Capitulo 28 – Nem tudo é como parece.
- Peter? - Já fazia um bom tempo que eu não via Peter, eles estava ainda mais lindo. O brilho do sol que entrava pela janela batia bem em seu rosto de porcelana, seus cabelos tinham um balanço incrível, extremamente lisos e loiros eles brilhavam, mas nada comparado ao seus olhos. Tão azuis que eu sempre acabava me perdendo neles. Não sei quanto tempo fiquei em transe ao ver Peter. Só vi quando ele estava me abraçando, eu podia sentir algo molhado em meus ombros, eram suas lagrimas. O cheiro de seu cabelo era como uma droga pra mim, o seu perfume...Tudo, tudo foi voltando, junto com as lembranças ruins.
-...Eu sempre achei que você ia acordar Roy, sempre! Mas mesmo assim tive tanto medo de te perder...E eu não conseguir te esclarecer tudo. Eu...
- Peter, você virou enfermeiro...
- Sim, eu estou fazendo faculdade de Medicina e...
- Que dia posso ir embora? – Senti um aperto no peito, mas eu não podia revelar meus sentimentos, minha angustia de ficar afastado dele. Eu não podia revelar minha vontade insaciável de beijá-lo, de jogá-lo contra a parede e matar toda a saudade que senti. Eu tinha quer ser duro, e segurar meus sentimentos. O que ele fez não tinha perdão.
- Roy...Er...Eu...
- E então?
- Eu quero falar com você. – Disse ele tirando o sorriso bobo da cara e jogando seu cabelo para o lado.
- Eu prefiro ir andando. – Respondi me levantando e em seguida senti tudo rodando e cai nos braços dele, foi quando reparei que a poltrona onde Michael dormia, estava simplesmente vazia.
- Você ainda esta muito fraco Roy, precisa ficar de repouso. Me escute, por favor. Eu imploro.
- Que outra escolha eu tenho? Eu nem se quer consigo ficar em pé...
- Roy eu te amo.
- Isso não é suficiente Peter, você estava com outro quando voltei da guerra.
- Eu sei, mas você entendeu tudo errado!
- Ah é? E você acha que vai conseguir me convencer?
- Acho. - Lhe olhei surpreso – Porque eu sei que ai dentro ainda resta seu amor por mim. – Disse ele se sentando ao meu lado e colocando sua mão em meu peito.
Era impossível não se apaixonar por ele. Peter sempre agia de forma extremamente carinhosa, ele costumava ser fechado com qualquer outra pessoa, mas me tratava sempre atenciosamente. Seus olhos brilhavam muito, estavam prestes a chorar.
- Você me magoou muito Peter.
- Eu sei Roy...Eu vou lhe explicar.
-...- Eu apenas lhe olhava, com o coração disparado, os olhos lacrimejando e esperançoso que eu conseguisse lhe perdoar.
- Algumas semanas antes de você voltar, encontrei com seu pai pelo hospital. Me perguntou se eu estava te esperando.
- Você está esperando que ele volte?
- Sim, estou.
- Ele não vai voltar. Só vim aqui para avisá-lo.
- Ele voltará sim.
- Não, não irá. Eu sou o pai dele, infelizmente né...Acha que eu não sei?
- Não sabe do que?
- Me telefonaram hoje cedo dizendo que meu filho e outro soldado foram mortos durante a guerra...Eu nem tive coragem de contar a minha esposa, ela não suportaria tamanho desgosto.
- Desgosto?
- Alem de ser um viado, não consegue nem se quer sobreviver numa guerra.
- Eu fiquei calado, só não enfiei a minha mão na cara dele porque seu rosto estava abatido, triste. Seu pai estava chorando Roy.
- Meu pai?
- Ele fazia um tratamento intensivo por causa do câncer aqui no hospital. Às vezes cruzávamos pelos corredores.
- Ele mentiu pra você! Você sabe o jeito que ele era, ele me odiava! Você devia saber que era mentira!
- Não Roy, alguém realmente telefonou em sua casa e deu essa noticia a ele.
- Como tem tanta certeza?
- Bom...Depois daquele dia ele nunca mais veio fazer o tratamento aqui no hospital...Ele sabia que conseqüentemente ele...Morreria.
- Ele praticamente...
- Se matou Roy. Me desculpe...Mas assim como ele eu também acreditei. Eu cheguei muito triste naquele dia em meu apartamento, eu morava sozinho. Mas depois disso meus pais ficaram preocupados, porque eu entrei em depressão profunda e até mesmo tentei fazer algumas besteiras.
- Besteiras?
- Eu tentei...Me matar. Mas é porque só de imaginar viver sem você, imaginar que estava morto e que eu não o veria nunca mais eu perdi a vontade de viver.
- Peter...
- Aquele dia que te vi eu pensei que era um fantasma, fiquei tão chocado. Era...Meu aniversário. Depois que consegui sair da depressão eu resolvi aceitar o convite de um colega de faculdade para sairmos. Acabei bebendo demais...Conseqüentemente não lembro de nada, vê-lo em minha casa foi uma surpresa pra mim também.
-...
- Eu sei que nada disso justifica, que eu agi como um tolo. Mas espero que pelo menos entenda e me perdoe.
-...
- Roy? – Minha cabeça estava tentando processar tudo isso. E tentando achar a solução, a escolha certa, o caminho que eu deveria tomar.
- Eu preciso de um tempo Peter...Preciso pensar e...
- JURA? Obrigado por me entender! Eu te amo tanto. – Disse ele me abraçando novamente.
Em seguida Peter chamou os médicos que logo correram para ver como eu estava. Alguns minutos depois minha mãe também veio, trazendo um bolo feito por ela mesma que eu amava. Michael não apareceu naquele dia, nem no dia seguinte, nem durante o resto da semana.
Os dias se passaram e tudo deixava claro que Michael estava magoado. Eu não tinha ideia do que fazer, pensei em telefona-lo, mas não saberia o que dizer. Me sentia culpado por ambos os lados, por ferir ambos corações.
Droga de vida! Ela te tira e te dá de volta e tira de novo. Eu definitivamente teria que escolher o que eu ia querer, com quem eu ia preferir ficar.
Mas essa não foi a primeira vez que tive que fazer esse tipo de escolha, durante nossas vidas temos que escolher entre nossa felicidade ou a felicidade de quem amamos, seja amor paternal, amor de amigo ou amor pra valer. A maioria das pessoas são egoista? Pois elas escolhem ser felizes. Não elas são sinceras consigo mesma, pois escolhem aquilo que realmente desejam escolher e não se arrependem por isso.
Até que enfim, tive alta.
Continua...
