ESTRATÉGIAS
POV BELLA
Se alguém me perguntasse até alguns meses atrás qual seria a maior realização da minha vida, eu diria prontamente: formar-me em administração pela UGW e abrir meu próprio negócio, na área de esportes, com minha melhor amiga Alice.
No entanto, se me fizerem a mesma pergunta hoje em dia, a resposta será totalmente diferente: construir uma família ao lado do homem que sempre amei. Edward Cullen.
Como é possível nossa vida tomar um rumo tão distinto daquilo que planejamos por dias, meses e, mesmo anos? Como é possível duas pessoas magoadas e atormentadas por uma amizade que ficou perdida no tempo, se entregarem ao amor carnal e de almas em questão de dias?
Sinceramente, eu não tenho a resposta exata para tais indagações, que anuviaram minha mente durante esse tempo em que estou em Londres. Apesar disso, tenho uma leve intuição – algo raro para mim – de que se tivesse feito uma auto-avaliação, há algum tempo, sobre as esferas que compõem a minha existência, como por exemplo, lazer, intelecto, saúde, vida financeira, amigos e família, trabalho, espiritualidade e amor, constataria muito desanimada, de que no quesito amor a porcentagem de satisfação não chegaria a meio por cento, logo a surpresa de estar vivenciando algo tão real com Edward, levou-me a idealizar algo completamente fora do propósito anterior, modificando naturalmente minhas ações e pensamentos. Contudo, em nenhum momento pensei em arrependimento, pois o que mais faltava em minha vida era amor; mas o amor de homem e mulher. E isso, Edward me dá de sobra.
Tornei-me dependente de seus carinhos e dedicação com nosso relacionamento. Ele tornou-se a minha droga favorita e de uso exclusivo.
Além disso, transformou-se em meu mestre na arte da sedução, mostrando-me os prazeres do sexo feito com amor, entrega e devoção. Sentir as várias nuances de seus toques em minha pele, remetia-me à 'inconsciência'. Minhas conexões cerebrais que comandavam a razão eram desplugadas, dando passagem à parte regida pelas emoções. Tornava-me incapaz de prestar contas dos meus atos, pois ora suas mãos acalentavam meu corpo de modo selvagem; ora deslizavam suavemente pelas minhas formas, traçando linhas imaginárias. Arrepios constantes tomavam conta de mim, levando-me a cravar minhas unhas na pele dele. Era uma maneira de prová-lo o quanto apreciava seus gestos.
Em nossos momentos íntimos, assumíamos uma outra identidade, na qual agíamos despudoradamente, embolados nos lençóis da cama. Em nenhum momento, Edward demonstrou ser dominante ou submisso na hora da transa, pelo contrário, suas ações provaram o quão disposto ele estava por descobrir o que mais me satisfazia no ato propriamente dito. E eu, procurava agir da mesma forma, uma vez que, o ponto mais alto do nosso relacionamento era o amor.
_Edward, não brinque com a minha sanidade – os dedos dele passeavam ao redor dos meus mamilos ensaiando uma dança só deles. _Hoje preciso estar centrada e seus dedos não estão contribuindo para isso – falei de olhos fechados, apreciando a leveza de seus toques e movimentos, enquanto meu corpo serpenteava embaixo do dele, de forma agoniada pelas sensações emitidas. A verdade é que eu só queria provocá-lo com minhas palavras, pois em meus pensamentos, não havia espaço para outra imagem que não fosse: eu, Edward, a cama e seus dedos mágicos em meu corpo.
_Mas não estou fazendo nada. É apenas um carinho, amor. Quero deixá-la relaxada para o jogo de logo mais – abri meus olhos, flagrando-o piscando para mim, dando-me um sorriso matreiro. Era muita cara de pau ficar me excitando para simplesmente dizer que sua ação era relaxante.
_Relaxar? Você está fazendo tudo, menos relaxando meu corpo... humm...ahhh... – soltei gemidos quando sua língua adestrada rodeou um dos bicos já entumecidos, fazendo meus dedos enroscarem nos cabelos de sua nuca.
Edward passou boa parte da madrugada se remexendo em minha cama de solteiro. Sua agitação não me deixou dormir, embora necessitasse estar totalmente descansada para executar um bom jogo na semi-final. Mas quando percebi seu 'fiel companheiro' cutucando minhas nádegas em nossa posição de conchinha, a ficha caiu: ele estava necessitado do meu corpo, iniciando assim, a famosa transa seca.
Segundos depois, encontrei-me totalmente rendida e desperta ao soltar alguns gemidos, indicando que estava gostando de ser acordada daquele modo. Não fazia a mínima ideia de quantos minutos já estávamos somente nas insinuações.
_Hummm... Edward... – ronronei, gemendo.
_Quer que eu pare? – testou-me e, logo senti um vazio ao perceber que seus lábios deixaram de acarinhar um dos meus seios.
_Nem ouse. Você será um homem inválido se fizer isso – puxei-o mais para mim, a fim de alcançar os 'países baixos' imprimindo uma leve pressão no local, fazendo-o gemer de tesão.
_Baby, você não seria capaz de acabar com seu 'parque de diversão', seria? – olhou-me de modo incerto, mas sorrindo.
