O Dia D

POV BELLA

_Você está bem? – despertei de meus pensamentos ao me deparar com o rosto da sininho à minha frente.

Estávamos em grupo, paradas em frente ao nosso prédio, aguardando a chegada do ônibus da nossa seleção que nos levaria ao ginásio de esportes. Enfrentaríamos o nosso primeiro desafio: Coreia do Sul. Dizer que estava nervosa era piada. Parecia que meu Sistema Nervoso Central atirava faíscas em direção aos centros nervosos periféricos, ao invés de impulsos elétricos.

_Sim – respondi monossilabicamente dando-lhe um sorriso forçado, algo que não passou despercebido por seus olhos atentos.

_Sei... – estreitou seus olhos. _Bella, você não me engana. Posso sentir sua tensão à milhas daqui. Escute algumas músicas até chegarmos ao nosso destino – sacudiu meus ombros, tentando me tirar da inércia.

_Vou tentar – forcei um suspiro como se quisesse mostrar que estava exercitando a respiração. _Alice, cadê Rose? – mudei de assunto para tentar aliviar meu nervosismo, olhando ao nosso redor.

_Pago um Big Mac se você adivinhar – fingiu estar entediada olhando para suas unhas muito bem feitas.

_Ah, entendi. Está com Emmett – lancei um sorriso enviesado.

_Dã! Parecem coelhos que vivem no cio. Não se desgrudam nunca.

Mal terminamos de falar quando fomos abraçados fortemente. E não foi por Emmett.

_Cheguei! Preparadas para o primeiro embate? – Rose irradiava alegria. Seu sorriso rasgava sua face de orelha a orelha, algo totalmente contrastante com meu estado de espírito no momento.

_Uau! Isso é o que eu chamo de entusiasmo pré-jogo – dei-lhe um beijo em sua bochecha.

_Você está com uma expressão de quem acabou de ver o 'passarinho verde' – a baixinha gesticulou com seus dedos, fazendo-me rir.

_Eu não só vi o tal 'passarinho', que de "inho" não tem nada, como também usei e abusei. Agora estou tão relaxada que me sinto pronta para imprimir toda a minha força no ataque, na entrada e saída da rede – piscou para nós duas.

_Ótimo! Assim executaremos um bom diálogo em quadra, ou seja, Bella defende e executa o passe; eu distribuo as jogadas com a minha excelente visão geral do jogo e você, dona Rose, ataca rapidamente, sem dar chance de contra-ataque às coreanas – lançou um sorriso convencido.

_Nada convencida, hein? – arqueei minha sobrancelha, sorrindo. _Mas tenho que concordar: você é uma extensão do técnico dentro da quadra. Por isso, reina como titular absoluta – batemos as palmas de nossas mãos.

_Somos peças fundamentais para Alec em qualquer jogo. É por isso que somos o 'trio parada dura', como ele mesmo fala. Sem nós, baby... – Rose torceu seu rabo de cavalo entre seus dedos, em uma típica pose esnobe – o time sofre para ganhar das adversárias – completou.

_Então, vamos ao nosso grito de guerra: é 1...é 2...é 3... U.S.A! – Alice puxou em coro, dando um soco no ar, atraindo olhares das demais jogadoras que tão logo entraram no clima, conversando conosco, em um verdadeiro clube da Luluzinha.

Pelo menos esse entrosamento antes do jogo foi bom para dissipar um pouco o nervosismo, principalmente o meu.

Enfim, o ônibus não demorou mais que 20 minutos para chegar ao Victory Park.

Embarcamos em mais um dia ensolarado rumo ao Centro de Exposição Earls Court, que é um centro de artes em Londres e, que integra uma conhecida sala de espetáculos e eventos desportivos com 19.000 lugares.

Enquanto saíamos da Vila Olímpica, um dos membros da nossa equipe técnica, Robert Thompson, que tem dupla nacionalidade, fornecia as informações necessárias sobre os encantos da capital inglesa e seus arredores a todos os presentes no ônibus, incluindo sua namorada, Kristen Marshal, que é a minha reserva na seleção.

Ele estava eufórico e emocionado ao falar de seu país de origem, arrancando suspiros de sua namorada que estava sentada ao meu lado. Robert conseguia prender a atenção de todos nós enquanto falava. Parecia um verdadeiro guia turístico e, àquele sotaque inglês dava todo um charme à sua pessoa. Não era à toa que havia meninas na equipe que babavam por ele, pois além de educado é lindo. Mas, ele só tem olhos para uma única pessoa, Kristen.

"Ainda está para nascer outro casal que seja tão apaixonado como esse", pensei voltando meu olhar para a rua. O amor que emanava deles era quase palpável.

Continuei prestando atenção em absolutamente tudo que era falado. Sempre gostei de ouvir as histórias dos lugares pelos quais passei com a seleção nas minhas viagens para o exterior.

Ouvi atentamente quando foi dito que o tal Centro de Exposição, que seria a arena do vôlei por 15 dias,ficava localizado a 5 km do Parque Olímpico, no distrito de Earls Court, na região administrativa da Grande Londres, mais especificamente pertencente à Kensington e Chelsea.

Interessante foi saber que os ex-residentes desse distrito foram: Diana, a Princesa de Gales; Freddie Mercury; Stewart Granger, um ator norte-americano nascido na Grã-Bretanha, que interpretava galãs e heroicos e românticos em filmes de ação e aventura nos anos 50; Alfred Hitchcok e Benjamin Britten ou simplesmente Barão de Aldeburgh que foi compositor, maestro, violetista e pianista britânico. Mas o que mais chamou minha atenção foi o nome completo do Barão: Edward Benjamin Britten! E foi óbvio que meu cérebro traiçoeiro remeteu-me às imagens de dois dias atrás quando estive frente a frente com o único Edward que conheço em carne e osso.

Porém, era melhor armazenar tais lembranças no fundo da minha mente, pois no momento, o que preciso é manter meu foco no que treinei com a equipe.

Mais tarde haverá tempo de sobra para meus neurônios associarem as imagens de Edward captadas pelos meus olhos, pois enfim, teremos a nossa hora da verdade e, se as forças do Universo contribuírem, não haverá ninguém para atrapalhar.

Voltei minha atenção ao que o Thompson falava. Estávamos nos aproximando da arena e já dava para ver um mar de pessoas perambulando pelo distrito.

