Capitulo 34 Especial – Aos olhos de Peter
Com o coração apertado, eu não contei a verdade a Roy. Eu simplesmente não quis estragar nosso primeiro natal juntos. Porem, eu estava tão nervoso que mal conseguia dirigir.
Logo que cheguei, fui direito pra sala do Dr responsável por todo o hospital. Eu precisava que ele me esclarecesse algumas coisas.
- O que aconteceu? Você me disse que estava tudo bem, e de repente você me liga e diz que há algo de errado nos exames!
- Calma Peter, não se altere.
- Não me alterar? Ah, não devo fazer isso não é? Só porque eu estou prestes a morrer!
- Seus exames estavam ótimos, mas por acaso eu fiz uma ultima revisada e vi que será necessário operar...Antes que seja tarde
- O senhor já tinha dito que teríamos que operar, mas não hoje...Hoje é natal...Não podia ser outro dia?
- Não Peter...Não pode.
- Está tão ruim assim?
- Sim, está. Quanto mais rápido te operarmos melhor.
- E as chances de eu sobreviver?
- ...
- DOUTOR?
- 20%
- Ah meu Deus...Eu vou morrer... Eu vou morrer... Eu vou morrer...Vou morrer no primeiro e único natal que consegui passar com meu namorado...Quando finalmente ficamos juntos...Eu vou morrer...
- Calma Peter, ainda temos chances.
- CHANCES? 20% ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE CHANCES?
- Eu já operei pacientes com menores chances que sobreviveram, tudo dará certo e depois você começará a quimioterapia.
- Eu sou enfermeiro doutor. Eu ouvi você dizer isso a diversos pacientes com leucemia, e muitos morreram.
- Peter, o seu caso é muito curioso. Você tem câncer no sangue há anos, e não foi por falta de exames que não foi detectado antes, ele simplesmente nunca apareceu. Agora o quadro está avançado demais, precisamos fazer uma cirurgia para fazer com que seu organismo volte a produzir células normais.
- Eu já entendi Doutor, eu só preciso ligar pro meu namorado, pode ser que eu nunca mais o veja. Ele ficará tão assustado quando souber disso tudo...
- Eu já deixei a mesa de cirurgia pronta Peter, cada minuto vale muito.
Ao sair da sala, eu logo dei de cara com Roy, com os olhos cheios de lagrimas, me abraçou forte e disse diversas vezes que não queria me perder, foi tão...Confortável. Mas como eu já havia percebido antes, Roy nunca mais disse que me amava, a ultima vez foi antes da sua ida a guerra. Simplesmente porque ele não sentia mais amor por mim, talvez paixão passageira, talvez atração, mas não amor. Mas isso não se percebe porque alguém que você ama não diz que te ama, você percebe pelas atitudes, pelo jeito, pelo sorriso e até mesmo pelo beijo. A cada palavra que saía de minha boca, mais lagrimas saiam dos meus olhos, eu não conseguia acreditar que no fim das contas eu não consegui fazer Roy me amar de novo, que o perdi e que fui fraco.
- Porque não me contou?
- Não me pergunte porque...Eu simplesmente não pude contar.
- Tudo bem Peter...Eu...
- Amor, eu te amo...
- Eu não quero te perder, justo hoje, justo agora.
- Roy...Eu sei que seu coração não pertence mais a mim...Que provavelmente ele não sinta nada por mais ninguém. Mas o meu coração pertence e sempre pertencerá a você, eu te amo mais que tudo.
- Peter eu...
- Não quero que fique triste caso eu não volte, quero que continue sua vida, que procure outros amores, que se apaixone outra vez, que viva com alguém o que não tivemos oportunidade de viver juntos.
- Eu não posso, eu não quero...
- Promete que não vai ficar em depre? Que vai procurar viver?
- Não posso prometer nada.
Puxei Roy pela cintura, colando seu corpo no meu, e o olhando serio, perguntei novamente:
- Promete?
- Eu prometo...
- Jura?
- Juro, Peter.
Eu pensava "mesmo que eu morra hoje, eu sei que amei Roy até meu ultimo suspiro, até meu ultimo minuto, mesmo que eu tenha perdido o amor dele, mesmo que eu não passe outro natal com ele, eu o amei além dos meus limites, e sei que nunca me arrependeria disso, porque o Roy merecia mais do que ninguém ser amado.
Liguei para os meus pais, eles já sabiam da doença, mas não do quadro em que se encontrava, vieram logo para o hospital, a despedida foi cruel.
- Peter, mesmo você não sendo nosso filho, eu te amo de todo o meu coração, eu não posso te perder.
- Calma pai...
- Eu não quero que opere, porque tem que ser hoje?
- Difícil de explicar pai...Eu posso simplesmente morrer a qualquer minuto...
- Mas porque filho? Seu cabelo nem esta caindo...Porque está tão grave.
- Pai a doença estava oculta, eu não sei exatamente o que está acontecendo...Eu preciso ir...
Eu dei um abraço forte em meus pais, e depois fiquei minutos abraçado a Roy sem dizer uma palavra...Quando nos soltamos eu fiz um pedido a ele:
- Se lembra quando falávamos sobre morarmos juntos e dizíamos que com certeza teríamos um cachorro labrador...Caso eu não volte...Quero que o compre, e o trate com o maior amor possível...Eu estarei dentro dele, estarei com você.
Enquanto eu caminhava em direção a sala de cirurgia, me virei para trás e disse a Roy, bem baixinho, nem sei se ele foi capaz de me ouvir:
- Viva...Por mim. – E sorri.
Continua...
