Capitulo 17 – O preço
Daquele dia em diante, a minha vida nunca mais foi a mesma. Perdi uma das pessoas que teve uma importância imensa na minha vida, ali, bem diante dos meus olhos. Eu sempre me perguntei se talvez eu tivesse impedido Michael de permanecer no quartel se ele estaria vivo...Mas eu fui burro o bastante pra desejar que ele viesse comigo, e queria mesmo tê-lo por perto. Quando Michael se foi eu descobri o tipo de sentimento que eu tinha por ele...Ele era como um irmão mais velho, que se preocupava comigo o tempo todo, apesar dele que quando ele dizia me amar eu ficar bastante emocionado, eu já tinha a certeza de que eu também o amava, não da mesma maneira, mas com todo o meu coração, como um irmão. Eu ainda podia sentir o sangue de Michael pelo meu corpo, quando acordei na enfermaria onde estávamos acampados. Logo que abri os olhos vi um dos sargentos.
- Roy? Ele acordou enfermeiro!
- Sargento Daniel...
- Calma Roy...Esta tudo bem agora.
- Não...Não está...Michael...Ele – Eu dizia em lagrimas.
- Roy, ele se foi...Como um herói, não há nada a ser feito.
- Mas como eles não me capturaram...Alias, nem sei como eles conseguiram nos encontrar...Estávamos perfeitamente escondidos...
Nesse instante, senti que o Sargento suo frio, com alguém que sabe de algo e não tem coragem de dizer. Mas eu estava tão cansado,me sentia mal e extremamente triste, que nem tinha forças para perguntar.
Alguns dias depois, já melhor voltei ao quartel e logo que cheguei recebi uma intimação do coronel para comparecer a sua sala. Logo pensei que não teria a mínima paciência para seus olhares e suas desculpas para me manter naquela sala.
Porem, quando cheguei o assunto era muito importante.
- Me chamou coronel?
- Sim, sente-se rapaz.
- Eu gostaria que o senhor fosse...Rápido, eu...É...Estou muito triste e...
- Triste?
- Sim, perdi um amigo...Na guerra.
- Michael?
- Sim....
- Amigo...Hum? Vou tentar ser o mais breve possível ok. – Disse o coronel sorrindo.
- Obrigado...
- Bom, percebo que esta muito chateado com a morte do Michael...Não é Roy?
Roy? Esse coronel era extremamente estranho. Chamar alguém pelo nome, num quartel quando se é superior é muito raro. Quando se trata do coronel, mais raro ainda. Mas a maneira como ele me chamava era intrigante...Era sedutora.
- É que...Eu... - Eu não me agüentei...Estava tão sensível...Triste e acabei chorando na frente do coronel.
- Roy... - Disse o Coronel se levantando e me olhando com olhos de piedade.
- Eu não pode impedi-lo, nem ajudá-lo... É praticamente minha culpa...Eu...
- Calma...- O coronel me abraçou, sim, ele me abraçou! Mas estava tão nervoso, que nem parei para pensar.
- Talvez se eu...
- Quer ir embora?
- O que?
- Ir embora daqui, voltar pra cidade, pra sua família?
- Claro...Claro que eu quero. Mas ainda faltam alguns meses...
- Eu posso adiantar a sua saída, seu estado emocional está afetado, você está tão triste...- Dizia o coronel alisando meu rosto e me olhando com um sorriso.
- Eu...Nem sei como agradecer...
- Ah...Mas eu sei... – Aquele sorriso...
- Sabe? – Naquele instante eu me afastei.
- Sim...
- Olha só...Eu não tenho dinheiro...Minha família não é rica e eu...
- Não quero dinheiro...O que eu quero tem outro tipo de valor...
- Está me extorquindo?!
- Já disse que não quero dinheiro Roy.
- Então o que você quer...Sabe o que eu mais quero eu sumir daqui, agora que Michael morreu é impossível pra mim continuar aqui...Diz-me...O que quer?
- Quero você. - Respondeu o coronel sorrindo.
Céus...De novo?!
Continua...
