era homem, e Sasuke... bem, apesar da cena que acreditava ter imaginado, também era, tudo aquilo era uma brincadeira de sua mente, tinha que ser. O mundo não é dos homossexuais, ele sabia disso e nunca contestou essa 'regra' imposta pela sociedade, ele próprio acreditava veemente naquilo, mas o que fazer quando você se sente visivelmente atraído por alguém do mesmo sexo?

O que acontece quando você sabe que não é uma simples atração?

Tudo estava confuso para si, mais confuso do que normalmente era. O Uzumaki não sabia o que falar, o que pensar ou o que sentir. Ele só queria que tudo aquilo evaporasse de sua mente como uma nuvem escura em um dia de chuva.

Perdendo a força de se manter em pé o loiro caí de joelhos no chão, com as mãos apertando a camisa e consequentemente a pele, no lado esquerdo do peito. A cabeça de Naruto se encontrava baixa, mas pela pouca luminosidade que a lua fornecia sob a janela, podia-se ver pequenas linhas liquidas descendo pela bochecha do loiro. Lágrimas, um dos jeitos mais conhecidos de se desabafar, os segredos, as inseguranças, as alegrias, os medos que o ser humano sente.

O loiro chorava, mas não emitia nenhum ruído, era silencioso, resguardado. Aquela era uma dor que só ele deveria sentir, ou pelo menos era o que achava.

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Os olhos cor ônix do Uchiha se desfocalizaram da estrela cadente e sua consciência voltou. Não que o tivesse deixado, apenas havia viajado a outro mundo, um mundo que fazia com que as pernas do moreno tremessem de tal forma que ele tinha que se apoiar no batente da janela para não cair.

Um instante, alguns segundos, nem mesmo um minuto, aquela estrela cadente havia demorado a passar, e ao ver o relógio em seu pulso não datava nem sequer um minuto a mais do que datava antes do cometa passar, porém o homem sentia-se como se tivesse ido para outro planeta, como se tivesse ficado anos longe.

Era incompreensível aquilo tudo, ele havia imaginado o Uzumaki de novo, a amizade, o amor, o sexo e por fim... Por fim a morte, de novo. Se perguntava se sua mente havia traçado para si algum tipo de ilusão capaz de fazer o Uchiha se arrepiar, de tal forma que se esquecesse de respirar, que o ar não viesse a seus pulmões e que o cérebro não mandava mais informações para o resto do corpo.

Era muito profundo, profundo de mais, aquela visão foi diferente das outras ou então dos lascivos sonhos, ela tocou, ela verdadeiramente tocou o Uchiha, de um jeito que fazia seus pensamentos embaralhar e sua alma tremer.

O moreno se perguntava como tudo aquilo era possível, será que estava ficando louco? Não, Uchiha nunca ficavam loucos e muito menos eram gays. O que estava havendo com ele?! As mulheres lhe agradavam, mas quando estava na presença do loiro as coisas mudavam, ele não conseguia desviar o olhar do Uzumaki, era como um imã. Quanto mais tentava se afastar, mas aquela atração o chamava, o aproximava do homem loiro.

Ele não sabia mais o que fazer, como agir ou como pensar. Tudo se resumia a uma palavra Naruto. Eles tinham um vínculo muito forte, mesmo não sabendo, mesmo não se conhecendo profundamente, era algo que tocava os dois, algo muito distinto do que ocorria com os outros homens e mulheres. Aquele vínculo, aquela ligação, não se importava se ambos eram homens, mulheres, ou seja lá o que for, era maior, muito maior.

E tanto o Uchiha quanto o Uzumaki não sabiam mais o que fazer, para lidar com aquilo.

O moreno pensou em se levantar e tomar mais uma xícara de café, mas para que? Ele sabia que aquele líquido não iria ajudá-lo a esquecer o loiro, não havia o ajudado antes e não o ajudaria agora, a única coisa que ele precisava era do loiro, a única coisa que não queria, não poderia ter, nunca.

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Sakura abria a porta do banheiro, onde por ela passava um pouco de vapor. A rósea estava apenas envolta por uma toalha; algumas gotículas de água escorriam pelo seu cabelo molhado, e se perdiam na toalha azulada. A mesma caminhou até seu roupeiro, onde em uma das portas havia um espelho um pouco mais alto que a rosada.

Antes de abrir a porta do guarda roupa, ela parou para se observar no espelho. Desde suas pernas, até seu quadril, cintura, busto, colo e por fim seu rosto e cabelo. Assim apalpando os últimos dois.

