MEIO-TERMO

POV EDWARD

Quatro dias.

Exatamente há quatro dias que não vejo nem a sombra da minha Bella. Apenas recebo notícias suas através de Alice ou de Rose quando ambas conseguem um tempo livre para ver seus respectivos namorados no nosso apartamento. E enquanto os casais têm a sua devida privacidade nos quartos, a mim, só resta permanecer na sala assistindo às competições ou noticiários na enorme TV de LCD, ou usar a internet, ou ainda, descer em direção à academia nos dias em que não há treino, a fim de liberar todo o estresse e angústia dos últimos dias.

Queria ter o dom de ler pensamentos; tentar desvendar os mistérios que cercam a mente humana. Mas principalmente, tentar adivinhar o que se passa na mente de Isabella Swan.

"Que inferno! Acho que vou enlouquecer desse jeito", pensei frustrado, ao mesmo tempo em que mudava de canal pela décima vez!

É inquietante quando não sabemos qual o próximo passo a seguir. Parece que estou em um daqueles labirintos com suas intermináveis curvas e paredes erguidas do nada à sua frente. Enquanto tento seguir os passos da razão para achar a saída mais razoável, sinto uma força superior puxando-me apara o núcleo central daquele labirinto. É a porra da parte emocional. Fico totalmente vacilante diante da minha ex-melhor amiga. Tento focar meus pensamentos no que estou fazendo quando estamos perto um do outro, mas basta apenas um olhar e um sorriso da parte dela para todo o esforço tornar-se inútil. Eu só quero encontrar um meio-termo. Embora no momento, acho muito difícil.

Vendo que nenhuma programação televisiva detinha a minha atenção, caminhei em direção ao quarto em busca do meu Ipod para tentar me livrar do tédio momentâneo. Faltava pouco para chegar ao estado melancólico. Talvez tenha sido uma péssima escolha ter ficado o dia todo trancafiado no apartamento. Definitivamente, não desejo chegar ao nível da insanidade para começar a falar com as paredes.

Depois de encontrar o bendito do aparelho, voltei para a sala a fim de me esparramar no sofá e relaxar. Porém, para alguém com uma estatura de 1,84 metros, o sofá não estava nada confortável. Impaciente, saí de lá e fui para a convidativa varanda.

O dia estava ensolarado e com algumas nuvens, mas sem previsão de chuva. A temperatura batendo na casa dos 24ºC, indicava ser um dia propício para tomar banho de sol.

O relógio central mostrava em seu visor que a hora estava mais próxima do famoso chá das cinco: 16h50. Debrucei-me na grade da varanda para contemplar a movimentação do imenso lugar que é o Parque Olímpico, onde se inclui a Vila Olímpica.

Atletas e não-atletas pareciam estar curtindo cada espaço da Vila. Alguns andavam de bicicleta, enquanto outros se divertiam em frente de suas acomodações. O movimento nas academias internas também aparentava ser intenso, já que havia à disposição das várias delegações 750 equipamentos de ginástica e 100 instrutores.

Para os mais famintos, o refeitório era um dos melhores lugares funcionando 24 horas, enquanto para àqueles viciados em jogo de bilhar, o centro de lazer parecia ser mais divertido.

Percebi que a disputa por um espaço no mural de assinaturas mostrava-se bastante acirrada. Acho que todos os envolvidos nas Olimpíadas queriam deixar suas mensagens. Provavelmente, eu também deixarei a minha.

Olhei mais adiante e vi uma concentração maior de pessoas indo e vindo ao chamado Village Plaza, onde ficam as lojas e outras facilidades para os atletas. Um lugar muito frequentado pela minha irmã consumista.

Sentindo um cansaço nas pernas por estar algum tempo em pé, saí da área da varanda em direção à sala. Queria esticar as pernas e então ouvir alguma música relaxante no Ipod. Assim que sentei no sofá, a campainha tocou. Com certeza não eram meus companheiros, já que estavam com uma cópia da chave.

Saí de onde estava sentado sem a menor vontade de saber quem era. Mas quando abri a porta dei um leve sorriso:

_Oi, pai. Que surpresa boa! – cumprimentei, puxando-o para um abraço.

_Olá, filho. Como vai?

_Vou bem. Entre.

_Você está só? Cadê os demais? – enquanto fechava a porta, vi que ele olhava ao redor como se estivesse procurando alguém.

_Estão com as namoradas andando por aí – revirei os olhos para algo tão óbvio.

Meu pai riu da minha expressão sentando-se no modesto sofá.

_E você, por quê não está andando por aí também? – perguntou curioso.

_Estou cansado – menti. _Aceita algo para beber? – peguei uma garrafa de água e uma de suco. _É só o que temos aqui – sorri, um pouco sem graça pelo fato do frigobar não estar abastecido, já que nos alimentávamos no refeitório.