Sul-coreanos e americanos eram maioria, mas havia torcedores de outras nacionalidades.

A confraternização entre todos os povos era algo bonito de se ver. Cada um exibia algum atrativo diferente nas roupas ou portava adereços, como por exemplo, um chapéu em formato de canguru que representava torcedores australianos; ou sombreros, que representavam os mexicanos e em nosso caso, o típico chapéu do Tio Sam, que na verdade, é uma cartola com listras vermelhas e brancas e estrelas brancas num fundo azul.

Cânticos e gritos de guerra puderam ser ouvidos de dentro do ônibus e a falsa calmaria que se apossava do meu corpo rendeu-se à descarga de adrenalina que passou a imperar em minhas veias.

Quando o ônibus parou ao lado de uma entrada lateral da arena, descemos em fila, passando direto para o vestiário. Entrelacei meus braços aos de Rose e Alice enquanto caminhávamos e ouvimos a agitação do público presente às brincadeiras do locutor, assim como, pudemos ouvir o DJ animando a todos com músicas da atualidade.

Achando que era um momento para descontrair, Alice parou de andar e começou a fazer passos de break dance no meio do corredor que nos levaria ao vestiário, arrancando risos não somente de mim e de Rose, como também de outras jogadoras, equipe técnica, voluntários e até mesmo de Alec, nosso treinador.

Como se não bastasse dançar de um jeito cômico, teve a ousadia de acompanhar a letra da música da Beyoncé que o DJ tocava. E para completar o 'surto' repentino dela, puxou em coro o refrão:

_Who run the world? Girls! (…) _Who run this motha? Girls!

Alec não se fez de rogado e a acompanhou. Até hoje não teve um ser vivo que não se rendeu aos encantos e bom humor da baixinha.

Faltando apenas 45 minutos para o início da partida, Alec saiu rebocando Alice pelas mãos em direção ao vestiário, ao passo que, a música entrava em seus acordes finais. Era uma maneira educada de dizer à fadinha que o seu show particular tinha acabado e que agora era hora de cumprir com suas obrigações.

Estando devidamente uniformizadas fizemos um momento de oração pedindo sabedoria para executarmos nosso trabalho da melhor maneira possível.

Depois de repassar algumas informações técnicas correspondentes ás adversárias, fomos chamadas para nos posicionarmos na arena. Conforme caminhávamos para adentrar o recinto, sentia meu coração pulsar muito rápido e meus dedos das mãos completamente gelados.

Mas só tive a real percepção de que eu estava na iminência de disputar as Olimpíadas quando vi o tamanho da arena e a quantidade de pessoas ovacionando nossa seleção.

Tínhamos consciência do nosso favoritismo para essa edição dos Jogos Olímpicos devido aos três títulos seguidos do Grand Prix. Aqui em Londres, viemos em busca de um feito inédito: conquistar a tão sonhada medalha de ouro, isto é, o primeiro título Olímpico do vôlei feminino.

Permanecemos agrupadas em um dos lados da quadra até começarem a chamar as titulares de cada seleção pelos seus nomes. A cada membro citado da nossa equipe, o público gritava e aplaudia. E eu comecei a ficar emocionada antes mesmo do apito inicial da partida. Estávamos tão longe de casa; tão longe de nossos entes queridos, mas a presença maciça de norte-americanos acalentava um pouco a saudade de casa; a saudade dos meus pais, que com certeza deviam estar torcendo por mim em frente à TV.

Após a execução do Hino Nacional de cada país, fomos para as nossas respectivas posições, dando início ao jogo através do nosso saque.

Até que começamos bem, marcando 3 pontos seguidos, deixando as coreanas um pouco desnorteadas. Rosalie fazia a sua parte, detonando com a bola para o lado das adversárias. Mas em um momento de desconcentração geral, passamos a cometer muitos erros, vendo as coreanas abrirem 16/13 no segundo tempo técnico. É lógico que Alec foi à loucura com tantos erros seguidos, dando-nos uma bronca, com atenção especial para Rosalie e Victoria Cox, as duas ponteiras, mas não pareceu surtir muito efeito. No lance seguinte, a equipe asiática voltou a pontuar e, o treinador pediu tempo para mais broncas.

_Porra! Não é possível! Aonde estão com a cabeça? Concentração, gente! Concentração! Vocês já sabem o que fazer. É só pôr em prática. A defesa delas é forte, mas não é imbatível – finalizou batendo as palmas como forma de incentivo.

Com altos e baixos na reta final do set, a nossa seleção até diminuiu a distância para dois pontos, após três ataques seguidos de Rosalie (21/19), mas voltamos a dar bobeira e, após erro na defesa, diga-se: meu erro, vimos a Coreia do Sul chegar ao set point (24/20). Não deixamos de lutar e, comandadas por Rose, voltamos a encostar (24/23), mas não conseguimos parar o ataque na diagonal de uma das jogadoras do time adversário, que acabou fechando a parcial em 25/23.

Pressionadas a buscar a vitória no segundo set, tentamos aplicar toda a técnica necessária para perfurar a defesa adversária e desse modo, começamos a obter sucesso jogando de forma arrasadora; indo para a primeira parada técnica com vantagem d após um ataque de Victória.

E após esse bom início de set, começamos a ampliar ainda mais a nossa vantagem. Em uma passagem de Alice pelo saque, a equipe fez três pontos seguidos e abriu 13 a 6, sendo que foi para a segunda parada técnica liderando por 16 a 8. E, com tranquilidade, conseguimos administrar a larga diferença, fechando em 25 a 16.

No terceiro set, porém, as coreanas reagiram e então, as duas seleções foram alternando pontos no placar até o 11 a 11, antes de o time asiático abrir 14 a 11. Nós ainda conseguimos empatar o set em 19 a 19 após um bloqueio executado por nossas jogadoras, mas as Sul-coreanas voltaram a deslanchar na reta final da parcial e, com um bloqueio da equipe adversária, ganharam por 25 a 20.

O início do quarto set foi marcado pelo equilíbrio, mas logo começamos a melhorar, indo para a primeira parada técnica em vantagem de 8 a 5. As adversárias, entretanto, voltaram a reagir e foram para o segundo tempo técnico ganhando por 16 a 15.

