Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem à Masashi Kishimoto.
Cap 11: Éter
Por Kappuchu09
0o0o0o0o0o0
Naruto sob nenhuma circunstância poderia imaginar como uma simples caminhada em torno do parque, quase que deserto de uma cidade ocupada por habitantes preocupados com prédios e indústrias, poderia lhe gerar tal satisfação e amenização de sua tensão.
O vento ligeiramente gélido chocava-se contra sua face, as folhas das árvores caiam ao chão, o céu completamente azul, assim como seus olhos e o sol brilhante, contudo nada sufocante. Sim, definitivamente era uma bela tarde para se caminhar. Ainda mais para um loiro que necessitava sentir-se livre.
Contudo, a dita liberdade era claramente ofuscada pela mescla entre ansiedade e receio. O que o Uchiha iria lhe dizer? O que ele queria contar? O que queria conversar? O que era importante? As perguntas giravam em torno da mente do loiro, sem nunca alcançarem respostas concretas.
E mesmo que uma parte de si diga: Não alimente esperanças, ele é apenas um bastardo. A outra parte sempre acabava vencendo com frases como: Confie nele, tudo se resolverá. O Uzumaki se encontrava rodeado por muros invisíveis, muros construídos pela sua própria mente que apesar de querer liberdade, sabia que o único modo de sair, fugir seria se o moreno lhe dissesse aquilo que descobriu precisar ouvir tão intensamente quanto necessitava respirar.
Com um alto suspiro, o loiro bagunçou os cabelos já desordenados e logo após as pôs dentro dos bolsos da calça social. Se não parasse de pensar nisso iria enlouquecer, contudo, como não pensar quando havia visto um olhar suplicante na face inexpressiva do moreno? Como não pensar quando sentia que algo grande, verdadeiramente grande e importante iria acontecer em sua vida, e desse mesmo fato viria à destinação do seu futuro...
Destino, foi o destino que fez com que ambos os homens se encontrassem... Mais de uma vez, para ser mais especifico sete vezes. Naruto sempre respeitou todos os tipos de crença, contudo nunca havia crido em nenhuma, mas depois de tudo... Tudo o que ele viu e sentiu, desde o momento que pôs os olhos azuis sobre o moreno, não haveria mais como negar, seria quase como permanecer sob a chuva e não querer se molhar, era impossível.
Sasuke já fazia parte de sua vida e era isso que importava só e somente só isso.
- É teme você definitivamente é um bastardo. – sussurrou com um pequeno sorriso incrustado nos lábios finos.
0o0o0o0o0o0o0
Impressionante, simplesmente impressionante como seu pai poderia ser a criatura mais cruel, insensível, autoritária, imbecil e estraga prazeres que Sasuke já tivera o desprazer de conhecer. Em todos os momentos, sem exceção de nenhuma, havia algum dedo de Uchiha Fugaku, na vida de seus filhos, inclusive quando seu herdeiro mais jovem decide se declarar a um homem.
Na opinião de Sasuke, o pai deveria possuir algum tipo de bola de cristal ou qualquer coisa do gênero, porque saber o momento exato que deve interferir não poderia ser um dom natural, pois caso fosse Sasuke estaria perdido.
Havia planejado aquilo a noite inteira, havia se mantido acordado a noite inteira pensando em como dizer aquilo que tanto queria negar e que graças a um jantar infundado veio à tona. Diria, sim diria, diria tudo o que sentia, como se sentia, diria que estava confuso, mas acima de tudo diria, gritaria, "dobe eu te amo".
Sasuke nunca pensara muito sobre o quesito 'amar', até porque desde pequeno foi criado como um perfeito Uchiha e Uchihas nunca, sob hipótese alguma expressam seus reais sentimentos, nunca sorriem verdadeiramente, nunca gritam, nunca saem de seu autocontrole frigido. E mesmo Sasuke sendo criado desta forma, e jamais ter saído das expectativas Uchihas, Naruto o forçou a sair, a desobedeces-lhas.
