Capitulo 4 – A separação.

- Seu viado! Eu sempre suspeitei, mas nunca imaginei que você se sujeitaria a tamanha nojeira . - Fui tão

inconseqüente, envolvi todo mundo numa baixaria, numa humilhação.

Meu pai já estava acostumado de eu passar as tardes após a aula na casa de Peter,

por isso ele me pediu que deixasse colado na geladeira o endereço e o telefone de Peter. Mas eu nunca

imaginei que ele viria, assim de repente e nós pegaria em uma situação tão constrangedora.

Peter acordou assustado e logo entendeu a situação. Olhou-me e viu que eu chorava desesperadamente e

tampava os ouvidos para não ouvir as palavras dolorosas que meu pai dizia.

- E você rapaz? Não passa de um sem vergonha também não é? – Dizia meu pai olhando para Peter.

- Não enche! E você seu ignorante!

- Senhor, por favor, espere na sala! – Dizia Steve na porta segurando meu pai.

- Acalme-se, essa situação não se resolverá com gritos e humilhação, quer uma água?

- CALA A BOCA! Vocês dois não passam de nojentos gays também, não é? Concordam com tudo isso também? Que

mundo é esse onde um homem dorme agarrado com outro?! Isso é um absurdo! ROY SE VISTA,

chegando em casa vou te surrar, seu viado filho de uma puta!

- SENHOR! Você está em minha casa, abaixo do meu teto! Ou o senhor sai por bem,ou sai por mal! Eu entendo o

seu nervosismo, mas falta de respeito eu não posso aturar! – Disse Steve irritado, segurando meu pai.

- Eu já estou saindo, venha Roy! JÁ!

Chegando até a porta meu pai me pegou pelo braço, apertando-me e me arrastando até a saida. Eu chorava

desesperadamente e me sacudia para ele me soltar, mas eu não podia com a sua força. Eu via Peter se afastando, enquanto

meu pai me puxava ele vinha atrás de mim e Steve e Brian o seguravam...Os olhos de Peter foram se afastando e logo em lagrimas

desapareceram do meu alcance.

Meu pai me levou até em casa, no carro o silencio predominava e eu não sabia o que fazer para fugir daquela situação. Tudo

o que eu queria era ver o sorriso de Peter de novo.

Em casa ele me arrastou pelos cabelos, trancou-me no quarto, pegou uma cinta e me surrou, me bateu até minhas

pernas sangrarem e meus braços ficarem roxos. Ele gritava: "Filho meu não vai ser viado!". Minha mãe

não estava em casa, e eu apanhava em silencio, em lagrimas,mas não demonstrava dor...eu demonstrava odio!

Logo ele saiu e eu tranquei a porta, deite-me na cama e chorei desesperadamente pensando em uma solução pra tudo aquilo. O

que mais me doía não era à surra, era meu coração que estava em pedaços pelas coisas horríveis que meu pai havia me dito. "O

que aconteceria daqui pra frente?" Era o que eu me perguntava a todo instante. Nessas horas eu sentia uma extrema falta

de Kristen que sempre me apoiava nessas horas, minha melhor amiga.

As horas foram passando, tomei um banho e deite-me na cama novamente, todo dolorido.

No dia seguinte acordei com minha mãe sentada na minha cama acariciando meus cabelos.

- Eu não estava aqui ontem na hora que você chegou...Mas nem preciso perguntar o que aconteceu né... – Ela dizia olhando meus braços.

- ...Nossa, perdi a hora.

- Não...Seu pai disse que você não deveria ir a escola por enquanto.

- O que? Mas eu tenho provas essa semana!

- Você não deve sair...

- Mas...

- Não deve Roy...- Ela dizia calmamente.

- Aquele ignorante! E você sempre obedecendo tudo o que diz não é?

- Trouxe um café pra você, está na mesinha.

- Eu não quero.

- Você tem que se alimentar.

- Eu não estou com fome.

Escrava! Era isso que minha mãe era do meu pai. Sempre fui uma pessoa ciente do que acontecia na minha familia, se minha mãe não obedecesse

o que meu pai lhe dizia, ele a espancava e a humilhava.

Assim os dias se seguiram, meu pai disse que logo me mudaria de colégio, me proibiu de sair, de usar o computador,

de usar o telefone...Proibiu-me de viver.

Porem, Kristen vinha me ver quase todos os dias e me trazia cartas de Peter, e entregava as minhas a ele. Nas cartas

ele sempre dizia sentir minha falta e que nada nos separaria, na minha ultima carta contei a ele que

meu pai me mudaria de colégio, e que logo eu daria um jeito de vê-lo. Kristen ficava magoada

e revoltada com tudo aquilo e disse que tentaria o de tudo para nos unir de novo.

Eu não agüentava mais de saudades de Peter, pensava nele todos os dias, todos os instantes. Seu sorriso não saía de

minha cabeça, seus lábios me dizendo "Te amo" e seus olhos perfeitos.

Depois de uma semana, meu pai me colocou num colégio interno, aonde só garotos estudavam, eu passava o dia todo

lá e só vinha para casa no final de semana.

Antes de me deixar no colegio meu pai me disse:

- Aquele garoto te deixou doente, tudo ficará bem desde que você fique longe dele. Te vejo sábado.

Uma senhora me mostrava o colégio e as regras. Até que me assustei com uma novidade.

- Vou levá-lo até seu quarto. Alias você dividirá com um outro rapaz.

- Um outro rapaz?

- Sim, ele é um garoto muito educado, aposto que se dará bem com ele.

Chegando ao quarto fiquei meio inseguro. Não imaginei que teria que dividir o quarto com alguém estranho.

- Olá, meu nome é James...Seja bem vindo!