Desafiando Deus

Capitulo 8 – 'Um doce desejo'

" – o jardineiro...

Sango piscou algumas vezes como se voltasse à realidade. – não pode ser..."

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A morena cutucou as costas da amiga que dormia profundamente no sofá da sala. Kagome sentou ainda sonolenta e arrumou o cabelo.

– tudo bem, Kagome?

– ham..? Ah! Sim, sim!! É que dormi muito mal essa noite...

– entendo... Mas então... Novidades?

– "eu não posso contar pra ela sobre o que está acontecendo..." err... Não, nenhuma... essa casa é muito parada né?

– é... "Porque ela tem que complicar tudo?" incrível como o tempo passa não? Já estamos em outubro...

– realmente... vovó Kaede disse que o inverno será rigoroso...

Sango abriu um sorriso maldoso, mas logo voltou à expressão anterior. – ela sempre acerta melhor comprar uns casacos... Reparou nas chuvas estranhas que tem tido ultimamente? O céu ta lindo de repente o tempo fecha e parece que desaba o mundo...

– err... Muito estranho né? "Agora que eu reparei... quando ele se irrita... começa a chover... porque será?"

– com licença, tenho ainda muitos afazeres... creio que não poderei vê-la mais tarde. Até mais!

– ah... Até!

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A matilha de lobos uivava incansável. O céu era iluminado pelas milhares de estrelas. O cheiro de vinho pairava no ar, enquanto a jovem revirava-se na cama.

Kagome sentou e cruzou os braços. – será que podia sair dos pés da minha cama?

– não! – o demônio sorriu. Estava sentado aos pés da moça, segurando uma taça de vinho tinto.

– que inferno... – deitou novamente. – que graça tem ficar me olhando dormir?

– a graça é em não deixa-la dormir apenas por sentir minha presença...

– maldito... Por que não vai embora, heim?

– já te disse que irei deixá-la, nunca mais...

– você tem tantos lugares pra ir... O mundo é gigantesco... E você tem que vir justo pra minha cama...

– gosto daqui...

Kagome sentou novamente. – então gosta de alguma coisa... Interessante...

– sim, eu gosto de muitas coisas...

– como?

– frio, chuva, neve, vinho... Sangue... E obviamente perturbar-te

– idiota – deitou novamente

– não te dei esse tipo de intimidade... Respeite-me!

– se não fosse por mim você não estaria aqui... – ele permaneceu calado – me deve uma bem grande...

Ele deitou ao lado dela – o que quer?

– que não deite na minha cama com essas roupas sujas...

– estou falando serio...

– me daria qualquer coisa?

– depende...

– livre-me de sua desagradável presença... – virou-se de costas para ele.

– desejo negado

– por quê?

– se não percebeu ainda... eu te joguei uma maldição...

– o quuuueeee??? – a menina sentou de sobre-salto e olhou-o assustada.

Manteve o rosto impassível e a puxou pela cintura de volta.

– escolha antes que eu mude de idéia...

– quero que tire a maldição!

Ele sentou-se de frente para ela. As portas de vidro da varanda se abriram bruscamente enquanto uma tempestade se formava no céu. A forte corrente de vento gélido fez a púbere estremecer.

– por quê? – o rosto impassível do demônio tornou-se revoltado. Seus olhos foram ganhando um brilho avermelhado e a chuva desabou – estou sendo tão gentil com você, e é assim que me trata! – a ergueu pelo pescoço – tu gostas de me ver assim!? É isso!? – fechou ainda mais o punho cravando as garras na pele delicada dela. – quer apanhar mais!?

Kagome segurou o pulso dele com força – Não! Perdão! Por favor, me perdoe! – ele a soltou – eu serei complacente! – as lagrimas caiam acompanhando a chuva. A menina deitou o rosto no colo dele – apenas não me machuque mais... Por favor...

Sorriu com a atitude tomada por ela. A empurrou de seu colo e levantou-se da cama. – por ter agido como uma boa princesinha, não irei maltratá-la hoje... – caminhou ate a varanda – por hora apenas durma... E reze para que amanhã eu esteja de ótimo humor!

– aonde vai..? – perguntou temerosa.

– não sei...

Assim sumiu em meio à chuva. Kagome limpou o rosto e deitou novamente. – "Por mais quanto tempo será que eu agüento isso?"

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Amanheceu mais um dia tétrico na grande mansão. A jovem proprietária terminara de tomar seu desjejum e fora caminhar pela propriedade.