O Uzumaki o tragou a um mundo diferente, o fez gritar, o fez sorrir o fez... Amar. E quando finalmente o moreno percebe que não precisa ser um robô insensível vêm seu pai e lhe interrompe. Sabe-se Deus quando iria criar coragem novamente.
O Uchiha suspirou pesadamente, enquanto rodava o volante para a esquerda. O escritório de seu pai encontrava-se a cerca de trinta minutos de carro da sede da Suna Corp. e não importava o quanto Sasuke detestasse ir àquele ninho de cobras, repleto por corruptos e homens e mulheres capazes de tirar um doce de uma criança apenas para ter o prazer de vê-la chorando e gritando pela perda, mas mesmo assim deveria ir.
Outro suspiro brotou dos lábios entre aberto do moreno. Sasuke queria apenas ignorar para aonde estava indo, mas era impossível, Fugaku só lhe chamava quando realmente precisava do filho, quando precisava de algo que apenas Sasuke poderia lhe dar, ou seja, Fugaku precisava de informações.
Provavelmente o pai já soubera sobre o roubo na Suna, o que chegava a espantar Sasuke, já que informações do tipo deveriam ser sigilosas, o que dava margem para o moreno imaginar se o pai não estava metido em toda essa sujeira. Contudo, o que mais lhe assustava era que além de saber de provavelmente saber do roubo, o patriarca Uchiha também sabia que para conseguir qualquer coisa dos filhos havia apenas uma maneira: Mikoto.
E era com esse tipo de pensamento que Sasuke pressionava mais fortemente o pedal de aceleração do automóvel. Seja o que for que Fugaku queria, Mikoto estava envolvida da pior forma possível, envolvida como a mercadoria de troca.
As mão apertaram mais firmemente o volante, no instante em que seus olhos se encontraram com o edifício de oito andares e completamente espelhado. O carro seguiu em direção a placa que sinalizava o estacionamento, deixando para trás a visão de outra grande placa, no topo do edifício: Uchicha's Company.
0o0o0o0o0o0o0
- Ai Temari, eu estou com tanto medo. – resmungou timidamente a mulher de olhos perolados.
- Medo de que Hinata? – questionou a rósea que acabará de entrar pela porta do banheiro feminino da Suna. A mulher de olhos esmeraldas parou diante do espelho, ao lado de Temari que tentava inutilmente arrumar alguns rebeldes fios do cabelo loiro.
- Que... Que não descubram quem foi o culpado pelo roubo, o Ga... O senhor Sabaku... – neste instante a morena corou, o que arrancou suaves risos por parte da loira.
- Pelo amor de Deus, Hinata. – disse Temari sorridente.
- Mas enfim, o que tem o Sr. Sabaku? – questionou curiosa a rósea que passava cuidadosamente o batom vermelho nos lábios finos.
- Ele... Ele anda muito estressado e... Bem...
- Está ameaçando matar mais da metade do mundo de forma muito dolorosa e sanguinolenta? – a morena limitou-se a concordar. – Bem, devo te dizer Hinata, isso é completamente normal.
- Claro, para quem é irmã de um psicopata em potencial sempre é normal – disse sarcasticamente Sakura.
- Melhor irmã de um psicopata em potencial, do que uma boba apaixonada que levou o fora. – retrucou acidamente. Temari bem sabia que Gaara causava medo em muitos, e mesmo sendo extremamente super-protetora, quase como uma mãe, não se ofendia com comentários do gênero, afinal o próprio Gaara pregava tal imagem. Contudo, os últimos acontecimentos com o Uchiha a deixaram louca por uma sessão de gritos e brigas, definitivamente, não negava ser irmã de quem era.
- Eu. Não. Levei. Um. Fora. – disse a rosada em um tom perigoso e venenoso.
- Claro que não, alias as olheiras, o mau-humor, e a completa falta de atenção do Uchiha não dizem nada. – rodou os olhos.
- Meninas, por favor, não...
- Cala a boca Hinata. – exclamou furiosa.
