Capitulo 22 – Segure a minha mão.
- Você parece ter ficado assustado Roy...
- É que esse nome se encaixa perfeitamente no tipo de pessoa que você é. – Eu disse e sorri serenamente.
- E que tipo de pessoa você acha que eu sou?
- Calma, gentil e...
- E...Você acertou em cheio... – Disse Michael sorrindo e olhando diretamente pra mim.
- Mas mudando de assunto...Me fala sobre você, o que você faz, quantos anos você tem... – Eu disse já abaixando a cabeça com medo de corar.
- Eu tenho 26 anos e...
- 26 ANOS?
- Sim...HA HÁ! Porque o susto?
- Ah sei lá, eu te dava uns 22 no maximo...
- Nossa, me senti super jovem agora!
- Mas você ainda é jovem!
- Sou nada...
- Lógico que é, 26 anos não é nada...
- Mas não é a questão da idade que você tem, e sim como esses 26 anos foram vividos...Eu vivi todos eles como uma pessoa de 40.
-...Porque?
- A prefiro não falar disso sabe...
- Tudo bem!
As horas foram se passando e eu compartilhei diversos segredos da minha vida com Michael, mas nunca lhe contando sobre minha opção sexual, sentados no chão de sua sala tomado refrigerante e rindo feito dois bobos meus problemas se tornavam invisíveis. A cada momento que seu sorriso se abria, meu coração pulava.
- Bom, acho melhor eu ir embora né, já escureceu! Ocupei muito seu dia.
- Imagina, foi um prazer ter te ajudado e vê se manera na bebida hein!
- Eu nem quero mais beber por um bom tempo viu! Vou indo. – Eu disse indo até a porta.
- Vamos lá, eu te deixo em casa...
- Ah não! Você já fez muito por mim, chega de te atrapalhar!
- Eu já disse que faço isso por prazer, eu te levo. – Disse Michel pegando na minha mão.
Saindo de seu apartamento, Michael ainda segurava minha mão em direção ao estacionamento.
- Pode soltar...Eu...Eu aceito a carona...
- Ah, desculpe...
Droga! Por um segundo eu quis mais que tudo ouvi-lo dizer que ainda sim queria segurar minha mão...
Depois de chegar em casa, eu não conseguia parar de pensar na decepção que tive com Peter, deitado na minha cama que há séculos eu não deitava, eu re-lia as cartas da época em que eu estava no colégio interno, quando minha mãe entrou no quarto.
- Pode entrar.
- Vim trazer um lanchinho pra você!
- Obrigado mãe, mas...
- Mas nada! Já está bem tarde, coma e vá dormir.
- Mãe...
- O que?
- Eu te amo...
- Eu também meu filho.
- Deixe ali ao lado do computador, mais tarde eu como.
- Alias filho, esqueci de li dizer, o Peter ligou...
- Ligou?!
- Sim, diversas vezes...Ligou no seu celular também, mas você esqueceu no seu quarto.
Abaixei minha cabeça relembrando da cena de quando abracei Peter e vi outro garoto saindo de seu quarto, as lagrimas vieram de novo, e logo minha mãe me abraçou.
- Ele não te merece meu filho!
- Eu sei mãe...Mas eu...Eu o amo. Eu fiz tudo o que fiz, enfrentei tudo pensando que um dia poderíamos ficar juntos...Não consigo nem imaginar viver sem ele...Ele me confortava, me fazia feliz mãe...Sabe o significado disso? Quando alguém faz você feliz e essa pessoa deixa de estar ao seu lado é como se a minha felicidade tivesse acabado quando acabamos...Eu...Eu não posso!
- Roy, se você encontrou sua felicidade nele, terá que buscar em outra pessoa agora.
- Mas mãe, ele era tudo pra mim! Foi por ele que enfrentei preconceito, brigas, socos, tapas, humilhações e até mesmo a GUERRA! E O QUE ELE FEZ POR MIM?! O QUE ELE FEZ PELO NOSSO AMOR...NADA...ELE NÃO FEZ NADA! ISSO PROVA QUE ELE NÃO ME AMAVA E NUNCA ME AMOU...QUE APENAS GOSTAVA DE MIM...NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE QUE ELE TEVE DE DESISTIR DE TUDO ELE DESISTIU PORQUE NÃO ERA AMOR VERDADEIRO...EU SOU UM IDIOTA, UM TROXA E...
- Roy, para meu filho! – Disse minha mãe me abraçando forte e chorando comigo. – Coma o lanche que eu trouxe e descanse querido...Nada como um dia após o outro.
Depois que minha mãe saiu do meu quarto eu belisquei o lanche e fui dormir. Logo amanhece.
Durante a madrugada toda meu celular tocou, era Peter. Desliguei meu celular para conseguir dormir. Quando acordei desci pra tomar café.
- Bom dia meu filho!
- Bom dia mãe.
- Melhor?
- Um pouco.
- Acordou bem tarde hein! Ligaram pra você agora a pouco.
- Peter?
- Sim...
- Ah, não quero nem falar com ele...
-...
-...
- Mas mudando de assunto filho, agora que você voltou precisa estudar!
- É eu sei, e trabalhar também!
- Bem, você precisa tirar carta, seu pai comprou um carro antes de morrer, novinho. Esta lá na garagem! E você sabe que eu não dirijo né! Morro de medo
- Jura?!
- Sim.
- Puxa, vou tirar carta sim, assim que eu arrumar um emprego.
- Ah comece agora, tem um bom dinheiro guardado do seguro de vida, podemos te matricular numa universidade também.
- Nossa mãe, você é maravilhosa...
- Imagina! Só quero o melhor pra você. Amanhã é segunda e vamos ver tudo isso viu.
Fomos interrompidos quando a companhia tocou.
- Vou ver quem é.
- Ah não mãe, deixa que eu vejo, termine seu café.
- Vai assim, sem camisa?!
- Ah,deve ser esses vendedores chatos.
Ao abrir a porta dei de cara com ele...
- PETER?!
Continua...
