PORNGORE
Anajé é uma cidade pequena e litorânea. Daquele tipo de lugar bem pacato que não acontece quase nada o ano inteiro. Tipica cidade que alguém com mais de sessenta anos adora visitar pra tirar férias e quem tem menos de trinta odeia. Não é de se estranhar que qualquer coisa que o delegado tenha que fazer acabe se tornando o assunto do momento. Um batedor de carteira aqui, um bêbado brigão acolá... Não há muitas preocupações na rotina do trabalho do delegado Clovis. Isso é, até alguns meses atrás. Os fatos estranhos se desencadearam com a explosão da casa de um anajense idoso que tinha problemas mentais (ver Space Metal). Depois houve o primeiro homicídio da cidade em décadas. E agora, no que parece ser o desenrolar de mais um fato bizarro, Clovis se encontra interrogando uma senhora de idade que por vários anos ele julgava ser honesta e respeitável. O delegado mal consegue esconder seu desapontamento e sua ira.
- Eu já criei quatro meninas. Ninguém tem nada a ver com meu modo de impor disciplina! Fazer com que o filho sinta vergonha de seus erros é um método bem efetivo para incentivá-lo a não repeti-los. Algo muito usado nos Estados Unidos inclusive.
Após registrar o depoimento da acusada, Clovis mandou ela se retirar da sala e pediu para que avisassem à vitima que ela já podia entrar. A vitima era a filha da acusada. Uma jovem de vinte anos de idade. Pele bronzeada, um metro e cinquenta de altura, cabelos compridos bem pretos, quadril e busto avantajados. Apesar do corpo bem sensual, Clovis não se sentia sexualmente atraído por ela, pois praticamente a viu crescer. Ele a via mais ou menos do mesmo modo na qual um pai enxerga uma filha. Por causa disso para Clovis esse caso tinha um tom bem mais pessoal do que a maioria. A garota era muito tímida, aumentando ainda mais o sentimento de pena que Clovis tinha para com ela. Outro motivo que o deixava bem irritado foi o fato da vitima e da acusada morarem na mesma rua dele e ele nunca ter percebido nada.
- Muito bem, Jessica. Não tenha medo ou vergonha. Você sabe que pode contar comigo. Me diga o que essa bruxa fez com você.
Almoço em família.
- Nós estávamos tendo um almoço em família lá em casa. Eu estava em meu quarto me vestindo quando meu priminho insuportável andou silenciosamente atrás de mim. Eu estava usando apenas minha calcinha e meu sutiã. Eu comecei a gritar com ele para expulsá-lo do meu quarto, mas só consegui fazer com que ele risse de minha cara. Eu fiquei tão possessa que nem consegui pensar direito. Corri atrás dele, descendo as escadas e indo até o quintal onde minha mãe conversava com meu tio e minha tia. Só quando eles me viram foi que a ficha caiu. Eu estava apenas de calcinha e sutiã. Eu fiquei tão envergonhada, mas não pude fazer nada além de voltar correndo para dentro de casa. Mas, pro meu desespero, minha mãe me parou e fez com que eu me explicasse ali, vestida daquele jeito, na frente de todo mundo.
- Como de costume, ela preferiu acreditar no meu primo. O peste disse que eu o estava assustando, o que não era verdade.
- Pensei que eu ia ter que passar a tarde inteira trancada no quarto, mas minha mãe fez algo que eu não esperava. Ela trancou a porta! Minha mãe decidiu que seria uma boa forma de punição me fazer esperar do lado de fora pelo almoço em família vestida daquele jeito, semi-nua! Eu implorei a ela para que me deixasse entrar, mas ela fez que não ouviu. Mais parentes chegaram e eu só pude correr para de trás das moitas para esconder minha vergonha. Algo que não deu certo, pois eles não demoraram a me achar.
- Como se tudo isso já não fosse humilhante o suficiente, minha mãe disse que só ia me deixar entrar de volta em casa se eu fosse almoçar com o resto da família na mesa! Eu não tive escolha, então eu obedeci. Todos riam de mim enquanto eu comia. Inclusive minha mãe! Pra piorar alguns parentes me elogiaram pelo meu bom gosto em escolher calcinhas.
- Só pude voltar pra dentro de casa quando todo mundo já tinha ido embora.
Aprendendo a se desculpar.
- Certa vez eu fui suspensa da escola por provocar uma briga. Quando cheguei em casa e tive que contar o ocorrido pra minha mãe pensei que ela fosse arrancar o meu couro. Mas, pra minha surpresa, ela nada fez. Isso é, não fez nada na hora.
