N/A: Olá! Será que ainda tem alguma leitora interessada nesta história?rsrsrsrs
Bem, após anos luz sem uma atualização, eis que venho correndo postar uma parte do epílogo sob o ponto de vista do Edward!. Peço muitas desculpas pela demora, mas acho que ninguém ficará aborrecida, já que tive poucos reviews mesmo...
Aviso às leitoras fantasminhas: por favor, comentem...farão a alegria da autora...rsrsrs...não se sintam envergonhadas! :)
obs: HÁ UM TRECHO DO DIÁLOGO DA ALICE COM EDWARD EM QUE ELA FALA:"festa de aniversário barra noivado"...que é o mesmo que: "festa de aniversário/noivado"...só para entenderem e não ficarem 'boiando' em relação à palavra "barra" jogada na conversa.
obs: Já aviso que o POV EDWARD não será longo.
Sem mais delongas, vamos à leitura. Espero que gostem. Nos vemos lá embaixo.
EPÍLOGO - POV EDWARD
Um ano e um mês depois...
_Pronto. Chegamos, senhorita – falei bem humorado ao estacionar o carro na parte subterrânea do Hospital Universitário George Washington.
_Hum... – observei o desânimo aparente na voz e no rosto da mulher que amo.
_Bella, você estava tão bem ontem. O que houve para seu humor mudar tão repentinamente assim? – fiz-me de desentendido, mas desconfiava que o traço de desânimo era decorrente do fato de seus pais e minha família não terem ligado para parabenizá-la pelo seu aniversário.
Bella estava completando 22 anos hoje, mas não fazia ideia do tamanho da surpresa que a aguardava mais tarde, e eu não poderia estragá-la, por mais que me doesse vê-la entristecida.
_Nada – deu de ombros, cabisbaixa, fitando suas mãos entrelaçadas em seu colo. _Estou... estou apenas indisposta – tentou disfarçar. _Por favor, será que poderia me ajudar a sair do carro? Só quero cumprir minha parte neste desafio que a vida infligiu a mim e retornar para nossa casa – sua voz era baixa e reticente.
_Amor, olhe para mim – peguei seu queixo delicadamente, virando seu rosto para mim. _Conte-me o que se passa nessa cabecinha absurda – sorri gentilmente.
_Já disse que não é nada, Edward – fitamo-nos por um instante. Seus olhos estavam opacos e constatei... tristeza neles? _Está triste?
_Não sei definir o que estou sentindo, Edward – respondeu-me com uma expressão carrancuda, tentando desviar seu rosto para algum outro ponto do carro.
_Okkk – falei arrastado, soltando-a momentaneamente, tentando ganhar alguns segundos, ponderando se deveria abrir o bico ou não. Por certo, achei melhor manter o disfarce. Isso não duraria muito tempo mesmo e logo, logo ela estaria sorrindo abertamente para mim. _Vamos então a mais um dia de progresso – segurei novamente seu rosto, puxando-o para mais perto do meu dando-lhe um selinho, mas seus lábios pareciam mortos.
Só rezava para que a surpresa engendrada por Alice e companhia desse certo, senão ficaria em maus lençóis com Bella por ter omitido a preparação da festa e a chegada de seus pais à capital do país. Pelo menos em minha mente o motivo mais óbvio para seu atual estado de espírito seria o "esquecimento" de uma data tão especial por parte de seus pais.
Saindo do carro abri a porta traseira do volvo para poder pegar o fiel companheiro da minha namorada há oito meses: o andador articulado! Infelizmente a bala que acertou as costas de Bella trouxe-lhe consequências desagradáveis, porém reversíveis.
_Cuidado com a cabeça – alertei-a ao ajudá-la a sair de dentro do carro.
_Eu sei enxergar o perigo, Edward. São os meus movimentos que estão limitados, não os meus olhos e muito menos meu cérebro! – retrucou rispidamente.
Definitivamente seu humor estava negro como ébano.
_Só quis ajudar, além de me preocupar com tudo que diz respeito a você. Desculpe pelo meu excesso de zelo – falei ainda com uma voz paciente, enquanto a guiava em direção ao andador que servia-lhe como apoio.
Respirando fundo ao agarrar nas bordas do aparelho, virou-se para mim, dando-me uma olhada minuciosa, como se estivesse escrutinando cada imperfeição do meu rosto ou como se quisesse gravar cada traço dele.
_Desculpe-me pela grosseria. Você não merece nenhuma palavra vil direcionada à sua pessoa. Não depois de tudo que fez por mim. O que vou dizer pode soar aos seus ouvidos como clichê, mas... o problema sou eu, Edward. Não você. Sinto-me como um peso morto em sua vida. Embora esteja havendo progresso em relação ao meu estado físico, a minha mente continua em conflito, como meses atrás. Vejo você abnegar-se de seus sonhos para cuidar de uma quase inválida e não acho justo – sussurrou com a voz embargada.