_Tente, então – desafiei-o arqueando uma sobrancelha, ao mesmo tempo em que tentava prender meu riso.
_Não vou fazer isso. Não quero deixá-la frustrada e sim, satisfeita – aproximou seu rosto do meu, beijando-me calidamente. Mas sua boca logo encontrou um caminho diferente, desviando-se rumo ao meu pescoço, beijando aquele local. Em seguida, seus lábios macios pairaram em minha orelha direita, sugando o lóbulo e dando leves mordidas.
_Continue, por favor... – pedi, arfando, pois a parte mais ousada do meu ser estava vindo à tona.
_Está gostando, meu anjo? – perguntou o óbvio.
_Mui-muito – gaguejei, assim que ele voltou a explorar meu corpo vagarosamente, mas com firmeza.
Iniciou a sua provocação descendo uma de suas mãos pela lateral do meu corpo, até chegar às minhas nádegas e pernas. Subiu passando-a por entre meus seios, fitando-me intensamente, na tentativa de avaliar minha reação. E eu retribuí o olhar, completamente hipnotizada por suas íris que chamuscavam em minha direção.
Enfim, sua mão seguiu para as minhas coxas, passando-a por entra elas, demorando-se por algum tempo na parte interna, sempre me provocando, sentindo a textura da minha pele e reconhecendo aquele local, tudo sem tocar minhas zonas erógenas... ainda.
_Isso é um jogo ou tortura? – agarrei seus cabelos levantando levemente sua cabeça, a fim de cravar meus olhos em suas orbes esverdeadas.
_Aparenta ser exatamente o que para você? – devolveu a pergunta, com seus olhos entreabertos consumidos pela luxúria.
_Um jogo – respondi convicta do que achava.
_Então, amor... – abaixou sua cabeça, assim que soltei seus cabelos, em direção à minha virilha, beijando-a suavemente, causando um leve tremor em meu corpo lânguido por suas incitações – não deve-se baixar as melhores cartas imediatamente.
Meu corpo transformou-se em uma gelatina, ao ouvir tais palavras insinuadoras. Pela primeira vez, estava vivenciando o jogo da sedução e, tal suspense em querer descobrir qual o próximo passo, me matava.
_Edward, não seja malvado. Eu quero você – pedi, de modo manhoso, tentando fechar minhas pernas como forma de pirraça, mas seus braços fortes e mãos habilidosas impediram meu ato. _Negativo, senhorita – encarou-me fingindo raiva ao ver que eu pretendia encurtar seu joguinho. _Ainda nem comecei a jogar. A melhor cartada ainda está por vir – piscou de modo sacana, voltando a executar seus movimentos.
Acariciou a outra coxa, que havia sido negligenciada, retornando ao jogo de aproximação perigosa, mas nunca chegando lá. A ansiedade estava se apossando do meu corpo. Minha respiração tornou-se ofegante, assim como meu rosto parecia mais quente, e eu tinha certeza que estava vermelho.
De repente, cessou os carinhos próximos à 'zona de perigo', levantou levemente seu rosto, fitando-me com interesse e ali, pude notar suas pupilas pequenas, no formato de uma fenda no centro do seu globo ocular. Edward estava muito excitado, fato que regozijou meu ego, afinal era eu, a desastrada Isabella Swan, quem o deixava naquele estado. Sorri de modo provocante, arrancando um rosnado da sua parte, para em seguida ganhar um lindo sorriso torto.
_Esta é a parte mais admirável de seu corpo – tocou a borda de minha genitália, rodeando-a com o dedo indicador, fazendo-me soltar um silvo baixo, causado pela sensação de formigamento em minhas dobras. _É única e original; de textura macia... – enquanto elogiava a parte do meu corpo mais reservada, seu polegar tocou o ponto sexual mais sensível de uma mulher: o clitóris, arrancando-me gemidos descabidos.
_Ahhh... Edward... merrrda! Não me torture mais, por favor – supliquei, trincando os dentes, e repuxando o lençol da minha cama. Meus músculos estavam rígidos e doloridos, ansiando por um alívio que demorava acontecer. Se àquela tensão demorasse mais algum tempo, faria do meu jeito.
Mesmo percebendo meu desespero, não agiu com eu desejava, apenas recomeçou sua jogatina. Todavia, eu queria sentir seus lábios naquele lugar, imediatamente! Bufei de modo inaudível para Edward não perceber que eu necessitava de certa urgência em seu ato. E mesmo enlouquecida de tesão, continuei dançando conforme a sua música.
Alheio aos meus pensamentos, ele executava suas ações próximas à minha intimidade de modo lento e provocante. Ameaçando tocar com sua boca, e voltando a afastar um pouquinho. Esses momentos de suspense, deixavam-me em ponto de bala.
Mas como em um passe de mágica, iniciou a carícia mais memorável que uma mulher pode receber: o sexo oral.
Ao tocar a minha 'área reservada', passou sua língua longa e lentamente por toda a minha extensão, começando na base do meu sexo, lambendo toda a sua área, beijando e fazendo círculos com sua língua poderosa, sempre com suavidade.
