Desafiando Deus

Capitulo 15 – 'Medo'

"Alguns fios prateados estavam sujos de sangue. A brisa balançava-os sutilmente. Enquanto ali, ajoelhado, abraçava com delicadeza o corpo da jovem morena."

A colocou sentada sobre seu colo, passando o braço esquerdo por seus ombros e fazendo com que sua cabeça repousasse em seu peito. Passou suavemente, quase sem tocar, a ponta dos dedos pelo rosto pálido da jovem.

– minha pequena... Mais uma vez, não é? – ele suspirou a acomodando melhor – princesa... É hora de acordar...

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A velha senhora entrou calmamente no quarto mal iluminado. O casal de jovens estava abraçado, deitados na cama. Ela apenas sorriu e se aproximou.

– deveriam comemorar de uma forma mais empolgada não? – perguntou caminhando até a penteadeira e pegando seu velho livro – ainda estão vestidos... – a senhora abaixou-se, se esquivando de uma almofada que foi atirada pela púbere – oh! Eu estou atrapalhando alguma coisa?

– suma...

– seja mais educada com os mais velhos, querida...

– não me chame de querida...

A governanta riu debochada. – os dias passam e não importa o que aconteça... Ela mantém sempre esse mal-humor infernal...

A garota preparou-se para atacar a velha, porém foi puxada para fora do cômodo pelo rapaz moreno. Assustou-se a principio, mas acabou por sorrir e segurar firme a mão dele. O seguindo pelo corredor escuro. A velha governanta encontrou um local mais iluminado. Abriu seu grande livro e o folheou.

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Depositou um suave beijo sobre os delicados lábios da garota em seus braços. Acariciou seu rosto mais uma vez. Até que seus orbes dourados mergulharam num mar negro e intenso. Era impossível não fraquejar diante daquele olhar suplicante.

– demorou tanto...

– por que... Eu... O que... Viva..? – a voz delicada e fraca chegou como uma melodia doce aos delicados ouvidos caninos do demônio.

– há Kagome! – a abraçou com força, mas lembrando do estado da púbere afrouxou o elo.

– finalmente... Aprendeu a falar... Meu nome... – um delicado sorriso curvou-lhe os lábios. Por mais escuro que ali estivesse, podia ver os olhos âmbar brilharem. Olhos que ganharam uma estranha mancha alaranjada. Que se tornou vermelha. Vinho. A pequena gota atravessou a face dura do demônio. Iluminando seu rosto. Um brilho feliz, ao mesmo tempo sofrido. E antes que o liquido chegasse a seu queixo foi seguido por mais uma gota. E outra. Outra. Então o rapaz afundou o rosto no colo da jovem, ao mesmo tempo em que a abraçava com força. E aquele soluço baixinho voltou.

Kagome retribuiu o abraço. Afagou as melenas prateadas e fechou os olhos devagar.

– quem diria... – comentou – Por que... Esta chorando? – perguntou num tom calmo.

– eu... – se separou dela. O que fez com que a moça abrisse os olhos. E encarasse o rosto manchado dele. – fiquei com medo...

Kagome mordeu o lábio inferior. – "estou sempre me surpreendendo com você..." – abriu um pequeno sorriso. Ele a abraçou novamente.

– faltou tão pouco... Quase não te alcancei...

– huh! Perdeu uma grande oportunidade de se livrar de mim! – brincou, dando sinal de já estar recuperada.

– não brinque assim... – e uma solitária gotícula rubra escorreu de cada olho alaranjado do rapaz.

– desculpe... – sorriu. Passou uma das mãos sobre a face dele, na tentativa de limpar seu rosto. Mas aquilo apenas espalhou as marcas e tingiu-lhe a palma. Observou a mancha escura em sua mão. Talvez se tivesse um pouquinho de luz ali, poderia identificar do que se tratava. Ela ainda tinha mais quatro sentidos, não é? Cheirou a própria pele e desviou olhar para o demônio. Este mantinha a cabeça baixa. A franja lhe cobrindo o rosto. Sem êxitar passou a língua por seus dedos e arregalou os olhos. (N/A: Lágrimas são limpas...)

– sangue... Como? Lagrimas de sangue?

O rapaz levantou a cabeça. Já com o rosto limpo. – é...

– uau... – ficou boquiaberta.

Talvez tenha sido a expressão maravilhada dela. Talvez tenha sido o olhar iluminado que ela lhe lançou. Ou talvez fosse apenas por aqueles lábios avermelhados estarem separados. Talvez por nenhum desses motivos aparentes. Ele apenas a puxou pela nuca, e sem dar-lhe chance alguma cobriu a boca dela com a sua.

Talvez este tenha sido seu maior erro. Ou seu maior acerto. O fato era que definitivamente aquele beijo não ia para a coleção de 'beijos roubados' e nem tinha sabor de vinho. Ela retribuiu com toda a devoção que ele lhe dedicava. Desceu as mãos macias por seu pescoço. Ombros. Costas. Mas parou logo. Um líquido viscoso e quente molhou suas mãos. Apenas deu importância a isso depois de receber um sorriso carinhoso (N/A: o.o !?) do demônio.

A mesma mancha escura, quase negra devido à falta de luz, estava ali. Entretanto em maior quantidade, mais quente, e nas duas palmas. E viu o olhar carinhoso tornar-se sério. Saltou de seu colo. Conhecia muito bem aquele olhar reprovador. Rastejou de frente para ele, mas não foi além de alguns centímetros. Bateu as costas em uma superfície macia. Pode ver algumas plumas passarem diante de seus olhos. Uma delas aproximou-se de seu rosto, mas desapareceu na mão do demônio. Sim. Continuava ao alcance das mãos dele.