Eu estava perplexo com as palavras jorradas por ela.
_Como você pode dizer e pensar algo tão descabido, Bella? Jamais pense que é uma quase inválida ou um peso morto na minha vida e na vida daqueles que te amam. Não permaneci ao seu lado por pena, mas sim porque quero fazer parte da sua vida de maneira irrevogável. E não estou abrindo mão dos meus sonhos porque, na verdade, o meu único sonho sempre foi você. Estou apenas adiando planos que tinha em mente antes do 'acontecimento'. Isso não quer dizer que eu não vá realizá-los. Não ouse falar novamente coisas impróprias – retirei delicadamente suas mãos do andador, deixando-a totalmente apoiada em minhas mãos, puxando-lhe em seguida para os meus braços. _Ei... – sussurrei em seus ouvidos embalando-a em um abraço apertado - ...eu te amo, baby. Coloque isso na sua cabecinha. Eu te amo.
_Edward... mas... – cortei-a antes que dissesse mais alguma besteira que me irritasse seriamente.
_Chega, Bella. Nada de 'mas', entendeu? – afastei nossos corpos sutilmente a fim de analisar seu rosto. _Não seja pessimista. Isto não combina com você. Cadê a bravura de sempre? – perguntei, afagando uma de suas bochechas.
_Acho... acho que se esvaiu. Na verdade, não acordei bem. Definitivamente, não estou no melhor dos meus dias – disse fitando-me desanimada.
_Então, diga-me o que mais te aflige? Estou aqui para te ouvir, meu amor. Vejo que está angustiada com algo. Conte-me, Bella – instiguei-a para saber o que realmente se passava com ela.
_Eu não sei, Edward. Eu não sei – meneou a cabeça irrompendo em um choro abrupto que assustou-me, pois ainda não havia presenciado uma oscilação de humor tão nítida da parte dela.
_Amor, acalme-se – puxei-a de volta para meus braços, confortando-a. _Quer voltar para casa? – dei-lhe um beijo no topo de sua cabeça.
_Nã... não – disse, fungando. _Já... já que estou aqui... vou para a fisioterapia – disse, desfazendo-se do meu abraço para voltar a apoiar-se no andador. _Pode deixar que daqui seguirei sozinha. Acho que Alice deve estar precisando desesperadamente de você, já que ligou várias vezes agora pela manhã – sorriu fracamente.
_Negativo. Vou levar você até o Centro de Reabilitação Ambulatorial como sempre faço. O que Alice tem para falar comigo pode ser resolvido outra hora. Você é minha prioridade, Bella – falei de modo sério, fitando-lhe intensamente, como forma de transmitir pelo meu olhar toda a veracidade do que foi dito.
Às vezes a teimosia dela era pior do que a de uma criança de cinco anos!
Entendendo que eu não a deixaria sozinha por motivo algum, acenou a cabeça em afirmação.
Seguimos lentamente pelo estacionamento, em direção ao elevador, ora escutando os roncos dos motores dos carros, ora escutando o chiado do andador devido ao atrito com o chão. De qualquer modo, mesmo sabendo que minha namorada não estava muito a fim de conversar, tentei engrenar em algum assunto que chamasse a sua atenção para desvencilhar qualquer tipo de preocupação da sua cabeça, mas Bella parecia estar em outra dimensão. Tão distante quanto a Lua.
Eu já não sabia dizer se ela estava aborrecida, triste, desanimada ou pensativa. A minha única certeza era de que não estava feliz. E isso não poderia estar acontecendo justamente no dia de seu aniversário. Senti-me tentado a abrir o jogo de uma vez, mas ao pensar no cuidado e dedicação que seus pais e minha família tiveram para preparar uma festa digna de uma rainha que volta a ser o centro da atenção de seu rei e súditos, decidi recuar.
Quando saímos do elevador no sexto andar do complexo hospitalar, os poucos metros que faltavam para chegar à clínica foram feitos em silêncio. Um silêncio incômodo para mim.
Observando pela milésima vez o lugar que era a segunda casa de Bella há meses, o alívio que sentia sempre que chegava à porta da clínica era instantâneo. Um centro de referência em reabilitação para pessoas com lesões músculo-esqueléticas, ortopédicas e neurológicas, indicado por Carlisle assim que foram confirmadas as suspeitas dos médicos do Hospital Universitário sobre a possibilidade de Bella voltar a andar, visto que, o projétil que atingira sua coluna não ocasionara uma lesão tão grave como fora diagnosticado inicialmente no hospital em Londres.
Do primeiro dia de fisioterapia até hoje ela seguia uma rotina comparada a de um atleta em treinamento para uma competição importante. Na verdade, eu também seguia, já que era a sua constante companhia. Religiosamente vínhamos a este lugar cinco vezes por semana. A duração do tratamento individual girava em torno de uma hora.
