Quando Mary sentou ao seu lado naquela manhã fria de sol de maio, Elisabeth não supôs que a cunhada tivesse algo a lhe dizer que fosse mudar sua vida para sempre. Sabia que havia algo de diferente em suas feições e em seus hábitos há algumas semanas. Sabia que John e ela estavam mais apaixonados do que Elisabeth jamais vira desde que começara a morar com eles. Mas não fazia a menor ideia do que estava por vir.
"Lizzie, querida, eu e seu irmão temos uma notícia para lhe dar." Ergueu os olhos do seu prato e viu a ambos sentados juntos do outro lado da mesa. Aceitou a mão que Mary lhe oferecia e retribuiu o sorriso, sem estar certa de que devia sorrir ou não.
"Na verdade, é uma grande notícia que gera várias outras notícias, não tão maravilhosas quanto." Elisabeth nunca tinha visto John tão feliz, tão radiante quanto naquela manhã. Guardaria a imagem dos dois sorrindo, juntos e felizes, para sempre em seu coração, pensou.
"Estou grávida." Mary nunca foi de meias-palavras ou meias-notícias e despejou a grande notícia assim, simples e direta. Elisabeth arregalou os olhos, certa de que deveria ficar exultante, mas ainda estava com medo das outras notícias. Deu as felicitações a eles da forma mais empolgada e sincera que conseguiu, feliz pela felicidade dos dois, se perguntando se ela algum dia teria uma felicidade assim.
"Portanto, essa casa se torna agora pequena demais para a nossa família. Não precisa fazer essa expressão, irmãzinha, não estamos expulsando você." A risada de John fez com que o sentimento de intrusão de Elisabeth crescesse. Se não estavam expulsando-a, o que fariam com ela? "Nós decidimos vender a Mansão Watson e usar o dinheiro para comprar uma casa maior, que caibam nós dois, você e todos os filhotes que eu e Mary venhamos a ter." Mary apertou com mais força a mão de Elisabeth, sorrindo com mais franqueza ainda. "Uma parte da venda da casa será colocada em uma poupança em seu nome, Lizzie, para que você use como seu dote. O dinheiro em si de papai foi esvaziado pela víbora da esposa dele, então eu vou dar um pouco para você. Não proteste. Considere isso como um presente de casamento adiantado."
"Eu nem sei se vou me casar um dia, John. Isso não faz sentido. A Mansão é herança da sua mãe, eu não tenho nada a ver com isso."
"Claro que vai se casar!" Quem protestou foi Mary. "Não, não quero ver você solitária sendo a ama-seca de nossos filhos sem um lar para chamar de seu. Você nunca saberá o que é a verdadeira independência até ser a senhora de sua própria casa, Elisabeth. E devo dizer que a única maneira digna de fazer isso é pelo casamento." Elisabeth olhou para o próprio prato. Não se incomodava em não ser "verdadeiramente independente" se isso não significasse ficar presa a um homem que não amava pelo resto de sua vida.
"Bem, podemos discutir isso depois, certo?" John, sempre conciliador, interrompeu a tempestade que se aproximava. "Além de comunicar os dois grandes acontecimentos, Mary e eu queríamos pedir uma coisa a você, Lizzie. Você seria madrinha do nosso filho?" Dessa vez Elisabeth não precisou saber como reagir, seus sentimentos foram límpidos e sem máculas, então apenas riu de prazer e exclamou "Claro que sim!" com toda a real alegria que sentia. Um sobrinho. Um bebê para segurar, brincar, mimar. Já tinha visto bebês na rua e eles eram as coisinhas mais rosadas, fofas, gordas e deliciosas que Elisabeth podia imaginar. Isso e cãezinhos. "Ótimo! Faremos um jantar ainda hoje para comunicar aos mais íntimos sobre a boa nova. Pensamos em chamar Dr. Doyle e a esposa, se Louise estiver bem de saúde, Dr. Prendergast, meu sócio, e esposa também, Mrs. Cecil Forrester e, por fim, Mr. Holmes. Mais alguma sugestão?"
"Pensei em chamar o adorável Dr. Hector Bigelow, Lizzie, o que acha?" Nem grávida Mary esquecia seus ímpetos de casamenteira! Elisabeth precisava pensar em algo rápido para justificar o seu desejo de não convidarem Hector. Sim, ela não queria que o jovem Dr. Bigelow e sua insistente corte desviassem sua atenção para a felicidade do irmão e da cunhada.