A partir daí, porém, iniciamos uma sequência fulminante e viramos para 20 a 16 após dois pontos seguidos de Rosalie, um de bloqueio e outro de ataque. E foi nessa sua passagem pelo saque que acabamos liquidando a parcial em 25 a 18 após erro das coreanas.

Fomos para o último set confiantes e na primeira parada técnica liderávamos po após dois pontos de Victória. Começamos a nos distanciar das rivais e no final do set chegamos a abrir 14 a 9. O ponto decisivo do jogo estava nas mãos de Alice que não titubeou e desceu a mão na bola no saque, imprimindo uma força descomunal para uma pessoa de apenas 1,58 metros de altura fechando o set com um ace.

Fim de partida. Jogadoras exaustas, mas com o dever cumprido com êxito.

Após os cumprimentos entre as duas seleções, fizemos uma espécie de reverência ao público, pois sem o devido incentivo a nossa garra não seria a mesma.

Já no vestiário, pude sentir o cansaço aplacar o meu corpo e creio que não era a única ali naquele estado.

Virei em direção às minhas amigas parabenizando-as pela partida que protagonizamos.

_Nossa! Essa partida foi apenas um esquenta para nos preparar para as próximas pedreiras – deitei no banco do vestiário apoiando as mãos na barriga enquanto aguardava as outras duas terminarem de se vestir.

_Nem me fale. Mas a pedra maior no nosso sapato será o Brasil. Com excelente técnica, força e garra vai ser osso duro de roer – Rose sentou-se ao meu lado.

_Céus! Não vão começar a pirar antes da hora. Técnica, força e garra nós também temos. E foi essa junção que nos levou a primeira vitória da competição. Já se esqueceram do nosso lema? – a tampinha nos encarava com sua sobrancelha arqueada.

-Claro que não! – eu e Rose falamos ao mesmo tempo.

_Então digam – colocou as duas mãos na cintura encarando-nos no seu modo mandão.

_Missão dada é missão cumprida! – eu e a loura falamos juntas fazendo continência para a tampinha, que caiu na risada, sendo seguida por nós e algumas outras jogadoras que estavam próximas.

Quando estávamos no ônibus de volta ao Victory Park, Alec se levantou e parabenizou mais uma vez a toda equipe que se esforçou a máximo para garantir a vitória. Avisou-nos em seguida, que o dia seguinte seria de folga, algo mais que comemorado por todos. Meu corpo pedia cama, mas eu sabia que ia demorar para apreciar o meu querido leito. Havia um assunto inacabado esperando por mim e não podia mais protelar.

Estava tão sonolenta com o balançar suave do veículo que nem notei Rosalie me puxar. Somente quando levei um belo tapa no braço foi que virei sobressaltada em sua direção.

_Ai, Rose! Isso doeu – passei a mão no local da batida. _Delicadeza definitivamente não é o seu forte – olhei emburrada para ela que nem se sentiu afetada, pelo contrário, riu de mim.

_Bella, você que parece lady demais. Nem doeu tanto assim.

_Claro! Não foi você que apanhou – revirei meus olhos.

_Ah, tá. Que seja! – deu de ombros. _Na verdade, te chamei para entregar isso – passou um bilhete. _Edward pediu para eu te entregar, mas somente depois do jogo. Juro que não li, mas estou curiosa para saber do que se trata – pousou seus olhos azuis no papel, enquanto a encarava.

_Ei! Deixe de ser tão curiosa. Você está convivendo demais coma anã de jardim – dei-lhe um olhar enviesado.

_Humpf! – fez um bico idêntico ao de Alice, mas não se manifestou mais, enquanto eu, fiz um contorcionismo com meu corpo virando na direção oposta a ela, a fim de ter o mínimo de privacidade ao ler a mensagem:

"Realidade soa leve aos ouvidos de quem sabe o que quer e luta para conseguir.

Hoje é seu dia de brilhar. Estarei torcendo por você.

Até logo mais".

E. C

Edward me conhecia tão bem. Parece até que sabia que eu iria chorar se lesse esse bilhete antes da partida. Mesmo mantendo uma certa cautela na escolha das palavras, percebi sua emoção contida nas entrelinhas. Entendi a mensagem como uma forma de me mostrar que meu ex-melhor amigo estava de volta.

Deixei as lágrimas rolarem por meu rosto. Fato que chamou a atenção da minha amiga.

_Bella, o que houve? O que Edward fez dessa vez? – a preocupação era nítida na sua voz enquanto olhava-me desconfiada.

_Nada, Rose – virei-me para ela secando minhas lágrimas com as pontas dos meus dedos. _Ele apenas foi... perfeito – ela olhou para o bilhete tirando-o gentilmente do meu colo, lendo-o em seguida.

_Oh! Isso foi educado da parte dele mesmo vocês não se falando direito. Ele sente falta da sua amizade, amiga - encarei seus olhos, assentindo.

_Eu sei, Rose. E eu também sinto.

_E por quê não tentam conversar? Não está mais do que na hora de resolver isso? – disse, apontando na direção do meu coração.

_Nós vamos conversar. Logo mais – olhei para ela timidamente, que me deu um sorriso terno.

_Vai dar tudo certo – apertou minhas mãos.

POV EDWARD

_Quem é? – perguntei, ainda prostrado no sofá, mas ninguém respondeu.

"Que estranho. Será que o gato comeu a língua da pessoa?, pensei, ainda sem a menor vontade levantar do estofado, mas a curiosidade foi mais forte, então voltei a perguntar:

_Quem é?

_Be-Bella – fiquei estático ao ouvir a voz da pessoa que eu mais senti falta nos quatro dias em que não a vi. Dei um pulo do sofá e três passadas depois, abri a porta para ter certeza de que não estava delirando por abstinência da minha 'droga' preferida.

_Bella? O que faz aqui? – franzi o cenho ainda surpreso com sua presença à porta do apartamento. _Aconteceu algo? – a preocupação era nítida em meu rosto e minha voz.

Então, a vi tomar fôlego até soltar a frase que esperei há tempos:

_Podemos conversar?

Pego mais uma vez de surpresa, levei alguns segundos para processar o motivo dela estar aqui, mas foi o suficiente para que ela interpretasse o meu silêncio de maneira errada.

_Er... e-eu... eu acho melhor ir embora – vi morder seu lábio inferior, abaixando a cabeça enquanto virava seu corpo na direção do elevador.