Como Temari ousava dizer tais coisas? Sasuke nunca lhe daria um fora, ele lhe amava, ele só estava... Confuso, muito confuso. Tudo culpa do Uzumaki, mas Sakura sabia, sabia que Orochimaru resolveria tudo, sabia que cada ato seu seria futuramente recompensado por um amoroso e fiel Sasuke ao seu lado desde o momento que acordasse até que dormisse.
- Não mande ela calar a boca Haruno. – a loira estava pronta para saltar, literalmente saltar, sobre a rósea, se não fosse uma delicada mão segurando seu braço.
- Não, esqueça Temari ela só está nervosa e...
- NERVOSA? Por que eu estaria nervosa? – exclamou – Eu nunca levaria um fora dele. Sasuke só está confuso – um sorriso maníaco brotou dos lábios avermelhados - Mas logo ele vai perceber que eu sou perfeita pra ele e então e então... – os olhos esverdeados de Sakura se chocaram no rosto pesaroso de Hinata e na expressão de pena de Temari, por que? E ela estava falando alguma mentira?
- Sakura, olhe eu sei que você gosta dele há um tempo, mas ele não... – o tom de voz normalmente firme de Temari adquiriu uma leveza e doçura até então desconhecidas, mas Sakura o reconheceu: Pena.
- CALEM-SE, ELE ME AMA, EU SEI QUE SIM. – com essa última explosão a rosada saiu do banheiro completamente branco, com um baque da porta.
Temari suspirou.
- Coitada. – pronunciou a Hyuuga.
- Me pergunto quando ela vai perceber que está errada.
- Provavelmente nunca. Ela o ama demais Temari. – disse timidamente.
- Não, Hinata. Isso já não é mais amor, isso se tornou uma obsessão. – falou a loira olhando para Hinata através do espelho.
0o0o0o0o0o0
A porta se abriu, revelando um espaçoso cômodo. Dois grandes armários, um sofá de dois lugares, duas poltronas, uma janela com uma vista privilegiada e por fim uma grande mesa repleta de papéis, canetas, e um computador. Tudo em tons de negro.
Atrás da mesa, sobre uma confortável cadeira encontrava-se o motivo para a visita de Sauke: Uchiha Fugaku. O homem possuíam um sorriso malicioso nos lábios fino, ao avistar o filho mais novo com uma face de claro desagrado.
- O que você quer comigo? – questionou rude, seguindo em direção a uma das poltronas em frente à mesa. Sentando nela.
- Pensei que houvesse lhe ensinado como tratar os mais velhos.
- Pensei que houvesse me ensinado a ser um bastardo. – o sorriso malicioso se desfez.
- Não preciso lembrá-lo que...
- Não, se tivesse esquecido nem estaria aqui, para começo de conversa. Agora, direto ao ponto: o que quer?
O patriarca Uchiha recostou-se na cadeira e olhou fixamente para os olhos igualmente ônix do filho.
- Quero saber se foi você ou Itachi, que roubaram os sistemas.
- E o que te leva a pensar que se tivesse sido Itachi ele contaria para mim e não para você?
- Sejamos honestos Sasuke, seu irmão está se tornando inconstante. Não é mais digno de confiança.
- Como?
- Homens apaixonados, são homens tolos Sasuke. Itachi agora é tolo. – falou com um leve rancor incrustado na voz frigida.
"Tolo? Pois bem, papai, ele não é o único" – pensou Sasuke descontraidamente – "Espere um instante, Itachi esta apaixonado?" – o choque abateu-se sobre o moreno, contudo, como todo bom Uchiha o ocultou, tendo apenas como amostra da mesma, uma das sobrancelhas arqueadas.
- Não fomos nós.
- Hm...
- Foi você?
- Não seja tolo, Sasuke. O que eu ganharia com isso? Eu quero a Suna, não o que provavelmente sobrará dela.
- Hm...
- Eu quero que saia o quanto antes daquela impresa. – disse repentinamente
- Como? – a surpresa, porém, desta vez foi intensa demais até mesmo para um Uchiha ocultar. Sasuke arregalou os olhos levemente.