"Acho que não é uma boa ideia, Mary. Essa casa é pequena e, se convidássemos Hector Bigelow sem chamar seu irmão, a esposa dele, suas irmãs, o noivo de Helen e o Dr. Bigelow-pai e esposa, seria extremamente indelicado. Devo lembrar que Dr. Hector Bigelow é apenas meu amigo, não existindo nenhum motivo educado para convidá-lo em particular para um jantar familiar." Estava ficando cada vez melhor em suas desculpas, porque John e Mary concordaram imediatamente com sua argumentação. Embora Mary não tenha ficado de todo satisfeita. Não sabia dizer se era porque Elisabeth tinha declarado que ela e Hector Bigelow eram apenas amigos ou porque Holmes estaria na casa deles para jantar pela primeira vez em dois meses e não haveria ninguém para distrair a atenção de Elisabeth do fato.
Passou o resto do dia em cólicas de ansiedade, andando por Londres na companhia de Pearl sem nenhum objetivo específico. No meio da tarde, trancou-se em seu quarto para escolher que vestido usar. Estava muito quente para usar o vestido verde que ele tinha lhe dado de aniversário e não era uma ocasião tão chique para usar o vestido branco que trajara no sarau dos Bigelow. Optou pelo vestido azul que Olivia tinha lhe feito há um tempo e que usava para ir ao teatro. Ele e um colar simples de pérolas, com os cabelos arrumados delicadamente em cachos bem feitos que começavam a atingir suas costas era o bastante para uma noite tão íntima e importante. Desceu para a sala de jantar faltando três minutos para as sete. Ao vê-la arrumada, Mary sorriu em aprovação e Elisabeth soube que tinha feito a escolha certa de roupas.
"Lizzie, você está cada dia mais linda!" John andou até ela com um de seus sorrisos francos e braços abertos para abraçá-la. Beijou o topo de sua cabeça com afeto antes de continuar a falar. "Há algo de novo na segurança com que você mantém sua postura e com que caminha. Algo de forte. Estou muito orgulhoso dos seus progressos, minha irmã." Elisabeth sorriu de volta e o abraçou com força antes de dar dois passos para trás.
"Não consigo nem expressar quão feliz estou por vocês dois e quão orgulhosa estou por ter sido escolhida para madrinha do bebê mais aguardado de todos os tempos." John e Mary riram, satisfeitos, e seu irmão andou até a esposa para beijá-la no rosto.
"Não poderíamos pensar em nenhuma outra mulher adequada ao cargo, Elisabeth. Você aprenderá com Mary cada detalhe de cuidar de um bebê ao ser madrinha do pequerrucho e tenho certeza de que será a mais dedicada madrinha de todas." Elisabeth não podia fazer nada além de concordar e sentar-se ao piano para praticar um pouco mais de "Um sonho de amor", de Liszt, a música pela qual estava atualmente apaixonada e que já tocava quase perfeitamente.
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Holmes chegou à residência dos Watson aproximadamente às sete e dez da noite, quando a maioria dos outros convidados já se encontrava lá. Não fazia ideia do porque Watson tinha decidido convidá-lo para jantar, mas seu amigo escrevera no convite que ele estava "terminantemente proibido de recusá-lo". Dr. Doyle já estava lá, sem Louise, que estava fraca demais para sair de casa; assim como Dr. Prendergast e esposa. Faltavam apenas ele e Mrs. Cecil Forrester para que todos os convidados estivessem lá, conforme lhe informou Pearl à entrada. A criadinha crescera bastante no último ano e meio e agora começava a ganhar traços mais adultos, mesclados com seu rosto infantil.
Para piorar a estranha situação social, Elisabeth estava lá, sentada ao piano e decidida a ignorar os presentes. Usava o vestido azul que vira pela primeira vez quando foram assistir a "A Bela Adormecida". Era um belo vestido, com um belo decote, e fazia com que Holmes sentisse raiva de Olivia por ter escolhido um tecido de tom mais claro do que os olhos de Elisabeth, que os tornava mais brilhantes.
Aqueles dois meses longe dela serviram para arruinar seu processo de dessensibilização à presença de Elisabeth. Ela não levantou do piano para cumprimentá-lo, na verdade, não o cumprimentou, mantendo-se focada em sua música e ele não saberia dizer se isso o deixou satisfeito ou incomodado. Não estando interessado na conversa das mulheres ou na conversa dos médicos, deu a desculpa de que precisava fumar e saiu para o jardim dos fundos, de modo que não tivesse que interagir com a única pessoa que estava à parte de todas as conversas.
Terminava o fumo de seu cachimbo e Holmes já se preparava para voltar à sala de jantar quando ouviu passos na grama atrás dele. Não precisava se virar para saber quem era.