_Puta merda, Edward! – soltei um palavrão sem ser intencional, mas eu já estava consumida pela chama da excitação extrema, então a prudência no linguajar fugia por completo. Agarrei uma de suas mãos que estava encostada na lateral do meu corpo, acariciando-me, e apertei um pouco mais forte que o normal.
Depois de me colocar em um ponto em que eu me mexia e me esticava para ter sua língua um pouco mais perto de onde eu desejava, senti seus lábios entre as camadas de minha feminilidade, separando-as com sua língua habilidosa e sempre umedecida, contudo sem tocar o meu centro pulsante diretamente. Isto era divino e me deixava louca por querer desesperadamente que ele desse alguma atenção à minha 'pérola minúscula'.
Apesar disso, começou a lamber a entrada do meu sexo, que já se encontrava encharcado pelo líquido lubrificante que meu próprio corpo expelia. Senti minha alma ter a sua própria experiência extra corpórea.
E então, delicadamente a ponta de sua língua tocou meu ponto endurecido, lambendo-o lentamente, reconhecendo o local e dedicando-se ali algum tempo. Aos poucos, aumentou a velocidade friccionando sua língua de encontro a ele, impondo um pouco mais de força e pressão. Nesse momento, eu já delirava de olhos fechados, e devido à minha grande excitação, tentei fechar as pernas instintivamente, porém Edward bloqueou minha ação com suas mãos, diminuindo seu próprio ritmo, o que me fez fitá-lo desnorteada e completamente lânguida. Seus olhos estavam escurecidos pelo tesão e talvez, pelo belo show que eu estava lhe proporcionando ao delirar.
_Linda, gostosa e minha – passou sua língua por entre seus lábios ao me fitar como um verdadeiro predador, e em uma atitude impensada, puxei-o para cima de mim, colando nossos corpos. Eu estava desesperadamente querendo gozar, mas não em sua boca e sim, em cima de seu membro viril, duro, grosso e imponente.
Pegando-o de guarda baixa, consegui inverter nossas posições na cama. Fiquei por cima dele enquanto minhas mãos, mais que depressa, guiaram sua masculinidade em direção à entrada do meu sexo. Deslizei suavemente, porém de modo firme, por toda sua extensão, sentindo pela primeira vez o contato da minha carne à sua. Edward urrou de tesão ao ter seu membro todo envolto por mim enquanto eu, soltei gemidos desvairados ao senti-lo profundamente.
Sentada, apoiei minhas mãos em seu peitoral enquanto as mãos dele seguravam-me pelo quadril, estimulando a me movimentar. Conforme ondulávamos nossos corpos em uma dança própria, sentia-me absurdamente excitada e meu namorado, percebendo meu estado, levou seu polegar ao meu ponto entumecido, friccionando-o. Eu me contorcia de prazer.
Em questão de segundos, senti um formigamento em meu baixo ventre ao ser atingida em um ponto específico, provavelmente meu ponto G, fazendo as paredes de minha intimidade contraírem, apertando o membro de Edward.
_Ahhh...Bella... isso... vem amor, vem gozar comigo – observei-o fechar seus olhos, jogando a cabeça para trás, no travesseiro, ao mesmo tempo em que eu acelerava o ritmo em cima dele. O suor brotava de nossos poros.
Anestesiada pelas sensações indescritíveis, meu corpo virou massinha de modelar em suas mãos. Segurando-me firmemente, inverteu nossas posições, passando a comandar a relação. Suas estocadas rápidas e profundas me levaram ao ápice do prazer enquanto minhas pernas enlaçadas ao seu quadril prendiam-no junto a mim. Minhas unhas arranharam suas costas, em um estímulo suficiente para Edward morder meus ombros, porém nem senti a dor, apenas prazer, pois eu sabia que ele estava chegando ao apogeu do clímax, assim como eu.
_Ahh... ohh... acho que vou go... – antes dele finalizar a frase, senti seu jato forte em minha cavidade, ao passo em que eu chegava ao meu próprio gozo.
_Edwarrrd... – choraminguei em seu ouvido, sentindo meu corpo tremer devido aos últimos espasmos de prazer.
Exausta, permaneci imóvel na cama. Calados, optamos por contemplar o silêncio do quarto e nossa respiração baixa e incerta. Aos 20 anos, jamais cogitei vivenciar tal experiência. Edward era adorável.
_Nossa! Estou imprestável – sussurrei, aproveitando que ele ainda estava deitado sobre mim.
_Eu também não estou diferente de você, meu anjo – levantou sua cabeça, sondando-me, para então, beijar minha fronte. _E então, acha que fui aprovado como seu professor? – fitou-me com um sorriso descarado. Decidi entrar em sua brincadeira.
_Com certeza. Provou-me ser catedrático no assunto. Quero repetir a dose incansavelmente, se possível – pisquei, dando-lhe um sorriso jocoso.
_Uau! Acho que despertei uma ninfomaníaca que vivia reclusa em seu interior – gargalhou ao notar minha boca escancarada de surpresa. Corei vergonhosamente com sua brincadeira.
_Edward, eu não sou assim – desviei meu olhar do seu, totalmente encabulada.