_Não! Espere! – segurei-a pelo cotovelo fazendo-a virar-se totalmente para mim, sendo enfeitiçado por seus olhos cor de chocolate.

_Desculpe. Eu... apenas fiquei surpreso por vê-la aqui – fitei-a tão intensamente que ela desviou seu olhar para a parede do corredor.

Ela suspirou mais uma vez, voltando a cravar seus olhos nos meus de modo determinado.

_Eu...eu acho que devemos ter uma conversa sincera, Edward... de uma vez por todas – disse, convicta do que queria.

_Cla-claro! Concordo com você. Por favor, entre – dei passagem para que adentrasse o apartamento. Vi que estava nervosa, pois suas mãos mexiam-se frequentemente com seus dedos entrelaçados. _Sente-se, Bella. Fique à vontade – dei-lhe um sorriso acolhedor, tentando dissipar a nuvem de tensão que pairava acima de nossas cabeças.

_Obrigada – devolveu-me um sorriso tímido, sentando no sofá e olhando para a programação da TV. _Hum... vôlei de praia.

_Sim. Brasil e Alemanha. O jogo estava interessante. Enquanto o primeiro representa uma potência no esporte, o segundo mostra que tem força de vontade para passar pela primeira fase. A disputa estava acirrada – senti-me um pouco aliviado por falar sobre um assunto neutro. Estava me preparando psicologicamente para abordar um assunto que mais parece um campo minado em nossas vidas.

Bella apenas assentiu continuando com os olhos fixos na TV de LCD. Tive a impressão que estava com seus pensamentos a léguas daqui.

_Er... então... – comecei tentando iniciar a conversa, mas as palavras certas não chegavam à ponta da língua. _Bella, você aceita algo para beber? – pfff! Soltei algo nada a ver com o que queria dizer.

_Uh... eu gostaria de um pouco d'água, por favor – ainda bem que não dei uma bola tão fora assim. Abrindo a porta do frigobar peguei a garrafa e logo depois um copo, oferecendo a ela.

_Obrigada.

Depois do primeiro gole, a vi endireitar seu corpo, deixando seu tronco mais ereto enquanto depositava o copo em cima de uma mesinha de centro improvisada.

_Han han – pigarreou como uma forma de ganhar tempo para iniciar o assunto. _Bem, Edward... nós... – fomos interrompidos pelo toque incessante da campainha. Sobressaltado pelo susto que levei, nem perguntei quem era. Apressei meus passos até a porta imaginando ser algum conhecido, talvez os meninos ou Rose e Alice ou mesmo, meu pai. Deveria ser algo urgente.

Porém, ao escancarar a porta fiquei atônito com a presença de Tanya, que aparentava uma expressão de desagrado. Nem cheguei a me manifestar, quando a mesma irrompeu meu apartamento sem ser convidada.

_Rá! Então é você mesma. Fiz bem em ficar à espreita esses últimos dias. Queria pegar vocês no flagra. Vadia! – xingou a minha Bella que estava paralisada a encarando. Isso me enervou, fazendo minha voz soar pelo ambiente.

-Tanya, o que é isso? Ficou louca? – meus olhos injetados duelavam com os seus.

_Fiquei e daí? Agora eu vejo como fui otária esse tempo todo – elevou seu queixo me encarando enquanto colocava as suas mãos na cintura. _Você me fez de palhaça durante dois anos, Edward. Ninguém faz Tanya Denali de palhaça. Muito menos você e essa garota sonsa – voltou seu olhar raivoso para Bella que vincou sua testa sem entender o que acontecia. _O que foi? Vai me dizer que não sabe do que se trata? – perguntou a Bella de modo debochado. _Não se faça de desentendida! – elevou sua voz dando alguns passos em direção a Bella.

_Espere aí! Eu posso saber do que estou sendo acusada e o motivo do xingamento à minha pessoa? – Bella estava enfezada.

_Ora, Isabella. Não é possível que seja tão lerda quanto aparenta – mediu-a com um olhar de desdém.

_Tanya, já chega! Não sei o que veio fazer aqui, mas saiba que não é bem vinda – caminhei de volta à porta abrindo-a, exigindo a sua saída imediata. _A porta da rua é a serventia da casa – falei de forma dura, para saber que não estava brincando, enquanto mantinha a porta aberta.

Vi que ela cruzou seus braços, empinando ainda mais seu nariz.

_Não saio até esclarecer algumas coisinhas á sua amiguinha – torceu o canto da boca em um gesto debochado.

_Espere, Edward. Agora quero saber o problema dela comigo. Sou toda ouvidos, Tanya. Desembucha porque meu tempo é precioso – arqueou uma sobrancelha enquanto cruzava suas pernas e braços recostando no sofá.

_Hum... impetuosa, não? – riu sarcasticamente.

_Anda logo, Tanya! Fale o que tem para falar e caia fora – indiquei com a cabeça o caminho da rua, fato que a irritou.

_Não pense que vai se livrar tão fácil de mim, Edward Cullen e muito menos você, Isabella Swan – voltou a olhar para ela. _Você é a tal garota que virou a cabeça dele de cabeça para baixo, estou certa? – falou com uma voz rude enquanto apontava na minha direção.

_Hã? Do que está falando? – Bella piscou várias vezes tentando entender o raciocínio da desequilibrada.

_Argh! Que inferno! – praguejou impaciente. _Garota, não teste a minha paciência porque eu já testei e não deu certo – rosnou entre dentes. _Vou ser mais clara: você é a vagabunda que está indo para a cama com Edward?

_O QUÊ?! – Bella deu um salto do sofá. Estava espumando de raiva. _Você pirou? Eu não sou farinha do mesmo saco que você, sua louca – esbravejou.

_Chega, Tanya! Você ultrapassou o limite do bom senso – caminhei até ela pegando-a pelo braço.

_Solte-me, Edward! Eu ainda não acabei. Você vai negar que se beijaram naquele show que ocorreu aqui? Vai negar que é por ela que está apaixonado? Por acaso o prazer que ela te dá é melhor do que eu te dei durante dois anos? Por acaso ela faz um oral melhor que eu? RESPONDA! – gritou no meu rosto.

_CALA A PORRA DA SUA BOCA! – gritei de volta, arrastando-a para fora do apartamento. _Suma da minha vida, sua doida! – empurrei-a para o corredor. Nossos berros foram suficientes para atrair a atenção de outras pessoas que residem no andar.