- De noite, quando eu já tinha até me esquecido do ocorrido, como de costume, depois do jantar, subi pro segundo andar da casa pra tomar um banho antes de me deitar. Durante meu banho eu ouvi a porta do banheiro se abrindo, mas não dei muita atenção a isso.
- Quando eu terminei com o banho eu percebi que minhas roupas não estavam mais onde eu as tinha deixado.
- Minha mãe gritou de lá de baixo pelo meu nome. Pedi para ela aguardar um pouco. No entanto, ela gritou de forma estérica para eu descer do jeito que eu estava. Como eu pensei que ela estava sozinha acabei obedecendo.
- Quando desci as escadas tomei um susto ao perceber que tinha gente de fora em casa. Tentei subir correndo, mas minha mãe me agarrou pelo braço e me puxou nua até onde as visitas estavam. Quem estava lá era minha colega de escola, a mesma com que eu havia brigado, e sua mãe. Minha mãe me colocou na frente das duas e me obrigou a pedir desculpas.
- Eu tentei cobrir minha parte intima e meus seios com as mãos, mas minha mãe me obrigou a ficar com os braços estirados. Minha colega começou a achar graça da minha nudez e, surpreendentemente, a mãe dela agia como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
- Minha mãe começou a falar algo como "a razão pela qual eu a chamei aqui foi para que Jessica pudesse se desculpar pela sua agressão." Então eu, de cabeça baixa, me desculpei. Em seguida as duas "adultas" começaram a conversar trivialidades enquanto eu continuei ali. Pelada na frente de todo mundo. Após alguns minutos, que mais pareciam uma eternidade, eu perguntei se eu podia subir pra me vestir. Minhão mãe ficou irada por eu interromper sua conversa e me disse para eu ficar quieta até ela terminar.
-Após quase uma hora ali, em pé, nua, a mãe da minha colega disse algo parecido com "olha, filha... ela tem um bela bundinha, não é?" Então todos começaram a rir, inclusive, alias não, principalmente, minha mãe. As duas senhoras terminaram a conversa e minha mãe levou as visitas para a porta. Mas eu continuei imóvel, ainda de castigo. Enquanto andavam, pra espezinhar ainda mais da minha situação, minha colega de classe deu um beliscão na minha bunda. Isso foi o fim da picada!
Ressaca.
- Eu estava na rua com algumas amigas voltando de uma festa a noite. Era mais ou menos quatro da manhã. Eu acabei bebendo um pouco além da conta e antes que percebesse já estava começando a fazer coisas que nunca iria fazer no meu estado normal. Pra minha sorte, minhas amigas me levaram pra casa antes que o pior acontecesse. No dia seguinte acordei com uma baita dor de cabeça e não consegui me lembrar de quase nada do dia anterior. Mas deduzi que boa coisa não havia acontecido assim que vi a cara enorme que minha mãe fez.
- Fiquei muito envergonhada ao ouvir de minha mãe que eu quase fiz um striptease no meio da rua. Como ela não estava na festa ontem, provavelmente minha mãe ficou sabendo disso de alguma das minhas amigas que me trouxeram pra casa.
- A história do meu vexame a deixou bastante irritada. Ela me chamou de tudo quanto era nome e disse que eu devia ser castigada por isso.
- Minha mãe me obrigou a fazer todo o trabalho doméstico naquele dia. Algo que eu normalmente não acharia nada demais, pois habitualmente eu já fazia isso. O pior mesmo foi o modo sádico com que ela queria que eu fizesse o trabalho.
- "Você não queria ficar sem roupa? Do que está reclamando?" Era mais ou menos isso que ela me disse quando me obrigou embaixo de porrada a passar o dia inteiro cuidando da casa sem roupa.
- Pra me deixar ainda mais constrangida a desgraçada gostava de fazer terrorismo. "Acho que você precisa ir comprar pão". Dizia a velha.
- O pior mesmo foram algumas tarefas como cuidar do quintal e pôr o lixo na rua. Também tive que fazer isso. Minha humilhação só não foi maior porque ninguém estava passando na rua enquanto eu fazia isso. Sorte minha.
Interrompendo Jessica, o delegado Clovis fez uma pergunta. - Mais ou menos que dia aconteceu isso?
- Semana passada, por quê?
- Não, nada não. - foi só agora que Clovis entendeu porque seu filho pré-adolescente, que nunca foi muito vaidoso, desde a semana passada estava tomando banhos tão demorados.
Colar na prova é errado.