_Eu sei baby, mas adorei vê-la tão entregue em meus braços e fico muito feliz em saber que você me deseja tanto quanto eu te desejo – selou nossos lábios em um beijo suave.
_Eu seria louca se não te desejasse. Alguém poderia emitir um atestado de insanidade para mim, com toda certeza – dei uma risadinha, ganhando mais um beijo.
_Eu amo tanto você – disse, em um tom de devoção.
_Eu também, Edward – olhei-o, toda derretida.
_Que tal tomarmos um banho, sua sujinha – seus olhos vagaram por meu corpo, e atentei, que realmente precisava de um asseio urgente. Porém, ao analisar meu corpo nu, reparei que fomos completamente irresponsáveis: fizemos amor sem proteção! MEDO. Essa foi a sensação que passou por mim, paralisando meus movimentos.
_Bella? Baby? – despertei ao ver Edward acenando com a mão à minha frente, sentando na cama. _O que houve? Está sentindo alguma coisa? – vi um vinco de preocupação surgir no meio de sua testa.
_Hã?! – balancei a cabeça, para espantar meus receios. _Err... Edward... – mordi meu lábio inferior, apreensiva – nós... não usamos...cami-camisinha – gaguejei, amedrontada.
Então, eu vi a compreensão tomar conta de seu rosto. Mas, ao invés, de ficar chateado, ele me surpreendeu:
_Acalme-se, meu anjo – enlaçou-me, abraçando-me de modo zeloso. _Tudo bem que agimos sem a menor precaução, mas isso não é o fim do mundo, Bella. Se por um acaso você engravidar, eu serei o homem mais feliz porque nosso filho será fruto do nosso amor – tocou meu queixo, erguendo-o para me avaliar.
Assenti um pouco mais aliviada e surpresa, por notar que ele não rejeitaria a minha possível gravidez. Pelo contrário, estaria disposto a amar incondicionalmente o nosso filho. Em compensação, eu tinha uma vida fora das quadras. Como ficaria a minha faculdade de administração? E como meus pais reagiriam a uma notícia inusitada como essa?
_Bella, diga-me o que a aflige. Eu posso 'ver' as engrenagens no seu cérebro trabalhando incessantemente – olhou-me em expectativa.
_Edward... – respirei fundo, passando as mãos em meus cabelos, nervosa – eu... meus pais... como... – absolutamente nada saía do modo correto.
_Respire, amor – afagou meus braços.
_Se eu engravidar, como ficará o meu curso de administração? E os meus pais, como irão reagir? Serei uma decepção para eles? – senti meus olhos umedecerem.
_Ei, meu anjo... não precisa chorar. Primeiro, coloque em sua mente de uma vez por todas, que a minha estadia ao seu lado é permanente e irrefutável. Sem contestação. Segundo, cada agonia na sua hora. Se engravidar, continuará cursando administração até onde for possível, depois você 'tranca' a matrícula. E terceiro, jamais pense que será uma decepção para Charlie e Rennée porque seus pais nutrem um amor imenso por você, meu bem. Nunca pense o contrário. E eu mesmo falarei com eles, caso confirme-se o que estamos pensando – finalizou, sorrindo e abraçando-me carinhosamente.
_Eu amo você – falei suavemente, encantada por suas palavras. _Eu sou uma mulher sortuda por ter um companheiro tão amável e apaixonante, que apoia minhas duas carreiras; meus sonhos; que é zeloso, e que trouxe a alegria de volta para a minha vida – dei-lhe um sorriso cúmplice.
_Eu também te amo. Muito. Mas o sortudo sou eu porque meu mundo é um lugar melhor por sua causa, Bella. Quando eu perdi a minha fé no amor, você devolveu-a para mim. E se eu tenho o seu amor, tenho tudo. Sou grato por cada dia que você me deu – beijamo-nos sofregamente, arrebatados pela aura da paixão. _Te amo mais que a minha própria vida, meu anjo – nossos lábios se encontraram mais uma vez, saboreando-se. Senti sua mão direita desviar de minha cintura em direção à minha bunda. Edward estava impossível, mas eu também não estava muito diferente, porém eu precisava de algumas horas de descanso, caso contrário, poderia não somente prejudicar meu desempenho na reta final da competição, mas também do time e, isso seria imperdoável.
_Edward, eu necessito de uma rodada a mais com você porque ainda não me sinto satisfeita – ronronei em seu ouvido fazendo um afago nos cabelos de sua nuca – mas o dever já, já estará me chamando, então acho melhor dormirmos mais um pouco – fitei seus olhos inebriados de ternura.
_Eu compreendo, amor. Agora a prioridade é a sua semi-final, embora já esteja desejoso pelo seu corpo novamente. Mas antes, a senhorita me acompanhará na ducha. Venha, sua manhosa. Vamos tomar um banho – levantou da cama, pegando a toalha limpa depositada em cima de um dos mobiliários do quarto, envolvendo em sua cintura. Em seguida cobriu meu corpo com o lençol, carregando-me no colo em direção ao banheiro.
*8h30 da manhã*
"Ahhhhh!"
