HERÓI? (PARTE 2)
POV BELLA
Ainda no Earls Court...
*17h50*
_ROSE, QUE. PARTIDA. FOI. ESSA?! Que partida! – enfatizei, dirigindo-me ao vestiário do ginásio na companhia da minha amiga. _Meus braços estão doloridos de tanto passe e defesa que executei na quadra. Mas pelo menos cumprimos muito bem a nossa parte. Rumo à final.
_Nem quero mais pensar nisso, e muito menos na próxima partida. Sinto os músculos do meu corpo suplicando por uma massagem relaxante. Estou exausta, amiga. Apenas quero um bom banho agora, e depois... cama. Mas sei que assim que chegar ao Victory Park, Emmett não vai me deixar descansar tão cedo. Sabe como é...há homens com muita testosterona que são insaciáveis, se é que me entende... – olhou de soslaio para mim com um sorriso malicioso, fazendo-me dar uma risadinha.
_Entendi perfeitamente – acenei em concordância. _Contudo, ao contrário de você, assim que chegar à Vila Olímpica, pretendo usufruir os benefícios daquela banheira do nosso apartamento acrescentando sais de banho com essência de cereja, e de preferência muito bem acompanhada, afinal quero ter meu momento de prazer, se é que me entende... – gargalhamos diante das insinuações por trás de nossas frases.
_Bella, você está muito diferente, o que eu acho ótimo. Edward está fazendo um bem danado ao seu ego – cutucou-me com o cotovelo.
_Rose, o que eu posso fazer se ele é perfeito para mim? Ele é o cara que toda sogra pediria a Deus, e toda mulher rogaria de joelhos diante do altar por um exemplar dele – dei um sorriso enviesado.
_Uau! Cadê a minha amiga puritana? Por um acaso Freya - deusa da sensualidade, da luxúria, do amor, da magia e da adivinhação – tomou conta do seu corpo? Eu não estou te reconhecendo, embora esteja adorando sua nova faceta – sorriu em apreciação à nova fase que estou vivendo.
_As pessoas mudam. Simples assim – dei de ombros.
_Tenho que concordar. E ainda bem que algumas mudam para melhor – olhou novamente para mim, abraçando-me pelo ombro, e sorrindo de modo sincero.
_Sabe...agora vejo que minha vida está nos trilhos. Já me vejo fazendo planos para uma vida a dois, algo impensável até algum tempo atrás. Tempo esse, em que eu apenas vivia um dia de cada vez, como um alcoólatra em recuperação. Não enxergava nenhuma perspectiva positiva relacionada à minha vida afetiva.
_Bella, na vida tudo tem seu tempo certo de acontecer. Porém, como seres humanos imperfeitos, não somos pacientes o suficiente para esperar que cada peça de um quebra cabeça complicado se encaixe no momento correto. Mas agora chegou o seu momento; a sua vez de lutar pelo que sempre quis, pelo que parecia inatingível. Você encontrou um propósito de vida, que se chama Edward. É tão notável o amor que flui de ambos; o sorriso franco que se desenha nos lábios de cada um e a alegria quase desmedida quando estão juntos. O amor de vocês transcende barreiras. E eu fico muito feliz por vocês – ainda abraçada a mim, deu-me um beijo na cabeça, que estava apoiada em seu ombro.
Diante do gesto carinhoso de Rose, levantei a cabeça fitando seus lindos olhos azuis com uma expressão no rosto que denunciava todo a minha emoção ao ouvir palavras tão sinceras.
_Obrigada, Rose... por ser minha amiga – dei-lhe um beijo terno em uma de suas bochechas.
_Quando precisar de uma amiga sincera, sempre estarei a postos – piscou. _ Pare de chorar, sua boba. Pelo menos você continua a mesma manteiga derretida – rimos juntas. _Agora vamos logo tomar nosso banho ligeirinho porque o tempo urge e nós duas estamos afoitas para reencontrar nossos namorados.
(...)
