Desafiando Deus
Capitulo 13 – 'Abra suas asas'
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"Embora a chuva atrapalhasse a menina pode ver o que assustava o rapaz daquela forma.
– não pode ser..."
Um raio cortou o céu e sua risada tétrica pode ser ouvida de longe por alguns instantes. Começou a caminhar calmamente na direção do automóvel. As mãos dentro do longo sobretudo negro. Os cabelos ganharam um tom cinza, pois estavam encharcados devido à chuva. Os olhos escarlates. Frios, fúnebres e assustadores. Mantinha um sorriso maldoso completando a composição de um perfeito ser das trevas.
Kagome estava totalmente paralisada de medo. Os olhos fixos nos dele.
– quando eu disser sai depressa e vem pra perto de mim... – falou o rapaz moreno.
Kagome apenas sussurrou um sim. Ainda estava paralisada.
Em um movimento, que os olhos da jovem não conseguiram acompanhar, Miroku abriu a porta do carro e se jogou no chão. Kagome abaixou a cabeça e a protegeu com os braços dos estilhaços de vidro. Olhou para frente assustada. Metade do vidro do carro estava estilhaçado em pequenas bolinhas (N/A a maioria dos carros possui vidros que não se partem em cacos. É uma medida de segurança ; ).
No banco, precisamente no centro do encosto para a cabeça, estava cravada uma adaga. Tinha o cabo decorado com motivos tribais e pequenas pedras vermelhas. Como ele adora o vermelho dos rubis.
– Kagome venha! – gritou Miroku.
A garota obedeceu rapidamente. Saltou do carro e deu a volta, ficando atrás do rapaz. A chuva continuava forte. Estava fazendo muito frio.
– que falta de educação... – o demônio sorriu sarcástico – iriam viajar sem se despedir logo de mim? – tirou a outra mão do bolso. Segurava outra adaga. A girou em volta do dedo indicador, a segurando firme em seguida. – não esqueçam, que eu sou seu anfitrião!
– esta casa é a minha... – murmurou Kagome.
– mas eu vivo nela a mais de quinhentos anos... – sorriu ao ver o espanto nos olhos da púbere.
Ergueu a adaga na direção do casal. – veremos se a princesa é tão rápida quanto você...
– ele não atiraria-
Ele atirou. Kagome fechou os olhos esperando a dor. Que não veio.
– "ele estava blefando?" – abriu os olhos e se deparou com Miroku. Ele estava em sua frente, a abraçando. – Mi... roku... O que..?– a dor no rosto dele respondeu a pergunta.
– ta tudo bem... Kagome?
– seu doido! Por que fez isso!? – perguntou nervosa.
– ele sabe que eu não erro... – o demônio gargalhou – uma mulher humana morreria na hora com uma dessas na cabeça! – deu um passo em direção aos dois – sabia que faria isso... Por isso o fiz!
O moreno levou a mão às costas e arrancou a faca que estava próxima ao ombro. Por sorte ele era mais alto que Kagome.
– és um maldito mesmo... – segurou a mão da jovem firme.
– gente, não briguem! Olha que tal nós voltarmos pra casa e esquecer o que-
Parou de falar quando foi puxada por Miroku para dentro do bosque.
– mas o que..?
– você fala muito Kagome... – comentou o rapaz enquanto corria. – ele irá nos alcançar daqui a alguns segundos...
– segundos!?
– preste atenção! Não importa o que ele diga, não acredite em nada!
– deixe que ela escolha em quem confiar...
O casal parou no momento em que o demônio surgiu em sua frente. Kagome se escorou em uma árvore, cansada.
– o que realmente queres? – indagou o moreno.
– saque sua espada! – ordenou enquanto desembainhava que a sua. A lâmina era circundada por um fogo negro, em contraste com o metal cor de vinho.
– gente pra que brigar? Miroku nem tem uma espa-
Emudeceu ao ver a arma na mão do rapaz. Era uma espada medieval coberta por um estranho brilho vermelho.