Acordei sobressaltada junto com Edward ao ouvir um grito. Vestimo-nos apressados pegando partes de nossas roupas, correndo em direção à porta do quarto. Ao escancará-la, pude ver Alice estirada no chão do pequeno corredor, completamente encolhida em posição fetal, segurando seu tornozelo direito e gemendo de dor.
_Alice! O que houve pelo amor de Cristo? – agachei para tentar acalmá-la, mas eu mesma estava mais aflita que ela.
_Calma, Aly. Vou colocá-la no sofá para avaliar melhor esse tornozelo, ok? – Edward assumiu o 'modo' médico.
_Urgh! – ela deu um pequeno gemido de dor. _Ed... faça... essa dor... passar – soluçava, e seu rosto estava vermelho e banhado por lágrimas. _Acho que... que rompi... os ligamentos. _Ai! Devagar, Edward. Droga! – reclamou, enquanto seu irmão tentava levá-la no colo com cuidado.
Minha angústia aumentava ao ver a expressão de sofrimento estampada em seu delicado rosto.
_Aly, preste atenção, por favor – seu irmão pediu ao acomodá-la no sofá. _Você tem que se ajudar também. Eu entendo que esteja doendo muito, mas ficar só chorando não vai fazer muita diferença. Preciso que você me diga exatamente o local que dói mais, tudo bem? – o tom suave da voz dele, parece ter surtido efeito positivo no estado emocional da minha amiga.
_Tudo bem, mas não aperte muito, senão te dou um tapa – falou emburrada, mostrando seu bico.
_Se eu pressionar aqui – tocou próximo à articulação do tornozelo – dói muito ou pouco?
_Ai! Isso dói, porra! – a espontaneidade de sua frase arrancou um risinho de nós dois.
_Ok. Agora tente movimentar levemente – Edward instruiu-a, observando atentamente, a ação mínima que sua irmã conseguiu fazer. Eu também prestava atenção a cada mínimo detalhe, sentada no meu pufe.
_Ai!
_Tudo bem. Vou para por aqui, até porque já estou vendo um edema se formando devido ao trauma, mas como futuro ortopedista, posso assegurar que não houve ruptura total dos ligamentos, para a sua sorte, baixinha. Caso contrário, não movimentaria nem o mínimo necessário – sorriu, ganhando um olhar enviesado da irmã. _Provavelmente, deve ter havido um estiramento, gerando uma leve frouxidão, mas para não piorar a lesão é bom fazer uma compressa de gelo, até eu te levar à Policlínica para os médicos realizarem o exame de raio-x.
_Deixa que eu mesma pego o gelo – segui em direção ao frigobar para buscar uma cuba de gelo. Despejei alguns cubos em cima de uma flanela limpa alocada em um pequeno armário na sala. _Prontinho – sentei novamente no pufe ao entregar a compressa a Edward.
_Desculpem por ter atrapalhado o sono de vocês, principalmente o seu, Bella. Não era minha intenção acordá-los desse modo escandaloso. _Da pior maneira, a competição acaba aqui e agora para mim – desviou seu olhar de nós dois para as suas mãos, deixando que as lágrimas escorressem novamente por seu rosto.
_Ei, fadinha... – ajoelhei-me de frente para ela, secando suas lágrimas. _Não seja pessimista. Provavelmente, você estará recuperada para jogar a final, caso a gente ganhe hoje – pisquei, sorrindo, tentando reconfortá-la, embora nem eu mesma estivesse muito confiante.
_Sinto muito pelo que vou dizer, Bella. Mas tenho que concordar com Alice. Sua recuperação levará alguns dias a mais, ultrapassando a data da final, então infelizmente, sua participação nos Jogos Olímpicos encerra-se aqui – Edward falou de modo sincero e triste, mas não gostei de ouvir tais palavras. Não queria que a tristeza se apossasse de Alice, que sempre foi tão vivaz e esfuziante.
_Edward! – chamei sua atenção. _Precisava ser tão direto? – olhei 'torto' para ele.
_Tudo bem, amiga. Ele só está fazendo o seu trabalho. Se eu, como leiga, já entendi a minha situação, imagina ele que é quase médico – disse, conformada.
_Amor, eu não posso enganar ninguém. É meu dever ser franco e agir com ética – fitou-me.
_Desculpe. Mas é difícil encarar a realidade dos fatos. O trio 'parada dura' está rachado – falei, formando um bico.
_E tudo por culpa da minha pressa. A junção de chuva + tênis molhado + piso de tábua corrida, não resultaria em algo bom mesmo – Alice bufou, cruzando os braços. _Porém, sei que o time chegará às finais. É questão de intuição – deu-me um leve sorriso, e eu retribuí acenando com a cabeça.
_E qual foi o motivo de sua pressa, Alice? – Edward indagou.
Ela suspirou profundamente antes de falar.
_Bem, na verdade... eu tenho duas notícias: uma boa e uma ruim. Qual das duas preferem saber primeiro? – olhou de mim para Edward.
_A boa – falei prontamente.
_Encontraram a localização da Tanya – prendi minha respiração inicialmente, absorvendo a informação, enquanto minha amiga nos sondava com seus olhos afiados.
_Como assim? – meu namorado quis saber.