_Você ainda é meu. Eu não aceito o término do nosso namoro. EU VOU ACABAR COM VOCÊ, ISABELLA – gritou do lado de fora do apartamento enquanto a impedia de tentar entrar novamente. E graças aos anjos que surgiram de repente, diga-se voluntários e segurança local, a maluca foi contida.

_Saiba que vou apresentar uma queixa formal contra você aos nossos representantes legais. Se você não tem ética para separar a sua vida pessoal da profissional, eu tenho – antes de fechar a porta, agradeci aos seguranças e voluntários que tentavam segurar uma Tanya transtornada.

Com a porta fechada escorei-me nela, enquanto tentava regularizar minha respiração.

Virei lentamente na direção da Bella e a vi sentada no sofá soluçando baixinho com suas mãos encobrindo seu rosto. A cena me deixou em frangalhos.

_Bella? – chamei-a enquanto me aproximava, mas ela nem se mexeu. _Bella, olhe para mim – pedi com uma ternura na voz, que até me surpreendeu. Era o efeito que ela causava em mim. Só ela podia me acalmar.

Ela permitiu que eu retirasse suas mãos do rosto. Sua delicada face estava vermelha e, ela completamente vulnerável. Passei as pontas dos dedos em cada canto de seus olhos contendo as poucas lágrimas que ainda caíam.

Olhei em seus olhos e falei:

_Desculpe-me pelas atitudes da Tanya. Somente agora tive a real noção com quem me envolvi – coloquei suas mãos entre as minhas apertando-as levemente.

_Você não tem culpa, Edward. Só estou triste e chateada pelo que ouvi da boca dela – fungava baixinho.

_Shh, meu anjo. Ela estava fora de si e fez conjecturas absurdas. Agiu de modo baixo e é por isso que devo tomar providências para mantê-la longe de você. Preciso conversar com meu pai a respeito do que ocorreu e, se necessário, apresentar uma queixa formal contra ela. Talvez você precise testemunhar, caso solicitem sua presença, tudo bem?

Deu de ombros, olhando-me desanimada. Realmente a louca fez um estrago no humor da Bella.

_Só quero evitar problemas aqui. Viemos à Londres com um único objetivo: competir. Estou farta de confusões sentimentais. Eu só vim ao seu apartamento para que conversássemos sobre o que está acontecendo conosco e, sobre uma amizade que ficou enterrada no passado – deslanchou a falar tudo de uma vez enquanto puxava alguns fios de seus cabelos de forma frustrada. Senti meu coração apertado ao ouvir a frase "uma amizade que ficou enterrada no passado".

_Calma, Bella – disse, sentando-se ao seu lado. _Nós ainda podemos conversar. Eu sempre estarei disposto a ouvir – fitei-a sem pestanejar, sendo retribuído pelo mesmo tipo de olhar.

_Agora não tem mais clima. Toda a minha preparação para esse momento foi para o ralo. É melhor deixarmos para outro dia – suspirou. _Após o meu primeiro jogo daqui a dois dias, pode ser? – mordeu seu lábio, receosa.

_Tudo bem. Você quem sabe – sorri. Pelo menos nem tudo estava perdido.

_Bem, acho que já vou. Não estou no clima da galera lá de baixo para voltar para a rodinha de música – levantou-se do sofá.

_Nem eu. Er... posso te acompanhar até o apartamento? – engoli em seco com receio da resposta.

_Sim – balançou a cabeça enquanto sorria timidamente.

Do meu quarto, ouvi a voz de Rosalie no corredor conversando de forma melosa com Emmett, já que a porta estava apenas encostada. Dispersando minhas recentes lembranças, retirei os fones do ouvido e levantei da cama para falar com ela. Queria que levasse um recado meu à Bella. Hoje seria o grande dia para elas. O dia D.

Calcei os chinelos e peguei o bilhete que entregaria a ela. Mas parei a poucos passos da porta ao ouvir o diálogo dos dois.

"Ursão, deixe-me ir. O pessoal já está lá embaixo. Juro que assim que voltar do jogo te recompenso com mais uma rodada".

"Ah ursinha, isso é maldade. Zeus vai sentir falta da sua Hera".

"Pare, Emm. Tire sua mão daí. Edward e Jasper estão em casa e podem nos flagrar".

Ouvi ela sussurrar e segurei o riso ao ouvir o apelido do 'amiguinho' do Emmett. Ele não perdia por esperar. Óbvio que eu sacanearia.

"E daí? Eles sabem que somos loucos um pelo outro".

Escutei um estalo de beijo.

"Emmett, controle-se! Vai andar de pau duro pela casa?

Ouvi ela ralhar e quase caí na gargalhada.

"Foda-se! Eu quero você, Rose".

"Agora não!"

Achei que era o momento oportuno de interromper, abrindo então a porta, assustando-lhes.

_Bom dia, Rose – cumprimentei-a normalmente. Não queria constrangê-la com minhas indiretas. Isso eu deixaria para Emmett.

_Ah. Oi, Edward. Bom dia – vi um leve rubor em suas bochechas enquanto meu irmão a enlaçava pela cintura colocando-a à sua frente numa falha tentativa de escolher a sua ereção.

_Rose, você poderia entregar esse bilhete à Bella? Mas somente após o jogo – sorri, sem graça.

_Ah, claro. Entrego sim – guardou no bolso da calça de seu uniforme.

_Humm...bilhetinho para a amada? – Emm meneou a cabeça com uma sobrancelha arqueada e um sorriso brincalhão.

Ignorando as palavras dele, continuei dialogando com minha cunhada.

_Bem, eu desejo um ótimo jogo para vocês. Estarei torcendo pela equipe. Sei que são boas no que fazem e com o 'trio parada dura', as adversárias vão ter que suar muito a camisa e abrir um pouco mais àqueles olhinhos.

Ela riu do meu comentário.

_Sim. Somos parada dura mesmo, mas também com anã de jardim comandando o time dentro da quadra fica difícil alguém titubear coma bola em mãos.

_Você é foda, ursinha! – meu irmão a apertou mais ao seu corpo, arrancando um gemido involuntário da minha cunhada. Não aguentei segurar a vontade de rir, o que deixou-a um pouco constrangida.

_Nossa! Vocês precisam arranjar um quarto urgente – Jasper se manifestou ao sair do banheiro de banho tomado.