_Aceito a água – entreguei a garrafa enquanto pegava um copo em cima do frigobar, mas meu pai o descartou, sorvendo o líquido pelo gargalo da minigarrafa.

_E Tanya, por quê não está aqui com você? – franziu o cenho, enquanto dei um suspiro profundo antes de falar o que havia acontecido.

_Terminamos. Na verdade, eu terminei – encarei-o aguardando por mais um pronunciamento.

Carlisle sempre foi uma pessoa discreta, assim como minha mãe e jamais interferiu nas escolhas pessoais e profissionais de seus filhos. Ele e Dona Esme sempre foram os nossos pilares de sustentação, fazendo-se presentes quando solicitados, além de serem bons ouvintes. Mas nesse exato momento, eu me sinto como um adolescente novamente tendo que conversar com seu pai sobre a vida sentimental.

_Oh! – a surpresa era nítida em seu rosto.

_Por quê o espanto, pai? – sorri, esperando seu argumento a respeito do assunto.

_Bom, meu filho... – meneou a cabeça como se estivesse procurando as palavras certas – nas poucas vezes que fui ver você em Washington, Tanya sempre estava presente no dormitório. Vocês pareciam ser um casal bem intenso. E ela demonstrava ser bem possessiva, mas como você permitia esse controle, achei que gostasse muito dela ou que fosse apaixonado – sorriu meio sem graça e acabei soltando uma risada.

_Bem, então a imagem que passei ao senhor foi totalmente oposta ao que vivia e enxergava. Eu nunca a amei, pai. Nosso relacionamento era puramente carnal, pelo menos para mim.

_Compreendo. Mas para ela parecia bem diferente, certo?

_Talvez, quem sabe? – dei de ombros. _Eu nunca me esforcei para compreendê-la porque não me interessava prosseguir com o relacionamento. E eu sempre fui franco a respeito disso. Tanya não foi enganada, pai. Na verdade, há pouco tempo despertei para o verdadeiro "eu" dela: descobri ser nada mais nada menos que interesseira, fútil e egoísta. Não quero alguém assim ao meu lado – falei, recostando no sofá ao seu lado.

_Então esses foram os motivos que te levaram a terminar? – virou sua cabeça na minha direção, enquanto eu fitava a porta de entrada.

_Não. Foram apenas um pano de fundo para o real motivo – desviei meu olhar da porta para fitá-lo.

_Hum... e o que seria o real motivo? – franziu o cenho novamente.

_Estou apaixonado – suspirei, fechando meus olhos e encostando minha cabeça na parte superior do sofá.

_Oh! Mais uma surpresa? – sua voz soou divertida, o que me fez abrir os olhos e sorrir para ele.

_Sim.

_E quem é a escolhida, posso saber? – sorriu ternamente para mim, no seu típico jeito de paizão.

_Bella. Isabella Swan – olhei em expectativa para o que viria a seguir.

_A filha do Charlie e da Renée?! – mesmo surpreso com a notícia, deu-me um largo sorriso. Acho que aprovou a minha escolha.

_Exatamente – continuei sorrindo com a cara de bobo apaixonado que passei a ostentar nos últimos dias.

_Ela realmente é uma ótima menina. Mas... ela já sabe das suas intenções?

_Já – sussurrei desanimado.

_O que houve? Por quê esse desânimo? – surgiu uma ruga de preocupação.

_Ela não reagiu muito bem. Acho que a assustei demais – omiti o verdadeiro motivo da reação da Bella à minha confissão.

_Filho, pode ser que você não tenha se expressado bem. Converse outra vez – deu um tapinha no meu ombro esquerdo.

_É... pode ser – não quis me alongar no assunto, mas imediatamente surgiu uma pergunta em minha mente. _Pai, como você soube que a mamãe era a mulher da sua vida? – virei meu rosto totalmente em sua direção a fim de escutá-lo atentamente.

Aguardei ansioso pela resposta, enquanto observava meu pai viajar em seus próprios pensamentos por poucos segundos.

_Eu soube assim que nossos olhares se encontraram. Então, eu tive a certeza de ter encontrado a mulher da minha vida, pois tudo foi muito intenso desde que conheci Esme em Harvard. E continua até hoje. O nosso amor não diminuiu à medida que o relacionamento progrediu, pelo contrário, aumentou cada vez mais.

Apenas sorri porque fiquei absolutamente sem palavras ao ouvir a confissão do meu pai.

_Quem sabe um dia eu tenha essa sorte – meu jeito resignado de falar chamou sua atenção.

_Que isso, Edward?! Ânimo! – incentivou-me, mas continuei pensativo. _Talvez você já tenha encontrado, mas ainda não se deu conta – piscou, dando-me um sorriso maroto e logo entendi a indireta.

_É... melhor deixar tudo acontecer naturalmente.

