Desafiando Deus
Capitulo 17 – 'Sentimentos congelados'
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"– que tal me contar o que realmente você é?
Ele riu e sentou ao seu lado."
– o que realmente eu sou? Queres mesmo saber?
– foi o que eu perguntei, não foi?
– é uma historia um pouco lon-
– temos a noite toda! – ela o interrompeu.
– então não me interrompa...
– okay...
Ele suspirou e se acomodou melhor na cama.
– como posso começar..? – ele pensou um pouco – muito bem... a muito tempo atrás...
– quanto tempo?
– uns dois mil anos... – a garota caiu pra trás, fazendo-o rir. Ela sentou novamente e olhou mais curiosa.
– essa historia é de pouco tempo depois que o filho de Deus foi morto...
– humm...
– Lúcifer enviou a Terra um exército de demônios e deu inicio a um grande caos na sociedade humana. Começaram grandes guerras, e os humanos passaram a matar em nome de Deus. Ele então resolveu contra-atacar, enviando seus mais poderosos anjos. E começou uma incessante batalha divina. É claro que os humanos não podiam vê-los, apenas sentiam a energia deturpada.
– coitados...
– humanos são tão fracos...
– hei!
– voltando... Depois de muitas lutas e perdas foi assinado um tratado entra o céu e o inferno.
– um tratado?
– é um tratado que estabelecia o seguinte: ambos os exércitos seriam retirados da Terra, e seria declarado o empate. Porém nenhum dos lados admitiu a derrota, por tanto deixaram aqui o seu mais poderoso guerreiro, para que lutassem até a morte e estabelecessem o vencedor.
– que... Cruel...
– o interessante é que Lúcifer é esperto de mais...
– e o que isso tem haver?
– calma já chego lá! Bem... Deus mandou seu mais poderoso anjo... Um Grande-trono, você sabe o que é um, não é?
– eles são responsáveis pela segurança do céu...
– exatamente... Por isso tamanho poder. Só que o Diabo, sabendo disso enviou não seu demônio mais forte, e sim o mais belo...
– stop! Repeat please! Ta me dizendo que ele mandou o mais bonito?
– sim... Uma demônio da raça dos vampiros...
– existem demônios vampiros?
– foi o que eu acabei de dizer, não foi?
– oh sorry!
– continuando... – disse já mostrando o cansaço devido às interrupções da garota – eles lutaram por algum tempo... Talvez alguns anos...
– anos?
– o tempo passa de forma diferente para nós...
– por isso você parece tão novinho mesmo sendo tão senil?
– vou te mostrar quem é o senil aqui!
– melhor voltar à história!! – sugeriu amedrontada.
– medrosa...
– velho...
– louca...
– idiota...
– burra!
– pelo menos eu não tenho mau gosto!
– por isso eu fico com você!
– ta me chamando de feia!?
– além de feia, é irritante e burra!
– grr... VÁ SE ! SEU ! FILHO DE UMA ! VAI !!
– A MINHA MAE NÃO!! SUA !!
Depois de algum tempo ambos já mostravam o cansaço devido aos berros que davam um com o outro. Até a situação piorou ainda mais. (N/A: dá pra pior mais?)
O estalar do choque ecoou no silencio da madrugada. A jovem ficou boquiaberta. Trouxe vagarosamente a mão até o peito, como se aquilo fosse protegê-la da aura negra que se formou e rapidamente tomou conta do quarto. O demônio ergueu o rosto, marcado com uma forte mancha vermelha. Os olhos já rubis.
– per... Perdão... Perdão! – implorou.
Ele tocou o hematoma ainda incrédulo. Ela havia lhe dado um tapa? Como isso!? O que ele havia feito para isso?
"– Por que não cala essa sua maldita boca e me deixa em paz!?
– cale a boca você, garota! Com quem pensa que esta falando!?
– com um idiota!
– vagabunda!
– eu... eu... EU TE ODEIO!! – ergueu e baixou rapidamente a mão, acertando em cheio o rosto do demônio."
– nunca... – ele segurou firme uma mecha do cabelo negro dela. – uma mulher ousou si quer levantar a mão pra mim... – a soltou e caminhou até a varanda.
– me perdoe... Eu... Eu... – começou já entre lagrimas – perdi o controle! Não era a minha intenção! Por favor...