- Largue-a. Ela entrará em decadência, você sabe. Ninguém quer uma empresa de segurança que tem seus próprios sistemas e senhas roubadas, bem debaixo de seus narizes. Saia de lá, antes que manche seu currículo. Eu já selecionei uma outra impresa, igualmente poderosa, se não até mais que Suna e Konoha juntas. Inclusive, tomei a liberdade de marcar uma entrevista para você, para daqui a dois dias e...
- Mas... – tentou manifestar-se, porém foi calado por uma passagem aérea que o pai depositou sobre a mesa, após retirá-lo de uma das gavetas.
- Aqui estão às passagens, apenas demita-se. Está tudo arranjado e...
- Londres? Você está louco? Eu não vou trocar de país. – exclamou exaltado.
- Oh, sim. Você irá, exceto que queira que alguns dos meus colegas de trabalho, façam uma visitinha a ela.
- Você não teria coragem. – disse Sasuke arregalando os olhos.
- Claro que teria. Já imaginou Mikoto chupando o Nozumo, por exemplo? Ou talvez, gemendo enquanto ele metesse brutalmente nela? Ou quem sabe, ela gozando, seria interessante, não é?Oh sim, renderia belas fotos para se colocar no youtube e...
A frase não foi concluída, pois antes disso, o rosto imaculadamente branco de Fugaku foi deformado por um forte soco, que o fez jogar todo o peso do corpo sobre a cadeira, com um nariz sangrando e talvez uma mandíbula deslocada.
- Como pode dizer algo assim? Ela é a porra da sua esposa! – exclamou exaltado o mais jovem, apertando ainda mais as mãos em punhos, pronto para deferir outro soco.
- O que você pensa que fez? Eu sou seu pai. – falou em um rosnado.
- Não, não é. Eu tenho apenas cinquenta porcento dos seus genes, o que já é uma infeliz coincidência. – falou sarcasticamente.
- Seu bastardo! – rugiu
- É, eu sei. Vivem me dizendo isso. – disse com um sorriso sarcástico nos lábios, ao se lembrar das inúmeras vezes que Naruto o chamou daquela fora. A lembrança, o fez se acalmar.
- Você tem até amanhã para se demitir, o vôo está marcado para as dezessete horas de amanhã. – falou o patriarca, enquanto tentava estancar o sangue de seu nariz, com um lenço qualquer.
Sasuke limitou-se a cerrar as mãos em punhos, mais uma vez, contudo tão forte que podia sentir a pele de sua palma se desprendendo.
- Alguma pergunta?
- Itachi também vai?
- Não. Eu quero ele de olho naquela empresa para me contar cada passo, e caso ela consiga se reerguer, eu a quero. Ela e a britânica. – disse com um sorriso ganancioso, que logo foi subjugado por uma dor terrível na região da mandíbula.
- Você é doente. – disse com nojo, enquanto seguia até a porta e a abria, para fechá-la logo após com um baque surdo. Deixando apenas o pai na sala.
As coisas estavam saindo fora do controle de Fugaku. Primeiro fora Itachi com sua tola paixão pela vadia Sabaku, agora Sasuke com suas recusas e sua agressão. O Uchiha precisava estar atento, muito atento, caso não quisesse ser apunhalado pelos próprios filhos.
Inicialmente, o homem creu que tendo Mikoto em suas mãos poderia controlar os filhos. Crença que se tornou real, ao se ver controlando os filhos ao sem bem querer. Claro, não se recusas e ameaças. Mas mesmo com esse trunfo, não foi capaz de impedir a rebeldia de Itachi.
O primogênito Uchiha, sempre fora um problema. Era arisco, inconfiável, frigido, insensível e intransigente, por isso mesmo o perfeito Uchiha, o perfeito espião. A perfeita pessoa para se infiltrar na Suna e lhe trazer benefícios.
