Desafiando Deus
Capitulo 9 – 'Dance'
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"Tomou um demorado banho e fez um lanche antes de se retirar para seu quarto. Ao abrir a porta deparou-se com a tétrica presença do demônio."
Com mesma cara impassível sentado em sua cama, bebendo sua costumeira taça de vinho tinto. Suspirou desanimada e encostou a porta. Parou de frente a ele e sem esboçar nenhuma expressão além de cansaço o expulsou.
– saia da minha cama... Não to afim de discutir hoje...
– não se dirija assim a mim...
– perdão vossa senhoria – sorriu irônica – estou imensamente indisposta esta noite. Poderia retirar-se de meus aposentos para que eu possa descansar?
– ironia não é para princesas...
– não me lembro de ter dito que era uma... – sentou ao lado dele na cama já desistindo de brigar.
– ficaram em silencio por alguns instantes. Kagome olhou para a taça nas mãos do demônio como uma criança olha para um doce. Num movimento rápido tentou segura-la, mas o rapaz desviou fazendo-a cair no seu colo. Lançou-lhe um olhar reprovador.
– isso não é para humanos...
– humf... – levantou e voltou à antiga posição. – quero um vestido!
– ham?
– ontem me disse que podia te pedir qualquer coisa. Eu quero um vestido vermelho!
Ele sorriu e colocou o cálice sobre o criado mudo. – pensei que não fosse aceitar meu presente...
Kagome sorriu sem graça. – não sou mal educada
– qual o modelo?
– humm... Quero um daqueles de época... – recebeu um olhar confuso – como posso explicar..? Daqueles bem rodados, cheio de coisinhas...
– posso dar uma olhada? – ele colocou a mão na testa de Kagome e sorriu mais uma vez – desejo concedido!
Abriu os olhos em um salão bem iluminado. A sua frente um grande espelho onde pode ver o exato modelo de vestido que queria. Era um vermelho vivo – "não era bem essa cor... lembra sangue..." – virou para ver o detalhe das costas. Era amarrado como um espartilho. Tinha alguns detalhes em preto. Tocou, deslumbrada o colar prateado que possuía um coração, em pedra vermelha, como pingente. Brincos, anel e pulseira. Todos com pequenas pedras vermelhas encravadas. Sentiu uma mão fria em sua cintura, porem ao olhar o espelho não viu ninguém.
– ouro branco e rubis... – reconheceu logo a voz – acrescentei ao regalo, e tirei umas coisinhas... – passou a ponta da garra pelo colo desnudo da moça e sorriu depravadamente.
– seu safado... Aumentou o decote!
– estou apenas valorizando-te! – a jovem virou-se e se deparou com o rapaz que fazia cara de inocente.
– por que... Não tem reflexo...?
– nunca tive – a segurou pela mão e a puxou para o meio do salão no momento em que a musica começou – e nunca liguei para isso! – era uma valsa rápida. Parecia mais um tango.
Kagome resolveu não tocar mais no assunto – ei! Não sei dançar!! – ele enlaçou seus dedos aos dela e começou a conduzi-la. Pareciam dois profissionais em uma coreografia exaustivamente ensaiada. A púbere olhou seus próprios pés, desacreditando naquilo.
– o que havia dito mesmo sobre não saber dançar?
– "meu corpo ta se mexendo sozinho!?" você... é cheio de truques!!!
Ele riu. Não como sempre fazia. Era um riso mais descontraído. Kagome fixou os olhos em seu rosto enquanto dançavam.
– o que foi? – perguntou curioso.
– é a primeira vez que vejo você sorrir de verdade... Sabe que vendo você por esse ângulo – fez uma cara pensativa – daria um ótimo namorado!
– tu és a primeira a dizer-me isto...
– mas é verdade... – se afastaram alguns passos, mas logo voltaram a dançarem juntos – pode dar qualquer presente, é forte, bonito... Se não fosse esse seu lado malvado... Diria até que é fofo!
Ele riu alto, não acreditando no que ouviu.
– o que vê de fofo em mim?
– humm isso ai na sua cabeça não são chifres não é?
– não...
– suas orelhas?
– é...
– são tão fofas!!!
– comumente – ele a fez girar e voltar para seus braços – os humanos dizem que são uma aberração...
– talvez seja porque a maioria dos humanos não sabe apreciar as diferenças!