"Fico feliz que tenha conseguido comparecer, mesmo com o ritmo tão frenético que tem levado sua vida. Vi os novos manuscritos de John, são fascinantes." Ele manteve-se de costas, sem responder, na esperança de que ela fosse embora. Elisabeth andou mais um pouco em sua direção, fazendo com que o coração dele se retorcesse de ansiedade. O que ela queria? O que poderia querer? Ouviu sua risada amarga e tentou se concentrar no que lhe dissera Olivia, sobre parar de feri-la com sua aproximação dúbia. "Vejo que sua prima estava certa. Você realmente acha que eu sou uma criança idiota e finalmente cansou de mim. Nem dirigir a palavra você dirigiu a mim, Holmes." Ela deu uma pausa, como se esperasse que ele a contradissesse. Holmes apenas reencheu o cachimbo e o acendeu, esperando por algum final dramático que não aconteceu. Elisabeth apenas suspirou e, antes de voltar para dentro, deixou uma acusação no ar. "Não vou mais perturbá-lo então, Holmes. Eu fui realmente idiota de ter acreditado em você no Natal, quando disse que não ia me deixar sozinha. Se você soubesse o que tem acontecido dentro de mim..."
Ele não se virou depois que Elisabeth fechou as portas de vidro. Permaneceu ali, fumando e tentando se convencer de que de fato fazia o melhor para todos. Entrou quando Mary veio chamá-lo para o jantar. Estranhamente, ela não estava na defensiva perto de Holmes como costumava fazer desde que percebera a atração mútua entre ele e Elisabeth. Parecia tranquila, relaxada, como se tivesse certeza de que algo que ela vinha planejando ia acontecer. Será que aquele sargento ruivo tivera sucesso em sua corte desajeitada à Elisabeth?
"Eu convidei aqui nossos amigos mais próximos para fazer um anúncio que deixará todos muito felizes." Watson interrompeu a linha de pensamentos de Holmes – que percebeu imediatamente que vinha observando Elisabeth discretamente desde que entrara na sala de jantar – ao se erguer de sua cadeira depois da refeição. Após concluir a frase que interrompeu todas as conversas, o doutor pegou uma taça de vinho e ergueu-a em forma de brinde na direção de sua esposa, sentada do outro lado da mesa. "Gostaria que todos soubessem que minha amada esposa, Mrs. Mary Watson, me dá a imensa alegria de estar carregando um filho meu." Todos pegaram também suas taças e, muito felizes, brindaram a Mary e ao bebê. Quando a primeira rodada de brindes terminou, John prosseguiu. "Obrigado a todos, amigos. Agora minha irmã, Elisabeth, por favor nos delicie com aquela música de Liszt que você vem praticando há semanas, sim?" Elisabeth assentiu, ficando imediatamente pálida e caminhou até o piano. Todos se levantaram e se acomodaram pela sala para ouvi-la tocar.
Holmes pôde notar que as mãos dela estavam trêmulas enquanto ajeitava as partituras, mas ficaram imediatamente firmes no momento em que tocou a primeira nota. Como ela havia progredido! E o correr de seus braços pelas teclas fazia com que seus cachos também se mexessem, acompanhando o subir e descer dos ombros, parcialmente desnudos pelo corte do vestido. Novamente Watson interrompeu as divagações de Holmes, interrupção essa que ele pôde apenas agradecer, por desviá-lo do magnetismo que Elisabeth exercia sobre ele.
"Holmes, eu tenho um pedido a fazer para você."
"Claro, Watson. Diga." Olhou seu amigo com afeição. Ainda bem que conseguiam trabalhar juntos fora daquela casa, fora da influência daquelas mulheres, senão Holmes provavelmente teria perdido o laço que os unia naquela confusão com Elisabeth.
"Você seria o padrinho do meu filho?" Holmes surpreendeu-se com razão, já que era conhecido por não ter habilidade nenhuma com crianças e por não buscar a companhia delas. Na verdade, só começou a gostar de seus sobrinhos depois que eles fizeram oito anos.
"Watson..."
"Você é o homem em que mais confio no mundo. Meu melhor amigo. Confiei a vida de minha irmã a você quando não tinha mais ninguém a quem recorrer e tenho certeza de que posso confiar a vida de meu filho a você, caso seja necessário. Confio minha vida a você, se for preciso, Holmes. Sei que não gosta muito de crianças, mas ele vai crescer e, até crescer, terá a mãe para mimá-lo..."