Momento atual...
Um dia...a vida muda o sentido sem perguntar. Sem pedir, o passado te assola erguendo-se como uma parede, o presente fica rachado, e o futuro iminente...permanece uma incógnita.
Um beco sem saída e completamente escuro.
Em estado letárgico, assisto minha própria agonia interna diante do inevitável: a morte. Sinto-me tão íntima como nunca antes, e devo os créditos da apresentação informal à minha algoz, Tanya Denali.
Há poucos minutos, Rose havia comentado que tudo na vida tem seu momento certo para acontecer, mas será possível que a cena diante dos meus olhos já estava escrita no meu destino? Ou seria apenas um acaso? Sinceramente, acho mais um jogo de azar, em que a probabilidade estatística de ser atingida à queima roupa pela arma de Tanya, vai depender de sua sanidade mental. E o que vejo não é nada agradável.
Seus olhos azul turqueza transmitem o que se passa em sua alma: ódio. Mas o que mais chama minha atenção é uma pequena porção de pó branco em seu nariz e a clara perturbação em seu rosto, com alguns tics nervosos. Estaria ela drogada? Seria possível isso? Acho que sim, afinal o desespero leva algumas pessoas a tomar atitudes drásticas.
Já fazia um bom tempo em que estávamos parados em alguma estrada nos arredores de Londres, porém não sei precisar a hora, visto que encontro-me em pé de frente para a minha 'sina', vestindo um colete-bomba; com as mãos amarradas, amordaçada e totalmente estática, com o cano do silenciador da pistola encostado em minha testa. O único movimento plausível que emana de mim mesma é o movimento mínimo de meus pulmões com minha respiração entrecortada. O medo usurpou a tranquilidade do meu espírito. E a exaustão dominou meu corpo. Eu não aguento mais ficar em pé, cara a cara com Tanya, enquanto a mesma faz insinuações e ameaças sutis frequentemente.
Eu tive certeza do meu destino assim que ela anunciou o sequestro na parte traseira do veículo, fazendo com que todos os passageiros virassem na direção de sua voz, aparentemente tremida e ao mesmo tempo ríspida.
No mesmo instante, Rose e eu nos entreolhamos assustadas e aflitas por sabermos o propósito de sua presença, embora a maioria não soubesse. Provavelmente acharam tratar-se de uma ação terrorista.
Foi inevitável eu me perguntar como alguém armado conseguiu burlar a segurança e adentrar o veículo escondendo-se no banheiro? Mas a resposta era o que menos importava naquela hora.
E no mesmo instante em que entrei em seu campo de visão, vi a fúria resvalando em seus olhos como brasa. Pensei, por um momento, que ela viria para cima de mim como um búfalo selvagem e agressivo, mas não. Manteve-se estática analisando-me, e eu não conseguia desviar o olhar. O pânico havia me paralisado. De repente, fui despertada por sua voz afiada, cortante como uma navalha, ordenando-me a ir ao seu encontro. A arma continuava em riste, ora apontando em minha direção; ora apontando para os demais reféns. Senti a mão de Rose brecar meu movimento ao tentar me levantar da poltrona, mas nada podia ser feito diante de uma arma apontada na sua direção. Apenas olhei-a implorando para que não fizesse uma cena. Eu somente queria evitar uma tragédia maior.
A tristeza em seu olhar era tão nítida que me deu vontade de abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas seria hipócrita se acreditasse nessa mentira.
Vendo que não havia outra saída, soltou meu braço sussurrando um singelo "eu te amo", e aquele gesto me quebrou; despedaçou-me por inteira porque eu também a amava. A demora em atender a uma simples ordem de Tanya, levou a mesma se exaltar, exigindo que Rose também fosse até ela.