_Bem, estava tomando café com nosso pai, Emmett, Jasper e Rose até que Carlisle nos revelou que os investigadores federais conseguiram localizá-la através de um dos seguranças da Vila Olímpica. Parece que ele tornou-se seu cúmplice, mas papai não quis entrar em detalhes. Os federais somente repassaram tal informação ao nosso pai, depois dele ter comprovado ser parente em primeiro grau de uma das vítimas. Disse que após o nosso jogo os dois agentes incubidos de fazer a sua segurança, Bella, te levariam à sala da chefia de segurança do Victory Park. Aro também será avisado, já que é o chefe da nossa delegação. Até mesmo o embaixador dos EUA aqui em Londres será informado sobre o que está acontecendo.
_Oh, Deus! – exclamei, perplexa com a proporção da confusão causada por Tanya.
_E qual é a notícia ruim? – Edward perguntou mais uma vez.
_Tanya não estava no pequeno apartamento, localizado a 20 km daqui. Encontraram vários apetrechos espalhados pelo lugar, desde rascunhos contendo frases ameaçadoras até perucas! – revirou os olhos. _Encontraram um copo de café em cima da pia da cozinha. Ainda estava quente, o que significa que a pessoa saiu às pressas. É muito provável que seu cúmplice tenha avisado-a momentos antes de um possível cerco. Interrogaram-no para saber de mais detalhes, mas parece que o passarinho comeu a sua língua. Ah, e seu nome é Demetri.
_Minha nossa! – tapei minha boca com as mãos. _Até que ponto uma pessoa pode ir com seu plano de vingança? – murmurei para mim mesma. _Sinto-me em um jogo de xadrez, esperando que meu algoz dê o xeque-mate.
_Calma, amor. Saiba que não está desprotegida. Após o jogo estarei ao seu lado acompanhando-a até a sala da chefia de segurança. Tanya não tem mais cúmplice. Uma hora ela terá de aparecer. O Serviço de Inteligência tem suas próprias estratégias, meu anjo. Ela será pega – reconfortou-me com um beijo na bochecha. _Agora vamos levar a donzela da minha irmã ao Centro Médico para avaliarem melhor essa entorse. Depois disso, vamos tomar nosso café.
_Tudo bem, mas antes de seguirmos para a Clínica tenho que avisar o Alec ou qualquer outro membro da equipe técnica sobre o acidente da Alice.
_Alec possivelmente terá uma síncope, pois precisará alterar um pouco o esquema tático – disse minha amiga.
_Lógico que não, Aly. No seu lugar entrará Jéssica Stanley, afinal ela é sua reserva – arqueei minha sobrancelha.
_Mas ela é lerda demais para ter uma visão geral do jogo – falou sarcasticamente.
_Sabe... eu não entendo essa sua implicância com ela – acenei minha cabeça negativamente.
_Digamos que ela insistiu em ciscar no galinheiro errado aqui no Victory Park. Talvez como forma de provocar-me – olhou-me de modo enviesado.
_Ah! Jasper – compreendi do que se tratava a rixa.
_Não gosto dela. Simples assim – deu de ombros. _Tomara que seja eficiente e ajude o time a chegar à final.
_Ela agirá como a boa profissional que é, Alice – Edward se intrometeu. _Já a vi jogando, e observei que é uma jogadora dinâmica à altura da seleção de vôlei.
_Agora vai ficar do lado dela? – inquiriu-lhe, emburrada.
_Não, sua ciumenta – falou sorrindo.
_Acho bom.
_Bem, vou tomar um banho ligeiro para podermos seguir para a Clínica – falei já me levantando.
_Espero que tomem banhos separados. Não estou a fim de escutar urros de prazer às oito e cinquenta da manhã – olhou em seu relógio de pulso.
_Alice, quer parar com isso?! – tentei repreendê-la.
_Só por causa disso, vou arrastar minha namorada gostosa para o banho. Vem, amor – Edward se postou ao meu lado, enlaçando-me pela cintura, dando um sorriso cínico em direção à sua irmã.
_Pare você também, Edward – tentei demovê-lo de sua ação, mas seus braços pareciam correntes de aço, e então desisti.
POV EDWARD
*16:00hs*
Eu andava de um lado para outro na sala do meu dormitório, como um leão enjaulado, prestes a atacar meu pior inimigo. A minha intenção era trucidar o pescoço da vagabunda da Tanya, mas em momentos tensos, devemos agir com cautela. Estudar o inimigo e suas estratégias, estas são as melhores armas, até você mesmo conseguir montar suas táticas de guerra.
O Serviço de Inteligência de qualquer país sempre tem os melhores investigadores para resolver casos complexos, mas Tanya tornou-se um quebra-cabeça tanto para eles como para mim, que fui seu namorado durante dois anos. Pensei que a conhecia durante todo aquele tempo em que permanecemos juntos, mas hoje vejo que me enganei. E muito.
"Merda! Como eu fui ingênuo e ignorante", pensei com raiva de mim mesmo.
_Como fui idiota! – praguejei baixinho, mas o ouvido do meu irmão estava bem apurado.