_Mas nada te impede de conversar com ela,certo? Apenas converse, filho – encerrou o assunto balançando meu cabelo com suas mãos.

Somente assenti pensando na frase "apenas converse". Talvez eu passe a entoá-la como um mantra a partir de agora.

Ficamos conversando amenidades um pouco mais, até sermos interrompidos por um Emmett todo espalhafatoso.

_Meu velho, você por aqui? – entrou como um furacão se jogando em cima de Carlisle, abraçando-o tão forte, que achei ia matá-lo por asfixia.

_Emm! Solte o papai! Vai matá-lo qualquer dia desses com seu abraço de urso – repreendi, chamando a sua atenção.

Às vezes eu fico na dúvida se meu irmão não se enxerga como um adulto, mas sim como uma criança grande.

_Ops! Desculpe, pai – desfez seu abraço sendo cumprimentado por papai com um tapinha nos ombros.

_Oi, filho. Acho que você está comendo muito cereal. Que ficar mais fortinho? – meu pai não perdia a oportunidade de tirar um sarro com a cara de Emmett.

Meu irmão começou a rir, assim como eu, Jasper e Carlisle.

_Onde estão as meninas? – meu pai olhou para a porta.

_Foram para o apartamento delas. Mais tarde vamos jantar. Vem jantar com a gente, pai – Emmett falou, já abrindo o frigobar à procura de algo para comer ou beber. _Caralho! Aqui não tem nada para comer.

_Emmett, olha a boca suja! Não foi essa a educação que eu e sua mãe te demos – Carlisle lançou-lhe um olhar de reprimenda, enquanto eu e Jasper segurávamos o riso ganhando um olhar mortal do meu irmão.

_Desculpe, pai. É que essas palavras fluem naturalmente da minha boca – disse com seu jeito bonachão, fazendo-nos rir de sua resposta.

Quando se tratava do quesito "palavras de baixo calão", meu pai era totalmente antiquado e eu sempre procurava me policiar em sua presença, mas Emmett...era simplesmente Emmett.

Carlisle não demorou muito em nosso apartamento, mas antes de adentrar o elevador comunicou que nos encontraria mais tarde no refeitório.

Passei a chave na porta e me virei para a bagunça que ficou a sala no pouco tempo em que Emmett se fez presente. Estava uma completa zona: garrafa de suco jogada no chão; roupas dele espalhadas pelo sofá ao invés de estarem em seu quarto, enquanto o próprio bagunceiro sumiu das minhas vistas. Essas atitudes desleixadas dele só me deixam puto da vida.

_Emmett! Você vai limpar essa bagunça quando sair do banheiro, ouviu? – gritei para ele ouvir enquanto o escutava cantarolar no chuveiro.

_Acho que ele não te ouviu, Edward. Ou então, fingiu não ter ouvido – Jasper riu, enquanto caminhava em direção à porta do apartamento completamente arrumado.

_Você já vai descer?

_Aham. Mas ainda não vou jantar. Vou apenas esperar Alice na rodinha de música que vai acontecer agora – olhou em seu relógio de pulso – aqui nos jardins de frente para o prédio. Você deveria descer, Edward. Passou o dia todo enclausurado nesse dormitório. Lembre do que te falei: deixe as coisas acontecerem naturalmente.

Jasper sempre procurou levar a sua vida de maneira sábia e serena. Talvez seja por isso que quem o conheça, sinta-se à vontade em sua presença.

_Você tem razão. Como sempre – disse-lhe, acenando com a cabeça. _Vou apenas trocar de roupa e logo desço.

_Ok. Até mais

Deixando a desordem da sala para trás, fui ao quarto trocar de roupa, mas antes de deixar tudo separado, conectei o Ipod a uma mini caixa de som portátil, própria para o aparelho e comecei a me arrumar, escutando o início da melodia da canção. Só percebi que era uma música conhecida quando a voz rouca de Mick Jagger se pronunciou. E conforme a canção se desenrolava, meus ouvidos ficavam mais atentos a cada frase. Retratava exatamente a minha situação: "Você não pode ter sempre o que quer"! Parei de me arrumar ao me convencer que estava desanimado para descer. Não vou ficar numa rodinha de pessoas animadas, enquanto não compartilho do mesmo estado de espírito.

Olhei da janela do quarto o vai-e-vem de pessoas nos jardins. O lugar estava razoavelmente cheio, parecido com um luau. Só faltavam a lua, a praia e a fogueira acesa para completar o ambiente.

E foi então que eu a vi. Linda como sempre; com seus longos cabelos castanho-avermelhados, soltos na altura dos ombros e levemente cacheados nas pontas. Trajava um dos muitos uniformes confortáveis da nossa seleção. O azul do seu casaco contrastava com sua pele alva, deixando-a mais atraente.