Emmett nem nos deu confiança e, seguiu acompanhando sua noiva até a porta.

Despediu-se dela, assim como eu e Jasper, desejando um bom jogo mais uma vez.

Agora era o momento de tirar um sarro da cara do meu irmão.

_Jasper, meu amigo... – chamei-o enquanto vi Emmett pegar o controle remoto da televisão para sintonizar no canal que transmitiria o jogo de vôlei – você está ciente de que temos mais um companheiro aqui no dormitório? – ele e meu irmão vincaram a testa sem compreender ao olharem para mim.

_De quem você está falando, Edward? – meu amigo perguntou.

_É, Edward... quem é o nosso novo companheiro? – Emmett sentou-se todo folgado no sofá esperando eu falar.

_Zeus. Vocês ainda não o conhecem? – mordi a bochecha internamente tentando segurar o riso mais um pouco, enquanto observava a reação de cada um.

Jasper continuou com um ponto de interrogação desenhado em sua testa, mas Emmett logo reconheceu do que se tratava, abrindo a boca várias vezes sem dizer nenhuma palavra.

_Zeus é muito amigo do Emm, certo mano? – lancei-lhe um olhar zombeteiro.

_Er... uh... eu... é... – gaguejou.

Jasper virou-se para Emmett, perguntando:

_Quem é Zeus, Emmett? Ainda não o conheço.

Ri da cara do meu irmão.

_Ah, Edward! Não ferra! Sabia que feio escutar a conversa alheia? – mostrou-se emburrado, o que me fez gargalhar do seu constrangimento.

_Eu estava no meu quarto. Você que não sabe ser discreto – sorri.

_Será que dá para alguém me explicar do que estão falando? Estou boiando.

_Jasper, meu amigo... o que eu quis dizer é que seu amigo ursão simplesmente tem um nome específico para o 'amiguinho' dele e só quem conhece Zeus pessoalmente é sua irmã Rosalie – falei apontando na direção da cueca samba canção do Emm. A cara dele era impagável.

Jasper olhou para Emmett incrédulo sobre o que tinha acabado de escutar E assim que a ficha caiu, gargalhou até cair sentado ao lado do meu irmão.

-Porra, Edward! Você quando quer ser inconveniente é pior que puta pedindo oncinha*.

(*N/A: pedir oncinha em termos chulos do vocabulário de algumas garotas de programa, significa: pedir dinheiro)

Eu gargalhei depois dessa.

_Olha quem fala – disse ainda rindo.

_Isso me faz lembrar daquela piada que um dos caras da UGW contou no vestiário do Centro de Treinamento. Você lembra, Edward? Acho que Emmett não estava presente.

_Claro que lembro. A piada do pênis grande.

_Que piada é essa? – Emmett já começava a desfazer a carranca substituindo-a por uma expressão zombeteira.

_Bem, a piada dizia que o cara casou com uma moça virgem. E no dia seguinte foi ao médico dizendo:"Doutor, o problema é o seguinte: eu me casei, a minha mulher é virgem! Eu tentei, mas não consegui porque não entrou!

-Leva esta pomada e passa no pênis que vai entrar, tá? – receitou o médico. No dia seguinte, o cara volta:

-Doutor, não entrou!

-Não é possível! Leva este outro produto aqui. É uma pomada especial para isso mesmo! Passa direitinho que vai entrar, tá?

E no outro dia, lá estava o rapaz de novo:

-Doutor, não entrou!

-Assim não é possível! Não dá pra acredita! Olha, vou fazer uma última tentativa...Leva está pomada alemã que recebi hoje. Só tem um detalhe: ela tem que ser usada com leite! Você passa a pomada e coloca o pênis num copo de leite. E no dia seguinte o cara voltou: -Doutor, não entrou!

E o médico assustado:

-Não entrou? Como?

E o cara: - Não entrou no copo..."

A risada estrondosa do meu irmão ecoou pelo apartamento, fazendo-nos da própria risada dele.

_Esses caras não prestam mesmo. Só falam merda naquele vestiário. _Agora esquçam um pouco de mim. Vamos prestar atenção nas nossas garotas – piscou para mim sabendo que no fundo Bella era minha garota.

Após o momento "zoe com a cara do Emmett", pegamos um saco de doritos de 5 kg! Pacote tamanho família. Jasper distribuiu 3 latinhas de coca-cola e Emm pegou uma lata de Dippas Doritos molho, que continha molho cheddar. Esse seria o nosso café da manhã. Algo totalmente proibido para os atletas no momento. Mas queimaríamos as calorias sobressalentes no dia seguinte na academia, já que só estreiaríamos daqui a dois dias, devido à ocorrência de um problema com os nossos adversários, os Sérvios.

Arrumamos um pouco a bagunça da sala e ficamos e ficamos assistindo algumas competições que passavam no momento. Depois de aguardar 50 minutos torturosos para o início da partida, era chegado o momento.

A chamada da TV para o início do jogo já havia passado.

As câmeras mostravam como o ginásio estava lotado, em sua maioria por norte-americanos.

Eu me acomodei no pufe tomando um gole da minha coca e pegando um punhado de doritos para beliscar. Emmett e Jasper fizeram o mesmo. Nós três estávamos ansiosos.

Não demorou muito para o nosso Hino Nacional ser executado.

Uma das câmeras focalizou o rosto de cada jogadora da seleção americana. Emoção e nervosismo imperavam em seus trejeitos.

Quando focalizaram o rosto da Bella, senti-me feliz somente por saber que ela também estava e o orgulho que sentia por ela ter chegado aonde chegou, era enorme.

Sabia que faria um bom jogo.

Após serem chamadas pelos nomes, cada jogadora se dirigiu para a sua posição e, então, minutos depois o jogo começou.

O primeiro set foi complicado. As meninas até que começaram bem, mas talvez o nervosismo da estreia tenha atrapalhado um pouco e, acabaram perdendo para as adversárias.

Os sets seguintes foram um verdadeiro texto para cardíacos. As coreanas não eram nada fracas. Apresentaram um esquema de defesa quase impenetrável, mas para quem tem o trio Alice-Bella-Rosalie nada é impossível e minha irmã deu o xeque-mate para marcar o último ponto do set e do jogo. Um ace perfeitamente bem vindo em um momento decisivo para aniquilar com a partida.

