Desafiando Deus
Capitulo 4 – 'O pesadelo real'
•
•
•
"– não fale dela nesse tom... é só uma criança
– criança que nada... – virou novamente para a parede.
– desisto de tentar entender o que se passa na sua cabeça..."
o0o0o0o0o
Sango já havia deixado o quarto. Um vento estranho entrava pelas portas da sacada mal fechada. Podia ouvir o uivo dos lobos que habitavam o bosque. Sentia um frio na espinha. – "o tempo virou de repente..." – caminhou em direção a sacada no intuito de trancá-la. Sentiu o coração acelerar violentamente e o corpo paralisar. O sopro gélido em seu delicado pescoço a fez estremecer. – Sango..? – uma mão tocou seu ombro desnudo. Era uma mão fria e grande de mais para ser a da jovem serviçal. Foi virada violentamente e bateu o rosto no corpo do ser. O barulho metálico ecoou pelo aposento. – quem... Quem é você? – aquele homem alto, coberto por um espesso casaco que ia até as botas sujas de lama, espadas, adagas, correntes... Os longos cabelos da cor da lua balançavam com a brisa, o rosto impassível em contraste com um sorriso maquiavélico. Aqueles olhos... Rubi... Sangrentos... Já os havia visto em algum lugar. – responda... Quem... Quem é você!?– mantinha-se calado. Apenas observava o estremecer da púbere. Segurou-a pela cintura e a pressionou contra seu corpo. Com a outra mão ergueu seu queixo. Sua boca era tão gelada quanto um cubo de gelo. Tinha um gosto férreo, de sangue. Sangue... Dor... Estava doendo. Sua barriga doía muito. Ele a soltou. A menina pode constatar que um daqueles instrumentos metálicos a havia ferido. Olhou a própria mão ensangüentada, e em seguida ergueu os olhos. Não viu mais ninguém...
Sentou na cama em um verdadeiro salto. O corpo suava e tremia. As lagrimas saíram espontâneas e indesejáveis. Acariciou o abdômen por cima da fina camisola. Tratou de levantar e ir trancar as portas da varanda. – "sua boba... foi só um pesadelo!" – caminhou de volta à cama e afundou-se em meio às cobertas. – "foi tão real... parece... parece que eu ainda sinto..." – um sorriso travesso brotou nos lábios da jovem no momento em que pousou seus delicados dedos sobre os mesmos. – "ainda sinto o frio da boca dele... aquele gosto de sangue e vinho tinto... foi o melhor beijo que um garoto já me deu... pena que foi só ilusão..." – afundou o rosto no travesseiro e voltou a dormir.
o0o0o0o0o
– vovó Kaede!! VOVÓ KAEDE!! VOVÓ KAE-
– tente gritar menos minha senhora...
– oh perdão! – sorriu sem graça – onde esta sua neta? A Sango? A procurei por toda parte...
– ela foi até a cidade... Parece que o irmão mais novo está doente. Voltará no fim de semana...
– ah... – suspirou desanimada – hoje ainda é domingo...
– tenha paciência madame... E tome muito cuidado... Recomendo que não fique mais perambulando pelo subsolo...
– ah vovó! Fala serio! Por acaso vou ser atacada por algum fantasma!? Bbbrrrr...
– bah! É inútil falar com você... Apenas tome cuidado com as sombras...
– tudo bem! "É melhor não contrariar..." – a jovem saiu cantarolando porta a fora deixando a anciã atordoada.
o0o0o0o0o
Estava sentada na cama. Chorava baixinho agarrada ao travesseiro. Os pés descalços tocavam o piso de madeira frio. Há seis dias aquele mesmo pesadelo a impedia de dormir tranquilamente. A cada sonho ele ficava mais e mais ousado. O que queria dela afinal? Quem era ele? Kagome não queria mais sentir o gosto de sangue de sua boca, nem suas mãos frias deslizando por seu corpo. Só queria poder voltar a dormir novamente. Cada vez que fechava os olhos via os dele. Rubros e sedentos. Não sabia mais o que fazer.
– o que quer!!? O que quer de mim!? – gritou ao vento. – estou enlouquecendo... Sango... Por que vai ficar fora até o fim do mês? – respirou fundo e fechou os olhos. – que cheiro de vinho... – ao abrir os olhos, deparou-se com o rosto dele junto ao seu. Nariz com nariz. – AAAAAAAHHHHHHH – agindo por instinto o empurrou pelos ombros. Mas ao invés de tocá-lo sentiu a dureza do chão ao cair sobre o tapete. Virou-se e não viu ninguém. – louca... Estou ficando completamente louca...