Vi encolher-se dentro do casaco. Então, abri a janela para verificar se a brisa estava gelada, mas o que meus olhos captaram me fez enxergar vermelho. De tão hipnotizado pela presença da minha Bella não havia percebido que Jacob estava ao seu lado. E nesse exato momento, colocava suas patas em cima da minha garota abraçando-a pelos ombros. Prendi a respiração tentando não colocar besteiras na minha cabeça. Mas também, que direitos eu tenho sobre ela? Absolutamente nenhum. Bella é livre para escolher a quem quer dar livre acesso ao seu coração. Pelo jeito, o idiota do Quileute tem passe livre, enquanto eu recebo sempre um cartão vermelho.

Ignorando a presença do seu amigo idiota, contemplei mais uma vez a figura dela. E como se estivesse pressentindo que era observada, desfez-se do abraço de Jacob, virando seu corpo em direção ao prédio. Acompanhei o lento movimento de sua cabeça em direção à fachada do prédio e assim que seus olhos pousaram nos meus, desviou-os rapidamente, voltando à sua posição inicial.

A sua repentina atitude aliada à sua relutância em aceitar conversar civilizadamente comigo foi suficiente para eu compreender o que Jasper falou.

Também não vou mais impor a minha presença sabendo que se sente desconfortável quando estou por perto. Não quero ganhar o seu ódio. A mim, já basta a sua indiferença.

Desistindo de me arrumar, coloquei de volta uma bermuda e uma camiseta, voltando em seguida para o único canto do apartamento que traria algum entretenimento momentâneo: a sala.

POV BELLA

Um sol tímido teimava em brincar de pique-esconde por entre as nuvens com qualquer ser vivo que o admirasse. Nunca havia observado o magnífico astro-rei, minuciosamente, como agora. Deitada na relva verdinha da pequena campina, perfeitamente redonda e cheia de flores silvestres – violetas, amarelas e de um branco delicado. Minhas mãos pousadas sobre a grama, repuxando-a; sentindo a delicadeza e ao mesmo tempo, a aspereza da terra seca.

Ouvidos apurados a cada som vindo da floresta, mas principalmente, atentos ao som dos passos e da voz do personagem principal da minha vida: Edward. Sim! Enfim, o meu sonho de adolescente tornara-se realidade.

Tantas noites sonhando, chorando e ansiando para tê-lo comigo e agora, estou aqui na nossa campina esperando oficialmente meu namorado.

Fecho meus olhos, enquanto respiro o ar puro do lugar entregando-me às sensações que dominam meu corpo e minha alma. Não muito tempo depois, escuto passos na floresta. A cada passo dado, sinto meu coração acelerar. Meus pelos arrepiarem e a excitação tomar conta de mim.

Mas quando percebo a aproximação desse alguém, sinto que exala uma fragrância diferente daquela que estou acostumada e ao pronunciar meu nome, a tristeza toma conta de mim. Não é o meu Edward.

_Minha doce Bella, está na hora de levantar – senti alguém me lamber na bochecha, ainda não ligando a voz à pessoa, por estar grogue de sono.

_Hmm... pare! – resmunguei, passando a mão no local da lambida, enquanto me remexia na cama para virar para o lado oposto.

_Nossa, Bells! Você dorme igual a uma pedra – agora sabia de quem se tratava.

_Jake? Jake, o que faz aqui? – virei em sua direção, coçando os olhos para tentar despertar.

_Até que enfim acordou, Bella Adormecida – inclinou-se para me dar um beijo na testa.

_Eu não acordei. Você me acordou. E ainda me lambeu – fiz uma cara de nojo.

_Ah, Bells... eu vivia fazendo isso quando éramos crianças e você nunca reclamou – mostrou-se emburrado.

_Você falou bem: quando éramos c-r-i-a-n-ç-a-s – soletrei para que entendesse bem. _Crianças costumam fazer muita porcaria e achar bonitinho. Mas agora somos adultos e isso, definitivamente, é nojento – minha expressão de desagrado o fez suspirar.

_Ok, sua chata. Não faço mais – jurou, cruzando e beijando os dedos, enquanto seu sorriso perfeito reluzia para mim.

_E o que faz aqui tão cedo? – olhei para o dia lá fora pela brecha da cortina.

_Cedo? Já são 10 horas! – sentei abruptamente.

_Já?! Nossa, Alice e Rose vão me trucidar. Combinamos de acordar cedo para irmos ao Village Plaza. Perdi a hora – já fui me levantando para procurar uma roupa para sair em breve.

_Para quê a pressa? As meninas já foram. Quando cheguei aqui elas estavam saindo, mas não quiseram te acordar porque viram que você ainda estava em sono profundo. Nem queriam deixar eu entrar, mas disse que acordaria você do jeito certo – deu um risinho.

_Sei... – revirei meus olhos, voltando a sentar na cama. _Mas você ainda não me disse o que veio fazer aqui.

