Desafiando Deus

Capitulo 19 – 'O lado escuro do paraíso'

Atenção! Conteúdo inteiramente fictício e sem base religiosa.

"Quando os abriu se admirou ao ver o quão brilhante os olhos dourados do demônio estavam. Sorriu ao escutar as batidas de seu próprio coração."

Afastou-se um pouco dele desviando o olhar para o chão.

– eu...

– não...

– espera! Deixa eu falar!?

– certo... – foi à vez de ele desviar o olhar.

– é meio estranho mas... "Onde estão as palavras? Por que elas sumiram!? Calma Kagome... vai fundo, garota!" mas é que... – ergueu o rosto e acabou por mergulhar no olhar pesado do demônio – então... eu te-

– calada! – a cortou grosseiramente.

Kagome caiu deitada na cama com o empurrão que recebeu. O demônio levantou depressa e foi até a varanda. A menina foi atrás dele.

– oi? – questionou. O rapaz permaneceu alheio a ela. – o que foi que eu fiz de errado dessa vez!? Como você tem coragem de me mandar ficar calada! – alterou drasticamente o tom de voz. Segurou duas mexas do cabelo dele com as mãos e as puxou para que ele a encarasse – eu ia dizer uma coisa importante, ta! Você precisa escutar!

Ele afastou as mãos da jovem. – mas eu não quero te escutar!

Ela parou em choque. O que estava acontecendo?

– a sua dupla personalidade me irrita!

– eu não tenho dupla personalidade! – rebateu.

– a menos de dez minutos você estava me beijando e quando eu resolvo te contar uma coisa importante você me trata assim! – ela puxou mais uma vez uma mexa do cabelo dele – então é isso que eu sou pra você!? Uma boneca? A partir do momento que começo a pensar não sirvo mais? É assim!?

– me largue! – Kagome soltou os fios prateados rápido. Era o olhar de sangue dele mais uma vez. – se assim que você pensa... Talvez seja isso mesmo! Afinal as pessoas são o que elas acreditam que são!

– por que isso de repente? – perguntou sem se intimidar perante a face transformada do demônio.

– porque as coisas saíram do lugar...

– como assim?

– não era pra isso estar acontecendo! Você está indo além dos meus olhos! – Kagome o olhou confusa – não guarde as coisas onde eu não possa tocar!

A púbere sentiu o tempo parar. E pela primeira vez ela compreendeu perfeitamente a mensagem subliminar. Sentimentos são delicados de mais para serem tocados.– "então esse escarcéu é por isso? Só por que ele não pode ver meu coração? Então..."

– ei... – ela chamou sua atenção – não fique bravo comigo... É da natureza humana ter sentimentos...

– "mas não é da sua..."

– se a sua preocupação é o que eu sinto... Eu posso te contar... – ela sorriu gentilmente. O demônio pareceu paralisado com o que ela disse. – mesmo você sendo assim, inconstante, eu confio em você... Porque eu-

– você quer me matar!? – a jovem gritou assustada quando ele segurou seu braço. O brilho rubi dos olhos dele estava perto de mais. – e isso!?

– claro que não!

– então cale a boca quando eu mandar!

– ora seu... – se soltou com dificuldade e entrou no quarto – já disse que não manda em mim! E que loucura é essa de morte? Você é imortal seu tapado! (N/A: corajosa... o.Õ)

Kagome sentiu o movimento do ar balançar seu cabelo. Era ele que já estava frente a frente com ela. Fechou os olhos com força no momento em que o viu levantar a mão. Porém em vez do costumeiro tapa ele segurou as melenas negras e as puxou brutalmente para baixo, forçando a jovem a levantar o rosto. Tinha alguma coisa errada. Constatou isso no momento em que sentiu o toque gelado da boca dele sobre a sua. E mais um beijo ao sabor de vinho tinto. Soltou os cabelos da jovem deixou a mão repousar em sua cintura assim como a outra.

– você tem um jeito interessante de resolver as coisas – ela brincou logo que se separaram – podia jurar que ia acordar só amanha...

Ele abaixou os olhos dourados envergonhado com comentário – eu... Prometi que não ia mais te machucar...

