SOLITUDE AETERNUS

PRIIIIIIMMM!!!

Todo dia a mesma coisa. O aviso irritante do despertador anunciava o inicio de um novo dia que sempre é, e parece que sempre será, muito parecido com o anterior.

Eric Assis acha a rotina dos seus dias maçante. Às vezes ele chega até a sentir que todos os seus dias são iguais.

Eric acorda cedo, seis horas da manhã já está de pé. Logo após levantar-se da cama e tomar seu banho, o trabalhador toma seu café com pão e mortadela e sai pro batente.

- Diabos! - Reclama Eric.

Sete horas. Eric chega ao ponto de ônibus que fica na esquina de sua rua. Seu transporte costuma passar seis e quarenta. Ele chegou atrasado. Isso significava duas coisas:

1 – Eric ia chegar tarde ao trabalho

2 - Eric ia ter que ouvir um chilique do seu chefe.

Os minutos vão passando. – Será que estão em greve de novo? – Se perguntava Eric, se referindo aos motoristas de ônibus. Sete e quarenta da manhã e nenhum transporte havia passado pelo ponto. Nenhum mesmo. Nem ônibus, nem caminhões, nem motos e nem carros.

Após remover seus problemas habituais da cabeça, Eric nota uma coisa peculiar. Não havia ninguém na rua, nenhuma alma viva. Isso era estranho, inclusive nesse horário. Quando todo mundo saia para trabalhar.

Após ficar mais algum tempo esperando no ponto, Eric resolve voltar pra casa e ligar para empresa em que trabalha pra avisar que não encontrou transporte.

A casa de Eric era simples. O bairro em que ele morava também. Tudo muito humilde, muito precário. Eric vivia bem na periferia de sua cidade. Seu emprego também não é muito invejável. Ele é faxineiro em uma pequena empresa de calçados. O salário é mínimo, as chances de melhorar de vida também.

.....

O telefone não fazia nenhum barulho, não dava nenhum sinal de vida. Estava mudo. Com certeza aquele dia veio para quebrar a monotonia dos seus dias. Não de uma maneira positiva, pelo que podemos ver.

- Desgraça! – Reclama Eric.

Irritado com sua falta de sorte, o faxineiro volta à rua e decide ir até a casa de um dos seus vizinhos para pedir emprestado um telefone ou um aparelho celular.

Toc! Toc! Toc!

Ninguém em casa.

Toc! Toc! Toc!

Ninguém nessa também.

Toc! Toc! Toc!

Nessa também não.

Toc! Toc! Toc!

Também não.

Toc! Toc! Toc!

Não.

Toc! Toc! Toc!

Não.

Toc! Toc! Toc!

Não.

Nove horas da manhã - Eric para de bater na porta das casas de sua rua e começa a bater na porta das casas das ruas que estavam ao redor. Ninguém apareceu.

Dez horas da manhã – Eric sai andando pela cidade, sem destino certo, em busca de alguma pessoa. Não encontra ninguém. Alias, para ser mais especifico, não encontra nenhum ser vivo. Nem mesmo um cão, um gato. Sequer um pássaro, um rato, ou até mesmo uma barata ou uma formiga.

- AAAAHHHHHH!!

Eric tinha muitos motivos para odiar sua rotina, mas agora não se lembrava de mais nenhum deles. Só queria voltar a ter um dia normal.

- Tem alguém aí?

Uma voz! Eric tem a impressão de ter ouvido uma pergunta, mas não tem certeza se ela pertence a alguém de carne e osso ou se não passou de algo vindo de sua cabeça.

- Oi?

Ele ouve a voz novamente. – Quem está aí? – Pergunta Eric desesperadamente sem saber ao certo se estava falando sozinho ou com alguém.

- Eric? É você Eric? É tia Neca, menino!!

- Tia Neca? Onde está a senhora?! – Há muitos anos Eric não vê sua tia. Ele dizia que era porque não tinha muito tempo. Mentira. A verdade é que ele nunca gostou muito da velha. Ele achava-a chata. Principalmente quando ela vinha com aquela conversa sobre espiritismo. Religião essa que ele nunca acreditou. Pra falar a verdade, ele nunca acreditou em nenhuma.

- Eric? O tempo é curto. – Dizia a voz. Enquanto isso o faxineiro ficava no meio da rua, olhando de um lado para o outro naquela cidade deserta em busca de um sinal que revelasse onde se escondia tia Neca. – Estou com sua mãe aqui na sessão, meu filho?

- O quê?

- Eric, ela está aqui do meu lado, ela quer saber por que você fez isso?

- Fez o quê? Oi?

A voz da tia Neca sumiu e não apareceu mais. Por mais que Eric procurasse e gritasse ela não apareceu mais.

Seis horas da tarde - Desesperado, o faxineiro vai até o lugar mais alto que havia encontrado. No caso o alto de uma ribanceira que ficava atrás de um supermercado. E se joga de lá de cima. Durante os poucos segundos em que seu corpo demorou em chegar ao chão, Eric sentiu um estranho sentimento de Dejá Vu.

....

PRIIIIIIMMM!!!

Todo dia a mesma coisa. O aviso irritante do despertador anunciava o inicio de um novo dia que sempre é, e parece que sempre será, muito parecido com o anterior.

Eric Assis acha a rotina dos seus dias maçante. Às vezes ele chega até a sentir que todos os seus dias são iguais.