_Ué, não posso mais ter saudade da minha amiga? – balançou meus cabelos com sua enorme mão.

_Claro que pode, mas a gente se viu ontem. Sua saudade não tem fim? – brinquei, passando as mãos no meu cabelo tentando desembaraçá-lo.

_Não quando se trata de você.

_Deixa de ser bobo, Jake – joguei o travesseiro em cima dele, que o agarrou prontamente.

_Ok! Ok! Er... bem... eu vim atrás de um ombro amigo, sabe... _Descobri que estou no mesmo barco que você – suspirou, dando-me àquele olhar de cão sem dono.

_Como assim? Não entendi.

_Recebi um email da Leah ontem à noite – jogou as palavras, fitando-me.

_E?

_Humpf! E aí que ela terminou o namoro com Sam Uley e disse que quer conversar comigo quando eu retornar à Forks.

_Nossa! Isso é uma surpresa. E ela terminou assim do nada? – estava curiosa para saber o desenrolar da história.

_Não. Parece que Sam está perdidamente apaixonado por Emily Young, prima da Leah e quando confessou isso, ela se sentiu um lixo. Segundo a mensagem dela no email, dizia: "eu cometi o maior erro da minha vida. Perdoe-me". _Foram as palavras dela.

_Nossa, Jake. Que confusão! – sabia o quanto meu amigo gostava da Leah, assim como, também sabia da dor que ele sentiu ao ser rejeitado. _E agora, o que pretende fazer?

_Não sei, Bells. Primeiro temos que conversar. Confesso que fiquei feliz com o término do namoro deles, mas... – deu de ombros, deixando a frase incompleta.

_Eu compreendo – segurei suas duas mãos. _Você sabe que sempre serei seu ombro amigo, certo?

_Claro, Maria Mole! – brincou, tentando descontrair o ambiente.

_Aff! Detesto quando me chama assim, Senhor Bíceps – devolvi a brincadeira, apertando levemente seus bíceps. Gesto que só fez incentivá-lo a se exibir mais, arrancando risadas de mim.

_Mas você sabe que é verdade. Você é muito preguiçosa – jogou-se em cima de mim abraçando-me.

_Jake, saia de cima de mim! Você é pesado – rimos da minha patética tentativa de empurrá-lo.

_Já te disse que eu te amo muito? – assim que começou a fazer cócegas em mim, não aguentei. Ri despudoradamente até cairmos da cama.

_Pa-pare! Por-por favor. Ai minha barriga, Jake – comecei a arfar, então ele me soltou.

_Bom, agora que já dei meu bom dia adequadamente... que tal irmos ao refeitório para saber pelo menos se vamos conseguir comer as sobras? – deu-me a mão, ajudando-me a levantar do chão.

_Não estou com vontade de sair – minha voz soou desanimada.

Há exatos quatro dias estou completamente desanimada. E os meus melhores amigos sabem o motivo. Apenas saí para os treinos, pois estou a dois dias do início da primeira fase. E o primeiro adversário será a Coréia do Sul, com suas jogadoras especialistas na defesa. Tenho que tentar manter meu foco.

_Ei! Nada de permanecer reclusa nesse apartamento. Você já teve seu momento de autopiedade, Isabella – quando Jacob me chamava pelo nome todo, sabia que ele estava chateado.

_Jake... – comecei. _Não sei o que faço para manter as rédeas sobre a minha vida. Não sei por onde começar. Não sei qual caminho seguir. Sinto-me em uma encruzilhada. Detesto me sentir impotente – sentei novamente na cama apoiando meus cotovelos em minhas coxas, enquanto abaixava minha cabeça apoiando-a nas mãos, sendo logo reconfortada pelo meu amigo.

_Não quero parecer repetitivo no assunto, mas só você sabe o que tem que fazer. Eu dei minha opinião, conforme pediu quando conversamos após o show. Repito: só você pode encontrar as respostas que te livrarão das amarras emocionais, Bells – disse afagando meu rosto.

Suspirei profundamente antes de concordar.

_Eu sei. Eu sei.

_Pode parecer clichê, mas há uma frase que combina com a sua atual situação: "nunca deixe para depois o que se pode fazer agora".

_Totalmente clichê – concordei. _Mas no momento, esse meu "assunto inacabado" – gesticulei indicando o gesto entre aspas – ficará realmente para depois, porque agora meu estômago despertou e com fome não consigo raciocinar.

Ele começou a rir, enquanto eu corri para o banheiro a fim de tomar um banho e trocar de roupa para poder seguir para o refeitório.

Horas mais tarde...

Fazia anos que eu não montava em uma bicicleta de verdade, porque convenhamos: montar em uma bicicleta ergométrica é a mesma coisa que nada.

Como hoje o tempo estava ótimo e pedindo para apreciarmos o verão londrino, convidei Jacob para darmos umas pedaladas pelas ruas bem sinalizadas da Vila. Lógico que ele concordou na hora.