– Kagome-sama!! Kagome-sama!! – reconheceu logo a voz da governanta que batia desesperada na porta.
– entre...
– oh Kagome-sama... – a velha senhora a ajudou a levantar-se e sentar na cama. – o que houve?
– nada... – a jovem passou as mãos pelos cabelos negros os puxando para trás, como se aquele ato a acalmasse. – apenas um pesadelo... Virei-me e cai...
– foi só isso mesmo? Pude ouvir seu grito do meu quarto lá em baixo...
– sim foi só isso... Esta tudo bem agora... Pode ir...
– tudo bem mesmo?
– tudo... Desculpe por assustá-la...
A senhora sorriu e encostou a porta de quarto ao sair. Kagome deixou o corpo cair sobre a cama e ficou algum tempo olhando o teto. – é... ela estava certa desde o começo... este lugar é mesmo amaldiçoado... mas foi preciso ver pra crer...
o0o0o0o0o
Kagome olhava o bosque escuro da janela de seu ateliê. Suspirou pesadamente antes virar-se para seu mais recente quadro. Era o rosto de um jovem. Olhos escarlates, semblante serio, da boca escorria um filete vermelho, tinha as presas pontudas e a mostra mesmo com a boca fechada. Tocou suavemente a tela. – o quer de mim, heim? Será que poderia me deixar dormir ao menos esta noite? – abaixou a cabeça desanimada. Notou um papel dobrado caído no chão logo abaixo do cavalete. Abaixou para pegá-lo e abriu-o. Arregalou os olhos ao ler um trecho do conteúdo. – "como pude ter me esquecido disto!?
Guardou o papel no bolso e correu. Pela primeira vez passou pelo labirinto de portas que levavam até o porão sem nenhuma duvida. Seus pés moviam-se praticamente sozinhos. Parou em frente ao já conhecido vitral. A luz pálida da lua cheia tornava-o ainda mais tétrico. Desceu os estreitos degraus e chegou à sala totalmente escura. Como num caminho decorado andou até o altar e tocou o livro. As velas acenderam-se quase que instantaneamente. Abriu a obra e reparou a numeração no rodapé das folhas. – "prevenido heim?..." – folheou um pouco e logo encontrou a pagina que faltava. Puxou o papel do bolso e o encaixou lá. – ei... Por que eu tenho esses pesadelos? Por quê? – Kagome suspirou pensando se aquilo realmente funcionaria. – já passa das onze... quero dormir... – olhou novamente o livro amarelado e arregalou os olhos. – o que é isso? Quem... quem traduziu isso aqui!? Calma! Calma! Calma! É normal essa coisas acontecerem neh!? Okay... o que temos aqui..?
A boca da verdade reflete com sabedoria
E sua língua dará o julgamento
Kagome sentiu um arrepio frio na espinha ao ouvir uma matilha uivando. – "eu heim..."
Beato o homem que suporta a tentação
Pois quando for reconhecido como bom,
Receberá a coroa da vida
A jovem parou de ler o poema e olhou para os lados. – quem... Quem esta ai!? – um vento gélido correu pela sala e nuvens negras cobriram a lua. Uma forte chuva desabou de repente. Os lobos calaram-se e apenas o som da água era ouvido. Um relâmpago cortou o céu e logo seu estrondoso barulho ecoou pelos arredores. Foi quando ela ouviu uma voz grossa e duplicada, sussurrando algo desconhecido.
Continua...
o0o0o0o0o
Oie!!
Quarto capítulo on!! Estão gostando? Eu to adorando!! Hehe...
Aiai a Kagome é tão corajosa... Pra quem não conhece esse poema é a abertura Elfen Lied. Um anime muito bom! Eu assisti e recomendo! (se você não curte sangue é melhor não ver... ") huhuhu ainda tem muito água pra rolar... ou cair? Continuem acompanhando! Grandes surpresas vos esperam!!
Um coração maculado de ódio talvez não possa ser curado. A pena para quem desafia Deus é algo pior que a morte. Quando o vento soprar álgido e o medo te consumir... Feche os olhos e esqueça toda a dor. E então... Serás intocável...
Próximo capítulo: 'Muito além de uma maldição' é o destino. Essa noite esta longa de mais. Me dá teu colo? Estou com tanto sono...
BeijoOo Especial para: Gheisinha Kinomoto
Eu quero reviews!!!! T-T