– "okay... em que parte da fuga desesperada pela mata uma espada se materializou na cintura do Miroku? Por que as espadas estão brilhando? O que está acontecendo nessa porra!!!"
– aonde conseguiu esse brinquedinho, rapaz? – perguntou o demônio referindo-se a espada.
– não é bonita? Quer uma igual? – brincou.
– alguém me explica o que ta acontecendo aqui!? – gritou Kagome, que parecia ter sido esquecida pelos dois rapazes.
– oh sim, eu explico o que quiseres minha princesa... – abaixou a arma e ameaçou caminhar na direção da moça. – tenho todo o tempo do mundo...
– por que não fecha essa sua maldita boca? Não terás nem mais um minuto se aproximar-se dela!
– hu! Ficou bravo? Mexi com o que é seu, não é? – riu sinistramente – então é isso? Quer brigar? Pois venha!
– ora seu... – avançou com a espada em punho. O demônio não se moveu. A lâmina atravessou o abdômen.
Ele apenas gargalhou. Kagome que antes estava apoiada caiu sentada atônita.
– tens que acertar aqui – apontou para a garganta – cortar minha cabeça fora... Caso contrário...
O moreno engoliu a seco. Sentiu a lamina gelada atravessar vagarosamente seu estomago.
– por mais que o tempo passe... Sua burrice sempre me surpreende! – segurou a lâmina na tentativa de tirá-la de si. Ergue a mão rapidamente e a sacudiu afastando a chama vermelha que lhe queimava. – ainda não me respondeu onde conseguiu isso...
Miroku cerrou os dentes. Arrancou sua espada do corpo do demônio e caminhou para trás, fazendo a lamina negra ser retirada de si.
– doeu? – inquiriu maldoso – diga-me... Como é a sensação de ter o estomago perfurado?
– como assim? – Kagome arregalou os olhos. O que aqueles dois estavam escondendo?
– esse maldito tem sangue frio, literalmente... – colocou a mão sobre a ferida estancando o sangue rapidamente – não sente absolutamente nada...
Kagome se levantou e caminhou até o rapaz – mas você não...
– não se preocupe...
Sentiu o sopro frio em seu pescoço. A menina virou-se devagar e encontrou o olhar escarlate do demônio.
– BUH! – Kagome caiu sentada no chão e engatinhou assustada para trás de Miroku. Ele riu – parece um cãozinho! Princesa tenha mais dignidade!
– fique longe de mim! – esbravejou pondo-se de pé.
– assim parte meu coração, querida... – fingiu-se ofendido – opa! Eu não tenho um! – a menina já estava se cansando do sorriso irônico dele.
– Kagome vá embora daqui!
– mas como!?
– corra! Corra o máximo que puder! Vá para casa!!
– eu não sei pra que lado fica a casa! – disse desesperada. Os olhos enchendo de lagrimas – eu não sei pra onde ir! Desculpa...
– então vá para qualquer lado! Mas saia de perto! Vou buscá-la depois!
Kagome assentiu com a cabeça e correu. Miroku olhou a silhueta da moça que sumiu rapidamente em meio a mata decepcionado.
– como ela consegue correr pro lado oposto?
– devia parar de mentir para ela...
– como assim?
– sabes que não irá buscá-la!
– deixe as previsões com 'ela'
– falando nisso... Onde 'ela' está?
– onde mais? Na casa... Esperando-te... – respondeu desgostoso.
– isso te incômoda, não é? Que tal mudar de assunto?
– que tal ficar quieto?
Ele apenas riu. Ergueu a espada e avançou.
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– "ai minha vida é tão legal... há alguns meses eu vivia num centro urbano, pagando minhas contas com o dinheiro dos quadros e agora?" – pensava enquanto corria esquivando-se dos galhos – "agora eu fui parar no inferno! Meus amigos são estranhos! Um demônio me persegue! E eu estou perdida no meio da mata!!"
