Capitulo 13 – Oito lugares, duas pessoas.

Durante um treinamento duro, percebi o quanto Michael era na dele.

Ele não era do tipo que tinha muitos amigos, e não gostava quando outros soldados vinham falar comigo.

Voltando do treino o questionei.

- Porque não devo fazer amizade com os outros?

- Porque são interesseiros, sabe...Na guerra são poucas as pessoas as quais você deve confiar.

- A vida é assim! Na guerra não seria diferente...Mas nem por isso vou ficar me

afastando de qualquer pessoa que queria de aproximar de mim.

- É o melhor a se fazer...- Disse ele com um olhar triste abrindo a porta do nosso quarto.

- Michael...Você sabe muito sobre mim, não sabe?

- Talvez...

- E eu não sei nada sobre você!

- Pergunte o que quiser.

- É... É...Eu tenho muitas perguntas pra fazer mesmo!

- Pergunte...- Disse Michael sorrindo, se deitando numa das beliches.

- Você é um veterano, certo?

- Sim.

- Já foi pra guerra e tudo mais, não é?

- Fui sim.

- Então porque eu, um novato...Que está aqui contra a própria vontade...Fui

colocado num quarto com quatro beliches, junto a um veterano que é o

único que habita esse quarto?

- Bom você está aqui contra a sua vontade, mas eu não te obrigo a ficar,

obrigo? Se quiser sair por aquela porta, tente. Mas você logo será capturado

ou morrerá de fome pelo caminho no deserto. Por isso questione o coronel do

porque você estar aqui. Mas você não é o único que está aqui contra a própria vontade e...

- O que?Co...Como não?!

- Todos os soldados que estão aqui foram "cuspidos" pela sociedade. Por pais, avós,

colégios, amigos e até mesmo pelo próprio exercito.

- Como assim "cuspidos"? Porque?

- Simplesmente...Porque são homossexuais.

- O que?

- Eu sei pouco sobre isso, alias ninguém sabe muita coisa. Mas existe uma máfia dentro

do governo que usa a insatisfação da sociedade para com os homossexuais como forma

de usá-los na guerra, enquanto os familiares e amigos pensam que ao virarmos soldados

seremos curados da "doença homossexualidade".

- Que absurdo, ser homossexual não é uma doença!E como isso nunca caiu na boca da mídia,

afinal alguém sai daqui e volta a ter uma vida normal. Não é?

- Sim...Mas ninguém vai pensar em quem ainda esta aqui, querendo se expor publicamente.

- Entendo...

- Eu entendo como se sente, mas não há nada a se fazer.

- Por isso que todos os rapazes me olhavam daquele forma...

- Sim...

- E é também por isso...Que você um veterano que curiosamente dorme sozinho,divide o quarto comigo?!

- Hã? Ah...Não é bem isso...

- Você fala de pessoas interesseiras...Mas você me ajudou com segundas intenções, oito l

ugares pra dormir,e duas pessoas! Só podia ser palhaçada e...

- Olha só Roy...É verdade que eu me interessei desde o primeiro minuto que eu te vi,

você tem um rosto e um corpo de anjo, que...Que me fizeram delirar. Eu não sou do tipo

que se interessa pela primeira pessoa que passa, mas você é exatamente o tipo de garoto

que encanta qualquer pessoa, tanto fisicamente quanto o seu jeito... Mas preste bem atenção,

esse quarto já foi habitado por outros sete rapazes que foram muito importantes pra mim,

e que conseqüentemente não ocupam mais seus lugares.

- Porque trocaram de quarto?Ou foram embora? A fala sério Michael, que historia é essa?

- Não Roy...Eles...Morreram...Na guerra. - Respondeu Michael, deixando escorrer uma lagrima.

Continua...