Itachi havia sido o mais difícil de subjugar. Necessitou usar mais do que Mikoto, necessitou usar Sasuke, ameaçar o mais novo, e até mesmo sumir com o menor por tempo suficiente para que até mesmo o mais perfeito Uchiha, mais perfeito até que Fugaku, aceitasse e se subjugasse.
Mas, mais uma vez Fugaku foi ignorante em relação ao próprio filho, Itachi nada mais fez do que usar o pai até conseguir livrar mãe e irmão de suas garras. E em meio a isso Temari surgiu. Itachi era perigoso, e Fugaku sabia. Contudo, apartir daquele dia, o perigo dobrara. Não era apenas com Itachi que deveria ter cuidado, era com Sasuke também.
O mais novo apesar de capaz de se entregar pelo bem da mãe, se tornara arisco, arredio. E isso assustava Fugaku de uma forma imensurável. Afinal, o homem bem sabia dos filhos que possuía e das belas espécimes Uchihas que criou.
O que o fazia pensar se socar o próprio pai entrava nos quesitos para ser um Uchihas.
0o0o0o0o0o0o0
O dia fadado ao desastre e a escuridão, mostrou-se mais proveitoso e relaxante do que deveria. Obviamente, relaxante até que o loiro necessitasse voltar para sua mesa e encarar todos os problemas decorrentes do bendito hacker.
O Uzumaki suspirou profundamente, passando nervosamente os dedos pelos fios loiros já desordenados.
- Melhor voltar antes do teme – o simples sussurrou lhe causou um amplo sorriso. Até nesses momentos seus pensamentos nao conseguiam se desviar do moreno, e por mais desinteressante que pudesse lhe parecer retornar à uma empresa de cabeça para baixo, nada era mais reconfortante do que saber que Sasuke estaria ao seu lado para encarar os diversos problemas.
O loiro mordeu nervosamente o lábio inferior, pelos deuses, parecia uma colegial perdidamente apaixonada ao invés de um homem adulto... perdidamente apaixonado. Talvez realmente nao houvesse tanta diferença assim, exceto pela diferença de gênero.
Um sorriso bobo desenhou-se na face bronzeada, enquanto Naruto caminha displincentemente pelo grande parque, com ambas as mãos nos bolsos da calça, mania adquirida pelo contato com o Uchiha.
"Só espero não me tornar um viciado em café também" o pensamento fez com que contorcesse o rosto, para logo após começar a cantarolar alguma música que nem mesmo ele sabia que ainda se lembrava.
Tal era distração do loiro, que apenas foi perceber a BMW preta, de vidros tão escuros que era impossivel de se ver dentro do automóvel, quando a mesma freiou bruscamente em sua frente, o impedindo de continuar sua relaxante caminhada em direção ao seu práprio carro. Contudo, foi com mais receio do que raiva, que viu dois homens completamente vestidos de negro, com seus rosos encobertos, virem em sua direção empunhando armas.
Os dois homens começaram a aproximar-se com passos agéis do loiro, que ao sair de seu estado de estupor, arregalou os olhos, abriu e fechou sua boca sem dizer nada e foi nesse momento que suas pernas finalmente conseguiram se mover. Sem perder mais tempo, o loiro virou-se bruscamente e iniciou uma corrida deficiente em direção a qualquer coisa que pudesse lhe servir de escudo.
Porém, logo nos primeiros metros sentiu um dos homens encapuzados lhe puxar um dos braços com tamanha força que sentiu um leve estalo no mesmo. Naruto tentou novamente voltar a correr, contudo o agarre era de tal força que ouviu-se chiar de dor, até que em um dado instante o outro homem aproximou-se e o empurrou diretamente contra a primeira árvore próxima que achara.
Com dor nas costas, nos braços e suas pernas levemente amortecidas, o loiro sentiu um pano encharcado por alguma substância de cheiro extremamente forte, ser colocado sobre seu nariz.
Pouco a pouco sua conciência foi se perdendo até que não restou mais nada além de escuridão e de um sono brutalmente induzido.