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O som dos metais se tocando era abafado pelo barulho da incessante chuva. A terra recoberta de folhas ganhava um tom avermelhado, devido à água que lavava os corpos dos que ali duelavam.
– onde pretende chegar lutando comigo? – perguntou o demônio enquanto esquivava-se de um golpe.
– você fala de mais!
– é que fiquei muito tempo adormecido! – esquivou-se de outro ataque – preciso recuperar o tempo perdido!
– sua voz me irrita!
O demônio sorriu – foda-se!
– tem passado muito tempo com Kagome – sorriu também.
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A jovem estava começando a sentir o cansaço. Parou debaixo de uma grande árvore na tentativa, inútil, de abrigar-se da tempestade. Pode ouvir um ruído forte de água. Aparentava uma cachoeira. Caminhou em direção ao som e se deparou com um grande abismo, pelo centro do qual passava um rio repleto de corredeiras. Kagome aproximou-se do local. (N/A: Ela ainda não aprendeu que curiosidade mata? O.o'') uma pequena ponte ligava os dois lados. Era feita de cordas e madeira. Aparentava ter muitos anos devido ao estado de conservação. Faltavam algumas tabuas e as cordas ameaçavam romperem-se.
– isso não tava na escritura... Legal! Eu nem to mais na 'minha' propriedade! Parabéns Kagome! Será que tem prêmio Nobel por burrice!? Sua idiota!
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O demônio se abaixou ao lado do outro.
– morreu finalmente? – suspirou exausto.
– não imbecil...
– mas não vai se mexer por um bom tempo, não é? – perguntou esperançoso.
– sabe o que vai acontecer se eu ficar sem me mexer, não é? – levantou cambaleante e encostou o corpo em uma árvore, deixando-se escorregar até sentar no chão.
– não me diga que-
– não a deixe atravessar... – Recebeu um olhar confuso – você é burro ou que? Ta ficando esclerosado?
– essa é a sua função – apontou-lhe o dedo indicador – eu sou o suposto vilão da história – apontou para si mesmo – aquela louca deveria ser a mocinha – apontou para a direção que a menina havia seguido – entendeu? E não me chame de esclerosado, ou termino logo com você!
– apenas... – disse com a voz fraca – não a deixe atravessar...
– o que sabes que eu não sei?
– atravessar... É perigoso...
– não desmaie! Estou falando com você!
– depressa... Ela precisa de ajuda...
– não podes confiar a vida dela a mim! Eu sou um demônio!
– você... Não... – fechou os olhos devagar – não pode... Atravessar...
– hei! Acorde! – sacudiu-o pelos ombros – atravessar o que!? Acorda seu imbecil! O que você é? Não devia perder as forças assim tão fácil! – lhe deu um tapa no rosto – atravessar o que? – perguntou sem esperança de resposta – por que eu..?
Continua...
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Reviewer: Nossa, o capítulo foi longo e eu nem percebi!!! Quando vi – puft! - já tinha acabado! Gostei da historinha do 'mocionho'. E eu concordo com 'Ele'. Mas tudo bem... To esperando o próx. capítulo!!!
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Writer: Senas de luta são sérias, não é? Cof! Cof! Eu não sei fazer senas de luta... T-T Capítulo looooongo... Caso tenha ficado alguma duvida, a primeira adaga acertou o banco do motorista. Acho que isso não ficou muito claro... o.O'' eles falaram numa tal de 'Ela'. Aiai... Minha cabeça ta ficando confusa X.X Err... Só uma coisinha... Uma tentativa de atiçar a curiosidade de vocês... Tem coisinhas ocultas nos diálogos... "Você... não..." huhuhu! BeijoOoS
Depois de uma tempestade, sempre vem um arco-íris. Depois do inverno, vem a primavera. E depois do medo?
Próximo capítulo:: 'Você é meu anjo' . Mesmo que tenha asas negras...