Assim que ficamos cara a cara, desferiu-me uma sequência de tapas, deixando uma dor latente em meu rosto. Uma pequena demonstração do que ela realmente pretendia fazer comigo. Mas doloroso mesmo foi ver minha amiga levar uma coronhada na cabeça ao tentar me defender, caindo desmaiada no colo de uma das atletas sentadas próxima à pequena confusão, sendo amparada pela mesma. Meus olhos arderam em tormento pela situação à minha frente, todavia, nada pude fazer. Senti-me impotente diante de tudo, e com muito medo de uma ação precipitada de uma desequilibrada. Um pouco assustada com o que houve, acabou dando um tiro para o alto, perfurando o teto do veículo. Em seguida, voltou-se para mim com um sorriso se desenhando no canto de sua boca para em seguida, rir de forma escancarada, como se nada tivesse acontecido.
O silêncio no interior do veículo era tão pungente que tornara-se sufocante.
Não obstante isso, avisou aos demais que a única pessoa que a interessava ali era eu, e que em breve libertaria todos, desde que ninguém quisesse ser mais esperto que ela, pois teria coragem suficiente para ferir alguém. Disso eu não tinha a menor dúvida!
Dado o recado, ordenou que o motorista mudasse de rota.
Pouco tempo depois, escutamos os sons ensurdecedores das sirenes de carros de polícia cada vez mais perto. Provavelmente o carro que fazia nossa escolta pedira reforço, afinal não sabiam até aquele momento, com quem estavam lidando.
E então, tudo aconteceu muito rápido. Escutamos alguns disparos direcionados a nós, mas na verdade, eles estavam atirando nos pneus, impossibilitando que o veículo prosseguisse viagem com uma velocidade considerável. Por pouco, o motorista não perdeu o controle da direção.
Eu já havia escutado falar que os policiais da Scotland Yard agiam muitas vezes de forma precipitada e inconsequente, mas nunca achei que fosse presenciar algo do tipo. Tal ato, só levou pânico a quem já estava amedrontado pela situação, deixando Tanya um pouco desnorteada com a movimentação interna e externa. Ao perceber que o ônibus estava parando, atordoada, apontou a arma para uma das reféns, obrigando-a a aparecer em uma das janelas, desprovida de cortina, a fim de mandar um aviso aos policias. Instruíra a escrever na janela, com batom, uma frase de comando: "Parem de atirar ou alguém sairá ferido".
Os policiais recuaram diante do aviso, pois não podiam pôr em risco a vida de tantas pessoas e nem eles sabiam se o sequestro havia sido orquestrado por uma ou várias pessoas, muito menos se a situação exigiria uma unidade antibombas. Com certeza pensavam tratar-se de algo relacionado a extremistas suicidas.
Quando o ônibus parou por completo, Tanya ordenou à refém que escrevesse mais uma vez: "Não tentem invadir o ônibus. Há uma bomba".
Diante da revelação arregalei meus olhos, incrédula pela tamanha astúcia de alguém supostamente louco.
Seu olhar tresloucado e sorriso traiçoeiro diziam que ela não estava blefando. Mas o pior veio depois ao anunciar que, na verdade, eu vestiria um colete-bomba. Senti-me imediatamente nauseada, com uma repentina vontade de vomitar.
O meu pesadelo estava só começando.
Virei um ventríloco em suas mãos; ora sendo ferida no rosto por tapas cada vez mais fortes; ora tendo meus cabelos da nuca puxados com brutalidade. E em um desses momentos, reagi instintivamente, cuspindo em seu rosto. Foi um erro imperdoável.
Como um cão raivoso, Tanya vociferou palavras de baixo calão xingando-me de todos os nomes vulgares para no fim, executar o que estava em sua mente: com o cabo de apoio da pistola acertou uma de minhas têmporas, e daí por diante, não me lembro de mais nada.
Quando acordei estava sentada, de maneira isolada, em uma das poltronas traseiras, devidamente amordaçada, amarrada e com o maldito colete-bomba.