Não muito distante, dentro da BMW preta, podia-se ouvir, mesclada com uma ópera qualquer, o som de uma gargalhada esganiçada e perversa.
0o0o0o0o0o0o0
Sasuke sentia cada músculo de seu corpo tenso e retesado. Sua mão doía pelo forte soco e sua cabeça latejava com tamanha força que por um dado momento pensou que iria explodir.
Ele continuou a caminhar pela extensa sala de recepção, quase que desfilando tamanha elegância, enquanto ignorava retundantemente os 'bom dia Sr. Uchiha'. Parou a caminhada em frente ao elevador e o chamou.
Contudo seus pensamentos ainda estavam em Fugaku e Mikoto, o moreno perguntava-se o que Mikoto havia visto em alguém como Fugaku. Era óbvio que simplesmente por ser um Uchiha seriam motivos o suficiente, belo, rico, inteligente, contudo a senhora Uchiha não era tão fútil como para escolher um marido por esses simples fatos, o que levava Sasuke a estaca zero novamente.
As portas prateadas do elevador se abriram, revelando o interior vazio, o Uchiha adentrou a caixa metálica e apertou no botão correspondente ao seu andar. O moreno respirava profundamente e tentava controlar as diversas veias que ameaçavam pulsar em sua fronte. Afinal de contas, estava devolta a empresa que naquele exato momento estava enfrentando a pior das crises.
O moreno pressionou a ponto do nariz. Era simples, apenas deveria se mostrar como todo e qualquer Uchiha: Um insensível e bastardo. Deveria apenas pedir a demissão e seguir para Londres em meio a uma crise, deixando para trás todos os problemas, inclusive Sakura, Gaara, Itachi e... Naruto!
Não. Como que mesmo por um instante havia se esquecido dele? O que faria? Havia passado todo o caminho devolta a empresa pensando em formas de matar Fugaku e logo depois nos motivos que fizeram Mikoto se casar com ele, e de tão absorvido que estava em sua pequena guerra particular que havia se esquecido da única coisa que não poderia ser esquecida: Naruto.
Iria se declarar, iria dizer que sentia muito por tudo e que queria descobrir o caminho que, aparentemente, muitas vezes fora negado a eles, mas como fazer isso quando possuía uma passagem apenas de ida para praticamente o outro lado do mundo em menos de dois dias? Definitivamente, estava encrencado.
As portas metálicas se abriram e um Uchiha ainda mais nervoso saiu de dentro do objeto, atravessando a sala de recepção para seu escritório e seguindo em frente.
- Café Haruno – ordenou, passando pela mesa da Haruno, sem nem ao mesmo lhe direcionar um olhar, e seguir para sua sala, abrindo a porta e a fechando logo em seguida.
Vazia. Total e completamente vazia. Naruto havia saído, o que significava que teria mais tempo para pensar no que faria.
Poderia se declarar e terem uma noite incrivel e depois abandoná-lo para nunca mais voltar, não. Cafageste demais, até mesmo para um Uchiha. Talvez pudesse levá-lo junto, não egoismo demais, até mesmo para um Uchiha. E por fim restou a única opção que não desejaria: Fingir que nada acontecerá e ignorá-lo. Tão propriamente... Uchiha.
Um longo suspiro escapou pelos lábios do moreno, ao mesmo tempo em que a porta se abriu em uma velocidade impressionante, para logo após adnetrarem a sua sala Sabaku no Gaara e Uchiha Itachi.
Quando Itachi vinha era para lhe dar alguma noticia desagradável ou para, mais uma vez, brincar com o seu 'irmãozinho'. Quando Gaara vinha era sinal de horas de pura chatisse, mas acima de tudo missões profissionais, quase que impossíveis. Contudo, quando ambos vinham significava apenas duas coisas: Dor de cabeça e muito café.
- Não me digam que roubaram mais senhas – suplicou, um gesto nada Uchiha, em sua opinião. Enquanto passava as mãos pelos cabelos, os bagunçando ainda mais.