Ela nunca havia sido uma garota repleta de curvas, como suas amigas, nem muito alta, era exatamente o contrário. Ela sempre havia sido aquelas garotas pequeninhas, sem atrativos físicos. Suas amigas quando chegavam à uma festa detinham os olhares dos homens, e ela... Bem ela sempre foi uma patinha feia. Era como dizia aquele ditado:

"Ou dão peito ou cérebro, os dois juntos nunca." pensou a rósea com sarcasmo. Ela não se queixava de ter um Q.I. alto ao invés de curvas. Ela prezava ao extremo a inteligência e a perspicácia.

Talvez por isso tenha odiado a ruiva que havia acompanhado o Uzumaki na noite da festa. Ela tinha prendido todos os olhares em si, o que realmente havia lhe deixado feliz, afinal horas se arrumando tinham que gerar algum resultado. Mas então vem aquela biscate, linda e burra por natureza, e lhe ofusca.

Raiva, inveja, entre muitos outros sentimentos sinônimos. Só uma vez na vida ela queria ter um belo par de pernas e seios, assim todos os homens a olhariam além de uma simples 'nerd'. Assim, Sasuke lhe olharia como uma mulher.

Tudo era por ele. Horas em um salão de beleza hidratando o cabelo, cuidando da pele, academia... Tudo por ele. Ele era a razão da vida dela, se um dia ele morresse, não saberia o que faria. Realmente não sabia. Talvez cometesse suicídio, talvez virasse uma drogada, ou então acabaria em um hospício. Sem ele, nada teria sentido.

Balançou a cabeça negativamente. Era melhor parar de pensar nessas coisas, não ira acontecer nada ao chefe, ela o protegeria nem que isso custasse sua alma.

A rosada sorriu e passou as mãos nos cabelos, tirando assim alguns fios de sobre a face. Uma vez havia lido que o Uchiha preferia mulheres de cabelos curtos...

- Talvez esteja na hora cortar os cabelos... – disse a rosada com um sorriso no rosto, enquanto segurava uma mecha de cabelo. Dirigindo-se até o bidê ao lado da cama, abrindo assim uma das gavetas e pegando uma tesoura.

Continua...

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Notas da Autora: Hello brotos! Cap 03 na rede *-* era pra ser bem maior, mas como eu vi que tava chegando na pag 30 eu dei um stop e deixei o resto pro proximo cap o.o'

Bem, na minha opinião a qualidade desse cap decaiu em comparação ao cap 2. Quero agradecer a Nah-chan pela ideia da vida no Egito. Eu sei, o pseudo-lemon deles tava HORRIVEL. oksoaksoaksa Creio que seja só isso por enquanto, espero que todos tenham gostado e que tal uma review? Elas me animam um monte a escrever *-* Beijos.

Resposta das Reviews:

Uzumaki. Nah-chan: oaskaoskaks é foi ele sim ò.ó Bah, concordo. Mas o problema é que a gente nao se acha mais neh o.o' Isso na verdade é mais que um grande problema o.o' é uma bomba ;x a prova é que nao te achei pra betar e ler o cap 3 ç.ç oasoaksa mas bem eu sobrevivi \o *pose de ganhadora do oscar*

Kuchiki Rin: Realmente foi o Orochimaru ò_ó' aksoaksoa me deixa muito feliz sim com sua review, e acrdite eu tbm tenho que copiar e colar isso, pq nao sei escrever ¬¬ Aqui esta o cap 3 espero que goste, beijos.

Lyra Kaulitz: realmente foi ele que matou e no proximo cap teremos interação entre os dois em pleno séxulo XXI :D Nuss, que feliz em saber disso, realmente me sinto feliz. Creio que nao demorou dessa vez, mas o proximo demora, pq agora o colégio vai começar a ficar complicado ¬¬ Bem, aquie sta o cap 3, espero que goste assim como gostou do cap anterior. Beijos.

Kinha Oliver: oiii! Ops, sorry. Eu realmente devia ter posto a tradução, mil desculpas, mas é que eu ja sou uma ignorante em ingles e tipo eu usei frases bem simples. Eles falaram ingles, pq no caso o naruto estava na inglaterra, entao pra deixar hm.. mais 'realista' eu acabei podno em ingles, mas acabou, nao t5erá mais ingle,s ou pelo menos eu acho o.o' Cap 3 na área, espero que goste, beijos.

