Desafiando Deus

Capitulo 11 – 'Os velhos olhos vermelhos'

"A jovem saiu da cozinha e se dirigiu para seu quarto, enquanto lia o remetente.

– "estava demorando de mais para me mandar noticias, querido..."."

Novembro, 03

Sinto muito não ter enviado-lhe nada durante tanto tempo. Tenho trabalhado de mais.

Este ano, parece, o inverno será rigoroso. Esteja bem agasalhada. Tome mais cuidado com sua saúde!

Manterei minha palavra. Em breve estarei ai.

Enviei um pequeno presente para ti. Use sempre. É um amuleto contra o mau.

Saudades.

Kagome olhou o interior do envelope. Encontrou um pequeno pingente cristal com uma cordinha. Sorriu e o amarrou no pescoço. – "não sabia que ele acreditava nessas coisas...".

Seu sorriso alargou ao entrar no quarto se deparar com a presença do demônio. Este, porém, ao vê-la levantou-se depressa da cama e se aproximou da varanda.

– o que foi? Sou tão feia assim? – perguntou divertida.

– onde estava até agora? – rebateu sério. Kagome levou as mãos à cintura irritada.

– estava jantando! E eu não te devo satisfações! – aproximou-se.

– com quem? – a expressão em seu rosto foi alterando-se. Demonstrando certo desconforto perante a garota que se aproximava.

– não te in-te-res-sa! – falou pausadamente.

– responda! – o rapaz gritou. A púbere se encolheu assustada.

– so... Sozinha... Como todos os dias... – respondeu.

O demônio farejou o ar até aproximar-se da púbere. Arrancou o papel de sua mão.

– então era daqui...

– me devolva! – tentou arrancar de volta o envelope, mas ele o jogo pro alto. Antes que Kagome pudesse recuperá-la, a carta incendiou-se. – por que fez isso? – indagou indignada.

– tire isso do pescoço – rebateu frio.

– não! – segurou firme o cristal – estou farta de ser submissa a você! Cansada de suas malditas personalidades! E de saco cheio de você pensando que pode mandar na minha vida!

– cuidado... – a voz saiu fraca. Quase inaudível. Seus olhos dourados foram tomando um brilho alaranjado.

– vá embora daqui! Suma da minha casa! Suma da minha vida! – a garota permaneceu firme, tentando esconder o medo perante a magnitude dos olhos banhados de sangue do demônio.

– eu avisei... – imediatamente uma forte chuva se formou. As pequenas pedras de granizo batiam no parapeito da sacada e entravam parando próximas ao casal.

Primeiramente arrancou o cordão, causando uma serie de pequenos ferimentos na pele frágil da menina com suas garras. Em seguida o costumeiro tapa no rosto que fez a jovem cair a certa distância. Antes que pudesse levantar-se 'ele' já estava bem próximo e a ergueu pelos cabelos.

– suas lagrimas não me comovem... – sua voz estava um pouco mais forte. Mais segura. – precisa aprender a ser obediente... – a sacudiu – se não terá uma vida curta...

– me desculpe... – a fala da jovem estava rouca. Ele sorriu dando um pouco de esperança a ela.

– sabe o que fazer com seu arrependimento? – a jogou contra a parede. A menina bateu o corpo e caiu sentada no chão. Expeliu um pouco de sangue pela boca.

– não preciso dizer não é? – já estavam frente a frente. Afastou uma mexa do cabelo da púbere que lhe cobria o rosto. A segurou pelo queixo e a beijou. Por mais que tentasse, não tinha mais forças para evitar. Ele lambeu o sangue que escorreu pela boca dela e sorriu sinistramente.

– pensei que não fosse conseguir provar esse néctar nunca... O que aconteceu? Por acaso a alma da princesinha está se corrompendo? – ele se levantou vendo que a menina estava praticamente inconsciente. – por hoje já deu... – ergueu a gola do sobretudo e arrumou alguns fios prateados que teimaram em voar para seu rosto devido ao forte vento. Caminhou calmamente até a varanda, mas parou. Fechou o pequeno cristal em sua mão e a abriu logo em seguida. Apenas as cinzas voaram serenamente. Ele sumiu em meio à escuridão da noite.

O rapaz moreno abriu a porta do aposento e balançou a cabeça, desgostoso. Pegou o corpo da jovem que estava ainda caído no chão e o colocou sobre a cama. Tirou um pequeno lenço branco do bolso e limpou o sangue dos ferimentos. Suspirou triste.