- Antes fosse. Uchiha precisamos que você se mantenha calmo e...
- Sasuke – começou Itachi – Naruto foi sequestrado.
- Mais delicado que um cavalo – sussurrou o ruivo para logo após suspirar. - Não sabemos como, mas bem, segundo uma testemunha, um homem loiro de olhos azuis, leves marcas nas bochechas e usando terno foi visto sendo carregado para dentro de uma BMW preta e...
- Ele não precisa dos detalhes Sabaku, basta saber que Naruto sumiu do mapa. – disse calmamente o mais velho dos Uchiha, onde instantes depois ouviu-se o som de uma bandeja se chocando com o chão.
Ao direcionarem o olhar a porta aberta, observaram uma Sakura com uma expressão surpresa e aos seus pés o que deveria ser o café de Sasuke, contudo esse último nem sequer desviou o olhar da janela, o que foi um erro já que não pôde observar o sorriso porcamente disfarçado.
- Sasuke você...
- Essa é a terceira vez em menos de três meses que você deixa cair essa bandeja. Você tem algum problema nas mãos Haruno? – a voz cortou o incomodo silencio, fazendo com que o corpo da rósea retesasse pela frieza no tom empregado pelo Uchiha.
- Eu...
- Você tem três minutos para me trazer café. – os olhos negros, ergueram-se e se estreitaram ao focalizarem a mulher, de forma que a última engoliu em seco e retirou-se quase que correndo da sala.
- Uchi...
- Saiam. – o olhar voltou-se em direção da janela.
- Sasuke você está agindo como uma crian...
- Saiam. – sibilou ameaçadoramente.
- Nós vamos encontrar o Naruto, é só uma questão de tempo. – confirmou calmamente o ruivo.
- SAIAM! – tal foi a potência do grito que alguns pequenos passaros que haviam pousado sobre o batente da janela levantaram voo.
- Vamos Uchiha, seu irmão precisa de um tempo – comentou o Sabaku, pondo ambas as mãos nos bolsos da calça social negra e retirando-se da sala em passos calmos, sendo seguido por um Itachi inexpressivo, que após passar fechou a porta.
Ambos os homens cruzavam a recepção do escritório, passando pela rosada que nervosavemente tentava depositar o liquido escuro na xícara sem derramar, coisa quase que impossivel já que as mãos delicadas tremiam.
Os homens já havia chegado ao elevador e adentrado no mesmo, esperando as portas metálicas fecharam, contudo a ação mecanica nao foi tão rápida como para impedir do Sabaku e do Uchiha ouvirem um alto estrondo de longas placas de vidro se estilhaçando e logo após um grito quase que insano.
- Ele que vai pagar pela janela quebrada. – sussurrou Gaara, lançando um olhar significativo para Itachi.
0o0o0o0o0
Horas depois...
O corpo lhe parecia pesado, sentia algo apertando firmemente seus pulsos e tornozelos lhe puxando, lhe esticando. Seus olhos se tornavam assustadoramente pesados, quase que impossiveis de se abrir, sua boca possuia um aspecto seco, quase que arenoso. Contudo, sem a menor dúvida a parte que mais lhe doia era a cabeça, jogada para frente de qualquer maneira, que parecia latejar com tanta força que a qualquer momento explodiria.
Fazendo um esforço quase que inumano o loiro abriu os olhos lentamente. Apesar da visão estar inicialmente embaçada, pôde reparar ligeiramente no local que estava.
As paredes eram de um branco sujo, mofado, úmido e com a tinta descascando a olhos nus. Pelos cantos e teto haviam diversas teias de aranha, alguns insetos caminhavam livremente pelo chão empoeirado. O local era mal e porcamente iluminado por uma pequena lâmpada sobre sua cabeça, da qual duplicava sua incômoda dor de cabeça.
Conseguindo direcionar os olhos para seus braços e pernas, percebeu que o forte agarre nada mais era do que pesadas correntes de metal, que o deixavam quase que suspenso no ar, se não fosse pela ponta de seus sapatos, porcamente tocando no chão.