– você... Vai morrer amanhã...
– o que!? Como assim?! Espere! Volte aqui!
Ele a ignorou e sumiu na escuridão da noite que estava prestes a se despedir.
– por favor... Me perdoa... – murmurou ao vento – eu... Não te odeio...
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A morena suspirou entediada e encostou a cabeça no ombro do rapaz ao seu lado. Este permaneceu apenas observando a amanhecer.
– por que as coisas estão tão difíceis?
– nunca foram fáceis... – ele respondeu a puxando para seu colo.
– bastavam apenas três palavras...
– elas foram ditas...
A jovem suspirou mais uma vez. – três palavras que mudam todo um destino...
– mudaram é?
– todinho... É vergonhoso admitir mas... Eu... Não sei o que vai acontecer de agora em diante...
– apenas deixe que aconteça...
– o que vai fazer?
– depende... Enquanto não houver interferência, seguirei adiante com o que me foi designado...
– e se houver?
– então... – ele se levantou junto com ela – não farei absolutamente mais nada!
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A mulher abriu o velho livro e sorriu. Um sorriso triste. Folheou algumas paginas. Leu alguns trechos rapidamente. Fechou o livro e soltou um longo suspiro.
– onde foi que você se perdeu?
A pergunta ecoou na pequena sala de pedra. Algumas velas quebravam o breu do local. Até que o barulho metálico cortou o ar. Os passos. A vibração da tristeza. O cheiro de sangue. A alma negra. Foi tudo que aquela imponente e poderosa mulher sentiu antes que sua pergunta fosse respondida.
– eu não me perdi... – a voz dele derramava dor. Ressentimento.
– oh meu querido... – caminhou até tê-lo em seus braços.
Quando o soltou, o rapaz caiu de joelhos aos seus pés. Segurou na barra do vestido vermelho e a puxou, pedindo que ela também se abaixasse. A mulher sentou no chão frio de frente para ele. Que deitou em seu colo e deixou que as lágrimas de sangue manchassem o tecido fino. A dama acariciou carinhosamente as melenas prateadas.
– por que choras? – perguntou serena.
– ela não pode me odiar! – agarrou com força o pano quase o rasgando com as garras – não pode!
A mulher ergueu seu rosto com as mãos. – ninguém te odeia, querido...
Ele a abraçou com força. A mulher retribui e deixou que ele apoiasse o rosto em seu ombro, continuando a chorar.
– eu sou um monstro... Por que... Eu não posso simplesmente morrer?
– não diga isso! – ela o sacudiu pelos ombros. Porém o rapaz parecia inerte.
– apenas isso... Pode libertar a alma de-
– não fale besteiras! Não pense que sabe mais do que eu! Há outra forma!
– por que..?
– ham?
– por que tem que ser tão doloroso..?
– por que se fosse fácil... Não seria uma maldição... – ela se levantou.
– já vai? – perguntou melancólico.
– sim...
– fique... Só mais um pouco...
– desculpe... Meu tempo aqui é muito limitado... Na verdade eu vim só pra te dar um conselho...
– qual?
– use seu coração...
– mas ele não bate...
– se você morreu junto com ela... Então pode viver junto com ela...
O rapaz abaixou a cabeça. Aquilo o fez lembrar de coisas de muito tempo atrás. Sentimentos que pararam no tempo. Junto com seu coração.
– jamais se esqueça – ela lhe deu um leve beijo na testa – eu te amo, meu anjo!
Não teve tempo de vê-la antes de ir embora. Quando levantou a cabeça, já havia desaparecido. Ficou para trás apenas seu doce e alcoólico cheiro de vinho... E sangue...
Continua...
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Reviewer: Nossa, eles estavam indo tão bem, mas o ego é grande demais!! Será que um dia eles vão se acertar? Será que um dia eles pelo menos não irão gritar?? O.o
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Writer: como eu consigo passar de uma cena séria, pra uma cômica, seguida de uma de suspense? O.O"' Deixando meus devaneios pra lá... O que estão achando da fic? Estamos entrando em um momento delicado... Até eu to ansiosa pelo próximo capitulo!
Nada é mais desesperador que perder quem se ama.
Próximo capítulo:: 'Perdoar' é divino? Não acredito em mais nada além do que duvido...