"E se for uma menina?" Watson parou por um instante para considerar a possibilidade e sorriu em seguida ao imaginar uma menininha com os amáveis traços de Mary.
"Se for uma menina tenho certeza de que ela irá enfeitiçá-lo e você vai mimá-la mais do que mimou Elisabeth. Não conteste, Holmes, você mimou Elisabeth mais do que um pai viúvo mimaria sua única filha. Mas eu tenho certeza de que é um menino. Sinto aqui dentro." Holmes riu da superstição de Watson e deu-lhe tapas amigáveis no braço.
"Claro que aceito, meu amigo. Você é o melhor de todos." Watson abriu um sorriso imenso com a afirmativa e teve de se conter para não rir alto de alegria.
"Com você e Elisa como padrinhos, essa criança será a mais sortuda do mundo!"
Diante disso, Holmes sentiu uma onda de pânico descendo por seu esôfago até o estômago como uma pedra de gelo imensa engolida por acaso. Olhou para a moça ao piano, que se balançava suavemente no ritmo da música. Olhou para suas costas delgadas e seus braços roliços. Ser padrinho de uma criança que era afilhada também de Elisabeth criava um laço indissolúvel entre eles. Como lidar com isso? Como encaixar isso em seu plano de fugir dela? Se soubesse antes quem seria a madrinha, teria aceitado o convite? Tentou manter o sorriso para não alarmar Watson e pediu licença para servir-se de mais um copo de vinho.
Elisabeth concluiu sua música e levantou do piano, indo confraternizar com as outras pessoas presentes no cômodo. Holmes passou a noite sem falar com ela, o que não demandou esforço algum, já que ela se afastava assim que o via se aproximar de alguém.
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Elisabeth acordou no meio da noite sentindo o coração pular louco dentro do peito e a respiração entrecortada. Para piorar, suas coxas encontravam-se meladas de uma gosma que ela nunca tinha visto antes.
Sonhara com Holmes. Com seu cheiro que ela ainda lembrava ter sentido na noite de Natal em que se abraçaram, com seus cabelos negros e lisos, com seus olhos inteligentes. Sonhou que estava nua e ele estava nu também, embora nunca tivesse visto um homem nu e em seu sonho a nudez dele não aparecia, e se abraçavam. As mãos dele acariciavam suas costas e o contorno de seus quadris, seu nariz roçava a curva do pescoço e os lábios que ela imaginava serem macios beijavam sua pele, seu rosto, beijavam seus lábios, embora ninguém nunca tivesse acariciado Elisabeth assim. Sabia que homens e mulheres faziam essas coisas nus porque Olivia lhe explicara há pouco tempo, a pedido de uma Elisabeth curiosa, que era no toque da pele desnuda que se produziam os maiores prazeres humanos.
Subiu sua camisola e meteu uma das mãos no meio das pernas, querendo descobrir que gosma era aquela. Ela vinha de seu lugar mais íntimo, que pulsava quase tão frenético quanto o coração e que produziu arrepios de prazer com o toque fugaz dos dedos de Elisabeth. Mary já tinha lhe dito que não devíamos nos entregar a prazeres hedonistas do corpo nu e que apenas os maridos deveriam tocar mulheres direitas naquela região, mas Olivia lhe dissera que era bom ir descobrindo seu corpo até para que o toque de seu marido lhe desse mais prazer. E aquele toque tão íntimo, tão seu, tão secreto, era tão bom, tão descompromissado... Repassou em sua mente os detalhes do seu primeiro sonho erótico de virgem enquanto esfregava, desajeitada, a pele mole e avermelhada de sua vagina.
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Depois daquele sonho e da primeira vez em que se masturbara – e atingira sem saber o orgasmo –, nada nunca mais foi igual na vida de Elisabeth. Não conseguia olhar para Mary sem se sentir culpada por ter desobedecido a suas ordens ou para Hector sem desejar que ele a beijasse, para saber se iria sentir-se tão excitada quanto em seu sonho.
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Em uma tarde quente de julho, quando Elisabeth se abrigava do calor na fresca sala de música dos Bigelow e esperava Helen retornar de seu passeio com Harry e as pequenas Bigelow, a jovem foi surpreendida pela intrusão súbita de Hector em seu pequeno treino ao piano.
"Cheguei mais cedo do trabalho em casa e me perguntei quem estava aqui, tocando tão angelicamente esse piano. Helen só toca para plateias, Penelope prefere cantar e Cassandra não tem muito talento musical, preferindo a pintura. O que está fazendo aqui, sozinha?"
