Capitulo 37 – Amor é tudo
Depois de muitos dias visitando Michael, finalmente ele recebeu alta. A cada dia que eu o visitava eu me apaixonava mais por ele, pelo seu jeito e por quem ele era.
Voltei a morar com Michael e passei a cuidar dele, ele estava muito fraco devido à cirurgia e a doença.
Michael dizia o tempo todo me amar, costumava dormir me olhando e segurando forte a minha mão, cada dia com ele era mais perfeito.
Uma semana depois, Peter me ligou preocupado, disse que queria almoçar comigo. Marcamos num restaurante que Peter escolheu. Deixei Michael dormindo, ele ainda estava muito fraco e naquele mesmo dia me encontrei com Peter.
Logo que cheguei, estranhei o sorriso de Peter, ele não parecia chateado por eu estar com Michael, parecia não se importar. Mas novamente, me enganei.
- Roy! 15 minutos atrasado, típico de você. – Disse ele sorrindo.
- Peguei um transito imenso antes de chegar, desculpa. – Eu respondi me sentando.
- Sem problemas. Como você está?
- Bem, e você?
- Poderia estar melhor...Eu queria conversar com você.
- Estou bem aqui.
- Bem, é sobre Michael.
- Michael?
- Sim, eu estava conversando com o Doutor, e ele disse que seria bom se Michael tivesse uma enfermeira por perto.
- Serio?
- Sim, devia contratar uma, se quiser eu conheço varias.
- Vou falar com Michael.
- Isso, fale.
- Peter...
- Sim?
- Muito obrigado...Mas
- Mas?
- Mas porque está fazendo isso? Sabe...Sendo tão generoso e...
- Como por que? Porque te amo Roy.
- Mas Peter...Eu...Eu estou com Michael e...
- Não me importa, eu sei que deixei nosso amor morrer, ou melhor o seu amor por mim. Mas não vai ser por isso que vou desistir de você, que vou deixar te amar. Muito pelo contrario, isso só me motiva a te reconquistar. Alem disso, eu desejo o melhor para Michael, e eu lhe devo uma.
- Lhe deve?
- Sim...Quando você entrou em coma, Michael ia todos os dias no hospital te ver, todos os dias mesmo...
- Serio? Mas quando eu acordei ele não estava lá.
- Não estava porque eu lhe pedi que fosse embora quando acordasse.
- Porque fez isso?
- Eu disse a ele que precisava de uma oportunidade de te fazer feliz, de te reconquistar. Caso eu fracasse eu não ficaria no caminho entre vocês.
- Nossa...
- Mas Michael foi tão adorável comigo, tão compreensivo que eu não posso apenas sair do caminho dele, eu quero vê-lo bem.
- Peter...
- Mesmo que isso acabe me custando...Você.
- Não faz sentido...
- O que?
- Sua decisão, não parece você.
- O quanto do eu de hoje você conhece amor? – Disse Peter passando uma das mãos no meu rosto. - Você só tem lembranças do meu eu adolescente, idiota, inconseqüentes, imaturo, covarde...
- Obrigado...Peter.
Voltei pra casa...Pensativo. Eu ainda não conseguia entender tamanha generosidade de Peter. Meu Deus será que ele havia de se tornado uma pessoa tão maravilhosa? Ele não merecia que eu o magoasse. Peter foi meu primeiro amor, foi. Mas a chama entre nós não se apagava totalmente, não adiantava. Se eu estava com Michael, sentia falta de Peter. Se eu estava com Peter, precisava de Michael. Céus eu precisava dos dois, impossível? Bem, aprendi que nada, nada é impossível nessa vida.
Nossa vida funciona como um jogo, e vence aquele que saber jogar melhor. Não se limitar é o segredo da vitória, sempre.
Na manhã seguinte, comentei com Michael o que Peter havia me dito sobre a enfermeira.
- Amor? Acorde.
- Café na cama? Você é fofo demais em Roy...Eu te amo. – Disse Michael me olhando nos olhos.
- Como se sente?
- Me sinto ótimo. Por mim sai correndo pelado.
- Seu bobo. – Eu respondi rindo.
- E você?
- Me sinto ótimo, mas não pra sair correndo pelado...
- Eu te amo tanto Roy...
- Antes que eu me esqueça, ontem fui almoçar com Peter e...
- È? Eu ouvi você saindo.
- Então...Ele me disse que seria bom termos uma enfermeira a disposição.
- Enfermeira? Não quero colocar mulher aqui dentro.
- Porque não, machista?
- Porque tem muita mulher oferecida, sei lá. Não me do bem com mulheres. Mas porque Peter disse isso? Ele é enfermeiro.
- Hã? Mas ele não poderia vir morar conosco...
- Não? Porque?
- Poderia?
- Claro.
- O que tem entre vocês?
- O que foi Roy?
- Por que vocês ficam se ajudando? Eu não entendo! Vocês deveriam se odiar!
- Devíamos?
- Sim! Vocês amam a mesma pessoa...
- Só por isso?
- Só?
- Amor é tudo Roy.
- Como assim? Se é tudo, porque se ajudam dessa maneira? Porque não são rivais...
- Minha criança, como você é inocente...Se eu odiasse Peter que lucro isso me traria? Alem disso ele não é alguém que se consiga odiar. Eu gosto dele.
- Gosta?
- Sim. Ele é dócil, é amável.
- Eu juro que não entendo vocês.
- Você precisa amadurecer Roy...Amor é tudo. Te faz fazer o de tudo pra ver quem você ama feliz, simples.
- Então faz isso...Por mim?
- Claro.
- Michael...
- Agora ligue pro Peter, e diga que quero que venha morar conosco. Ele vai gostar da idéia, alem disso se ele quer se medico nada melhor que conviver com um, tenho diversos livros de medicina.
Eles eram simplesmente...Maravilhosos
E eu? Eu era simplesmente...Imaturo demais pra compreendê-los.
Continua...