_Wow! Tem alguém se xingando aqui? – Emmett perguntou, assim que saiu do banheiro, de banho tomado, seguindo em direção ao sofá para pegar o controle remoto e sintonizar no canal de esportes que transmitiria o jogo de vôlei feminino.
_Não enche, Emmett! – retruquei, chateado. Descontei nele a raiva acumulada. _Desculpe – minha voz soou mais branda ao tentar me retratar. Afinal, não era sua culpa por eu estar nervoso.
_Tudo bem, mano. Sem ressentimentos – falou espalmando as mãos no ar, mostrando suas covinhas em um sorriso. _Mas será que posso saber o motivo da revolta? – arqueou a sobrancelha, enquanto cruzava seus braços.
_A minha revolta chama-se Tanya Denali. Hoje vejo que ao invés dela ter sido minha marionete, na verdade, eu fui o verdadeiro ventríloco da relação. Eu não conheci nem a partícula ínfima daquela infame e tresloucada. E agora me sinto perdido, sem saber como agir diante de tantas incertezas. Diante de um comportamento extremamente obsessivo – extravasei todo o meu descontentamento com a situação calamitante que a própria envolveu a todos nós.
_Calma, Edward. No momento, só nos resta aguardar pelo desfecho final. Não há mais escapatória. E creio que se ela tem algum apreço pela própria vida, já deve estar bem longe daqui porque os agentes não brincam em serviço. A desequilibrada tornou-se um assunto para a polícia, e não mais para nós – disse, sentando-se displicentemente no sofá com o controle remoto nas mãos.
_Isso é o que você pensa, Emm. A mulher é ardilosa e usa sua inteligência para praticar a maldade, mesmo não estando com suas faculdades mentais plenamente perfeitas. Duvido que tenha fugido da cidade. Infelizmente para ela, o jogo só terminará quando atingir o seu propósito – engoli em seco ao constatar que o seu objetivo é aniquilar a vida da Bella.
_Ela não chegará perto da Bellinha, Edward. É uma missão praticamente impossível. Você viu o tamanho dos dois policiais que estão fazendo a segurança da sua namorada? – olhou-me com um sorriso irônico. _Os caras dão dois de mim. São verdadeiros gorilas – tive que rir da sua patética encenação ao bater suas mãos em punho cerrado no seu peito.
_Não sei, Emm. Minha intuição me diz para ficar em alerta – continuei andando de um lado a outro, inquieto.
_Cara, dá um tempo. Você está me deixando tonto de tanto zanzar de lá para cá; daqui para lá. Vai furar o assoalho daqui a pouco. Aproveita que está em pé, pega uma latinha de cerveja para mim e senta por aí para assistirmos o jogo. Quem sabe assim você abstrai um pouco a lunática da sua mente e se concentra na partida decisiva para Bella.
_Você está muito folgado – relancei um olhar 'torto' para ele, pegando duas latinhas de cerveja, a minha e a dele.
_E você está muito estressado – piscou, exprimindo uma cara de deboche enquanto pegava a cerveja da minha mão.
_Então, responda-me com sinceridade, Emmett – fitei-o seriamente. _Caso a Rose fosse vítima da Tanya, você não se preocuparia? Será que você não estaria nem um pouco estressado ou abalado ao ver a vida da sua mulher ser transformada em um verdadeiro inferno? – despejei tudo de uma vez.
_É óbvio que estaria abalado. Eu daria minha vida para proteger Rosalie de qualquer possível atentado – poucas vezes vi meu irmão falar tão sério.
_Então, você percebe o quão difícil é para que eu controle as emoções, certo? – encarei-o.
_Compreendo, Edward. Contudo, só acho que você deve acreditar mais nas investigações policiais. A situação não está mais ao alcance de suas mãos. O amor obsessivo que Tanya tem por você, levará a polícia até ela porque a qualquer momento seu distúrbio psíquico a trairá, fazendo-a cair em sua própria armadilha.
_Eu confio nos investigadores, mas Tanya está agindo como um caçador à espreita. Ela nunca perde Bella de vista. E só de pensar que essa stalker* pode estar disfarçada averiguando o terreno no Earls Court na iminência de atacar a minha namorada, eu tenho vontade de arrancar todos os fios do meu cabelo. Eu queria estar lá no ginásio neste exato momento, mas procurei respeitar o pedido da Bella para que eu a esperasse aqui. Isso é frustrante, Emmett – suspirei profundamente, repuxando alguns fios do meu cabelo, olhando de relance a tela da TV.
_E adiantaria alguma coisa você estar lá? Pensa bem, mano. O mais próximo que estaria da Bella, seria ficar acomodado na área reservada aos atletas da nossa delegação. Só. E você acha mesmo que a louca se entregaria de bandeja à polícia, cumprindo apoteoticamente suas ameaças diante de milhares de espectadores? – encarou-me, ignorando por completo o início do jogo.
_Sinceramente, Emmett... eu espero tudo de uma pessoa que perdeu a conexão com a realidade – entreolhamo-nos por mais alguns segundos até se pronunciar novamente.