Elisabeth corou, percebendo que só estavam os dois e os criados naquela casa. Lembrou de sua ideia fixa de ser beijada e tentou se concentrar, levantando de onde estava sentada e caminhando até a janela mais próxima.
"Sua irmã pediu que eu viesse para cá tomar chá com ela e, como minha casa está uma bagunça graças à mudança, eu vim mais cedo. O meu piano não tem cauda e o de vocês nunca é usado, então..." Hector riu, interrompendo suas desculpas balbuciadas, e caminhou até ela, parando à sua esquerda na janela e olhando também para a paisagem lá fora. Era um dia bonito de sol, pena que quente demais para a compleição delicada de Elisabeth.
"Não precisa ficar se explicando, Elisa." Virou-se para olhá-la e Elisabeth percebeu que o sol batia em seus olhos, deixando-os cheios de tons de verde. Ele era tão bonito... E estava tão perto dela, tão sedutor... Elisabeth deixou que a mão esquerda se apoiasse no parapeito da janela, perto do corpo de Hector. Seu sinal foi compreendido por ele, que pousou a mão direita em cima da dela e levou-a ao seu peito, que batia descompassado.
"Vê? Quando a conheci, nunca poderia supor que ficaria assim por você, Elisa. Elisa... Elisa... Adoro o seu nome, adoro o seu rosto. Eu adoro você, Elisabeth. Ouso dizer... Ouso dizer que amo você." Ela sentiu seu coração bater descompassado diante de tal declaração. Amor? Ele a amava? Isso a deixava tão lisonjeada! Tão feliz! Será que poderia amá-lo também? Baixou o olhar para pensar nisso sem seus olhos verdes cobrando respostas dela.
"Você é uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida, Hector. Obrigada por ser paciente, eu sei que um dia vou amá-lo de volta." Não teve chance de erguer o olhar para ver a reação de Hector. Como sempre, ele preferiu demonstrá-la ao invés de divagar a respeito. Pela primeira vez em sua vida, Elisabeth beijou um rapaz. Hector permitiu apenas que seus lábios ficassem juntos por alguns segundos, talvez um minuto, sem mover nenhum músculo de seu corpo. Com isso, Elisabeth se pegou pensando no que aconteceria depois, em como estaria Mary em casa e como seria péssimo se alguém chegasse e os visse daquele jeito. Pensou em várias coisas e sentia-se um pouco agitada com a descoberta de algo novo, com a descoberta de como era curioso ter lábios rijos prensados contra o seu de forma delicada, mas não se sentiu excitada como com seu sonho. Talvez precisasse de mais do que isso para atingir a excitação, porém sua mão continuava prensada contra o peito de Hector e ela podia sentir seu coração descompassado e, ao se separarem, pôde ver todo o brilho de felicidade irradiando dele. Para ele, não foi necessário mais nada para ficar animado e feliz com o toque. Será que o problema era com Elisabeth?
"Case-se comigo." Ele sussurrou. Dessa vez, Elisabeth ficou apavorada. Sabia que o dia do fatídico pedido viria mais cedo ou mais tarde, mas não podia ser mais tarde? Não queria rejeitá-lo, só queria querer aceitá-lo.
"Hector, eu..." Olhou para o chão, queria fugir daquela situação, queria nunca tê-lo beijado para que ele não ficasse achando coisas. Adorava aquele homem na sua frente, mas não ficava excitada em imaginá-lo nu como Olivia disse que acontecia quando amamos as pessoas como cônjuges têm de se amar.
"Não, tudo bem. Não precisa responder agora. Não definitivamente." O moreno apertou sua mão com mais força, como se tivesse percebido que ela queria fugir. "Ao menos me diga que considerará essa possibilidade. Que ela não lhe causa repugnância, Elisabeth. Diga que será minha namorada secreta e que me permitirá acariciar seus cabelos quando ninguém estiver olhando. Eu nunca vou atentar contra sua honra ou fazer nada que a impossibilite de casar com outro homem, se você assim o desejar no fim das contas, mas não fuja de mim. Não depois que meus lábios conheceram os seus. Eu te amo, Elisabeth." Ela piscou algumas vezes, aturdida. A possibilidade que ele lhe oferecia não era ruim, na verdade. E o seu afeto por ele podia ir crescendo enquanto namoravam escondido. De repente, ela passava a desejá-lo no meio de um dos seus beijos...
"Sim. Eu vou me esforçar para amar você. Eu serei sua namorada secreta, se você cumprir tudo o que prometeu."
"Eu cumprirei. E, no futuro, você será a noiva mais feliz do mundo, minha querida." Elisabeth só queria poder acreditar nas palavras dele.