– "bem feito!" – falou para si mesma – "se não tivesse dado uma de curiosa nada disso estaria acontecendo! Faz dias que aquele demônio maldito não me deixa dormir em paz! Quando não é ele são os pesadelos com ele..." – a jovem avistou ao longe a figura de um rapaz sentado a beira de um pequeno riacho. Correu até ele e sentou-se ao seu lado.

– o dia não está muito bom para ficar aqui não é? – comentou a púbere.

– ultimamente não temos tido dias bons senhorita... – o rapaz deitou sobre a grama dando um longo suspiro. – apenas vim aproveitar a tranqüilidade do lugar... E você?

– resolvi caminhar pra esquecer os problemas... – deitou ao seu lado – mas no fim acabei pensando apenas neles...

– fico imaginado que tipos d problemas uma garota como você pode ter – o moreno virou-se para encarar os orbes castanhos da amiga – não precisa trabalhar nem ter uma rotina, vive numa casa enorme cercada de empregados em um lugar calmo e não tão afastado da cidade, não tem hora pra acordar, nem dormir, nem voltar pra casa... Sem mencionar no seu magnífico dom para as artes...

A menina suspirou cansada – então é essa a imagem que as pessoas têm de mim? Uma dondoca mimada que faz uns rabiscos que ninguém tem coragem de dizer que são horríveis? – deixou o corpo pesar e fitou céu – já imaginava...

– na verdade – ele ergueu o corpo sobre o dela, ficando cara a cara – eu imagino você como uma garota que perdeu os pais cedo e teve a infância arrancada em algum orfanato... – a jovem arregalou os olhos surpresa – que aprendeu a se virar sozinha nesse mundo injusto e que mesmo assim não perdeu a doçura e a pureza – tocou suavemente o rosto da moça e parou a mão em sua nuca massageando devagar. Kagome fechou os olhos com carinho do rapaz – que consegue refletir nas telas suas dores e seus sonhos... Por isso elas são lindas... E é claro – sorriu – não posso esquecer de mencionar sua estonteante beleza... Nem muito nem pouco... Tudo na medida certa...

– Miroku...

Beijou delicadamente a testa de sua patroa e levantou-se rápido.

– Miroku espere!! – a menina levantou, mas apenas pode vê-lo se distanciar rapidamente. Apenas sorriu e alongou os braços – "como ele adivinhou minha vida inteira? Nunca comentei com ninguém sobre o orfanato... aiai deu uma vontade de pintar..." – Kagome alisou as roupas com as mãos e correu de volta para a mansão.

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Enrolou seus longos cabelos negros e os prendeu com um pincel limpo. Olhou desgostosa para a pintura a sua frente. – "acho que Miroku encheu de mais minha bola..." – caminhou até a grande janela que dava visão do bosque dos fundos da residência e sorriu – "precisa de mais claridade! Ao invés de um poente é melhor o nascer do sol! É isso!!" – sentou novamente em frente ao cavalete e voltou a pincelar, porém mais animada.

Assim a noite caiu e Kagome estava extremamente cansada. Bocejou longamente e guardou as tintas. – "preciso dormir mais... ai quem me dera..." – arrumou os materiais e se prometeu terminar aquele quadro em no maximo mais dois dias.

Tomou um demorado banho e fez um lanche antes de se retirar para seu quarto. Ao abrir a porta deparou-se com a tétrica presença do demônio.

Continua...

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Reviewer: Domo! O que será que ele vai fazer dessa vez?!?!!
È bom ela colocar nome nesse demônio! Se não eu vou chamar ele de... 'Ele' xD Adorei o capítulooo! O Miroku dando em cima da Kagome, o demônio também... ¬¬' Eu heim! To esperando o próximo!!!! Bjinnn!

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Writer: T-T que capitulo longo... Adorei trabalhar esse lado mais gentil do demoniozinho! Em breve ele terá um nome (eu acho... ''). Acabei exagerando no dialogo da Kagome com o Miroku... acharam que ele ia beijar ela? Eu também... '' As relações estão meio confusas... Mas era essa a minha idéia! Huhuhu (risada malvada) O que vos aguarda no próximo capítulo dessa estranha trama de suspense e sangue?

É um baile apenas para dois. Não deixe a chuva estragar a festa.

Próximo capitulo: 'Dance' comigo só desta vez. O gosto do sangue pode ser amargo então misture com vinho. Mas cuidado para não beber de mais...