_Desisto de tentar convencê-lo que uma andorinha só não faz verão. O que quero dizer claramente, meu irmão, é que Tanya pode até estar fora de seu juízo mental perfeito, todavia ela é apenas uma "lutando" – gesticulou com seus dedos sinalizando aspas – contra um forte esquema de segurança. _Deixe de ser pessimista. Dê crédito à polícia, e vamos assistir a porra do jogo porque eu quero apreciar a performance da minha ursinha – finalizou, voltando sua atenção para a televisão. O jogo já estava no segundo tempo técnico e as meninas levavam vantagem em cima das chinesas.
*1hora 32min. depois*
_Cara, nossas meninas arrasaram as chinesas. Que estrago minha Rose fez com a defesa delas. Um dos principais fundamentos não funcionou. Azar delas, que vão pegar o avião de volta para casa. Sorte nossa, rumo à finalíssima contra as temidas brasileiras – Emmett gesticulou dando um soco no ar.
_Graças a Deus tudo terminou bem – suspirei aliviado, recostando-me no pufe.
_Edward, apenas aconteceu o que era previsto: a seleção norte-americana na final; Tanya desaparecida e o esquema de segurança intacto – piscou, convencido.
_É... pelo menos minha namorada continua segura – meneei com a cabeça.
_Quando as meninas retornarem a gente sai para comemorar... ou não, né? – entortou o canto da boca, em desgosto.
_Por que não? – franzi o cenho.
_Ora, Edward. A baixinha vai monopolizar a atenção das nossas namoradas – suspirou, derrotado.
_Duvido. Hoje, ela só vai exigir atenção exclusiva da única pessoa que deve estar fazendo isso muito bem, neste exato momento no dormitório dela – dei-lhe um sorriso maroto.
_Se em perfeito estado físico a tampinha já é manhosa e mandona, imagina agora com o pé enfaixado e usando muletas – rolou seus olhos.
_Coitado do nosso amigo – dei uma risadinha, levantando-me ao ouvir o som da campainha.
_Será que é o pai? – Emmett perguntou.
_Provavelmente – dei de ombros, ao abrir a porta e certificar-me que era Carlisle. _Olá, pai. Entre – dei passagem para que adentrasse.
_Olá, meus filhos. Como estão se sentindo após a vitória das suas namoradas? – deu-nos um sorriso singelo.
_Eu estou ótimo. Minha ursinha foi um dos destaques do jogo, marcando 24 pontos em bloqueio – meu irmão respondeu, devolvendo-lhe o sorriso, ao passo que Carlisle voltava sua atenção para mim.
_Estou bem também por ver que Bella jogou de forma confiante e eficiente, contudo estou mais aliviado por vê-la segura – dei-lhe um sorriso contido.
_Filho, eu vim justamente reforçar o que foi dito pela manhã quando conversamos brevemente na Policlínica. Bella deverá seguir os protocolos de segurança da polícia Britânica, uma vez que estamos em Terras alheias, assim como você, já que é considerado um dos possíveis alvos.
_Tudo bem. Só desejo que isso tudo tenha um fim em breve. Não dá para continuar andando por aí, desconfiando de tudo e de todos. Isso não é vida – balancei minha cabeça negativamente.
_QUE PORRA É AQUELA? – a voz exaltada do meu irmão chamou nossa atenção.
_O que houve, Emm? – olhei espantado para ele, sem entender sua reação.
_Vejam! – disse, monossilabicamente.
_O que está havendo com esse ônibus? – estreitei meus olhos para tentar observar melhor a imagem à minha frente, que aparecia para nós de forma tremida, devido à movimentação do cinegrafista. _É o ônibus em que as meninas estão? – perguntei, mas ninguém me respondeu. Estavam completamente atônitos com o que se passava na tela da TV.
_Minha. Nossa. – ouvi meu pai sibilar ao meu lado, pausadamente, após a câmera focalizar melhor o veículo.
Meus olhos esbugalhados, agora, custavam a acreditar no que estavam vendo. Realmente era o ônibus da seleção feminina de vôlei norte-americana. A pintura da nossa bandeira em formato gigante, incrustada ao longo de toda a extensão do veículo, era inconfundível.
Logo, o pânico assaltou meu corpo e minha mente. A breve conversa que tive com Emmett momentos antes desse ocorrido assolou-me de vez, fazendo meu cérebro entrar em 'curto- circuito'. Um sentimento de impotência diante do desconhecido me paralisou; a respiração tornou-se irregular; meu coração passou a pulsar de forma descompassada e minhas pernas fraquejaram porque diante dos meus olhos... vi meu mundo ruir. Meu pior pesadelo tornou-se real.
"...o ônibus da seleção feminina de vôlei dos Estados Unidos, foi interceptado por um forte aparato policial, após sua rota original ter sido desviada para uma estrada nos arredores de Londres. Sabe-se apenas que o veículo, transportando equipe técnica e jogadoras, foi sequestrado na saída do ginásio Earls Court. No momento, desconhece-se a identidade do sequestrador. Voltaremos em instantes com a cobertura completa. Sou Carly Hill falando diretamente para o canal ESPN USA".
"A percepção é forte e a visão é fraca. Em estratégia, é importante ver o que está distante como se estivesse próximo e ter uma visão distanciada do que está próximo".
(Miyamoto Musashi)
