Capitulo 29 - Declaração
Enquanto eu terminava de arrumar minhas coisas, Peter me observava, encostado na porta com o sol batendo em seus olhos, era maravilhoso.
- Queria te levar embora, mas não...
- Tudo bem! – Disse eu interrompendo com um sorriso amarelo.
- Seu namorado vem te buscar, não é?
- Ah...Bem...Não...Não sei... – Eu disse suspirando.
- Espero que venha, não quero que vá embora sozinho.
- Sinceramente? Ele não virá.
- Peça pra outra pessoa Roy.
- Qualquer coisa telefonarei pra minha mãe.
- Peter chegou alguém acidentado, estamos precisando de você. – Disse uma enfermeira passando apressada pelo corredor.
Com as malas nas mãos eu parei frente a porta do corredor, de cabeça baixa. Não conseguia encará-lo. O julguei tão mal e nunca procurei compreendê-lo.
- Eu vou indo...Até mais Peter. – Peter continuou parado na porta. De repente colocou sua mão em meu rosto, levantando-o para ele. Estávamos cara a cara.
- Acima de qualquer decisão que você tomar Roy, eu te amo mais que tudo.
Sai de lado, corado. Meu coração parecia sair pela boca. Me segurei pra não beijá-lo. Eu ainda o amava, queria cair em seus braços. Eu não estava incomodado com o passado, meu problema era o presente.
Chegando a recepção vi um rosto familiar folheando uma revista. Me aproximei.
- Que demora hein!
- Michael?
- Ta com amnésia agora?
- Não é que eu...
- Como você está?
- Estou...Bem.
Eu não entendia. Não fazia sentido! Michael sumiu, desapareceu. Nunca mais veio me visitar e não deixou claro um motivo. Eu por dedução acreditava tê-lo chateado. Mas então porque lá estava ele, me esperando?
Entramos em seu carro e um silencio horrível predominava. Michael puxou um assunto de lá, outro de cá. Mas nada que fosse sobre nós.
- Bom chegamos.
- Chegamos? – Eu disse olhando pela janela.
- Sim.
- Espera ai, Michael! Essa é a casa da minha mãe.
- Então...Sua casa. Eu já trouxe suas coisas, está tudo ai.
- Michael...Porque desapareceu do hospital?
- Roy, não precisamos falar sobre isso.
- Eu preciso saber, Michael você é muito especial pra mim!
- Até onde?
- Até onde o que?
- Até onde eu sou especial pra você?
- Como assim?
- Roy, não é a mim que você ama...Não é comigo que você quer ficar. Eu nunca fui de insistir, eu vou atrás de quem me quer, não imploro por amor de ninguém. Porem eu sinto algo por você e não posso simplesmente lhe virar a cara. Por isso sempre que precisar de mim eu estarei aqui.
- Michael, não fala assim! Nem parece você!
- Você tem razão... – Disse ele se aproximando de mim, olhando em meus olhos - O que eu quero dizer é que...Eu queria mais que tudo ter você do meu lado, que eu durmo e acordo e continuo com você na minha cabeça. Que mesmo que eu seja tratado como eu capacho eu quero que sempre que precise de mim me avise, porque eu sempre darei minha vida para ajudá-lo. Roy eu deixei de visita-lo porque eu me senti uma pedra no seu caminho aquele dia...Você ama o Peter, é com ele que você deve ficar, no que adianta eu insistir e te dizer que eu sou sua melhor opção senão é a mim que você ama? Eu te disse Roy, eu não sou criança, não vou deitar e rolar no chão porque você ama outra pessoa. Eu posso tomar as decisões mais frias, mas faço tudo pensando em você. Eu faço qualquer coisa por você, passo por cima de tudo, de mim mesmo se for preciso.
- Porque Michael? – Eu perguntei já chorando.
- Porque eu te amo muito Roy, e sua felicidade... É a minha felicidade.
E agora?!
Continua