Depois de algumas tentativas desajeitadas, consegui manter o equilíbrio sobre as duas rodas.

Pude constatar um famoso ditado: andar de bicicleta é como... andar de bicicleta!

A sensação era muito boa. Uma brisa suave batendo em meu rosto e o melhor de tudo: nenhum buraco ou empecilho à vista para me atrair diretamente ao chão!

Jake ria da minha felicidade plena, pois eu sentia uma rara sensação de liberdade. Estava tão feliz que comecei a acelerar as pedaladas, como se estivesse apostando corrida com Jake, sendo seguida por ele, mas no auge da minha autoestima sobre duas rodas, para minha infelicidade, não consegui desviar do único e último obstáculo que gostaria de cruzar na minha vida: Tanya Denali.

O choque foi forte. Enquanto rolei para um lado, ela rolou para o outro, porém a bicicleta ficou intacta. Logo Jacob veio me ajudar a levantar enquanto alguns voluntários ajudavam a loura a se recompor.

Senti uma ardência em meus joelhos, mãos e cotovelo direito. Quando verifiquei, vi que havia algumas escoriações. Olhei para Tanya e ela gemia de dor por causa da pancada com a bicicleta na lateral esquerda do seu corpo, ao mesmo tempo, que resmungava algumas improbidades.

A pequena confusão atraiu olhares alheios, mas não o suficiente para se formar uma rodinha de curiosos.

No momento, havia apenas eu, Jake, Tanya e dois voluntários que a apoiavam porque ela mancava. Assim que seus olhos fitaram os meus, gelei! Senti um medo como nunca antes havia sentido. Sua expressividade facial era de dar arrepios a quem cruzasse seu caminho agora. Detectei raiva, desprezo, nojo, antipatia, mas a expressão marcante foi ódio. Engoli em seco e procurei reparar meu erro.

_Desculpe, Tanya. Eu realmente não vi que você estava atravessando a rua – falei receosa enquanto Jake permanecia ao meu lado.

_Idiota! Você é um idiota, garota! – cuspiu as palavras. _Eu te odeio, ouviu? EU TE ODEIO – gritou dessa vez, atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam próximas a nós. _Maldita hora que você cruzou o meu caminho, Isabella Swan.

_Ei! Ela já pediu desculpas, sua mal educada. Ela não fez por mal – meu amigo interveio enquanto eu continuava fitando uma Tanya descontrolada.

_Eu não falei com você, seu índio – esbravejou.

_Tanya, eu estava distraída e não vi você no meu caminho.

_Pois a partir de agora, Swan – rosnou entre dentes- esteja mais atenta antes de cruzar o meu caminho novamente. Nunca se sabe o que nos espera na próxima esquina – percebi uma ameaça embutida em suas palavras, mas deixei passar, pois cadela que late não morde.

_Pare de ameaçar as pessoas, sua mal amada – Jacob rosnou em sua direção e eu imediatamente segurei em seu braço.

_Jake, vamos embora – sussurrei.

_Vamos! Não aguento mais olhar para a cara dessa... dessa – ele queria xingá-la, mas não deixei.

_Chega, Jake! Vamos, por favor – pedi mais uma vez.

Então, peguei minha bicicleta que ainda estava no chão enquanto Jake pegou a sua. Demos as costas à loura, que estava bufando de raiva ainda, e seguimos de volta para o apartamento.

Quando adentrei meu cantinho preferido, pedi a Jacob que pegasse uma caixa de curativos que mantínhamos em uma prateleira na sala, enquanto eu fui ao banheiro tomar um banho para lavar toda a sujeira do corpo.

Estando devidamente arrumada, encontrei meu amigo a postos com a caixinha nas mãos. Estava sentado no sofá assistindo a algumas competições.

Sentei ao seu lado pegando um pó cicatrizante e alguns band-aids para cobrir meus machucados. Esse simples gesto foi suficiente para lembrar da minha adolescência, quando Edward adorava cuidar de meus machucados. Ele dizia que se sentia importante. E isso, me fez sorrir e rir, involuntariamente.

_Do que você está rindo? – nem percebi que Jacob estava prestando atenção aos meus movimentos.

_Hã? Ah! Er... lembrei que Edward adorava cuidar de mim nessas horas.

_Hum... – sabia que ele estava com ciúmes.

_Ciúmes agora não, Jake – voltei minha atenção para ele.

_Eu não falei nada – deu de ombros, voltando a olhar a TV.

_Mas eu te conheço muito bem, Senhor Bíceps – tentei descontrair. _Ah, qual é Jake! Eu sou sua amiga. Aliás, sou sua irmã de coração, esqueceu? – dei umas leves cotoveladas na lateral do seu corpo.

_Eu sei, Magrela. Mas é inevitável sentir ciúmes.