Kagome aproveitou a situação para voltar ao assunto. – mas machucou... – ele entrou em choque – o meu coração... Mesmo sem poder alcançá-lo...

– não... – murmurou com os olhos já afogados.

– você me magoou... – a seriedade nas palavras dela o despedaçou. O demônio caiu de joelhos aos pés da morena.

– me... Perdoe...

– diga-me... Ouvir o que eu sinto é tão terrível assim?

– não imaginas o quanto...

Kagome se achou egoísta por tratá-lo daquela forma, mas ele não havia sido nada bonzinho com ela anteriormente. Optou por sentar no chão de frente para o rapaz. Olhos nos olhos.

– por quê?

– eu... Não sou imortal... – ela se demonstrou interessada – apenas estou inerte...

– 'inerte'?

– sim... Alheio a vida ou a morte... Em um estado de pura indiferença perante o mundo terreno...

– err... O meu raciocínio lógico é meio lento sabe...

– como posso explicar então..? – pareceu um pouco pensativo – eu não estou vivo mas também não estou morto...

– como isso? – questionou ignorando a mitologia.

– simplesmente não há nada na Terra que alegue que eu esteja vivo, mas também não há no inferno...

– então é assim? – ela se levantou – esse é o preço da eternidade? A solidão? – o demônio afirmou com um gesto – você não pode deixar nenhuma marca... Despertar nenhum sentimento... Por que quer ficar assim?

Ele se levantou e caminhou até o grande espelho que havia na porta do guarda-roupa. – por você...

– por... Mim? Mas... – caminhou até ele – como assim? Quando nos conhecemos... Você já era assim...

Ele sorriu. Um sorriso que a jovem não pode ver, já que ele mantinha-se de frente para o espelho, e na superfície gelada ela via apenas o seu próprio reflexo.

– é ai que tu te enganas, minha princesa...

– hum?

– e então... voltamos àquela história épica que não terminei ontem...

Kagome acompanhou o movimento dele até voltar à cama, onde sentaram de frente um pro outro. O demônio suspirou cansado. A jovem se acomodou melhor entre as almofadas e acabou por deitar, ainda mantendo o olhar fixo nele.

– se lembra onde parei?

– mas é claro! Foi na luta entre o anjo e a demônio! "nhaaaa adoro essas historinhas!!"

– certo... Eles lutaram durante anos até que a vontade de matar um ao outro foi diminuindo. Embora o anjo tivesse vencido varias e varia lutas, nunca tinha coragem de dar o golpe final...

– por quê? – perguntou curiosa.

– mesmo que fosse um inimigo e um demônio... Ela era adorável de mais...

– homens... – murmurou.

– não comeces...

– então termine logo!

– eles passaram muito tempo assim e quando se deram conta, nem Deus, nem Lúcifer, estavam se importando com quem venceria... – a menina sentou, interessada – muito irados com o descaso decidiram por viver aqui na Terra, e mais alguns anos se passaram e eles foram descobrindo muito sobre os sentimentos humanos...

– não me diga que...?

– exatamente... Eles acabaram sentindo na própria pele o mais avassalador dos sentimentos humanos... O amor...

– então é isso..? Você é-

– metade anjo, metade demônio... – sorriu marotamente enquanto a garota caia atordoada sobre as almofadas espalhadas pelo leito.

Depois de alguns minutos ela levantou ainda boquiaberta.

– isso explica a sua dupla-personalidade... O lado bom e o ruim...

– cismaste com isso...

– foi você mesmo que disse me disse isso...

– sério?

– de qualquer forma é uma historia linda...

– apenas até essa parte... Princesa, isto não é um conto de fadas...

– termine logo de contar essa porra antes que eu tenha um treco!

Ele riu – muito bem... É claro que uma hora alguém iria ficar sabendo, e isso aconteceu quando eu tinha cerca de seis anos, na idade humana... Deus não gostou nem um pouco de saber que um de seus mais poderosos grandes-tronos havia sido corrompido por um demônio – Kagome acomodou-se mais uma vez, sentada de frente para ele – você sabe que anjos não têm sentimentos não é?

– sim... Por que anjos não podem cometer injustiças...

– sabe qual é o maior pecado que existe?