As meninas estavam eufóricas com a primeira vitória e o melhor, já haviam ganho pontos cruciais para tentar chegar ao primeiro lugar do grupo.

Hoje seria dia de comemoração. Só nos restava esperá-las voltar para parabenizá-las.

Horas mais tarde...

Estávamos eu, Bella, Alice e Jasper sentados na parte externa da lanchonete oficial do evento, diga-se Mc Donald's, olhando embasbacados para a super estrutura do restaurante.

O espaço foi preparado para acomodar 1.500 pessoas sentadas no salão.

_Nossa! Tudo nesse lugar é exageradamente grande? – Alice manifestou-se.

_Você refere-se ao Parque Olímpico ou à lanchonete? – perguntei para depois abocanhar meu Big Mac.

_Aos dois – respondeu dando um gole em sua coca.

_Os britânicos souberam planejar e executar – Bella falou, dando um gole em seu milkshake.

_Com certeza, organização é a melhor característica deles – Jasper completou pegando uma batata frita.

_Fiquei sabendo que tudo aqui nessa lanchonete foi feito visando às normas de sustentabilidade – minha irmã olhou mais uma vez ao nosso redor. O recinto agora estava cheio.

_Verdade. O projeto incluiu equipamentos de cozinha com dispositivos para diminuir o consumo de água e energia, além da reciclagem do óleo de cozinha, que será transformado em biodiesel para abastecer parte de frota de caminhões no Reino Unido – Bella parecia uma enciclopédia.

Seis pares de olhos a fitavam de boca aberta.

_O que foi? - alternava seu olhar entre nós três.

_Como é que você sabe disso tudo? – Alice estava impressionada.

_Ah, é sobre isso... – expressou sua percepção em relação ao assunto. _Foi apenas curiosidade sobre o local, então pesquisei – sorriu timidamente.

_Bella também é informação – Jasper disse, sorrindo.

Ela meneou a cabeça negativamente não encontrando sua própria voz, ainda sem graça. Tive vontade de afagar sua bochecha ruborizada, mas me controlei ao extremo.

_Você a deixou sem graça, Jasper – disse, sem tirar os olhos do rosto dela, ao mesmo tempo em que a mesma olhou-me de soslaio brevemente, voltando em seguida a mexer no canudinho do copo de seu milkshake.

_Han han – Alice pigarreou. _Jass, amor... lembrei que tenho algo importante para fazer agora e preciso da sua ajuda. Vamos? – a voz urgente dela denunciava que havia percebido um certo clima.

_Hã? Algo importante? – ele franziu a testa.

_Sim, Jass. Vamos logo! No caminho te explico. Até mais tarde, Bella. Tchau, maninho – piscou para mim, lançando um sorriso conhecedor.

_Ei, Aly! – Bella a chamou enquanto minha irmã e Jasper já se levantavam para ir embora.

_Estou com pressa, amiga. Te vejo mais tarde. Aí conversamos – piscou para ela. _Vamos, Jass – pegou na mão dele já o puxando com certa pressa.

_Tchau, Bella. Tchau, Edward – Jasper disse, já a uma distância considerável de nós.

Eu e Bella apenas acenamos, já que saíram em disparada.

_O que deu nessa doida para sair assim? – perguntou olhando minha irmã e Jasper se distanciarem.

_Vai saber... coisas da anã – encolhi os ombros fingindo não entender também a atitude da baixinha.

Ficamos olhando ao nosso redor sem nada dizer um para o outro. Cada um perdido em seus pensamentos, até que eu resolvi me manifestar.

_E então... conte-me um pouco qual foi a sensação de sair do Earls Court com a vitória nas mãos – estávamos sentados lado a lado. Eu somente virei um pouco minha cabeça em sua direção.

_Hum...indescritível. Eu não sei definir muito bem a sensação...é algo vibrante. Estou nas nuvens até agora – sorri para ela.

_Imagino. E essa vitória deve ter sido gratificante pelo fato do jogo ter sido tão acirrado. É realmente um enorme prazer ver vocês jogando voleibol! A luta é incrível; apresentam um extraordinário espírito de time; as jogadoras são extraordinárias e o jogo em si, sempre é fascinante.

_Você continua um exagerado – murmurou sorrindo, fitando o tampo da mesa.

_Eu não estou exagerando em nada. Você sabe que é verdade tudo que falei. Principalmente porque a conheço há bastante tempo e sei da sua luta diária para mostrar um bom trabalho em quadra. Afinal, não é fácil conciliar nossos estudos na UGW com treinos constantes.

Ela não fez qualquer comentário momentaneamente, apenas balançou a cabeça concordando com o que falei. Ficamos em um silêncio confortável, até que ela falou:

_Eu quero te agradecer pelas belas palavras de incentivo que pôs no bilhete – seus olhos brilhavam de emoção ao fitar os meus. _Seu gesto significou muito para mim, Edward – sua voz suave era música para meus ouvidos. _Você ainda me conhece muito bem – deu um leve sorriso que reconfortou minha alma. Percebi que estávamos sendo levados diretamente ao túnel do tempo.

_Sim, eu ainda te conheço, porque tivemos uma vida juntos, Bella. Nós temos uma história, independente do que aconteceu – ela fechou seus olhos suspirando. Estava sentindo a atmosfera ao nosso redor começar a mudar.

Ela meneou sua cabeça afirmativamente abrindo lentamente seus olhos cor de chocolate que pareciam mais derretidos nesse momento.

Poucos segundos depois voltou a falar:

_Como pode isso? Digo, depois de tanto tempo sem nos falarmos, sem termos um contato concreto, você ainda se lembrar de cada trejeito meu, de cada expressão minha ou simplesmente, de como me sinto perante momentos decisivos, como hoje? – ela franziu o cenho.

_A resposta é simples: guardei tudo em um compartimento especial – ousei em pegar sua mão e colocá-la em cima do meu peito esquerdo na direção do coração – absolutamente tudo que diz respeito a você. Esse foi o jeito que encontrei para ter lembranças suas – olhava-a intensamente sendo retribuído pelo mesmo tipo de olhar. Animei-me por ver que ela não retirou sua mão do meu peito. _Mas creio que você não tenha guardado alguma boa lembrança minha, estou certo? – tive receio da resposta.

