Capitulo 27 - Presente

- Morar com você, aqui?

- É você já não é mais um garoto, talvez não queira mais morar com sua mãe.

Fiquei alguns instantes pairando Michael com um sorriso amarelo, até que ele finalmente disse o que eu precisava e queria ouvir:

- Bom, na verdade não é bem isso. Eu quero acordar todos os dias e ter você do meu lado, quero ter a certeza de que não vou perder-lo, quero que seja meu, somente meu.

- Ok...

- Serio?

- Sim! Não há porque recusar.

Michael me abraçou forte, me colocou sobre seus braços e ficou me mimando, deslizando as mãos pelos meus cabelos, ele sempre fazia isso. Eu adorava.

- Esse é o melhor presente de aniversário que eu podia ganhar. – Disse Michel abaixando a cabeça, soltando um suspiro e voltando a olhar pra mim – Alem de ter você, aqui comigo, vou tê-lo todos os dias... Isso é perfeito.

- Espera ai! Seu aniversario! Seu cretino, você não me disse nada!

- Ah, não queria presentes, eu já ganhei o que eu mais queria!

- Seu bobo... Eu... Eu gosto de você, sabe seu sorriso faz com que eu me sinta totalmente seguro.

- Farei muito mais do que te dar segurança.

- Ah é, e o que mais você vai me dar alem de segurança? – Eu o perguntei com uma voz e um olhar atrevido, ele que estava sentado na cama ficou me olhando com um sorriso tentador enquanto eu me aproximava. O empurrei para a cama e subi por cima dele, quando me aproximei para um beijo ele me respondeu. – Vou te dar amor Roy.

Com um sorriso bobo, meus olhos lagrimejavam enquanto eu olhava em seus olhos, com nossos rostos bem próximos Michael passava sua mão nas lagrimas que iam caindo de meus olhos.

- Parabéns Michael.

Alguns dias se passaram, minha mãe ficou feliz quando eu lhe disse que queria ser independente e começaria saindo de casa. Eu já estava morando com Michael, mas mal nos víamos durante a semana por causa de nossos compromissos.

Caminhando numa tarde de outono, voltando da biblioteca eu olhava as arvores balançando, as folhas voando e tentava entender o que sentia naquele momento.

Meu coração estava calmo, feliz. Eu adorava conviver com Michael, ele era amável, compreensível, eu chegava a acreditar que ele era um anjo enviado por Deus, nunca houve uma palavra ou um gesto que me magoasse. Ele possuía um sorriso maravilhoso, que aos poucos me conquistava por inteiro, na verdade ele era o homem perfeito. Eu amava sentir o cheiro de seus cabelos negros todas as noites quando dormíamos abraçados, olhar para seus olhos verdes, radiantes, levemente puxados, e deslizar minhas mãos pelo seu corpo muito bem malhado, que corpo!

Mas algo ainda sim me incomodava, Peter. Eu confesso que mesmo depois de um ano sem vê-lo eu ainda possuía sentimentos por ele, mas assim como as folhas do outono daquela tarde que iam deixando as arvores sem vida, meu amor por ele aos poucos ia diminuindo.

- EI CUIDADO GAROTO!!!

Fui todo o que ouvi enquanto atravessava a rua.

Acordei num hospital, quando olhei pro lado vi Michael sentado numa poltrona dormindo.

- Michael...

- ROOY? Puxa! – Disse ele correndo para me abraçar. – Achei q nunca mais fosse acordar, eu senti tanta a sua falta.

- Nossa... Eu não me lembro de muita coisa... Só de estar atravessando a rua e...Minha cabeça dói muito.

- Você foi atropelado. Ficou em coma.

- Quanto tempo?

-...

- Michael...?Quanto tempo?

- Meses Roy... Meses.

- Quantos meses?

- 6 meses. Roy. – Disse o enfermeiro entrando no quarto.

Fiquei pasmo, era o enfermeiro. Os 6 meses que dormi deixaram de ter importância naquele momento.O que me preocupava era a voz que ouvi, não pude acreditar, fiquei lhe olhando paralisado. Era Peter.

Continua...