Capitulo 16 – Permissão pra morrer.
- O que?
- Ah me desculpe, sou o novo coronel, me chamo Gregory. – Disse ele todo gentil se levantando e me estendo à mão.
Eu visivelmente surpreso o cumprimentei sem jeito e ficava envergonhado pela maneira que ele me olhava enquanto segurava minha mão. Logo a puxei e me sentei.
- Coronel...Posso lhe fazer uma pergunta um tanto inadequada?
- O que? Se também sou gay? – Brincou ele sorrindo.
- Na verdade...Não era isso. É que bem...Quando eu cheguei era outra pessoa que estava com o cargo de coronel...Um homem bem mais velho e...
- Ah sim...Ele teve alguns problemas emocionais depois que um sargento grande AMIGO seu faleceu e eu tive que substituí-lo.
- Ah...
- Algum problema com isso?
- Ah não...Não...
O coronel se levantou e se aproximou, encostando-se na mesa ao meu lado.
- Você então é o novato...
- Sim...
- Quantos anos você tem?
- Tenho 18.
- Pelo visto, é também o mais novo. Bom,te chamei aqui porque...Bem, queria te conhecer, todos sempre estão comentando sobre você. Antes de eu ser coronel eu era sargento, mas em uma outra ala, então eu nunca ouvia falar sobre você...Mas agora...
- É os rapazes costumam comentar...- Eu disse um pouco envergonhado.
- Sim...Eles comentam.
- Você me parece bem jovem para um coronel.
- Jovem? Que elogio tenho 28 anos. -Disse ele sorrindo.
- 28?! Parece tão mais novo, é tão bonito...Digo...
- Tudo bem... É ótimo ouvir isso de alguém que se parece com um anjo.
- Bom...Bom se era só isso estou me retirando.
Logo que sai da sala me senti incomodado com a situação. O que diabos deu em mim para dizer a ele que ele era bonito!
Quando contei o que havia acontecido para Michael, ele logo ficou enciumado, e teve uma má impressão do novo coronel.
Mais tarde o coronel fez uma coletiva no anfiteatro para se apresentar, e durante toda a apresentação ele ficava com os olhos grudados em mim, céus. Michael parecia querer voar no pescoço dele.
Os dias foram se passando,cada vez mais rápidos e logo fazia 6 meses que eu estava lá. O coronel pegou uma mania de ficar inventando desculpas para eu comparecer em sua sala, o que me deixava muito envergonhado.
Mas naquela semana, não fui eu quem o soldado veio chamar quando bateu a porta, foi Michael. E logo que o soldado saiu, ele abaixou sua cabeça.
- O que foi?
- Roy...Eu acho que é hoje.
- Que hoje o que?
- Que hoje que vou poder ir embora.
- O que?! Você nunca me disse nada e...
- Por favor...Eu apenas quis evitar sofrimento...Mas não se preocupe, fui eu quem pediu para conversar com o coronel.
- Porque?
- Vou pedi-lo para ficar.
- FICAR? Você ta maluco! É a sua liberdade que está em jogo! Alem disso, vamos pra guerra na próxima semana e vamos ficar 5 meses fora!
- E daí? Eu quero ir pra guerra.
- Não posso permitir Michael!
- Eu vou! Só vou sair daqui se for com você. Não pense que não é porque não toco mais no assunto..De nós...Que não te amo mais...Muito pelo contrario, meu amor por você só aumentou e eu tenho que viver me vigiando para não me precipitar em te tocar, ou te beijar.
- Michael...
- Eu já volto.
Passado alguns instantes Michael voltou com um sorriso enorme no rosto.
- Ele permitiu! Disse que posso ficar mais 6 meses.
- Você é maluco! – Eu disse lhe abraçando.
Permanecemos abraçados por alguns instantes, quando uma sensação ruim me bateu.
- Roy?
- Nada não!
Eu estava ansioso pela guerra, aquilo seria a passagem final para poder ficar com Peter, porem, sentia muito medo também. A guerra...Céus, quantas pessoas não morreram por lá? "Eu poderia ser uma delas." Foi o que escrevi em meu diário, na semana em que Michael morreu.
Eu estava tão preocupado comigo mesmo, que não me preocupei com ele, a pessoa que mais me ajudou esse tempo todo.
Estávamos escondidos numa caverna, meio ao deserto, toda a nossa tropa estava morta e eu e Michael éramos os únicos sobreviventes, ele passava cada noite e cada dia vigiando para que nada acontecesse. Porem, como mal nos alimentávamos, houve uma noite em que eu fiquei muito doente, e Michael chorava muito com preocupação de que algo me acontecesse.
- Vai ficar tudo bem Roy! Não vou deixá-lo morrer!
Ele dizia isso o tempo todo, e eu chorava por medo de morrer.
Baixamos a guarda e alguns soldados inimigos invadiram sem que percebecemos, eu estava deitado enquanto Michael me olhava preocupado, em lagrimas. Eu mal conseguia falar, me movimentar ao ver todos aqueles soldados armados nas suas costas. Michael percebeu que havia alguém ao seu lado e cometeu o erro de pegar sua arma que estava ao seu lado. O metralharam na minha frente, todo o seu sangue cobriu meu rosto e meu corpo, eu logo perdi a consciência pela fraqueza e pela tristeza, a ultima coisa que vi foram os labios de Michael dizendo "Te amo" com enorme sorriso.
Continua...