– não tenha medo... Por favor... – ele sussurrou. E aquele sentimento escuro foi embora de seu peito.

A garota olhou ao seu redor. Parecia estar em uma cúpula forrada de penas e plumas escuras (N/A: pena grande, pluma pequena). A cúpula foi se abrindo vagarosamente sob as costas da jovem , que não caiu para trás por que foi segurada pelo demônio. E as 'paredes' continuaram se abrindo num movimento suave. Até que chegaram a uma linha retilínea atrás do rapaz. O brilho suave das estrelas proporcionou a Kagome uma visão totalmente mística. Ajoelhado a sua frente estava um anjo, de cabelos prateados, olhos da cor do sol, delicadas orelhas caninas, e gigantescas asas negras. Só que ele não era um anjo. Uma composição um tanto bizarra, mas para o olhar artístico da jovem, era perfeita de mais para ser verdade. E a deixou completamente vidrada. Até o momento em que as mexeu, provocando o vento que jogou os cabelos negros da jovem para trás.

– parece que estou indo bem... – ele ficou de pé com um pouco de dificuldade. O que Kagome percebeu. – esperava que tu gritaste...

Ela também ficou se levantou. Sentiu as pernas um pouco fracas, mas manteve-se firme. Ergueu a mão e olhou para demônio. Ele apenas abaixou a cabeça. Aquilo foi o sim do pedido que ela lhe fez com olhos. Tocou suavemente a plumagem escura e sorriu largamente.

– incrível... – levou a outra mão para cobrir a boca entreaberta.

– não quis dizer estranho? – a olhou com o canto dos olhos. Ela parecia uma criança que ganhou um brinquedo. O problema é que o brinquedo era 'ele'. O que não lhe soava muito bem.

– deve ter uns três metros cada uma... Você é de mais! – e veio quase saltitando ficar frente a frente com ele – muito de mais!

Então algo fora das expectativas da garota aconteceu. Ele ficou ruborizado e sorriu sem graça.

– tu és doida, mulher...

Ela riu. O abraçou pela cintura e deitou a cabeça em seu peito. A única coisa que o demônio pode fazer foi abraçá-la também.

– como consegue esconder algo tão grande? – perguntou sem se mover.

– eu não escondo... – foi então que percebeu o esforço que ele fazia para não se apoiar nela. – elas crescem... Quando eu preciso...

Soltou-se do abraço e sentou no chão. Ele suspirou um tanto aliviado e sentou a sua frente.

– como crescem?

– crescendo... – deu de ombros – e já passou da hora delas voltarem...

– voltarem? – estava cada vez mais confusa.

– não estou acostumado a usá-las... Gasta energia de mais...

Quem sabe este fosse o motivo dele parecer tão abatido.

– eu posso ver... Como você faz? – e a sua curiosidade atacou.

Ele sorriu marotamente – não reclame se tiver pesadelos...

– pode deixar! – disse sorridente.

Colocou-se mais próximo da garota. Ajoelhado de frente para ela. Fechou os olhos com força e mordeu o lábio inferior. A menina se espantou com a expressão de dor dele. O lábio desprendeu deixando um gemido escapar por entre os dentes cerrados. Curvou o corpo pra frente e gemido virou um grito agoniado. Kagome puxou-o para que apoiasse o rosto sobre suas pernas.

– o que ta acontecendo!? – inquiriu assutada.

Ele continuou agonizando. Cravou as garras na terra, arrancando a grama. Então Kagome teve uma visão 'privilegiada' do sangue escorrendo pelas costas dele. As asas diminuíam de tamanho vagarosamente e pareciam entrar no corpo do rapaz. A púbere retirou os fios que cobriam a face transtornada do demônio. Ela percebeu que eles o estavam sufocando. E aquela cena masoquista se prolongou por vários minutos. Até que da majestosa plumagem não sobrou nada. Em seu lugar, duas piscinas escarlates que derramaram no momento em que o demônio ergueu o corpo. Sobrando apenas as feridas, que mais pareciam buracos.

O par dourado estava triste diante da garota horrorizada. Ele se afastou e sentou na grama. Só não esperava que ela viesse engatinhando em sua direção. O espetáculo não acaba nunca?

– que terrível... – ela sibilou no momento em que passou delicadamente os braços sobre seus ombros. – é a mesma coisa quando elas crescem..?

– pior... A pele está fechada...

Soltou o abraço e o encarou fixamente. – passou por tudo isso... Por mim?

– me mataria se deixasse tu morreres sendo que posso ajudar-te...

Ela sorriu e deixou uma pequena lágrima rolar por sua face. Estava se sentindo imensamente feliz. Segurou na mão dele com carinho.

– Vamos voltar para a nossa casa!

Ele sorriu e se levantou com a ajuda dela.

Continua...

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Reviewer: Nossa... Tadinho d'Ele'... Eu quase chorei... T.T Mas eu simplesmente A-M-E-I!!!! . To esperando o próx. Capítulooo!!! Pelo amor de 'Ele', não demore!!! xD

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Writer: AAHH PERFECT!! (rola no chão) que lindo!! Eu não costumo elogiar o que eu escrevo, mas esse capítulo ficou legal! - Quanto as asas do meu querido demoniozinho... Elas têm uma explicação plausível! Ele é um demônio oras! (se eu continuar dando essas explicações bestas eu vou apanhar... o.O).

Puts... Essa fic vai demorar bastante ainda pra acabar... Se meu cérebro não derreter de tanto estudar, acho que consigo terminar ela Beijos a todos! Amo vocês!

As palavras que ainda não foram ditas, podem esclarecer suas duvidas. Você passou muito rápido por mim.

Próximo capítulo:: 'Longe da realidade' e do caos. Num lugar calmo, onde eu possa ouvir as batidas do teu coração.