_Está errado. Guardei todas. Boas e ruins, porque isso fez parte de quem eu fui ao seu lado...mas eu só queria entender como permitimos nos perdemos pelo meio do caminho de maneira tão vil, Edward? – olhou-me tristonha. _Nossa amizade era única e exclusiva. Prometemos que nunca deixaríamos um ao outro, independente do que acontecesse. E no primeiro obstáculo que surgiu em nossas vidas, você simplesmente me excluiu dela, sem nem ao menos nos dar uma chance para esclarecimentos. Porque nós dois devíamos debater o ocorrido de modo maduro – sua emoção estava à flor da pele e seus olhos transmitiam através das lágrimas todo o sofrimento e tristeza que guardou durante esse tempo todo. Instintivamente me aproximei dela abraçando-a, mesmo correndo o risco de ser rejeitado pelo calor do momento, mas ela não fez nada disso, pelo contrário, abraçou-me pela cintura recostando sua cabeça no vão entre meu pescoço e meu ombro. Eu senti minhas esperanças se renovarem. Suas barreiras invisíveis estavam desmoronando. Estávamos a um passo de juntar os nossos cacos novamente. Estávamos a um passo da reconciliação.

-Shh... – mumurei baixinho. _Meu anjo perdoe-me por ter sido um fraco, covarde, imbecil, idiota... enfim, perdoe-me por dilacerar sua vida. Ao invés de agir como um adulto na época, agi como um moleque. Quando nossos sentimentos mudaram e foram postos à prova, eu tive dúvidas e receios, mas ao invés de confrontar tudo isso em uma conversa franca com você, eu achei mais fácil fugir. Fugir de você; fugir dos meus sentimentos. Então, aceitei viver em negação, por isso comecei a me relacionar com Tanya – enquanto a ninava em meus braços, senti-a estremecer ao ouvir o nome da minha ex-namorada.

_Espere aí. Deixa eu ver se entendi – soltou-se do meu abraço e eu logo senti um vazio imenso. _Naquela época, você já não me via apenas como amiga também? – olhou-me com expectativa.

_Sim, Bella. Mas só tive certeza quando a vi correr para os braços do Jacob e beijá-lo na noite do Karaokê – fiz uma expressão de desgosto ao pronunciar o nome do idiota.

Bella riu da expressão que fiz, mas tratou logo de esclarecer o que havia acontecido naquela noite.

_Edward, Jake é apenas meu amigo e ele me vê apenas como amiga também. Naquele dia eu agi impulsivamente porque...- pausou, ponderando se devia ou não contar algo – porque ao ver você e Tanya aos beijos foi demais para minha sanidade mental. Eu quis provar a mim mesma que isso não me afetava. Que você não me afetava – envergonhada pela confissão, abaixou seus olhos fitando diretamente suas mãos pousadas em seu colo.

_Ei, não precisa se envergonhar de seus sentimentos, Bella – peguei seu queixo, elevando um pouco para fitar seus olhos. _Já passamos da fase de omitir sentimentos. Agora estamos na fase da sinceridade. E eu quero saber tudo que você pensa. Mas, analisando o que acabou de dizer... posso entender sua atitude naquela maldita noite. Mesmo assim, não gostei de vê-la beijando o Quileute – torci o canto da boca em desgosto.

_Edward, eu cometi um erro, mas ainda bem que o Jake só tem olhos para Leah Clearwater e eu agradeci por naquele momento não ter complicado ainda mais a minha vida – fiquei surpreso ao saber da novidade, mas ao mesmo tempo aliviado por não ter um concorrente.

Então perguntei o que estava martelando em minha cabeça:

_Responda-me sinceramente... eu ainda te afeto? – dei um breve sorriso, vendo-a corar.

_Já que estamos conversando de modo sincero, então a resposta para sua pergunta é sim. Você me afeta de todas as formas – meu sorriso se alargou.

_Então, no momento estamos na mesma página? – afaguei seu rosto, vendo-a fechar seus olhos em apreciação ao meu toque. Isso fez meu coração reverberar.

_Acho que sim – abriu-os me fitando intensamente. _Mas antes de darmos um passo maior que nossas pernas, precisamos reconectar nossa amizade. Há um espaço que ficou em branco por dois anos, Edward – continuou me fitando. _Nós dois sabemos o que sentimos um pelo outro, mas há uma rachadura a ser consertada e vai ser preciso empenho de ambas as partes.

_No que depender de mim, consertarei essa rachadura o mais breve possível, porque sinceramente Bella, eu sinto um vazio imenso sem você na minha vida – encostei nossas testas uma na outra sentindo sua respiração descompassada do mesmo modo que a minha. _Perdoe-me, princesa. Eu imploro seu perdão – chamei-a carinhosamente pelo seu apelido de adolescência ao mesmo tempo em que a olhava totalmente hipnotizado.

_Você não precisa implorar. Eu te perdoo do fundo do meu coração porque eu não aguento mais enxergar somente a cor cinza no meu mundo. Eu quero de volta o arco-íris que você pintava cotidianamente para mim. Somente para mim – deu-me o sorriso mais sincero desde que começamos a conversar.

_Então estou mesmo perdoado? Você está de volta à minha vida para sempre? – meu entusiasmo era evidente.

_Sim. Você está perdoado. E sim... eu estou de volta à sua vida, de preferência para sempre.

_Tenho certeza que será porque não enxergo mais minha vida sem você estar participando ativamente dela. Eu não quero mais viver em buraco negro como vivo há dois anos.

_Nem eu, Edward. Nem eu – deu-me um beijo demorado em minha bochecha, para em seguida ser enlaçada por meus braços. Abraçamo-nos como se o mundo fosse acabar a qualquer momento. Eu salpicava-lhe beijos por seus cabelos que cheiravam a morango. Levantei seu rosto e dei beijinhos por toda a sua face arrancando-lhe um riso contagiante, sendo retribuído da mesma forma. O único lugar em que não nos beijamos foi na boca. Ainda não era o momento apropriado. Mas eu tinha certeza que logo ele viria.

_Eu nunca me senti tão bem antes, princesa. _Você é a melhor amiga que eu poderia ter – sussurrei emocionado.

_E você é o meu melhor amigo, Edward – escutei-a murmurar, apertando-a ainda mais ao meu corpo.

O tempo agora poderia correr ou passar lentamente porque para mim seria indiferente. Quem verdadeiramente importava no momento, estava acolhida por meus braços e se chamava Isabella Swan.


"Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade"

(Gabriel García Marquez)