Eu comecei a rir do seu bico, dando-lhe um beijo na bochecha em seguida.

Ficamos ali na sala curtindo a programação da televisão, até que ouvimos a serelepe da Alice entrar toda falante, sendo seguida por Rosalie.

_Ahhh! Vocês estão aí – assim que entrou, passou como um raio em direção ao frigobar pegando uma garrafa d'água e bebendo tudo pelo gargalo.

_Nossa, Aly! Quanta sede! – observei-a revirar seus olhos.

_Com um calor desses você queria o quê?! Agora sim, sanei minha sede – logo sentou em um dos pufes para descansar.

_Rose, você está tão calada – percebi que ela estava quase adormecendo estirada no pufe.

_Acho que gastei todas as energias por hoje. Você sabe... acompanhar o dia todo a 'ligeirinho' resulta nisso... exaustão – respirou fundo.

_Mas o dia ainda não acabou – Alice deu-lhe uma piscada, fazendo eu e Jake rirmos da situação da loura.

_Ah, claro! Você e o Emmett querem participar da bendita rodinha de música.

_Que rodinha de música? – meu amigo e eu perguntamos ao mesmo tempo.

_Bem , tem uma galera que vai cantar e tocar violão. A informação chegou até nossos ouvidos pelo boca à boca – Rose falou.

_E aí, vamos descer? Só viemos tomar um banho – a tampinha bateu as mãozinhas, mas parou o movimento ao analisar-me. _O que aconteceu com você? – olhou meus pequenos curativos sendo seguida por Rosalie.

_Nossa, Bella! Um ímã te atraiu ao chão? – Rose deu-me um sorriso enviesado.

_Não foi nada disso, garotas. Foi apenas uma cadela que se pôs à frente dela quando pedalávamos as nossas bicicletas – Jake respondeu por mim, arrancando um risinho meu.

_Cadela? Aqui na Vila há cães? – Alice pareceu confusa sem entender que o palhaço do meu amigo falou em sentido figurado.

_Não, Aly. Jake não falou no sentido exato da palavra. A cadela à qual se referiu – fiz uma pausa fitando as duas – chama-se Tanya.

_O quê?! – Ambas se espantaram.

Como as duas não sabiam do ocorrido, expliquei como havia adquirido os machucados, narrando inclusive, as barbaridades que a louca da Tanya declamou à minha pessoa. Fato que só contribuiu para minhas amigas espumarem de raiva.

_Que vaca! – Alice se pronunciou.

_Acho que devemos ter cuidado com ela. Depois que seu irmão terminou o namoro, percebi que Tanya não está em seu perfeito estado emocional – Rose alertou.

_Claro que ela não poderia estar em seu juízo perfeito. Quem gostaria de levar um pé na bunda como ela levou? – foi a vez de Jake se manifestar.

_ Mesmo assim, Jacob. Relacionamentos começam e terminam a todo momento. Ainda mais o tipo de relacionamento que ela levava com meu irmão. Ela sempre soube que ele nunca a amou, mas insistia em ficar ao seu lado porque gostava de ostentar o título "namorada do melhor levantador da seleção masculina de vôlei" – a fadinha fez o gesto entre aspas com seus dedos.

_Mereceu levar um fora bem dado do meu cunhado. Odiava ter que sair com o nosso grupo e ser obrigada a aturá-la. Sem falar que ela já tentou se insinuar para meu ursão. Ai dela se chegar perto dele! Sou capaz de cravar minhas belas unhas naquele rosto plastificado.

Rosalie sempre apresentou uma personalidade forte. O que contribuiu para intensificar a sua tenacidade. Tê-la como amiga me faz um bem enorme, pois ela é o contraponto necessário para manter o equilíbrio saudável da amizade do grupo, pois quando algo não a agrada ou vai de encontro aos seus princípios, ela não tem receio algum de falar o que pensa ou questionar o ponto de vista do outro.

_Meninas, esqueçam a Tanya. Eu já esqueci o que houve – dei de ombros.

_Ok! Então, você vai trocar sua roupinha e quando estiver arrumada vou dar uma melhorada nesse seu cabelo. Está muito simplezinho. Parece até que está doente. Vamos! Tire o traseiro do sofá – Alice em seu modo mandão era uma peste.

_Ah, não! – expressei-me contrariada, cruzando os braços.

_Ah, sim! Anda logo, Bella! Vamos curtir o pôr do sol ouvindo boas músicas – puxou meus braços tentando me levantar.

_Concordo com você, fadinha. Vamos, Bells! – Jake me empurrou do sofá ganhando um olhar mortal da minha parte.

_E eu só vou porque Emm insistiu muito – Rosalie tentava levantar do pufe.

_Bem, encontro vocês lá embaixo. Vou ao meu dormitório – Jake despediu-se de nós três com um beijo na bochecha de cada uma.