Ele sorriu como quem quisesse chorar. A música parou e Kagome pode se mexer livremente. Ela o abraçou apoiando a cabeça em seu peito.
– "o coração... não bate?" – constatou a púbere.
– nunca bateu... Eu nem devo ter um...
– todo mundo tem um coração!
– já disse que sou uma aberração. Um mero capricho da natureza...
– você é o que pensa que é... Se pensa que é diferente será isso irão pensar de você...
– o que entende da vida? Não pode dar-me lição de moral! Eu tenho cem vezes mais a tua idade!
– ninguém é tão velho que não posso aprender nem tão novo que não possa ensinar! – a jovem sorriu triunfante deixando o demônio sem resposta – e você ta velhinho heim!? Se eu tenho dezesseis então... Você tem mil e seiscentos?
– mil seiscentos e cinqüenta e quatro, para ser mais exato.
Kagome arregalou os olhos em choque. – o que... Você... É?
– já te disse...
– pensava que era apenas um vampiro...
– estava equivocada... Apesar de apreciar muito o sangue humano... – A púbere recuou alguns passos – o que foi? Quem daria um ótimo namorado mesmo? Isso nos seus olhos é medo? – as perguntas saiam como afirmações. Seu rosto voltou a ser apático, mas mantinha o sorriso escárnio.
– não sei por quê... Mas... Não consigo... Ter medo de você... Talvez apenas... Um pouco de receio... – o sorriso morreu nos lábios dele – parece-me... Surpreso...
Caminhou até ela parando a centímetros de seu corpo. – tem certeza de que não te assusto?
– tenho – afirmou com segurança.
– você é tão... Estranha! – a jovem riu forçando-lhe a sorrir também.
– e você é muito normal não é mesmo!? – ele riu com o comentário.
– eu queria te pedir uma coisa... – a moça mais parecia uma criancinha. Diante do olhar apelativo que ela lhe lançava, ele cedeu.
– o que?
– deixa??? – ergue os braços quase alcançando o topo da cabeça do demônio. Antes que ela alcança-se seu objetivo ele recuou.
– nem pensar!! – advertiu.
– só um pouquinho! – a púbere avançou no rapaz que ia caminhando para trás. – são tão bonitinhas!! Deixa vai!? – conforme Kagome avançava o rapaz recuava até que parou.
– chega dessa brincadeira ridícula! – repreendeu.
– desculpe...
Ele abaixou a cabeça – mas é só um pouco, ouviu?
A menina sorriu e agarrou as delicadas orelhas caninas do demônio. Enquanto as massageava teve a impressão de vê-lo tremer.
– tudo bem?
– faz... Cócegas! – não conseguiu mais conter o riso que quase se tornava uma gargalhada.
– ha é!? – sorriu travessa.
O rapaz ergueu o rosto, mas a jovem praticamente pulou sobre ele tentando alcançar novamente suas orelhas.
– já chega menina! – a ordem feita entre risos não surtiu efeito em Kagome que continuava as investidas. Ele recuou até uma grande escada e sem perceber bateu o tornozelo no primeiro degrau. Caiu de costas levando a moça junto. Kagome arregalou os olhos imaginando a fúria que despertara no demônio. – "eu vou apanhar!!"
Continua...
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Reviewer: Um dia eu ainda mato essa writer! u.ú' Mas... essa idéia já morreu! Porque se não... Não tenho continuação da fic! Eu acho que a Kagome vai apanhar... Tadinha... i.i
Ahá! Eu sei quem é(também né, depois dessa! ¬¬') É o Inuyasha! Iêê! To esperando o próximo capítulo! Bjinnnnn!
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Writer: Tenho a leve sensação de que não deveria ter parado esse capitulo por ai... (sentindo olhares enfurecidos) Exagerei nos detalhes e o que eram para ser duas paginas viraram cinco... Empolguei-me de novo... ¬¬'' sem mais duvidas a respeito do meu demoniozinho? (até eu tenho algumas ainda...) Será que no próximo capítulo ele vai estar com esse bom humor todo? Huhuhu...
O amor pode facilmente virar ódio. E quando o ódio vira amargura é necessário amor para adoçar a vida.
Próximo capítulo: 'Anjo ou demônio?'. O amor faz as pessoas sangrarem? Acho que não. Então isso é ódio? Quem sabe...