- Isso aconteceu no último ano da escola e eu estava na minha aula de história. Estava tendo uma prova e como eu me esqueci de estudar tive que preparar uma pesca. Pro meu azar o professor me viu pescando e, além de tomar minha prova, disse para eu ir até a sala dos professores para receber uma punição. Pensei que ia levar uma advertência ou suspensão.
- Na sala dos professores fiquei sentada num canto esperando enquanto ligavam pra minha mãe. Em menos de dez minutos ela apareceu. Logo, minha mãe, a diretora e mais dois professores começaram a conversar sobre minha atitude.
- O pesadelo começou quando minha mãe me perguntou onde eu tinha escondido minha pesca. Eu, boba, respondi a verdade. Que escrevi a pesca no lado de dentro da minha blusa. Em uma atitude extremamente desproporcional, a velha resolveu tirar minha camisa. Eu estava lá, com o sutiã a mostra, sem ninguém fazer nada a respeito.
- "Você não tem mais pescas não, né?" Perguntou a velha. De modo incessante ela começou a procurar por outros lembretes escondidos no meu uniforme. Sem que nenhum dos professores presentes intercedessem por mim ela acabou me deixando sem nada. Estava eu lá, pelada na sala dos professores e todo mundo agia como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Clovis interrompeu Jessica mais uma vez. - Porra é essa? Meu filho estuda nessa escola também.
Após registrar o depoimento da moça ela foi liberada. Apesar de já ser maior de idade, Jessica não trabalhava, logo não tinha condições de se sustentar sozinha. No entanto ela tinha uns primos que moravam na capital que se prontificaram em dividir um apê até que ela conseguisse se ajeitar na vida pra seguir adiante.
Enquanto isso, na delegacia, a mãe de Jessica esperava atrás das grades até o dia do seu julgamento. - Cara, algumas situações aconteceram antes da moça ter dezoito anos. - Constatou Clovis. - Essa daí vai pegar uns vinte anos. No mínimo. - Após o décimo dia de prisão o comportamento da acusada mudou radicalmente. Não estava mais fria e distante, mas sim chorosa e mostrando arrependimento. - Viu, burra? - Disse Clovis. - Agora a ficha caiu, né? - Sem que ninguém houvesse notado, nesse meio tempo, uma espessa fumaça negra havia saído de dentro da boca da acusada e saído pela janela da prisão a fora.
Jessica, na capital, havia começado a faculdade e já tinha arranjado um bom emprego. O salário não era lá essas coisas, mas pra quem estava começando na carreira estava ótimo. Ela ainda morava com os primos (um rapaz e duas moças), no entanto agora ela estava dividindo as contas do apartamento. Não estava mais morando de favor.
Meses depois, quando os fantasmas do passado já tinham sido superados. Algo de muito estranho aconteceu enquanto ela e seus primos estavam jogando conversa fora em uma noite qualquer que não se tinha nada demais para fazer. - Lembra como você era no ginásio? - Perguntou um dos primos para a moça.
- Sim. Me lembro. Era bem gordinha.
- Gordinha? Gordinha era apelido! - Comentou uma das primas. Deixando Jessica meio desconcertada. Já que não gostava de se lembrar daquele período difícil da sua vida.
- Como você conseguiu mudar tanto?
- Sei lá, não fiz nada não. Acho que me dei bem com a idade. Só isso.
- Hehe. Não lembra do curandeiro não?
- É. Parece até piada, mas, coincidência ou não, foi depois que minha mãe me levou para aquele esquisitão lá de Anajé que eu comecei a ganhar corpo. Não sabia que vocês ainda se lembravam dele.
- Nós nos lembramos sim. A questão é: você se lembra o que ele te disse? - Jessica ficou assustada, pois nunca havia contado essa história pra ninguém. - Como eles sabiam disso? - se perguntou a moça.
- "Pra mostrar minha beleza para todos". Algo assim.
- Pois bem. Comece. - Jessica se levantou da cadeira tão assustada que acabou derrubando-a no chão. Inexplicavelmente os olhos de todos os seus primos ganharam um tom não natural. Estavam todos pretos. Um efeito que Jessica já tinha visto antes em sua mãe, mas que, por ser algo tão irreal, achou se tratar apenas de um sonho ou sua imaginação. Assim como das outras vezes, Jessica não teve outra opção a não ser tirar sua roupa e se deixar ficar despida na frente dos outros. Envergonhada e assustada, Jessica só pôde ficar agachada no canto da sala. Na tentativa de esconder o máximo possível sua nudez. No entanto, os seus primos-monstros pareciam não querer deixar ela em paz. Uma de suas primas abriu a porta do apartamento e para o desespero de Jessica disse:
- Priminha, vamos dar um passeio no prédio?