Depois de arrumada, peguei um casaco para me proteger da brisa gelada que começava a dar as caras. Alice se posicionou às minhas costas e começou a produção no meu cabelo, secando-o e depois enrolando-o nas pontas.

Quando já estávamos prontas, descemos para o jardim que fica em frente ao nosso prédio.

Pude ver uma grande movimentação no lugar. Nele havia à disposição dos atletas cadeiras reclináveis de madeira, ao estilo praiano, mas como eram poucas, restava ao pessoal que ia chegando se acomodar pela grama bem aparada.

Jake não demorou muito a chegar e se acomodar ao meu lado.

Logo depois um círculo estava formado e umas seis pessoas da delegação norte-americana começaram a puxar em coro a música entoada. O violão dava um ar todo intimista à pequena reunião.

Escolheram a música "Time of Your Life" da banda punk rock dos Estados Unidos, Green Day, criada em 1987 em East Bay, Califórnia. Eu não era fã da banda, mas curtia algumas músicas e essa, era uma delas.

O momento era perfeito para executá-la porque falava do tempo de sua vida. E todos nós estávamos em uma bifurcação cravada na estrada, como dizia um dos versos. Aqui era ganhar ou perder.

Aconcheguei-me mais em meu casaco, pois o vento que soprava estava um pouco mais gelado, já que os raios solares já sumiam no horizonte. Meu amigo percebeu que eu estava com frio e me abraçou fazendo-me recostar em seu ombro.

A galera nem parecia sentir frio. A maioria balançava seus corpos ao som da música e agitava suas mãos no ar. Pareciam bem entretidos com a animação toda, menos eu. Não estava muito no clima.

Soltei-me do abraço de Jacob no exato momento em que repetiam a última estrofe:

"É algo imprevisível

Mas no final é certo

Espero que você tenha o tempo de sua vida"

Isso ficou martelando na minha cabeça. Parecia impulsionar-me em uma direção e quando percebi, já estava virando meu corpo na direção do nosso prédio. Levantei minha cabeça na direção da fachada do mesmo e quando meus olhos focalizaram uma das janelas do apartamento dos meninos, ficaram presos por poucos segundos, aos olhos do meu tormento pessoal: Edward.

Desviei-os, totalmente sem graça. Minha respiração de repente tornou-se acelerada; meus dedos das mãos transpiravam; senti uma descarga de adrenalina percorrer meu corpo e o coração disparar. Eu estava entrando em pânico ao me dar conta da atitude a ser tomada, pois enfim, havia encontrado o meio-termo para tentar resolver a confusão em que me atirei. Só faltava-me a coragem para dar o primeiro passo.

Tentando controlar meu pequeno ataque de pânico , exercitei a minha respiração, como fazia nas aulas de Yoga, tentando achar o equilíbrio do meu corpo. Ainda bem que ninguém prestava atenção em mim.

Após alguns minutos, consegui me acalmar para poder raciocinar.

Estava decidida.

Avisei aos meus amigos que estava subindo, mas que estava tudo bem comigo. Eles não gostaram muito, mas respeitaram minha decisão.

Enquanto caminhava na direção do elevador, sabia que estava tomando uma atitude sensata. Era algo que já devia ter feito há algum tempo.

Acabei esbarrando com um Emmett todo apressado que ainda insistiu para eu voltar com ele para a rodinha, mas disse que precisava ir ao apartamento.

Quando adentrei o elevador, meu nervosismo era quase palpável. Apertei o botão do andar que me levaria ao xeque-mate da minha vida.

Assim que as portas se abriram meus pés pareciam mais pesados a cada passo dado, mas segui em frente. Não voltaria atrás na minha decisão.

Vendo o número do apartamento surgir à minha frente, fechei meus olhos enquanto tentava controlar minha respiração novamente.

Hesitei duas vezes ao levar minha mão à campainha. Na terceira vez, apertei-a. Agora era só esperar.

_Quem é? – ouvir a voz grave do Edward após quatro dias de completo exílio, teve o mesmo efeito que um calmante.

Como não respondi de primeira, ainda entorpecida pela reação do meu corpo à sua voz, ele tornou a perguntar:

_Quem é? – dessa vez resolvi arriscar.

_Be-Bella – gaguejei trêmula, enquanto contorcia meus dedos.

Houve um breve silêncio e então escutei a chave destrancando a porta e meu inferno pessoal surgir à minha frente, completamente surpreso por minha presença.

_Bella? O que faz aqui? – franziu o cenho. _Aconteceu algo? – vi surgir uma ruga de preocupação.

Respirei fundo antes de prosseguir.

_Podemos conversar?


"Se conseguirmos viver dentro de um equilíbrio, dependeremos cada vez menos de momentos isolados de pura paixão e impulsos para sermos felizes".

(Hilda Medeiros)