Ainda lânguida, senti uma dor insuportável na cabeça, e antes de levantá-la para ver o que acontecia ao meu redor, senti um cheiro enjoativo de ferrugem e...sal. Ao fitar minha blusa, vi respingos de sangue, e percebi que só podia ser o meu sangue! Imediatamente prendi a respiração tentando não sentir aquele odor desagradável.
Fechei meus olhos e aos poucos fui soltando o ar. Tinha que manter-me confiante que algum milagre aconteceria. A esperança seria minha salvação; seria o alimento da minha alma ou então eu enlouqueceria envenenada pelo desespero.
Um pouco mais consciente, me atrevi a olhar pelo vidro da janela fechada o movimento ao redor do veículo. Assustei-me ao constatar a quantidade de viaturas cercando o ônibus parado a uma distância pequena.
O crepúsculo se fazia presente, anunciando a morte do dia e a vinda da dama da noite com seu brilho enluarado. E eu só queria estar nos braços do meu Edward, deleitando-me em suas carícias envolventes, sendo beijada e amada pelo único homem que foi capaz de me levar ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Mas o nosso tempo juntos fora surrupiado de forma vil. Provavelmente o mal venceria o bem dessa vez.
Então, fui tirada de meus pensamentos ao toque do meu celular. Rapidamente duas mãos apareceram em meu campo de visão puxando-me abruptamente do assento pelo colete, e a voz ácida de Tanya; gotejando raiva, profanou algo que não me recordo, pois minha mente estava desconexa. Estava entrando em parafuso.
Meu celular fora arrancado do bolso traseiro da minha calça, porém não houve nenhum tipo de conversa. Logo em seguida, entendi tratar-se de uma mensagem de texto ao ver Tanya intercalando olhares entre o aparelho e a parte externa do ônibus, provavelmente com algum policial. Rapidamente emitiu ordens a alguém com sua arma em riste, e algum tempo depois, vi um rádio transmissor em sua mão e sua contínua comunicação com alguém. Não me recordo até o momento o que foi tratado, devido ao meu estado mental e físico.
Desde então, encontro-me definhando de medo e dor à sua frente. Se eu não estivesse impossibilitada de falar, com certeza suplicaria pela minha morte imediata, pois a pior coisa é a tortura pela qual estou passando. Seus olhos transbordam de prazer. Um prazer doentio, misturado ao seu estado de drogada.
_Sabe, Isabella... há um relato na História da Humanidade que sempre me encantou. Você conhece a lenda do Cavalo de Tróia? – perguntou de repente, analisando minha face, mas não respondi por estar amordaçada. _Apenas acene sua cabeça, idiota. Não suporto que me deixem falando sozinha – fiz o que pediu, acenando positivamente, pois realmente já ouvira falar na tal lenda. _Pois bem... é algo bonito que tem uma finalidade destrutiva – a brandura de sua voz escondia a sombria intenção de me alertar sobre meu destino. _A burrice de Helena ao ter se apaixonado por Páris desencadeou uma guerra de aproximadamente 10 anos. E eu entendo perfeitamente a atitude do rei Menelau, marido dela. A dor de uma traição é algo que te despedaça por dentro, que te arranca o coração e te deixa sem alma. E eu estou exatamente assim: sem alma e sem coração. Edward destruiu todos os meus planos de alcançar a riqueza do modo mais fácil... casando com um homem rico. Simples assim – gargalhou jogando a cabeça para trás, e no minuto seguinte, estava séria novamente. _Mas você é a culpada por ter enfeitiçado a mente dele como Helena enfeitiçou a mente de Páris. Se você não tivesse cruzado nossos caminhos, estaríamos muito bem hoje, como um casal apaixonado. Porque eu sempre fui a mulher da vida dele – vociferou encarando-me com o queixo erguido. _Mas para que ele volte para os meus braços, você tem que dar adeus. Um adeus para sempre, entendeu? – fitava-a arrepiada de medo. _Responda, porra! – cuspiu as palavras em meu rosto e eu somente acenei a cabeça mais uma vez. O medo do desconhecido me dominou por completo e não pude refrear as lágrimas iminentes. _Ah, querida... não chore – alisou minha face já dolorida. _Prometo que será rápido. Só não prometo ser indolor – deu uma risadinha. _E nenhum policial precisa saber realmente a nossa conversinha. Ah! E adivinha quem está chegando para se despedir de você em grande estilo? – arqueou a sobrancelha com um sorriso no canto da boca.