Foi nesse momento que seus olhos se arregalaram, as imagens voltavam com toda a força em sua mente: A quase declaração de Sasuke, o passeio ao parque, a BMW preta, os homens encapuzados, a corrida, o agarre, o cheiro forte. Tudo fazia sentido, havia sido sequestrado.
Um ranger ecoou por todo o ambiente, algo parecido como um cadiado sendo destrancado e logo após um ranger ainda mais alto, o que poderia se assemelhar com uma velha porta de metal ser aberta e por fim suaves passos percorrendo todo o local até ficar a poucos metros de Naruto.
A visão do loiro desembaçou e finalmente pode ver o rosto do dono de passos tão sorrateiros e por um intante desejou não ter visto, os cabelos negros brilhantes e esvoaçantes de acordo com os passos, o corpo extremamente magro e pálido, de aspecto doentio e por fim, um par de olhos amarelados reluzindo algo que o loiro poderia identificar como apenas uma coisa: Sadismo.
- Fico feliz que nós possamos, finalmente, nos conhecer melhor. – um sorriso dissimulado desenhou-se na face pálida, o que fez um arrepio inesperado cruzar a espinha do loiro.
A cobra havia dado o bote e Naruto era sua presa.
0o0o0o0o0
Notas da Autora: Olá! Sei que muitos devem estar pensando "poxa, pensei que teria mais ação, pensei que haveriam tiros, e samurais e sabesse Deus mais o que", e que pela ausência de tais se decepcionaram, mas bem, essa fic é relativamente parada.
Mas eu discordo sobre este cap ter sido 'parado', quer dizer, pudemos observar nele a profundidade dos sentimentos de Naruto e Sasuke, o desejo maluco da Sakura pelo Sasuke, um pouco da tristeza de Temari, a cafajestisse de Fugaku e o sequestro de Naruto (espero que tenham entendido como tudo se sucedeu). Bem, o que me leva as perguntas: O que orochimaru fará com o nosso loirinho? O que sasuke fará, depois que quebrou o vidro da janela (adorei essa parte *-*)? E por fim, o Uchiha realmente se dobrará as ordens do pai e irá embora, para o bem da mãe? Gaara resolverá o problema das senhas? E Itachi? O que fará em relação a temari?
O cap não foi betado, por isso pesso desculpas pelos ocasionais erros e peço, (lê-se: imploro?) por reviews *-*
Obrigado por lerem. Beijos ;*
Resposta as Reviews: Para as anônimas, respostas à baixo, para os logados através do 'reply reviews' Obrigada \o
Hanajima-san: Olá! Sério? Nossa, fico muito feliz em saber dessa sua opinião sobre a minha fic, é muito gratificante escrever algo que terceiros gostem também. Bem, não sei se vc acho que houve grandes emoções nesse cap, como eu disse na n/a nem todo mundo gosta do 'tipo de ação' que teve neste cap, sem explosões, fogos nem nada, mas eu acho que sim, teve bastante emoçoes sim \o Bem, realmente, a pessoa que betava para mim anda bem sumida e devo confessar não consigo corrigir meus proprios erros, que triste. Aqui está o cap 11, espero que voce tenha gostado, e obrigada por continuar a acompanhar esta fic. Beijos ;*
Lady Yuraa (pptusachan): Olá! Bem, prometo não demorar mais tanto assim. Realmente, Fugaku é baixo muito baixo, até mesmo para ele. Voce acertou, naruto que foi sequestrado e nao sasuke, mas a questão é: O que orochimaru fará com o Naruto agora? Acredite, já tenho o fim deles preparados. \o Aqui está o cap 11 espero que tenhas gostado e obrigada por continuar a acompanhar a fic. Beijos ;*
I'м. ̽ Λмα'αн: Olá! Nyaaa, fico muito feliz mesmo, em saber que vc gostou. Sasunaru é tudo mesmo \o Bem, aqui esta o cap 11, espero que tenhas gostado. Beijos ;**