Camis: aoskaoksaoksa Que bom que conseguiu entender o enredo da fic *-* vc nao é lerda, eu na vdd que esqueço de exclarecer as coisas ;x' okasoaksa /fatão.

Na verdade 6 vidas, essa agora é a 7ª; poem mal amado nisso, ele merece morrer ò.ó /diz aquela que inventou o vilão.

Errr.. sem violencia leitora do meu coração,eles terão um final feliz, ou pelo menos ue acho o.o' cap 3 no ff, beijos.

Uchiha Mique: Bem respondendo essa sua pergunta, nao. Nem sempre sasuke será o seme (apesar deu preferir como seme), o exemplo foi o flsh back desse cap, ja que sao mais de uma vida, seria muito estranho em todas o sasuke ser seme me diexa com a impressao que o naruto é um pobre coitado. Agora basta descobrir se sasuke será o seme ou o uke nessa vida \o Imortal o orochimaru nao é, com ele aocntece a mesma coisa que com sasuke e naruto, a diferença é que quando ele reencarna ele se lembra das coisas, e tu vai descobrir o pq disso no proximo cap xD. Beijos.

Blanxe: Oii! Devo dizer que suas reviews me deixam com os olhos brilhando; elas me animam mto (nao que as outras nao o façam). *-* Realmente reencarnação é um tema mto amplo e prazeroso de escrever (pelo menos eu acho). Fico feliz que vc goste do meu jeito de escrever, pq eu nao gosto o.o' acho uma porcaria sinceramente. Sobre o final do cap 1 eu realmente errei, e troquei a cor do cabelo da mulher, era realmente uma loira, nao haviam duas mulheres na cama com naruto. Peço desculpas pelo erro \o Eu realmente tento fazer um naruto mais forte, pq ele pode ser gay, e uke, mas nao é por isso que ele deva se transformar em um mulher, pode ver uqe nesse cap tem o fato do loiro chorar, mas eu acredito que seja algo realmente apavorante tu ver a morte de alguemq ue tu (inconsientemente) ame e ver sua propria morte, deve ser algo que abala mto. :D Esse é outro fato, a historia é yaoi, mas não o mundo. Ou seja, tem que ter casais heteros. Askaoskaosaksa Ué, naruto é um fanatico por ramen, o sasuke tem que ter um vicio e o vicio dele é o cafe, eu acredito que o humor dessa fic vai ficar baseado nessas cenas de total vicio do moreno pela bebida :D' Rivalidade? +/- tu vai descobrir isso no proximo cap (induzindo leitores a terem curiosidade para lerem o proximo cap xD)

Aqui esta o cap 3 espero que goste, beijos.

NathDragonessa: nuss, 100 pag? Devo ficra honrada, eu acho o.o' bem 100 pags é mto, mas se serve de consolo temos 30 pags \o Obrigada por ler, beijos.

Inu: Como pedido, continuação da fic, espero que goste deste novo cap. Beijos.

Niicole-chan: Bem sobre eles morrerem ou nao, nao posso garantir nada, é ler pra ver :D' Realmente aulas sao irritantes em certos pontos, mas é importante [/nerd.

Cap 3 aqui ja, espero que tenha gostado, beijos.

Isis-chan15: Agradeço por gostar do meu modo de escrever e da historia. O orochimaru realmente os mata sempre ò.ó Voce acertou em cheio, esse é o verdadeiro enredo da fic, o fator de nunca poderem ficar juntos, mas as coisas podem ou nao mudar certo? É isso que a gente vai ver no final dessa fic \o aoskaoksa /suspense. Aqui esta o cap 3, espero que tenha gostado, beijos.

Ami-Nekozawa: Realmente sasunaru é tudo na vida de uma yaoista que se preze *O*' fico feliz por ter gostado da fic, aqui esta o cap 3, espero que tenha lhe agradado. Beijos.

Isabix: oaksaoksakos Fico feliz que esteja gostando, cap 3 ja postado, até a proxima. Beijos.

Sir Ezquisitoh: Obrigada por ter lido, aqui etsa o cap 3 espero que lhe agrade. Beijos.

Paula: Fico lisonjeada com tantos elogios a estória. E agradecida pro achar que eu escrevo bem, ja que ue nao acho isso \o aosaosaka cap 3, espero que tenha gostado. Beijos.

Lady Yuki-chan: Obrigada pela review, aqui esta o cap 3, espero que tenha lhe agradado. Beijos.

Bem, é isso pessoal nos vemos na proxima vez nesse mesmo batcanal (H)'

ps: reviews? *o*