Edward estava vindo ao meu encontro, porém mal sabia que seria para uma despedida dolorosa. Para dizer um adeus eterno.
*19h20*
A noite cobria-nos com seu manto negro desaguando sobre nossas cabeças seu choro compulsivo.
Um último vislumbre do tempo lá fora e tive a certeza da despedida. Tudo havia mudado de repente com a chegada de uma frente fria, ventos fortes e chuva. Talvez fosse o prenúncio de um vendaval. O prenúncio da minha morte.
Edward havia chegado há poucos minutos, e assim que meus olhos pousaram em sua figura, meu coração se aqueceu. Ele era a minha casa e a minha paz.
Rogava a Deus para que tivesse piedade de mim, e me concedesse a chance de ao menos vê-lo frente a frente e sussurrar-lhe um último "eu te amo". Seria a última pessoa querida a qual me despediria. Sem direito a ver meus pais e meus amigos. Eu encararia o meu destino de cabeça erguida.
Para mim, tornara-se impossível segurar minhas lágrimas desde a última conversa com Tanya. Esta, estava a cada minuto mais impaciente, embora tenha diminuído as agressões em meu rosto. Meu corpo encontrava-se agora amarrado à poltrona, e mesmo em uma posição desconfortável, agradeci mentalmente a ela, por ter me obrigado a permanecer no assento enquanto conversava assiduamente pelo rádio transmissor com algum policial, porém sempre com o cano da arma apontada em minha direção.
Rose havia recuperado a consciência, e de tempo em tempo, virava-se para a parte traseira do ônibus a fim de verificar como eu estava. E a primeira vez que me fitou, vi seu rosto se contorcer em dor. Acho que minha face e meus machucados deram o indicativo do meu estado. Se eu saísse viva, por um milagre, dessa armadilha do destino, provavelmente ficaria com a face inchada e cheia de hematomas por muito tempo, mas pelo menos, continuaria viva ao lado de pessoas amadas.
_Isabella, chegou a hora – fui surpreendida pela voz de Tanya próxima ao meu ouvido. Estava tão sonolenta que nem percebi sua aproximação.
Escutei um barulho de bip misturado com chiado e logo em seguida, as coordenadas de Tanya para a polícia, avisando que libertaria os reféns aos pares, de modo lento e gradual. Pelo menos eles teriam um final feliz.
E assim se processou até que a última pessoa a sair acompanhada do ônibus foi minha amiga Rosalie. Seus olhos marejados me deixaram agoniada e mais nervosa do que já estava. Sorri de modo triste, sentindo minha lágrimas varrerem minha face. E assim que a porta se fechou era apenas eu e Tanya. Nada mais.
_Awn, mas que cena comovente. Até me emocionei com a troca de carinho entre vocês duas – Tanya fingiu conter lágrimas em seus olhos ; então, abaixou-se, ficando na direção do meu rosto. Seus sorrisos falso e sarcástico foram a gota d'água para eu me rebelar, e do nada, comecei a me agitar no assento emitindo grunhidos abafados pela mordaça, e pouco me importando com as consequências. Eu só queria que ela terminasse com essa agonia prolongada. Eu queria morrer de vez e ter alguma paz de espírito.
Contudo, ela fez questão de me lembrar que estava no comando ao atirar sem titubear em direção ao assento do meu lado. Como sua arma tinha um silenciador, o barulho típico de um disparo de arma de fogo fora abafado.