– fazer um anjo pecar...

– e qual é a pena pra isso?

– pena?

– Deus não é tão bonzinho quanto pensa, ele é como uma criança mimada brincando com seus soldadinhos...

– fale o que quiser... Eu sou atéia... Bem, pelo menos era até te conhecer...

– em uma manha de inverno alguns arcanjos desceram e forçaram meus pais e eu a irmos até o 'céu', lá eu pude ver de um local privilegiado meu pai ser torturado, ele teve as asas trituradas... Sabia que em cada pena tem uma terminação nervosa? Tem noção do que isso significa?

A jovem levou as mãos até a boca. – que... Cruel...

– cruel não seria a palavra certa, já que meu pai não morreu com isso... Pelo fim da tarde, minha mãe finalmente conseguiu que eles parassem... Ainda lembro do que ele me disse antes de morrer no colo dela...

– o que? – perguntou, já que ele não demonstrava nenhum sentimento perante o que falava. Talvez por que mil anos cicatrizem qualquer ferida...

Não cometa o mesmo erro que eu... O amor é o mais nocivo dos venenos... O dia que provar dele, aproveite ao maximo o pouco tempo que lhe irá sobrar...

– isso não é um bom incentivo...

– não mesmo... Mas o que incentivaria uma criança que viu o pai ser mutilado vivo?

– o seu jeito de falar me deixa horrorizada...

– é a idéia...

– folgado... Mas voltando... E... A sua mãe?

– claro... O julgamento divino obviamente não se aplica aos seres das trevas, por tanto apenas quem podia julgá-la era Lúcifer... Incrível como certas coisas ficam fixas na memória... O Inferno não é um lugar tão terrível como se fala...

– você foi até lá?

– mas é claro... Não importa se é humana ou demônio, mãe é mãe... Eu era pequeno de mais para ficar sozinho...

Kagome sorriu e segurou uma das mãos do rapaz.

– verdade... Mas então..?

– eu esperava ver mais sangue jorrando, mas o que vi foi uma gigantesca festa de boas vindas...

– festa!?

– glorificados são quem atinge o pecado supremo... São os dois lados da moeda... As duas formas de se ler a mesma frase...

– a função dos demônios é despertar o lado 'impuro' das pessoas...

– minha mãe cumpriu impecavelmente sua missão, a ponto de fazer Deus sacrificar um dos seus guerreiros...

– uau...

– Lúcifer ficou tão maravilhado com o feito, que fez dela rainha

– rainha!?

– sim... A Rainha de Tártaro... Coroa, trono e bilhões de súditos... Foi ai que eu ganhei estas orelhas...

– é mesmo... Elas não têm nada haver com sua origem...

– o próprio Diabo me perguntou de que lado eu gostaria de ficar, já que tinha ambas as linhagens... Então uma forte duvida me abateu... Será que fico do lado de quem matou cruelmente meu pai... Ou do que recebeu de braços abertos a mim e a minha mãe? – brincou em tom irônico. – para que pudesse ser identificado como demônio necessitava de uma marca... O cão ou bode... Claro que preferi ter orelhas a chifres...

– você fica uma gracinha com elas... – tentou tocar nas orelhas caninas, mas o demônio as tirou de seu alcance. – unpf...

– detesto quando fica emburrada assim...

– dane-se! – virou o rosto, mas o voltou depressa – você ainda não me explicou a 'nossa relação'! Ou achou que eu tinha esquecido?

– tão curiosa...

Continua...

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Reviewer: Ai, esse capítulo doeu até em mim... Tadinhod o Pai do Inu!!! AHHH!!! A Writer é muito malvada!!!! O.O

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Writer: ufa! Finalmente consegui terminar de contar o começo da história dele! Meio estranha não? Tadidinho ." Repararam que o capítulo ficou enorme? -.-"" Bah ainda tem muita água pra rolar...

Um abraço forte. Bem melhor agora. Gire e tudo muda de lugar. Por que tudo pode ser interpretado de duas formas.

Próximo capítulo:: 'Corações dilacerados' pelo destino. Nossa historia não ficará pelo avesso assim, sem final feliz. O mundo começa agora. Apenas começamos.