_Está entregue, meu anjo – sorri, aproximando meu rosto do dela, beijando-lhe os lábios de modo demorado, sendo correspondido agora com ardor. _Eu te amo, Bella. Nunca se esqueça disso – sussurrei em seu ouvido, escutando um gemido baixo advindo dela ao soprar as palavras em seu ouvido.
_Eu também te amo, Edward. Muito. Desculpe por não estar sendo a melhor companhia hoje – e mais uma vez pude ver a agonia em seus olhos.
_Tudo bem, não vou mais insistir no assunto – suspirei, sorrindo de forma compreensiva. _Siga para a sua fisioterapia. Faça a sua parte e daqui a uma hora retorno para te buscar, ok? – peguei seu rosto entre minhas mãos, puxando para mim, depositando mais um beijo impregnado de amor. Os braços de Bella rodearam minha cintura de forma possessiva, repuxando minha camisa azul, mas pouco me importava de sair todo amassado, só gostaria de vê-la bem novamente.
Soltando-a devagar, pude ver um singelo sorriso que não alcançou o brilho de seus olhos cor de chocolate. Definitivamente ela estava estranha e eu já cogitava que sua falta de animação nada tinha a ver com o fato dela pensar que pessoas queridas tivessem esquecido uma data importante para ela. Parecia ser algo bem diferente, porém nem ela e muito menos eu sabíamos do que se tratava. Às vezes a mente do ser humano se comporta de modo traiçoeiro.
_Até mais – despediu-se brevemente.
_Até mais, meu anjo – observei-a se afastar de mim em suas passadas desajeitadas por não ter ainda o domínio completo dos movimentos das pernas.
O progresso em melhorar a sua mobilidade era nítido.
Apesar do centro de reabilitação contar com profissionais altamente qualificados, eu sabia que parte desta vitória vinha do esforço desmedido da própria Bella, ao tomar ciência de que poderia voltar a andar um dia sem necessitar recorrer a muletas ou andadores, aparelhos meramente artificiais. Enquanto isso não acontecia sua luta diária continuava firme e forte, mas sempre procurando contar com um espírito otimista, embora especialmente hoje seu humor estivesse às avessas.
Observei-a ser cumprimentada pela fisioterapeuta Candice que durante longos meses teve um papel fundamental na restauração gradual dos movimentos dos membros inferiores de Bella, sempre respeitando o limite funcional do seu corpo. O intuito era concentrar o trabalho nas habilidades da paciente – não nas suas deficiências – para incutir a confiança que precisava para atingir o seu nível máximo de independência. Além de ser responsável pela terapia, muitas vezes 'emprestou' seu ombro amigo para que Bella desabafasse seus medos e esperanças. Era uma das pessoas que minha namorada mais confiava, e tal préstimo surtiu um efeito bem mais positivo na qualidade de vida de Bella do que as horas marcadas destinadas a conversar com a própria psicóloga indicada pelo médico responsável pela avaliação do estado de saúde da minha namorada.
Com um breve aceno de mão, a vi desaparecer das minhas vistas ao entrar na cabine individualizada destinada ao tratamento. E logo senti um vazio. Era sempre assim. Desde o dia em que a vi inerte no chão daquela maldita estrada de Londres.
As horas angustiantes em que ficamos separados pela porta da sala de cirurgia, sempre serão lembranças atordoantes para mim, porque foi naquele momento que pensei que o ato inconsequente de Tanya resultaria em uma consequência funesta. Irremediável.
Acho que permaneci 'fora de mim' durante a mesma quantidade de tempo em que Bella esteve desacordada sendo operada pelas mãos habilidosas dos médicos.
Nem mesmo o esforço dos meus irmãos que me ampararam naquele dia foi suficiente para me tirar do torpor pelo qual fui envolvido.
A reviravolta só aconteceu quando fui informado do sucesso da cirurgia. Bella estava bem, porém restava-nos aguardar pelas horas seguintes para sabermos as consequências da lesão ocasionada pelo tiro na coluna.
E qual não foi o choque ao sermos informados no dia seguinte que ela havia perdido o movimento das pernas!
Ali começava uma nova batalha, não somente para ela, como para mim também. À Bella, cabia se readaptar ao mundo das pessoas 'normais', enquanto a mim, restava ser a sua fortaleza intransponível. Eu passaria a agir não somente como seu namorado e amigo, mas também como seu terapeuta.
Contudo, durante os dois primeiros meses após o incidente sofremos com pesadelos. Enquanto o momento dos disparos dos tiros era o que mais me assolava nos sonhos, para ela o momento marcante eram as constantes ameaças com requinte de crueldade incutidas por Tanya.