_Eu não vou matar você aqui dentro desse ônibus, Isabella. Eu faço questão de uma plateia. Será um 'show' inesquecível para muitos. Pode ter certeza, querida – o cano quente do silenciador foi passado em minha clavícula e eu urrei de dor por estar quente como o inferno. _Agora vou desamarrá-la e você agirá como a boa moça que é – olhou-me um jeito estranho, mas sempre sorrindo. _Vamos dar um oi ao nosso amado Edward.
Enquanto estava me desamarrando seu rádio transmissor chiou mais uma vez, fazendo-a resmungar ao atendê-lo, mas sem tirar os olhos de mim. Aproveitei o momento para olhar mais uma vez para fora. Os faróis acesos das viaturas em direção às janelas do veículo ofuscavam minha vista. Pisquei várias vezes até me acostumar com a intensidade da luminosidade. Não consegui mais enxergar Edward. Onde ele estaria?
_Vamos, Swan! Levante! – desamarrou-me puxando-me em seguida para ficar em pé. _Ande, mas não banque a engraçadinha, senão ativarei a bomba-relógio – arrepiei-me por inteira ao lembrar que além de estar na mira de um revólver, eu era uma mulher-bomba! _Vamos descer devagar com passos calculados. Os tiras acham que eu vou me entregar. Negativo. Vamos juntas para o inferno – gargalhou, deixando-me mais confusa, pois uma hora afirma que voltará para os braços de Edward com a minha morte, e em outra, diz que vai morrer comigo.
Senhor, isso é muita loucura!
O corredor estreito do ônibus nunca me parecera tão claustrofóbico como agora. E conforme andava em direção à porta de saída pude observar melhor a movimentação em nosso entorno.
Antes de abrir a porta, Tanya frisou mais uma vez:
_Sem nenhuma gracinha, Isabella. Tudo tem que ser ao meu tempo. Eu estou no comando. Eu sou a estrela desse show, não você – engoli em seco ao ver próximo à porta um aparato policial a postos para me libertar das garras da louca, mas o que eles não sabiam é que ela não tinha a intenção de se entregar, portanto ninguém saberia o desfecho da situação, mas eu presumia que não acabaria em algo bom.
Assim que a porta se abriu, pensei que eles agiriam mais uma vez de modo inconsequente, mas não. Parados, analisavam cada passo dado por nós duas, a fim de pegar alguma falha por parte da sequestradora. E então, Edward surgiu por detrás de um dos policias totalmente aflito, e seu rosto teve a mesma expressão que Rose, porém mais aterrorizado ao me fitar.
_Senhorita Denali, conforme o combinado o senhor Edward Cullen está aqui. Por favor, não complique a sua situação. Vamos negociar a rendição de forma segura para ambas as partes – falou com voz imponente o policial que me pareceu ser o chefe da operação.
_E quem disse que eu vou me render? Mudei de ideia – deu uma risadinha, mas senti que estava nervosa diante de um esquema forte de segurança, e seu braço ao redor do meu pescoço tornou-se mais apertado, quase uma chave de braço.
_Tanya, não seja precipitada. Estou aqui. Vamos conversar. Deixe Bella fora disso, afinal o culpado sou – Edward se pronunciou pela primeira vez.
_Não! A culpa é dessa sonsa. Ela te enfeitiçou, portanto ela deve pagar pela humilhação que você me fez passar – sua respiração estava mais proeminente e sua arma estava bem rente à minha têmpora direita.
_Querida, a burrada foi minha. Por favor, deixe-me consertar esse erro. Vamos conversar com calma. Prometo que tudo se ajeitará – com uma falsa calma embutida na voz, Edward demonstrou que estava jogando com Tanya, mas sua tentativa não estava sendo positiva, pois ficou mais nervosa.
_Senhorita Denali, o combinado não foi esse. Por favor, seja coerente. Ninguém quer machucá-la. Apenas conversar – o policial interpelou.
_Mentira! – bradou com a voz chorosa. _Vocês são todos mentirosos – seu choro tornou-se compulsivo e eu estranhei tal atitude. De arrogante tornou-se frágil! _Por que Edward? Por que você não quis conversar antes? Agora é tarde... – falou em um fio de voz.