– desculpe, mas isso precisava acontecer querida... – acariciou o rosto da púbere desacordada – os humanos não aprendem de outra forma... Infelizmente... – virou-se rapidamente para a porta. Por ela entrou uma bela mulher de longos cabelos negros. Apesar de parecer jovem tinha uma postura imponente. Usava um vestido negro e justo, acentuando as curvas de seu corpo. Tinha a pele um pouco bronzeada e um sorriso macabro curvava-lhe os lábios. Miroku se pôs de pé entre ela e o leito onde Kagome permanecia desacordada.

– veja só quem apareceu... Veio admirar o monstro que o seu- – parou de falar ao receber um olhar irritado da mulher. – perdão...

Ela riu.

– tu és mesmo um covarde... Imagino o que ele – apontou para cima – iria pensar se soubesse do respeito que tens por mim...

– apenas preso minha vida... – sentou na cama mantendo os olhos fixos na mulher. – e me parece que Deus esqueceu desse lugar... Junto com todos nós...

– oh! Não desanime! Isso não combina com um emplumadinho como você... – ela riu – aguarde... Na hora menos propicia... Menos esperada... Quando todos desejarem que ele não exista... Teu Deus virá e transformará tudo a sua volta... Inverterá o mundo... E acabará com a maldição... – caminhou até a sacada onde a chuva continuava a cair tetricamente. Ficou ali parada. Apenas observando. O rapaz depositou um beijo na testa da jovem e se juntou a imponente figura feminina na varanda.

– não me respondeu... – comentou o moreno.

– tu acertaste... Vim mesmo ver o monstro que ele havia se tornado... – a mulher não escondeu a tristeza em seus olhos. Uma pequena lagrima escorreu por seu rosto. Uma lagrima de sangue.

– sinto muito... Não era minha intenção ofende-la...

– Eu estou viva devido ao amor que sinto por ele... É difícil entender como me sinto... Se perdê-lo... Eu morro...

– se morreres... O que será do mundo?

– Será perfeito...

– o mundo não é perfeito... Por isso é tão belo...

A mulher sorriu – ah querido... Isso é pra me animar..?

– não consigo ver uma mulher tão bela triste...

Ela riu debochada. Sabia da atração indevida do rapaz pelas mulheres. – Queria saber se o aconteceria se 'ele' descobrir que andou flertando comigo...

– mas 'ele' não vai descobrir, não é mesmo? – perguntou despreocupado.

– é... – sorriu – Receio que meu tempo esteja se esgotando... Preciso encontrá-lo rápido!

– pela chuva ele está nervoso...

– se está nervoso esta com fome... – falou a mulher.

– se esta com fome... Foi caçar... Na cidade... – completou o moreno.

A mulher suspirou. Olhou para céu nebuloso e estralou os dedos. A chuva parou instantaneamente, e a luz das estrelas e da lua iluminou a noite. O rapaz apenas sorriu e acenou para a figura feminina que desapareceu aos poucos em meio à escuridão do bosque.

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Acordou se sentindo um pouco zonza. O que tinha acontecido mesmo? Sentou na cama relembrando devagar os ocorridos na noite que se passara. O peso da mão dele ainda fazia-se sentir em seu rosto. O que a deixou visivelmente deprimida. Porém alguma coisa não se encaixava.

– "Será que foi um sonho?"

Continua...

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Reviewer: Caraca! "Ele" estressou de vez dessa vez!(?) Tadinha da Kagome! Só estava tentando defender o que pensava! Pena que ela sempre apanha no final! Mas ela é brasileira! Não desiste nunca! xD Bem, já sei que é o 'querido' da Kagome ¬¬' e talvez quem é a mulher com quem Miroku conversava! Êê! xD Bjin!

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Writer: Oi! Uau... Como esse capítulo deu trabalho... Estava ficando acostumada com o lado gentil 'dele'... A sim, irei continuar chamando 'ele' de 'Ele'. Por quê? Por que eu acho legal... E também por que ele não tem nome... Embora nós já saibamos, a pobrezinha da Kagome não sabe! O.o Outra personagem estranha e misteriosa!? (sorri malvada) é né!? Então... hehe Quem será ela afinal? Fiquem a vontade para usarem sua imaginação! Obrigada a todos que estão lendo e deixando sua opinião! (credo rimou...) BeijoOoOo

Quando o dia virar noite, segure-se firme ao seu coração. Não tenha medo de demonstrar o que sente.

Próximo capítulo:: 'Me dê a mão' e me deixe te mostrar o outro lado do meu coração. Não pode fugir, nem se esconder. Vou estar em tudo que você ver.