Como se não bastasse todo o tormento que vivemos, nossa privacidade fora ceifada durante meses devido à repercussão do caso. Nem mesmo o fato da nossa seleção feminina de vôlei ter ganhado o título nas Olimpíadas fora notícia suficiente para merecer tanto destaque como a nossa vida.
Coube a mim tomar as rédeas da situação, pois o que mais importava era o descanso físico e mental de Bella naquela ocasião. Afinal, ela havia passado por um turbilhão de emoções que quase a levaram ao fundo do poço.
_Oi Alice – peguei meu celular que vibrava no bolso da calça sem nem ao menos olhar para o visor, mas sabia que seria a baixinha.
_Edward, você ainda está no hospital? Eu preciso de você urgente. Corre para o aeroporto. Agora! – ordenou de forma estridente.
_Ei! Posso saber o que há de tão urgente no aeroporto? – franzi o cenho sem entender a pressa da duende.
_ Jacob e Leah chegam daqui a poucos minutos. Esqueceu? Estou sozinha com a mamãe e Renée organizando uma festa de aniversário barra noivado que tem que ser perfeita porque perfeccionismo é o meu nome – disse, de forma nada humilde.
_Como você é exagerada – rolei meus olhos enquanto chegava ao estacionamento subterrâneo.
_Posso até ser, mas já que Rosalie, Emmett e Jasper estão na empresa trabalhando, cuidando dos próprios negócios e papai e Charlie estão trancafiados na biblioteca conversando, preciso de alguém disponível no momento que vá buscar Jacob e Leah.
_Tudo bem, já estou saindo do hospital. Porém, você não me disse em qual aeroporto o voo deles está direcionado. Esqueceu que temos três? – retruquei, irônico.
_Ah, sim. Aeroporto Nacional Ronald Reagan.
_Certo. Mais alguma ordem, senhorita 'apressadinha'? – continuei com meu tom zombeteiro.
_Nada a acrescentar, senhor 'esquecidinho' – quase pude visualizar minha irmã me dando língua. _ Mas quero saber como Bella está hoje. Nos últimos dias a variação de humor dela tem sido notória e estou achando-a um pouco mais magra – impôs uma voz séria.
_Pensei que fosse só eu que tivesse notado algo estranho – murmurei. _Bem, hoje especificamente, ela está bem reclusa. Quase não falou comigo. Estou cogitando a possibilidade de falar novamente com a psicóloga dela porque sinceramente não entendo essa postura. É tão visível o progresso dela. Era para estar feliz e não do jeito que está hoje. Ontem aparentava estar bem. Já não sei o que pensar, Alice – desabafei, frustrado por estar especulando tudo e nada ao mesmo tempo.
_Acho que deve fazer isso. Mas pretendo ter uma conversa com ela em breve. Talvez comigo ela fale algo relevante.
_E por que ela falaria o que está acontecendo para você e não para mim, que sou o namorado? – bufei, passando a mão pelos meus cabelos repuxando alguns fios.
_Ei, não seja ciumento. Às vezes, nós mulheres, nos sentimos mais à vontade para desabafarmos algo que nos aflige com as melhores amigas. Mas isso é só uma especulação, Edward. Talvez, nem eu mesma consiga fazê-la falar. Temos que esperar o tempo dela – seu tom de voz era mais calmo.
_Tudo bem. Paciência...esse será meu mantra – suspirei. _Agora tenho que ir, senão Jacob e Leah acharão que realmente nos esquecemos deles.
_Ok. Até breve.
_Até – despedi-me já saindo com o carro do estacionamento.
Embora tentasse manter minha concentração no trânsito ao andar por uma das avenidas principais da cidade em direção à uma das rodovias inter-estaduais que levaria ao aeroporto, minha mente teimava em projetar imagens de Bella sorrindo tempos atrás e de uma Bella mais reclusa agora.
Algo de muito sério estava acontecendo e eu estava me sentindo decepcionado por não ter a total confiança de uma das pessoas que mais amo na vida. Queria tanto ter o poder de ler a mente dela...
_Droga! – bati com força no volante, quase perdendo o controle do carro.
Talvez estivesse passando pela cabeça dela que eu não a achasse mais atraente.
_Mas que absurdo – murmurei.
Em breve eu tirarei isso a limpo. Mostrarei logo mais à noite, quando estivermos a sós em nossa casa, o quanto continua linda para mim, por dentro e por fora. O meu desejo por ela ainda é o mesmo, talvez mais forte.
_Isabella Cullen – pronunciei em regozijo seu futuro nome de casada.
Hoje ela seria oficialmente minha noiva.
"A medida do amor é amar sem medida". (Victor Hugo)
N/A:E então, mereço algum review?rsrsrsrs
Já estou escrevendo o POVBELLA e se tudo der certo, no fim de semana voltarei a postar, encerrando assim esta fic. :)
bjinhosssss e até breve!