_Por favor, Tanya...não faça nenhuma besteira. A gente só precisa conversar, querida.
_Eu...eu já fiz tanta besteira – gaguejou. _ Essa só será mais uma – disse, deslizando o revólver na lateral do meu rosto, enquanto seu braço ao redor do meu pescoço afroxou-se mais um pouco.
_Senhorita Denali, não temos a intenção de machucá-la, apenas de ajudá-la. Colabore conosco – outra vez o policial interveio.
_Edward, por que você preferiu essa garota? Ela é melhor do que eu? – ignorando o policial, ela continuou conversando com meu namorado, mas estava claramente tensa.
Edward não respondeu, atiçando ainda mais o descontrole de Tanya.
_Responda! – exigiu, chorando. Edward permaneceu calado, apenas fitando-nos, mas seu rosto expressava sua tormenta.
_Senhorita, você precisa de ajuda e estamos aqui para isso. Entregue a arma e solte a refém – o chefe da operação falou mais brandamente.
Todavia enquanto chorava e se lamentava, gesticulava com arma ao seu bel prazer, esquecendo-se que aquilo era letal. E em um momento de distração dela, um policial próximo a nós duas foi mais ágil, atracando-se com ela, derrubando-nos no chão.
Embora a ação tenha sido rápida não foi eficaz o suficiente para desarmá-la e no instante seguinte ouvi gritos e disparos e algo me queimando no meio das costas ao ser tirada do chão e carregada por um policial.
A dor e a queimação no local eram enormes e eu não conseguia pronunciar nenhuma palavra, apenas gemidos ecoavam de mim. Minha respiração começou a ficar sussurrante, e no minuto seguinte ouvi a voz cálida, rouca, porém desesperada de Edward.
_Ela foi atingida. Por favor, salve-a – sua voz estava tão próxima, mas ao mesmo tempo tão longe...
_Senhor, os paramédicos farão os primeiros socorros imediatamente. A nossa sorte é que a sequestradora não ativou a bomba.
_Baby, seja forte. Por mim; por nós dois. Eu te amo tanto. Bella, está me ouvindo? – ouvir sua voz e sua declaração mais uma vez, teve um efeito reconfortante em meu coração.
Durante 15 dias eu vivi o amor mais sublime que alguém pode sonhar, com o homem mais adorável que poderia ter conhecido, e é tão injusto o destino ceifar minha felicidade de modo tão drástico. Eu o amava com todo o meu ser.
Tornei-me incondicional e irrevogavelmente apaixonada por Edward desde o primeiro contato na adolescência, e precisava externar meus sentimentos de modo fervoroso mais uma vez.
Senti ser trocada de braços e posta de lado em algo macio. A mordaça foi retirada de minha boca, minhas mãos desamarradas, assim como tiveram todo o cuidado de retirar o colete desativado e o alívio que senti foi instantâneo.
Fitei com minha visão embaçada alguém próximo a mim. Era Edward, o meu anjo protetor.
_Edward... – sussurrei languidamente.
_Shh...baby...não fale. Agora você está em boas mãos. Os médicos cuidarão de você, meu amor. Bella? Bella? Não feche os olhos. Baby? – sua voz estava ficando tão distante.
Eu sabia que apagaria em instantes. Só não sabia se era para sempre, e se fosse, não poderia partir antes de dizer:
_Edward... eu... eu amo você. Serei para sempre sua – e então, o sono se apossou de mim, tragando-me para os braços de Morfeu, onde tudo era só escuridão.
"O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para sempre e vai crescendo dia a dia".
(Honoré de Balzac)
NOTA DA AUTORA: ESTE É O PENÚLTIMO CAPÍTULO DA SHORTFIC. O PRÓXIMO SERÁ O EPÍLOGO, MAS SEM PREVISÃO DE POSTAGEM. BJINHOS
